mize45
feminino - 44 anos, Porto, Portugal
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Blog 8
Porquê?
Só tu me entendias
Parto vazia
Não quero soltar os cabelos ao vento
mas mergulhar sempre de encontro a um lugar ausente
Num esforço de esquecer que um dia
existiu alguém que me ouviu
-
AMIGO DE VERDADE
Sou a voz desesperada que grita no deserto.
E tu amigo, me encontrastes.
Em tua mente encontro espaço.
Em teu coração faço morada.
Compartilho contigo meus anseios.
Te faço conhecer os meus sonhos.
Por ti, me transformo num exército. Só para te defender.
Se me chamas. Estou pronto a te servir.
Não há muros nem barreiras. Para separar nossa amizade.
Se tu estás triste, choro contigo.
Se tu estás feliz, me alegro contigo.
Se vais para a guerra, serei a linha de frente.
Se páras de guerrear, serei a bandeira branca.
Sou confissão, sou ouvidos.
Sou aquele que te estende a mão.
Sou aquele que compartilha. O momento e a decisão.
Mas se não fosse nada disso.
Seria apenas um simples amigo.
Atento a qualquer reação.
Sou seu amigo, de coração.
(Autor: Clayton Montarroyos) -
O Poço
O Poço
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
Pablo Neruda -
SORRISO AUDIVEL DAS FOLHAS
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
"Fernando Pessoa" -
Esperança
Enquanto a vida segue o seu percurso,
para trás fica um sinal de aventura com êxitos e insucessos,
qualidades e fraquezas,
para diante fica a expectativa iluminada pelo clarão da esperança
Mizé -
CEGUEIRA BENDITA
Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago...
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
'Stendendo as asas brancas cor do sonho...
Ter dentro d'alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!...
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
Florbela Espanca -
A MINHA DOR
A MINHA DOR
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...
Florbela Espanca -
ENTRE O LUAR E O ARVOREDO
ENTRE O LUAR E O ARVOREDO
Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.
Fernando Pessoa -
A brusca pausa
Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito,
Repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
Quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
Quem evita uma paixão,
Quem prefere o negro sobre o branco
E os pontos sobre os "His" em detrimento de um redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
Sorrisos dos bocejos,
Corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
Quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
Ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
Quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
Não pergunta sobre um assunto que desconhece
Ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
Que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
Um estágio esplêndido de felicidade.
P. N.
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