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feminino - 65 anos, Américo Brasiliense, Brasil
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BLOG DESTINADO A DIVULGAR
TEXTOS DE RITA VELOSA
BEM-VINDOS!


  • PRÊMIO LITERÁRIO INTERNACIONAL BURITI 2014-URGENTE

    PRAZO DE INSCRIÇÃO PRORROGADO PARA ATÉ 1º DE AGOSTO DEVIDO Á COPA DO MUNDO E AO BAIXO NÚMERO DE INSCRIÇÕES DO EXTERIOR. DECIDIMOS NOS DAR ESTE NOVO PRAZO PARA MELHOR DIVULGARMOS O CONCURSO E ANTOLOGIA. AJUDE-NOS! OBRIGADA! MAIS INFORMAÇÕES NO BLOG OFICIAL DO PRÊMIO

    http://concursoburiticronicontos.blogspot.com....

  • CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL BURITI 2014-ATÉ 1º DE JU

    INSCREVA-SE E TERÁ SEU TEXTO DIVULGADO EM 8 PAÍSES! CORRE! O PRAZO ESTÁ ACABANDO!

    PRÊMIO BURITI -2014
    EM HOMENAGEM AO ESCRITOR DR. JOBAL DO AMARAL VELOSA
    5º CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL
    PAÍSES LUSÓFONOS
    EDITAL E FICHA DE INSCRIÇÃO
    Abrangência:nacional e internacional
    Somente textos em Língua Portuguesa
    Categoria:Adulto-maiores de 18 anos
    Modalidades: conto, crônica e poesia
    Inscrições: de 1º DE JANEIRO a 1º DE JUNHO de 2014
    Permitido enviar apenas uma obra inédita por modalidade.
    As obras deverão ter aproximadamente 30 linhas para poesia e 60 linhas para prosa.
    Taxa de inscrição:)para despesas com certificados, medalhas, troféus e correio)15,00 reais por obra ou para quem se inscrever de fora do país 15 euros.Enviar cópia do recibo (pela internete)ou cheque nominal junto com o material da inscrição( pelo correio).Para os de fora do país, incluir em dinheiro em carta enviada pelo correio com a inscrição.
    Pagamento da inscrição no Brasil: conta para depósito – Banco do Brasil –agência 4562-4,conta poupança 9345-9,variação 51.
    Envio do material para inscrição:
    Pelo correio: enviar para 5° CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL PRÊMIO BURITI 2014–Caixa Postal 14- CENTRO -CEP 14820-000 –Américo Brasiliense/SP. Brasil
    1-uma via impressa em papel A4,apenas com título, modalidade e pseudônimo,de cada texto, digitado em times new Roman 12
    2-CD contendo a ficha de inscrição e as obras salvas em word.doc
    3-cópia do recibo de pagamento ou cheque nominal a Rita Bernadete Sampaio Velosa.
    Para os de fora do Brasil enviar 15 euros “in cash”
    4-pequeno currículo de 7 linhas no máximo.
    Pela internete:enviar para o E-mail: ritavelosa@bol.com.br
    Enviar, em anexos, 1-ficha de inscrição 2- textos apenas com título , modalidade e pseudônimo , digitados em times new Roman 12,formato word.doc, 3- Pequeno currículo de 7 linhas 4-recibo digitalizado do pagamento da inscrição ou enviar pelo correio 15 euros para o endereço( direção) acima especificado.

    Premiação: Troféu Buriti e publicação gratuita para o primeiro lugar de cada modalidade. Certificados e medalhas para os segundos e terceiros lugares de cada modalidade e para todas as mencões honrosas .

    Haverá posteriormente antologia publicada por adesão.( não obrigatória)Custo:150,00 REAIS OU 50 EUROS PARA OS DE FORA DO BRASIL por texto com direito a quatro exemplares, já incluído neste montante o custo do envio pelo correio.Exemplares extras:40,00 cada. Exemplares restantes serão enviados para bibliotecas de escolas de Ensino Básico e Universidades O QUE LEVARÁ SEU TEXTO PARA TODA A AMÉRICA DO SUL ÁFRICA E EUROPA.
    Resultado Final: Em 1º DE AGOSTO de 2014 e será divulgado pela internet no blogue oficial do concurso e em blogues e sites diversos. Também serão enviado e-mails para os participantes premiados.

    Organizadora: Rita Bernadete Sampaio Velosa – Jornalista,escritora e ativista cultural. Delegada da UBT, Consulesa de Poetas Del Mundo,Delegada do Clube de Escritores de Piracicaba/SP e Membro das Academias de Letras de Cachoeiro do Itapemirim/ES, de Itajubá e Varginha/MG e ALG/GO.Sócia do Movimento VIRARTE/RS ,integrante da INTERARTE/RJ e Delegada Cultural da ALPAS XXI/RS.
    Telefone para contato: (55) (16) 997910024

    OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE:)eço a todos que venham a se inscrever neste concurso para que SE DIRIJAM TAMBÉM AO SITE( sítio) ABAIXO e coloquem seu e-mail no campo SEGUIR POR E-MAIL http://concursoburiticronicontos.blogspot.com.... porque assim fica mais fácil a comunicação entre nós.Deste modo, quando for publicada alguma novidade no site, vocês ficarão sabendo também por e-mail..
    Abraço amigo de Rita Velosa!

    FICHA DE INSCRIÇÃO
    NOME DO AUTOR:____________________________________________- ____
    IDADE:____________________________________________- __
    ENDEREÇO:
    RUA________________________________________N°____- _
    BAIRRO:___________________________________________- _
    CIDADE:___________________________________________- _
    CEP:______________________________________________- __
    ESTADO:___________________________________________- _
    PAÍS:____________________________________________- ____
    TELEFONE:_________________________________________- _
    E-MAIL PARA CONTATO:______________________________
    MODALIDADE:
    ( )POESIA_________TÍTULO:__________________________- ___________
    ( ) CONTO_________TÍTULO:____________________________- _________
    ( ) CRÔNICA_______TÍTULO:___________________________- __________
    PSEUDÔNIMO:_________________________________
    CITAR COMO TOMOU CONHECIMENTO DO CONCURSO:
    ( )CORREIO ( )E-MAIL ( )BLOG ( )ANTOLOGIA
    ( )SITE_________________________CITAR O SITE
    ( )OUTRO__________________________CITAR
    CASO SEJA SELECIONADO PRETENDE PARTICIPAR DA ANTOLOGIA?

    ( )SIM ( )NÃO

    INSCREVA-SE E TERÁ SEU TEXTO DIVULGADO EM 8 PAÍSES! CORRE! O PRAZO ESTÁ ACABANDO!

  • MELHORIDADE

    Existem algumas expressões criadas pela mídia contemporânea que não dá para se entender. Hoje já não se diz “velhice” ou “terceira idade”. Acima de sessenta anos, estamos na “melhoridade “ .
    E parece que a maioria gostou do termo porque rejeitam “velhice”, até mesmo tornando-se a palavra, uma palavra tabu, sendo considerada politicamente incorreta. É! Tem mais essa agora! Existem palavras e expressões que não se deve dizer. Deve-se viver no eufemismo.
    Assim, os pobres e os miseráveis transformaram-se em “carentes” e “desprotegidos pela sociedade”. Os negros correspondem aos “afro-descendentes”. Os índios são os “povos da floresta”. Os portadores de deficiência física são tratados de “especiais”. Os mendigos são denominados de “moradores de rua”. E os “branquelos”? Vão ser o quê? Caucasianos, talvez? Ou vão continuar sendo os branquelos?No Brasil, realmente, os branquelos estão em extinção; já são a minoria. E como minoria, mereceriam mais respeito. Eu mesma sou uma mistura de branco com índio e negro. E então? Sou o quê? Mestiça? Prefiro que me denominem “brasileira-padrão”.
    Portanto, não discordo do eufemismo praticado em nome da delicadeza e do respeito ao próximo. Mas, chamar a velhice de melhoridade já é um pouco demais!Já é cinismo! Esse termo, “melhoridade”, pode ser adequado para a terceira idade européia, mas não é para brasileiros. Que melhoridade é essa, que não tem nenhum benefício a que deveria ter direito?
    A saúde do povo brasileiro da “melhoridade” já é precária, mas ele tem que viver sem assistência médica de qualidade, sem remédios, sem médicos e sem dentista. Morrer nas filas de espera do SUS- Sistema Único de Saúde- é curtir a “melhoridade”? Morrer nas filas, esperando por um remédio sem o qual não se pode sobreviver ou sem uma operação ou um transplante necessários, é curtir a melhoridade?Ser explorado pelos planos de saúde “complementares” (complementares a quê:), que cobram da melhoridade as mais altas taxas de adesão e permanência é curtir a melhoridade?A maioria absoluta da terceira idade brasileira não tem dinheiro para pagar esses planos de saúde!Morre no SUS mesmo!
    A melhoridade brasileira não tem direito de curtir a aposentadoria. Não pode ir pescar, não pode curtir os netinhos, não pode viajar. A aposentadoria cada vez lhe é concedida mais à beira do caixão. A previdência social só aceita osso limpo! Descarnado! Totalmente inútil. Ou concede um benefício irrisório que mais mereceria ser denominado de esmola ou malefício.
    Assim, a melhoridade tem que se arrastar, mesmo doente e sem assistência médica e trabalhar. Trabalhar até morrer! E a mídia expõe pessoas de sessenta e cinco anos ou mais, em plena atividade, cheias de saúde e vigor físico. É uma minoria de privilegiados que não foi espancada pela vida. Que absurdo! O povão, nessa idade já está no bagaço!
    E quanto á Educação? O governo não dá bolsas de estudos para pessoas da terceira idade, em final de carreira. Vocês sabiam? O governo não quer investir na melhoridade. Que se danem! Vão para casa ver televisão! Deixem os lugares para os jovens! Essa é a política no Brasil.
    Chego em frente ao espelho. Desinfeto um bloco dentário provisório, que se perde pela minha boca a mais de um ano. Recoloco no lugar. Aguardo uma verbinha extra para o dentista.Olho para minhas rugas e penso: já passou da hora de dar uma levantada neste rosto enrugado! Mas, cadê a verba? Cadê minha aposentadoria?Penso: por quanto tempo mais precisarei esperar que o IAMSPE restabeleça os convênios com médicos e hospitais para que eu possa fazer um check-up?Minha “melhoridade” se aproxima. Sinto- me doente. Arrasto-me para o trabalho. Sinto muito medo do futuro, do tempo que me resta. Estou nas mãos do destino!

    TEXTO PUBLICADO NO LIVRO
    "FILHOS DAS ESTRELAS" DE
    RITA VELOSA
    PEDIDOS PELO E-MAIL
    ritavelosa@bol.com.br

  • GENOCÍDIO! E NINGUÉM VAI FAZER NADA???

    Todo mundo sabe que os Estados Unidos tem a palavra final na ONU e no G8.
    Mas até quando teremos que aguentar essa falta de vergonha na cara, esse despudor, esse abuso de poder dos americanos representados na pessoa do escroto do Bush?
    Os Israelenses estão promovendo uma verdadeira " saideira " ,por via das dúvidas , esperando talvez uma retirada de apoio por parte de Barak Obama.
    É só olhar para esses mapas aqui expostos e ( se tiver paciência) ler o material que eu coletei abaixo para entender melhor o conflito entre Israel e Palestina. Leiam e separem o joio do trigo.Esqueçam a velha cantinela do Bush sobre terrorrismo .O que temos na realidade é um povo, o palestino, defendendo seu território- ou o que sobrou dele- e seu direito de ali viver em soberania e liberdade política, social e religiosa.E um outro povo, o judeu, que já foi o pomo da discórdia, causador da segunda guerra mundial - é verdade que como vítimas, naquela ocasião -sendo novamente o pomo da discórdia, desta vez como agressor . Desde que por ali foram reinstalados pela ONU - sob a liderança dos Estados Unidos , que queriam ali uma base estratégica para sua defesa no Oriente Médio- eles vem avançando sobre o que restou do território palestino visando o domínio do acesso ao Mar Mediterrâneo ( faixa de gaza).Essa é a questão!Dinheiro! Comércio! Poder! O resto é papo para boi dormir!
    A ONU é um organismo completamente desmoralizado.Até quando o mundo árabe e muçulmano vai aguentar sem reagir belicamente? Será que chegaremos a 20 de janeiro em paz? Estou contando os dias... e rezando, pois o número de mortos já passa de 500 na palestina.Podemos considerar já esses últimos ataques israelenses como um ato de GENOCÍDIO. Não sou judia, nem muçulmana.Sou apenas alguém que lê, observa e está enojada com essa situação! Povo judeu:)õe a mão na consciência!
    Por que fazem aos outros o que já fizeram com vocês?
    Quem tudo quer acaba sem nada! Pensem nisso!
    Rita Velosa
    Texto protegido por direitos autorais.
    Favor citar sempre a autoria.
    LEIAM MAIS NO MEU BLOG : http://ritavelosa.blogspot.com

  • A MAIS TRISTE DAS CRÔNICAS

    Ganância!
    Eu não sou comunista.Eu não sou socialista.Eu não sou capitalista
    Eu sou contra a ganância, contra a falta de humanidade, contra os assassinos que pisam na cabeça de outrem para subir na vida.
    Eu sou contra hidrelétricas estourando em cima de população ribeirinha sem aviso prévio e sem prévia evacuação.Que termo usar para denominar quem provoca esse tipo de “imperícia”?
    Eu só conheço um: assassino! Maldito assassino! Porque mata inocentes, pessoas que estão em casa, vivendo suas humildes vidas sem nada querer a não ser paz e uma vida simples e digna, dedicada à natureza e ao amor.
    Que absurdo! Onde o homem chegou?
    E o homem chega a isso por ganância; por desejo de poder e de dinheiro.
    Eu não tenho amigos na mídia. Eu não sou uma poderosa jornalista. Ainda bem! Porque senão faliria as empresas onde trabalhasse; diria a verdade sempre. Não pintaria a realidade de acordo com os interesses dos patrocinadores. Poria logo “fogo na fundanga”!
    Por isso não exerço mais a profissão. Ela não existe mais ( salvo raras exceções). A ser cabo mandado, marionete, prefiro ser professora e formar novas cabeças em sala de aula: mais humanas, mais bondosas, menos consumistas e gananciosas.
    Prefiro ensinar os limites; tentar mostrar até aonde podemos ir e aonde não devemos ir, em nome do “bem-estar”.
    Tomara que eu tenha sucesso!Algumas das sementes que plantei germinarão, com certeza, porque jamais fiz isso por dinheiro ou por poder.Fiz, porque sentia que era necessário; porque era a parte que me cabia fazer para tentar resgatar o ser humano decaído e expulso do paraíso.
    Prefiro ajudar a salvar esse paraíso que nos foi dado em substituição e que também é tão perfeito a nossos olhos, que nos parece o verdadeiro paraíso.
    Quando olhamos para um rio como o Corrente, no planalto Central Brasileiro, para sua mata ciliar, para suas cachoeiras, quando convivemos com toda essa realidade indescritível, sentimos Deus e nos apaixonamos para sempre, irremediavelmente! Somos parte de Deus! Somos quase que perfeitos se conseguimos sentir aquela beleza em nossas entranhas. Foi o que aconteceu com nossa família, por três gerações.
    Até 30 de Janeiro de 2008 quando destruíram a Cachoeira das Andorinhas.
    Essa cachoeira, no Rio Corrente, em Goiás, tinha mais de 100 metros de largura por 12 de altura: um espetáculo paradisíaco!
    Lá, aos seus pés, ficava a sede da fazenda Curral de Pedras.
    Dia 30 de Janeiro o homem fez papel de Deus usando seu livre arbítrio e destruiu tudo: quebrou toda a cachoeira, soterrou-a com pedras imensas, varreu do mapa a sede da fazenda e destruiu duas RPPNs existentes no local. Acabou com a mata ciliar do Rio Corrente por quilômetros e assoreou o rio todo. Matou fauna e flora sem piedade. Pôs em risco centenas de vidas humanas. Desabrigou famílias que não tem agora para onde ir.
    E essa, é só mais uma história comum.
    Todos os dias estamos vendo histórias parecidas nos jornais e nas TVs.
    É a banalização do genocídio, da tragédia, da destruição da natureza.
    Tudo em nome da ganância! Mas quem liga?
    Gaia liga!
    E fará justiça cedo ou tarde; podem crer!

    [b]Rita Bernadete Sampaio Velosa
    Texto protegido por direitor autorais
    Favor citar sempre a autoria.

  • CRÔNICA

    OS CARAS-DE-PAU!

    “Uns vêm a passeio, outros a serviço”. Os que vieram a passeio, gastam seu tempo elaborando planos para explorar cada vez mais os que vieram a serviço. Assim é a vida nos dias de hoje: a cara-de-pau grassa à solta, impunemente.
    Os que vieram a passeio, estão sempre risonhos, sempre disponíveis, sempre abertos a novas amizades e a novos relacionamentos. Estão sempre planejando uma viagem, uma festa, um churrasco; mas, é claro, sempre às custas de um vizinho, sempre na casa dum parente, sempre na chácara de um amigo.
    Os que vieram a passeio, estão presentes em todos os aniversários, em todos os velórios, em todos os casamentos, em todas as festas de praça, em todos os comícios políticos, congressos, exposições, noites de autógrafos, festas de peão, feiras e shows.
    Os que vieram a passeio, estão sempre presentes nos botecos, papeando, comendo e bebendo as custas dos amigos.
    E os que vieram a serviço?
    Ah, esses?
    Nem sei por onde andam!
    Ninguém nunca os vê. Ninguém sabe deles. São uns pobres coitados! Chegam suados e fedidos em casa, desabam no sofá e babam; não sem antes preparar cuidadosamente o relógio despertador para que não corram o risco do vexame de se atrasarem para o trabalho no dia seguinte.
    E nos finais de semana? Bem, nos finais de semana, eles têm que limpar a casa, abastecer a despensa lavar e passar a roupa suja, tosar e banhar o cachorro, cuidar de suas plantas que estão quase mortas, dizer um rápido alô aos vizinhos, para que saibam que ainda estão vivos.
    Depois? Ah, depois, eles têm que descansar um pouco, que ninguém é de ferro! Precisam esticar-se na horizontal, curtir o silêncio ao redor, dormir um pouco para esquecer que vieram a serviço. Estão cansados demais para saírem e espairecer.
    As salas dos psiquiatras, psicólogos e psicoterapeutas estão cheias destes, que vieram a serviço.
    Sabe por quê?
    Porque não vieram a serviço por opção. Estão a serviço, o tempo todo, por falta de opção. Estão a serviço, porque os que vieram a passeio não estão fazendo a sua parte; infernizam suas vidas com a sobrecarga de trabalho. Sufocam seus corações e mentes, tiram seu lazer, não lhes deixam tempo para pensar, para orar ou para aliviar sua carga.
    Os que vieram a passeio assim fazem para que os que vieram a serviço não ousem pôr as cabecinhas para fora do buraco. Afinal, quem eles pensam que são? Gente?

  • O SUCURI

    A vila, no coração de Goiás, adormecera. Assim, tão silenciosa e banhada apenas pelo luar, parecia mais que morrera já há tempos. As ruas poeirentas e desertas eram poucas e estreitas. O vento por elas passeava e penetrava pelas frestas das janelas carcomidas espalhando um silvo estranho pelo ar.
    Não muito longe, no fim da rua principal, ficava a cadeia do lugar. Chicão tomara uma importante decisão.
    Aos poucos o sol foi saindo e banhando a rua, as casas e os terreiros. O vilarejo todo se espreguiçava.
    Levantara-se das palhas que lhe serviam de cama. Olhara em volta: um puxado exíguo. Era seu quarto, sua sala, seu banheiro, sua casa enfim. Ao lado, um pequeno cômodo com duas janelas que davam para uma das ruas laterais do lugar. No cômodo, três prisioneiros: ladrões de gado.
    Dois haviam sido presos por Chicão e alguns moradores de uma fazenda dos arredores. Uma testemunha ocular fora o bastante. Chicão caçara-os .Estavam acampados na Beira do Rio Corrente em meio à mata margeante. Depois do cerco silencioso , veio o tiroteio incessante e rápido.
    O terceiro era assassino assalariado. Foi preso seis meses mais tarde.
    Dois anos! Chicão tivera que alimentar os presos com dinheiro tirado de seu próprio salário por todo esse tempo. O governo se esquecera deles. E não haviam sido julgados, por falta de juiz, que já havia sido solicitado várias vezes, porém nunca aparecera.
    Chicão olhou em volta mais uma vez e num desabafo de desânimo e desesperança gritou:
    __ Já tô cheio doceis! Durante dois anos servi de criado proceis! Agora chega de moleza! Chega de levantá cedo prá fazê café prá vagabundo! Chega de enchê bucho de cabra cum dinheiro do meu bolso! Já tô farto de sustentá oceis treis! É hoje que eu acabo com essa mamata!
    E assim dizendo, encaminhou-se para o canto do puxado onde estava seu revólver. Carregou-o e dirigiu-se aos prisioneiros que ainda permaneciam deitados, como costumavam fazer - a espera de que ele lhes trouxesse o café da manhã.
    Chicão bateu com o cano do revólver nas grades e chamou:
    __ Levanta, cambada de vagabundo, que hoje eu preparei um café especiar proceis. Prestem atenção no que eu vou dizê: vô abri essas grade e dá quinze segundo proceis. Aquele que conseguí passá a cerca alí da colina pode se mandá, e nunca mais apareça presses lado qui eu prego fogo! Agora... depois de quinze segundo eu abro fogo prá matá! So ceis não tiverem prá lá da cerca pode encomendá a arma!
    E assim dizendo foi abrindo a cela e berrando:
    __ Já!
    Abriu fogo. Matou um, matou outro e feriu o terceiro, que conseguiu fugir.
    Os tiros atraíram o povo da cidade que logo cercava os cadáveres e interrogava Chicão sobre o acontecido.
    __ Eles tentaram fugi.
    __ Cadê o Sucuri?
    __ Eu feri ele, mais ele fugiu assim mesmo.
    __ Ele é vingativo, vai vortá quando ocê menos esperá!
    __ Que venha, que eu lhe furo a outra perna também.
    Quando a “captura”- um grupo de policiais que passava de quando em quando recolhendo presos para levar para a capital ,para a prisão e julgamento- passou, dois meses mais tarde, soube do incidente e trouxe notícias do Sucuri: roubara gado de uma fazenda ao norte do lugar.
    Chicão se lamentou por não tê-lo matado. Já andava meio esguio, nervoso, pois sabia que o Sucuri era traiçoeiro e sempre voltava para engolir a vítima.
    Poucos meses mais tarde uma notícia voava de boca em boca: Chicão estava morto!
    Fora achado no terreiro, a poucos passos de distância donde morreram Zelão e Cotia, com cinco tiros nas costas. O Sucuri havia retornado para engolir sorrateiramente a sua presa.

    TEXTO DE RITA VELOSA
    PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS
    FAVOR CITAR SEMPRE A AUTORIA

  • Violência

    É não ter pai,
    Não ter mãe,
    Não ter amor,
    Não ter comida,
    Não ter casa,
    Não saber ler,
    Não saber escrever,
    Não ter bons mestres,
    Não ter profissão,
    Não ter respeito,
    Não ter médico,
    Não ter dentista,
    Não ter emprego,
    Não ter amigos,
    Não ter lazer,
    Não ter cultura,
    Não ter esperança,
    Não ter nada decente para vestir,
    Não ter aonde ir,
    Enfim, não ter nada prá perder.
    O resto...é conseqüência!

    Rita Velosa
    Texto Protegido por Direitos Autorais
    Favor citar sempre a fonte

    :)

  • Papo-Cabeça

    Eu hoje aqui me sentei,
    Prá pichar os males do mundo;
    Prá falar da fome, do medo,
    Dos crimes, das agressões,
    Das incompreensões,
    Das prisões,
    Das organizações,
    Das instituições,
    Das perdições,
    Das omissões,
    Das prostituições,
    Das doenças,
    Das desavenças,
    Das maledicências,
    Das indecências,
    Das incoerências,
    Dos preconceitos,
    Das injustiças,
    Das ganâncias,
    Das ignorâncias.
    Mas, de repente...
    Me lembrei
    De Maomé,
    De Confúcio,
    De Cristo,
    De Mao,
    De Marx,
    De Gandhi.
    Então desisti.

  • ENCONTRO ACIDENTAL

    Eu sou verdade,
    você mentira.
    Eu sou luz,
    você sombra.
    Eu sou o sol que ofusca,
    você a lua que se esconde.
    Certa vez atrasei-me ao recolher
    e você apressou-se em aparecer.
    Brilhamos juntos por um instante.
    No mesmo céu lá estávamos:
    Eu _ uma estrela _
    a refrescar-me na sua sombra;
    você _ um satélite _
    a aquecer-se e iluminar-se na minha luz.
    Mas, apesar de juntos, ali, no mesmo horizonte,
    apesar do prazer que isto nos causou,
    nem eu vi você, nem você a mim...
    Meus olhos não eram para as sombras
    nem os seus para a luz.
    Mas eu o adorei mesmo assim...
    às cegas.

    TEXTO PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS
    FAVOR CITAR SEMPRE A AUTORIA