Yarqon
masculino - 22 anos, São Paulo, Brasil
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Blog 59
Eu me chamo de Yarqon, que é o nome de um rio que corre pela terra dos sonhos.
Eu sou muito sonhador...sonho o dia todo com muitas coisas.
Quem quiser conhecer um pouquinho de mim que aceite isso.Os sonhadores muito sofrem e muito se alegram, pois têm muita coisa dentro do coração.Podem dizer que o mundo precisa de realidades e não de sonhos, mas pode a realidade ser criada sem antes ser sonhada?
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Eu sou gato.Não sou passarinho.
Hoje é sexta-feira.Parece tradição que eu escreva de sexta-feira.Então, que seja.
Eu amo a vida.Não odeio não.Aquilo que eu disse foi num momento de dor.
Ainda sinto dor, dor interior, não exterior.Meu coração está machucado.E eu sinto vontade de estar com alguém, de poder ser eu mesmo, de ser carinhoso, fazer alguma coisa que valha.
Não consigo explicar.Não posso explicar isso.É um desejo tão grande de afeto, parece uma vontade de chorar, de gritar, de sair desse abafamento, dessa condição que me oprime e me sufoca.Me sinto como um gato preso numa gaiola.
Os pássaros podem suportar viver numa gaiola.Os gatos não.Eu sou gato, não passarinho.
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Mais um dia
Mais um dia,
Outro de solidão,
Que agora se inicia...
Apesar do meu coração.
Tâo grande.Porém dentro dentro de mim.
Escondido das vistas, é algo que se ignora,
Como tudo o mais que é assim.
O coração devia ser do lado de fora.
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Ódio
Ninguém sabe o que eu estou sentindo.Ninguém sabe como vivo e como suporto a minha passagem sobre este mundo frio todos os dias.
Amor, sempre o amor... a falta dele, melhor dizendo.
Qual é a mão que me toca, qual é a boca que me diz as coisas que eu preciso ouvir? Não tem.Nada de nada.
Eu ouço música, eu escrevo, leio, caminho, vou assistir um filme ou uma peça, às vezes converso as conversas de todos os dias com os conhecidos... Mas a lembrança está sempre dentro de mim, desta solidão interminável.Agora, outro o está a ajudar, pois tem dinheiro (e, além disso, é bonito, muito mais do que eu.).Ele se encontra com ele, volta para casa 2 ou 3 horas da madrugada.Talvez beije ele na boca, faça carinho e deixe o outro fazer nele, tudo o que eu não posso.
Vão dizer que estou com inveja... E daí? Não posso querer um pouco de carinho também? Quem é que pôs os seres humanos em posições diferentes no jogo da vida, dando armas a uns e desarmando outros? É justo?
Se fico irritado, bato mais forte a porta ou emburro a cara, ele simplesmente para de me dirigir a palavra e ao voltarmos a nos falar, me atira pedras e diz que complico as coisas.Não consigo chorar, mas tenho muita vontade, muita mesmo.
Eu odeio.. tenho muito ódio no meu coração, mas não sei bem de quê ou de quem.Só queria um pouco de felicidade.Não tenho esse direito. -
O Beijo
Esses dias, pensei em acabar com tudo.Mas antes, quis ir à mesquita pela última vez, pela vez derradeira.Depois, sim, eu ia me matar.Talvez me enforcaria, ou me esfaquiaria, tomaria remédios... faria qualquer coisa.A vida não fazia mais sentido.
Mas foi então que eu encontrei um amigo.Talvez nem seja um tão grande amigo, mas foi a única pessoa que me tocou.Marcelo... como sempre faz com todos, me beijou no rosto.E eu fiquei até sem graça, mas foi o máximo.Sim!Talvez eu pudesse ter alguma esperança, ainda que mínima.E, por causa de seu toque, decidi continuar vivendo. -
A vida
Eu odeio a vida.
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Minha Desgraça
Por qual carícia se exprime o meu desejo
E em qual beijo está o meu amor,
Se com a mão não toco aquilo que vejo,
Se em todas as batalhas sou perdedor?
Alguém aqui sabe o que é gostar de uma pessoa e, além de não ser correspondido, ainda por cima ser humilhado por causa disso pela própria pessoa que se ama? Eu sou muito desgraçado mesmo.Mas isto é internet.Não há olhos para me verem, e por mais que eu me identifique e me caracterize como um ser existente e vivente, não é igual à vida real, onde cada um é ao mesmo tempo ator e expectador, ou, sei lá, cobaia da vida, de um teste do qual se participa para ver no que vai dar mas que não se sabe o motivo disto.Não tenho por que esconder meus sentimentos.
Eu gosto de um cara.Moro com ele.Ele está, parte do dia, ali pertinho de mim.Eu quero tocá-lo, quero que ele me toque.
Mas nada.Só está comigo por razões econômicas.Já me disse que nunca vai me dar o que eu quero.Só permite sexo, que aliás ele aprecia muito.Não é fácil para mim, nem um pouco.E eu não tenho com quem conversar sobre isto, nem sequer posso conversar.Ele é frio, e o pior é que não encontro ninguém além dele.
Não sou bonito, nem rico, nem interressante.Quem iria se aproximar de mim?
Às vezes eu penso em acabar com tudo.Só o que não tenho: é coragem. -
Avec le temps
Hoje eu fui na mesquita.O sermão foi brando, talvez pelo clima de fim de Hamadán ( o mês de jejum, abstinências e rezas, para quem não sabe sobre as obrigações religiosas dos muçulmanos ).
"...Se eu tenho muitos pecados, o Perdão de Allah ( Deus ) é maior. E se o Perdão de Allah só abrange os que são mais corretos, a quem recorrerá o que peca mais?" - foi o que disse o xeique.
Eu não sou um rapaz muito religioso, apesar de ter e de respeitar a religião, como poucos o fazem nos dias de hoje.Tenho planos para, um dia, se Deus quiser, eu ser mais "certinho".Porém, mesmo agora, faço o possível para ser sempre uma pessoa tolerante, ao contrário do que vejo muitos ao meu redor fazerem...
Nietzche escreveu um livro chamado "Assim falou Zaratustra" ( "Also sprach Zaratustra" ), um bom livro, principalmente para quem o entendeu completamente.O livro, no entanto, pouco ou nada fala do verdadeiro Zaratustra, uma figura legendária da antiga Pérsia, o atual Irã.Zaratustra, ou Zoroastro, foi um profeta que viveu aproximadamente 700 anos antes da nossa era.
Detalhes.Já basta.Qualquer um pode encontar dados sobre figuras históricas numa enciclopédia ou num site da internet.Não vou me ater muito a isto.O que eu quero passar é a lição dele.Zaratustra costumava ensinar o seguinte: "Para viveres bem, tenha bons pensamentos, boas palavras e boas ações".
Com o tempo, a gente se cansa.A gente se cansa dos problemas, dos desencontros, dos desentendimentos, mal-entendidos, chantagens, das vergonhas que passamos ou que procuramos evitar.
Com o tempo, a gente cansa.A gente se cansa de pedir X e ganhar o Y, de desejar e não conseguir, de fazer inimigos por querer ou sem querer, de dar ou de receber dos amigos apenas parte daquilo que esperamos, de ver com os olhos e não poder alcançar com as mâos, de lamentar pelo passado ruim e pelo futuro incerto a atormentar nossas vidas.Com o tempo, a gente se cansa.A vida vai se tornando insuportável.A gente se cansa do tempo.A gente se cansa.
Não estou aqui para ditar ou tentar ditar soluções.Mesmo porque não as possuo.Aceito, também, as sugestões que porventura vierem da parte de qualquer pessoa que topar comigo pelas andanças da vida, pela fala do próprio tempo.
Mas, será que Zaratustra não estava certo? Porque é bem certo que muito pouca gente ouviu o eco de suas palavras, tanto em sua época como posteriormente, agora.E é bem provável, da mesma forma, que aquela palavras continuem a ser apenas palavras, nunca tornadas feitos poela grande maioria dos homens.
E se... e se houvesse sido o contrário? Não estaríamos todos nós muito melhores.Nosso mundo interior não estaria muitíssimo mais tranqüilo e nosso mundo exterior,o "comum", não estaria quase que em paz?
Sinceramente, acredito que sim.Quero tentar;"Bons pensamentos, boas palavras, boas ações!" -
Comunicação
Por que será que por trás do que se diz, tem sempre o querer dizer? E por que será que o dizer nunca vem junto do ser compreendido?
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Marionetes
Uma vez, um amigo meu, homem já de meia idade, que passou por muita coisa boa e ruim na vida, me disse que todos nós somos marionetes, que viver é ser uma marionete.Ele disse : "É só escolher de quem queremos ser marionete."
No nosso idioma, existem duas formas: marionete e marioneta,e derivam do francês marionette.É uma palavra bonita, apesar do seu significado estar relacionado àquilo que se manipula, que se controla, algo que não tem vontade própria, autômato, robot.A orígem da marionete, no Japão, está relacionada á ópera, no século XV.Precisamente em 1624, em Osaka,quando surge o teatro de fantoches Bunraku.Era manipulada por varinhas.Aqui no Ocidente, aparece antes, na Idade Média, no que hoje é a França.Marionette é o diminutivo de Marion, que por sua vez é um diminutivo de Marie.O seu uso desenvolveu-se posteriormente, em especial a partir do século XVIII, espalhando-se por diversas regiões da Europa, com destaque para a Sicília e a Península Ibérica.Atualmente, todo o mundo a conhece,pois que ela diverte e encanta adultos e crianças dos cinco continentes.
A partir do momento em que se toma consciência do papel que se deseja desempenhar, a escolha do controlador é de fundamental importância.Somos todos marionetes, marionetes que estão submetidas à alguém ou algo, mas que igualmente fazem um determinado espetáculo, assistido por platéias imensas e que, eventualmente, pode render muito lucro com o dinheiro das entradas, dependendo de quem as comprar ou de quanto elas custarem.
Ser marionete, para nós, tem este duplo aspecto - por um lado, nos movem forças e elas independem da nossa vontade; por outro, ainda podemos, até certo ponto, decidir em quais mãos estarão as nossas cordinhas...
As marionetes que dão nome à nossa condição, aqueles simpáticos brinquedos inanimados, são feitos de pau, de papel, papelão, pano, lata ou qualquer outro material que não a carne, o osso e o pensamente.Não podem ter desejos.Não tem consciência de ser, de estar no mundo. Ter esta consciência dá ao homem o desejo, o desejo de atuar nele, participar, contribuir, desfrutar dele.Não importa de isto vá contra ou a favor do outro que também tem esta consciência.Mas ter o desejo não garante que a realização venha junto.É por causa disto que as escolhas pesam tanto.
Se tu nem sequer podes contar com a certeza da concretização daquilo que desejas, escolher um caminho errado vai diminuir ainda mais as tuas chances.Terás de resolver outros problemas, gastarás mais energia.O caminho são as mãos que nos controlam. -
Perguntar
Cheguei a uma conclusão: concidero-a,sem modéstia alguma de minha parte, muito bem pensada.
Raciocinem comigo:
Nós, os seres humanos, nós que somos o bicho-homem que, querendo ou não, estamos a conviver a todo instante com nossos semelhantes, nós somos demasiado briguentos.Se não estamos envolvidos em uma discusão inútil ou desgastante, ao menos estamos prontos para uma, dadas as nossas maneirs agressivas, treinadas e retreinadas, a princípio por uma questão de defesa.Nos acostumamos a isto.De hábito, vai passando a uma "segunda natureza", algo realmente próprio de nós.
Nunca sabemos o que o outro quer de nós e nem sequer o que quer dele mesmo.Nas coisinhas mais insignificantes, erramos.Nunca estamos dispostos a ceder um palmo sequer.
O que o outro, de forma geral e também cada um em particular precisa de nós?
Como saber?
Ah, nada tão fácil e ao mesmo tempo divertido... Perguntando.Perguntar é o caminho mais fácil.Se dizem a verdade, é algo extremamente simples.Se mentirem, ora! Não somos assim tão bobos - podemos desconfiar.
Basicamente, devido a uma tendência natural de toda e qualquer pessoa, exageramos em tudo.Sendo assim, o melhor é o diàlogo, conversar, questionar.Mas, como parte do que for requerido será puro exagero, algo de que não se necessita realmente e é apenas capricho momentãneo, engano ou auto-engano, digamos que deve-se conceder apenas em uns 80%.
Nunca 100%.
A vida será descomplicada se procedermos assim, resolveremos nossos problemas de comunicação.Se não com a solução ( é, admito a possibilidade de estar errado nas minhas conclusões...), ao menos com uma solução inventada.
"Solução inventada" ?! Podem dizer que é irresponsável pensar deste jeito.Mas alguém vê outra jeito? Uma coisa é indubitável: melhor perguntar e dar apenas 80% do que se pediu, que não perguntar e não dar nada também.