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Blog / Michel Leme = Guitar - Hero Brazil
Domingo, 11 Outubro 2009 às 11:33
Este é um grande músico do Brasil que abre seu coração para o Speed Zine
mostrando seu talento e sua humildade.
Michel Leme esta na Tv Cáscara Sagrada 11/10/2009 a 18/10/2009
http://pt-br.justin.tv/cascarasagrada
SZ:O Speed Zine esta com cinco anos qual sua opinião sobre o fanzine ?
r : Minha opinião é que todo veículo que divulga a música independente merece todo respeito e aplauso. Quem não se vende ao lixo materialista e venenoso que vem do jugo das corporações trilha um caminho digno e se mostra como um exemplo a ser seguido.
SZ:Qual é a formação atual da Banda de apoio ?
r : Não tenho “banda de apoio”, Fernando: as pessoas que tocam comigo estão livres para tocar o que sentem no momento. Não há combinados, não há ensaios, não há premeditação. Toco em iguais condições com os músicos que chamo para tocar. Não há a noção de “líder”, o que há é o prazer em tocar juntos, a admiração mútua e a concentração cada vez mais profunda em relação ao que está acontecendo no momento. Tocamos música improvisada; conhecemos os temas que tocamos juntos, mas jamais os tocamos da mesma maneira e tampouco repetimos coisas que deram certo em outras apresentações. Buscamos servir à música, com toda sinceridade.
SZ: Quem ja dividiu palco com voçê ?
r : Tenho tido a sorte e a bênção de tocar com músicos maravilhosos. São experiências indescritíveis e sou muito agradecido por todo aprendizado que vem acontecendo. Toquei em workshops com Michael Brecker, Joe Lovano, Lee Konitz, Bob Francischini; toquei em canjas com Wynton Marsalis, Gary Willis, Stephen Scott, Lewis Nash, Toninho Horta, Heraldo do Monte, Hélio Delmiro, Edsel Gomez, Felipe Lamoglia; toco sempre que possível com Arismar do Espírito Santo, Nenê, Alexandre Mihanovich, Wilson Teixeira, Cuca Teixeira, Daniel D’Alcântara, Alex Buck, Sizão Machado, e muitos outros. Também tenho a alegria de tocar com caras mais jovens e que tocam muito: Thiago Alves, Jônatas Sansão, Bruno Migotto, Lucas Macedo, Waguinho Vasconcelos, Serginho Machado, André Sorati e vários outros.
SZ:Quais suas influencias ?
r: Minhas primeiras influências: meu avô Durvalino Leme – que me ensinou os primeiros acordes e me colocou em contato com os ritmos brasileiros e a composição instrumental -; a música clássica, que conheci através do meu pai, Maurindo Leme; Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Black Sabbath, John McLaughlin e George Benson, que conheci através do meu irmão, Mauro Leme. Depois, com uns 18 anos, passei a ouvir Miles Davis, Charlie Parker, Art Tatum, Ahmad Jamal, e muitos outros. Na música dita “clássica” gosto muitíssimo de Stravinsky, Ravel, Bach e Olivier Messiaen.
SZ:Qual a maior influencia apenas uma?
r: Ultimamente, o saxofonista e compositor Wayne Shorter. Ouví-lo me ensina muitissimo. E acho importante dizer que “influência” está muito além de tocar as frases de alguém, por exemplo. Esta noção é muito superficial. Para mim, a influência - que alguém que alcançou a excelência em algo exerce sobre quem tem a mente aberta para aprender - é válida quando se fala em liberdade e clareza de expressão.
SZ
efina seu estilo Músical?
r: Ao invés disso, prefiro propor uma experiência a quem lê essa entrevista: acessem a agenda do meu site e venham me ouvir tocar. Assim é possível ter uma noção mais verdadeira da coisa.
Em relação a definir ou rotular a música de alguém: eu defino o estilo de um músico simplesmente com o nome dele. E isso acontece especialmente em relação aos que chegaram a tocar o que são, ou seja, àqueles que desenvolveram um estilo pessoal e inconfundível. Por exemplo: para mim, a música de Charlie Parker chama-se Charlie Parker; a música de Jimi Hendrix eu defino como Jimi Hendrix; a música de Shostakovich eu chamo apenas de Shostakovich; etc.
SZ:Como se sustenta no mercado nacional?
r: Dou aulas! Trabalho com aulas de guitarra desde 1990 e venho desenvolvendo uma metodologia que acredito ser mais eficiente e musical no que diz respeito à guitarra. E tenho prazer em fazer isso, toco muito com os alunos e é um prazer testemunhar a evolução de cada um ao longo dos tempos. Tenho a sorte de receber pessoas legais e bem-intencionadas. Nem é preciso dizer o quanto aprendo com eles...
As aulas possibilitam a liberdade ao tocar, no meu caso. Quando toco por aí não preciso dizer “amém” a nenhum dono de bar, por exemplo. Toco o que sinto que devo tocar no momento porque escolho os lugares onde posso tocar. A música manda!
SZ:Comente a cena independente do Brasil?
r: Acredito que está em franca ascensão, e isso é ótimo. Só acho que a maioria dos artistas deve esquecer o modelo de trabalho que as gravadoras multinacionais fizeram parecer como único – resumindo: a torpe necessidade de ser um fenômeno de massa para considerar-se um “sucesso”. É preciso haver uma volta para a arte verdadeira, aquela que se exerce por real convicção e verdadeira necesside de se expressar. Isso faz e fará a diferença.
SZ:Como será o mercado musical daqui a 10 anos?
r : Acredito que a honestidade ao tocar sempre será insubstituível e incomparável. Logo, espero que haja cada vez mais espaço para os verdadeiros artistas fazerem o que vieram fazer.
SZ:O que é preciso para ter sucesso ?
r: Sucesso para mim é, apenas e tão somente, poder tocar. Acredito que o talento e o ímpeto de fazer arte (independente das condições que se apresentarem) são requisitos importantíssimos. Esperar reconhecimento é uma falha de caráter que deve ser trabalhada com disciplina e paciência. Quem ama o que faz já se sente premiado de forma indescritível só pelo simples fato de poder fazer.
SZ: Quais os projetos para 2010?
r: lançar meu disco de músicas inéditas com o novo trio com Bruno Migotto (baixo) e Waguinho Vasconcelos (bateria); reprensar o disco Michel Leme & A Firma, que esgotou depois de um ano de seu lançamento; continuar tocando com os caras fantásticos com os quais venho tocando, porque há muito o que explorar! Enfim, tudo o que vier é lucro: tocar é maravilhoso.
SZ: A música instrumental é uma filosofia de vida ? Como você vê o jazz no Brazil ?
r: Acho que ser músico por vocação é um estilo de vida. A pesquisa é infindável e o caminho nesta luta (que é evoluir como ser humano e músico) é maravilhoso.
E a música instrumental (inclua-se nisso todas as tendências, ritmos e/ou classificações) no Brasil é uma arte completamente desconhecida pela maioria das pessoas, justamente pelo esquema de dominação das grandes corporações - que inclui a manipulação covarde exercida pela mídia e o verdadeiro desprezo pelas pessoas de uma forma geral por parte dos nossos (não menos desprezíveis) governos.
Tem um público muito grande que nunca teve contato com essa música e que merece ter essa experiência. Por isso, penso que o músico criativo deve tocar: tocar onde for possível e da maneira mais honesta, sem artifícios ou máscaras. Assim, naturalmente, as pessoas saberão que existem maneiras muito mais dignas de se fazer música – que sejam, por exemplo, o contrário do clássico clichê “o idiota/ambicioso/materialista manipulado e iludido por uma gravadora multinacional sedenta de sangue que o promove, torna famoso e, por fim, o deleta após sugar tudo o que ele tinha”.
SZ:Qual o futuro da música instrumental ?
r: A música, independente de ser instrumental ou não, é divina, perfeitíssima. O que é necessário é o ser humano entrar nessa fina sintonia para purificar-se, evoluir e contagiar os seus semelhantes com tudo de maravilhoso que vem desta arte. Eu acredito nisso. Então, se o intuito de quem toca for servir à música, pode crer que é o caminho mais verdadeiro e duradouro a se seguir.
SZ: Onde tocou e qual foi a reação do publico?
r: São inúmeras situações, Fernando. Mesmo! Mas posso resumir minha resposta com o seguinte: quando toco, procuro tocar o que a música pede no momento, e só! Não viso agradar às pessoas; viso apenas ser um instrumento digno de transmitir música. Posso dizer que isso dá resultados muito mais profundos do que aplausos, elogios ou status. Para mim, a música é algo que vem do interior de quem toca e que vai direto ao interior de quem ouve. A música transforma.
SZ: Deixe alguma mensagem para quem quer aprender guitarra ?
r: Não tenha tons, escalas ou acordes preferidos, fique íntimo de todos; conheça músicas das mais diversas fontes; ao tocar, lembre-se de que você não é o centro das atenções e ouça o que as pessoas estão tocando à sua volta; leia alguns livros para perceber que o ego é a fonte de toda miséria humana; seja honesto e íntegro na música.
SZ: Considerações finais , contato ...
r: Agradeço muitíssimo pelo espaço e pela oportunidade de falar o que penso, Fernando. Parabéns e longa vida ao Speedzine! Um abração e muita música pra todos!
Site : www.michelleme.com
E-Mail : michel@michelleme.com
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Fernando Carvalho
Cáscara Sagrada
Speed Zine
Rock Fest ( 23º)
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