marcosborkowski
masculino - 43 anos, Ponta Grossa, Brasil
Blog / REENGENHARIA NOS PODERES
Quinta, 1 Maio 2008 às 19:04
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto
ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se
da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. | Rui Barbosa |
No início do século XX Rui Barbosa já constatava, desanimado, a realidade do uso
inadequado do poder. Em pleno século XXI a população esclarecida observa as
mais graves das crises da civilização humana, em particular no Brasil: as crises da
moral e da ética.
Você acredita nos seus representantes no Poder Legislativo? Você confia nos
magistrados e juristas que atuam no Poder Judiciário? Você confia nos cidadãos
eleitos pelo povo para governar o País, os Estados e os Municípios? Mais uma
pergunta: você confia nas instituições brasileiras para assegurar os direitos
fundamentais e sociais do povo brasileiro?
A história tem nos ensinado que o poder legal e o poder econômico andam de
braços dados desde os tempos mais remotos. Com a revolução burguesa
experimentada na Europa e depois disseminada em todo o mundo ocidental,
uma luz de esperança surgia buscando contemplar nas cartas magnas dos países
(constituição) os direitos do povo de elegerem os seus representantes e, portanto,
participar de forma indireta da política.
A revolução industrial, o progresso e desenvolvimento, a evolução do capitalismo,
o contraste entre capital e trabalho e as duas grandes guerras fizeram com que as
nações colocassem o ser humano no centro das atenções, pelo menos nas suas
constituições (folha de papel).
Indaga-se: está valendo a pena possuirmos uma “constituição cidadã”, quando
sabemos que os direitos só são assegurados, na grande maioria das vezes, aos
poderosos pertencentes à classe dominante (poder legal e poder econômico)?
Infelizmente não está valendo à pena.
A concentração de renda tem aumentado significativamente, o que nos faz
lembrar tristemente da frase popular “o rio só corre para o mar”. A classe média
vem sendo tão covardemente achatada pelos dois poderes (o legal e o econômico)
que falta muito pouco para possuirmos apenas dois tipos de classes: os ricos
e os pobres.
Não está na hora de fazer uma reengenharia nos poderes? E como fazer?
A corrupção, que sempre existiu em todo o mundo, tem tomado proporções tão
gigantescas no Brasil que hoje não fazemos mais distinções entre quem é polícia
ou ladrão. O poder paralelo do narcotráfico, prostituição e outras ilicitudes devem
possuir mais ética entre os seus integrantes do que o poder legal e o econômico.
Pelo menos quem erra no poder paralelo é julgado imediatamente e é punido.
Nos poderes legal e econômico quem erra pode até ser preso, mas são soltos logo
em seguida por institutos e normas fundamentais que, paradoxalmente, foram feitas
para proteger os mais fracos e oprimidos. Meu Deus!!!
Em síntese, chegamos a uma época onde todo o sistema está falido: o econômico,
o político e o legal. O poder paralelo já está de certa forma infiltrado nos poderes
legal e econômico pela corrupção. O ordenamento jurídico que está aí posto, o mais
prolixo do mundo, não passa de letra morta pelo menos para a classe dominada.
O modelo capitalista está em processo de exaustão. O que virá pela frente? Um
salve-se quem puder maior do já existe?
Gostaria de ter mensagens positivas, mas a única noticia alvissareira que trago é
cada manhã, quando acordarmos teremos mais um dia, mais um alvorecer. O que
vamos fazer com este presente diário que recebemos para mudar esta situação?
Você está satisfeito? E a sua família? Pensem a respeito, reflitam, mobilizem-se
e participem. Emilio Maltez Alvez Filho
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