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        <title>O blog do(a) Lisa</title>
        <description>O blog do(a) Lisa</description>
        <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog</link>
        <lastBuildDate>Sat, 28 Nov 2009 06:30:41 UT</lastBuildDate>
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            <title>sonhadorapt</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt</link>
            <description>sonhadorapt</description>
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            <title>A insatisfação corporal</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1887657</link>
            <description>&amp;quot;A insatisfação corporal  &lt;br /&gt;Passámos então, do &amp;quot;tunnig&amp;quot; dos carros e das motos, para o &amp;quot;tunnig corporal&amp;quot;!  &lt;br /&gt;Data: 12-11-2009   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está a tornar-se uma obcessão, que aparece, todos os dias, materializada por uma autocrítica activa e permanente, de que não estamos contentes com a imagem do nosso corpo - seja a forma e o feitio, sejam os excedentes ou os déficits, sejam até, as deformações inatas ou adquiridas. Parece que estamos com alguma relutância em aceitar, entre outras coisas, o natural envelhecimento ou desgaste - afinal, o uso mais que natural - do nosso bem-amado corpinho. E, é o nariz que se &amp;quot;tornou&amp;quot; grande ou então é muito pequeno, o peito que não encaixa e tem de ser ampliado ou reduzido, a bacia que ficou mais ovalada e fez aumentar a barriga e as nádegas, o &amp;quot;papo&amp;quot; que não pára de crescer, as rugas que já triplicaram e até os lábios, que agora para serem bonitos, têm de &amp;quot;inchar&amp;quot; e se tornar &amp;quot;beiças&amp;quot;. Este pequeno desarranjo psico-somático circunstancial, leva as pessoas a procurar soluções imediatistas, que lhes consomem, os seus rendimentos e outros demais de terceiros, para satisfação dum ego, que parece ser deficitário e talvez, fútil,... como se toda a verdade da vida estivesse na frase de Vinícius de Morais: ...&amp;quot; e as feias que me perdoem, mas a beleza é essencial&amp;quot;! Passámos então, do &amp;quot;tunnig&amp;quot; dos carros e das motos, para o &amp;quot;tunnig corporal&amp;quot;! Com acrescentos, de cabelo, de unhas, em orgãos, de peças metálicas - nas mais variadas partes do &amp;quot;globo&amp;quot; corporal - de pinturas, - abstractas, paisagísticas, com animais de estimação ou predadores magestosos, com letras, números significativos, frases solenes - enfim, um sem número de hipóteses, com a dimenção da imaginação terrena. Desde as pessoas que querem alterar partes do corpo, para ficar parecidas com o seu ídolo &amp;quot;no activo&amp;quot;, até as que, por necessidades fisiológicas, ou até por doença, o têm de corrigir, de tudo se vê, um pouco. E assim, passamos a não saber, o que é verdadeiro e o que é falso,... mas fica-se a conhecer, isso sim, pelas revistas &amp;quot;cor de rosa&amp;quot; - não entendo a cor escolhida, porque lá dentro é só desgraça - de cirurgias estéticas, &amp;quot;milagrosas&amp;quot;, algumas praticadas por meros clínicos, intitulados especialistas, com pormenores, miranbolantes, sobre as práticas realizadas, com alguns passos da intervenção e suas técnicas e depois, os preços cobrados, exorbitantes, claro! E qualquer dia, veremos um desses &amp;quot;crónicos&amp;quot; mediáticos, deixar-se operar, ao vivo e em directo, por exemplo, ás hemorroidas, o que vai provocar o gaúdio imenso, dos espectadores &amp;quot;habitués&amp;quot;, do canal filmante! Com o &amp;quot;dito cujo&amp;quot;, a ganhar um dinheirinho extra, claro está! E esta procura excessiva, fez aparecer também uma oferta excessiva, com curas de emagrecimento, rejuvenescimento, terapêuticas para adelgaçar, para alargar, tratamentos para aumentar, tratamentos para diminuir, seja o apetite seja a função sexual, tudo sempre feito, com a referência do uso exclusivo de produtos naturais. E o que são esses produtos naturais? Convém aqui lembrar que, de entre outros, o veneno de cobra, também é um produto natural!&lt;br /&gt;Parece-me legítimo que se queira dar um toquezinho mais estético, no nosso corpo, dentro de alguns limites, até porque em termos funcionais, pode ser importante realizar algumas correções. Como também há idades mais indicadas para as realizar, sendo feito de maneira seriada. Mas o que está a acontecer, é o supermercado de opções de &amp;quot;tunning&amp;quot; como se duma lista de compras, se tratasse, e quem tem mais capacidade financeira, mais operações vai realizar, mesmo que não sejam indicadas. E passando agora aos exemplos: os implantes mamários, que se fazem com alguma frequência, e que até são em alguns casos, mandatórios, em termos práticos, podem considerar-se úteis: primeiro, pelo efeito produzido no ego do indivíduo, depois para os circundantes, se tiverem oportunidade de disfrutar o &amp;quot;produto&amp;quot;, e depois ainda, por aumentarem a flutuabilidade, contribuem para a diminuição dos &amp;quot;acidentes natatórios&amp;quot;, nas nossas praias e piscinas, durante a época balnear! Outro exemplo são as peças metálicas, que, sendo na prática exclusivamente decorativas, ao contrário dos anteriores, dificultam a flutuação, pelo aumento do peso corporal, e também se tornam incomodativas, nos controles de segurança, dos aeroportos, edifícios públicos e museus, porque aumentam de maneira significativa as filas de espera no respectivo acesso. Enfim, vantagens e desvantagens, da utilização de materiais decorativos não biológicos, estranhos ao nosso corpo e que provocam necessáriamente efeitos colaterais conhecidos e até esperados. E vou acabar com a pergunta: Será que isto faz parte duma moda, com tudo aquilo a quanto ela nos pode obrigar?&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manuel Morna Ramos  Médico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________&amp;quot;&amp;quot;&amp;quot;________________________-&lt;br /&gt; Um texto de Opinião&amp;quot; retirado de um Diário, que considerei super - interessante e decidi partilhar convosco Amigos Meus.</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Fri, 13 Nov 2009 00:35:03 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Ser rosa no inverno de que serve?</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1850144</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/851/14851984.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IMPROVISO&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Uma rosa depois da neve,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei que fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de uma rosa no inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não for para arder,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser rosa no inverno de que serve?&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EUGÉNIO DE ANDRADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rosa é sempre a mensagem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fogo é sempre a viagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos braços abrasados na miragem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do calor de ocultos véus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta!Poeta em astros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De altos lumes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De altos mastros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças de lumes castos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de perfumadas bodas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em teatros saudosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eternos bailes de roda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sonhada perfeição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos leitos que a noite embala&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos seus véus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ocultos sagrados rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rios de amor ocultados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na paixão dos bem-amados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água,Luz.Murmúrio a dois,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No olhar adormecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luz de um céu imaginado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No presente,no passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água,voz,canção de sóis.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Natércia Freire</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Thu, 01 Oct 2009 16:19:53 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>As palavras</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1840642</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/739/14739358.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As palavras&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São como um cristal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas, um punhal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um incêndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;orvalho apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secretas vêm, cheias de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inseguras navegam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;barcos ou beijos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as águas estremecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desamparadas, inocentes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tecidas são de luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e são a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo pálidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;verdes paraísos lembram ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem as escuta? Quem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as recolhe, assim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cruéis, desfeitas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas suas conchas puras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eugénio de Andrade&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Mon, 21 Sep 2009 16:14:07 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>É urgente um barco no mar.</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1840570</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/738/14738461.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Urgentemente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente o Amor,&lt;br /&gt;É urgente um barco no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente destruir certas palavras&lt;br /&gt;ódio, solidão e crueldade,&lt;br /&gt;alguns lamentos,&lt;br /&gt;muitas espadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente inventar alegria,&lt;br /&gt;multiplicar os beijos, as searas,&lt;br /&gt;é urgente descobrir rosas e rios&lt;br /&gt;e manhãs claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai o silêncio nos ombros,&lt;br /&gt;e a luz impura até doer.&lt;br /&gt;É urgente o amor, &lt;br /&gt;É urgente permanecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eugénio de Andrade&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Mon, 21 Sep 2009 14:46:01 UT</pubDate>
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            <title>Olhar o rio feito de tempo e água</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1837979</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/438/14438752.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ARTE POÉTICA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Olhar o rio feito de tempo e água&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E recordar que o tempo é outro rio,&lt;br /&gt;Saber que nos perdemos como o rio&lt;br /&gt;E nossas faces passam como a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceber que a vigília é outro sonho&lt;br /&gt;Que sonha não sonhar, e que essa morte&lt;br /&gt;Que a nossa carne teme é a mesma morte&lt;br /&gt;De toda noite, que é sono, que é sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vislumbrar num dia ou num ano um símbolo&lt;br /&gt;dos dias dos homens e de seus anos,&lt;br /&gt;E converter o ultraje desses anos&lt;br /&gt;Em uma música, um rumor e um símbolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver na morte o sonho, entrever no ocaso&lt;br /&gt;Um triste ouro, sendo assim a poesia&lt;br /&gt;Que é imortal e pobre. Pois a poesia&lt;br /&gt;Volta sempre, tal como a aurora e o ocaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes durante as tardes um rosto&lt;br /&gt;Nos olha do mais fundo de um espelho;&lt;br /&gt;A arte deve ser como esse espelho&lt;br /&gt;Que nos revela nosso próprio rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam que Ulisses, farto de prodígios,&lt;br /&gt;Chorou de amor ao divisar sua Ítaca&lt;br /&gt;Tão verde e humilde. A arte é essa Ítaca&lt;br /&gt;De verde eternidade, sem prodígios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é como o rio interminável,&lt;br /&gt;Que passa e fica e é cristal de um mesmo&lt;br /&gt;Heráclito inconstante, que é o mesmo&lt;br /&gt;E é outro, como o rio interminável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________________&amp;quot;&amp;quot;_________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jorge Luís Borges&lt;/strong&gt; (1899-1986), poeta e ficcionista argentino, considerado um dos maiores escritores do século XX na América Latina. Fundou, em 1924, a revista literária Martin Fierro, e colaborou em La Prensa e na revista Sur. Opositor da ditadura de Perón, foi obrigado a demitir-se do cargo que ocupava na Biblioteca de Buenos Aires. Ligado inicialmente ao grupo de vanguarda artística ultraísta, voltou-se posteriormente à poesia de inspiração clássica. É conhecido especialmente por seus contos fantásticos e ensaios sobre temas ligados à Cabala, à Divina Comédia, à poesia medieval e ao Oriente, onde comparecem os temas de sua predileção, como os espelhos, os tigres, o tempo cíclico e os labirintos. Publicou, entre outros títulos, Fervor de Buenos Aires (1923), História Universal da Infâmia (1935), História da Eternidade (1936), Ficções (1944) e O Aleph (1945).</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Fri, 18 Sep 2009 14:53:10 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>As Coisas Transitórias</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1794254</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/132/14132000.jpg&quot; /&gt;&lt;strong&gt;As Coisas Transitórias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão, &lt;br /&gt;nada é eterno, nada sobrevive. &lt;br /&gt;Recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa vida &lt;br /&gt;não é só a carga dos anos. &lt;br /&gt;A nossa vereda &lt;br /&gt;não é só o caminho interminável. &lt;br /&gt;Nenhum poeta tem o dever &lt;br /&gt;de cantar a antiga canção. &lt;br /&gt;A flor murcha e morre; &lt;br /&gt;mas aquele que a leva &lt;br /&gt;não deve chorá-la sempre... &lt;br /&gt;Irmão, recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegará um silêncio absoluto, &lt;br /&gt;e, então, a música será perfeita. &lt;br /&gt;A vida inclinar-se-á ao poente &lt;br /&gt;para afogar-se em sombras doiradas. &lt;br /&gt;O amor há-de ser chamado do seu jogo &lt;br /&gt;para beber o sofrimento &lt;br /&gt;e subir ao céu das lágrimas ... &lt;br /&gt;Irmão, recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhemos, no ar, as nossas flores, &lt;br /&gt;não no-las arrebate o vento que passa. &lt;br /&gt;Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos &lt;br /&gt;roubando beijos que murchariam &lt;br /&gt;se os esquecêssemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ânsia a nossa vida &lt;br /&gt;e força o nosso desejo, &lt;br /&gt;porque o tempo toca a finados. &lt;br /&gt;Irmão, recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos, num momento, abraçar as coisas, &lt;br /&gt;parti-las e atirá-las ao chão. &lt;br /&gt;Passam rápidas as horas, &lt;br /&gt;com os sonhos debaixo do manto. &lt;br /&gt;A vida, infindável para o trabalho &lt;br /&gt;e para o fastio, &lt;br /&gt;dá-nos apenas um dia para o amor. &lt;br /&gt;Irmão, recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-nos bem a beleza &lt;br /&gt;porque a sua dança volúvel &lt;br /&gt;é o ritmo das nossas vidas. &lt;br /&gt;Gostamos da sabedoria &lt;br /&gt;porque não temos sempre de a acabar. &lt;br /&gt;No eterno tudo está feito e concluído, &lt;br /&gt;mas as flores da ilusão terrena &lt;br /&gt;são eternamente frescas, &lt;br /&gt;por causa da morte. &lt;br /&gt;Irmão, recorda isto, e alegra-te. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rabindranath Tagore, in &amp;quot;O Coração da Primavera&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução de Manuel Simões)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________&amp;quot;__________________________&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/014/131/14131999.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi num aperto de mãos como este, na penúltima vez que estive contigo, que  me fizeste sentir e ter a certeza de que sabias estar para breve a tua transição... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estejas onde estiveres que sejas absolutamente livre!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&amp;quot;&amp;quot;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá  ligação entre este poema e a perda de um irmão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, ainda não consigo &amp;quot;ver&amp;quot;... sei apenas que quando o li no blog do meu Amigo António - &amp;quot;Ares_Lusitani&amp;quot;  só vi essa ligação...</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Wed, 29 Jul 2009 23:39:06 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>UM RIO TE ESPERA</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1740354</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/013/425/13425510.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UM RIO TE ESPERA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás só, e é de noite,&lt;br /&gt;na cidade aberta ao vento leste.&lt;br /&gt;Há muita coisa que não sabes&lt;br /&gt;e é já tarde para perguntares.&lt;br /&gt;Mas tu já tens palavras que te bastem,&lt;br /&gt;as últimas,&lt;br /&gt;pálidas, pesadas, ó abandonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás só&lt;br /&gt;e ao teu encontro vem&lt;br /&gt;a grande ponte sobre o rio.&lt;br /&gt;Olhas a água onde passaram barcos,&lt;br /&gt;escura, densa, rumorosa&lt;br /&gt;de lírios ou pássaros nocturnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento esqueces&lt;br /&gt;a cidade e o seu comércio de fantasmas,&lt;br /&gt;a multidão atarefada em construir&lt;br /&gt;pequenos ataúdes para o desejo,&lt;br /&gt;a cidade onde cães devoram,&lt;br /&gt;com extrema piedade,&lt;br /&gt;crianças cintilantes&lt;br /&gt;e despidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhas o rio&lt;br /&gt;como se fora o leito&lt;br /&gt;da tua infância:&lt;br /&gt;lembras-te da madressilva&lt;br /&gt;no muro do quintal,&lt;br /&gt;dos medronhos que colhias&lt;br /&gt;e deitavas fora,&lt;br /&gt;dos amigos a quem mandavas&lt;br /&gt;palavras inocentes&lt;br /&gt;que regressavam a sangrar,&lt;br /&gt;lembras-te de tua mãe&lt;br /&gt;que te esperava&lt;br /&gt;com os olhos molhados de alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhas a água, a ponte,&lt;br /&gt;os candeeiros,&lt;br /&gt;e outra vez a água;&lt;br /&gt;a água;&lt;br /&gt;água ou bosque,&lt;br /&gt;sombra pura&lt;br /&gt;nos grandes dias de verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás só.&lt;br /&gt;Desolado e só.&lt;br /&gt;E é de noite.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eugénio de Andrade&lt;/em&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Fri, 29 May 2009 14:57:10 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>há fábricas de dias que virão</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1739776</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/013/425/13425509.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esperemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outros dias que não têm chegado ainda,&lt;br /&gt;que estão fazendo-se&lt;br /&gt;como o pão ou as cadeiras ou o produto&lt;br /&gt;das farmácias ou das oficinas&lt;br /&gt;- há fábricas de dias que virão -&lt;br /&gt;existem artesãos da alma&lt;br /&gt;que levantam e pesam e preparam&lt;br /&gt;certos dias amargos ou preciosos&lt;br /&gt;que de repente chegam à porta&lt;br /&gt;para premiar-nos&lt;br /&gt;com uma laranja&lt;br /&gt;ou assassinar-nos de imediato.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda (Últimos Poemas)&lt;/em&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Thu, 28 May 2009 21:18:28 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>SE CADA DIA CAI</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1739748</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/013/425/13425516.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SE CADA DIA CAI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se cada dia cai, dentro de cada noite,&lt;br /&gt;há um poço&lt;br /&gt;onde a claridade está presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há que sentar-se na beira&lt;br /&gt;do poço da sombra&lt;br /&gt;e pescar luz caída&lt;br /&gt;com paciência.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda (Últimos Poemas) &lt;/em&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Thu, 28 May 2009 20:43:23 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>girei as estrelas...</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1695715</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/012/306/12306624.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; A poesia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi nessa idade... Chegou a poesia&lt;br /&gt;para buscar-me. Não sei de onde&lt;br /&gt;saiu, do inverno ou do rio.&lt;br /&gt;Não sei como nem quando,&lt;br /&gt;não, não eram vozes, não&lt;br /&gt;palavras, nem silêncio,&lt;br /&gt;mas desde uma rua que me chamava,&lt;br /&gt;desde os ramos da note,&lt;br /&gt;de súbito enre os outros,&lt;br /&gt;entre fogos violentos&lt;br /&gt;ou regressando só,&lt;br /&gt;ali estava sem rosto&lt;br /&gt;e me tocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia o que dizer, a minha boca&lt;br /&gt;não sabia,&lt;br /&gt;nomear,&lt;br /&gt;meus olhos eram cegos,&lt;br /&gt;algo me golpeava a alma,&lt;br /&gt;febre ou asas perdidas,&lt;br /&gt;fui me fazendo só,&lt;br /&gt;decifrando&lt;br /&gt;aquela queimadura,&lt;br /&gt;e escrevi a primeira linha vaga,&lt;br /&gt;vaga, sem corpo, pura&lt;br /&gt;brincadeira,&lt;br /&gt;pura sabedoria&lt;br /&gt;de quem não sabe nada,&lt;br /&gt;e vi de súbito&lt;br /&gt;o céu debulhado&lt;br /&gt;e aberto,&lt;br /&gt;planetas,&lt;br /&gt;plantações palpitantes,&lt;br /&gt;a sombra perfurada,&lt;br /&gt;atravessada&lt;br /&gt;por flechas, fogo e flores&lt;br /&gt;a noite agasalhadora, o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, um mínimo ser,&lt;br /&gt;ébrio do vazio enorme&lt;br /&gt;constelado,&lt;br /&gt;à semelhança, à imagem&lt;br /&gt;do mistério,&lt;br /&gt;senti-me parte pura&lt;br /&gt;desse abismo,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;girei as estrelas...&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;meu coração se desatou no vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pablo Neruda &lt;/em&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Mon, 13 Apr 2009 22:40:08 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Sentado na pedra de ti próprio,</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1689343</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/012/231/12231940.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Escriba Acocorado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na pedra de ti próprio,&lt;br /&gt;não tens rosto, senão o que, &lt;br /&gt;de anónimo, a ela afeiçoou &lt;br /&gt;a mão que assim te quis. Do resto, &lt;br /&gt;do que de individualidade, porventura, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em ti existiria, se encarregou &lt;br /&gt;a persistente erosão dos dias. De vago, &lt;br /&gt;neutro olhar sem órbitas, permaneces &lt;br /&gt;hirto, fitando sempre mais além &lt;br /&gt;da morna penumbra que te envolve &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no halo intemporal que é, do tempo, &lt;br /&gt;o nexo único. Nesse olhar &lt;br /&gt;de não ver tudo se inscreve, &lt;br /&gt;repensa e adivinha: teus limites &lt;br /&gt;e, ainda, o que excederia tua humana &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estatura. Sem contornos, em sombra &lt;br /&gt;e sono te diluis no que, de ti, &lt;br /&gt;nunca saberemos. Porém, límpida &lt;br /&gt;e escorreita, até nós chega a laboriosa &lt;br /&gt;escrita que no papiro ias lavrando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Knopfli, in &amp;quot;O Corpo de Atena&amp;quot;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Tue, 07 Apr 2009 01:03:46 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Se não fosse esta certeza</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1669777</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/012/018/12018170.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Dez reis de esperança &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse esta certeza &lt;br /&gt;que nem sei de onde me vem, &lt;br /&gt;não comia, nem bebia, &lt;br /&gt;nem falava com ninguém. &lt;br /&gt;Acocorava-me a um canto, &lt;br /&gt;no mais escuro que houvesse, &lt;br /&gt;punha os joelhos á boca &lt;br /&gt;e viesse o que viesse. &lt;br /&gt;Não fossem os olhos grandes &lt;br /&gt;do ingénuo adolescente, &lt;br /&gt;a chuva das penas brancas &lt;br /&gt;a cair impertinente, &lt;br /&gt;aquele incógnito rosto, &lt;br /&gt;pintado em tons de aguarela, &lt;br /&gt;que sonha no frio encosto &lt;br /&gt;da vidraça da janela, &lt;br /&gt;não fosse a imensa piedade &lt;br /&gt;dos homens que não cresceram, &lt;br /&gt;que ouviram, viram, ouviram, &lt;br /&gt;viram, e não perceberam, &lt;br /&gt;essas máscaras selectas, &lt;br /&gt;antologia do espanto, &lt;br /&gt;flores sem caule, flutuando &lt;br /&gt;no pranto do desencanto, &lt;br /&gt;se não fosse a fome e a sede &lt;br /&gt;dessa humanidade exangue, &lt;br /&gt;roía as unhas e os dedos &lt;br /&gt;até os fazer em sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Gedeão &lt;/strong&gt;&lt;span class=&quot;textAlign textAlignCenter&quot;&gt;&lt;/span&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Wed, 18 Mar 2009 20:17:49 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Os que passam e os que ficam</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1669552</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/012/015/12015269.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poema do Homem Só&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sós,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;irremediavelmente sós,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como um astro perdido que arrefece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos passam por nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ninguém nos conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que passam e os que ficam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se desconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os astros nada explicam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrefecem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta envolvente solidão compacta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quer se grite ou não se grite,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhum dar-se de outro se refracta, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhum ser nós se transmite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sente o meu sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sofre o meu sofrimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estremece este meu estremecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dão-se os lábios, dão-se os braços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se os olhos, dão-se os dedos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bocetas de mil segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se em pasmados compassos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se as noites, e dão-se os dias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se aflitivas esmolas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abrem-se e dão-se as corolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;breves das carnes macias;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se os nervos, dá-se a vida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá-se o sangue gota a gota,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como uma braçada rota&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá-se tudo e nada fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este íntimo secreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que no silêncio concreto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este oferecer-se de dentro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num esgotamento completo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este ser-se sem disfarçe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;virgem de mal e de bem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este dar-se, este entregar-se,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;descobrir-se, e desflorar-se,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é nosso de mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Gedeão&lt;/strong&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Wed, 18 Mar 2009 15:36:48 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Não fora o mar e, resignada, em vez de olhar os astros</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1653364</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/650/11650479.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não Fora o Mar!&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar, &lt;br /&gt;e eu seria feliz na minha rua, &lt;br /&gt;neste primeiro andar da minha casa &lt;br /&gt;a ver, de dia, o sol, de noite a lua, &lt;br /&gt;calada, quieta, sem um golpe de asa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar, &lt;br /&gt;e seriam contados os meus passos, &lt;br /&gt;tantos para viver, para morrer, &lt;br /&gt;tantos os movimentos dos meus braços, &lt;br /&gt;pequena angústia, pequeno prazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar, &lt;br /&gt;e os seus sonhos seriam sem violência &lt;br /&gt;como irisadas bolas de sabão, &lt;br /&gt;efémero cristal, branca aparência, &lt;br /&gt;e o resto — pingos de água em minha mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar, &lt;br /&gt;e este cruel desejo de aventura &lt;br /&gt;seria vaga música ao sol pôr &lt;br /&gt;nem sequer brasa viva, queimadura, &lt;br /&gt;pouco mais que o perfume duma flor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar &lt;br /&gt;e o longo apelo, o canto da sereia, &lt;br /&gt;apenas ilusão, miragem, &lt;br /&gt;breve canção, passo breve na areia, &lt;br /&gt;desejo balbuciante de viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não fora o mar e, resignada, em vez de olhar os astros &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;tudo o que é alto, inacessível, fundo, &lt;br /&gt;cimos, castelos, torres, nuvens, mastros, &lt;br /&gt;iria de olhos baixos pelo mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar &lt;br /&gt;e o meu canto seria flor e mel, &lt;br /&gt;asa de borboleta, rouxinol, &lt;br /&gt;e não rude halali, garra cruel, &lt;br /&gt;Águia Real que desafia o sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar &lt;br /&gt;e este potro selvagem, sem arção, &lt;br /&gt;crinas ao vento, com arreio, &lt;br /&gt;meu altivo, indomável coração, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fora o mar &lt;br /&gt;e comeria à mão, &lt;br /&gt;não fora o mar &lt;br /&gt;e aceitaria o freio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda de Castro, in &amp;quot;Trinta e Nove Poemas&amp;quot;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Mon, 02 Mar 2009 16:18:26 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Não é de água este brilho de prata.</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1640596</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/488/11488315.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é música &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é música o que ouvimos.&lt;br /&gt;Não é de água este brilho de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou aqui sobre as pontes do rio.&lt;br /&gt;Outros são os que espreitam pela bruma das margens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez me lembre:&lt;br /&gt;tu vinhas devagar pelo lado das acácias.&lt;br /&gt;Cingias cada árvore e as colunas, os braços de um&lt;br /&gt;deus cruel, o saber dos templos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um salmo o que ouvimos.&lt;br /&gt;Não é de harpas este lamento,&lt;br /&gt;não é o ofício das mãos esculpindo um rosto,&lt;br /&gt;não é a palavra de deus que ecoa nas escarpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algures te ocultas e não deixas sinais.&lt;br /&gt;Quem és tu&lt;br /&gt;cujo perfil se desvanece, cuja doçura se perde nos&lt;br /&gt;confins da tarde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou aqui onde se unem as margens, onde escurecem&lt;br /&gt;as sendas e as sombras,&lt;br /&gt;onde correm as nuvens, as pedras, as águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros são os que te aguardam pelo lado das acácias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Agostinho Baptista (1948)</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Tue, 17 Feb 2009 16:49:44 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Quem somos, senão o que imperfeitamente</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1639436</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/650/11650469.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem Somos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem somos, senão o que imperfeitamente &lt;br /&gt;sabemos de um passado de vultos &lt;br /&gt;mal recortados na neblina opaca, &lt;br /&gt;imprecisos rostos mentidos nas páginas &lt;br /&gt;antigas de tomos cujas palavras &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não são, de certo, as proferidas, &lt;br /&gt;ou reproduzem sequer actos e gestos &lt;br /&gt;cometidos. Ergue-se a lâmina: &lt;br /&gt;metal e terra conhecem o sangue &lt;br /&gt;em fronteiras e destinos pouco &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pouco corrigidos na memória &lt;br /&gt;indecifrável das areias. &lt;br /&gt;A lápide, que nomeia, não descreve &lt;br /&gt;e a história que o historia, &lt;br /&gt;eco vário e distorcido, é já &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diversa e a si própria se entretece &lt;br /&gt;na mortalha de conjecturados perfis. &lt;br /&gt;Amanhã seremos outros. Por ora &lt;br /&gt;nada somos senão o imperfeito &lt;br /&gt;limbo da legenda que seremos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Knopfli, in &amp;quot;O Corpo de Atena&amp;quot;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Mon, 16 Feb 2009 16:46:54 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Acordas pela noite, estás só.</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1626044</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/498/11498061.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordas pela noite, estás só.&lt;br /&gt;Gravas na solidão dos quartos uma estrela de lume,&lt;br /&gt;reflectes sobre a mesa os objectos frios dos&lt;br /&gt;invernos.&lt;br /&gt;Algures,&lt;br /&gt;nos becos da infância, celebra-se a primeira fábula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as tuas unhas percorreram os espelhos do ar,&lt;br /&gt;já choraste junto aos umbrais.&lt;br /&gt;Enumera as tábuas onde um destino se inscreve, deslumbra&lt;br /&gt;a raiz da pedra, secretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há candelabros para o pranto nos desvãos da capela.&lt;br /&gt;Iluminas como numa tela de excessivo sol os vitrais ao&lt;br /&gt;fundo,&lt;br /&gt;e depois as naves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será o mar?&lt;br /&gt;Confessa que dói uma enseada assim. Deserta de mastros,&lt;br /&gt;além,&lt;br /&gt;onde és um peixe, cintilante e cego.&lt;br /&gt;Azul porque é a cor dos teus pincéis.&lt;br /&gt;Veloz como sobre a lua alta correm as nuvens para a&lt;br /&gt;tempestade.&lt;br /&gt;Que procuras aí, que esboço de uma vida que a aguarela&lt;br /&gt;não redime?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma flor de água ergue-se à tua volta, ama-te tão&lt;br /&gt;fervorosamente.&lt;br /&gt;Algures se desata o deserto em oásis que enlouquecem a tua&lt;br /&gt;fronte nómada&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;quando abres os diques o coração grita.&lt;br /&gt;Adensam-se as grades,&lt;br /&gt;há uma campânula de corolas líquidas, quentes, um véu que&lt;br /&gt;aperta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-te, parte.&lt;br /&gt;Antes que a garganta ameace o silêncio, antes que o silêncio&lt;br /&gt;esmague as cordas&lt;br /&gt;para que não cantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não,&lt;br /&gt;não voltarás a cantar na idade dos lírios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lírico partiste,&lt;br /&gt;e as pétalas arderam demoniacamente, ardeu o gladíolo,&lt;br /&gt;ardeu a rosa,&lt;br /&gt;as ociosas plantas do exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa nessa fulgurante desolação à deriva pelos meses,&lt;br /&gt;pelas terras que devastaram uma cabeça arredia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negaste a luz e o amor.&lt;br /&gt;Edificaste um lugar de lanças, mansardas que dão para&lt;br /&gt;traseiras de tudo.&lt;br /&gt;Dos jardins outrora belos nada dirás, do que abandonast&lt;br /&gt;nada esperes, ó sonhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrotado,&lt;br /&gt;a teus pés jaz um povo.&lt;br /&gt;Terá sido a desdita, o fado negro?&lt;br /&gt;Deus mal levanta o seu chicote de fogo e eles tombam à&lt;br /&gt;vista das cidades, velozes ao entardecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Agostinho Baptista, de O Centro do Universo in Biografia</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Wed, 04 Feb 2009 11:26:17 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>CHUVA</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1595299</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/138/11138917.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width=&quot;336&quot; height=&quot;295&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://pt.netlog.com/go/widget/videoID=pt-39114&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;window&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://pt.netlog.com/go/widget/videoID=pt-39114&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowFullScreen=&quot;true&quot; wmode=&quot;window&quot; width=&quot;336&quot; height=&quot;295&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuva&lt;br /&gt;Mariza&lt;br /&gt;Composição: Jorge Fernando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas vulgares que há na vida&lt;br /&gt;Não deixam saudades&lt;br /&gt;Só as lembranças que doem&lt;br /&gt;Ou fazem sorrir &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gente que fica na história&lt;br /&gt;da história da gente&lt;br /&gt;e outras de quem nem o nome&lt;br /&gt;lembramos ouvir &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São emoções que dão vida&lt;br /&gt;à saudade que trago&lt;br /&gt;Aquelas que tive contigo&lt;br /&gt;e acabei por perder &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias que marcam a alma&lt;br /&gt;e a vida da gente&lt;br /&gt;e aquele em que tu me deixaste&lt;br /&gt;não posso esquecer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva molhava-me o rosto&lt;br /&gt;Gelado e cansado&lt;br /&gt;As ruas que a cidade tinha&lt;br /&gt;Já eu percorrera &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai... meu choro de moça perdida&lt;br /&gt;gritava à cidade&lt;br /&gt;que o fogo do amor sob chuva&lt;br /&gt;há instantes morrera &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva ouviu e calou&lt;br /&gt;meu segredo à cidade&lt;br /&gt;E eis que ela bate no vidro&lt;br /&gt;Trazendo a saudade</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Thu, 08 Jan 2009 17:51:11 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Bom Ano 2009</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1585873</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/011/015/11015000.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomeça….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se puderes&lt;br /&gt;Sem angústia&lt;br /&gt;E sem pressa.&lt;br /&gt;E os passos que deres,&lt;br /&gt;Nesse caminho duro&lt;br /&gt;Do futuro&lt;br /&gt;Dá-os em liberdade.&lt;br /&gt;Enquanto não alcances&lt;br /&gt;Não descanses.&lt;br /&gt;De nenhum fruto queiras só metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, nunca saciado,&lt;br /&gt;Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.&lt;br /&gt;Sempre a sonhar e vendo&lt;br /&gt;O logro da aventura.&lt;br /&gt;És homem, não te esqueças!&lt;br /&gt;Só é tua a loucura&lt;br /&gt;Onde, com lucidez, te reconheças…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Torga</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Wed, 31 Dec 2008 01:25:08 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>sou a liberdade límpida</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1583423</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/010/985/10985406.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Regressei ao corpo insuperável&lt;br /&gt;à infância do ser, à inocência viva&lt;br /&gt;Já não sou o meu nome, sou músculo suave&lt;br /&gt;do fogo do universo&lt;br /&gt;sou a liberdade límpida&lt;br /&gt;de um rio silencioso que nasce&lt;br /&gt;em cada instante do princípio do mundo&lt;br /&gt;Não me pertenço&lt;br /&gt;Os meus contornos&lt;br /&gt;são os confins em que o teu corpo começa&lt;br /&gt;O meu modo de ser é interrogativo e desce&lt;br /&gt;ao centro do impossível e envolve&lt;br /&gt;a totalidade inacessível&lt;br /&gt;num enlace de água&lt;br /&gt;em que o ser e o não ser se conjugam no real absoluto&lt;br /&gt;Entre mim e ti não há pontes&lt;br /&gt;a minha diferença respira&lt;br /&gt;a tua noite e o meu dia, o teu sol e a tua lua&lt;br /&gt;Estou vivo contigo na presença e na ausência&lt;br /&gt;tu és tu, nada nos separa porque a separação&lt;br /&gt;é a linha da aliança unitiva&lt;br /&gt;a respiração do vivo amor entre nós&lt;br /&gt;nos faz nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTÓNIO RAMOS ROSA</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Sun, 28 Dec 2008 22:36:41 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>BARCO NEGRO    Amália  e Mariza</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1583001</link>
            <description>&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DGdJYzzyO7nc&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.youtube.com/watch?v=GdJYzzyO7nc&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D5ElLSBx9Jo8&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.youtube.com/watch?v=5ElLSBx9Jo8&lt;/a&gt;</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Sun, 28 Dec 2008 16:55:54 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>acordei tremendo deitada na areia</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1582581</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/010/974/10974632.jpg&quot; /&gt;BARCO NEGRO&lt;br /&gt;De manhã temendo que me achasses feia,&lt;br /&gt;acordei tremendo deitada na areia,&lt;br /&gt;mas logo os teus olhos disseram que não&lt;br /&gt;e o sol penetrou no meu coração.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi depois, numa rocha, uma cruz,&lt;br /&gt;e o teu barco negro dançava na luz;&lt;br /&gt;vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.&lt;br /&gt;Dizem as velhas da praia que não voltas...&lt;br /&gt;São loucas! São loucas!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, meu amor, &lt;br /&gt;que nem chegaste a partir,&lt;br /&gt;pois tudo em meu redor &lt;br /&gt;me diz que estás sempre comigo.  - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vento que lança &lt;br /&gt;areia nos vidros,&lt;br /&gt;na água que canta,&lt;br /&gt;no fogo mortiço,&lt;br /&gt;no calor do leito,&lt;br /&gt;nos bancos vazios, &lt;br /&gt;dentro do meu peito&lt;br /&gt;estás sempre comigo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Mourão Ferreira (1954)</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Sun, 28 Dec 2008 05:59:06 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Eu sou essa pessoa a quem o vento chama</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1577023</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/010/825/10825671.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,&lt;br /&gt;a que não se recusa a esse final convite,&lt;br /&gt;em máquinas de adeus,sem tentação de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:&lt;br /&gt;Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:&lt;br /&gt;já de horizontes libertada,mas sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,&lt;br /&gt;dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho ?&lt;br /&gt;Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas&lt;br /&gt;vão as medidas que separam os abraços.&lt;br /&gt;Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora és livre,se ainda recordas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cecília Meireles)</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Sun, 21 Dec 2008 22:01:21 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>De que são feitos os dias?</title>
            <link>http://pt.netlog.com/sonhadorapt/blog/blogid=1576629</link>
            <description>&lt;img src=&quot;http://pt.netlogstatic.com/p/oo/009/562/9562715.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que são feitos os dias? &lt;br /&gt;- De pequenos desejos, &lt;br /&gt;vagarosas saudades, &lt;br /&gt;silenciosas lembranças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre mágoas sombrias, &lt;br /&gt;momentâneos lampejos: &lt;br /&gt;vagas felicidades, &lt;br /&gt;inatuais esperanças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De loucuras, de crimes, &lt;br /&gt;de pecados, de glórias &lt;br /&gt;- do medo que encadeia &lt;br /&gt;todas essas mudanças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro deles vivemos, &lt;br /&gt;dentro deles choramos, &lt;br /&gt;em duros desenlaces &lt;br /&gt;e em sinistras alianças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Meireles</description>
            <author>sonhadorapt</author>
            <pubDate>Sun, 21 Dec 2008 15:27:40 UT</pubDate>
        </item>
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