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Confiança masculino - 38 anos, Algures por aí..., Portugal


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Blog 49


  • Uma Catacumba Caiada



    Quando o calor se atirou à aldeia, podre e venenoso, o Zé saiu da taberna ziguezagueando.
    Sabia que nunca mais iria enterrar ninguém. Via- se pregado na parede do cemitério rodeado de aranhas que dançavam titubeantes e macabras.

    Contra o que sempre pensara, não morreria velho e foi- se despedir da espanhola com quem dormira as duas últimas noites.
    Àquela hora os cães dormitavam nas sombras, abanando o rabo à sua passagem.
    O presidente da junta tinha-o prevenido três semanas antes que a profissão de coveiro era ingrata: - o osso é duro de roer. Mas o importante é que há mais marés que marinheiros.

    Em Lisboa, nos tempos de casado, tivera ofícios duros. Mesmo assim sempre pensou que morreria velho. Nem mesmo a separação da família o desesperou, e a vida era vivida com um sorriso interior, de parietal a parietal.

    Porém, o aviso preocupou-o.

    Caminhou junto à parede para aproveitar a sombra dos beirais. Torneou um carro semi desfeito de saudades. No poial da porta da espanhola estava, despreocupado, o marido desta. - Despreocupação de corno manso, pensou.

    Atirou-lhe cinquenta cêntimos... Para a aguardente de figo.
    O canavial murmurava sons de juventude, levemente embalado no sueste. A velha nora espiava por cima do casario árido vindo do deserto.

    Afastou a rede mosquiteira da porta e entrou no escuro antro dos pobres. Fixou os olhos, sem medo, no Cristo ameaçador do fundo, e releu o prato azul violeta: " o cabelo que foi loiro e depois se debotou, lembra alguém que tinha oiro e em prata se transformou".
    - Romualda!!!! , chamou baixinho.

    Os ladrilhos libertavam uma frescura agradável a alfazema. Entrou no quarto e viu-a estendida na esteira, completamente nua. As dobras da barriga pendiam-lhe até ao chão, subindo e descendo ao ritmo da respiração pesada. Não acordaria mesmo que um tubarão entrasse na ria e comesse metade dos homens que dentro de água esquartejavam os atuns do copejo da madrugada. Ficaria para mais tarde. Muito mais tarde...

    Procurou nos bolsos das calças um cigarro, e foi encontrá-lo num da camisa. Acendeu-o ainda dentro de casa e saiu decidido ladeira acima em direcção do cemitério.
    No caminho entrou na tasca do Manel Zé - estrategicamente situada entre os mortos e os vivos - que dormia com a cabeça sobre o balcão. Balcão de amendoeira de amêndoa dura, onde se apoiavam as mais diversas vidas, desde o começo dos séculos.

    Serviu-se a si próprio de medronho. Era a única bebida que, no estio, lhe refrescava as tripas.
    As aranhas começaram a movimentar-se no seu cérebro dando-lhe uma sensação de inesgotável prazer.
    O Manel Zé mudou de posição, disse alguma coisa arranhada, e continuou ouvido colado aos sonhos infindáveis do balcão. A venda era impotente perante o calor que se ia instalando sem pagar.
    Mais um medronho e saiu levando consigo a garrafa. Pagaria depois. Muito depois...

    "Medronho puro a bebida do futuro", rótulo sem cor sobressaindo da solidão das ruas escaldantes.
    "Nós ossos que aqui estamos pelos vosso esperamos". Entrou. Dirigiu-se à cova que começara a abrir pela manhã. Ajoelhou-se diante dela murmurando álcool para as entranhas da Terra.

    Sem que desse por isso, da catacumba do antigo Cabo da Guarda, saiu um esqueleto com galões a condizer, armado de martelo e pregos. Com o queixo aprumado, protuberante, e rodando sobre os calcanhares a cada sepultura, chegou-se ao Zé que flutuava a um palmo do solo. Deu-lhe o braço e foram os dois até ao lado Norte do cemitério. Aí, o esqueleto do Cabo, foi pregado na parede caiada, peça do puzzle infinito da calmaria.

    As aranhas, agora livres, saíram à rua semeando panfletos incendiários aos transeuntes.

    Duas árvores, frondosas, coraram de cumplicidade.

  • Estava frio na tarde poeirenta...



    Estava frio na tarde poeirenta. Agarrou os sapatos e entrou descalço no cemitério. Algumas beatas místicas adoravam os seus mortos ruminando palavras silenciosas. Percorreu o corredor central e chegou-se à sepultura de uma mulher desconhecida, sem lágrimas. Pousou os sapatos. Olhou as árvores repletas de caracóis e começou a cantar baixinho a musica que tanto ouvia na boca da sua mãe. As ciganas sentadas nas campas e todas vestidas de negro, ruminavam a libido esperando compaixão das almas inertes dos seus entes ausentes.

    Passara um ano sobre a morte da mulher sua mãe, sem lágrimas. Era a sua primeira visita ao cemitério, mas num cemitério que não era o dela, foi ver os Outros, expiar os pecados, perdoar a saudade.
    O Outono descia as persianas. O Universo rodopiava, sem pressas, em volta do cemitério.
    Subiu a colina suave da sepultura e sentiu os pés descalços a enterrarem-se na terra. À procura da raiz.
    Há anos, quando repousava no seu regaço, sentia as mãos tremer de gozo. Lembrou-se das galochas que sempre quisera ter e nunca teve e que os rapazes da rua sempre tiveram.
    Olhou o céu à procura de encontrar Deus a sorrir. Não existe. As beatas consumiram-No . Existe. Só existe o que se pode consumir.

    Sentiu as mãos tremer de gozo. Os pés aterrados .
    Bruxas no dia de finados, sem fim aproximaram-se do cemitério. Pensou nos mortos ricos e nos mortos pobres, que foram vivos pobres e vivos ricos. A loucura passa pela maior das normalidades quando tem um espaço onde se projecta. Só quando o pano de fundo desce, a loucura cai à rua: é doido varrido, vê pulgas na opa de sua majestade, quer saudar o infinito, satisfaz-se no vazio. A mais grave.
    As viúvas ciganas choram místicas lenga lengas e atingem orgasmos de dor na penumbra das sepulturas.

    Os espaços sagrados aparecem quando os seres do Além se fundem aos do Aquém e aqui começa o dia de finados. Fantasmas e vice-versa, num só, debatem os mais prementes problemas da Filosofia contemporânea.

    Mãe, por que me abandonas-te? Acaricia-me os pés. Faz-me tremer as mãos. Vamos construir um mundo porreiro sem carimbos na consciência.
    Parecia que o tempo não passara mas o Sol caíra atrás da parede do cemitério e como era preciso atravessar o ritual da morte para participar no sabat, o coveiro, homem devidamente encartado para tal, expulsou as almas do outro mundo para o outro mundo.

  • Sou o teu lado esquerdo e o teu lado direito...

    És aquela luz que ilumina o meu caminho,
    o teu sorriso dá-me uma enorme vontade de também sorrir...
    Despertas em mim tudo o que há de mais especial,
    e o meu sorriso fica tão feliz contigo.
    A tua voz reconforta-me,
    és o meu refúgio, o meu orgulho.

    Sou o teu lado esquerdo e o teu lado direito... tu és o meu Centro

    Dedicado a ti... és o meu "caminho"

    MP

  • O codex do cigarro

    Um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco? )
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando...ainda tenho direito a esta liberdade,
    depois escrevo:

    Eu fui buscar no teu corpo
    amoras recém colhidas.
    Restou, ardendo nos lábios,
    um áspero gosto de vida.

    Eu quis deixar no teu corpo
    as marcas do meu desejo.
    Mas estendo as mãos, não alcanço.
    Se fechar os olhos, não vejo.

    No teu corpo eu procuro
    o desvario dos sentidos.
    Por vales e montanhas
    venta o vento teus gemidos.

    Queria porque queria
    desvendar os teus segredos.
    A noite diz-me: é tarde.
    As nuvens respondem: é cedo.

    Eu sempre pensei no teu corpo
    um veleiro sobre as ondas.
    Se ouso gritar o teu nome
    talvez o eco responda.

    Se não fosse um cigarro...isto não saía.

    Abraços

    MP

  • Upload...



    Eu sou eu, então realmente tudo o que dizer dos outros?

    Agitado com saudade e vazio, como um pássaro numa uma gaiola, que luta para respirar, como se varias mãos estivessem comprimindo a minha garganta, numa ânsia de cores, de flores, de ouvir as vozes das aves, o riso das crianças, o bater da chuva nos vidros, sedento por palavras de bondade, de amizade e de confiança.

    Esperando com expectativa grandes acontecimentos, poderosas explosões de alegria dos amigos mesmo numa distância infinita.
    Cansado e vazio na oração, na reflexão, na tomada, desmaiado para a vida, e pronto para dizer adeus a tudo isso?

    Quem sou eu? Esta ou outra pessoa?
    Eu sou uma pessoa hoje, serei amanhã outra?
    Eu sou tanto de uma vez? Serei hipócrita diante dos outros?

    E vejo diante de mim um fraco verdadeiramente desanimado?
    Ou há algo dentro de mim ainda como um exército vencido, e humilhado pela desordem, fugindo da vitória já alcançada?
    Quem sou eu? Eles ironizam-me, estas questões da minha alma .

    Quem eu sou, porque tu não me conheces…Faz um upload

    MP

  • Hoje sinto-me cansado...



    Sempre tive um prazer enorme em lutar para que tudo o resto estivesse bem à minha volta, sempre sorri, sempre perguntei, sempre afirmei, nunca desisti. Não é esforço, realmente não o é... faço-o por gosto, adoro ver tudo bem à minha volta, venero a sensação que isso me proporciona.
    Admiro a forma como cresci, como me construí, como também fui construído, e o modo como os passos da minha sempre vida me anteciparam a momentos de deleite pessoal. Mas há momentos tão intrínsecos à natureza humana (ou só à minha? duvido...) que provocam avalanches de incertezas, tufões de possessões, tornados de inconstâncias. Pausas... Sinto-me cansado.

    E sei que lá no fundo, no cerne do que me compõe, sei que adoro quem sou, mas custa-me a admito-lo, não... não sou um gajo Narcisista, não... Sou eu, cansado, mas... eu.
    Pensava que estas alturas de insconstâncias eram próprias de jovens mentes sonhadoras e utópicas, supunha que este tipo de cansaço devia ter sido vivido aos 18 ou 19 anos... pensava que aos 38 seria tudo um bocadinho mais concreto. A certeza é só mais uma utopia, não será?

    E tenho 38 anos, e cá estou eu, a percorrer estas ruas já tão familiares, tão conhecidas, como se prolongamentos de mim se tornassem quando nelas me aventuro a conhecer o desconhecido. O mundo é tão prevísivel às vezes, e tão imprevísivel também...

    O cansaço que o viver transporta só é comparável à solidão do astro lunar, é como o mel ser doce, é como o vinho tinto ser o manjar de deuses mortais.Mas há sempre o oposto da moeda, o lado oculto da lua, aquele que raramente se vé, mas que se sabe existir. Não nego que o cansaço só me consome porque eu o autorizo a tal, às vezes parece que gosto de sentir profundamente o oposto, para lá mais à frente delirar com o contraste...

    Hoje porventura estou cansado, hoje entreguei-me, hoje aceito o súplicio de mim para mim mesmo, e quero repousar em mim, seja lá o que isso for, seja lá o que isso significar...

    Hoje resigno-me à plenitude que a vida realmente é. Agora não peço luzes, não rogo por absolvições. Entrego-me à virtualidade constante que em mim reivindica estados díspares. Porque lá no fundo eu sei que a essência residente é única, ímpar. Mas há momentos, há delírios e extravagâncias, há loucuras e deleites.

    E há pausas, há percursos que merecem ser admirados, outros observados..., e há pausas que convincentemente sussuram existências. Tenho de descodificar-te cansaço, tenho de conhecer-te no espaço que rogas. Hoje, uma vez mais (porque também é necessário), a minha vida não se faz ao mar, fica em terra a ver o navio passar...

    Vou parar, sentar-me, aperceber-me de mim na desconhecida forma que me tornar, e admirar, observar, compreender-me... porque hoje sinto-me cansado.

    MP

  • O meu caminho...



    Dos cruzamentos, das intersecções, das rotundas e atalhos.
    Do parar, do mirar e observar
    Da indecisão, dúvida e risco
    Da banda sonora de violinos e vozes épicas,
    Da transcendência da natureza insáciavel que transpira memórias.

    Dos momentos de segundos contorcidos em olhares para além de meros espaços.
    Do virar para a esquerda ou para a direita, do desafiar a linha recta em frente.
    Do acontecimento ou da resignação, da impotência ou da aventura.
    Dum argumento que se alcança, dum passado que não se dissipa.
    Da estrada escura numa noite de luar, das cintilantes pistas codificadas lá no topo.

    O imaginar, o supor, o talvez acreditar...

    O por vezes querer que não haja um fim, que a estrada não encontre um destino, que a mente
    desconheça limites.
    Do pé que não quer encontrar o pedal do meio, das pernas que querem continuar, dos braços que não cedem.

    Ao som da música, ao sabor da vida, no solestício de Verão, na queda do Outono
    Das paisagens que se riem, das nuvens de Constable, dos girassóis de Van Gogh,
    Das fúrias de Rushdie, da fantasia de Márquez, da paixão de Duras...
    Dos castanhos áridos, dos verdes húmidos e dos azuis salgados
    Num quadro que se cria com tintas da minha vida.

    Esquerda?

    Direita?

    Em frente?

    O meu caminho...

    MP

  • Uma simples Pausa...


    Ler este poste com a muisca

    Por vezes sento-me numa nuvem e fico quietinho com medo até do respirar não vá o suspiro como num truque de magia fazer desaparecer a nuvem e eu puff... :)… cair. Gosto de ver o turbilhão da vida e parar no tempo, queria aquela tecla de igual mas em vertical, o pause na pausa do dedo e parar agora mesmo neste instante. Estou bem assim quietinho e desligado do mundo, sem ninguém a me lixar a cabeça.

    Estou parado porque me apetece, estou sem vontade que quero parar na hora do segundo que me martela. Ouço o silêncio e delicio-me com os acordes do pressionar nas teclas, uma após a outra que todas juntas fazem uma série de palavras… chiuuuuu… não me digas nada que quero ser eu a tomar conta da batuta e fazer deste esplendor a mais bela sinfonia, que seja minha, para mim e só minha mas espalmada por aqui inteira.

    Pode sair uma valente procaria mas é minha poxa por isso que se lixe lá o pintar certinho direitinho é minha e pronto, é linda… :) nem uso diapasão que prefiro o instrumento assim solto, aberto e real, verdadeiro em mim quando para aqui fico e atiro as notas inteiras no despentear rápido agora que ordeno que entrem os violinos, as cordas que de percussão fartei-me depressa... :)

    MP

  • Onde é ke estamos??? Digam-me que isto é mentira !!!!!

    Mail que me enviaram :

    É para reflectir. Ei-lo:



    “Hugo Marçal .. arguido no processo da Casa Pia"

    Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em “águas de bacalhau”.

    É incrível a passividade do povo português face a este escândalo da pedofilia.

    «...Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditor de justiça do Centro de Estudos Judiciários. O nome do arguido no processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado no Diário da República de ontem, entre centenas de candidatos a frequentar a escola que forma os juízes portugueses. Mas ao contrário dos outros, Hugo Marçal não vai prestar provas. Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido em Espanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda a preferência sobre os restantes candidatos». Resultado: o advogado de Elvas está na prática à beira de ser seleccionado para o curso que formará a próxima geração de magistrados.



    O nome de Hugo Manuel Santos Marçal surge na página 4961 do Diário da República, 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar no CEJ. Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos Tribunais - primeiro como auditor de justiça, depois como juiz de direito - *Marçal terá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeira instância*....» :) :) :)

    POIS … É O PAÍS QUE TEMOS … !!!”

    ****

    (estes rapazes de plástico estão a conseguir "avacalhar" a judicatura, depois é melhor emigrar! ... o último que apague a luz do aeroporto.)

    Se ainda houver luz para apagar.

    Para quem ja se esqueceu de quem estou a falar aqui vai um pequeno avivar de memória:

    Advogado em Elvas, Hugo Marçal, de 46 anos, é suspeito do abuso reiterado de um ex-aluno da Casa Pia e de ser cúmplice no esquema de prostituição alegadamente montado por Carlos Silvino.
    A acusação relaciona-o com os encontros numa casa de Elvas onde menores da Casa Pia mantinham relações sexuais com clientes angariados por Silvino, o ex-motorista da Casa Pia e principal arguido do processo.

    São ainda acusados neste processo Carlos Cruz, o ex-provedor-adjunto da Casa Pia, Manuel Abrantes, e o médico Ferreira Diniz, entre outros.
    O Ministério Público pretende que Hugo Marçal seja condenado por 36 crimes: 22 de lenocínio e 14 de abusos sexuais de menores (respeitantes a um único menor).

    A Bem da Nação...

    «QUAL???» Digam-me que isto é mentira !!!!! :) :) :) :)

    MP

  • Euniverso - Quando os olhos não vêem...



    MP

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