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lecythus
masculino - 26 anos, Braga, Portugal
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Blog 9
Assim sou eu... Escrevo apenas as lágrimas que não tenho coragem de chorar...
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Insolências de mentira
A vida tem os seus percalços, os seus recalcamentos, as suas perdições…
A vida faz e desfaz como se nada fosse, como o barro que se molda com os dedos, que se forma com paixão e se deforma nas ilusões, que se visualiza no vazio do olhar de um poeta.
Os percalços, os encontrões, as quedas, tudo unido, tudo triste e que dá cabo de nós.
As paixões arrebatadoras que se transformam em amor, esse mesmo amor que é destruído num instante, os planos que nunca se concretizam e o terror de não sabermos o que irá acontecer…
De hoje em diante nada mais sei, vivo de dúvidas, de incertezas, de ilusões, de sonhos e nada mais. Vivo na dúvida da ansiedade, na incerteza do acontecimento, na ilusão do estar e no sonho do que irá ser. Vivo assombrado, irrequieto, instável, eloquente, adormecido pela facada ténue da mentira, pelo arrebatar ensurdecedor da insolência de quem esconde, de quem não diz…
Sei que amo alguém que não sei quem é, que não conheço, que me ama também, que me conhece e sabe quem sou…
É duro, doloroso, brutal, mas é assim e tenho que viver com isso, na esperança de que tudo mude, de que finalmente a venha a conhecer e a saber quem é para além da sua imagem.
Peço desculpa pelas palavras soltas e um tanto ao quanto desconexas, mas enfim, nem todos os dias o que queremos dizer soa bem… -
Erros
Nem sempre conseguimos concretizar os nossos objectivos. Confesso que o meu único objectivo era não cometer os mesmos erros do passado, esses que me assombram e me perseguem e dos quais infelizmente não me consigo livrar.
Embora saiba que os estou a cometer novamente, sei também que não consigo fazer melhor, que não consigo evita-los, pois não dependem só de mim e do meu esforço, dependem também de terceiros.
É miserável pensar assim, eu sei, muito mais miserável não conseguir fazer nada contra, mas sei que não está ao meu alcance.
O tempo não me permite fazer melhor, e mesmo que permitisse, existe sempre alguém que não permite, alguém que chega e me rouba o tempo, que o leva consigo e não me deixa progredir.
Infelizmente não consigo conciliar tudo e sei que desaponto algumas pessoas, pessoas bastante importantes, pessoas que não deveria desapontar. Fico triste por isso, mas lamento não conseguir melhor. É-me de todo impossível fazer melhor…
Peço a essas pessoas um pouco de paciência para que esta fase passe, para que consiga pelo menos alcançar as metas a que me propus, e prometo desde já que as irei compensar. Não me esqueço delas e embora as desaponte sei que brevemente, mal alcance as metas que tanto tempo me roubam, irei ter a disponibilidade para me dedicar de corpo e alma a elas, irei conseguir colmatar as falhas, irei corrigir os erros e acima de tudo irei dar-lhes alegrias pelas tristezas que hoje dou.
Obrigado a todos eles por não se afastarem de mim…
Prometo que vos irei compensar… -
Memoria
De que me lembro? Não sei!
Melhor fora que olvidassem toda a essência da memória de modo a só lembrar os bons momentos e esquecer os menos bons. Sim, porque maus não existiram.
Os bons, os menos bons, todos eles se equilibram em harmonia, nunca sinfonia que termina em primeiro andamento. O segundo está para vir…
Recordo-me da ânsia do primeiro dia, do arrepio de novidade, que logo desvaneceu. Fui recebido com calor e cheio de vontade de por lá ficar.
Agora, no fim desta primeira fase, tenho a certeza de ter feito o meu melhor, de ter estado presente quando necessário e de voltar lá para a segunda fase, que espero ser tão boa como o primeira.
Porém, na certeza fico, de ter feito boas amizades que, de certo, não serão esquecidas e permanecerão para sempre na memória. -
O Anjo do Desespero
Hoje senti a facada ténue da insignificância, e confesso que me perfurou deliciosamente, dilacerando o pouco de duvida que me restava. Senti a lamina a perfurar todo o altruísmo de que me rodeei e o orgulho escorreu como sangue, num jorro continuo e purificante.
O Anjo do Desespero visitou-me, e por momentos fez-me enxergar a realidade, mesmo que esta não seja nada mais do que uma ilusão criada por mim, e fiquei só, estupefacto por finalmente encontrar alguém que se conseguiu sobrepor a mim, que me enfrentou sem medos e que me fez sentir o sabor da derrota.
Sim, fui derrotado, mas soube-me bem, senti o lado negro de mim mesmo, e confesso que adorei.
Hoje finalmente encontrei quem me conseguiu derrotar no meu campo de batalha, usando as mesmas armas e lutando da mesma forma que eu.
Confesso que não me senti ultrajado, nem derrotado, muito menos triste ou com sede de vingança, antes pelo contrario.
Vou lembrar este dia com uma certa saudade, com vontade de o repetir e cheio de força para da próxima vencer, não por mim, mas pelo Anjo de Desespero que de certo nunca encontrou quem o vencesse como a mim me venceu… -
O sonho
Hoje sonhei… Sonhei como jamais tinha sonhado!
Faz já muito tempo que não sonhava, que a mente não deambulava por ternos pensamentos enquanto o corpo se mantinha letárgico em sono profundo.
Sonhei, e fiquei nostálgico. Saboreei-o lentamente e deleitei-me com ele, ainda o lembro, como se o tivesse vivido e estou feliz.
No entanto, sonhar deixou-me triste, sim, tristeza e felicidade são sentimentos ambíguos, eu sei, mas no entanto senti-os como nunca os sentira antes.
Senti tristeza por apenas sonhar, triste por não poder realizar, no entanto feliz por ter sonhado, pois já não me lembrava de sonhar.
Não vou contar o conteúdo do sonho, não o devo fazer, mas por momentos fui feliz, senti-me de novo preenchido.
Fui feliz, enquanto sonhava, e agora a tristeza preenche-me por sentir que jamais o sonho se tornará realidade. -
...
Como não encontrei titulo que se ajustasse, deixei mesmo por preencher. Enfim, há dias em que só apetece mesmo fugir e não mais voltar...
Embora no meu interior ela existisse, toda a razão negava a sua existência. Toda a razão dizia que ela apenas existia nos sonhos, aqueles das noites que passamos acordados, assombrados pelas razões pelas quais não lutamos.
E como a razão se sobrepõe a tudo, despedi-me dela e esqueci. Parti para outras aventuras, sem olhar para trás, e hoje lamento não ter lutado.
No meu interior ela ainda existe, embora sonhe muito menos com ela, e a razão já não mais nega a sua existência, apenas compadece com a lembrança ténue que tenho do seu rosto angelical, compadece com os traços do seu corpo de pele branca, aquele corpo que vezes demais me levou ao limite das emoções.
Dela tenho apenas a lembrança da doce voz, das conversas prolongadas sobre o futuro, dos planos que fizemos e ficaram por concretizar, dela tenho apenas a lembrança ténue de ter sido o meu único amor. -
O escudo
Relembrei os momentos mais felizes da minha curta existência e chorei. As lágrimas escorriam como rios, cujo caudal é imenso, a raiva insurgiu sobre a forma de suores frios, e a cada minuto que passava o corpo entrava em convulsões cada vez mais constantes...
Depois de toda esta explosão sentimental acalmei, a serenidade invadiu-me e a nostalgia apoderou-se de todo o sentimento de revolta, o arrependimento fugiu e a alegria voltou.
Nostálgico e inseguro acendi um cigarro e deixei que o fumo me rodeasse como um escudo, senti-me protegido de todo o mal, senti-me seguro por aquele fumo que se acumulava à minha volta, senti-me puro, inocente, e com um pouco mais de força para seguir o meu caminho, que embora mal iluminado parecia um pouco menos confuso. A custo me fui despedindo do meu outro eu, sentindo-o partir, a saudade apoderou-se e voltei a chorar...
Apaguei o cigarro e dispersei o seu fumo, por momentos senti-me inseguro, mas breve recuperei a segurança que me abandonara por momentos. Aconcheguei os cobertores e tentei adormecer... -
Apenas mais um dia...
Após receber um comentário, que em muito me agradou, ao meu ultimo texto, resolvi começar a publicar os meus textos sem medo das criticas.
Tenho a agradecer a alguém que tem escrito pequenos textos com os quais me tenho identificado e os quais tenho comentado, foi essa pessoa que me deu o empurrão que faltava para começar a escrever novamente.
Desta feita resolvi mexer nos montes de manuscritos que há muito tinha esquecido e encontrei uma peça que me deliciou, escrita há uns bons pares de anos. Vai daí, aproveitei o mote e resolvi iniciar-me na escrita de um romance.
Deixo então um pequeno trecho daquilo que pensava perdido, e que espero vir a terminar.
Insónias permanentes atormentavam a sua mente, como quem nos pica com mil agulhas, uma a uma, suavemente…
Inerente aos tormentos levantou-se, já era habito querer dormir e não puder, e dirigiu-se à janela para fumar. A noite estava estrelada, com um céu límpido, onde se podiam ver as estrelas bem ao longe, e vontade de as agarrar não lhe faltava.
Enquanto fumava pensou no tempo perdido, teria sido em vão que tinha vindo viver para Lisboa após a desintoxicação? Por quanto tempo mais iria viver em guerra consigo mesma?
Acabou de fumar e deitou-se, mal caiu na cama os pensamentos que lhe atormentavam a alma desvaneceram-se à medida que o sono lhe fechava as pálpebras lentamente e acabou por adormecer na paz do anjos…
A manhã levantou-se esbelta e quando ela acordou já os pássaros tinham parado de cantar e o sol ia bem alto, vestiu-se e enquanto se preparava para sair o telefone tocou… -
Breves utopias de temas vagos e latejantes – “O Amor”
Em breve devaneio do talento dos perdidos eis que me surge na ideia um tema que suscita burburinho e move ideologias.
O Amor no sentido lato significa: “Afeição viva por alguém ou por alguma coisa”; mas sendo lato tende para a divagação, para o alargamento, e é isso mesmo que procuro fazer, divagar acerca do “amor” tal como cada um o sente ou vive.
Não sendo pessoa de grandes paixões, ainda assim tenho a minha teoria sobre o “amor”, tenho a minha opinião tal como toda á gente e portanto vai ser isso que vou fazer; divagar, dar a minha opinião.
O Amor não passa daquela pequena espuma que nos ficou esquecida entre os dedos, a frenética melodia de uma canção ou a sombria realidade de um filme de Tarantino, a linha ténue que separa o real do belo, que separa o são do insano, que separa a loucura da sanidade e que no fim não passa da sólida linha entre o ébrio e o sóbrio.
Sendo assim um sentimento tão evidente, mas que no fundo se torna tão sombrio que nos dá medo, sua evidencia não passa despercebida e é sentida como uma qualquer outra loucura ou habituação, é um sentimento sem ambições e com muita ambiguidade, é quase como uma espécie de ódio hediondo e assustador que desperta em nós um bem estar tremendo quando correspondido e uma loucura assustadora, quase comparável á loucura sentida por um serial killer, quando desdenhado.
Não querendo contudo parecer frio na minha prosa, pois sei que o amor nada revela além da simplicidade, sei que o amor é a mais pura descrição do belo e a mais adjacente forma de realidade, porém nada simples de descrever e ainda mais complicada de explicar.
Só quem o sente ou sentiu sabe o que ele é e significa, o que ele desperta e provoca, as loucuras que dele provêm e o bem estar que nos faz sentir, ainda assim, nem mesmo esses poucos afortunados conseguem descrevê-lo em palavras.
Depois de tudo isto só me resta dizer: -“Quem nunca experimentou amar que se deixe ser amado, quem ama que desfrute desse amor e quem já amou que continue a amar, pois as coisas inexplicáveis e indefiníveis são aquelas que nos fazem ser quem somos, que nos moldam a personalidade e que nos desenvolvem o carácter, são as coisas que nos vão acompanhar ao longo de toda á vida e que no fundo nos dão a alegria e a força de viver.