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masculino - 58 anos, Salvador, Brasil


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  • RÉPLICA AO JORGINHO VELLOSO

    TADEU BAHIA:. - Autor

    Há décadas e décadas atrás, desde os meados dos anos 60, que o seu tio Caetano suscita polêmicas construtivas e opiniões adversas em tudo que fala, em tudo que canta, em tudo que veste, em tudo que faz... Todos nós já estamos acostumados com ele porque as suas opiniões e jeito de ser, aparentemente chocantes à primeira vista, logo se transformam em premissas futuras factíveis e concretas.
    Quer queiram ou não, o Caetano já faz parte da História Política Brasileira, não só da Música Popular. A posição corajosa e sobremodo histórica do Caetano no período militar dos anos 60, com aquele rosto angelical, adolescente e arrogante, enfrentando com elegância a fúria desembestada dos militares, misturados anonimamente nas platéias dos teatros com o fulcro de pegá-lo no contra - pé com as suas letras aparentemente extravagantes, mas cheias de uma sutil e doce malícia, quando nas entrelinhas poéticas dava o seu recado...
    Foram anos românticos e apaixonados aqueles, só quem viveu os anos 60 pode bem rememorar aquele período inesquecível da nossa história. Os anos 60 consolidaram o futuro do Brasil para o final do próprio Século XX e a virada do Século XXI. Naquela época infame da Revolução Militar, pugnávamos pelo nosso direito de liberdade de expressão, éramos proibidos de expressarmos as nossas opiniões, conceitos ou pontos de vista os mais pueris. Vivíamos sob censura. Inúmeros livros foram proscritos, muitas poesias e músicas bonitas censuradas e bibliotecas inteiras foram escondidas, outras queimadas, sob a fúria imbecil dos militares de plantão.
    Apesar de tudo a geração pós-guerra do Caetano enfrentou com coragem, jogo de cintura e inteligência esses anos obscuros, mas logo depois da Revolução, sob o advento da Nova República, viriam no futuro outros períodos negros comandados pelos presidentes civis, contudo essa é outra história, pois a geração seguinte, já vivendo os primeiros ventos da Democracia, sem derramar uma única gota de sangue, através do exemplo deixado pela geração do Caetano, sob clamor popular em todo o país e envolta na túnica imaculada da Bandeira Nacional, apeou sob o tríplice lume da Justiça, do Direito e da Razão um ex-presidente do poder.
    A figura romântica e constante do Caetano nos principais acontecimentos da Música Popular Brasileira nos meados dos anos 60 para cá, se refletiram de forma direta, quer queiram ou não, na situação política nacional, onde fez florescer um tipo de música despojada, inovadora e doce, despida de classicismo e/ou lugares comuns, iluminada por palavras néo-concreto-tropicalistas nos seus versos simples de feições barrocas, que iluminaram as inteligências de então. Porém, os versos sociais, metafísicos e trancendentais da música do Caetano desagradavam os ouvidos desafinados dos militares, naquele tempo parte da esquerda era burra porque ainda nem sabia ler os sinais de trânsito deixados pelos músicos, escritores, teatrólogos e poetas nas ruas movimentadas da nossa própria História. Acho que até hoje parte da esquerda que está no poder não aprendeu sequer a soletrar o dever de casa...Viva o José Celso Martinez, Plínio Marcos, Torquato Neto, Jorge Mautner, Paulo Garcez de Sena, José Carlos Capinam, Gilfrancisco, Jorge Portugal e Wally Salomão!
    A nossa História, Jorginho, conta com poucos Iluminados, mas pode ter a certeza que o seu tio Caetano é um deles! O Caetano não é somente um ícone da Música Popular Brasileira, ele é um divisor de águas pelo seu posicionamento político determinado, pelas suas manifestações pessoais, sociais e corajosas implícitas nos versos que escreve, nas músicas que compõe, nas suas palavras futuristas e proféticas que quando pronunciadas causam confusões de interpretação e erros de entendimento, por isso o analfabeto... analfabeto não é somente quem não sabe ler ou escrever, é aquele que também não sabe pensar, enxergar, entender, compreender os destinos do seu povo e não sabe como gerir/trilhar com precisão, responsabilidade e coerência os caminhos da própria História da sua Nação! O saudoso Major Cosme de Farias e o querido compositor Tom Zé sempre compartilharam da mesma opinião uníssona que vivemos num país de analfabetos. Porque a dúvida com o seu tio Caetano?
    Jorginho, eu tinha me prometido nada escrever sobre esse episódio do Caetano, a sua própria tia Sueli sabe disso desde o começo, mas o rol de imbecilidades que tenho lido na Imprensa ultimamente, a burralidade ímpar que ainda impera neste país trazida no rranço dos antigos revolucionários ditos esquerdistas, maculada por manifestações de senilidade intelectual e política, com os constantes apagões de falta de memória histórica por parte daqueles que detém nas mãos as rédeas do poder, pecam também por esquecerem-se daqueles períodos românticos quando os primeiros hippyes com os seus cabelos encaracolados, longos e maravilhosos, com o espírito vestido na alva translúcida da Paz e do Amor, juntamente com os jornalistas, intelectuais, estudantes universitários, compositores, escritores e poetas enfrentaram a fúria insensata dos militares ao serem barbaramente espancados, torturados, presos, seviciados e covardemente assassinados nas celas das delegacias, nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) ou nos porões inféctos dos quartéis...
    “Quando em me encontrava preso/na cela de uma cadeia/foi que vi pela primeira vez aquela fotografia/em que apareces inteira/mas lá não estavas nua/e sim coberta de nuvens... Terra!... Terra!...”
    Mesmo antes de você nascer, Jorginho, a sua avó Mabel Velloso já falava que “...tinha muito medo da minha caneta!”. Mas situações como estas em que as palavras ditas pelo Caetano ainda continuam a ser não entendidas e frequentemente são mal interpretadas, quando ouvimos manifestações absurdas e sobretudo desrespeitosas e indecentes, quando o bom senso é esquecido e a dignidade de uma Família é escoimada, mandar algumas pessoas irem para a puta que o pariu ainda é pouco! Todos nós sabemos que as opiniões são frutos de ação individual e expressam tacitamente o pensamento de quem às emite, responsabilizando-se integralmente por elas. O Caetano não arredou o pé do que disse, ele sempre foi um teimoso nas suas opiniões, nunca arreda! A sua mãe, a minha Lala Velloso, também saiu a ele, quando a sua mãe quer uma coisa, meu filho, ninguém a demove. Tanto ela como o Caetano têm personalidade segura, determinada e forte. O mundo deveria ser cheio de pessoas bonitas assim...
    Saquei de pronto quando li na internet as pertinentes e prudentes preocupações do seu tio Rodrigo, figura querida, o homem mais simpático dos Vellosos, o eterno Anjo da Guarda da sua bisavó Canozinha Velloso e Mestre de Cerimônias da Família. Mas o seu tio Rodrigo nunca foi um temeroso ou um covarde, conheço-o há anos... ele sempre foi um homem prudente e bom, bem parecido com o seu bisavô Zezinho Velloso que mal voce nasceu e ele pegou o bonde da “Trilhos Urbanos” e foi morar no Céu! Não se deve nunca confundir prudência com covardia, são palavras díspares e não equivalentes entre si. A elegância da nota emitida pelo seu tio Rodrigo surtiu o mesmo efeito que as palavras sábias e proféticas do seu tio Caetano, não conseguiram ser entendidas/sequer coerentemente interpretadas porque foram unânimes e verdadeiras.
    Muitos imbecis questionaram na Imprensa que o Caetano não tem nível superior, esquecem-se que muitas pessoas atualmente que detém o poder também não tem nível superior, não são formados ou pós-graduados em doutores e sim em aproveitadores, mas os versos do poeta português Fernando Pessoa explicam muito bem a inferioridade presente, na pretensa superioridade não existente nas pessoas, quando assim se expressam:
    “...Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo, eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo, aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia, seja uma flor ou uma idéia abstrata, seja uma multidão ou um modo de compreender Deus. E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo. São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores, e são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também, porque ser inferior é diferente de ser superior, e por isso é uma superioridade a certos momentos de visão. Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter e simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades, e com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles, e há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens. Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia, basta que ela exista para que tenha razão de ser...”
    Há décadas atrás, a voz ardorosamente quente, sensual e gostosa da sua tia Bethânia, imortalizou esses versos maravilhosos e trancendentais numa gravação antológica inesquecível. Quanto ao seu tio Caetano, se todas as cidades e países do mundo tivessem a honra e a glória de ter um Patrimônio Universal chamado Caetano Veloso, tenha a absoluta certeza Jorginho, viveríamos todos num mundo intelectualmente maravilhoso onde não existiriam fome nem guerras, abençoado por canções translúcidas de amor e paz e consequentente muito mais gostoso de se viver! Aceita um beijo saudoso de Tadeu Bahia e Sueli, dá um beijo carinhoso na Maria... Fala para a Mabel e a Lala que neste meio de semana aparecerei por lá!
    [b]TADEU BAHIA – Escritor, Poeta e Memorialista bahiano (1951) é neto do DR. MANOEL BAHIA, que foi Orador da Filarmônica “Lyra dos Artistas” de Santo Amaro da Purificação. http://pt.netlog.com/tadeubahia

    • 6 dias atrás às 11:06
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  • TADEU BAHIA FILOSOFA O FILÓSOFO NIETSCHET - 1a. Parte

    TADEU BAHIA:. – Autor

    Nascido Friedrich Wilhelm Nietzsche, na cidade de Rocken, na Alemanha em 15 de outubro de 1844... conseguiu sobreviver até os 56 anos, até quando a sua própria loucura o matou.

    Os católicos ferrenhos pregavam/pregam que a loucura do Nietzsche (1844–1900), foi um castigo divino, fruto das suas injúrias contra Deus e a Religião Católica, amplamente propagadas no volume “DER ANTICHRIST, FLNCH AUF DAS CHRISTTENTUM” (O Anticristo). Porém, o paradoxo disso tudo é que as palavras enraivecidas do filósofo e pensador alemão nascem dos lábios de um homem formado em teologia e filosofia, além de ter sido professor universitário e reconhecido filósofo militante, marcante do seu próprio tempo. O seu espírito revolucionário, indócil e sempre em ebulição constante nos lembra o perfil do cineasta baiano, Glauber Pedro de Andrade Rocha, o saudoso e eruptivo Glauber Rocha, redivivo nas sábias palavras do mestre, poeta e jornalista João Carlos Teixeira Gomes através da sua magnífica obra: “Glauber, esse vulcão”.

    Precisaríamos de um escritor e memorialista de mão cheia, igual ao caríssimo João Carlos, acima citado, para fazer explodir em cataclismos, os mais loucos, toda a Obra Nietzschiana, cujo principal mérito foi o de cortar o velho e desgastado “cordão umbilical” que unia, até àquele época, os conhecimentos antigos que eram alicerçados no pensamento gregoriano. Assemelhando-se ao Glauber Rocha com os seus atos intempestivos, os quais, sob a visão “normal” dos demais humanos eram considerados ilógicos e abusivos, a lógica do Glauber e a do Nietzsche se assemelham ainda ao espírito desbravador, barroco e ante a tudo vulcânico do também poeta baiano Gregório de Mattos e Guerra, quando, ao seu tempo e antecedendo em séculos o próprio Nietzsche, o então poeta baiano, à semelhança do Voltaire, voltava-se contra Deus e a Religião Católica em versos explosivos e viperinos que a nossa língua pátria pouco caso fez. Não fossem a abnegação, os esforços e as dedicações constantes do James Amado, Gilfrancisco, João Carlos Teixeira Gomes, Fernando da Rocha Perez e deste modesto autor, o próprio Gregório de Mattos e Guerra seria mais um escritorzinho fudido e de merda, sem nenhuma importância ou significação para a nossa língua, como todo e qualquer desconhecido poeta... No entanto, o Nietzsche foi o seu próprio vulcão, a sua própria e transbordante loucura, bem como as suas próprias teses e antíteses, pois escoimando de uma maneira atroz a Religião Católica, na qual dizia ser a religião dos fracos, covardes e submissos, levava o dogma da incerteza aos espíritos crédulos e demolia – com um só golpe – todas as considerações ditas teológicas sobre a pretensa criação de Deus.

    O Deus Cristão não existe. O que existem são o medo e a ignorância dos homens frente aos acontecimentos materiais – alguns até aquelas épocas inexplicáveis sob a luz ainda bruxuleante e fraca de uma ciência que nem era reconhecida como tal – onde era acrescentada ainda a pouca visão e quase nenhum conhecimento científico de que não dispunham os homens daquele período, onde os acontecimentos hoje considerados os mais simples, são esclarecidos através de uma pesquisa boba no Google, na internet. Porém, na pequenez cósmica daquelas inteligências mal iluminadas de então, transformavam-se em “fenômenos”, em “milagres”, onde eu acrescento ainda que o “estado de coma” que sofreu o próprio Jesus Cristo após a sua crucificação, ao sair naturalmente do período crítico do coma, foi considerado pelos católicos de carteirinha como sendo o próprio “Filho de Deus Ressuscitado e Vivo”! Que diriam os homens daqueles tempos se soubessem que eu próprio já entrei em coma por duas vezes... Na primeira vez fiquei inconsciente por quase dois meses; muitos anos depois, na segunda vez, fiquei cheio de tubos, máscaras, respirando e monitorado por aparelhos e nunca nenhum dos médicos do Hospital Couto Maia ou do Hospital Espanhol me reconheceram como um Deus ou um Tadeu qualquer ressuscitado! Por duas vezes devolveram o meu caixão às respectivas Casas Funerárias... Nem por isso subi ao céu carregado por anjos e envolto em nuvens poéticas, resplandecentes e ofuscantes!

    Simplesmente voltei para casa de táxi e não carregado por uma legião de anjos celestiais...

    A pequenez científica dos homens de dois séculos passados não acolhia dentro do seu pouco conhecimento, toda aquela imensa e maravilhosa gama de acontecimentos e/ou fenômenos naturais – e inexplicáveis para o seu frágil espírito, onde não encontrando palavras para ilustrar o que lhes acontecia à volta, atribuíam-nos conotações “divinas”, sobrenaturais. Para Nietzsche o divino não existe, por conseqüência, os “milagres” também não. Se o divino existisse seria o próprio Homem! Teríamos então a explicação do “super-homem”, do Super-Homem Cristão, dignificado na terra pela figura do Jesus Cristo, enquanto paralelamente os americanos criaram o Super-Homem na figura dócil e andrógina do jornalista Clark Kent... Essas palavras para tentar explicar – em paródia – como os padres criaram o seu super-homem na pessoa do Jesus Cristo, assim como os primeiros beatos, apóstolos, visionários, Abraão e o Moisés da estória bíblica criaram o seu próprio Deus e a sua corte de demônios e anjos celestiais... Para mim, quem sabe sintetizar a estória bíblica não é Deus nem o Lúcifer... é o poeta florentino Dante Alighieri, que visualizou na sua transcendente loucura medieval os cantos, recantos e os encantos do céu, purgatório e do inferno... Foi esse poeta italiano quem escreveu o “poket-book” da Bíblia, conhecido universalmente como “A Divina Comédia”!

    Os homens criaram Deus à sua imagem e semelhança, não ao contrário; se fossemos criados por Deus à imagem e semelhança dele – seria muita presunção da nossa parte, meros e decadentes mortais. Criamos também a Bíblia, simples “Manual de Instruções” da Religião Católica e da pretensa e inusitada imprensa celeste, onde sobre o assunto, no seu prólogo o Gênesis ainda postula e teima que de fato Deus criou o homem a sua própria imagem e semelhança... É uma pena porque somos totalmente dessemelhantes, como profetiza o poeta barroco Gregório de Mattos e Guerra nos seus versos viperinos e maravilhosos contra os ora governantes da cidade da Bahia no século dos seiscentos: “Triste Bahia... o quão dessemelhante”. Nietsche nunca achou nada disso, ele postula o ser hiperbóreo, dignificado no super-homem nórdico, habitante das geleiras acima da linha boreal, setentrional, onde existia uma civilização mágica, e que, segundo o Apolo, seria habitada pelos próprios deuses. Falava-se que os homens hiperbóreos seriam despreocupados, sonhadores e felizes, na sua maioria poetas, compositores e hábeis tocadores de violão... na certa eles seriam os ancestrais dos atuais baianos...

    O Nietzsche cultuava a idéia de que existiam esses homens hiperbóreos e que os mesmos já tinham alçado a um estágio superior, distinguindo-se dos simples mortais pela ausência absoluta dos sentimentos terrenos e efêmeros da piedade, tolerância, fraqueza e/ou do sofrimento. Preconizava que esses super-homens estariam sempre em um estado de contínuo renascimento e crescimento e que teriam o condão de determinar o bem e o mal, sem levar em conta os esquálidos pontos de vista da igreja, ou mesmo da atrasada sociedade de então. A felicidade do super-homem nietzscheziano, leia-se seres hiperbóreos, seria determinada através dos seus próprios valores, centrados em constantes mudanças na busca do prazer absoluto. Segundo o Nietzsche o seu super-homem não acreditaria, sob nenhuma hipótese, em Deus, ou em quaisquer espécies de deuses e ainda teriam nas suas consciências as assertivas de que somente os fracos restringem, tentam em vão impedir, o crescimento dos mais fortes. Outra contradição que pode ser observada nesse gênio é que sua aparência triste, acanhada, sobretudo tímida e freqüentemente solitária, não condizia em nada com o seu estado de espírito sempre inovador, nem com o contido nos seus escritos delirantes, sempre plenos de uma energia inesgotável, característica marcante do transloucado e sempre polêmico autor.

    Diante de tudo o que o Nietsche falou com relação à Religião Católica e o Cristianismo, este autor, após ter lido Os Sermões, do padre Antônio Vieira e quando criança tendo estudado muito sobre a vida do padre José de Anchieta e do São Francisco de Assis, posiciona-se no seguinte: se Deus não existe, de que adianta hoje em dia tanta propaganda divulgada estoicamente na mídia, quando sabemos que desde as priscas eras é a própria Igreja Católica quem sustenta e divulga as suas próprias criações e lendas, os seus pretensos mitos, supostos milagres, visões e aparições de cunho celestial, bem como estórias difundidas por esses pregoeiros acima citados, que nas companhias dos antigos apóstolos difundiam pelos quatro cantos do planeta, tanto à população civilizada da época, bem como os seus escravos e a aos gentios, nas regiões mais distantes, a sua pretensa filosofia... ai é que chega o Nietzsche com suas palavras vulcânicas e destemperadas e sem mais delongas os classifica a todos na categoria de “malucos” e “louco varridos”! O José de Anchieta e o São Francisco de Assis não passavam de loucos, na visão dos seus próprios contemporâneos e ainda carregavam o epíteto chulo de simples visionários, mas que a teimosia da Religião Católica os classificou de “santos”, como santos eram adjetivados todos aqueles que faziam/fazem propagandas de Deus, das suas supostas benesses, ou garantem aos crédulos das pretensas existências de um céu cheio de anjos, virgens imaculadas e varões santificados, assim como um inferno cheio de demônios horripilantes e vermelhos, de caudas grandes e chifrudos, que sob o comando dos dinâmicos e sempre atuantes Satanás e do Belzebu, aterrorizavam os dias e as noites misteriosas, escuras e ignóbeis da humanidade.

    Eis aí a propaganda da miséria, da miséria lata e mais profunda: o enganar as consciências, fazer uma autêntica lavagem cerebral naquelas pessoas ignorantes que envolvidas nas estórias fantásticas criadas pela Religião Católica e os seus seguidores, eram arrebanhados como mansos cordeiros a fim de fazerem parte do abençoado e pacífico rebanho que em breve os levaria a conquistar o Reino dos Céus. Como já dizia o Nietzsche: a Igreja Católica corrompia a alma dos seres humanos para cumprir maleficamente os seus desígnios, promovendo a “corrupção espiritual”, estabelecendo o tumulto do ser ou não ser católico no âmago daqueles homens mal iluminados de outrora, criando a sua própria “Ditadura Espiritual” cognominada de “Santa Inquisição” que agia igual a um pretenso e vingativo Deus, prendendo, torturando, estuprando, currando e matando todos aqueles que eram contra os seus dogmas... a mesma coisa que fez a inesquecível e sempre lembrada “Ditadura de 1964” no Brasil, quando foi implantado o suposto “Regime Militar” no nosso país... quando o “militarismo” tempos depois se fundiu com o “oportunismo” e nos fez frutos de uma Nação sem memória histórica, sem padrões de caráter, morais e éticos de conduta etc:. etc:. Assim como os ditadores de ocasião, lembrados no “Último Discurso” do imortal Charlie Chaplin, ainda segundo o Nietzsche, a Igreja Católica criava a sua corrupção a fim de se perpetuar ao criar nas almas dos homens o câncer maléfico do pecado, que eu classifico como: hóstia negra, cânhamo delirante, ácido lisérgico perfeito que envolveu e inebriou os fracos de espírito de todas as épocas. O Nietzsche ainda questiona na sua obra “O Anticristo” a pretensa “igualdade das almas perante Deus” classificando-a de pura hipocrisia, bem como adjetivando os “benefícios humanitários” em dinamite cristã do próprio cristianismo, palavreados esses que são contínua e ultimamente expostos nos últimos anos pelos diversos papas nas suas confusas e senis encíclicas e bulas papais.

    "FIAT JUSTITIA, RUAT COELUM"

    Observo que o Nietzsche pensava, em parte, de acordo com o postulado sagrado dos Illuminati, também conhecidos como Moriah, ou seja, aqueles seres incorpóreos e belos, nobres detentores da Luz. O próprio Lúcifer cognominava-se “Estrela da Manhã” e era o membro maior, espécie de Grão-Mestre da “Nobreza Negra”, aqueles espíritos encarnados pertencentes às treze Famílias que desde muito tempo atrás e até hoje dominam o mundo, decidindo/direcionando/ditando as ordens políticas, sociais e econômicas de todos os governos da Terra. Essas famílias seriam, a saber: Astor, Bundy, Collins, DuPont, Freeman, Kennedy, Li, Onassis, Reynolds, Rockfeller, Rothschild, Russel, Van Duyn (Merovíngeos). Esse grupo seleto de Famílias faz parte da acima citada "Nobreza Negra" e como já foi dito, são elas que decidem e estipulam as regras para elegerem ou derrubar presidentes, restabelecer, criar e/ou destruir governos. Os seus membros nunca são conhecidos do público, uma vez que as suas ações e palavras são tão sutis que escapam ao exame mais acurado dos simples mortais. Seus laços familiares provêm das noites dos tempos, existindo há milhares e milhares de anos e iguais aos santamarenses, eles são muito ciosos em manter a linhagem familiar, nunca deixando corromper ou quebrar esses laços. Lastreiam-se em dois sólidos pressupostos que são o Ocultismo e a Economia, cadê os nossos amigos judeus... Detém sob o seu poder todos os bancos internacionais, bem como companhias de petróleo, são donos das melhores indústrias e redes comerciais mundiais, inclusive no setor de automóveis, armas de fogo e alimentos, armamentos nucleares, incluindo o comercio e as telecomunicações, dominando atualmente o mundo virtual através da Microsoft, conseguindo através de hábeis diplomatas e políticos, deter em suas mãos a grande maioria dos governos, controlando-os à distância, ou presentemente, quando necessário. O Ocultismo, a prática ancestral da magia negra freqüentemente ocorre nos cultos e rituais satânicos e secretos praticados pelos Illuminati em todos os pontos da Terra, quando, através de práticas ocultistas e cerimoniais, controlam e manipulam as massas em quaisquer pontos do planeta. Salve o Leonardo da Vinci que no passado foi o Grão-Mestre dos Illuminati do seu tempo...

    Não obstante o acima exposto, nunca se ouviu nenhum comentário e tampouco não existem quaisquer documentos por escrito os quais comprovem que o Nietzsche fosse iniciado em sociedades secretas, ou não, tendo em vista a sua natureza explosiva, vulcânica, instável e temperamental, em conseqüência o seu espírito inquieto e indomável nunca conseguiria guardar dentro de si nenhum segredos. A sua iluminação maior veio de dentro de si mesmo, tal o Lúcifer, o qual possuía luz própria e bastava-se com a sua infinita, magnânima e iluminada loucura. Pensadores, poetas, demiurgos, magos e bruxos, historiadores, ciganos e filósofos do tope do Nietzsche estão presentes em todas as épocas da história da humanidade. Desde o suposto Adão, seguido pelo Noé, Abraão, Matusalém, Maquiavel, Maomé, o apóstolo João Batista, Platão, Aristóteles, Leonardo da Vinci, Sir Francis Bacon, Descartes, o iluminado Voltaire, Gregório de Matos e Guerra, Paulo Garcez de Sena, Galileu, Epicuro, Charlie Chaplin, Dante Alighieri, Cícero e outros sábios que sob as auras abençoadas das suas centelhas espontâneas, dotados de uma inteligência superior e invulgar, sacudiram os alicerces, os parâmetros até então conhecidos, abalando com as estruturas frágeis dos pseudo-s - conhecimentos dos cosmos e das coisas do mundo, que até então determinavam/manipulavam/influíam/geriam os destinos espirituais – leia-se: religiosos – de todos os povos da terra. Ressalto, no entanto, as posições firmes e irresolutas das poetisas santamarenses e baianas, Amélia do Sacramento Rodrigues e Mabel Veloso, as quais através a prática diuturna do catolicismo, conceberam versos maravilhosos e belos que hoje emolduram a literatura brasileira, quiçá universal. Apesar de ser bem casado com a minha atual esposa Sueli Rocha Lopes, continuo loucamente apaixonado pela Mabel Velloso e sobretudo a minha inesquecível Lala Velloso, embora ame desesperadamente e por toda a vida a minha pequena e doce Sueli, lembrando daqueles versos antigos dos poetas e compositores Tom Jobim e Vinícius de Moraes, naquela memorável e imorredoura canção, que tocará com toda a certeza nos meus funerais:

    C7+
    Eu sei que vou te amar
    Ebº Dm7
    Por toda a minha vida
    G7/5+
    Eu vou te amar
    G7 Gm7 F#7/5+
    Em cada despedida eu vou te amar
    F7+ Bb7/9
    Desesperadamente eu sei que vou te amar
    Em Ebº Dm7 G7/5+ G7 Em7 A7/5+
    E cada verso meu será pra te dizer
    D7/9
    Que eu sei que vou te amar
    G7/5+ G7
    Por toda minha vida
    C7+


    Toda vez que lembro essa minha última vontade à Sueli, ela enche os olhos de lágrimas e manda-me calar a boca e deixar de falar maluquices, mas faço questão absoluta de deixar bem claro que se esta música acima não for tocada no meu funeral, eu me dano e mais uma vez saio do caixão e volto a viver novamente... Aliás, com música ou sem música o importante é viver, uma vez que até os surdos de nascença conseguem ouvir a sua própria música!

    O Nietzsche era o “Espírito de Negação” do filosofismo não idealista proposto pela Religião Católica, significado nos seus padres andróginos e aveadados, nas suas freiras lésbicas e outras mulheres donzelas, não comidas e nunca assistidas sexualmente, todos eles (elas) mal dirigidos(as) para o exercício de uma castidade patológica e irreal, onde ancorados(as) por uma tosca e decadente formação pastoral, embasada em símbolos e caracteres irreais, embebedavam-se, drogavam-se com estórias românticas e absurdas acerca da suposta origem de um Deus que tudo sabe, tudo governa, tudo dirige e previamente estabelece... o retrato típico e obscuro de todos os ditadores, Napoleões, Getúlios Vargas, Stalins e Hitleres de todas as épocas. Todavia, antes do Nietzsche ser caracterizado como o filósofo da negação, foi um estudioso da Religião Católica que logo adiante a renegou, fazendo-me lembrar de recente entrevista do Nelsinho Motta com a Da. Canozinha Velloso, mostrada em meados de julho de 2009 numa rede televisiva, quando a ilustre matriarca foi perguntada sobre o suposto ateísmo do compositor santamarense Caetano Veloso, propagado aos quatro ventos desde o início da década de 1970 pelo ora nominado cantor, o qual se autodenominava como sendo “o avesso do avesso”. Somente nos dias de hoje, depois dos sessenta anos de idade, é que o epíteto do Caetano se acomodou e tivemos das suas concepções ateístas, apesar de ainda propagar-se ateu, as nossas dúvidas em parte dirimidas através das palavras firmes e nonagenárias da adorável, doce e querida Da. Canozinha Velloso, quando a mesma na entrevista acima mencionada, ao responder ao Nelsinho Motta sobre o ateísmo do Caetano Veloso, que o mesmo não era ateu e “...que tudo aquilo era maluquice dele, pois quem anda com a medalhinha de Nossa Senhora no pescoço não é ateu coisa nenhuma!” Aí estão manifestadas as palavras que falam da incerteza exposta nas aferições ditas ateístas do Caetano Veloso, que sob o meu modesto ponto de vista nominou-se ateu para entrar na moda, em confronto com a resposta irrefutável e universal da sua Mãe, a Da. Canozinha Velloso, que até os dias de hoje alimenta o seu Espírito iluminado nos ditames católicos do final do Século XIX até os dias atuais. O Nietzsche, caso estivesse vivo, sorriria dos dois: da incerteza ateísta-intelectual do Caetano e da certeza imutável espontânea e doce de Da. Canozinha Velloso. Sou testemunha presente e ocular de que a Família Velloso sempre anda a se reciclar espiritualmente, que o diga a famosa “Trezena de Santo Antônio” que ocorre todos os anos na casa da Mabel Velloso, no bairro barroco do Tororó, em Salvador - Bahia, cujo altar trezenal é refeito dia após dia pelo primogênito Rodrigo Velloso, sob os olhares curiosos e abençoados da minha Lala, ainda da Belô, Jú, Jorginho e Aninha Velloso.

    No contraponto destas linhas, acrescentamos que a origem intelectual do Nietzsche punha dentro do seu Espírito conturbado, sob o véu das suas certezas absolutas, todas as incertezas absolutas dos clérigos, beatos, padres e demais católicos que deambulavam crentes na suposta ressurreição que era/é constantemente comentada e relembrada nas sacristias toscas e mal iluminadas pelo mundo afora, em altares antigos e enriquecidos de ouro, prata e púrpura, demonstrando no seu régio aparato e riquezas materiais, o contraste pregado próprio Jesus Cristo, caracterizado pelo seu Evangelho de Humildade, nos fazendo recordar da figura mágica e mística do saudoso e querido Dom Hélder Câmara nas suas pregações ditas comunistas, sob os olhares desconfiados do Regime Militar de 1964. Dom Hélder Câmara nos lembrava um autêntico pregador camponês, diria eu um “Guevara de Batina” que compondo o seu rebanho às feições do próprio Jesus Cristo, pregando aos humildes, aos camponeses sem terra, levando palavras duras contra os latifundiários, exploradores da mãos de obra baratas e às vezes gratuitas do homem do campo, sugando-lhes as energias em seu próprio favor, bem como declamava históricos sermões e homilias contra os presidentes e autoridades militares de então. Não tenho informações oficiais de que tentaram assasiná-lo durante a escura e escusa vigência do Regime Militar, mas de nada duvido, mas Dom Hélder Câmara - a semelhança dos Mestres Maçons - nada falava, nada comentava, no entanto trazia a todos nós a magia translúcida do seu sorriso sábio, abençoado e fraterno. Todavia eu entrevia sob a manta sagrada do seu sorriso doce, as auras facilmente perceptíveis das ameaças veladas que pairavam silenciosas, férteis e assassinas contra a sua iluminada pessoa, a qual, apesar de pequenina e frágil, demonstrava a sua força acurada e febril através da potência intelectual e feérica das suas palavras eloqüentes e verdadeiras, dando-nos autênticas lições de Democracia e, sobretudo Fé, postulados morais e éticos que nunca existiram no coração e na consciência do Nietzsche, o qual, antes de tudo, foi um ser paradoxalmente iluminado, pois o Nietzsche nada tinha de obscuro no sentido mais lato do termo, ele tinha a sua luz própria, era igual ao Satã ou ao Lúcifer, sendo realmente possuidor de um espírito auto - iluminado, polêmico e absolutamente contraditório em relação aos dogmas e filosofias propostas pela Religião Católica e os seus seguidores, quando esses faziam as suas ortodoxas manifestações, exercidas nos altares medievais e barrocos das inúmeras igrejas cristãs pelo mundo afora...

    Desde criança o pequeno Nietzsche era um aluno brilhante, logo apelidado pelos seus colegas de "pequeno pastor", tendo em vista serem os seus avós pastores protestantes. Ganhou uma bolsa de estudos aos 14 anos para Pforta, onde estudou e obteve ganhou fluência em grego e latim, oportunidade em que começaram os seus primeiros questionamentos contra a Religião Católica. Dando seqüência aos seus estudos, rumou para Bonn com o objetivo de estudar filosofia e teologia. Mais tarde, por intermédio de um dos seus professores, foi residir em Leipzig com o objetivo de estudar filologia e aos 24 anos foi nomeado professor de filologia clássica na Universidade de Basiléia, oportunidade em que apresentou o seu primeiro trabalho de ordem acadêmica, intitulado: "A Origem e Finalidade da Tragédia", escrito no ano de 1871, exatamente no mesmo período em que conheceu o renomado compositor Richard Wagner, o qual residia numa casa de campo, situada bem próxima ao lago de Lucerna, imediações de Tribschen, onde buscou e verdadeiramente encontrou refúgio, tranqüilidade e inspiração, não só para acomodar, ao seu modo, o seu inquieto Espírito, como também para criar as suas criações filosófico-literárias, quando ainda em 1871 publicou o seu primeiro livro, "O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música", sendo bastante influenciado nas obras do Wagner e do Schopenhauer. A estadia do Nietzsche na Universidade de Basiléia foi efêmera, somente por curtos oito anos, pois no ano de 1879 começou a ter intensas e constantes crises de cefaléia, originados por problemas de visão e já manifestava dificuldades para se expressar, interrompendo as suas tarefas universitárias por um ano. Ao tentar voltar as suas atividades acadêmicas, passou por problemas nas cordas vocais que tornaram as suas palavras quase inaudíveis, quando no ano de 1879 e praticamente cego, Nietzsche abandona de vez a universidade, dedicando-se exclusivamente à escrita. O reconhecimento dos seus escritos chegou tardio, já perto da sua morte, ocorrida em 25 de agosto de 1900 quando ainda contava 56 anos, na mesma idade em que faleceu em 1998, na Bahia, o compositor, letrista e também polêmico poeta baiano, Paulo Garcez de Sena.

    Homem sempre apaixonado e nunca correspondido, apesar da sua loucura o Nietzsche também passou por problemas sentimentais quando foi rejeitado pela Lou Andréas Salomé, jovem finlandesa com quem pretendia se casar, ocasião em que ficou bastante abatido, diante desse amor verdadeiro e desbragado nunca correspondido. Sempre digo que às vezes a falta do amor aborrece, mas quando ele existe e é o nosso verdadeiro e único Amor, este realmente nos adoece e nos tornamos fragilizados e mártires da nossa própria paixão. Por causa desse fracasso amoroso o Nietzsche voltou a residir nas companhias da sua mãe e da irmã Elisabeth, vivenciando um quadro patológico de muita solidão e visível sofrimento.

    Lembro das minhas crises emocionais de paixão doentia vividas no final da década de 1960, precisamente em meados de 1968/1972 na pequena e romântica cidade de Amélia Rodrigues, situada no Recôncavo da Bahia, perto de Santo Amaro da Purificação, no auge do Movimento Tropicalista e ainda no esplendor dos meus 16 até aproximadamente 21 anos de idade, quando fui rejeitado fragorosamente ao pedir uma colega de ginásio em namoro, justamente quando ela seria realmente a minha primeira namorada e eu já contava como casamento certo. Sonho inútil... Igual ao Nietzsche também nunca foi correspondido! Vivi anos de muito sofrimento e dor, seguidos de momentos ansiosos e neuróticos de quase loucura, ficando constantemente instável e visivelmente nervoso, atrasando em muito o meu futuro bem como retardando o meu ingresso na Universidade, prejudicando-me enormemente nos meus estudos, naqueles anos tumultuados e marcantemente insones da minha vida, quando saía a beber naquelas noites inesquecíveis e maravilhosas na companhia boêmia e esculachada dos amigos e era freqüentemente encontrado no prostíbulo do “Morre Sem Vela” ou na “Casa de Dete” a dormir nas companhias de mulheres dadeiras e suspeitas. Tornei-me um notívago em potencial, oportunidade em que ficaram de vez desabrochadas no meu espírito a tendência para escrever versos, versos maravilhosos e imorredouros de amor, tornei-me Poeta no sentido mais lato da palavra... naquela época escrevi versos inesquecíveis e belos que foram publicados tanto no jornal da Juventude Católica de Amélia Rodrigues – JUCAR bem como anos mais tarde nas páginas do ora extinto JORNAL DA BAHIA, onde expunha ao público e desbragadamente as minhas declarações de amor, em letras de forma...

    Vivíamos naquela época encantada de início da década de 1970, a Era Iluminada pelo uso dos alucinógenos e anfetaminas, quando no Brasil o uso da maconha já engatinhava os seus primeiros passos mágicos pelas ruas, praias e teatros, na alta sociedade e universidades em geral, no próprio meio artístico-cinematográfico-musical, nas largas e possantes avenidas até as modestas vielas e morros nacionais. Tivemos muitas cabeças mal informadas no país que foram de encontro à difusão da prática ora em nascedouro, quando a maioria dos neo - fumantes foram subjugados com brutalidade e conseqüentemente castrados no seu direito de fumar a maconha, através da truculência de militares mal preparados, oriundos de uma formação mal direcionada e incompetente, de baixo e rudimentar quociente intelectual, os quais eram regidos sob força coercitiva de um regime político autoritário e imbecil, quando os usuários eram ainda excomungados pela mesma Igreja Católica que o próprio Nietzsche desde o século passado já escoimava, sendo freqüentemente detidos e barbaramente espancados pelas pretensas autoridades policiais de então. Nesse período de castração intelectual e fúria apolítica, obscurecido pela ira ensandecida das autoridades militares de plantão sediadas nas casernas/cavernas palacianas em Brasília, as pessoas da cidade de Amélia Rodrigues me achavam um louco de marca maior, sem saberem as verdadeiras razões dos meus sofrimentos. Naquela época eu usava os cabelos longos e mal penteados, roupas extravagantes e coloridas, colares de metal e miçangas penduradas no pescoço, sandálias franciscanas nos pés, num autêntico visual “hippie” e pregando a filosofia “make love, dont war” enquanto ouvia as baladas românticas dos The Beatles, Jane Joplin, Jimi Hendrix e Rolllies Stones, enquanto a guerra do Vietnam ceifava a vida de milhares e milhares de jovens inocentes. Enquanto isso, milhares de hippies já curtiam o Nietzsche, desde as praias ensolaradas de Copacabana até as ruas descalças e alucinógenas das praias de Arembepe e do Arraial d’Ajuda, na Bahia...

    FINAL DA 1ª. PARTE

  • THE MULTIPLICITY PSYCHIC OF FERNANDO PESSOA

    TADEU BAHIA – Author

    If a complex task exists, is, without shade of doubts, the literary analysis. The complexity does not inhabit, however, in the coherent and accurate interpretation of the workmanship in itself, but before the everything, is necessary that a harmony exists - usually -, a communion deep spiritual, would say dialectic exactly, on the part of the soul of the analyst, or literary critic, stops with the soul of the author of the workmanship. It is necessary that it happens a transcendentes balance and harmony, a perennial conjugação of the Being that cannot be explained nor by the studies of the Logic, or the Philosophy, neither for the Ethics; she is necessary that the souls enter in an absolute fusing and complete so that let us can find that word that the believers of all the religions have centuries they pursue and that it is called: PERFECTION! Leaving of this premise, we explicitamos that it is human impossible to exactly weave commentaries on the Poetical Workmanship - Literary of the monumental writer and Portuguese poet, Fernando Antonio Walnut of Seabra Person, which had to the universality and the magnificência of all its set, that if opens all to our American Latin eyes with its violent eddy, convulso, indomável and wonderful where it they will not be able to contain nor the proper rochedos of the infinite seas of the Eternity… To be the Fernando Person is an obvious question of spirit, and, to understand âmago of the Being of the Fernando Person, this is, also, an obvious question of spirit, therefore a perfect, harmonic balance does not exist and JOINS in espiritualista vision e, therefore cosmological of the proper one TO BE of the Fernando Person. The Fernando Person does not define itself: IT IS! Therefore, what if He is cannot enter in judgment because explicit and implicitly exists. From there the existence of the Portuguese phenomenon Fernando Person to be an unquestionable and consummated fact not only in Lusitana Literature, but also in proper Universal Literature, why before having been the Fernando Person, proper it already daily pay - the material and concrete existence conceives of that it would come to be the Fernando Person. The Fernando Person before being born, already had had the interior vision - premonitiva, the predictive conscience of all the great ones predestined… the universal womb and antológico of which he was generated he is the same that he was bathed by that sperm burning hot and of great volume that also made to generate the sun, the moon, the stars, the prophets,… and the poets! The Fernando Person is a significação that if moves. E the meaning exists. Therefore It is! Been born in Portugal in day 13 of June of 1888, in the noisy night, glad and festive of Saint Antonio, the Fernando Person when leaving the maternal uterus already oniricamente molded in its I it shady, arredia and nomadic figure that characterized its soul forever. With the spirit marked for a deep and generalized apathy, deriving of the affective traumas and you stress last marcantes spirituals in the phase of first infancy, mainly when its father to the six years of age loses, event that shocks the teeny Fernando because it seems that its father had an immense affection to it, a shameless and incommensurable love, and the child, who until that time enjoyed of a freedom healthy spiritual under all the aspects, if collects itself exactly. Interioriza. It is closed in its “cocoon”. The Fernando Person locks itself in its teeny “pupa”. The world of now in ahead will be he himself, inside of itself, with its circumstances and perplexidades, reflecting itself ahead of its proper and inexorable mirror. Fernando Person and the Narcissus… or the lying Narcissus in divã of the analyst Fernando Person, searching the lost image inside of its proper one To be. The world of now in ahead will be the proper Fernando Person, immersed inside of itself with all its oníricas intensity and insanity. The easy and calm life finishes with the death it father, who leaves widower its mother and orphans, the teeny Fernando and plus one irmãozinho that immediately afterwards he dies. Its mother starts to suffer the first financial squeezes and gets rid itself of the rich furniture of the house, its familiar mirrors, jewels and is obliged, with the boy Fernando, to move of residence, now lives in a bashful, modest and simple house. Passed some months the mother of the Fernando Person is married in second marriage, by proxy, with an officer - lesser that she served until then in the South Africa and soon later if dumb for this new locality with the new husband, counting the Fernando Person only seven years of age. This sudden change of home, of superior social category for inferior in so little time, the social degradation that passes the mother, the loss of the native land - to mater, Lisbon, with all its and encantamentos secular, magias traditions etc. deeply marks the sensible soul of the Fernando Person. When arriving at the South Africa it isolates it to the mother in a Boarding school… In the solitude of that house of abandoned boys, rejected for its parents and the proper life, the teeny Fernando looks the company of books and through studies and readings he looks a lenitivo that places an end in its pain, its infinite and perpetual melancholy… Its mother if fulls of new children, the Fernando Person attends all liabilities, at a distance. She inside has a “collected Édipo” of its being. The saudosa souvenir of irmãozinho died comes to it to the souvenirs through memories painful clear nightmares, in the feverish heat of its dawns insones and desperate. The arrival of new irmãozinhos, one behind the other, repulses it of the blood of the Fernando Person to its teeny brothers, deep the infantile revolt that if takes root in its spirit, so new, but so deeply marked for the suffering of the absence of the familiar love… its autismo, its indifference, its first investigations spirituals still in a precocious age, the love lack, the meant affective lack in the absence of the maternal love, the primordial and only love that of now in ahead it will be affection and protection for with the new children of the family just servant. Precocious the material abandonment and spiritual a child made of the Fernando Person sad, sorumbática and quiet, reserved of the world exterior and directed exclusively toward inside of itself exactly. Of the side of it was ONE… of the side of inside it was SEVERAL! The Fernando Person obtains to surpass, pathologically, in the repudiation, in the unhealthy rejection, the births of its new brothers, which, turn it for this world, had stolen the place to it of loved and wanted son. Its adolescence would come to be marked by its character esquizóide, strict deriving of an ambivalence spiritual that dominated already it since the phase of its first infancy. The Fernando Person brings obtains all its mazelas, sadnesses, melancolias and disillusions that sprouted inside of soul in acid roots, deep and true and that he will go to follow it until its death. To dezessete years it is changed stops of the South Africa, where leaves the mother, the stepfather and the new brothers in order to study in Lisbon, however, had to its esquizotímico temperament and irrequieto, its ticket in the university is ephemeral, not studying nor one year complete. The “autismo” is a common characteristic to all the known forms of schizophrenia, (is known four types classic: 1 - Simple schizophrenia; 2 - Hebefrênica schizophrenia; 3 - Schizophrenia Catatônica and 4 - Paranóide Schizophrenia), presents in the case of the Fernando Person in the incapacity of the patient to establish normal relations with the environment. According to Bleuler, the patient understands interprets it the world in the direction of the “its desires and fancies”, and, in this way, do not have conditions to adapt it the requirements of the reality. According to opinions of another scholar of the area, the Dr. Minkowshi, the “autismo” would be the loss of the vital contact with the reality, “… exceeding the isolated functions, if it finds in all the manifestations of the modified person, that is, as much in its ideação, how much its reactions affective, in its volition and its behavior.” However! We find all these symptoms in the Fernando Person, object of this analysis, in its deep and true anguish, mesclada to a solitude without limits that was granted to it by its mother, the figure who it more loved, transtornando in this manner all the “structure of the Being” of the Fernando Person. Associated to the anguish it appears immediately to the allied depressive syndrome to the irritability, which if joins to the melancholy… Two states of spirit in one only person! Dichotomy of I! A marcante indifference of I, the absolute chaos, the absurd and skillful divagações of the Spirit and abissal silence in the trembling and fine lips… constant crises of anxiety, pranto convulso, despaired and alone, one badly to be intense, inexplicable, a depression without end… THE ESCAPE! The escape of itself exactly through the dispersion spiritual, through the alcohol, verses! The acute ambivalence is another characteristic trace of its unhealthy spirit which is not contradictory because it does not argue I obtain; it argues with THEM… THEY are the OTHERS! We heterônimos them known of Alvaro De Campos, Ricardo Reis and Alberto Caieiro that co - they inhabit illuminated in the interior of the ill spirit of the Fernando Person. A soul man solitary and incompreendido by the men, but, understandable proper itself! A man alone and incapable to adapt it the exterior world. Its behavior is strange and its acts, under the racionalista logic of the reason human being, are dismissed of any species of directions. “The poet is a fingidor He dissimulates so completely That he arrives to dissimulate that is pain The pain that indeed feels” Primordial characteristic in the behavior esquizóide of the Fernando Person is its removal of the reality, also of the other people. A superficial relation exists, would say apparent. Rare they are the friends… does not have women, and, in cases of presumptions loves alone we know of the Ofélia Queiroz that is an deserving fact of analyses and studies. A passive, inexistent exterior life, however, an interior life that blow up, vibrate and sublima in skillful poetical creations that more are resembled to the tracks of comets in the blue and poetical deepenings of the firmamento. The Fernando Person isolates itself inside of proper itself… and LIVES! The true world that exists and beats inside of it, inside of its I, have broken myself in some fragmentos of colorful and shining diamonds. Each I break up of diamond is assexuado and pretty, different and universal a being, with its proper personality and thoughts, that nothing have to see with the Cosmic Unit. THE COSMIC UNIT DOES NOT EXIST! What it really exists untied in the space they are fragmentos of diamonds of Soul that possess proper life, proper attitudes and wills and that inside of the spirit of the Fernando Person they construct its exclusive and inexorable Universe. Its proper and impenetrable cocoon… The Fernando Person is not one… and multiple one! E is exactly this multiplicity makes that it under reviver. We cite the Fernando Person when it says: “The mental origin of mine we heterônimos is in my organic trend for the depersonalization and the meaconing.” From this pessoana citation we glimpse the escape of the poet front to its proper world, to its inexorable irrealidade and evidence the proper search of itself through the dispersed and unhealthy ambivalence, which, for being complex to the excessively mortal ones, was enough in such a way to mold unreal the imaginary one in the conscientious one, as in the unconscious one of the poet. We find the immersed poet in its singular universe, the constant search of its depersonalization searching solely the unicity of its poetry. When depersonalizing itself, it changeds itself exactly into the creator… in the pretense god of itself, and ahead of this poetical surreal gênese the Fernando Person obtains to multiply its EUS, being made to generate in âmago of Soul figures bizarras and incandescent of MAGO, SORCERER and travestido of GOD it of the o blow of the life to the Ricardo Kings, Alvaro De Campos, Alberto Caieiro, Bernardo To sound and other worthy and illustrious ones heterônimos that they are conscientious and subconscious part of its esquizóides. When depersonalizing itself, IT EXISTS… E when existing… IT IS! Here it is the great mystery of the poet Fernando Person. The patient esquizóide possesss a character predominantly místico, however multiple in its interior magical universe. Discerning in conscience, however making look like to the too much people a state of apático, passive, indifferent spirit. Indifference this that is deeply acute in the affective field. The Fernando Person is a man alone, devoid of affection and absentee of exterior initiatives. A periodic catatonia invades the spirit to it and the Fernando Person depresses itself, becoming weak and imprisoned easy of the anxiety. Its personality has been broken, is broken up… and in its cálidas and oníricas hallucinations it writes letters exactly itself, keeping an active and constant correspondence with its EUS, therefore, as he himself tells in one of its close letters, that when it felt abandoned and alone: “… he lingers myself exactly writing letters for itself” The schizophrenia andejava for the tree-lined avenues and corridors of its soul. Visit then Alvaro De Campos, the Poet of the Water and reads the same with its wonderful Odes Maritime. Later the Fernando Person it goes to pass to the afternoon with the inominável Alberto Caieiro, the Poet of the Land, with the firm feet and planted in the land, with all its enraizamento in the REAL, in the soil where it steps on, in the material reason of the things, of all the things! When the twilight goes down for backwards of mounts and romantic blue roofs of Lisbon, the Fernando Person is said farewell to the Alberto Caieiro and goes to pass the night with the Ricardo Kings, the Poet of Air, the garceziano poet of the Metaphysical hallucinations and the most fascinating deliriums, that poet inhabitant of the onírico and that it dreams in a lighter way, absolutely untied of the reality, obtaining to glide calm, mysterious and surreal in the silence of its nocturnal steps. The WATER, the LAND and AIR… three constituent elements of the Cosmic Universe of the Fernando Person who individually does not join they. Each one with its substance, its essence and its poetical identity. Each one with its cosmic and inexorable creative element, in its individualism concrete, front to the creative multiplicity esquizóide of the Fernando Person who if transforms into the room element, the FIRE, and parodiando the estória of the FÊNIX, the lusitano poet renasce of itself exactly, of its proper creative leached ashes, generating itself of its proper dust! This is the room element, gentlemen, the proper Fernando Person who appears in an impetus burning hot insane and knocking down and burning the barriers of the time and the space, blowing up the dams of I, making to roll in thick and wonderful deafening torrents crystalline, alcoholic and alquímicos verses of its poetry! The poetry of the Fernando Person is that infinite because it obtains to in this way exceed and to breach the limits of the proper universe and, not to become more known of what the propagandas of Coca-Cola and the cases of pedofilia in the Church Catholic, that shamefully dominate the international reporters and the nets of the Internet for the entire world. The Pessoana Poetry engloba TOTAL POETICAL COSMOLOGY, as in the end of the Sixties already had augured the poet and bahian archaeologist Ivan Dórea Soares in one of its poetical assays for the extinct Periodical of the Bahia, old cultural bastion against the Military dictatorship in bahian lands that still under threats of arrests and tortures, I had the raised honor to participate. Being unaware of the simplórias and poetical threats of the Dictatorship and its military and civil representatives, in gone times, I continued to read and to live deeply in my rebellious spirit the romantic poetry and esquizóide of the Fernando Person, breaching with the orthodox rules and abstract concepts of poetical making, alicerçando inside of me the bases of my proper onírica eternity, under the blue, translucent shade, absolvedly it exempts and infinite of that Historical God of the lusitana poetry. … he has a deaf overflow, a noise that shakes the foundations of the proper one To be and parodiando the God - Christian, the Fernando Person creates skies and the land… “the land, however, was without empty form and; it had darknesses on the face of the abyss” (Vers. 2, CAP. 1 - GÊNESIS) … and the Fernando Person in the seventh day of its creation, decides to only create the MAN, to its proper image and similarity, when they appear we heterônimos then them deriving of that one… “fog that went up of the land e watered all the surface of the ground” (Vers. 6, CAP. 2 - GÊNESIS) … Alvaro De Campos, Ricardo Kings and the Alberto Caieiro appears in the Gardens of the Éden of the Fernando Person, breaking itself, breaking up themselves and populating the Land… … until the consumption of the Centuries, all the Centuries… until the fatal outcome of the times! Deat the Fernando Person in day 30 of November of 1935, in Lisbon, with the age of 47 years, victim of hepática cirrhosis, had to the use and the abuse of the alcohol that it was faithful and constant company in the last days of solitude in this world.

    TADEU BAHIA – Author
    tadeu.bahia@hotmail.com

  • CÓPIA DE PROCESSO‏

    De: Murillo Bahia Menezes (murillo@bahiamenezes.adv.br)
    Enviada: quinta-feira, 9 de julho de 2009 12:09:04
    Para: TADEU BAHIA (tadeu.bahia@hotmail.com)

    Dei uma olhada no processo. Seu relatório foi muito bem elaborado e corajoso. Parabéns! Sem dúvida, deve ser tomado como exemplo!
    A cada dia que passa tenho vislumbrado o quanto é importante o papel da defesa no Estado Democrático de Direito. É óbvio que cabe ao Estado (ente político), em primeiro lugar, garanti-lo. Porém, na prática, no embate entre o poder/interesse estatal e o indivíduo, percebe-se uma disparidade de armas. Aí é que entra o papel do advogado de defesa para equilibrar esta "luta", não permitindo os excessos e arbítrios daquele poder (que muitas vezes sequer está verdadeiramente a serviço do interesse público). Na verdade, só em regra, quem exerce esse munus é o advogado (pois de sua essência). No entanto, o espírito da defesa (defesa do Estado de Direito) deve estar na consciência de todos. Seu relatório demonstra a prensença deste espírito. Mais uma vez, parabéns!

    Um abraço!

    Murillo Bahia Menezes
    ..................................................- ....................................
    Bahia Menezes & Advogados Associados
    murillo@bahiamenezes.adv.br
    Rua Alceu Amoroso Lima, nº 668, S/911, Edf. América Towers Business,
    Caminho das Árvores, CEP 41820-770, Salvador/BA.
    Tel/Fax: (71) 3797-6204/6205

  • MEMORIAL DOS MEUS AMORES ETERNOS

    TADEU BAHIA

    Às vésperas dos meus 60 anos
    Um cidadão do mundo
    Atitudes reflexas e tranqüilas
    Em lugar das antigas: elétricas
    Com os meus nervos em pilhas

    Hoje já não corro freneticamente
    Nas pistas de Cooper da Vida
    Ao contrário, caminho placidamente
    Nas últimas horas das madrugadas
    Quando os meus olhos verdes se encantam
    Com os primeiros raios do sol
    Que se espreguiçam, lentos,
    Sobre os telhados orvalhados da cidade...

    A madrugada adormece, plácida,
    Enquanto a luz do dia cambaleia
    Nas esquinas do mundo...
    Os mendigos despertam cansados
    Do seu sono entorpecido
    Deitados sobre as notícias antigas dos jornais...

    As ruas de Paris
    Envoltas nas brumas celestiais
    Que envolvem a Torre Eiffel
    Com a sua camada de frio doce
    E belo...
    Sempre na vida estabelecemos
    Um paralelo
    Com as coisas... as pessoas...
    Os lugares...

    Hoje já não tenho mais pátria
    O próprio mundo é a minha pátria
    Nela tenho o meu canto
    Onde sento sozinho
    Em frente a uma xícara de café frio
    E bebendo-o calidamente
    Sinto nos lábios finos
    O gosto de todas as coisas boas da terra.

    Gosto do mar
    E de ver os navios ao longe
    Nas suas distâncias brancas
    Acenando-nos saudades...
    Um disco antigo do Nat King Cole
    E a sua voz que evoca
    A presença constante do Meu Pai
    Junto de mim
    Silencioso... ensinando-me a ouvir
    Músicas ardentes... serenas...
    E Eternas!

    O compasso ritmado
    Dos passos das pessoas
    Pelas ruas feéricas
    E desalmadas das cidades...
    Todas as cidades são iguais
    - melancolicamente iguais –
    Em quaisquer partes do mundo
    Seja na Bahia ou em Genebra,
    Porto Seguro ou Lisboa...
    Mas na minha imaginação, somente
    As ruas são absolutamente ruas
    E mais nada...

    Na minha cabeça
    não existem países nem fronteiras
    uma vez que os homens
    - todos os homens –
    São habitantes do planeta Terra
    Aqui eles nascem... vivem...
    E aqui mesmo se enterram!
    Os nomes dos países, lugares,
    As ruas desconexas e nervosas das cidades
    Não passam de convenções
    Nomenclaturas banais
    Inseridas nas frias
    e metódicas
    Estatísticas sociais...

    São desnecessárias todas as denominações.
    Todas as classificações
    Bem como todos os rótulos,
    Assim como as designações
    Dos nomes próprios das pessoas
    Ou lugares...
    Qualquer pessoa pode ser quaisquer pessoas
    E cada lugar pode ser quaisquer lugares...
    Inexpressivas as Certidões de Nascimento,
    Carteiras de Identidades, ou números de CPF,
    Bem como as frias e cancerígenas
    Declarações anuais de Imposto de Renda!

    O homem cria o seu próprio câncer
    Ao revolver-se com as suas preocupações
    E atitudes metódicas e misteriosas,
    Ao querer entender
    As entranhas desconhecidas
    E estranhas
    Da sua inexorável e traiçoeira Alma...
    A Alma é um labirinto,
    O homem se perde no seu próprio labirinto
    O homem não reconhece o seu instinto
    E freqüentemente desconhece
    A si mesmo...

    Há quem diga que O AMOR É TUDO
    Todos os poetas dizem isso
    E cantam o amor nas cordas do violão
    Sob janelas poéticas e apaixonadas...
    Perdi conta das vezes em que fiz isso.
    Os seios das virgens adolescentes
    Cheirando a leite quente, sem nata,
    VÂNIA E VERA... VÃNIA OU VERA
    Até hoje, sinceramente.
    Não sei!

    Passei por vários braços
    Alguns foram carinhosos comigo,
    Mesmo os que me traíram
    E depois me abandonaram,
    Até hoje guardo as lembranças
    Amargas ou doces
    Desses braços e abraços amigos,
    Daqueles beijos furtivos – sob excitação –
    Tocados por lábios quentes,
    Nervosos e rápidos
    Como se fosse o momento último
    Da extrema-unção...

    Ainda me lembro quando aos nove anos de idade
    Recebi a extrema-unção...
    Mas não consegui morrer
    Como queriam a Ciência e os abnegados Médicos
    Do Hospital Couto Maia,
    Em Salvador, na Bahia,
    Tanto que guardei a extrema-unção
    Com todo o cuidado e alegria
    Numa gaveta que hoje jaz perdida
    E esquecida
    Em quaisquer pontos da minh’Alma,
    Talvez nem venha a precisar mais dela
    SINTO-ME IMORTAL COMO OS LIVROS
    ... todos os livros...
    Especialmente os livros de poemas
    E outros que falam de coisas antigas
    Escritas com letras pequenas,
    Perdidas nas noites esquecidas do tempo...

    Adoro a poetisa Mabel Velloso
    Se pudesse algum dia casaria com ela,
    Se eu ao menos tivesse os cabelos brancos
    E lindos que a Mabel tem
    Talvez tomasse coragem
    De falar para namorar com ela...
    MAS NÃO TENHO CABELOS BRANCOS!
    Por isso também amo a Lala
    A LALA VELLOSO,
    E sempre criei coragem
    De dizer isso para ela.
    Ela é igual a mim
    Com os seus cabelos negros e misteriosos,
    Um olhar silencioso que inspira poesias...
    Sofremos juntos vários dissabores na vida
    E sempre tivemos um com o outro
    O respeito singelo
    Os mesmos desejos ardentes,
    Os mais belos...

    Vontades de sair sozinho pelas ruas
    De mãos nos bolsos e feliz com a vida,
    Embora ainda não realizasse tudo o que quero
    Mas ainda tenho tempo... tenho muito tempo...
    Sou igual à minha mãe, ANA BAHIA MENEZES
    Com os seus 90 anos de idade
    E que sempre pensa no amanhã
    Igual à CANOZINHA VELLOSO!
    Carrego comigo todas as minhas lembranças,
    Todas elas...
    Mas gosto sempre de recordar
    As mais doces...
    São os bálsamos da minh’Alma!
    As doces lembranças são como as noites
    Envolvendo-nos com o carinho morno
    E aconchegante das suas cobertas,
    Cobertas de estrelas!...

    Gostos de passar as noites frias e sós
    Na minha fazenda...
    Quando nada e ninguém me aborrece
    Ouvindo o coaxar dos sapos,
    Olhando uma mariposa ou bicho de noturno que esvoaça
    Perfazendo uma harmonia encantada
    Com a música das folhas das árvores antigas
    Que cantam ao tempo saudosas cantigas
    Varando a solidão da varanda silenciosa
    Varrida pelos noturnos ventos
    Quando sentado na cadeira branca,
    Que também o Meu Pai sentava para rezar,
    Releio velhos livros e faço anotações
    Nunca depois observadas
    Nas suas páginas amarelecidas
    E usadas...

    A minha fazenda
    Com a sua varanda universal
    Coberta por noites escuras e abissais,
    Tais pélagos espirituais
    que habitam os cosmos...
    a minha Solidão
    é o próprio livro da minha vida
    onde faço anotações e rabiscos,
    desenho rostos de pessoas
    que nunca conheci
    com os seus olhos perplexos
    e distantes,
    os meus sonhos
    são a minha companhia constante
    com eles traço os caminhos
    que escrevem a minha própria História1

    algumas mulheres
    que não são e nunca foram
    as minhas mulheres,
    ficam loucas da vida
    quando faço uma nova amizade,
    elas se sentem TRAÍDAS
    como se eu fosse
    propriedade delas...
    nunca tive donos
    nem a Ditadura de 1964 me domou,
    sempre fui eu e as minhas circunstâncias.
    Acho deselegante e imbecil
    As mulheres domarem
    E controlarem os seus homens;
    Embora as mulheres se achem nossas donas
    E acreditem piamente que somos propriedade delas!

    Mas o paradoxo disso tudo
    É que a Sueli Lopes é a minha atual esposa
    E ela gosta muito de mim...
    Mas a Mabel Velloso gosta de mim
    Também a Lala Velloso gosta de mim
    A Vânia Bacelar sempre gostou de mim
    A Vera Bacelar também sempre gostou de mim
    A Gracinha Bacelar ainda gosta muito de mim,
    E EU GOSTO DE TODAS ELAS!
    Ter amigo é ter sempre ar para respirar
    E se sentir vivo
    ... E ser feliz ...
    Amizade é tudo - tudo
    É como um mundo sem fronteiras
    Um quintal sem cercas elétricas
    A pura amizade é
    UMA PORTA SEMPRE ABERTA!

    TADEU BAHIA – Autor
    Itabuna/BA em 17 de junho de 2009

    tadeu.bahia@hotmail.com

  • PAULO GARCEZ DE SENA e JOSÉ ALCIDES PINTO: POETAS!

    BILHETE AO NILTO MACIEL,SOBRE O PAULO GARCEZ DE SENA E JOSÉ ALCIDES PINTO

    TADEU BAHIA - Autor


    “A literatura se forja é na palavra, instrumento de expressão singularíssima do ser,
    ampliada no contexto cultural, político, social e econômico em que o homem se revela,
    por que sem o homem, a literatura seria somente Deus.”

    (PAULO GARCEZ DE SENA, em 04.08.1983)

    Conheci o José Alcides Pinto, literariamente, na década de 1970, através do poeta, escritor e compositor baiano Paulo Garcez de Sena que já era amigo do Caetano Veloso e também seu ilustre vizinho no bairro intelectual do Nazaré, localizado em Salvador/BAHIA, por sinal o mesmo bairro em que eu nasci. Antes mesmo do final da década de 1960 o Paulo Garcez de Sena já conhecia o Caetano que tinha vindo de Santo Amaro da Purificação/BA para estudar Filosofia na Universidade Federal da Bahia-UFBA, ficaram cúmplices e amigos através da poesia e logo pela música, cada qual tomando o seu rumo individualizado anos depois.

    O Paulo Garcez escreveu um poema bonito intitulado “Bilhete para o Caetano Veloso” e em seguida lhe dedicou outro denominado “Flor de Lácio”, que foi musicada pelo Walmir Rocha Palma, o Bobe, naquela ocasião. Tempos depois compôs para os concretistas Augusto e Haroldo de Campos a letra “Flor do Lasso”, embora tenha um poema homônimo nas páginas 23 do livro Escritura da Palavra & do Som como se fosse da sua autoria, mas não é. O seu verdadeiro autor é o seu irmão gêmeo Pedro Augusto Garcez de Sena. A letra acima que foi dedicada aos irmãos concretistas, também foi musicada pelo Walmir Rocha Palma. Muitas vezes ouvi o Paulo Garcez cantando as suas músicas, algumas de melodias tristes, com a sua voz rouquenha e grave, às vezes sozinho, ou das outras vezes acompanhado pelo nosso amigo comum, Walmir Rocha Palma, ao violão. Uma das suas melodias mais tristes e que há mais de trinta anos não me sai da memória é “Minha Morada”, sempre a escuto cantada pelo Paulo Garcez de Sena, até hoje, no meu subconsciente.

    Nascido na madrugada de 05 de julho de 1942 em Salvador, na Bahia, na pia batismal recebeu o nome pomposo e solene de Paulo Augusto Garcez de Sena, todavia conhecido e reconhecido no mundo literário, cultural, boêmio e artístico como o poeta e intelectual Paulo Garcez de Sena. Dizem que perto da época de nascer, causou tal tumulto no Céu que conseguiu “furar a fila” e nascer um mês e dois dias antes do próprio Caetano Veloso!

    Conhecemos-nos através das páginas literárias dos jornais da cidade, a exemplo de: A TARDE, JORNAL DA BAHIA, DIÁRIO DE NOTÍCIAS etc. No final da década de 1960, reunimo-nos logo depois na mesma plêiade de novos poetas que estreavam os seus primeiros versos na saudosa página cultural “OS JOVENS PEDEM PASSAGEM”, do hoje extinto, e naquele período então perseguido, JORNAL DA BAHIA, considerado naquela época o próprio baluarte da “imprensa marrom”, por combater abertamente a Ditadura Militar e também o próprio prefeito de Salvador que naquela época tão dignamente a representava, o inesquecível, querido e sempre lembrado Dr. Antônio Carlos Magalhães.

    Não éramos comunistas, nunca o fomos, éramos livres pensadores, românticos, abusados e considerados intoleráveis e intragáveis pela crítica burguesa oficializada justamente por sermos poetas e não aceitarmos imposições ou críticas de quaisquer naturezas. Mas não éramos chatos... O Paulo Garcez de Sena sempre dizia que: “chato é aquele bichinho que dá nos culhões!”.

    Foram revelados excelentes poetas e poetisas naquela época, entre 1968 até 1978: ALMA’ndrade, Antônio José Moura, Paulo Garcez de Sena, Nailson Chaves, João Augusto de Oliveira Pinto, Paulo Roberto de Souza, Carlos Pita, Ivan Dórea Soares, Eisenhower Souza Correia, Tadeu Bahia, Gracinha Sales, Paulo Roberto de Souza, Dirceu Régis, Quaresma, ainda o Geraldo Pita, Abinael Moraes Leal, Derval Gramacho, Antônio Short, Douglas Almeida, Fernando Antônio Pinto, Coubert São Paulo, Luiz Fernando Dórea Hupsel de Oliveira, Mônica Farias, Maíra Pondé de Sena, José Antônio C. Cajazeira, Jorge Portugal, Francisco J. Bina, Ametista Nunes, Wellington Ribeiro, Geraldo Vasconcelos de Jesus, Pedro Braga Filho, Luiz Garcez de Sena e Pedro Augusto Garcez de Sena, estes últimos irmãos do poeta Paulo Garcez de Sena, Luiz Ademir Souza, Mabel Velloso, Claudionora Rocha, José Eduardo Tannure, Mário Carvalho Jr., Valter Demétrio, Ruy Fernando Salles, o velho amigo Damário Cruz, Helson Ramos, Raimundo Marinho dos Santos, entre outros. Todavia, por ser um pouco mais velho que todos nós, andar sempre com a cabeleira imensa e romântica totalmente despenteada, a barba tostoiana sempre por fazer e com o espírito sempre explodindo em versos loucos e maravilhosos, o Paulo Garcez de Sena se destacava sempre dos demais pelo seu gênio e ímpeto arrebatadores.

    O Paulo Garcez de Sena nunca conseguiu publicar um livro individual na Bahia, nem em vida nem depois de morto, embora fosse Salvador a cidade que mais amava desbragadamente. De nada adiantaram as suas ardentes e doentias peregrinações aos órgãos estaduais de cultura da Bahia, à cata de patrocinadores ou mecenas, para publicação dos seus contos, ensaios literários, letras musicais ou livros de poesias. O poder oficial dito intelectualizado da Bahia de então sempre lhe negou – e até hoje nega – publicar os seus trabalhos literários, musicais e poéticos. A única ressalva que dou neste sentido é em favor da simpática escritora baiana Myrian Fraga que até hoje luta em prol deste digno objetivo, reforçada pelos insistentes pedidos do irmão gêmeo do Paulo Garcez de Sena, o incansável Pedro Augusto Garcez de Sena, o querido “Papai Noel” de todos os Natais do Shopping Piedade, na Bahia! Quanto ao Paulo Garcez de Sena, enquanto vivo, mesmo trabalhando na então Fundação Cultural do Estado da Bahia, nem mesmo assim não conseguiu ver os seus trabalhos em letra de forma.

    Amargurado com a Bahia e com os baianos, só conseguiu ser indiretamente publicado na sua terra através de uma Antologia Poética, ‘OS JOVENS PEDEM PASSAGEM’, lançada num dia de sábado às 09.00 horas da manhã, na redação do ex-JORNAL DA BAHIA, em 06 de abril de 1974, que foi prefaciada pelo nosso amigo comum, Jorge Amado. Por ser uma publicação patrocinada pelo ex-DESC, antigo órgão cultural ligado ao Governo do Estado da Bahia daquela época, ainda respirando os ranços da Ditadura Militar, tivemos quase 70% dos nossos textos censurados, mesmo assim, os 30% por cento que foram publicados fizeram-nos história! Fizemo-nos conhecidos naquela época medieval para a literatura, as artes plásticas, a música e principalmente para a poesia!

    Ainda nesta mesma época o Antônio Loureiro de Souza, jornalista, professor e intelectual baiano, nascido em 13 de junho de 1913 e falecido no final de abril de 1989, pertencente à Academia de Letras da Bahia onde ocupava a cadeira n.o 07, que naquela época sucedeu ao professor Jayme Junqueira Aires, no ano de 1974 publicou um artigo de destaque no jornal A TARDE, enaltecendo a poesia dos novos poetas baianos, que guardo até hoje no meio dos meus alfarrábios antigos, de onde transcrevo um pequeno trecho, onde o Antônio Loureiro de Souza assim se expressa:

    “De um deles – Paulo Garcez de Sena – já falei mais longamente, analisando-lhe a poesia espontânea, clara, vibrante, onde se mesclam, às vezes, desejo e angústia, bondade e paixão irrevelada... E quem sabe? Como nos mistérios maçônicos, os hoje aprendizes poderão ser, no futuro, os mestres que orientarão os jovens dedos que surjam, nesse processo inelutável da vida no seu eterno desdobramento.”

    Recordo também do “Grupo MONOPO – Movimento dos Novos Poetas”, criado no ano de 1973 em Salvador – Bahia, que promoveu num dia de domingo, exatamente em 07 de abril de 1974, a exposição, divulgação e a venda dos exemplares da nossa antologia OS JOVENS PEDEM PASSAGEM na “Feira da Poesia”, acontecida na Praça da Piedade, na barraca do “Grêmio Brasileiro dos Trovadores”, ao preço módico de Cr$ 10,00 (dez cruzeiros). O MONOPO tinha publicado até aquela ocasião, os livros: LAVAGEM CEREBRAL, do Valter Demétrio, SANGUE AZUL do Helson Ramos e ESTRELAS DO MEU CAMINHO do Dirceu Régis. Eles editavam também a REVISTA MONOPO, vendida a Cr$ 2,00 (dois cruzeiros). Este grupo tinha o objetivo de dar apoio aos poetas emergentes, divulgando os seus trabalhos literários e acima de tudo dando forças a quaisquer movimentos que surgissem na área da poesia, objetivando acabar com as “igrejinhas culturais” fudidas onde abundavam e deambulavam poetas medíocres e obscuros que eram acobertados pelo então governo ditatorial do estado da Bahia.

    Sobre o Paulo Garcez de Sena, o mesmo foi publicado no Ceará, no ano de 1977, através do livro intitulado “QUEDA DE BRAÇO – UMA ANTOLOGIA DO CONTO MARGINAL”, organizada pelo Nilto Maciel e Glauco Mattoso, que foi um grande sucesso nacional naquele época, sendo o Paulo Garcez de Sena o único baiano a participar daquela Antologia. Ao Nilto Maciel é dedicado este trabalho, extensivo ao Glauco Mattoso, Manoel Coelho Raposo e José Alcides Pinto porque foi este quarteto de poetas do Ceará, juntamente com os demais componentes de O SACO, na década de 1980, que conseguiram trazer um pouco de luz e felicidade ao espírito cansado do velho e querido guerreiro, inesquecível amigo e poeta, Paulo Garcez de Sena.

    Retornando aos idos da década de 1960, prelúdio futurístico do que viria a ser a década iluminada de 1970, imerso naquele caleidoscópio cultural de então, respirando as loas do Tropicalismo ora nascente na loucura maravilhosamente lúcida do Tonzé, Capinan, Rogério Duarte, Torquato Neto, Gil e Caetano, seguíamos adiante com a nossa teimosia poética, rompendo cânones, desrespeitando a ordem pré-estabelecida, buscando atingir novas metas para as nossas inspirações românticas e incendiárias.

    O cineasta baiano, natural de Vitória da Conquista, Glauber Pedro de Andrade Rocha, (14.03.1939 – 22.08.1981), mais conhecido por Glauber Rocha, vociferava no fazer cinema, querendo ser mais macho que o meu tio Alexandre Robatto Filho, o verdadeiro criador do Cinema na Bahia! Quando no início da década de 1960 era lançado o Barravento, do Glauber, eu sorria dele ao assistir a película do meu tio Robatto Entre o Mar e o Tendal, lançado nos anos 1950 que era tal e qual!

    Segundo o jornalista, escritor e poeta baiano João Carlos Teixeira Gomes, no seu maravilhoso livro Glauber Rocha esse vulcão, publicado pela Editora Nova Fronteira em 1997, nas páginas 49, o mesmo pontifica: “O cinema baiano tinha um pioneiro na figura de Alexandre Robatto Filho, um homem empreendedor, produtor de documentários, e Glauber chegou a pedir-lhe emprestado os equipamentos para iniciar as filmagens de Barravento, mas acabaram rompendo relações e o empréstimo não se viabilizou. O filme, sem dúvida, seguia um percurso acidentado, nascendo sob o signo de inúmeras discórdias”.

    O Glauber Rocha lançou o seu filme Barravento no dia 28 de maio de 1962, numa avant-première acontecida no Cine Capri, uma das melhores salas de cinema localizada no centro da cidade do Salvador. Logo em seguida também o lançou no Cine Jandaia, situado em pleno coração comercial da Baixa dos Sapateiros, que naquela época tinha a capacidade para abrigar até 2.200 pessoas. Todavia, o lançamento oficial de Barravento foi de fato no Cine Capri, considerado cinema de alto luxo, sendo o jovem cineasta aplaudido entusiasticamente de pé ao acabar a seção. Controvertido e irreverente segundo a crítica, antipático para muitos, subversivo e anarquista segundo a Ditadura Militar de então, para mim que o conheci também de perto, o achava muito bossal, e, sobretudo, muito mal agradecido e mal educado.

    Alguém do meio cinéfilo na Bahia já imaginou se o filme Barravento fosse todo rodado e finalizado pelo Luiz Paulino dos Santos? Mas aconteceu todo aquele arrazoado na época, enfocando a ciumeira e a fuxicaria dos participantes do filme junto ao Glauber Rocha, pelo fato do Luiz Paulino estar namorando a Sônia Pereira. Com tanta mulher bonita e gostosa na Bahia, alguém diria que os corações dos dois se direcionaram numa só paixão. O Luiz Paulino ganhou a mulher e perdeu o filme. O Glauber Rocha ganhou o filme e perdeu o amigo.

    Segundo o biógrafo e poeta João Carlos Teixeira Gomes, o querido JOCA do nosso velho Jornal da Bahia, o Glauber Rocha “...nunca assimilou os problemas que teve com Luis Paulino dos Santos por causa das filmagens de Barravento e sempre fez questão de frisar que o filme era mais do amigo do que propriamente seu.” (Vide NOTAS , 21, do livro Glauber Rocha esse vulcão, páginas 84).

    Acredito que o cinema na Bahia perdeu muito com a demissão do Luiz Paulino dos Santos à frente do Barravento, ele que era o seu diretor bem como autor do roteiro original da obra. No meu entender, creio que o Luiz Paulino dos Santos se acomodou naquela ocasião, faltou-lhe fibra e coragem para a luta. Ele simplesmente desapareceu de cena, sem reagir à altura aos ataques histéricos e os conhecidos faniquitos do Glauber Rocha. Não devemos nunca esmorecer. O Luiz Paulino dos Santos teve tempo bastante para reagir e se tornar o verdadeiro baluarte do Cinema na Bahia e no Brasil. A simples aceitação da demissão do cast do Barravento, de maneira silenciosa e sem reação, ofuscou o brilho do efetivo sucesso que o aguardava no futuro próximo - que ele não conseguiu mais alcançar.

    Ainda mais naquele período de gestação do que viria a ser conhecido como Cinema Novo, quando o Glauber Rocha ainda engatinhava e aprendia a fazer aquilo que ele próprio chamava de “cynema”, enquanto o meu tio Alexandre Robatto Filho, com toda a sua paciência, cultura e sabedoria, já estava próximo das suas aposentadorias de cineasta, professor universitário, cirurgião dentista, artista plástico e romancista nas ruas românticas, preguiçosas e enladeiradas da Bahia, passando os seus finais de semanas em papos descontraídos e amigáveis com os casais Zélia e Jorge Amado, Lia e Sílvio Robatto, Tadeu Bahia e Bethina Robatto com as suas pinturas maravilhosas, sempre na companhia da minha tia Stela Robatto, às vezes do Carybé e do antes a tudo anjo barroco Carlinhos Bastos.

    Quem não tinha hora para chegar era o Mário Cravo Jr., aparecia a qualquer hora, não importando o dia da semana, com o seu bigode ancestral e bonito, na casa de praia do meu tio Alexandre Robatto Filho, localizada no bairro ensolarado da Pituba, em Salvador, onde tinha um “Galo Vermelho” de ferro na entrada, criado pelo próprio Mário Cravo Jr. Enquanto isso o Glauber Rocha seguia a sua vida agitada, viajando por todos os continentes na busca das suas glórias, infelizmente com aquela natureza chata e irritadiça, à distância o meu tio Alexandre Robatto Filho o abençoava assim mesmo, com o seu sorriso manso e pacífico de Sabedoria!

    Assim era a Bahia intelectualizada de então, que travava um embate cultural renhido entre os novos poetas, compositores e escritores que se lançavam num pretenso e rumoroso estrelato, combatendo e ao mesmo tempo absorvendo os conceitos arraigados de uma cultura sobejamente rica e diversificada, composta por nomes notáveis de grande saber na área do romance, da poesia, das artes plásticas, do cinema, da pesquisa histórica, da escultura, da arqueologia, da fotografia, da música e da dança em terras baianas, onde encontrávamos os nomes notáveis do inominável tio Alexandre Robatto Filho, adjetivado pelo próprio escritor Jorge Amado como “O Homem de Sete Instrumentos!”, o inesquecível conselheiro, amigo e poeta Dr. Hélio Simões, Consuelo Pondé de Sena, Luís Viana Filho, Luiz Henrique Dias Tavares, Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho e os seus tapetes maravilhosos, o indefectível Carybé, Carlinhos Bastos; o meu professor de História da Arte I e II na Escola de Belas Artes da UFBA o Carlos Eduardo da Rocha; o primo Sílvio Robatto, Antônio Pitanga, Mirabeau Sampaio, Hildegardes Viana, Jorge Amado, a minha linda e maravilhosa Lia Robatto, o sempre citado mestre João Carlos Teixeira Gomes e mais outros notáveis que citarei mais adiante.

    Faço o especial e merecido destaque à querida prima Sônia Robatto com a sua “SOCIEDADE TEATRO DOS NOVOS”, composta por Othon Bastos, Carlos Petrovich, Echio Reis, Thereza Sá, Carmen Bittencourt que liderados pelo professor João Augusto criaram o TEATRO VILA VELHA no ano de 1964, que foi inaugurado com o espetáculo musical “NÓS POR EXEMPLO” composto pelos iniciantes e até então desconhecidos: Antônio José Santana Martins, o Tom Zé, aquele louco maravilhoso que até hoje manda a gente “tomar no fiofó!”; Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, (o Caetano ainda escrevia o Veloso com dois “ll”s!); Maria da Graça Costa Penna Burgos; Maria Bethânia Vianna Telles Velloso e Gilberto Passos Gil Moreira.

    Lembro que em certa tarde saudosa de sábado, quando estava com a minha amada e querida Lala Velloso na sua residência barroca no bairro do Tororó, que no Século XXI ainda vive mergulhado na nostalgia romântica dos anos 1950, localizado em pleno coração da cidade do Salvador, a sua mãe Mabel Velloso me falou que “... o único que tinha dado certo na família tinha sido o Caetano, que escrevia Veloso com um “l” só”!

    Sobre o Caetano Veloso, me recordo das duas vezes em que fui lhe pedir autógrafo: na primeira vez foi no término de um show que ele fez na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador/BA, no início da década de 1970 e o Moreno Veloso era ainda tão pequenininho que tive que carregá-lo nos braços por causa do tumulto que se estabeleceu no término do show, quando, nos bastidores, fui pedir um autógrafo ao Caetano e ele fechou a cara para mim e muito zangado, falou: “Não dou autógrafo para Homens!”... e não me deu mesmo! Saí da Concha Acústica frustrado, triste, e hoje, apesar de passados mais de trinta anos daquele show inesquecível, ainda guardo comigo o ingresso amarelo e amassado, junto à planfetos com o retrato do Caetano que foram oferecidos à platéia durante o espetáculo.

    Na segunda vez que fui pedir um autógrafo para o Caetano, aconteceu durante o lançamento da memorável Antologia Poética GRITOS D’ESTAMPADOS, da autoria das poetisas Mabel Velloso e Claudionora Rocha, no Convento da Palma, em Salvador/BA, exatamente no dia 13 de... do ano de 1984, antologia esta ilustrada pelo próprio CaetanoVeloso. Estava na minha companhia o escritor e poeta baiano, jornalista Gilfrancisco dos Santos e a poucos metros o poeta e compositor santamarense Jorge Portugal, que nada percebeu, quando naquela ocasião eu havia comprado outro exemplar da citada antologia para oferecer ao querido amigo e poeta Paulo Garcez de Sena que estava ainda de ressaca da bebedeira da noite anterior no Mercado das Sete Portas, por isso não fora conosco ao lançamento, quando, aproximando-me do Caetano Veloso falei: “Caetano, preciso de um autógrafo seu!”... o Caetano foi mais frio e direto comigo, sem ao menos olhar para o meu rosto respondeu rispidamente, entre - dentes: “Não dou autógrafo a H O M E N S!”

    Todavia, macaco velho e já conhecendo de antemão a natureza do Caetano Veloso, olhei para ele sorrindo e disse: “Não é para mim não, meu filho... é para o Paulo Garcez, seu amigo!”... ao que ele, desta vez, olhando bem dentro dos meus olhos verdes e respirando aliviado me respondeu bem calmo: “Ah... para Paulo Garcez eu dou!!”... E autografou a antologia poética GRITOS D’ESTAMPADOS, para o seu velho e querido amigo, Paulo Garcez de Sena!

    De lá para cá, creio que para o resto da minha vida, nunca mais pedirei um autógrafo ao Caetano, aliás, como ele mesmo já por duas vezes me falou: “Não dou autógrafo a H O M E N S!”... Ponto Final!

    Quero também recordar o nobre e sapientíssimo mestre Valentim Calderon de La Vara, que em meados da década de 1970 tomou um covarde e violento empurrão do cineasta Glauber Rocha, mesmo tendo idade naquela época para ser avô do valente agressor, quando o Glauber, totalmente alucinado e fora de si, se retirou das dependências do Museu de Arte Sacra da Bahia, acompanhado por policiais.

    Segundo relatório fidedigno que me foi passado pelo meu velho amigo, o arqueólogo, historiador e poeta Ivan Dórea Soares, a coisa assim se deu: “Glauber queria filmar uma cena de "A Idade da Terra" no interior da Igreja de Santa Tereza, inclusive, com Jece Valadão; apesar de previamente autorizada por Calderón, houve alguma discordância entre os dois; foi quando Glauber partiu para cima de Calderón, aos berros (Glauber parecia um louco recém-saído do hospício), ofendendo moralmente Calderón. Este exigiu respeito e Glauber lhe empurrou violentamente; aí, os seguranças do Museu correram para defender Calderón e a coisa ficou feia, muito feia mesmo. Calderón proibiu a cena e Glauber continuou a gritar alucinadamente. Jece Valadão (educadíssimo, um gentleman), foi conversar com Calderón e conseguiu acalmar a situação. Mas Glauber estava desvairado. Aí, Calderón acatou o conselho de Jece e foi tentar falar com Glauber, todavia, este só queria brigar, sendo contido pelos seguranças do Museu e pelos participantes do filme. Depois de muita confusão, de muitos palavrões do mais baixo calão de Glauber, Calderón foi à Delegacia e trouxe a Polícia. Glauber não foi preso não, mas a cena não foi filmada (pelo menos, naquele dia, não foi). A Polícia, a pedido de Calderón, impediu a filmagem e Glauber se retirou, lembro bem que saiu acompanhado pelos policiais."No dia seguinte, os jornais publicaram tudo diferente do que aconteceu. Cada um mentia mais. Todos idolatravam Glauber. Idolatravam um desvairado, um cara estúpido. Recordo perfeitamente que Calderón ficou arrasado; afinal, ele era um homem de altíssimo e nobre caráter. E eu o conheci muito bem. Durante quase 15 anos, bebi na sabedoria e na dignidade dele. Se aprendi Arqueologia, devo tudo a ele e a Mário Simões (do Pará, onde fiz pós-graduação). A história é esta. História com H maiúsculo. E eu vi tudo.” (Correspondência Íntima entre IVAN DÓREA SOARES e TADEU BAHIA, em 31 Outubro de 2008 – SALVADOR – BAHIA).

    Tivemos ainda o Gumercindo Rocha Dórea, (o querido Tio Guga dos irmãos Ivan e Walter Dórea Soares), José Carlos Capinan (cunhado do poeta e historiador Gilfrancisco dos Santos), Myrian Fraga, Thales de Azevedo, o Germano Machado que foi um dos principais orientadores e patrono cultural do futuro cineasta Glauber Rocha, através do CENTRO DE ESTUDOS PENSAMENTO E AÇÃO – CEPA, do qual também fiz parte, do final da década de 1970 até precisamente o ano de 1989.

    Recordo do escritor Guido Guerra, cognominado na década de 1960 com o epíteto de “PAPAGAIO DEVASSO”; o compositor e amigo Fernando Lona que no início da década de 1970 era o engenheiro responsável pelas obras da atual Avenida Garibaldi, em Salvador/BA, ficando inclusive muito amigo do Meu Pai, quando aparecia na nossa casa com um violão bem bonito todo autografado; Maria da Conceição Paranhos, o reconhecido biógrafo gregorianista e jogralesco Fernando da Rocha Peres, Bule-Bule; o embaixador da CANTINA DA LUA, o indefectível e sorridente mestre Clarindo Silva; Gilfrancisco dos Santos, o poeta e escritor baiano Derval Gramacho, filho do também poeta sergipano Jair Gramacho; o saudoso e doce Batatinha que hoje é perpetuamente lembrado pelo compositor Jota Velloso, o alegre Riachão; o Benvindo Cerqueira que no período de 1975/1976 perambulava na Escola de Belas Artes da UFBA, juntamente com a Zizi Possi, ambos sempre de pés descalços; o também jogralesco Calazans Neto, a querida Nilda Spencer, Maria Sampaio, o cavalheiro e impecável Cláudio Veiga, o meu querido e neurótico maestro Carlos Lacerda, esposo da colega e amiga Irany Lacerda, o qual algumas vezes ensaiou o amigo Carlos Pita, na antiga TV Itapoan - Canal 5, quando recém chegado de Feira de Santana, após ser aprovado no vestibular de Música e Artes Cênicas pela UFBA, em 1975, deu impulso na sua carreira musical em Salvador – Bahia, ao participar de Festivais da Canção daquele canal televisivo, logrando o 1º. Lugar com a música “O TROPEIRO”, da autoria do nosso amigo comum, o poeta ameliense Fernando Antônio Pinto da Silva, o conhecido "Tonho de Gilbert" !

    Não me canso de mencionar o arqueólogo, poeta e historiador baiano Ivan Dórea Câncio Soares, cujas raízes genealógicas estão plantadas nas terras de São Jorge dos Ilhéus, no sul da Bahia, onde em Ferradas nasceu o escritor Jorge Amado, região cantada e decantada por este escritor grapiúna através do livro do mesmo nome, lançado, acredito pela Editora MARTINS em 1944; o próprio irmão do Ivan Dórea Soares, o reconhecido educador e mestre Walter Dórea Câncio Soares; o poeta e escritor Antônio Ramos Feirense; o Outran Borges que foi meu ex-professor de Biologia no antigo Colégio Estadual de Feira de Santana e que naquela época cursava Medicina na UFBA; o Dival da Silva Pitombo, este último velho amigo da minha mãe Ana Bahia Menezes desde os tempos adolescentes e quem prefaciou o meu segundo livro de poesias; cito ainda o escritor, cronista e cidadão itaparicano João Ubaldo Ribeiro, cujas crônicas leio no jornal A TARDE, em dias de domingo.

    Nunca poderia me esquecer de lembrar do meu querido amigo Manoel Christo Planzo e aquelas haves inesquecíveis acontecidas no início da década de 1970, realizadas no seu apartamento nas noites de sábado, sob luzes estroboscópicas, som pauleira, bebidas, muitas mulheres, fog e poesias! Recordo que foi numa dessas haves muito loucas que fui apresentado ao então iniciante poeta e escritor baiano Luiz Ademir Souza, natural de Conceição do Almeida, interior da Bahia, que naquela época foi considerado o mais jovem best-seller pelo próprio Jorge Amado, por ter lançado ainda tão jovem o antológico romance PROSTITUTA VIRGEM, cujo exemplar guardo até hoje autografado na minha Biblioteca.

    Naquelas haves do Manoel Christo Planzo também fui apresentado ao então fogoso e delirante estudante de Direito da UFBA, Joel Derivaldo de Almeida, no meio daquela monumental farra, imerso numa roda de cervejas, bem como ao inominável e competente artista-plástico baiano Guache Marques, então aluno da Escola de Belas Artes da UFBA, os quais junto com o Luiz Ademir Souza, para mim são três pessoas ímpares, dignas e maravilhosas que sempre guardarei no fundo do meu coração! Tivemos também o Edvaldo Boaventura, Godofredo Filho, o inesquecível e sempre lembrado amigo e intelectual Nilton Macedo Campos, Clóvis Amorim, entre outros tantos que a memória agora não recorda!

    Na área da animação musical, festivais de rock na Bahia, quem não se recorda da figura simpática, comunicativa e sempre alegre do velho amigo e roqueiro Waldir Serrão, cognominado Big Ben, que animava e iluminava as tardes do antigo Cine Roma, em Salvador, na companhia do antigo grupo de rock Raulzito e Seus Panteras, naquela época liderado pelo ainda desconhecido Raul Seixas? Lembro que no início da década de 1990 fiz parte de um programa de rádio, gravado num dos canais de televisão da Bahia, em homenagem à memória do Raul Seixas, dirigido pelo Waldir Serrão, na companhia de dois dos componentes da banda do lendário roqueiro baiano, quando ainda guardo comigo as inúmeras fotografias tiradas por mim, na ocasião da gravação do citado programa.

    O Paulo Garcez de Sena andava comigo no meio de muitos destes intelectuais acima citados, em conversas e colóquios animados, mesclados com douta sabedoria literária, cinematográfica, poética e musical, foi ainda o fundador do grupo “AREMBEPE”, tocando em inúmeros barzinhos e inferninhos nas noites e madrugadas soteropolitanas, para depois seguir com o mesmo em tornes nos estados do Rio de Janeiro, Ceará e encerrando sempre a sua apresentação perante os “notáveis fardados”, em Brasília.

    O Paulo Garcez de Sena tinha amizade com o artista plástico argentino, depois naturalizado baiano, o Carybé, que uma vez ou outra aparecia nas nossas noitadas de sextas-feiras e sábados no Mercado das Sete Portas, em Salvador/Bahia, onde entretidos com as putas e garrafas de cervejas falávamos de desenhos, pinturas, quadros etc. que eram misturados a goles de conhaque barato ou da mais pura cachaça naquelas noites monumentais e febris, nunca esquecidas, alisando as coxas e pernas das putas de uma maneira romântica, sensual e querida.

    Sob estado etílico público e notório, o que comumente conhecemos por embriagado, o poeta Paulo Garcez de Sena aparecia com um cigarro barato nos lábios, “cerrado” dos amigos ou comprado fiado nas barracas nauseabundas e poéticas do Mercado das Sete Portas, quando empunhava com maestria a sua caneta Bic e compunha versos desconcertantes, loucos e totalmente absurdos sob as luzes da lógica e os punha vivos e palpitantes nas folhas de papéis de embrulhos encontrados atôa por cima das mesas umedecidas de cachaça barata, sonhos, suor, orgasmo, esperma e poesias. Apresentamos a seguir uma destas peças desconexas e sem título a guisa de exemplo, mostrando o estado de ambivalência e desconexão patológica existentes no cérebro febril do poeta Paulo Garcez de Sena, que misturando comprimidos de “Valiun 10” aos goles suicidas de conhaque vagabundo, escrevia eloqüentes peças literárias como esta:

    “Se a dor chegar
    Abra a porta devagar
    Dê um tiro no revolver
    E beba conhaque até morrer


    Quando o dia amanhecia, eu me dirigia para a pequena cidade de Amélia Rodrigues e lá encontrava o escritor Clóvis Amorim, que fez parte com o próprio Jorge Amado e outros poetas da sua época da ACADEMIA DOS REBELDES. Hoje ainda o recordo com a sua cabeleira poeticamente esbranquiçada, caracterizando a sua vasta sabedoria literária. O Clóvis Amorim escrevia a sua elegia poética e romanesca às antigas usinas de cana de Santo Amaro da Purificação, algumas das quais atualmente pertencem ao recém criado município de Amélia Rodrigues, (antiga Lapa, ex-Villa de Traripe), sendo o autor dos antológicos livros O ALAMBIQUE e CHÃO DE MASSAPÊ, nos quais narra sobre os velhos costumes e tradições da região santamarense e o seu passado rural colonial.

    A criação do então município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo da Bahia, se deu em razão da luta incansável do idealista e advogado Dr. Gervásio Mattos Dias Bacelar, fidelíssimo conselheiro e amigo que conseguiu levá-la a bom termo. Na época da Ditadura Militar o acusavam de “comunista”. Para uma época de cultura escassa na antiga Lapa, hoje Amélia Rodrigues, por certo alguns analfabetos políticos queriam dizer que o Dr. Gervásio Bacelar era sim, um HUMANISTA!

    Quanto ao Clóvis Amorim, sempre o encontrava religiosamente sentado às 17.30 horas, na porta da casa do Hugo Amorim, que a exemplo do Henrique Pavie e Ranulfo Maia, eram considerados os Vereadores Perpétuos do município de Amélia Rodrigues, a contar casos picantes inventados na hora, ou mesmo as suas mentiras engraçadas que eram tiradas dos seus romances, e assim, misturando personagens fictícias dos seus livros às personagens da vida real, o Clóvis Amorim criava aquele universo mágico espetacular que fez a escola romântica de literatura na Bahia, da qual também participava o Jorge Amado, de quem também era amigo e personagem vivo dos seus livros. Na companhia saudosa do Toninho do Pinum e da Dona Nina Amorim, também do Diógenes, eu curtia feliz aqueles momentos vespertinos de rara cultura e saber.

    Enquanto todo este caldo intelectual fervilhava nas ruas, becos, vielas, janelas e ladeiras centenárias de Salvador e nas pequenas cidades do interior da Bahia, a imaginação do Paulo Garcez de Sena transbordava-se em rimas, em amores tardios, em traições poéticas e romanescas, em noites perdidas a fio escrevendo versos à namorada mais nova: Ana Verena, depois à Angélica, em seguida à Ana Virgínia ou mesmo à Iracema Villalba! Perdi inúmeras noites na companhia da poetisa Mônica Farias na beira da cama do poeta Paulo Garcez de Sena, na Rua Inácio Tosta 31, Bairro de Nazaré – Salvador – Bahia implorando, tentando demover pela milésima vez ao Paulo Garcez de Sena para que ele não praticasse o suicídio.

    Falávamos com ele que apesar de ser do conhecimento público e notório que um poeta sempre morre de amores inúmeras vezes, não existiria um único e verdadeiro amor que lhe valesse a pena; que todas as mulheres passam e somente a POESIA fica! que dores de corno intelectualizado que se toca, se curam realmente com a cachaça dos bares fudidos das Sete Portas; que toda a mulher passa, mas somente a lembrança de uma boa trepada fica; que toda a vez que uma mulher gostosa se vai, o calor da sua bucêta sempre fica etc. Depois de ouvir todo o nosso arrazoado etílico-poético, o Paulo Garcez caía numa gostosa e sonora gargalhava e após tomarmos um gole de café frio, saíamos juntos sob a garoa fina das quatro horas da madrugada para os bares nostálgicos e de aspecto medieval do Mercado das Sete Portas, a fim de comemorarmos juntos mais uma “ressurreição garceziana”!

    Numa dessas inúmeras “ressurreições”, sentado num tamborete vagabundo de bar no Mercado das Sete Portas, o Paulo Garcez de Sena mete uma das mãos pálidas e trêmulas no bolso da calça e de lá retira um papel amarelecido e machucado onde estava escrita uma poesia. Com os dedos flácidos e amarelecidos da nicotina, o poeta fecha um pouco os olhos por causa da fumaça do cigarro e diz que aquele poema foi escrito em homenagem à sua própria morte, em seguida, com a sua voz gutural, declama como se fosse para si mesmo, in memorian:

    “As minhas mãos
    Irão para o caixão
    Apodrecerão na terra

    As minhas mãos
    Com meus dedos épicos
    Construíram civilizações

    As minhas mãos
    Esculpiram um colosso
    Maior que o Rodes

    As minhas mãos
    Irão para o caixão
    Com meus dedos épicos

    As minhas mãos
    Estas que escreveram poemas
    Irão para o caixão

    As minhas mãos
    Em concha no peito

    Um dia
    As minhas mãos
    Apodrecerão na terra.


    Inúmeras foram às vezes em que o poeta e escritor Paulo Garcez de Sena reuniu os seus amigos mais chegados para se despedir, com os olhos molhados de lágrimas ardentes, anunciando mais uma vez o seu poético, demente e acalentado suicídio!

    A busca patológica da publicação dos seus poemas, contos, músicas e ensaios poéticos aqui na Bahia não deu em nada. Convivi com o Paulo Garcez de Sena até os últimos anos de vida aqui na terra. Um fato que muito abateu a sua alma foi a venda, para uma imobiliária, da sua residência ancestral, a sua casa não-onírica, a sua casa real, aquela mesma situada na Rua Inácio Tosta, 31 – Bairro do Nazaré – Salvador – Bahia, que depois de demolida deu lugar a um espaço vazio que hoje serve de garagem aos advogados e clientela que mourejam uníssonos na busca de uma pretensa justiça, enquanto que naquela época, sob as suas telhas seculares e marcadas pelo limo dos tempos, embalava-se o nosso poeta em seus sonhos e devaneios suicidas, os mais lindos!

    No ano de 1983 ou 1984, faltando ainda mais de uma década para a sua morte, ocorrida em 1998, quase no final do século XX, o poeta Paulo Garcez de Sena me procurou mais uma vez, com os seus olhos brilhantes e extasiados de prazer, dizendo que ia para o Ceará para publicar o seu livro; que tinha conhecido Manoel Coelho Raposo, José Alcides Pinto, um tal de Nilto Maciel e outros “caras malucos” da revista literária O SACO; que iria publicar o seu livro de qualquer forma, pois o José Alcides Pinto tinha garantido escrever o prefácio, só faltava escolher o titulo, mas que depois ele iria ver isto. Que iria promover uma porção de tertúlias literárias em Fortaleza com o pessoal novo de lá e com os “meninos de O SACO” para divulgar a sua poesia; que queria uma porção de poemas dos amigos da Bahia a fim de publicá-los na revista O SACO. Que já tinha combinado com eles o lançamento de O SACO no Teatro Castro Alves, em Salvador-BAHIA e que tinha que tomar uma porção de caixas de “Valiun 10” para agüentar a onda. Imediatamente coloquei em suas mãos uma porção de poemas que fiz para a poetisa Mônica Farias, por quem eu estava naquela época loucamente apaixonado!

    Não recordo onde me encontrava, se na cidade de Amélia Rodrigues, localidade romântica e bela do Recôncavo da Bahia, próxima a Santo Amaro da Purificação, ou mesmo em Salvador, quando tomei conhecimento através de ridícula e insipiente nota publicada em um jornal baiano, do lançamento do livro “ESCRITURA DA PALAVRA & DO SOM”, do poeta Paulo Garcez de Sena. A insipiência da nota valeu para a magnificência da obra, pois rejeitado/odiado e considerado maldito e maluco pela classe literária burguesa de Salvador – Bahia, o poeta Paulo Garcez explodia a sua poesia em terras estranhas, nas entranhas da Região Nordeste, no querido estado do Ceará, que o acolheu respeitosamente de braços abertos, confiando nas rimas translúcidas e eternas da sua poesia. Agora sim, o poeta Paulo Garcez de Sena entra em cena com a virilidade louca e selvagem da sua parafernália poética, incluindo a sua prosa de cunho socialista e letras musicais românticas, cheias de um transbordamento pueril, lembrando o toar dos antigos bardos da longínqua Era Medieval, com os seus alaúdes soando acordes até então indescritíveis.

    Já não é um poeta desconhecido, trata-se de poeta laureado com publicação poética de nível e agora reconhecido pelo público e pela crítica. Elevam-se as loas para o poeta, as palavras bonitas, escolhidas a dedo e colocadas como portfólio nas páginas dos principais jornais da Bahia, que no passado o escoimavam. O Paulo Garcez de Sena salta do avião, no Aeroporto 02 de Julho, na Bahia, vindo do Ceará, como se fosse o próprio Paul Mc Cartney saltando da sua limusine branca nas portas do “Cavern Club”, em Londres, e logo vai se recolhendo ao seu refúgio, na Rua Inácio Tosta, 31 – bairro do Nazaré/Salvador-Bahia, quando vêm os repórteres de jornais e televisões entrevistá-lo, conhecer as suas doutas opiniões e cultas análises sobre o fazer poético e coisa e tal.

    O poeta Paulo Garcez de Sena os saúda da janela com um copo de pinga nas mãos, dá-lhes um bom par de bananas e uma gostosa gargalhada, mandando-os todos à puta que o pariu, que fossem todos à merda! E o que seria uma entrevista com o “novo ícone da poesia baiana” se transformou numa monumental farra entremeada da mais pura cachaça, acompanhada do conhaque mais ordinário comprado fiado no Mercado das Sete Portas e ali arrodeado dos seus amigos mais chegados: Haroldinho Cajazeiras, Walmir Rocha Palma, o Bobe, Tadeu Bahia e Mônica Farias, Verônica e os seus olhos verdes iguais aos meus, Jadmaro Gomes de Santana, Mário de Carvalho Jr., do seu irmão gêmeo Pedro Garcez de Sena, quando fizemos ao mesmo a nossa homenagem etílico-poética - musical.

    Porém, naquele mesmo momento, ocorreu uma pequena homenagem familiar, uma vez que estavam presentes além do seu irmão gêmeo Pedro Augusto Garcez de Sena, também as irmãs Jujú e Tereza Garcez e as duas sobrinhas que o Paulo Garcez mais adorava e idolatrava neste mundo: a doce e meiga Maíra Pondé de Sena e a tímida e sempre linda Maria Luíza Pondé de Sena, ambas as filhas da ilustre e reconhecida intelectual baiana, insigne historiadora e memorialista Consuelo Pondé de Sena com o seu marido, o reconhecido neurologista e psiquiatra baiano Dr. Plínio Garcez de Sena, que havia sido colega de turma na antiga Faculdade de Medicina da Bahia do Terreiro de Jesus, do futuro prefeito, governador e senador baiano Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, o conhecido, amável, respeitável, abençoado e ante a tudo, segundo outros: perseguidor, crápula e temível ACM, dependendo tão somente do ângulo com que a própria HISTÓRIA o enquadra no cenário político, sociológico e memorialístico da Bahia.

    Para os amigos e correligionários: o simpático, atencioso e afável Toninho Ternura; para os inimigos e aqueles que o escoimavam: o antipático, intratável e intragável Toninho Malvadeza!

    O próprio Antônio Carlos Magalhães já se auto - definia ao falar:
    “_PARA OS AMIGOS, TUDO... PARA OS INIMIGOS, A LEI!”

    Segundo piada então corrente nas hostes do antigo MDB da cidade de Amélia Rodrigues, na efervescência dos anos 1970, quando pelos quatro cantos do Brasil ocorriam perseguições e torturas impostas aos brasileiros pelo Regime Militar, eu curtia entre gargalhadas monumentais na companhia do querido então estudante de medicina, o Pedro Américo de Brito Filho, bem como da sua mãe a Da. Celina Américo de Brito e outros amigos, o boato de que o Antônio Carlos Magalhães ficava chateado da vida ao saber que alguns dos seus desafetos políticos andavam espalhando por ai que ele seria parente ou primo distante do ex-governador e General Juracy Montenegro Magalhães, que havia governado o estado da Bahia no período de 07 de abril de 1959 até 07 de abril de 1963.

    Todavia, se não tivesse existido o Antônio Carlos Magalhães, provavelmente a Bahia ainda estaria antes da Idade da Pedra da sua própria e inexorável História!

    Recordo-me que estando presente ao velório do Dr. Clériston Andrade, então candidato ao governo da Bahia, nas eleições que estavam prestes a acontecer, este candidato juntamente com outros políticos e empresários vieram todos a falecer na década de 1980, vítimas de um acidente de helicóptero, ocasião em que o Luiz Eduardo Magalhães desistiu de entrar naquela mesma aeronave, poupando em apenas alguns anos a sua preciosa vida. Naquela ocasião do velório, mais ou menos lá pelas duas e meia da madrugada, um grupo de jornalistas perguntou ao Antônio Carlos Magalhães se ele já havia escolhido um novo nome para substituir o do Dr. Clériston Andrade, quando o ACM lhes respondeu: “... sim e não é da sua conta! O futuro governador da Bahia , se eu quiser, pode ser até um poste de iluminação pública do Pelourinho”!

    Era assim o Antônio Carlos Magalhães que eu conheci: entre o sarcástico e o hilário, o amigo prestativo e suave capaz de gestos os mais magnânimos, humanos e inacreditáveis; o cristão abnegado que percorria a pé todos os anos os oito kilômetros entre a Igreja de Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim, literalmente nos braços do povo baiano; aquele mesmo guerreiro voraz, política e sociologicamente debochado - cínico - ao defender com garra sobre-humana e quase patológica os destinos do estado da Bahia; aquele mesmo que com gestos de autoritarismo e prepotência soltou os cachorros da Polícia Militar baiana – criados com Biotônico Fontoura e Toddy - contra o saudoso Ulisses Guimarães, quando bem próximo a este Ícone da Democracia estava eu, o poeta Tadeu Bahia que ora vos narra este pedacinho magnífico da nossa história.

    Antônio Carlos Magalhães - o ACM, aquele mesmo gigante que se quedava inerte e bobo ante aos sorrisos mansos, pacíficos e abençoados da Da. Canozinha Velloso ou da Irmã Dulce, quando ambas com aquelas vozezinhas sumidas, gostosas e doces pediam ao ACM um modesto adjutório para os pobrezinhos de Santo Amaro, ou uma pequena ajuda para recuperar o telhado do Hospital Santo Antônio! Antônio Carlos Magalhães era ao mesmo tempo o crápula, o intolerante, o político autoritário, tirânico e por outro lado o líder carismático, querido e abençoado Pai, protetor perpétuo e sempre querido de quase todos os baianos, sempre homenageado pelo bloco de afoxé FILHOS DE GANDI, nos carnavais barrocos e seculares da Bahia!

    Recordo-me ainda das perseguições movidas pelo Antônio Carlos Magalhães ao ex-Jornal da Bahia e da luta hercúlea de todos nós, tanto funcionários como modestos colaboradores, bem como estudantes iguais a mim que se perfilaram na defesa daquele momento histórico não só para o jornalismo baiano, mas do próprio jornalismo a nível internacional. O querido mestre João Carlos Teixeira Gomes e o jornalista João Falcão já eternizaram nos seus livros esta parte importante da história da Imprensa Brasileira. Naquela época, ficou famoso um ex-prefeito imbecil da cidade de Amélia Rodrigues que sendo um servil capacho do ACM, proibiu que exemplares do ex-Jornal da Bahia fossem vendidos na cidade, em especial as edições de sábado, quando sentávamos o cacete à vontade no saudoso Antônio Carlos Magalhães, tanto em prosa como em verso!
    O interessante é notar que esse ex-prefeito era analfabeto...

    Conta-se ainda que por ocasião de um SEMINÁRIO a ser promovido pelo então MDB, que seria realizado no aprazível bairro da Pituba, que na década de 1970 ainda tinha as suas ruas sem calçamento, onde afundávamos os nossos pés gostosamente nas areias da praia, ao chegar às vésperas do citado encontro político, o então prefeito Antônio Carlos Magalhães determinou aos seus correligionários para que saíssem na calada da noite para o bairro da Pituba e efetuassem as trocas das placas das ruas, a fim de confundir os políticos que vinham em grande quantidade de outros estados e de cidades do interior, para participarem do mencionado SEMINÁRIO.

    Assim foi feito... Quando na noite seguinte, chegando quase na hora de iniciar o evento, foram encontrados grupos e grupos políticos do ex-MDB atônitos, angustiados e desesperados, tentando encontrar o endereço correto do malfadado encontro político, o qual, no meio do total desencontro e da confusão geral, não aconteceu.

    Na hora ápice do tumulto que se estabeleceu no bairro da Pituba, conta-se que um dos moradores vinha saindo com um fusquinha vinho da garagem da sua casa; como era um senhor de idade certamente deveria conhecer as ruas do bairro, quando grupos de paulistas, curitibanos e catarinenses se aproximaram deste senhor e o perguntaram se ele conhecia onde era a rua que ficava situada a sede do MDB, onde iria haver um SEMINÁRIO... Então, aquele respeitável senhor, com um sorriso manso nos lábios lhes respondeu: “_Não sei meus filhos... eu estou indo ao Terreiro do Ylê Apon Afonjá!”
    Aquele senhor de sorriso manso nos lábios era o OBÁ DE XANGÔ, o meu tio Alexandre Robatto Filho!

    Mas voltemos à Consuelo Pondé... coloquemo-la em cena!
    É muito gostoso sempre encontrar a Consuelo Pondé de Sena, cunhada do poeta Paulo Garcez de Sena, distribuindo eloqüência, muita beleza e a sua reconhecida sabedoria na presidência do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, gratificante poder ler os seus livros instrutivos e artigos maravilhosos nas páginas culturais dos jornais da cidade, ou representando tanto o estado da Bahia ou o nosso país em múltiplos eventos e simpósios internacionais, ou também participando de entrevistas solenes e magníficas de televisão, como a produzida recentemente pelo nosso amigo comum, Jorge Portugal. Ainda este ano a mesma viajou com a sua linda e encantadora filha Maria Luíza, na companhia da minha esposa Sueli e do cunhado Ivair, para a pequena cidade de Ubaíra, situada no interior da Bahia, para passarem um gostoso final de semana naquele lugarejo romântico e encantado, encravado no Vale do Jequiriçá, terra abençoada por São Vicente e governada sabiamente pelo amigo Ivan Eça Menezes.

    Mas agora retornemos ao poeta Paulo Garcez de Sena...
    Transcrevo no momento os versos do poeta e amigo Paulo Garcez de Sena, sob título “ODE A MIM MESMO” para que conheçamos de perto o lado profundamente narcisista e louco existente no âmago do Ser daquele homem e poeta monumental, mais que irreverente, quando a versatilidade arrebatadora da sua poesia transborda dos cálices labiais a exemplo da baba machadiana e divina dos epilépticos: assustadora, ruidosa, prateada e deslumbrante, no seu trepidar e cavalgar patológico incontrolável e ensurdecedor, tal o vôo das estrelas que deslizam no espaço sem bússola ou rumo, nos céus azuis da nossa própria e insuspeitada loucura:

    “Se eu não sou,
    Eu sou uma tremenda possibilidade
    E por ser esta possibilidade
    Eu sou a cada instante,
    Inteiramente dono de tudo que quero
    Assim que nada ou ninguém,
    Seja dono de mim.
    E eu,
    Esta imensa possibilidade
    Odeio os verdugos da minha alma
    E sou assassino de todos os meus inimigos.

    E eu amo aos que assim me vêem:
    Eu, esta imensa,
    Tremenda possibilidade.

    Nada mais sou que isto:
    Esta imensa,
    Tremenda possibilidade.”


    Como eu comentava, acontece o lançamento do livro “ESCRITURA DA PALAVRA & DO SOM” no estado do Ceará. A cultura baiana se retrai e responde a este lançamento com um muxoxo de desdém. Ao poeta Paulo Garcez de Sena restam comemorações da sua glória em terras estranhas, uma vez que a sua Bahia, tão querida, à sua arte poético-literária nunca se deu por reconhecida. O poeta José Alcides Pinto clama a todos para reconhecerem o Paulo Garcez de Sena à altura de um Antonin Artaud ou a um Kafka. O prefácio constante do livro em questão busca tornar sacra a própria loucura do nosso poeta baiano, quando citando Jacques Lacan, o direciona sob o aspecto psicanalítico, tentando absolvê-lo da sua loucura poético-planetária, ao inferir que “... sua obra influi no discurso literário, com grande repercussão no mundo inconsciente. E a obra de arte não foge a esse postulado. As emoções são responsáveis, no que interessa à psicanálise, no mundo das relações estruturais da escritura e do comportamento do indivíduo o seu relacionamento social. E é, sobretudo no texto poético-inventivo que se dá a rotura da razão, por se constituir, a mais das vezes, um estado ou um caso de “loucura”, como em Antonin Artaud, por exemplo”.

    Assim segue o poeta José Alcides Pinto a proceder ao dessecamento poético do poeta Paulo Garcez de Sena, colocando-o mais uma vez em cena ao citar que “O confronto com o mundo físico-erótico, amoroso-lírico, se funde ao medo existencial e à angústia, que por outro lado se inscreve na simbologia mito-paranóica”. Para aqueles nômades literários que nada entendem de estética, tampouco de lingüística, quiçá poesia, na certa estariam todos a falar que o Paulo Garcez de Sena estaria mesmo fudido com todo este palavreado estético-analista etc. Todavia o José Alcides Pinto declama que o Paulo Garcez de Sena é um “... místico e diabólico ao mesmo tempo, amoroso e profano, excessivamente afetivo e rebelde, por outro lado... andarilho e aventureiro, de mochila a tiracolo, espécie de Don Quixote, sem rumo certo, destino, a sonhar com dríades e sílfides criadas de sua imaginação prodigiosa... preocupado em aprender, como Balzac, nas Ilusões Perdidas, o grande nada do amor, das coisas da vida.”

    O José Alcides Pinto se torna conhecido por todos aqueles que deambulam nos tortuosos descaminhos da lide literária, como o “descobridor” e autêntico médico-parteiro que fez vir à luz do mundo o poeta Paulo Garcez de Sena, parto este que a cultura da Bahia jamais logrou conceber. Não porque não o quisesse, mas por causa de razões óbvias de ciúme, dada a magnificência absoluta e irreal da sua poesia! Como diz a Aidil Linhares na metalinguagem de um texto dirigido ao Dr. Jairo Gerbase, então psicanalista do poeta Paulo Garcez de Sena: “a sombra assombra!” Buscando desassombrar o fazer poético, literário e musical do Paulo Garcez de Sena, o José Alcides Pinto numa espécie de “ladainha mística” ainda o cultua como sendo: “...o grande peregrino, o pegureiro, o grande louco, o asceta e o profeta mais grave... proscrito em sua própria Pátria que lhe desconhece e que ele tanto ama.”

    José Alcides Pinto revela o óbvio do poeta baiano Paulo Garcez de Sena como uma negativa ou fotolito cristalino e puro, concebido pelo meu querido primo e fotógrafo Sílvio Robatto, ao revelá-lo como sendo: “... a grande dor humana de nosso século, o conflito, o caos, a razão pelo avesso e a meta dos suicidas, aquele mundo estranho e abissal no qual mergulhou recentemente o escritor Pedro Nava, mundo e universo que fogem ao controle do homem mais sensato, e que foi também o caminho percorrido por Kafka, Unamuno, Byron, Poe, Baudelaire, Lauréamont, Augusto dos Anjos, Dostoievski e Antonin Artuaud... Paulo Garcez de Sena e sua obra se confundem. Não há como separá-los. Formam... um estado de espírito ameaçado pela loucura iminente. Mas uma loucura que se revela em estado de graça.”

    Percorrendo as páginas iniciais do livro “ESCRITURA DA PALAVRA & DO SOM”, mais precisamente no prefácio da autoria do poeta José Alcides Pinto, buscamos comparações e conseqüentes analogias entre as suas palavras e as ditas pelo professor e arqueólogo baiano Ivan Dórea Soares, também poeta e escritor, amigo íntimo do poeta Paulo Garcez de Sena, quando, classificando a poesia garceziana, no final dos anos 60, no bom sentido, como de uma “loucura romântica total”, encontramos nas palavras do José Alcides Pinto idêntica revelação, quase vinte anos depois, quando o mesmo diz que, em relação à arte do poeta Paulo Garcez de Sena, “... sua arte é verdadeira total, porque é vivida nos conflitos do mundo, aos quais ele se entrega como um verdadeiro suicida, com o ímpeto e a ansiedade de um Van Gogh, por exemplo, Rimbaud, e poucos outros que preferiram o abismo da arte à beleza do mundo.”

    Eu não estava na Bahia quando o poeta Paulo Garcez de Sena faleceu. Contou-me sobre a sua morte o também poeta e arquiteto ALMA’ndrade numa tarde dessas, quando nos encontramos meses depois no centro da cidade. Só sei que ele não se suicidou... ufa! A Mônica Farias e eu ganhamos quando nada no final. Ele não se matou, embora durante toda a sua vida tenha vivido sucumbido pela própria Poesia! Suicida em potencial, obteve das graças da vida a dignidade de uma morte tranqüila. Nunca mais estive com a Mônica Farias, nem com a Maíra Pondé de Sena. Ficaram guardadas no mundo mágico da Poesia Garceziana, por certo.

    A vida continuou o seu ritmo, a poesia enlouquecida e saudosa do poeta Paulo Garcez de Sena também. Soube na semana passada, através de uma nota no CRONÓPIOS www.cronopios.com.br que também o José Alcides Pinto havia falecido. Agora são dois poetas a argumentarem sobre o fazer poético, lá nos céus.

    Na última vez que estive no Mercado de Sete Portas, em Salvador-Bahia, após comer um lauto e apetitoso sarapatel, num dia de sábado, em 26 de agosto de 2000, quase morro depois. Antes de ser internado outra vez, em estado grave, no Hospital Espanhol, já sob o efeito do soro e com a pressão arterial em 4, descendo mais ainda, mesmo assim superficialmente pude contar o caso para a Sueli, minha atual esposa, porque imediatamente fui acometido de uma inesperada septicemia, adquiri ainda a bactéria pseudomona, seguida de um quadro grave de Hepatites A, B e C que me puseram mais uma vez em estado de coma naquele Hospital, quando outra vez fui desenganado pelos médicos, tive outro caixão comprado etc. e tal.

    Salvaram-me os conhecimentos mediúnicos e médicos do Dr. Fernando Figueiras, bem como o alto conhecimento médico-científico do abnegado Dr. Cesário Jurandir Magalhães, quando pela terceira ou quarta oportunidade, mais uma vez RESSUCITEI, sendo o caixão em causa mais uma vez devolvido incólume e virgem à respectiva Casa Funerária, aguardando a próxima ocasião. Lembro o que disseram a respeito da minha morte o amigo Ives Pacheco e o meu irmão João Bahia, hoje honrado político da cidade de Amélia Rodrigues: _que eu posso morrer tranqüilo a qualquer hora, pois de certa maneira o meu caixão já está comprado... E PAGO!

    Conta a lenda que na cidade de Amélia Rodrigues/BA, os meus antigos companheiros de brega e de copo: Ives Pacheco, Vuvú Pacheco, Pedro do Pinum e o “Nego” Jairo, sempre comentam que esta estória da Ressurreição, pretensamente inventada e depois indevidamente apropriada pela religião judaico – cristã, trata-se na verdade de uma coisa muito antiga, criada de fato e de direito, desde o início do próprio mundo por mim, o poeta Tadeu Bahia.

    Eles contam e até juram de pés juntos, que segundo Tadeu Bahia, Deus ao criar o mundo queria que os homens fossem eternos, mas, temendo que aquele bando de malucos algum dia dessem um “Golpe de Estado no Céu” e tomassem o Seu lugar, como iriam fazer em 1964 no Brasil, decidiu então que todos os homens seriam mortais, num ato de autoritarismo fascista e altamente filho da puta, nos levando a ter saudades do romântico Ato Institucional N.o 5, assinado pelo ex – Presidente Arthur da Costa e Silva, em plena época adolescente da Ditadura Militar, exatamente em 13 de dezembro de 1968, quando eu ainda tinha os meus poéticos e tumultuados 17 anos de idade!

    Todavia, o poeta Tadeu Bahia que andava desde o princípio do mundo a deambular filosoficamente pelos céus, acompanhando o nascimento das estrelas e dos planetas, com os pensamentos completamente alheios ao que acontecia aqui na terra, como sempre acontece, um dia ao arrumar os arquivos do Criador, encontrou por acaso o projeto desta “Medida Provisória Celeste” e como hábil legislador, aprendiz do velho e saudoso Major Cosme de Farias, conhecido rábula baiano que ganhou da posteridade o epíteto de Advogado dos Pobres, oportunamente concebeu uma “Emenda Celestial”, espécie de salvo-conduto celeste e o denominou de: RESSUREIÇÃO!

    Esta Emenda acima, foi imediatamente aprovada pelo Congresso Celestial, face o impedimento da presença de Deus que estava de licença – médica pelo INSS do Céu por estar acometido de uma gripe muito forte, conforme o contido num suposto Atestado Médico oferecido por uma daquelas clínicas duvidosas existentes na Cidade Baixa, em Salvador, embora Ele fosse avistado bem perto da casa de praia do ex-senador Antônio Carlos Magalhães na Ilha de Itaparica, a comer tira-gostos de lambreta e caldo de sururu, folheando um livro gostoso do escritor João Ubaldo Ribeiro, intitulado: VIVA O POVO BRASILEIRO. Os amigos Ives Santana Pacheco e o Nego Jairo, ainda juram que viram de longe dois Anjos de asas enormes, seguranças do próprio Deus, a tomarem cerveja discretamente numa barraca de praia próxima. Os meus dois amigos acrescentaram, ainda, que não estavam bebendo...!

    Anos depois, abusando da autoridade por ser Filho do Criador, o próprio Jesus Cristo se utilizou desta “Emenda Celestial da Ressurreição” para voltar a terra, após três dias de morto e já enterrado, a fim de se jogar novamente nos braços morenos e sensuais da sua encantadora e ardente Madalena, que ainda se encontrava no esplendor lascivo e dativo dos seus dezessete anos de idade, em pleno viço... e vício!

    Pelo menos é essa a estória que corre sobre a criação da Ressurreição por mim, poeta Tadeu Bahia, nas ruas românticas, frias e poéticas da cidade de Amélia Rodrigues, quando a noite desce o seu véu de mistérios sobre aqueles telhados antigos e encantados! Por isso está explicado a minha morte acontecer tantas e tantas vezes e quando mal se espera, eu ressuscito! depois de descansar quase um ou dois meses nos inúmeros estados de coma existentes ao longo da minha estrada... Pelo menos eu passo mais tempo morto, o Jesus Cristo não, Ele é mais avexado...aquele merda mal agüenta três dias!

    Geralmente, quando entro no Hospital Espanhol, em estado de coma, mal o Dr. Cesário Magalhães e o Dr. Fernando Figueiras me entubam, deixando o meu corpo cheio de tubos, anelas, suportes, ligado a fiações de soros e outras mil conexões na CTI daquele hospital, logo me re-encontro nas portas do Céu com o meu tio Alexandre Robatto Filho que com o sorriso largo corre para me abraçar e mais uma vez exclamar sempre feliz e sorridente: “Que bom!... Você aqui de novo!”.

    Passamos aproximadamente perto de dois meses no Céu conversando felizes sobre literatura, cinema, rádio–amador e mulheres dadeiras, esquecidos das coisas insignificantes e materiais do mundo. Quando aquele prazo de dois meses se aproxima do final e digo ao meu tio Alexandre Robatto Filho que em breve eu vou sair do estado de coma, ele retruca distraidamente para mim: “Aproveite bem estas Liberdades Condicionais Celestes que sempre Deus lhe dá!”

    Atualmente me satisfaço na solidão da minha fazenda a relembrar aqueles amigos que se foram, recordando os seus versos, as suas construções poéticas magistrais e a eternidade translúcida e bela das suas poesias.

    Quanto ao poeta e ficcionista José Alcides Pinto, o mesmo nasceu em 10 de setembro de 1923, na localidade de São Francisco do Estreito, distrito de Santana do Acaraú, Ceará, vindo a falecer no último dia 02 de junho de 2008 em Fortaleza/Ceará, atropelado por uma motocicleta, quando se dirigia a uma Agência dos Correios e Telégrafos a fim de postar dois livros inéditos da sua autoria: “O Algodão dos Teus Seios Morenos” e “Diário de Berenice”. Nunca se soube se ao atravessar a rua desatentamente, ou não, o poeta José Alcides Pinto estaria a pensar nos seios morenos, intumescidos e gostosos na forma de algodão, sabe-se lá de quem, ou no que fuxicava o tal diário da Berenice.

    O José Alcides Pinto era formado em Jornalismo pela Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, bem como formado em Biblioteconomia através da Biblioteca Nacional. Concluiu ainda o curso de Especialização em Pesquisas Bibliográficas no Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação – IBBD e o curso de História da América através da Universidade do Brasil. O José Alcides Pinto conta também no seu currículo o ter sido redator do Ministério de Educação e Cultura e Professor da Universidade Federal do Ceará.

    Apesar de todos estes títulos o nosso poeta José Alcides Pinto, sob o meu ponto de vista, se assemelha ao personagem Quincas Berro-D’água, criação do velho amigo e escritor baiano Jorge Amado, que cansado de levar uma vida exemplar e escorreita, bom chefe de família, irmão exemplar, cidadão guapo e cumpridor dos seus deveres e obrigações, católico praticante, funcionário público honesto e incorruptível, a certa altura da vida larga a porra toda e vai dedicar-se ao devaneio sagrado das mulheres bonitas e da Poesia!

    Daí então concluímos que o Quincas Berro-D’água, o Paulo Garcez de Sena e o próprio José Alcides Pinto se fundem numa mesma pessoa, caracterizados pelo desapego do mundo capitalista, ao se excluírem dos chamamentos neuróticos e roucos da matéria, a fim de se dedicarem aos fluidos oníricos e enevoados da Poesia, louvando os versos e fazendo sexo com quaisquer mulheres que se lhes levantasse descaradamente as saias; sempre tentando a morte e provando uma boa cachaça, misturada ao conhaque, com toda a agressividade louca e felina!

    Tanto o Paulo Garcez de Sena como o José Alcides Pinto tinham predileção para o culto místico universal. Pena não serem iniciados na Maçonaria:. Teriam conhecido muita coisa importante. A Maçonaria:. é uma Ordem Iniciática, cheia de segredos, dogmas, graus e mistérios assim como é a própria vida. Estes dois escritores e poetas teriam com mérito e em pouco tempo, galgado todos os degraus da Escada de Jacó, quando com certeza teriam feito licitação no Grande Oriente do Brasil – GOB, para implantação de elevadores nos Templos Maçônicos, porque, tão perfeccionistas como eram, teriam transformado os 33 Graus da Maçonaria Escocesa Antiga e Aceita:. em 333 Graus, em 3.333 Graus e assim por diante:.

    Apesar do Paulo Garcez de Sena ter chegado quase aos 56 anos de vida e o José Alcides Pinto aos 84 anos e alguns meses de idade, um dos temas preferidos destes dois poetas era o sexo, com todas as suas loucas fantasias e ilimitações posturais as mais diversas, dignificadas nos seus versos os mais solenes, tendo sido os criadores do Ka

  • GREGÓRIO DE MATOS E VOLTAIRE, BARROCO E ILUMINISMO NA BAHIA

    TADEU BAHIA:.

    O poeta baiano e Autor: Gregório Matos e Guerra mal esperou que o Voltaire - François-Marie Arouet – completasse um ano de idade para vir a falecer em 1695, no Recife. Duas personalidades marcantes no campo do conhecimento humano, um baiano e o outro francês, que embora nascessem em continentes díspares, um na América no Novo Mundo recém descoberto, habitado por índios e colonizado por portugueses indolentes e jesuítas oportunistas, com as suas superstições, crendices, o seu catolicismo doentio, ortodoxo e medieval, onde vivíamos ainda submissos à ira ferrenha e cruel dA História da Santa Inquisição, com as suas fogueiras e dogmas intoleráveis, seus ritos seculares e mistérios que ainda aconteciam na Bahia do tempo do Gregório de Matos e Guerra. Mas do outro lado do oceano tivemos o nascimento do Voltaire nas terras da Europa, precisamente na França/Paris no dia 21 de novembro de 1694. Era filho de Francois Arouet que exercia o ofício de tabelião, recebedor de multas na Câmara de Contas, a sua mãe chamava-se Marguerite Daumard, descendente de uma família de Poitou que possuía alguns recursos financeiros, assim como a família do Gregório de Matos e Guerra que era proprietária de terras no Recôncavo da Bahia, sendo o pai dele, o Gregório de Matos, um colonizador, portanto detentor de cabedais, fazendas e escravos, conseguindo conseqüentemente ver o seu filho formado e com o anel de doutor; todavia o velho François Arouet, pai do Voltaire, fez de tudo para ver o mesmo formado em advogado, pois vivendo num celeiro cultural que era a Europa, em particular a Paris do seu tempo, que ofereceria ao seu filho todas as oportunidades, mas o esperançoso pai não conseguiu ter a felicidade de ver o seu filho Voltaire usando um anel de formatura.

    Muita coisa já foi escrita sobre o Voltaire ao longo desses trezentos anos. A literatura mundial não se cansa de estudá-lo e louvá-lo como um dos grandes espíritos da sua época. Os seus livros e escritos são traduzidos, estudados e difundidos por todo o mundo, sendo referência constante e presença marcante no campo da literatura e da filosofia universal, embora o próprio Voltaire detestasse ser chamado de filósofo, porém teve o seu nome marcado como tal por toda a posteridade. O mesmo não aconteceu com o Gregório de Matos e Guerra, o qual, tão inteligente e universal quanto o Voltaire, praticamente renasceu para a cultura brasileira, como cita o mestre Fernando da Rocha Perez (http://www2.ufba.br/~gmg/welcome.html), no ano de 1850, portanto cento e cinqüenta e seis anos depois da sua morte! Um século e meio sepultado sob as terras ásperas, inóspitas e quentes do Recife/PE, esquecido e abandonado pelos homens cultos da sua terra, a Bahia, essa madrasta de tantas personalidades célebres que não nasceram no seu solo, mas para aqui vieram e a adotaram como se fosse a sua Mãe, a sua segunda pátria: Carybé, Hansen Bahia, Pierre Verger, Jair Gramacho, Jenner Augusto etc., enquanto os baianos autênticos e de fibra da Bahia foram escorraçados e expulsos do país alcunhados de subversivos, tal como o próprio Gregório de Matos e Guerra, o hoje laureado escritor e amigo Jorge Amado (1912-2001) que depois de morto teve o seu nome esquecido pelas autoridades do seu próprio estado, a Bahia, quando a fundação que ainda hoje leva o seu nome, localizada no Largo do Pelourinho já arqueja decadente, em franco estado de decomposição pela falta absoluta de recursos para se manter, chegando ao ponto de vergonhosamente, para nós baianos, a Família Amado ter de realizar um leilão dos objetos do Jorge Amado (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2008/11/03/ob- ras_de_arte_de_jorge_amado_zelia_vao_leilao-586246- 748.asp) no Rio de Janeiro, como numa maneira absurda e de obter recursos, uma vez que os governantes e demais autoridades políticas da Bahia pouco caso fazem da Fundação Casa de Jorge Amado soerguer-se... ou não!

    Na final do decênio de 1960, prelúdio da década iluminada de 1970, também saíram do Brasil o Gil, Gilberto, Caetano Veloso e outros expoentes máximos da cultura baiana contemporânea, bem como o Glauber Rocha, entre outros, cujos nomes são melancolicamente guardados nos limbos do esquecimento e do anonimato ou ainda no fundo de desconhecidas sepulturas, vítimas submissas dos caprichos do GOLPE MILITAR DE 1964, quando foi re-implantada mais uma vez a Ditadura no nosso país. Sob o meu ponto de vista a ditadura se impôs na nossa terra desde o seu pretenso descobrimento, em 1500, mantendo-se adormecida, ou despertada, de acordo com as conveniências e alternâncias da nossa própria e tumultuada História, travestindo-se nas vestimentas ilusórias do oportunismo servil que manipula os desejos dos espíritos mais fracos e enfraquece a fibra dos mais fortes. Existe um Livro Iniciático que diz: “Nós somos apenas os átomos desse grande corpo que se chama Humanidade. As calamidades do presente, não vencidas, são o ônus terrível do futuro”. Tanto o filósofo Voltaire como o poeta Gregório de Matos sentiram na sua época as alternâncias oportunistas da História. Foram expulsos do país, encarcerados, desterrados, perseguidos e odiados pela classe dominante, tiveram livros proibidos e queimados em praça pública, foram coagidos de todas as formas, até a própria Igreja Católica os perseguiu com a simbólica arma da Cruz, onde lá estava pregada a imagem de um Cristo distante e recruxificado nas ignotas aldeias indígenas pelo Brasil afora por esses padres pretensamente beatos que em si nada tinham de santos. No ano de 1964 a Ditadura veio em forma de fuzil, lembrando-nos a Cuba do Fidel Castro (Leia perfil do ditador Fidel Castro) e os seus paredons poéticos e tenebrosos, onde o sangue dos inocentes regava o solo ensolarado de Havana, enquanto o ditador cubano saboreava o seu inseparável charuto, como no seu tempo o Stalin interrompia uma sessão cinematográfica pela metade, indo até o pátio para assistir ao fuzilamento de vários dos seus supostos inimigos, para depois retornar à sala de projeção e assistir tranquilamente ao resto do filme...

    Após a implantação, pela força, do Regime Militar de 1964, todo o universitário, intelectual, jornalistas como o Vladimir Herzog (- Informações sobre o caso Vladimir Herzog no Linha Direta) e o amigo, escritor, poeta e biógrafo baiano João Carlos Teixeira Gomes (Google Search) ou mesmo o mais simples e modesto literato eram grotescamente rotulados de Comunistas, bem como usavam toda a força dos seus cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo contra os valorosos integrantes do movimento estudantil que há muito já incomodavam - com os seus ideais e as suas idéias - os pretensos donos do poder. VIOLÊNCIA! era a resposta covarde, imbecil e absurda das Forças Armadas, representando o governo militar brasileiro, ao perseguirem e espancarem todos aqueles que não aderiram aos seus costumes, usando da repressão política intolerável e obscura. O historiador, poeta, escritor e arqueólogo baiano Ivan Dórea Soares, (Google Search) até hoje advoga com muita propriedade e gosto que os militares só conhecem a lei da caserna, dignificada no chicote, na força bruta! Foram os reis dos espancamentos e das torturas as mais humilhantes, que o digam aqueles que sobreviveram às suas garras. Hoje o Brasil expõe ao seu próprio povo uma melancólica imagem de um pretenso poder, cevado e ceifado por mil e uma roubalheiras e falcatruas praticadas por suas autoridades maiores, as quais, escudadas no tapume infame e apodrecido da impunidade que o poder transitório as empresta, desrespeitam o que é do uso público, dilapidam o Estado, roubam os cofres do Governo e praticam todo um rol de infâmias. Desde a nossa primeira Constituição, em 1823, até a sua última edição em 1988, nunca nenhuma delas foi sequer respeitada, os representantes maiores da nação costuram-na com emendas, tais chagas de câncer, que aos poucos vão realizando a sua silenciosa metástase (tumor), correndo e enfraquecendo as forças do governo, que sucumbe dramaticamente a olhos vistos...

    No Brasil de 1964 os tanques de guerra saíram às ruas do país não só para calarem, mas para liquidarem o seu povo, quando em 1789 já tinha acontecido na França a Revolução Francesa, e o aguerrido/histórico povo francês invade as prisões, soltando os intelectuais, idealistas, poetas, universitários, artistas, literatos e todos reconquistaram as suas esperanças sob o lema justo e perfeito da LIBERDADE:. IGUALDADE:. E FRATERNIDADE:. (Maçonaria), escancarando as portas das prisões e a seguir quebrando os grilhões que até então imobilizavam o espírito humano daquela época, sendo promulgada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen). Onze anos atrás o Voltaire já tinha sido iniciado maçom precisamente em 7 de fevereiro de 1778, quando aconteceu uma das cerimônias mais bonitas e concorridas para a história da Maçonaria daquele tempo, tendo o filósofo francês conhecido a verdadeira luz na Loja Les Neuf Soeurs, Paris, já octogenário, tendo a honra de ingressar no Templo apoiado no braço de Ir:. Benjamin Franklin, embaixador dos EUA na França naquela ocasião. A sessão de Iniciação do Voltaire foi dirigida pelo Venerável Mestre Ir:. Lalande na presença de 250 irmãos. O venerável ancião, orgulho da Europa, filósofo maior de todos os continentes, foi revestido com o avental maçônico que pertenceu ao Ir:. Helvetius e que fora cedido justamente para aquela ocasião, pela sua viúva deste último. Após a sua iniciação, o Voltaire falece três meses depois. Este autor, embora não esteja em Loja Maçónica e entre colunas, tem a satisfação de futuramente fazer constar em prancha que em três meses o Voltaire simbolicamente foi: Aprendiz, Companheiro e Mestre.

    No Brasil, tanto profana ou maçonicamente, só depois de cento e setenta e cinco anos se fez exatamente o contrário! Somente cem anos depois da Revolução Francesa é que o Ir:. Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República do Brasil, quando a tomada da Bastilha já completava um século de acontecida! Cem anos de inércia no nosso país o qual jazia imerso numa Monarquia que como forma de governo já estava decadente e retrógrada, onde anos mais tarde ainda ouviríamos dos sertões brasileiros o clamor patológico do Antônio Conselheiro e os seus fanáticos seguidores, precursores solitários da Coluna Miguel Costa-Prestes, mais conhecida por Coluna Prestes que foi um movimento político-militar brasileiro acontecido entre os anos 1925 e 1927 e ligado ao tenentismo, pregrando, entre outros, a insatisfação com a República Velha, exigindo o voto secreto e defendendo o ensino público. Na Europa o povo seguia os caminhos da evolução, no Brasil se seguia os descaminhos da involução. O Ernesto "Che" Guevara de La Serna, conhecido como Che Guevara foi morto na Bolívia e dentro da sua mochila foi encontrado um livro de poesias intitulado Canto general, da autoria do poeta chileno Pablo Neruda, velho amigo do escritor baiano Jorge Amado nas suas andanças literárias pelas esquinas do mundo! Quando eu ainda era novo, em 1972, nos meus vinte e um anos de idade fui presenteado pelo meu primo, o jornalista José Carlos Menezes que trabalhava no jornal Tribuna da Bahia, em Salvador, com um exemplar do livro Canto General, do Pablo Neruda, que até hoje junto com outros livros que tenho desse poeta chileno, como: Veinte poemas de amor y una canción desesperada, Residencia en la tierra e Cem Sonetos de Amor e também do poeta português Fernando Pessoa - Obra poética e Prosa, adicionadas à Poesia Completa & Prosa do Vinícius de Moraes e Navegação de cabotagem, do Jorge Amado, são os meus livros de cabeceira. O Brasil até hoje peca por ser um celeiro de cultura inútil e prima em continuar a ser o país dos analfabetos, como bem reforça o poeta baiano Tom Zé, o autêntico criador do Tropicalismo.

    Na França, o Voltaire foi conhecido como sendo o defensor da liberdade individual, tinha horror a quaisquer restrições ou cerceamentos à liberdade de expressão ou de opinião e considerava que entre as piores formas de repressão à liberdade, estava a de ordem religiosa. O Voltaire lançava toda a sua ira e forças intelectuais contra aquela Igreja que torturava e queimava vivos os homens inteligentes e gênios da sua época, os quais contribuíram para a gloria de civilizações inteiras através da sua ciência, do trabalho árduo/diuturno da pesquisa e que em uníssono duvidavam e não aceitavam os pretensos e absurdos dogmas religiosos. A Igreja já foi a maior força tirânica e coercitiva do seu tempo. Antigamente o Papa não saía de Roma e todos os cristãos para lá se dirigiam a fim reverenciá-lo. Depois de uma série de abusos e de ter praticado vários atentados culturais e morais contra a Humanidade, entre elas a pena de morte sob tortura, queima de homens e mulheres em fogueiras nas praças públicas sem nenhuma justificativa plausível, a Igreja se distancia do seu rebanho, ou melhor, o povo foge da Igreja como o próprio Diabo foge da cruz! O que assistimos hoje é uma Igreja já em plena fase de decadência, mais voltada às artimanhas políticas e afastada de Deus. Uma Igreja que há anos atrás condenou veementemente o brasileiro Leonardo Boff quando este criou no nosso país a Teologia da Libertação, na década de 1970, espalhando-a na América Latina, dirigindo as suas determinações e orientações às Comunidades Eclesiais de Base (CEB, os seus ensinamentos foram reijeitados pelo Vaticano. Com a chegada da década perdida de 1980, com a sociedade supostamente redemocratizada, com a queda do muro de Berlim e o colápso das esquerdas, a Teologia da Liertação perde sua linha sua combatividade política e social, tendo a própria Igreja excomungado o padre Leonardo Boff, assim como há séculos excomungou o Voltaire.

    O que assistimos hoje é um Papa com poderes de Primeiro Ministro ou Chefe de Estado, ditando normas seculares obtusas para cardeais caducos, bispos aveadados e padres pedófilos que proliferam tais ervas - daninhas pelos interiores das sacristias mal iluminadas das inúmeras Igrejas espalhadas pelo mundo. Infelizmente é desta maneira que está representada a imagem do Jesus Cristo pelos quadrantes da terra, através de uma Igreja esfacelada e obscura como nos idos tenebrosos da Idade Média. Assim como o poeta baiano Gregório de Matos e Guerra, também o Voltaire foi muito perseguido por causa das suas sátiras e críticas virulentas não só contra a Igreja Católica, como também à classe política, reis e autoridades de ocasião. Possuidores de uma verve e mordacidade felinas, com um dito espirituoso sempre presente na ponta dos lábiois, manifestando as suas arrogâncias e desrespeitos aos representantes intolerantes do poder, tanto o Gregório de Matos e Guerra como o Voltaire eram sempre encarcerados ou degredados, tendo o Voltaire sido preso na Bastilha por causa de uma das suas sátiras, onde passou três anos na cadeia, aproveitando a sua estadia no cárcere para escrever as Cartas Inglesas, de cunho filosófico, que expunham no seu conteúdo as idéias do Sir Isaac Newton (1642-1727) e do John Locke (1632-1704, que o próprio Voltaire considerava os gênios do seu tempo.

    O Iluminismo, ponto alto da revolução intelectual no campo da filosofia, se iniciou na Inglaterra lá pelos idos de 1680, abrindo os seus tentáculos por toda a Europa e trazendo mais tarde as suas influências até a América. Todavia, a força máxima desse movimento ocorreu na França, no tempo do Voltaire, quando podemos com segurança citar que poucos movimentos ocorridos na história cultural da Europa tiveram efeitos tão incisivos no sentido de moldar os pensamentos dos homens, bem como redirecionar o curso das suas ações. A sua inspiração adveio, principalmente, do racionalismo do René Descartes (1596-1650), do Bento de Espinosa (1632–1672) e do Thomas Hobbes (1588-1679), porém os autênticos fundadores do movimento foram o Sir Isaac Newton (1642-1727) e o John Locke (1632-1704), embora o Sir Isaac Newton não tenha sido um filósofo, na acepção justa da palavra, a sua obra teve a maior significação para a história do pensamento. Uma das suas maiores leis científicas inquestionáveis, aplicável até os dias de hoje a todos os sistemas conhecidos no universo, é aquela que aprendemos no antigo Curso Científico, que diz: “cada partícula da matéria no universo atrai outra partícula com uma força inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas e diretamente proporcional ao produto de suas massas”, lei válida não somente ao planeta Terra, mas aplicável – como já dissemos – a todo o Sistema Solar .

    Quanto ao John Locke, o outro fundador do Iluminismo, ele nos apresenta a rejeição à doutrina cartesiana das idéias inatas e nos explica que todo o conhecimento do homem tem a sua origem na percepção sensorial – teoria conhecida como Sensualismo – que explicita que a mente humana, ao nascer, é absolutamente virgem, um papel em branco onde nada se encontra registrado – nem mesmo a idéia de Deus existe e muito menos quaisquer noções de certou ou errado, bem ou mal! A partir do momento que a criança nasce, já começa a ter as suas próprias experiências através dos órgãos dos seus sentidos, quando são registradas no seu intelecto as origens das coisas. As idéias simples são expostas pela percepção sensorial e necessitam ser integradas e fundidas em idéias complexas. A função única do entendimento é a de combinar, coordenar e organizar as impressões recebidas dos sentidos para em seguida estabelecer um conjunto prático de uma verdade geral. Aí predominam tanto a sensação como a razão: a primeira para fornecer ao espírito a matéria-prima do conhecimento e a segunda, para trabalhá-la, retirando-lhe o molde original e mostrando o seu acabamento final, verdadeiro. Foi justamente a combinação entre o sensualismo e o racionalismo que constituiu os pressupostos básicos da filosofia do Iluminismo, no qual, o Voltaire teve um preponderante papel.

    Nascido na burguesia, como já citamos no início do presente ensaio, o Voltaire desde muito cedo demonstrava o gosto pelas obras satíricas e se via metido freqüentemente em situações esdrúxulas e burlescas. A exemplo do poeta baiano Gregório de Matos e Guerra, parodiando ainda o também vate baiano Cuíca de Santo Amaro – Google Search) poeta urbano muito admirado pelo meu pai, Joaquim Cunha Menezes, nas ruas românticas e bucólicas da sempre barroca Santo Amaro da Purificação, município do interior da Bahia, ou mesmo em Salvador, no interior dos antigos bondes ou na porta do Elevador Lacerda cartão postal da cidade onde fazia ponto, a escandir e a maldizer das autoridades locais, principalmente os políticos da época etc. Ressaltamos que o Voltaire tinha a mesma natureza dos mencionados poetas baianos, carregada dentro de si o dom de ridicularizar e satirizar as personalidades do clero, da política e da alta sociedade, se envolvendo em situações embaraçosas e quixotescas, levando-o inúmeras vezes à cadeia, como por exemplo em 1716, quando é exilado em Sully-sur-Leine. No ano seguinte é encarcerado na Bastilha (História) por três anos; em 1726 retorna mais uma vez à Bastilha e em seguida segue em exílio para a Inglaterra. No ano de 1734 é expedido um mandado de captura em seu nome, tendo em vista a publicação das Cartas Inglesas e o conseqüente escândalo em torno delas, quando mais adiante é acusado de sacrílego etc.

    Assim como o escritor Jorge Amado nos tempos do Estado Novo (1937-1945), no Brasil, quando a Ditadura Vargas estendia as suas garras tenebrosas contra os intelectuais de então, nem nunca esquecer-mo-nos do Graciliano Ramos, o Voltaire no seu tempo também foi taxado de subversivo e teve os seus trabalhos queimados na fogueira, assim como no Brasil do Getúlio Vargas foram queimados livros do Graciliano Ramos e do Jorge Amado que escreveram livros maravilhosos, tais como: Angústia, Memórias do Cárcere, Os subterrâneos da liberdade, O Cavaleiro da Esperança (livro) e outros que se transformaram logo depois em autênticos baluartes não só da Literatura Brasileira como da própria expressão da Liberdade para as gerações vindouras. Para mim, a maior falta de caráter do ditador Getúlio Vargas foi mandar prender e seviciar a Olga Benário (1908–1942), companheira do líder comunista Luís Carlos Prestes, para depois entregá-la de maneira submissa e vil às forças alemãs. Nascida Olga Gutmann Benario, foi militante comunista natural da Alemanha.[1], de origem judaica, entregue pela ditadura do então ditador brasileiro e futuro suicida Getúlio Vargas, para ser morta pelo regime nazista em campo de concentração. Sua chegada no Brasil aconteceu na década de 1930, quando para cá foi escalada pela Internacional Comunista, "Comintern" ,a fim de apoiar o Partido Comunista do Brasil (PCdo:). Paradoxalmente veio com a missão de ser a guarda-costa do Luiz Carlos Prestes todavia transformou-se na sua companheira, com quem teve uma filha de nome Anita Leocádia Prestes.

    Dando sequência à sua via crucis, o Voltaire no ano de 1752 se envolvem em acirrada polêmica e tem que abandonar a Prússia, se dirigindo à Paris mas não pode entrar na sua cidade natal, tendo que ir buscar refúgio em Genebra, onde escreveu: Le Siècle de Louis XIV, Zadig ou o destino, Cândido ou o otimismo, Ensaio Sobre os Costumes e o Espírito das Nações que foram consideradas as suas maiores obras históricas. O Voltaire foi introduzido nos círculos literários de Paris através do seu padrinho, o Abade de Châteaunef , logo depois de completar o curso colegial quando se torna pagem do Marquês de Châteaunef numa missão diplomática na Holanda, ressaltando que o seu pseudônimo Voltaire já ocupava lugar de destaque entre os poetas satíricos e galantes dos saraus literários d então, ocasião em que escreve o poema épico La Henriade, em homenagem ao Henrique IV de França (1553–1610) e uma peça intitulada Édipo. Dois anos mais tarde é preso e encarcerado na Bastilha por ter escrito contra o Regente, Duque de Órleans. Ja nessa ocasião, a exemplo do Gregório de Mattos e Guerra, o Voltaire já escrevia contra a Bíblia e os padres, satirizando os apóstolos e mais uma peripécia contra as autoridades força-o a solicitar exílio em Londres, quando tem a oportunidade de conhecer os escritores Jonathan Swift, Edward Young e Alexander Pope, além dos filósofos Berkeley e Samuel Clarck. Ao retornar à França o Voltaire escreveu e dirigiu as peças Brutus (1731) e Zaire (1732), escrevendo ainda em 1731 a História de Charles XII. Sem esquecer a linha filosófica dos seus escitos, o Voltaire também escreveu contos e novelas satíricas como por exemplo Zadig ou o Destino – História Oriental, Memmon ou a Sabedoria Humana, Micrômegas, Poème sur le désastre de Lisbonne, Histoire d'un bon bramin, Jeannot et Colin, Le monde comme il va, Histoire des voyages de Scarmentado écrite par lui-même e outros trabalhos de cunho humorístico e moral, os quais hoje reluzem como obras primas da literatura mundial.

    Volto à falar das Cartas Inglesas ou Cartas Filosóficas, escritas pelo Voltaire, publicadas em 1734, quando nessa ocasião foi expedido um mandado de busca e captura do mesmo, sendo as referidas cartas malditas e condenadas à fogueira, levando o Voltaire a buscar refúgio no Castelo de Curey, de propriedade da Emile de Breteuil, Marquesa de Chatelet, oportunidade que aproveita para escrever trabalhos como: Alzire, Mérope, O Filho Pródigo, Le Fanatisme ou Mahomet, Les lettres de Memmius e outros. Somente anos depois já em situação política adversa, completamente a seu favor e ainda sob a proteção da Madame Pompadour, favorita de Luiz XV, é que o Voltaire acaba sendo nomeado Historiógrafo Real e no ano de 1746 é eleito para a Academia Francesa, já aos 52 anos de idade. Três anos mais tarde falece a Emile de Breteuil e o Voltaire segue para Postdan, no Reino da Prússia, a convite do Frederico II da Prússia (1712-1786) - terceiro Rei da Prússia e lá cercado de intelectuais, elabora sozinho o Dictionnaire Philosophique portatif. Porém, parodiando o poeta seiscensita baiano Gregório de Mattos e Guerra, novamente o Voltaire se envolve em novas polêmicas e escândalos sendo forçado, em 1752, a fugir desabaladamente da Prússia e ao mesmo tempo em que era proibido de retornar a Paris – como o Gregório de Mattos e Guerra na sua época fora proibido de retornar à Bahia, depois de cumprir degrêdo em Angola/Luanda – porém o Voltaire consegue asilo em Genebra e continua a escrever febrilmente, além das obras históricas já o tinham notabilizado, lavra também os seguintes livros: Essai sur les mœurs et l'esprit des Nations, Le Caffé ou l'Ecossaise, Le Philosophe ignorant, Ensaio Sobre os Costumes e o Le Siècle de Louis XIV e ainda escreve um Tratado Sobre a Tolerância em 1763, exatamente dois anos após ser acusado de sacrílego pela Igreja, brotam da sua lavra também L'ingénu e O Homem de Quarenta Escudos, escritos em 1767.

    Interessante é que exatamente depois de duzentos anos do Voltaire ter escrito L'ingénu e O Homem de Quarenta Escudos é que o Caetano Veloso, compositor baiano nascido em Santo Amaro da Purificação, situado no Recôncavo da Bahia, no dia 07 de agosto de 1942, grava o seu primeiro LP sob o título de Domingo em parceria com a Gal Costa e interpretando a música Alegria, Alegria consegue o quarto lugar em um dos festivais da MPB transmitido pelo Rede Record e como suposto militante político, deixou gravado na nossa memória e para a recente História Política Brasileira o antológico discurso pronunciado sob vaias e gritos estridentes, ao interpretar a música É Proibido Proibir no 3º Festival Internacional da Canção (TV Globo, nas dependências do Teatro da Universidade Católica de São Paulo, no dia 15 de setembro de 1968, vésperas do aniversário da Dona Canôzinha Velloso (Google Search ), que no dia seguinte faria 61 anos de idade. Ainda no ano de 1967, o Caetano conhece o Augusto de Campos e a Poesia Concreta que no entanto já era uma velha conhecida do poeta neo-concretista baiano Aroldinho Cajazeiras e do meu querido poeta e arquiteto tridimensional Almandrade (Google Search ). No dia 21 de novembro de 1967, após 273 anos exatos do nascimento do filósofo Voltaire, o Caetano Veloso casa-se com a Dedé Gadelha. Depois ele se casaria com a Paula Lavigne e com mais outras que se lhe dê na telha, apesar da poetisa Mabel Velloso (Google Search ), – encarnação viva da poetisa baiana e também santamarense Amélia Rodrigues na Terra – já ter há mais de trinta anos atrás me dito que o Caetano Veloso gosta de ler e de reler as Obras Completas do Gregório de Mattos, organizada pelo James Amado no final da década de 1960, embora não me conste que o Caetano tenha lido alguma vez o Voltaire.

    tadeu.bahia@hotmail.com

  • CARTINHA MEDIEVAL PARA CONCEIÇÃO, EM PORTUGAL

    Conceição,

    Boa Noite,

    Tenho sentindo muito a sua falta esses dias e noites, ainda continuo na fazenda passando o resto das férias, mas estou sozinho desde o domingo passado, pois a Suelí foi a cidade realizar alguns exames médicos e só retornará à fazenda na próxima quinta-feira, dia 22 de janeiro, à tarde.
    Hoje passei a manhã na plantação de cacau, com o empregado, colhendo o cacau e posteriormente colocando-o para secar, depois que ele secar o venderemos na cidadezinha próxima chamada UBAÍRA que fica a cerca de sete quilômetros e meio da minha pequena fazenda. UBAÍRA é uma cidade bem pequena de interior, com uma média de uns 23 mil habitantes, aproximadamente, lugarejo predominantemente rústico onde o pequeno comércio gira em torno das necessidades primárias do pequeno burgo e da maioria dos trabalhadores rurais que residem na periferia da cidade, nas fazendas e sítios próximos, os quais se reúnem em dias de sábado na tradicional "Feira Semanal" onde vendem os seus produtos horti-fruti-granjeiros, bem como o cacau que é o produto que é a moeda-forte em torno da qual gravita a pequena economia da região.
    Os seus habitantes vivem cerca de aproximadamente 90 a 100 anos, por ser uma região mantanhosa, rica em verdes, muitas árvores, onde o progresso somente se faz presente através as antenas parabólicas e raríssimos computadores. Nesta região, eu sou o único que possui um Notebook... imagina então o atraso cultural dessa gente simples, que vive a sua vida metódica e tranquila, com a sua religião predominantemente Católica, embora já existam alguns Templos Protestantes. Um lugar onde as pessoas se vestem bem simples e por ser ainda uma cidade bem pequena, as pessoas quando se encontram nas ruas param e se cumprimentam, perguntam pelos familiares um dos outros, preocupam-se, fazem a chamadas "visitas de consideração" e se voce for a casa de algum deles pelas três horas da tarde, vai ser presentada com um café bem forte, seguido de torradas, beijú, banana-da-terra assada, ou cozida, batata-doce ou innhame bem como aimpim (macaxeira) com manteiga e outra iguarias regionais de dar água na boca.
    Voce não precisa se preocupar em trazer o seu cartão de crédito para fazer as suas compras nos "Mercadinhos" (os antigos armazéns de outrora onde se vendiam gêneros de primeira necessidade: açúcar, farinha, café, manteiga, carne de charque, arroz, feijão etc.)... basta voce chegar nos "Mercadinhos" e fazer as suas compras, o dono ira lançar as suas compras numa "caderneta" velha e surrada no seu nome, e, quando chegar o final do mês voce vai lá e paga as suas contas regularmente...
    Delícia de lugar onde as preocupações econômicas da vida moderna ainda não chegaram... a mesma coisa se faz quando voce vai comprar a carne no Mercado Municipal, voce pode comprar o peso que for, o açougueiro anotará o peso da carne e o prêço na caderneta e somente no final do mês voce paga a sua conta, pois, por ser um lugar pequeno, todos se conhecem.
    Aqui as pessoas ainda sorriem... verdade!!! Acredito que a verdadeira felicidade está na pureza do estado de espírito das pessoas mais simples, as quais na sua sabedoria têm muito a nos ensinar.
    Quando chega as quatro horas da tarde e o sol vai perdendo a força e se escondendo por trás das montanhas e cobrindo de uma agradável sombra a cidade de UBAÍRA, as pessoas pegam as cadeiras e sentam-se às portas e ficam conversando até que a noite chega... Mas se voce tiver necessidade de ir à rua, alí por volta das sete horas da noite, não encontrará quase que ninguém pois todos estão recolhidos às suas casas... as ruas tornam-se então romântica e poeticamente desertas envolvendo tudo o que resta na sua penumbra de sonhos!!
    Foi nas proximidades deste lugarejo mágico de UBAÍRA que comprei a minha pequena fazenda para morar após aposentar-me, onde ficarei a escrever os meus versos, os meus livros, pintando os meus quadros e fotografias e me deliciando com esta natureza exuberantemente verde e rica que me arrodeia...
    O nome da minha fazenda se chama: "FAZENDA SANTO ANTÔNIO DA ALDEIA" e já fiz a promessa a mim mesmo que quando me aposentar, construir uma Igreja na fazenda, em homenagem a Santo Antônio, Igreja esta que servirá à comunidade rural da região, porque, a modesta Igrejinha que existe fica num raio de uns 4 quilômetros e meio da nossa pequena fazenda, num trajeto serpenteado de trilhas em montanhas e de difícil acesso a pessoas de idade avançada. Foi a promessa que fiz para mim mesmo, a Suelí não gostou porque ela sabe que, fazendo esta Igreja, nela também serei enterrado... tenho todo o projeto pronto e inclusive o local da construção da mesma etc.
    Acho que escreví demais... vou para a varanda olhar a beleza da noite, tenho dormido geralmente a uma hora da madrugada, ou mais (três e meia da madrugada ou mais em Portugal)... saudades da gentil habitante da Praia da Vitória, da longínqua e avoenga Portugal!!
    Beijos!!!!!!!!
    Gosto de Voce!!
    TADEU BAHIA:.

  • A INTELECTUALIDADE BAIANA E A SEMANA DA ARTE MODERNA DE 1922

    TADEU BAHIA:.

    A dignidade da Poesia como Obra de Arte nunca deve estar submissa aos padrões ditos clássicos, quando se refere aos métodos da rima, a falação do poeta ou a censura que outrora foi imposta pelos pretensos críticos literários, quando de canetas em riste e impecáveis nos seus fardões insistiam que uma poesia para ser verdadeiramente poesia, era preciso que nela existissem, obrigatoriamente: uma rima, uma alternãncia silábica e cristalina aos ouvidos, onde as últimas palavras ou sons do verso A se casem com os do verso C; os do verso B com o verso D e assim por diante. O Movimento Modernista de 1922 seguido pela revirada Concretista e a Vanguarda, contribuíram em cheio para que essas teorias fossem derrubadas, postas à terra, porque se insistíssemos em continuar batendo na mesma tecla, até hoje não somente a poesia mas toda a criação artística de uma maneira geral, teria o mesmo movimento metódico e sem criatividade dos ponteiros do relógio, ou seja, giraria em torno de um único eixo.

    Com a realização vitoriosa da Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo, foram dados os primeiros passos e muitos tabús imbecís acêrca da arte de uma maneira geral foram revistos, enquanto que outros, arcaicos, foram escoimados. O Romantismo, presente até aquela data, foi substituído pelo Modernismo que acenando com a bandeira do realismo das manifestações artísticas através da amostragem crua e fiel dos fatos, sem rebuscagens ou pormenores, abriu de uma vez por todas os horizontes brasileiros no que se incluiu a Arte em todas as suas maneiras de expressões e/ou manifestações. A Arte deixa de ser uma diretriz pretensamente acadêmica ditada pelo Estado que a manipulava de maneira patologica sob o véu de obscuras metástases, consequentemente ceifando não só a sua expresividade mas a própria dinâmica da criação viva e pulsante do artista brasileiro, para daí em diante ser livre, individual, deixando a cada pintor, musicista, dançarino, escultor ou poeta a sua total potencialidade e liberdade de criação.

    O Jean Paul Sartre, lá das terras da França, ajudou muitíssimo com a pregação do Existencialismo, revolucionando não somente a Europa, mas o mundo inteiro. Era necessário que cada artista, escritor ou poeta dessem o primeiro passo e partissem as correntes das convenções até então pré-estabelecidas. O Pablo Picasso revolucionou o mundo pictórico com o Cubismo, nas suas primeiras tonalidades róseas, até chegar ao azul que finalmente caracterizou a sua obra. O poeta chileno Pablo Neruda em meio às erfevecências sociais e políticas do Chile, vivendo uma fase de vida atribulada, mesclada por contínuas deportações e exílios naquela época, à semelhança do Charles Dickens no seu tempo, nos deixou uma literatura marcante e sofrida, alicersada na cruel realidade das condições de vida miseráveis por qual atravessava o seu país, o Chile, com os seus trabalhadores das minas de carvão que derramavam o suór do rosto nas entranhas da terra, sobrevivendo endividados face os baixíssimos salários irrisoriamente recebidos, enquanto nas calles do Chile eram formadas legiões de desempregados, famintos e subnutridos que eram entregues ao relento, jogados ao léu da sorte.

    O Pablo Neruda lutava contra a exploração de latifúndios no Chile, assim como desenvolveu até a sua morte intensas campanhas em defesa da raça indígena, o que nós, brasileiros, sempre tivemos vergonha de fazer, não obstante a aventura do Marechal Rondom nos entremeios do século XX. O Neruda agiu como militante e como poeta, deixando um grandioso legado à arte literária andina, em particular, através trabalhos como: Crepusculário, Odas Elementales, Viente Poemas de Amor Y Una Cancion Desesperada, Memorial de Isla Negra, La Barcarola, Hel Hondero Entusiasta e mais outras magníficas obras, em forma de versos, poesias. Afora esses trabalhos citados, reunidos atualmente em uma Antologia Poética, nos deixou um livro de Memórias intitulado Confiesso Que He Vivido e mais duas obras, a primeira Canto General do gênero de poesias, ressantando que na ocasião do assassinato do líder guerrilheiro Che Guevara, na Bolívia, foi encontrado na sua mochila um exemplar desse livro... Após a morte do Pablo Neruda foi lançado mais um livro da sua autoria: Para Nacer He Nacido.

    No Brasil e em particular na Bahia a arte literária expandiu a um nível altamente social, através dos primeiros trabalhos do Jorge Amado, a exemplo dos livros Cacau, Suór, Velhos Marinheiros e o antológico Mar Morto que nada mais é que uma Elegia à Bahia! O Jorge Amado conseguiu transpor às folhas do papel os problemas sociais e humanos, oriundos de uma má distribuição de renda, fruto de uma política má estruturada onde imperavam os latifundiários que sob o título de Coronéis, tais senhores feudais, não somente manobravam mas determinavam com as suas influências políticas e poderio financeiro, além do uso das armas através dos seus coiteros e jagunços, os destinos de duas regiões brasileiras: a primeira a Região Nordeste, onde todas as chagas sociais que ali aconteciam, se refletiam nas demais regiões do país. A segunda região afetada era a Região Sul/Sudeste da Bahia com a instauração da lavoura do cacau que naquela época foi o fóco de assassinatos de fazendeiros, posseiros e pequenos proprietários de terras que para aquele região da Bahia se deslocavam, objetivando auferir o lucro fácil e imediato na lavoura recém-descoberta. Naquele período áureo dos primórdios da lavoura do cacau no sul da Bahia, até o pai do escritor Jorge Amado recebeu tiros...

    O Jorge Amado avocou também num dos seus romaces o problema do racismo, a diferença das classes sociais, através do livro intitulado Capitães de Areia, onde nas suas páginas conseguiu traçar e retratar ao público leitor as misérias das classes sociais menos favorecidas, em confronto com as classes poderosas. As conhecidas gente bem, famílias aristrocáticas e nobres da Bahia, cheias de títulos, comendas e doutores, pessoas na sua total maioria reais, atuantes na vida baiana, algumas poucas vivas até hoje, as quais competiam naquela ocasião com a miséria do submundo infame e degradante dos capitães de areia, os quixotes abandonados, crianças que na sua maioria não viviam sob os cuidados das mães, filhos de pais iguinorados, que eram largadas atôa, sem parentes ou instituições públicas que lhes dessem abrigo, alimento ou instrução. A fim de não passarem fome, se colocavam estrategicamente ao longo da antiga Rua Chile, Praça da Sé, Misericórdia etc. com o intuito de baterem/roubarem carteiras, bolsas e colares de madames, porque ninguém queria ajudar, sequer empregar, muito menos educar um maltrapilho descalso e sujo, além de tudo filho de mulheres solteiras (vulgarmente chamados de filhos da puta).

    Até meados da década de 1960, quando existia a ex-Feira de Água de Meninos, localizada na cidade baixa, em Salvador/BA, destruída pelo fogo num final de tarde, cansava-se de encontrar os capitães de areia nas imediações do Cais de Dez Metros ou no meio do povo que fazia a sua feira, quando essas crianças ágeis e espertas além de roubarem carteiras, furtavam às vezes sacolas cheias de feira da semana quando as tomavam à força nas mãos das pessoas idosas e indefesas, enquanto se defendiam do povo com golpes de caapoeira enquanto a Polícia – naquela época era a famosa dupla conhecida por Cosme e Damião – corria atrás deles inutilmente, entre o povo aturdido que gritava enlouquecido e frenético, a tropeçar nos cestos de frutas e verduras, derrubando tabuleiros de acarajés e placas de peixes fritos, quando os rápidos capitães de areia ganhavam o rumo da Ladeira da Água Brusca, passando pelo Barbalho, depois Quinze Mistérios e parodiando o poeta Gilberto Gil: “...iam do bairro prá cidade”!

    Hoje a história continua célere no seu curso, enquanto os capitães de areia foram rotulados em décadas recentes sob o epíteto burlesco de menores abandonados, defendidos por uma legislação inócua e incompetente, sendo defendidos heróica e poeticamente pelo poeta santamarense Caetano Veloso em versos como estes:

    “E os trinta milhões de meninos abandonados
    no Brasil
    com seus peitos crescendo, seus paus crescendo
    e seus primeiros menstruos...”
    [/i] (OS OUTROS ROMÂNTICOS)

    Foi muito bonito o labor literário desenvolvido pelo Jorge Amado nos seus romances, editados em épocas contubardas e cheias de dificuldades/reviravoltas políticas e sociais no nosso país, quando o povo brasileiro necessitava de alguém para ser o porta-voz das misérias e decadências de toda uma comunidade não só baiana, mas brasileira.


    Tivemos ainda na Bahia escritores e poetas de nível do Godofredo Filho, com os seus momentos vividos e redivivos no livro Irmã Poesia, poeta feirense de execelente lavra poética e que foi dissecado pelo Mestre, Historiador e Crítico Literário baiano Gilfrancisco. Além dele tivemos ainda o Eurico Alves, o Carvalho Filho, o Pinheiro Viegas e o Carlos Chiacchio. Fora da Bahia, vicendo o fervor da Semana da Arte Moderna de 1922, encontramos o Manoel Bandeira com os seus versos soltos, dentro de um sonho encantador, o Osvald de Andrade, Heitor Villa-Lôbos, o Di Cavalcante e a Tarcila do Amaral na pintura e também os poetas Carlos Drumond de Andrade e Vinícius de Moraes, este último falecido em 09 de julho de 1980 e que nos deixou além de vasta obra poética, teatral, cinematográfica e musical, uma enorme filosofia de vida! Tive a honra de conhecer pessoalmente o seu filho Pedro Moraes, no lugarejo mágico e encantado chamado Arraial d’Ajuda, em terras de Porto Seguro/BA no final da década de 1970, bem como vi encantado inúmeras e centenas de fotografias hstóricas em preto-e-branco executadas pelo Pedrinho, enquanto o seu pai, o Vinícius de Moraes, se alimentava oniricamente das poesias que escrevia e das músicas que cumpunha, morrendo assim de repente, dentro de uma banheira, a escrever versos...

    Atualmente a geração contemporânea e presente aqui no Brasil, em particular na Bahia, leva muita atenção e de uma maneira indireta acompanham com as suas criações/manifestações artísticas/poéticas/musicais e fotográficas a trilha deixada pelo legado dos poetas e artistas que provocaram o estopim da Semana da Arte Moderna de 1922, através de compositores, poetas, artistas plásticos, teatrólogos e escritores como: Derval Gramacho, ALMAndrade, Gilfrancisco, Abinael Moraes Leal, Guache, Quaresma, Rui Espinheira, Mabel Velloso, Franck Romão, Carlos Pita, Daniela Mercury entre outros, que através da música, da dança, da pintura, da poesia e das artes visuais em geral, extrapolam com as suas magníficas e reconhecidas criações o cenário artístico baiano ao resto do país, levando a nossa arte às capitais internacionais, quando lá fora ainda somos representados dignamente pelo Gilberto Gil, Caetano Veloso, Margareth Menezes, a própria Daniela Mercury anteriormente citada, Antônio Pitanga, Lázaro Ramos, Sílvio Robatto, o querido e sempre reconhecido Tom Zé, o Wagner Moura etc. que mostram do lado de fora da cêrca o que a Bahia tem de melhor.

    Todavia, apesar de atualmente serem poucos citados, quero chamar a atenção para os escritores e poetas baianos que foram lançados entre as décadas de 1970 a 1980 pelas EDIÇÕES CONTEMP, tendo a frente o poeta e escritor Luiz Ademir Souza, que naquela ocasião revelou poetas, poetisas e escritor(as)es de reconhecido mérito, tendo situado aquela Editora como a mais atuante entre todas as outras do norte e nordeste do Brasil. A EDIÇÕES CONTEMP promoveu há décadas passadas sucessivos lançamentos literários de porte, mostrando a nível nacional o que se fez de melhor nos gêneros não somente da poesia, mas do conto e do romance, revelando autênticos artistas da palavra, a exemplo de: Cláudia Machado, Birão Santana, Agnelo Régis, Aurisvaldina Gleyser, Luiz Damasceno, Gerando Pita, o próprio Luiz Ademir Souza, Geraldo Cony Caldas, Abinael Moraes Leal, Graça Senna, Vera Mattos, Vera Gondim, Leopoldo Alves, Outram Borges, Isanéia Fitermann, Petronilho Reis, Graça Guerra de Oliveira, Gilfrancisco e outros que através dos seus versos, romances, contos e das suas maravilhosas lições de amor e paixão pela arte literária, sobretudo também indiretamente inspirados no ideal libertador da Semana da Arte Moderna de 1922, construiram um trabalho crescente e abundante com vistas a uma libertação maior do espírito humano, onde deixaram – cada qual na sua época – o que de melhor pode ser feito dentro não só do cenário artístico baiano, mas também nacional.
    tadeu.bahia@hotmail.com
    http://pt.netlog.com/tadeubahia
    http://pt.netlog.com/clan/maconaria_tb

  • FELIZ NATAL!

    “... a Imprensa Brasileira, a Polícia Federal e o Ministério Público FederaI formam o delta luminoso e resplandecente que no momento sustentam o nosso país, coibindo o estado de anarquia e calamidade que reina nos paises de terceiro mundo.” (TADEU BAHIA).

    Nestes momentos de tantas reviravoltas políticas e sociais que sacodem toda a Nação, imergindo-a no lodaçal infame da vergonha, descrédito e do desapontamento, recordo do meu saudoso avô materno, o Dr. Manoel Bahia, filho do Padre Manoel Bahia, de quem tanto se orgulhava e neto do médico Dr. Lúcio de Oliveira Bahia, todos nascidos nas terras abençoadas de Santo Amaro da Purificação, Recôncavo da Bahia, que também gostavam de política e dizia-se que o Dr. Lúcio de Oliveira Bahia teria sido contemporâneo do Dr. Antônio José Alves, pai do poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves.

    Destaco no momento o meu avô, Dr. Manoel Bahia, que foi Orador da “Lyra dos Artistas” de Santo Amaro da Purificação, e que, apesar de formado em engenharia, exercia também a função de “rábula”. Quando ia defender algum constituinte ou a situação política se agravava, ele rascunhava os seus históricos discursos ensaiando-os em cima de um tamborete velho que lhe servia de tribuna, numa roda de cafezinho entre familiares e amigos, na cozinha da minha avó, Profª Perpedigna Costa de Oliveira Bahia, esta última, parente do neurótico escritor, também engenheiro, Euclides Pimenta da Cunha.

    À sua saudosa e folclórica memória, conto a seguinte história:

    Antigamente, lá pelos idos do século XVII até os meados do século XX, existia nas ruas e ladeiras românticas da Bahia a figura inesquecível do carroceiro. Quando éramos crianças e não queríamos estudar, os nossos pais nos repreendiam carinhosa e ostensivamente: “Menino, vá estudar senão quando crescer vai ser carroceiro!” No entanto, é bom que todos saibam que naqueles tempos idos um carroceiro geralmente tinha o curso primário completo.

    Era assim com todas aquelas crianças pobres, as quais, após concluírem o primário, devido à sua condição social, não logrando cursar o ginásio, quiçá universidades, desde cedo se entregavam à faina do trabalho infantil nas atividades de: carroceiros, alfaiates, sapateiros, baleiros, vendedores de acaçás, pamonhas de milho verde e tabocas, padeiros, verdureiros, mascates, aguadeiros, motoristas de lotação, condutores de bondes da antiga e saudosa “Companhia Linha Circular de Carris da Bahia”, acendedores de lampiões, carpinteiros, mecânicos, estivadores do cais do porto, ou ganhadores, etc:., a fim amealhar uns míseros trocados para ajudar a sustentar sua família.

    Nos dias de hoje, com a pouca ou nenhuma atenção que o governo, ao longo destes últimos sessenta anos, tem dado à área da Educação no Brasil, feliz e ditoso é o povo brasileiro, onde, qualquer um que tenha o curso primário completo, pode dignar-se a ser um Presidente da República!

    Vejamos o que está a acontecer atualmente com a política brasileira: após o surgimento do PT, décadas atrás, quando grande parte da nossa nação passou a viver das esperanças de que este digno e respeitável partido seria a redenção do país, todos nós lutávamos pelas ruas, enfrentando policiais e a ordem dita legal, fazendo passeatas e protestos, quando éramos perseguidos pelas valorosas e saudosas Tropas de Choque da PM baiana na base do gás lacrimogêneo e a pauladas, sem não esquecermo-nos dos legendários cães policiais criados com Biotônico Fontoura e Toddy. O fato é que enfrentávamos todos os perigos de dedo em riste, lutando contra o que chamávamos de “resquícios da Ditadura” e por aí vai...

    Vingamo-nos do querido amigo FHC. O nosso brilhante e respeitado sociólogo. Apeamos um intelectual do poder, e, não sabendo estabelecer as verdadeiras proporções, no seu lugar colocamos um operário. Um humilde, simplório e bem aventurado torneiro mecânico...

    Alguns brasileiros falam que o FHC menosprezou o país por oito anos, fazendo um verdadeiro massacre, criando uma tremenda e falsa imagem dos servidores públicos federais, transformando-os em autênticos “bois-de-piranha”, querendo fazer acreditar que os mesmos seriam os culpados pelo retrocesso político e caos administrativo/financeiro, sobretudo imoral, que sempre conviveu na vida pública brasileira desde os anos 1500 até os dias de hoje. Nunca concordei com isto.

    Acredito que a gênese de toda esta situação está fortemente enraizada na culpa da nossa formação histórica enquanto nação, através do povoamento do nosso país que foi constituído por pessoas que faziam parte da escória que vinha das terras da Europa, caracterizada por degredados, assassinos, presos deportados, prostitutas e aventureiros que vieram para o Brasil empilhados nos porões das naus, que procediam do Velho Continente, trazendo consigo todas as suas mazelas e vícios.

    Exatamente dois séculos depois, aquela mesma escória já fortemente miscigenada através de inúmeras relações sexuais, consolidou-se e formou as primeiras famílias que se constituíram nos primeiros - burgos – povoados – em terras brasileiras. Estávamos no auge da febre açucareira nos engenhos do Recôncavo Baiano, Pernambuco e Rio de Janeiro e precisávamos de braços a custo barato para movimentar a nossa modesta economia nacional. Naquela oportunidade, foram trazidos os negros da África para trabalharem à força e gratuitamente na nossa lavoura. Vinham contra a sua vontade, amarrados, acorrentados, vivendo em condições subumanas, sendo desrespeitados, violentados, as suas mulheres e filhas prostituídas, mal tratados, permutados ou vendidos como simples animais!

    Apesar da abolição da escravatura ter acontecido em 1888, convém ressaltar que este acontecimento foi mais um ato/fato político, confeccionado nos bastidores – entre colunas - e instigado às autoridades imperiais, naquela época, pela própria Maçonaria. Assim como, exatamente um ano depois, em 1889, conseguimos proclamar a República através do Marechal Deodoro da Fonseca, que também era Mestre Maçom, embora a nobreza de caráter, bem como a conduta e procedimentos maçônicos nunca tenham sido seguidos ao pé da letra pelos demais presidentes que o sucederam.

    A MAÇONARIA SEMPRE ACREDITA NOS SEUS IDEAIS, ENQUANTO OS NOSSOS GOVERNANTES SEMPRE ACREDITAM NAS SUAS IDÉIAS!


    Exatamente cem anos depois de terem sido libertados, encontramos os descendentes destes mesmos negros vagando pelas ruas do Brasil, subalimentados, desnutridos, desempregados, vivendo em locais insalubres e em condições precárias, sem escolas ou universidades, muito menos assistência hospitalar condigna, com as suas mulheres e filhas ainda violadas, vítimas de uma discriminação branca, silenciosa e fatal que igual a uma célula cancerígena, vai corroendo esta raça magnífica e bela tal uma metástase!

    Oxalá, algum dia o Grande Arquiteto do Universo ouvirá o clamor ancestral do amigo Jorge Amado, que desde a década de 1940 já previa que até o final do século XX a população brasileira seria predominantemente negra, e as Igrejas Católicas e os Terreiros de Candomblé seriam o único oráculo da civilização baiana e nacional!

    Nas ruas, becos e ladeiras românticas e ensolaradas da Bahia, a raça negra está representada solenemente em quase 97% da população, com os seus hábitos, crendices, música e magia, todavia, embora tenhamos herdado dos nossos irmãos negros uma cultura estonteante, resplandecente, magnífica e bela, a nossa insipiente ou quase nenhuma porção ariana não quer acreditar que a verdadeira e autêntica fotografia sociológica do negro no Brasil, que me perdoem os fotógrafos Pierre Verger e o querido primo Sílvio Robatto, pode ser facilmente caracterizada nos versos do poeta santamarense Caetano Veloso, quando ele declina:

    “QUANDO VOCÊ FOR CONVIDADO PRÁ SUBIR NO ADRO

    DA FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO

    PRÁ VER DO ALTO A FILA DE SOLDADOS, QUASE TODOS PRETOS,


    DANDO PORRADA NA NUCA DE MALANDROS PRETOS

    DE LADRÕES MULATOS E OUTROS QUASE BRANCOS

    TRATADOS COMO PRETOS

    SÓ PRÁ MOSTRAR AOS OUTROS QUASE PRETOS

    (E SÃO QUASE TODOS PRETOS)

    E AOS QUASE BRANCOS POBRES COMO PRETOS


    COMO É QUE PRETOS, POBRES E MULATOS

    E QUASE BRANCOS QUASE PRETOS SÃO TRATADOS.”


    Dai concluo que FHC não tem culpa de ter sido – ou continuar a ser o FHC, assim como a casa grande do Gilberto Freire, que é o Brasil dos dias de hoje – sociologicamente – nunca haver passado do estado de simples senzala...

    Outrora, deixamos de ser colonizados e explorados política e financeiramente de Portugal. Hoje, os nossos colonizadores só mudaram de endereço e a nossa dependência não só continua a ser política/financeira... ela é sobretudo uma DEPENDÊNCIA MORAL!

    Reportando-nos à história contemporânea, a partir do governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que hoje é respeitável Senador pelo Estado de Alagoas, embora alguns poucos e nada sensatos articulistas políticos burramente o reneguem, desde o início da década de 1990 já cresciam a olhos vistos os pedidos de mandados de prisão e seqüestro de bens móveis e imóveis expedidos contra as autoridades do alto escalão da vida pública brasileira, quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, onde, entre eles, infelizmente encontramos ex-ministros, ex-prefeitos e ex-governadores de Estados, autoridades policiais de alta patente, presidentes de partidos políticos, ex-deputados federais, ex-auditores fiscais e agentes administrativos, ao quais, se encontravam/se encontram envolvidos em escândalos públicos como desvios de verbas, peculatos, nepotismo, assalto aos cofres de instituições governamentais, lavagens de dinheiro, depósitos ilegais em dólares nos paraísos fiscais, atos notórios e comprovados de improbidade administrativa, envolvimento com prostituição infantil e narcotráfico, estupros, a prática ignóbil do mensalão, bem como toda a sorte de falcatruas e ilegalidades que são fartamente denunciadas com rigor – e sobretudo coragem - através dos nossos meios de comunicação.

    Feliz e ditoso é o povo brasileiro, onde, qualquer um que tenha o curso primário, pode dignar-se a ser um Presidente da República!

    À bem da verdade, desde o início da década de 1970 para cá, os petistas históricos e histéricos mais radicais criavam a barba desalinhada e mal tratada, se fazendo parecer com o Lula. Falava-se que o querido Lula se espelhava na imagem sempre míope e retrógrada do “Comandante” Fidel Castro, naquela época um ditador romântico e solitário de um lugarejo bucólico, inexpressivo, esquecido do mundo e do próprio tempo, atualmente imerso na década de 1950, chamado Cuba.

    Naqueles idos de 1964 até a década de 1980, não existia no Brasil a falta de informação, muito pelo contrário! As televisões, rádios, jornais e periódicos brasileiros, apesar de já terem em si a verve e a malícia dos dias atuais, eram ainda monitorados e censurados pelas forças militares. Então, tínhamos uma sociedade que cultural, política histórica e sociologicamente era propositalmente muito mal informada, daí surgirem alguns imbecis que naquele tempo obscuro cultuavam (alguns ainda cultuam) a figura pseudo-pragmática do Fidel Castro, como se ele fosse um verdadeiro revolucionário, aliás, adjetivo que lhe cabe muito bem pois isso sempre ele foi, porém, um autêntico líder na acepção justa do termo, quanto a isso, ele sempre deixou a desejar...

    O Fidel Castro seria o Homem das Cavernas de uma América Central desvairada e embrutecida, personagem solitário de um lugar atípico e ensolarado, onde nem sequer era conhecida a roda, que ainda professa um comunismo ortodoxo, ultrapassado, utópico e ideologicamente sem nenhum sentido...

    Estabelecendo-se as devidas e respeitáveis comparações, o nosso Presidente Lula seria o Homem de Neardental da então elementar, nevoenta e sempre enganada nação tupiniquim. A única diferença é que o objetivo do Fidel Castro é e sempre foi o Estado, na sua megalomania mais louca e absoluta, enquanto o objetivo do Lula é indiscutivelmente e sem sombra de dúvidas – o bem estar de todo o povo brasileiro! É uma lástima que a realidade, algumas vezes, esteja a demonstrar justamente o contrário.

    Ao mencionar sobre a origem humilde do Presidente Lula, nas terras agrestes de Pernambuco, em Garanhuns, coração da Região Nordeste, evoco as sábias palavras do memorável jurista baiano Rui Barbosa, quando certa vez escreveu textualmente: “Nasci na pobreza; e de tal modo me honro; porque essa pobreza era a coroa de uma vida, que o amargor dos sacrifícios não deixou frutificar em prosperidade.”

    Daí eu depreendo que a origem simples e modesta do Presidente Lula, transcendeu na virtude ou capricho do destino, de transformá-lo do simples e abnegado operário braçal, no maior dirigente da nossa nação. Mas, a vida sempre dá os seus reveses e é uma pena que até os dias de ontem, o PT - que seria a sua “Consciência Crítica” – quando aparecerem denúncias em cascata dos atos de corrupção praticados por alguns elementos daquele partido, já bastam para que o Presidente Lula, em declaração à uma jornalista brasileira na França, simplesmente cuspa no prato em que comeu!

    A sociedade brasileira está perplexa ao constatar de que a lama não se espalha somente através dos ventiladores da República, mas também pelos próprios aparelhos de ar-condicionado dela... a elite, a qual se refere o Presidente Lula, só quer que o mesmo consiga manter a sua cabeça sempre erguida para enfrentar, com um mínimo de galhardia e tolerância, a imensa vergonha a qual, uma vez ou outra, estamos estupidamente passado até no contexto internacional.

    Se não fossemos tão bobos, diríamos até que o Presidente Lula seria mais um cordeiro em meio a uma pérfida e sanguinária alcatéia! Todavia, nada justificam os atos gloriosos do passado, negados friamente no presente. Em outros tempos, que não se vão longe, ter-se-ia dado o IMPEACHIMENT ao Exmo. Sr. Presidente, quando sairiam fortalecidos o Judiciário, o Legislativo e o Congresso, realizando-se então uma profunda varredura nos partidos políticos, colocando-se os verdadeiros corruptos – através, de processos sumários - na cadeia e de alguma maneira seria saneada a imagem pública nacional... Ditadura, “lei do chicote”, “linha dura” ou autoritarismo? Muito pelo contrário... apenas uma questão da aplicação coerente – mais que eficiente - de um método disciplinar justo e perfeito!

    Acredita-se que a CPMI, através magnânimos e respeitáveis pares, está realizando o tolerante e reflexivo trabalho de separar o joio do trigo, ou seja: separar os bons dos maus, fundamentada nos alicerces mais nobres da JUSTIÇA e do DIREITO!

    Todavia, agradecemos ao GADU pelo fato da Nação Brasileira possuir um tríplice alicerce: ...a Imprensa Brasileira, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal formam o delta luminoso e resplandecente que no momento sustentam o nosso país, coibindo o estado de anarquia e calamidade que reina nos paises de terceiro mundo.

    O que me consola, em parte, é a felicidade de pertencer a uma Ordem fraterna, discreta, reflexiva, ativa e silenciosa que protege - entre colunas - diuturnamente, a dignidade e a honra da Nação Brasileira, tendo em vista que a própria política baiana teve/tem muitos nomes dignos: Octávio Mangabeira, Rui de Oliveira Barbosa, o saudoso e lembrado mestre Prof. Josaphat Marinho, o ex-Governador Antônio Balbino dos meus tempos de criança, o Dr. Gervásio de Mattos Bacelar da minha inquieta e fulgurante juventude, o ex-Senador Luiz Viana Filho, escritor, diplomata e político notável que na Bahia foi o francês mais baiano do Brasil; o apolítico e defensor dos pobres Major Cosme de Farias, o inesquecível Dr. Francisco Peixoto de Magalhães Neto, o sempre destacado José Carlos Aleluia, o respeitado e atuante prefeito feirense José Ronaldo da Silva, os queridos amigos Newton Macedo Campos, Valdivino Nunes da Silva, Dr. Pedro Américo de Brito, Itaberaba Lyra, entre outros.

    Sobre o Cosme de Farias, que era rábula igual ao meu avô, Dr. Manoel Bahia, contam os estudiosos da Obra Cosmeana que em certa ocasião, estando o velho rábula defendendo um seu constituinte na cidade de Catú, interior da Bahia, onde já se tinha como certa a absolvição do mesmo, quando, um dos manifestantes mais exaltados teria gritado para o Cosme de Farias: “Olha, Dr. Cosme, se Vossa Excelência absolver este elemento, a gente depois pega ele e mata!”, ao que o imperturbável rábula respondeu com o seu sorriso manso e a sua calma profunda: “Olha, meu filho, se Deus é grande, o mato é maior ainda!...”

    Todavia, gostaria de ressaltar umas breves lembranças do Dr. Francisco Peixoto de Magalhães Neto; o mesmo foi colega na Faculdade de Medicina da Bahia do meu tio Dr. Olivério Mário de Oliveira Pinto, onde se formaram em 1919. Contou-me a saudosa tia Eudóxia Hilda de Oliveira Pinto que o orador da turma seria o tio Olivério Mário, mas, este pegou uma gripe forte na semana da formatura, então, como era muito amigo do então formando Francisco Peixoto de Magalhães Neto, teria pedido para que este lesse o discurso de formatura no seu lugar. O Dr. Francisco Peixoto de Magalhães Neto doutorou-se defendendo a tese ”Étio Patogenia da Doença de Morel – Kraepelin”, sendo também psiquiatra, professor catedrático de Higiene e logo após da inauguração da Faculdade de Filosofia da Bahia, pelo Prof. Isaías Alves, o Dr. Magalhães Neto ocupou a cátedra de Biologia Educacional. No campo da política, o Dr. Francisco Peixoto de Magalhães Neto foi deputado federal no governo do Juracy Magalhães e ocupou a cadeira número 08 da Academia de Letras da Bahia. Quando faleceu em 1969, ocupava a presidência do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.

    Já o meu tio, Dr. Olivério Mário de Oliveira Pinto, logo após formar-se em medicina, viajou para São Paulo onde constituiu família, sendo um dos fundadores da Faculdade de Medicina naquele Estado. Notabilizou-se, paradoxalmente, ao fazer do hobby da Ornitologia a sua ocupação principal, realizando eminentes e profundos estudos na área, inclusive com publicações, tratados, teses etc:. reconhecidos pela comunidade científica internacional, principalmente nos Estados Unidos. Temos algumas publicações de época na nossa modesta biblioteca, porém, muitos trabalhos da sua autoria estão espalhados nos Estados Unidos e depois da sua morte, é uma pena que o Brasil não invista em mais pesquisas nesta área, aliás, o nosso país é uma das atuais nações emergentes e burras que peca por não preservar a sua memória histórica!

    Segundo informações do meu tio Alexandre Robatto Filho, cineasta e romancista baiano, odontólogo, pioneiro do Radioamadorismo e do Cinema na Bahia, (sem o qual não teria sequer surgido o Glauber Rocha, que, segundo minhas modestas observações, se o Glauber não tivesse assistido a película “Entre o Mar e o Tendal”, da autoria do meu tio Alexandre Robatto, não teria tido “inspirações’’ para criar (:) o seu filme ”Barravento”!), foi o tio Olivério Mário de Oliveira Pinto o responsável pelo restabelecimento do elo familiar entre a minha bisavó materna, Profª Perpedigna Amélia da Cunha Costa, nas terras de Santo Amaro da Purificação, com o escritor Euclides Pimenta da Cunha. Os mesmos seriam parentes, primos. Daí estar explicado que todas às vezes que o Euclides da Cunha tirava as férias de fim de ano no Rio de Janeiro, vinha passá-las com os parentes de Santo Amaro da Purificação. Por um lapso do destino, a minha mãe, Ana Bahia Menezes, se casou também com um parente dela, o Joaquim Cunha Menezes, mas dele só o último sobrenome carrego na minha certidão de batismo.

    Feliz e ditoso é o povo brasileiro, onde, qualquer um que tenha o curso primário, pode dignar-se a ser um Presidente da República!

    Concluindo, transformamos em presidente da nossa acanhada República um simples operário braçal, um abnegado torneiro mecânico, que aos olhos de muita gente dita letrada não teria lampejo intelectual para coisa nenhuma. Apesar de culturalmente não ser bem informado, sempre tem estado presente e atuante nos principais acontecimentos políticos e sociais ocorridos não só nosso país, mas em todo o mundo. Os intelectóides nacionais sempre diziam que o Lula não teria a formação e/ou respaldo intelectual para expressar os seus projetos políticos, quiçá materializá-los e aplicá-los – na prática – quando estivesse no exercício pleno do poder.

    O livre exercício da cidadania, dignificado pelo voto, respondeu às elites brasileiras- por duas ocasiões - justamente o contrário! Embora, na prática, estejamos a vivenciar uma realidade política - social decepcionante e adversa.

    Infelizmente, enquanto estas necessárias e urgentes colocações, ou intervenções, não acontecem a nação deteriora flácida e pateticamente a olhos vistos. No entanto, ainda há tempo, Senhor Presidente! Ainda temos tempo... antes que seja tarde!

    Ou no curso primário do nosso presidente, a teoria não contabilizou com a prática?...

    Não se deve distribuir entre os seus, o que legitimamente pertence ao povo brasileiro. Sabemos que não teremos de volta o dinheiro dos mensalões, queremos sim é que a inclita e douta CPMI resgate de volta a nossa DIGINIDADE que foi vilipendiada!

    O governo do Partido dos Trabalhadores – PT - eleito pelo povo através o voto livre e soberano da cidadania e da esperança, que deveria representá-lo de maneira condigna, está de vez em quando e vergonhosamente se sentado no banco dos réus!

    Feliz e ditoso é o povo brasileiro, onde, qualquer um que tenha o curso primário, pode dignar-se a ser um Presidente da República!

    Admiro, respeito muitíssimo e gosto dos amigos petistas, também os sindicalistas, embora alguns sejam conhecidos e caracterizados pela truculência física e violência verbal, como se ainda vivêssemos em plena fase de 1964/1975 enfrentando os policiais com os seus cassetetes e cachorros amestrados em combates abertos de rua, abençoados pelo romântico soglan: “Um povo unido, jamais será vencido!!”, entre salvas de tiros de borracha e distribuição – à farta – de gás lacrimogêneo e cacetetadas. Atualmente os tempos são outros, alguns dos nossos sindicalistas precisam se educar, “se domesticar”... já é tempo. O Brasil espera muito de Vossas Senhorias, apesar de tudo. Existe muita gente competente no PT. É necessário tão somente, repito, separarmos o joio do trigo...

    Existem sindicalistas e petistas com formação universitária, conheço muito deles, alguns com cargos/funções de mando etc:. Contudo, após algum tempo no exercício do poder, se acomodaram gostosamente nas poltronas palacianas e ao gerir a coisa pública, ou privada, a cada dia que passa mais se afastam do verdadeiro caminho para o qual tinham sido destinados através os votos, ou de uma mal fadada nomeação.

    Tem um ditado antigo que diz: quem não tem competência, não se estabelece! Acreditamos... tendo em vista não termos a certeza de que tanto o PT quanto o Brasil, do jeito em que as coisas estão, se restabelecerão tão cedo, ou em algum dia.

    Que bom seria se a violência verbal da maioria dos amigos sindicalistas, fosse igual à sabedoria e eloqüência verbais, sobretudo intelectuais, da nobre e sábia Senadora Heloísa Helena! Teríamos maravilhosos Defensores Públicos e seriamos dignamente representados! Ao contrário, conhecidos pelo seu temperamento destemperado e bruto, alguns sindicalistas são verdadeiros “bad boys”, autênticos “pitty bulls”, que tentam impor os seus pretensos direitos através da agressão física ou de “palavras de ordem”, caracterizadas pelo baixo calão, invasões e depredamento de prédios públicos e total desrespeito às autoridades, apresentando desta maneira uma imagem distorcida e degenerada do poder, conseqüentemente do respeitável e digno PT.


    Todos os partidos políticos merecem o nosso profundo respeito e solidariedade: PFL, PMDB, PSOL, PT, PSDB, PTB, PC do B, PCB, PV etc:. porque todos eles representam os anseios de todo o povo brasileiro. Como admitir respeito a um partido político, se a maioria dos seus adeptos não tem sequer um pingo de educação doméstica? Alguns petistas são os primeiros a não respeitarem o PT. É um procedimento público e notório! O PT é um partido digno e formado pelas lágrimas, sangue e suor de todos os trabalhadores brasileiros, só precisa ser educado... e conseqüentemente “saneado”! Há partidários que realmente transfiguram/destoam/distorcem com a real filosofia do PT. A nação brasileira assiste envergonhada e estupefata esta triste realidade.

    Como diz o meu tio, Dr. Alexandre Robatto Filho, nos seus sábios trocadilhos: “... o comportamento de alguns petistas não é lá muito genuíno!”

    O poder de um povo livre é a DEMOCRACIA... porém a Democracia também não pode ser imposta... ela tem de ser CONQUISTADA!

    A elite política brasileira, aliás, todas as elites políticas do mundo inteiro que detém o poder, detestam os intelectuais... que o digam o saudoso amigo Jorge Amado, o Jean Paul Sartre, Charles Chaplim, John Lennon, Paulo Francis, o Voltaire ou ainda o velho poeta andino Pablo Neruda! Não é que sejamos pomposos, iluminados ou narcisistas nas nossas colocações e/ou postulações intelectuais, ou na nossa modesta tolerância, mas pelo simples fato de sermos uma classe de pessoas que todos eles detestam: a classe dos CRÍTICOS!

    ... Gilberto Gil até há pouco tempo era o Ministro da Cultura e hoje continua a ser o nosso melhor poeta, aquele poeta maravilhoso que envolve os corações brasileiros em meio a tanto sofrimento e esperanças, com mais poesias, sonhos, luz e dignidade... o Gil, que já foi Ministro da Cultura, futuramente poderá ser o Presidente da ONU... basta o mundo político mundial ter um momento lúcido de visão, de visão estratégica, não é preciso a premonição!

    Sempre disse à minha esposa, a querida Sueli Rocha Lopes e à poetisa baiana Mabel Velloso, que se um dia eu fosse rico, tivesse um bocado de dinheiro, convidaria o Gilberto Gil à minha festa de aniversário para cantar, entre outras, duas músicas para mim muito especiais: Se Eu Puder Falar com Deus e Não Chore Mais... essa última o Hino Oficial da Ditadura de 1964 que se abateu sobre o nosso país.

    Hoje, os tempos são outros e eu espero que a nova juventude política brasileira não saia da frente do novo vício do Século XXI, o Universo da Informática, ao contrário, busque sempre se atualizar diante das telas dos novos computadores e note books (como na década de 1960 éramos viciados em ficar na frente das televisões preto x branco!) e aprenda desde logo a reescrever com garra, maestria e dignidade a sua própria e inexorável história!

    Outro dia falei à minha amada Lala Velloso que quando o Jorginho e a Aninha fossem crescidos, os ensinasse que a palavra mais bonita do mundo se chama: LIBERDADE!

    O poeta, intelectual e compositor santamarense Jorge Portugal, confidenciou-me há anos atrás que era fã dos meus textos poéticos na saudosa página cultural “OS JOVENS PEDEM PASSAGEM”, do extinto JORNAL DA BAHIA. Cadê o Paulo Garcez de Sena, Almandrade, A.J. Moura, Ivan Dórea Soares, João Carlos Teixeira Gomes, João Augusto de Oliveira Pinto, Walter Demétrius, Luiz Galvão, Fernando Antônio Pinto, Gilfrancisco dos Santos, Carlos Pita, Derval Gramacho e os outros poetas? NÃO DEIXEM ESTA CHAMA SE APAGAR!!

    O Brasil está entregue à sua própria sina. Excetuando-se entre outros a Bahia, alguns Estados com o seu governo paralelo, usando “caixa dois”, com a sua contabilidade mascarada, os seus políticos mensalistas, alguns policiais bem como autoridades judiciais suspeitas, corruptas e incompetentes, tudo isto nos fazendo lembrar da época barroca da Bahia, no tempo do glorioso poeta pícaro baiano Gregório de Mattos e Guerra que tão bem sentenciou o então estado de desmando, descalabro e descaramento imoral da então nação brasileira, quando ainda no século dos seiscentos, declamou:

    “Neste mundo é mais rico o que mais rapa:

    Quem mais limpo se faz tem mais carepa;

    Com sua língua, ao nobre o vil decepa:

    O velhaco maior sempre tem capa.

    Mostra o patife da nobreza o mapa:

    Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

    Quem menos falar pode, mais increpa

    Quem dinheiro tiver, pode ser papa.

    A flor baixa se inculca por tulipa;

    Bengala hoje na mão, ontem garlopa;

    Mais isento se mostra o que mais chupa.


    Para a tropa do trapo vazo a tripa,

    E mais não digo, porque a musa topa

    Em apa, epa, ipa, opa, upa.”


    TADEU BAHIA:. 57 anos – Ex-JUIZ do “TRIBUNAL DE JUSTIÇA MAÇÔNICO“ DO GRANDE ORIENTE ESTADUAL DA BAHIA , atualmente CONSELHEIRO do GRANDE ORIENTE ESTADUAL DA BAHIA-GOEB.
    tadeu.bahia@hotmail.com

    Correspondências para:

    LOJA MAÇÔNICA CAVALEIROS DA FRATERNIDADE - N. 1353

    Rua Alfredo Brito, nº 37 – Bairro: Pelourinho

    SALVADOR - BAHIA – CEP: 40.000-000

    E-mail: tadeu.bahia@hotmail.com ou

    http://pt.netlog.com/tadeubahia

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