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        <title>O blog do(a) Rui Capelo</title>
        <description>O blog do(a) Rui Capelo</description>
        <link>http://pt.netlog.com/ruicapelo/blog</link>
        <lastBuildDate>Wed, 25 Nov 2009 10:51:47 UT</lastBuildDate>
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            <title>ruicapelo</title>
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            <title>Crónica de Miguel Sousa Tavares</title>
            <link>http://pt.netlog.com/ruicapelo/blog/blogid=1773570</link>
            <description>Crónica de Miguel Sousa Tavares - Expresso  - 29-Jun-2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite sonhei com Mário Lino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a&lt;br /&gt;Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de&lt;br /&gt;manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa.&lt;br /&gt;Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em&lt;br /&gt;contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre&lt;br /&gt;Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto&lt;br /&gt;esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país&lt;br /&gt;onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o&lt;br /&gt;que vê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sempre assim, esta auto-estrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deserta, magnífica, sem trânsito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, é sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos os dias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque&lt;br /&gt;diziam que o desenvolvimento era isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E têm mais auto-estradas destas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o&lt;br /&gt;Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por&lt;br /&gt;exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e&lt;br /&gt;outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é&lt;br /&gt;a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto,&lt;br /&gt;etc. - respondi, rindo-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada&lt;br /&gt;nacional está cheia de camiões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque assim não pagam portagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E porque são quase todos espanhóis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vêm trazer-nos comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas vocês não têm agricultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem&lt;br /&gt;que produzir não é rentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas para os espanhóis é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelos vistos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas porque não investem antes no comboio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Investimos, mas não resultou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não resultou, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha&lt;br /&gt;Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e,&lt;br /&gt;quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem&lt;br /&gt;Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o&lt;br /&gt;único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço&lt;br /&gt;do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia&lt;br /&gt;ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E gastaram nisso uma fortuna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às&lt;br /&gt;três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás a brincar comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, estou a falar a sério!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que fizeram a esses incompetentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é&lt;br /&gt;encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e&lt;br /&gt;ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não&lt;br /&gt;me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com&lt;br /&gt;o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o&lt;br /&gt;prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa&lt;br /&gt;aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo&lt;br /&gt;aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde&lt;br /&gt;ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas&lt;br /&gt;estações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois&lt;br /&gt;volta para trás e entra em Lisboa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como entra em Lisboa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por uma nova ponte que vão fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma ponte ferroviária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros&lt;br /&gt;todos os dias para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a&lt;br /&gt;auto-estrada está deserta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não vai ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai? Então, vai ser uma ruína!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e&lt;br /&gt;para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A&lt;br /&gt;exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo -&lt;br /&gt;porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros&lt;br /&gt;que cheguem para o justificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vocês não despedem o Governo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV&lt;br /&gt;com Espanha foi a oposição, quando era governo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem&lt;br /&gt;um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês&lt;br /&gt;têm de ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que&lt;br /&gt;ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a&lt;br /&gt;uns 50 quilómetros de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro&lt;br /&gt;da cidade, e fazer um novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me pareceu nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai&lt;br /&gt;cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das&lt;br /&gt;low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é&lt;br /&gt;deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as&lt;br /&gt;low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum&lt;br /&gt;disponível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai&lt;br /&gt;ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do&lt;br /&gt;Sul para a Europa: um sucesso garantido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tu acreditas nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes&lt;br /&gt;o que é aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um lago enorme! Extraordinário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ena! Deve produzir energia para meio país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Praticamente zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para&lt;br /&gt;beber, serve para regar - ou nem isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o&lt;br /&gt;perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a&lt;br /&gt;agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora,&lt;br /&gt;porque há água a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que&lt;br /&gt;é o que nós fazemos mais e melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e&lt;br /&gt;virou-se para me olhar bem de frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse&lt;br /&gt;mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a&lt;br /&gt;fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a&lt;br /&gt;ser pobres e enlouqueceremos de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no&lt;br /&gt;assento. E suspirou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para&lt;br /&gt;viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!</description>
            <author>ruicapelo</author>
            <pubDate>Mon, 06 Jul 2009 17:23:30 UT</pubDate>
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            <title>Invisible Childrean</title>
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            <author>ruicapelo</author>
            <pubDate>Sat, 13 Jun 2009 17:57:49 UT</pubDate>
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