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Confiança masculino - 20 anos, Darque, Portugal


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  • Adaptado de Vasco Pulido Valente, Público de 27 de Junho de

    «Viver sem fumar charros é como escrever sem pontuação. Pelo menos, para mim. A pequena cerimónia de acender preparar um charro marca um "tempo": o princípio do dia, o princípio do trabalho, cada intervalo ou cada distracção, o alívio (ou o prazer) de acabar qualquer coisa, o almoço (quando almoço), o jantar (quando janto), o fim do dia, antes de fechar a luz, como um ponto parágrafo. O charro divide, acentua, encoraja, consola. Abre e fecha. É uma estação e uma recapitulação. "Já cheguei aqui. Falta ainda isto, isto e aquilo". Nas poucas vezes que tentei não me charrar, tinha um sentimento de desordem, de arbitrariedade, de não saber passar de um frase a outra ou de um capítulo ao capítulo seguinte. Os charrados, se repararem bem, não fumam ao acaso; fumam com ritmo. O charro também é uma companhia. Sobretudo para quem trabalha sozinho. A maior parte das pessoas vai falando, pouco ou muito, durante o trabalho. Por necessidade ou por gozo próprio. Do "serviço" à intriga, há milhares de oportunidades para o grande e simpático exercício de conhecer o próximo: para gostar dele ou para o detestar, para o observar, o comentar ou o intrigar. De porta fechada, à frente de um computador ou de um livro, não há nada à volta. Aí o charro ajuda. É um fiel amigo: a pausa que torna o resto tolerável. E que, além disso, recompensa uma boa ideia ou manifesta o entusiasmo ou a execração pelo que se leu. Com quem se pode conversar senão com o charro? De certa maneira, o charro substitui a humanidade; e não me obriguem a fazer analogias. Mas, principalmente, fumar um charro serve para pensar. Quando, a ler ou a escrever, paro a meio de uma página, porque me perdi num argumento ou não consigo imaginar como se continua, pego num charro e penso. Não me levanto, não me agito, não abro a boca, não me distraio. Fumo e procuro com paciência a asneira. O charro concentra e acalma. Restabelece, por assim dizer, a normalidade. E este efeito "normalizador" é com certeza uma das suas maiores virtudes. Não comecei a fumar charros para ser adulto ou "viril". Comecei a fumá-los porque sou horrorosamente tímido e porque o charro é com certeza a maior defesa dos tímidos. Primeiro, porque ocupa as mãos e simula um arzinho de à-vontade. E, segundo, porque esconde e protege ou cria a ilusão de que esconde e protege. Por detrás de um charro, o mundo parece mais seguro. Mesmo se andam por aí a garantir que não.»

  • "CANCION DEL ELEGIDO" por Silvio Rodríguez

    Siempre que se hace una historia
    se habla de un viejo, de un niño o de sí,
    pero mi historia es difícil:
    no voy a hablarles de un hombre común.
    Haré la historia de un ser de otro mundo,
    de un animal de galaxia.
    Es una historia que tiene que ver
    con el curso de la Vía Láctea,
    Es una historia enterrada
    Es sobre un ser de la nada.

    Nació de una tormenta
    en el sol de una noche,
    el penúltimo mes.
    Fue de planeta en planeta
    buscando agua potable,
    quizás buscando la vida
    o buscando la muerte
    eso nunca se sabe.

    Quizás buscando siluetas
    o algo semejante
    que fuera adorable,
    o por lo menos querible,
    besable, amable.

    El descubrió que las minas
    del rey Salomón
    se hallaban en el cielo
    y no en el África ardiente,
    como pensaba la gente.
    Pero las piedras son frías
    y le interesaban calor y alegrías
    las joyas no tenían alma,
    sólo eran espejos, colores brillantes
    y al fin bajo hacia la guerra…
    ¡perdón! quise decir a la tierra.

    Supo la historia de un golpe,
    sintió en su cabeza cristales molidos
    y comprendió que la guerra
    era la paz del futuro.
    Lo más terrible se aprende enseguida
    y lo hermoso nos cuesta la vida.
    La última vez lo vi irse
    entre humo y metralla,
    contento y desnudo,
    iba matando canallas
    con su cañón de futuro.

  • Tabaqueira por Álvaro de Campos

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam:),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Génio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordámos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco:),
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças:).
    Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos

  • Por Ernesto "che" Guevara

    “Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.”

  • "O Norte"---por Miguel Esteves Cardoso

    Vale mesmo pelo que somos e pelo que sentimos.

    "O Norte"---por Miguel Esteves Cardoso

    'Primeiro, as verdades.
    O Norte é mais Português que Portugal.
    As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
    O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
    As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
    Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.
    Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
    No Norte a comida é melhor.
    O vinho é melhor.
    O serviço é melhor.
    Os preços são mais baixos.
    Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
    Estas são as verdades do Norte de Portugal.
    Mas há uma verdade maior.
    É que só o Norte existe. O Sul não existe.
    As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,
    Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
    Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

    No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
    No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

    Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
    Não haja enganos.
    Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
    Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
    Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

    Mas o Norte é onde Portugal começa.
    Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
    Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
    Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
    Mais ou menos peninsular, ou insular.
    É esta a verdade.
    Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

    No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

    O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

    O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
    Tem esse defeito e essa verdade.

    Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

    O Norte é feminino.

    O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

    As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

    Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.

    Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.

    Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

    São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

    As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.

    Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
    Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

    Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
    Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

    O Norte é a nossa verdade.

    Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete
    a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

    Depois percebi.

    Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.

    Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua
    pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

    No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

    O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?

    Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

    O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?'

    PAZ... :)

  • LIMÃO NO COPO -Não guardem o limão depois de cortado !

    LIMÃO NO COPO -avise o maior nº de pessoas

    Venho através desta informar de um desastre ocorrido infelizmente, em

    minha família. Longe de ser uma daquelas correntes que só enchem nossa

    caixa postal, este é um aviso para que não ocorra o mesmo sofrimento com

    outras pessoas.

    Viajei com meu irmão na passagem do ano para a famosa praia de

    CAMBORIÚ-SC. No sábado fomos nos divertir em uma casa noturna

    chamada IBIZA onde havia muita gente bonita, ambiente aconchegante. Foi uma

    noite super divertida..

    No domingo de manhã meu irmão acordou com fortes dores no estômago,

    febre alta e espasmos musculares.

    De imediato levamos ao HOSPITAL SANTA INÊS em Balneário Camboriú.

    Muitos exames e 04 dias de internamento depois, de início, eu suspeitava

    que os médicos sabiam o que ele tinha, mas não queriam contar.

    Falavam que, possivelmente, fosse uma Salmonella mas eu descartei a

    possibilidade já que nossa alimentação havia sido somente em casa.

    Meu irmão infelizmente veio a falecer e, como os médicos ainda

    não haviam nos passado o diagnóstico, contactei meu advogado que entrou em

    contato com o Hospital.

    Tivemos uma reunião diretamente com o Diretor do Hospital. Para nossa

    surpresa o caso era o seguinte: as casas noturnas servem cervejas LONG NECK,

    e muitas pessoas pedem para que seja colocado uma *FATIA DE LIMÃO* para um

    'toque especial' (e porque não dizer mortal).

    Decidi fazer umas pesquisas por conta própria, já que tenho um amigo

    próximo, pesquisador da escola de biologia Universidade Federal de Santa

    Catarina. Desta forma, pude descobrir que, apesar de tudo estar sendo

    abafado pelos fabricantes de cerveja, o problema, está nos limões fatiados

    que não são utilizados prontamente, e muitas vezes eles são fatiados antes

    mesmo dos bares e restaurantes abrirem, durante a tarde.. Ácido cítrico do

    limão 'velho' em ação com os conservantes estabilizantes excessivos

    presentes na cerveja são um paraíso para micro organismos já existentes

    naturalmente nas cerveja(Sacarovictus Coccus Cevabacillus ativus) se

    tornando um veneno letal tipo draft.

    O resultado é a produção de uma toxina altamente nociva ao nosso

    organismo.. A sugestão para quem talvez não acredite nesta mensagem seria

    pedir que o garçom fatie o limão NA HORA E NA SUA FRENTE, isso minimiza e

    muito o risco de qualquer tipo de infecção...

    Peço humildemente que divulguem este e-mail, nada trará meu irmão

    novamente, mas muitas vidas poderão ser poupadas.

    Nessa até refrigerante com a famosa fatia de limão, ou a cuba libre.

    PROTEJAM-SE E PROTEJAM OUTRAS VIDAS!!!!!!!!!

    LIMÃO NO COPO - avisem os filhos, amigos, irmãos, enfim todos.

    Não guardem o limão depois de cortado, nem na geladeira adianta......

    José Raimundo Reis

    Instituto de Biologia - UNICAMP

    Departamento de Imunologia

    Tel: 3521 - 6264

  • Viver

    ” Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá há falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manha pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo…”

    Fernando Pessoa