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mouroagreste

masculino - 47 anos, Portimão, Portugal


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No deserto eu planto flores, para que mais tarde, quem por lá passar, possa beber uma água fersca, sentar-se, relaxar, sentir os diferentes perfumes, sentir-se perto de si e de DEUS.

MOURO


  • UM ESTADO INCOMODATIVO, O MEDO.



    Para ler com atenção.

    O medo é um estado de alma como o da alegria, são extremidades do mesmo Ser, embora no caso do medo acarrete uma luta pessoal para o seu control, enquanto no caso da alegria apenas carece de aceitação, embora também seja passível de uma luta pessoal, todos os seres humanos lhes estão sujeitos aos seus caprichos. Interessa-me mais falar hoje sobre os medos, deixando de lado as explicações da psicanálise ou qualquer outra explicação científica, quero apenas debruçar-me sobre uma forma muito pessoal de os enfrentar, para isso muito ajudou a minha infância, onde os miudos mais velhos nos batiam ou mesmo nos roubavam, era levar porrada e rabo entre as pernas todos os dias, até que um dia chegou o basta, podia até levar dois estalos, mas um de certeza eu tinha que dar, como por milagre tudo mudou, de repente o respeito começou e percebi que os outros ocupavam em mim um espaço que dá pelo nome de medo, todo o Ser humano tem medo do desconhecido nas mais variadas situações, se permitir este medo vai tomar-lhe conta da vida, sofrerá de angústia, de desânimo,de infelicidade e tudo fará para não enfrentar a situação, daí ao pânico com os seus ataques e consequências psicológicas vai um passo, por isso é de perguntar até quando poderá alguém sofrer de medo sem se anular, arrasando tudo á sua volta, por isso, por muito difícil que seja faz-se necessário a cada um que tem este problema enfrentá-lo, podem usar para isso a ajuda de psicólogo ou outras fontes, porém ninguém nunca o poderá fazer por vocês, serão vocês que terão que superar essa inércia que vos aniquila, deixarem de olhar para vocês como uns coitadinhos, começarem a gostar-se, a amar-se, pois lá fora na selva ninguém tem piedade,os outros respeitam-vos pelo que vocês lhes passam, sei deveria ser de outro modo, mas este é o mundo real que temos, se fugirmos uma vez, podem ter a certeza que brevemente se repetirá, se mostra-mos medo os outros vão ocupar e jogar com esse espaço, até aniquilar-nos se possível e podem crer que vos farão mal, por isso é enfrentar, o mais grave que vos pode acontecer é morrer, mas isso pode perfeitamente evitar-se quando tomamos uma atitude, de enfrentar-nos a nós próprios, quando uma casa é constuida sobre fundações fortes dificilmente cairá, assim somos nós, quando essa atitude é tomada, tudo muda como que por magia, passamos a fazer parte activa da nossa vida em vez de meros espectadores, a energia que emitimos transporta uma mensagem de segurança senão de desafio, daí os outros começarem a olhar para nós de modo diferente, com respeito pois sabem que têem pela frente alguém com uma postura de respeito, mas que não admite mais ser maltratada, que ama e quer ser amada, mas que acima de tudo quer apenas sentir a alegria de não ter medo, pensem nisto e contraponham, um abraço para todos. MOURO

  • JÁ IMAGINOU A SUA TORNEIRA SECA?



    Algo diferente, para ler e pensar.

    Hoje chorei, a minha alma chorou, mas o céu revelou-me uma dor profunda, é tão mais dolorosa porque não tem lágrimas para verter, olho o céu dia após dia, começa a sofocar-me a falta do pranto celestial, arrepio-me ao mais íntimo do meu ser, quando vejo que por desconhecimento, pura ignorância ou simplesmente por vaidade, as pessoas sentem-se felizes, pela falta da lágrimas das nuvens, há quem as apelide de chuva, dói-me saber que os meus irmãos ignorantes, se sentem felizes com tal situação, nos países desenvolvidos, cheios de chavões e palavrões de definição ecológica, continuam a perpectuar o comércio das madeiras originais das florestas tropicais, que os políticos e outros a quem de direito de planear o futuro, só se preocupem em fazer demagogia, mas seria muito mais inteligente plantar novas árvores, até porque a qualidade de vida da humanidade aumentaria, dói-me ver alguém lavar um carrinho pequeno com 5€, quando eu com um jipão gasto 50cent., ver os vizinhos a regar os relvados, inconscientes da causa dos males que um dia virão, de ver campos de golfo que servem de camuflagem a construtores, a usarem uma enormidade de água para manterem a relva verde para meio dúzia de pessoas, que nada ligam para esse assunto, recordando-me de um país da América do Sul, onde empresas privadas têem o monopólio da água e os locais com um rendimento per-cápita baixissimo, se vêem obrigados a roubar água para suprir as suas necessidades, de saber que no Shaara há pessoas a tomar banho uma vez por semana com 1 litro de água, pior há quem não tenha qualquer tipo de água com controlo de qualidade para beber, o roll é demasiado longo para enunciar, mas o que me assusta é ser já um dado adquirido, que as reservas de água potável se estão a esgotar, que no futuro podemos já não falar da possibilidade de soluções, mas sim de lutar por um pouco do mesmo bem essencial, então desaparecerá a grandeza dos investimentos com futuro a curto prazo e estaremos perante o facto consumado da inutilidade das apostas erradas, porque isso não daria votos, mas alargaria a esperança de vida se todos no mundo, tivessem a consciência dos seus actos em relação á água, olhassem o ouro, diamantes, o petróleo como meras distrações comparado com a importância da água, gostaria que todos soubessem, que no nosso corpo a percentagem d'água é de 70 a 75% e que esta é o seu principal constituinte, agora faça um pequeno exercício de imaginação, chega a casa e não há água, os supermercados estão esgotados, a única água existente encontra-se num poço a 1000m da sua casa, tem que a carregar e pior, só tem direito a 5 l por dia, para cozinhar, lavar, beber etc., creio que a sua atitude vai melhorar, pensem nisto com consciência, não quero com isto julgar alguém, é só um alerta. MOURO

  • O ABRAÇO NU.



    Para ler com o coração.

    Falo de algo que muito pouca gente percebe, quanto mais faze-lo, imaginem um momento em que fartos de tudo, perdidos nos mais espantosos e cruéis cruzamentos da vida, desapontados com os mais diversos cenários da vida profissional, fartos de conselhos gratuitos apontando-vos as miraculosas soluções, ofertados por pessoas solícitas em resolver os problemas dos outros, sem contudo conseguirem resolver os seus, aqueles que se apressam a dar um abraço na ânsia de vos consular mas com receio de que alguém perceba errado esse gesto, aquele momento em que se abandona o escritório depois de despedido, em que os colegas cobardemente vos abandonam, com receio de que as chefias entendam esse gesto como solidariedade contra eles, em que os vossos familiares vos voltam as costas, pois não vos podem ajudar financeiramente, já que desse modo não poderiam viver a opulência com que participam numa sociedade de faz de conta, mas que ao primeiro problema que não se resolve com dinheiro, não hesitam em vos procurar, aquele momento em que o diagnóstico em que confirma a sida como uma realidade, em que se perde a casa, em que se não tem comida para por na mesa, em que o mundo literalmente desaba sobre vós, em que o próximo dia ao invés de carregar esperança, transporta apenas o enorme desalento perante esta hecatombe, como será agradável receber aquele abraço, acolhedor, amigo, fraterno, despretensioso, despido de falsos preconceitos, de falsos moralismos, apenas e simplesmente nu, nu e amigo, como me dói pensar que posso passar ao lado de tudo isto, nu e simples quando éramos crianças, em que envolvidos pela áurea do amor, tudo nos era belo aos olhos da inocência, então pergunto-me onde foi que nos perdemos, qual a parte que não compreendemos quanto ao ser feliz, fazendo os outros felizes com a nossa doação do abraço nu, recuso-me a aceitar tal estado de coisas, nem que seja o único a publicar e a escrever este género de artigos continuarei a bater-me por uma sociedade melhor, a meu ver nada melhor para começar que um simples abraço nu. MOURO

  • PARA OS AMIGOS NO MUNDO E ARREDORES





    Olá a todos os meus bons amigos, a título de não vos peocupar, deixem que vos diga, mas os meus textos são puramente metafóricos, o último foi o que vos preocupou mais, mas amo a vida acima de tudo, porém o realismo dos meus textos deve-se ao facto de eu achar que um escritor deve vestir a pele dos seus personagens, o que sentem e como vivem , para assim passar uma mensagem real, gosto de escrever sobre temas reais e actuais, que muita gente gosta de não ver, gosto de temas polémicos e incomodativos, não me interessa escrever sobre sexo e engates ou bajulação sobre alguém, espero que compreendam, os únicos textos reais meus são sobre o modo idealístico de ver a vida em qualquer situação, adoro-vos a todos, têm um lugar no meu coração e não terei o mínimo de problema de pedir ajuda caso necessite, um abraço nu para todos. Sempre e incondicionalmente vosso amigo por muito estranho que vos pareça. MOURO

  • PODE SER AO TEU LADO.



    Sei que é inoportuno, mas.........

    Sinto nas minhas costas, os lençóis da cama, a porta está fechada, as persianas e os cortinados estão fechados, no quarto o escuro é apenas rasgado pela luz insonsa do computador, onde me encontro neste momento em confissões directas para o mundo lá fora, o silêncio também partilha o espaço com uma música tão relaxante, que por vezes tenho dificuldades em distingui-los, a minha cabeça não consegue parar, não me dá descanse, os pensamentos lutam entre si para ver quem ocupa o maior espaço, os problemas ameaçam afogar-me de tantos que andam á minha volta, por mais que busque uma saída, um caminho, tudo se apresenta negro, as dívidas atingiram a altura do Everest, por mais que explique os meus pontos de vista, estes nada nem ninguém alcançam, uma enorme dor invadiu a minha cabeça, um barulho ensurdecedor faz-se tão forte que me enlouquece, quero fechar os olhos, num desejo de dormir para sempre, mas algo dentro de mim me recusa a realização total, faz-me manter aqui em diálogo com o teclado e uma enorme multidão anónima, ávida de emoções que se encontra do outro lado do ecrã, um frio percorre o meu corpo, sinto-o a tremer de um modo quase incontrolável, mas estranhamente estou empapado em suor, a t-shirt encontra-se molhada e colada a mim como se de uma segunda pele se tratasse, sinto-me deveras estranho pela agonia em que estou e ao mesmo tempo notar estes pequenos e estúpidos pormenores, sinto mesmo falta de um abraço, somente de um abraço, de um abraço nu, não daqueles que vêem acompanhados de soluções miraculosas ou críticas suaves, tenho uma necessidade enorme de desligar o computador, de mergulhar no escuro e no silêncio, vou tomar alguns comprimidos que me disseram ajuda a relaxar e a dormir, por isso anónimos vou, não sei se quero ou mesmo se acordarei , se não farei parte das estatísticas, só vos peço que ao invés de me condenarem ou julgarem, ponham-se no meu lugar, que fariam, sei, teriam a solução, teriam pedido ajuda, seriam fortes e não fracos, como é fácil dize-lo, já se aperceberam se alguém das vossas relações assim sentirá, sei teriam percebido, também os meus nada notaram, eu tinha tudo, era feliz, então porquê? Bem depois de desligar o computador já não fará mais diferença para mim, perdoem-me o desabafo vou mergulhar no escuro, porém poderá fazer para alguém perto de vocês, como gostaria que pensassem com muito amor, mas com um amor sem soluções, críticas ou outra coisa qualquer apenas com amor e nesse acto de puro amor inundariam o universo de alguém com essa energia salutar. Um abraço com amor para todos . MOURO

  • AROMAS POR CHEIRAR



    Tentem perceber com tudo.

    Tenho por hábito, escrever não sobre o que leio, sempre sobre o que me vai na alma, a força dos nossos pensamentos e experiências, dão ás palavras uma intensidade, uma vida que toca fundo quem as lê, não porque são minhas, mas porque são nossas, se todos pudessem exprimir por palavras o que lhes vai na alma, se todos perdessem o medo dos julgamentos dos outros, se todos não comparassem, então este espaço da net seria uma maravilha, um jardim onde todos plantavam flores e onde cada qual podia cheirar os diferentes aromas, sem com isso afectar o ambiente, sem com isso conspurcar um universo, que se quer puro e de respeito, numa comunhão e partilha de idéias, sem contudo julgarmo-nos iluminados, acima dos outros, mas sim funcionarmos como uma enorme máquina, que evolui para a perfeição, em que cada sábio na sua área ajuda o outro, consciente que também ele é ignorante noutras áreas, em que os que estão sós na vida, saibam que têm amigos á distância de um click, que de algum modo esta tecnologia, que temos hoje ao nosso dispôr possa servir para um fim digno, pois é com esse intuito que todas as invenções chegam a este mundo , este é meu desejo e tudo farei ao meu alcanço para com a vossa ajuda atingir-mos esse Jardim. Um abraço de luz. MOURO

  • ALGURES DENTRO DE MIM.



    Para quem se interessa por mais do que vê.

    Sentei-me neste enorme anfiteatro, mais ou menos ao centro sozinho, olhava para o palco onde passavam extractos da minha vida, como se de partes de um qualquer filme, que um dia animara alguma das muitas salas de cinema do país se tratasse, só que o actor principal era eu, senti uma tristeza imensa tomar conta de mim, tivera tudo a meus pés na vida, literalmente tudo, optara por me especializar numa arte proibida, da qual viria mais tarde, não a ser bom mas muito bom, seria mesmo um mestre que a aplicava com todo o seu requinte, porém quanto mais apurado ficava, mais a amargura tomava conta de uma pequena parte de mim, como sou um todo a falta dessa pequena parte fazia-me diferença, diria mesmo que me incomodava, pois sempre que a ela me entregava, quanto mais sentia o gosto deste doce veneno, mais sentia uma ausência dentro de mim, conseguia vivenciá-la na sua plenitude, sabendo do seu resultado mais tarde, porém sentia-me incapaz de fugir-lhe, eu que tomava decisões com a maior das facilidades, via-me agora perante uma evidência incomodativa, como beber-lhe o veneno, gostar e saboreá-lo e ao mesmo tempo não lhe tocar, difícil ou mesmo impossível, como se de uma mochila se tratasse colava-a a mim, adorava sentir-lhe o cheiro, brincar com o seu toque, cavalgar por lugares inimagináveis e proibidos nos seus odores, olhar por longos períodos a sua beleza de certo modo inebriante para mim, mas acima de tudo o saber que amanhã já não existiria, que o amanhã chegará carregado de proibições, de separações forçosas, pois assim o determinara alguém um dia num longínquo passado, como se isso fosse suficiente para acabar com uma empatia que atravessara séculos, era no meio de tudo isto que me encontrava no tal anfiteatro, envolvido por uma tristeza especial, enrolado numa lágrima marota e atrevida, sabendo com toda a certeza do caminho a tomar, mas sabendo que nem o tempo conseguiria apagar, o que um dia começara por crescer dentro de mim, á revelia da minha vontade, num dia que se perde no horizonte de um passado bem longínquo, perdido algures nas noites do tempo, para meu bem sei que amanhã vou estar melhor, mas até lá quero curtir esta nostalgia imensa, que flui dentro de mim como um oceano calmo. MOURO

  • DO MICRO AO MACRO.



    Para ler e analisar com calam e várias vezes.

    Hoje quis criar algo de tão belo, algo que alguém houvesse lá fora que tocasse, algo que acarinhasse alguém que lá fora necessitasse, algo que fizesse outro alguém abraçar-se a si mesmo, algo que fizesse sorrir a muitos mais, algo que de algum modo despertasse outro alguém para ele mesmo, então olhei para a tela azul celestial e misturei-lhe umas crinas de cavalo brancas, entremeada com cirros, alguém as chamou de nuvens e eu envergonhado apaguei-as, propus-me a mexer com a minhas mãos, um material que estava debaixo dos meus pés, criar era a minha palavra de ordem, alguém o chamou de terra, mas ao aperceber-me do meu atrevimento, desfiz o que começava a moldar, desejei inventar um modo de usar a massa liquída, que sustentava o lugar onde estava sentado, a que outro alguém designou de mar, porém apercebi-me da minha pequenez, desejei começar uma nova época num elemento invisível porém muito real, que dava pelo nome de vento e envergonhado resignei-me, enfim propus-me, desejei, um verdadeiro tratado de intenções, porém apercebi-me que houvera Alguém, que já tudo isso criara, parei, meditei e então sim, reparei que tudo isso eu posso fazer sim, mas num elemento unipessoal, eu, percebi que posso mudar o mundo, posso mudar o meu mundo, percebendo assim que ao tentar mudar o mundo dos outros, apenas contribuo para que ele se atrase, criando alguém dependente da minha beleza pessoal e não da sua beleza pessoal, ou seja eu realizo-me nessa sociedade unipessoal, se assim não fôr serei dependente da beleza de outrém, logo cada um precisa de sentir a sua base e com ela crescer, ganhando a certeza da mudança do seu mundo pessoal, logo que estes micro mundos florescam, darão lugar ao movimento para criar um belíssimo macro mundo, onde todos os seres humanos interagem, sem com isso serem dependentes, pois o seu processo pessoal desencadeou, encontrarão dentro deles aquela força que admiram nos outros, sentirão o bater saudável do seu coração, que se alegrará a cada pequeno acto de descoberta e consulidação pessoal, partirão para a mais bela aventura no mundo, que é tão pura e simplesmente viver a sua vida, ao seu modo próprio. ao próprio ritmo, mas acima de tudo aceitará cada erro seu, como parte do processo, sem qualquer tipo de sentimento de culpabilização, deixando lugar para o amor alegre, que é o facto de nos amarmos a nós próprios, pensem nisso com carinho, um abraço de luz para todos. MOURO

  • PERDOA-ME......



    Vale a pena analisar, quem sabe ?

    Quis gritar, mas a voz não saiu, quis correr e as pernas não se moveram, tentei chorar, mas as lágrimas em revolta recusaram-se a sair, do meu peito um vulcão ameaçava explodir, as costas arqueadas doiam-me, os musculos das costas mais pareciam cordas de uma qualquer viola folk, todo eu era revolta, os olhos doiam-me quando te vi, sentada no chão com uma criança pequena no colo e o ventro já prenhe de outra, tu mulher que te fizeste á força, de menina enganada pelas lábias, dos que um dia te olharam e cobiçaram, que te desejaram e obtiveram, para logo de seguida jogar fora, sem algum valor dar-te, nem mesmo perder tempo a amar-te, olho para ti, pouca diferença tens de um farrapo humano, a razão porque me doi tanto, é porque não tenho a certeza de já não ter feito o mesmo, de não ter sido um crápula, que animalizado pelos instintos, se esqueceu de sublimá-los em sentimentos, de usar-te e jogar fora, depois daquele bocado de carne que existe entre as pernas, que nos tolda a razão até á satisfação, se ter perdido dentro de ti num frenesim de exitação, onde o seu auge, pode resultar no estado em que hoje te encontras, perdoa-me porque um dia foste mais mulher que eu jamais serei homem, porque um dia me deste a lição mais nobre secundada por um amor que eu não era merecedor, mas sobretudo pela nobreza de sentimentos, sufregados pela humildade de mendigar pelos teus filhos, que eu cobardemente recusei, quantas injustiças o meu acto te provocaram, desde o meu abondono, á expulsão da casa dos teus pais, mais preocupados pelos dizeres dos vizinhos e amigos, do que em amar-te e sobretudo ajudar-te neste momento tão difícil, quero ajudar-te, quero aproximar-me e dar-te a mão, mas a cobardia disfarçada de orgulho, de braço dado com a fraqueza, embrulhados no meu ego, impede-me deste gesto nobre, perdoa-me um dia se puderes, sei, o que mais me doi é saber que me perdoas, amanhã vou voltar com coragem para te dar a mão, porque hoje continuo a ser o cobarde de á tempos atrás perdoa-me. MOURO

  • ENTRE MOMENTOS.



    Lá onde o menino fala com o homem, fundindo-se apenas num.

    As cores fundiam-se nas labaredas, acompanhadas pelo som do crepitar do fogo, como uma ilha no meio do oceano, assim era o calor emanado pela fogueira, no meio do frio e da humidade da floresta, sentia-me aconchegado na frente do meu corpo, atrás de mim o limite imposto pelo frio, de vez em quando voltava as costas para o fogo e ficava a olhar aquele lado onde uma barreira invisível existia, despertava-me os sentidos numa dualidade de prazer, deixava mesmo que os meus pensamentos, divagassem para além dos limites alcançados pelos meus olhos, estranhas sensações tomavam conta de mim, deixava que todo o meu Eu despertasse,entregando-me ao prazer que sentia, pela graça que tinha de saber destes momentos retirar o seu mais perfeito, bebia cada trago deste magnífico néctar que é a vida, num pequeno espaço de tempo, que alguém um dia resolveu de apelidar de intervalo, eu aproveitara para fugir ao bulício, resolvera ofertar-me algo tão simple e banal, que fazia o metal mais precioso do mundo, perder todo o seu valor, fugira do almoço habitual com os colegas, povoado de uma repetição continua de actos e conversas, que como de um cd se tratasse, repetia as mesmas faixas, mal da vida, queixumes diversos, engates e presumíveis desfechos, a mulher e os filhos, estas as faixas mais ouvidas, deixando as outras para serem ouvidas mais tarde, tálvez mesmo em privado ou numa audiência bem mais restricta, pois ninguém quer mostrar algum tipo de fraqueza, ouvindo tanta inteligência, nem consigo perceber o porquê de tantas atribulações, não dou aos outros o que não quero para mim, mas também não levo com o que não quero, vejo -me muitas vezes envolvido em momentos conturbados, que se fazem presentes por meio de outréns, falar chinês a um português, surte mais efeito, que tentar alertar para algo bem mais proveitoso, fora das fasquias negativas em que se envolvem e que de algum modo tentam envolver-me e tendo esta pequena fogueira, perfumada do fumo da rama do eucalipto, eu deixo-me por ela acompanhar, sinto a beleza do silêncio cá dentro, a solidão põe os seus braços á minha volta e então eu rejúbilo de alegria interior, sinto-me bem nesta companhia ímpar, como é simples ser feliz, pergunto em silêncio ao sábio cá dentro, o porquê de tanta ignorância, o porquê de tanta infelicidade e a resposta chega de uma forma tão súbtil como eloquente, pelas mãos do vento uma fragância de um perfume selvagem, tão simples como isto, sobrepõe-se a tudo, embriaga-me os sentidos de um modo que me preenche, até ás profundezas mais recôndidas do meu Ser, tudo passa por algo que satisfaça a alma, esta saciada por tanta beleza singela, conduz-nos lá onde mora a felicidade que se faz acompanhar da satisfação pessoal, dando lugar á grande realidade do mundo irreal, erro crasso da maioria que passou o actor principal para secundário, advindo daí a cultura do stress, das depressões, dos sonâmbulos acordados e muito, muito mais, olhando do meio da minha ignorância eu percebo o caminho, pena é que muita gente, se entretenha demasiado tempo com os desvios, esses levam ao natural afastamento da nossa beleza interior, por isso neste entre momentos, em que a solidão fala com o silêncio, em que o sábio interior aconselha o ignorante exterior, entre o frio e o calor, em que o menino fala ao homem sobre a simplicidade da vida, ou seja neste meio termo eu sou feliz. Tudo de bom tara todos. MOURO

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