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masculino - 54 anos, sociólogo, bancário, consultor de empresa, Brasil
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  • RESUMO DO LIVRO A EXTENSÃO RURAL NO BRASIL

    Fernando Antonio da Silva e Linalva Maria de Barros

    Resumo do Livro A Extensão Rural no Brasil, Um Projeto Educativo para o Capital
    Bacharelados em Ciências Sociais

    DLCH/UFRPE
    Recife/abril/2006

    Resumo do Livro A Extensão Rural no Brasil, Um Projeto Educativo para o Capital

    Fernando Antonio da Silva e Linalva Maria de Barros

    Resumo do Livro A Extensão Rural no Brasil, Um Projeto Educativo para o Capital

    Trabalho apresentado pelo aluno Fernando Antonio da Silva e aluna Linalva Maria de Barros, do curso Bacharelado em Ciências Sociais, a nível de graduação do DLCH/UFRPE, à disciplina Extensão Rural I sob a orientação do professor José Nunes.

    Recife/abril/2006
    EPÍGRAFE

    "Tais são as caricaturas da herança passada e recente da educação de colonizadores, transplantada para o país, primeiro de caravela, depois de avião”.

    (Carlos Rodrigues Brandão)

    SUMÁRIO

    1. Introdução......................................- ..................................................- ...........07
    2. Capítulo Primeiro- Das origens, dos fundamentais teóricos e da implantação da Extensão Rural na América Latina e no Brasil ou Da necessidade sentida à imposição consentida........................................- ..................................................- ........08
    3. Capítulo Segundo- A criação da Associação de Crédito e Assistência Rural de Minas Gerais – a ACAR-MG ou De Rockefeller ao caipira mineiro...........................................- ..................................................- ...........15
    4. Capítulo Terceiro- O nascimento e a estruturação da Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural- ABCAR ou Para se ter pela mesma cartilha..........................................- ...................................20
    5. Capítulo quarto- Do trabalho de todos à riqueza de alguns ou “É tempo de mudanças” na Extensão Rural do Brasil............................................- ..................................................- .............26

    1. Introdução

    O presente trabalho realizado pela Professora Maria Teresa Lousa da Fonseca nos mostra o projeto educacional extensionista, sua trajetória retratada em dois momentos, ou seja, no primeiro período compreendido de 1948 - 1968, e como segundo período estendido após 1968 até os nossos dias. Discuti e aprofunda “para que” e “para quem” serviu o projeto educacional extensionista brasileiro realizado no primeiro período. A autora trata sobre as relações sociais de produção no setor agrícola, as turbulências e alterações da extensão no prisma político do país, discutindo a problemática, perspectivas e possíveis mudanças no programa brasileiro de extensão rural.

    Idéias Principais -
    O processo extensionista vivendo e convivendo com o paradoxo entre capital versus trabalho, tendo como pano de fundo o capitalismo expropriando o saber e o trabalho de uma grande massa agrícola, para gerar domínio e lucro para uma minoria dominante e interesses estrangeiros, principalmente norte-americanos. O sistema extensionista definido com funções, perfis, ações e objetivos, buscando mudanças de conhecimento, habilidade e atitudes programadas, através do trabalho realizado junto às famílias rurais e suas lideranças.

    Palavras- chaves -
    Processo extensionista, realidade rural, produtividade, saber, interesses, exclusão e capitalismo, objetivos e lideranças.

    Resumo -
    2. Capítulo Primeiro- Das origens, dos fundamentais teóricos e da implantação da Extensão Rural na América Latina e no Brasil ou Da necessidade sentida à imposição consentida

    2.1 – As origens da prática extensionista
    A autora cita que a prática extensionista se originou nos EUA, com o período de mudança estrutural do mercantilismo para o capitalismo, ocorrendo abertamente à concorrência entre pequenos fazendeiros e grandes empresas americanas, como também, mudanças de atuação no mercado interno para mercado mundial globalizado. Tal situação gerou organização dos fazendeiros em formas associativas agrícolas, visando discussão sobre problemas conjunturais e estruturais comuns, e conhecimento de técnicas desenvolvidas em universidades e colégios. Pela evolução da atividade educativa, surgiram Conselhos de Agricultura, estações experimentais, participação de mulheres, crianças e jovens, persuadindo o Governo Federal a oficializar o Trabalho Cooperativo de Extensão Rural, tornando-se a extensão o elo entre o conhecimento desenvolvido em estações experimentais e as populações rurais.

    Este modelo americano foi denominado como “modelo clássico”, servindo de base para regiões subdesenvolvidas, tendo como características: conhecimento dos cientistas e técnicos como única fonte de conhecimento; persuasão dos agricultores para adoção de melhores práticas agrícolas visando aumento de produtividade; e utilização massiva de recursos audiovisuais com interesse capitalista dos fabricantes de tais equipamentos, entretanto os resultados foram insatisfatórios, com relação aos agricultores latino-americanos, pelo que, foram realizadas alterações e complementações, visando adequação à realidade subdesenvolvida.

    2.2 – Principais teóricos que nortearam a extensão

    A autora comenta que o grande mestre do processo de adequação do “modelo clássico” ao “mundo subdesenvolvido” foi Everett M. Rogers, gerando o modelo difusionista-inovador, definindo-o com quatro funções: conhecer, persuadir, decidir e confirmar, tendo como ponto central o processo de ensino-aprendizagem, consequentemente, a passagem de mudança do subdesenvolvimento para o desenvolvimento. O desenvolvimento econômico-social é a transição da sociedade tradicional com valores de conservadorismo, afetividade, compadrio e soluções tradicionais para os problemas comuns para uma sociedade com padrões de lucro, neutralidade afetiva, universalismo, especialização e soluções técnico-científicas para os problemas comuns.

    3. A introdução do modelo extensionista na América Latina

    A introdução de programas de extensão rural ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, inicialmente no “modelo clássico” e depois no “modelo de adoção-difusionista”, baseados em experiências americanas, perseguindo as metas de melhores índices de produtividade com racionalização de produção agrícola e melhores condições de vida no campo, visando o desenvolvimento econômico-social. Segundo a autora, no processo de adaptação ao contexto latino-americana, a extensão executada apresentou as definições de introdução de técnicas adequadas, proporcionando informações e práticas úteis, visando obter mudanças de atitudes e aperfeiçoamento de aptidões. Tais conceitos explicitam o caráter político da extensão como instrumento para o alcance de objetivos sócio-econômicos, como a ampliação da produtividade da área agrícola e do trabalho agrícola e, consequentemente, melhoria de vida. Esses aspectos conduziram o extensionismo latino-americano a um objetivo básico, que, definido pela autora, explicita:”o alcance de uma maior produtividade agrícola para a conquista de melhores condições de vida no campo através da família rural”.
    A práxis da extensão latino-americana, traspassada pela ideologia liberal, buscava mudanças nas sociedades rurais através de interferências técnicas, desprezando alterações estruturais nos aspectos sociopolíticos e econômicos, alienando os agentes envolvidos aos conflitos existentes. Os programas extensionistas, concentrados em teorias e mecanismos educacionais, desviavam-se das desigualdades sociais e permeando que tais desigualdades deveriam ser socializadas por todos, prorrogando a colisão entre a classe dominante reinante no campo jurídico, político e financeiro e a classe rural explorada por essa dominação.

    4. A implantação da Extensão Rural no Brasil

    A autora cita dois aspectos que influenciaram a implantação da Extensão Rural, ou seja, “a preocupação das elites para com a educação rural; o desempenho econômico exigido ao setor agrícola no contexto das relações políticas após o movimento de 1930, na sua relação com a conjuntura internacional do pós-guerra”.

    4.1- A Extensão Rural no contexto das preocupações com a educação rural

    Segundo a autora, as elites brasileiras agrárias e industriais focaram no mecanismo da educação rural, face à migração rural para os centros urbanos e, consequentemente, impossibilidade de empregos urbanos para a maioria e a uma possível queda da oferta de alimentos e produtividade do campo. A educação rural tinha como objetivos: um melhor treinamento dos trabalhadores rurais; a permanência de oferta de trabalhadores no campo com mais produtividade; e a manutenção da estrutura agrária imposta pelas elites. Na década de 40, o Governo Federal começa a receber ajuda do Governo Americano e da ONU e em 1945, criou-se a Comissão Brasileiro-americana de Educação das Populações Rurais (CBAR), com apoio da UNESCO, iniciando-se a Campanha Nacional de Educação Rural, tomando como base que o atraso das zonas rurais era conseqüência da escassez de métodos e técnicas, o que seria corrigido com a educação comunitária a ser implantada com o modelo americano de Extensão Rural.

    4.2- A proposta extensionista no contexto da história política brasileira

    Em 1948, dar-se início aos serviços de extensão rural, resultado de convênios realizados entre o Brasil e Estados Unidos, ocorrendo o Programa Piloto de Santa Rita do Passa Quatro- SP, fundação da ACAR- Minas Gerais e intensificada as visitas do Sr. Nelson Rockefeller- mensageiro especial da missão americana no Brasil. A autora nos contextualiza sobre a crise cafeeira de 1929, o movimento político de 1930, o capital industrial como eixo central da nova economia, e o setor agrícola continuaria fornecendo alimentos para exportação, e produtos baratos como matéria-prima para a indústria e alimentação da população. As elites continuaram mantendo o controle sobre as decisões sociais e políticas e o isolamento da classe trabalhadora através de autoritarismo que durou de 1937 a 1945. Entretanto, com a vitória dos aliados e, no Brasil, a política de Vargas para fortalecer a emancipação nacional, desagradava os interesses estrangeiros, principalmente os norte-americanos, e as elites contrárias à participação das massas no processo político, culminaram com o golpe de 29 de outubro de 1945, criando condições favoráveis ao fluxo de capital estrangeiro no Brasil. No cenário internacional, o planeta estava dividido entre URSS e EUA, cada um buscando o controle ideológico e comercial dos países subdesenvolvidos. Na América Latina, intensificava-se campanha anticomunista e as relações econômicas e políticas, promovidas pelos EUA junto às elites dominantes, oferecendo capital e tecnologia como a melhor solução para os problemas existentes. Em 1947, no Governo Dutra intensificou-se essas relações, ocorrendo à criação da Comissão Mista Brasileiro-Americana e financiamento de obras pelo Plano Salte nos setores de saúde, alimentação, transporte e energia com recursos internos do orçamento federal e empréstimos internos e externos. Ressalta a autora, que a missão Rockefeller representa o expansionismo americano no Brasil, como também, as elites brasileiras buscando a manutenção do domínio, da acumulação de riquezas e dos lucros. Conclui que a experiência extensionista brasileira foi um modelo consentido pelas elites na manutenção dos seus interesses e desvinculado da necessidade das populações rurais.

    3. Capítulo Segundo- A criação da Associação de Crédito e Assistência Rural de Minas Gerais – a ACAR-MG ou De Rockefeller ao caipira mineiro

    1- Por que Minas Gerais?

    Em 1946, Minas Gerais continuava com a economia crítica, marcada pela indefinição de recursos e emigração rural para o centro industrial de São Paulo. Iniciou-se o governo de Milton Campos, elaborando o Plano de Recuperação Econômica e Fomento da Produção, com intenções liberal-democrática, com diversas medidas econômicas e assistenciais, e, principalmente, com o intuito de diminuir o êxodo rural através de política social. Como Minas Gerais apresentava dificuldades de aportar recursos na implementação do citado plano, havia forte disposição em aceitar cooperação técnica e financeira, assim em 06 de dezembro de 1948, foi assinado convênio entre o Governo de Minas Gerais e a AIA- American International Association, criando a ANCAR- Associação de Crédito e Assistência Rural, visando instituir sistema de crédito para aumento de produção agropecuária e outros benefícios sociais. Minas Gerais possuía abundância em recursos naturais, burguesia atuante e governo determinado em resolver problemas estruturais e interesse em se engajar ao capitalismo brasileiro.

    2- Um agrônomo, uma professora e um jipe

    Segundo a autora, os primeiros relatórios dos trabalhos de extensão se concentrou na ideologia americana do pós-guerra e como a experiência era importante como modelo para outros organismos nacionais e internacionais, carecendo de informações acerca da prática extensionista. Em 1952, técnicos americanos realizaram a primeira avaliação da ACAR-MG, concluindo pela necessidade de novo planejamento, retomando a educação como instrumento central e o crédito como ferramenta para implementação das técnicas recomendadas, ocorrendo nesse mesmo ano à extensão como instrumento de educação. Em 1953, foi criado o Escritório Técnico de Agricultura- ETA, tendo como objetivos: facilitar o desenvolvimento da agricultura através da cooperação entre os governos americanos e brasileiros; estimular e aumentar intercâmbio entre os países, acerca de conhecimentos, habilidades e técnicas em agricultura e recursos naturais; e, promover e fortalecer entendimento entre os povos desses países na busca do crescimento de um meio democrático de vida. O ETA apresentava sua política de atuação baseada em: prioridade aos treinamentos de pessoal e trabalhos para o aumento de produção, beneficiando diretamente o fazendeiro e sua família; estimulação de cooperação entre as agências de atividades semelhantes, no âmbito federal, estadual, municipal e privadas e cooperação entre técnicos e fazendeiros e suas associações; e, compartilhamento no trabalho entre técnicos brasileiros e americanos, visando melhores resultados e melhorias na capacitação dos profissionais brasileiros e maiores responsabilidades e direção do trabalho no futuro. Com relação a esse conteúdo dito pelos americanos, comenta a autora, que tal discurso explicita “a incompetência dos técnicos brasileiros na solução de seus problemas e na necessidade de interferências externas com a assimilação do modelo difusionista-inovador”. O processo extensionista começa a ser desenhado sobre a influência do ETA, cuja ação considerava quatro pontos: a experimentação empírica; a valorização do tipo de trabalho exercido pelo técnico extensionista; o caráter educativo do trabalho; e, a crença em alternativas comunitárias de auto-ajuda. A ACAR era constituída de uma equipe formada por um supervisor (engenheiro agrônomo), uma supervisora doméstica (especializada em economia doméstica), uma auxiliar (serviços de escritório) e a logística de um jipe, percorrendo sua área de trabalho de até dois municípios, visitando comunidades e famílias rurais, organizando demonstrações, reuniões e palestras, buscando através do conhecimento, mudanças nas atitudes e habilitações para atingir o desenvolvimento individual e social. O trabalho era realizado envolvendo o agricultor, sua esposa e filhos, persuadindo através de campanhas comunitárias, o uso de recursos técnicos para maior produtividade e o bem estar social. O diagnóstico traçado apresentava a família rural com carência de alimentos, de informações, de saúde, de contatos e laços sociais, tendo como causa o baixo nível econômico e nível social inferior, apresentando como solução aplicação de métodos modernos e práticos, negando seus conhecimentos técnicos tradicionais. O modelo descartava, teoricamente, que o mecanismo das estruturas produtivas, e o processo de exploração das elites dominantes, eram as causas da pobreza estrutural, mas sim a ignorância técnico-científica e o atraso cultural. O extensionismo mostrava que essas práticas modernas de agricultura e de economia doméstica, era o portal para as famílias se integrarem ao sistema social de consumo e mercado, passando a produzir mais e em menor tempo, obtendo mais rendimentos para poder consumir equipamentos e insumos e bens urbanos de consumo. Complementarmente a ACAR utilizava o “crédito supervisionado” como instrumento para incrementar a produção com introdução das técnicas e produtos (adubos químicos, sementes, vacinas, fertilizantes, entre outros) repassadas no segmento educação, donde concluímos que os objetivos finais eram econômicos. A soma da educação e crédito supervisionado contribuíram para: redefinição da pequena propriedade como fornecedora de produtos agrícolas baratos para o mercado interno, visando conter pressão por aumentos salariais das classes urbanas; subordinação do trabalho familiar ao capital, tornando o trabalhador rural como “exército industrial de reserva” para a indústria ou “bóia-fria” para a grande empresa rural; e, a família rural como consumidora de créditos e produtos industrializados. Resumidamente, para a família rural era renegado seu conhecimento acumulado, sofria exploração por parte do agente de capital, do proprietário da terra, do comerciante de produtos agrícolas, da multinacional que fabricava máquinas, fertilizantes, outros, além da exploração da empresa industrial que consumia seus produtos agrícolas e o governo que cobrava impostos e controlava os preços dos produtos. Em 1956, a ANCAR mineira estava consolidada e no período de 1948 a 1967 tinha sido implantada a ANCAR em 19 estados brasileiros, surgindo à necessidade da criação de um órgão coordenador a nível nacional.

    4. Capítulo Terceiro- O nascimento e a estruturação da Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural- ABCAR ou Para se ter pela mesma cartilha

    A introdução da rede ANCAR, para os historiadores da Extensão, gerou a necessidade de implantar um órgão central para ordenar o trabalho extensionista.

    1- A criação da Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (ABCAR) e a conjuntura política

    Na visão dos funcionários e técnicos americanos da AIA e da rede ACAR a criação da ACAR federal, naquele momento não seria tranqüila, mediante a conjuntura política vivida pelo suicídio de Vargas, manifestações populares, greves, eleições e posse de Juscelino Kubitschek. As negociações foram iniciadas após a posse de Juscelino. A autora comenta o pensamento de Octávio Ianni, o qual cita a importância do Programa de Metas de Juscelino para o capitalismo brasileiro, principalmente pelo plano de industrialização, o qual não recebeu apoio dos americanos, tendo Juscelino buscado apoio dos capitalistas europeus, essencialmente alemães, que buscavam ampliação no mercado latino em competição com os americanos. Foi criada a ABCAR em junho de 1956, como entidade privada sem fins lucrativos, exigência da AIA, que também fazia parte como membro fundador, juntamente com a ETA, Banco do Brasil, Confederação Rural Brasileira e as filiadas da rede ANCAR, ocorrendo posteriormente o ingresso do Ministério da Agricultura, o MEC, o SSR, o IBC e o BNCC. As intenções dos americanos era de que a ABCAR perseguiria, também, a eliminação da pobreza rural e o aumento da produtividade agropecuária, como também, sabiam que, mediante o governo populista, esse programa assistencial teria a participação direta desse governo. Com a ABCAR iniciou-se uma ação planejada em critérios racionais e neutros com caráter controlador, apresentando as funções: orientar a implantação e cooperação no desenvolvimento das entidades; promover um bom entrosamento entre as filiadas, visando diretrizes uniformes, sem prejuízo as necessidades e condições locais; obter recursos financeiros, materiais e técnicos internacionais, nacionais, inter-regionais, intergovernamentais, oficiais e privados; cooperar na formação de treinamento do pessoal técnico e administrativo das filiadas; estabelecer e manter o intercâmbio de pessoas, idéias e experiências entre as filiadas; divulgar os resultados dos trabalhos; cooperar com as filiadas no recrutamento de pessoal; cooperar com as filiadas no trato dos interesses destas na Capital Federal; promover ampla divulgação do Programa; cooperar para o aumento da eficiência dos setores de divulgação das filiadas. Tais funções buscavam padronizar as filiadas existentes e as futuras filiadas, como também, centralizava a busca de recursos financeiros. Em seguida a ABCAR definia o perfil das filiadas, contendo: ter âmbito estadual, ser administrativamente autônomas e subordinar-se aos princípios gerais adotados pela ABCAR; ter uma sigla de identidade identificando o Estado da federação; estrutura técnico-administrativa com escritórios locais, regionais e especialistas; devem contar com o apoio do povo e autoridades e com suporte financeiro governamental nas esferas federal, estadual e municipal, podendo aceitar, como contribuintes e colaboradores, outras entidades, de natureza pública ou privada, nacionais ou internacionais; e objetivo central a elevação do nível de vida das populações. A ABCAR definia também o perfil dos agentes das filiadas, demonstrando a forma monocrática, com forte ideologia de pensamento e ações, como também, sua estrutura hierárquica apresentava duas categorias (chefes e subordinados) com quatro níveis: dos órgãos de decisões centrais- nacionais e estrangeiros; decisão estadual- filiadas; escritórios regionais e escritórios locais. Cita a autora o pensamento de Águeda Bernadete Uhle em sua Dissertação de mestrado intitulado O Exercício da docilidade: estudo da formação profissional no SENAC, concluindo que o objetivo maior desse organograma era o cumprimento de ordens e não a tomada de decisão ou apresentação de soluções, além de entidades estrangeiras em posição superior de tomada de decisão no mesmo patamar de autoridades brasileiras e as famílias e suas lideranças sem participação ativa no planejamento, definição de metas e política de ação a serem executadas.

    2- As propostas de ação da ABCAR

    A ABCAR apresentava as seguintes características: atua junto ao povo rural, onde ele vive e trabalha; mantém contato direto e permanente com as Comunidades Rurais beneficiadas; ensina a família rural a resolver seus problemas; atua junto a todos os membros da família; é um trabalho social e de educação informal; exerce tarefa educacional nos níveis- individual (família), grupal (comunidade) e massa (município- estado); possui pessoal habilitado; tem programas e objetivos definidos; coopera com outras entidades; atinge diretamente a todas as áreas de sua jurisdição. Além disso, apresentava os princípios básicos: as filiadas devem ter um programa e um plano de trabalho organizado; as filiadas devem ser um Serviço de Extensão Rural e não apenas manter atividades extensionistas; o trabalho educativo deve ser executado através do uso sistemático e generalizado de todos os métodos de Extensão Rural; a aplicação do Crédito Rural Supervisionado deve basear-se nos princípios que informam esta modalidade de crédito educativo, fundamentado nos ensinamentos da Administração Rural; e é recomendável iniciar as atividades de Crédito Supervisionado depois de algum tempo de trabalho em Extensão Rural e logo que possível. A autora cita José Paulo Ribeiro com o Programa de extensão, explicitando que a intenção do trabalho extensionista era provocar mudanças: 1) mudanças em conhecimento, ou coisas conhecidas; 2) mudanças em habilidades, ou coisas feitas; e mudanças em atitudes, ou coisas sentidas. Portanto, o trabalho educativo buscava a mudança de comportamento mediante seus problemas de ausência de planejamento e uso inadequado de práticas agrícolas. A autora conclui que, mediante o modelo apresentado, o êxito da capacitação e melhoria de vida seriam alcançados com planejamento integral, administração e supervisão racional da empresa agrícola. Comenta, também, que novos fatos surgiam, como a indefinição da classificação de “pequenos e médios produtores”, e o crédito como solucionador dos problemas estruturais de comportamentos, ausência de planejamento, baixa produtividade da terra e uso inadequado de práticas agrícolas. Buscava-se, conforme o contido no trabalho Deberes y Cualidades de los Trabahadores in: Trabajo de extensión, citado pela autora, que o extensionista apresentasse as qualidades: ampla experiência na área de trabalho; ser dirigente e construir confiança junto às famílias rurais; ter experiência no meio agrícola; ter educação profissional; e apresentar qualidades pessoais- integridade, imparcialidade e bom juízo, saúde, sentido de direção, capacidade técnica, determinação, fé, valor cívico, iniciativa, perseverança, versatilidade, facilidade de expressão (oral e escrita), sentido de humor, sentido de organização. A autora cita como estava planejado a realização das ações e o alcance dos objetivos, contido no Sumário da II reunião de técnicos da ABCAR: “Os métodos de trabalho são os próprios de um sistema educacional permanente e dinâmico, extra-escolar, não obrigatórios, democrático, informal, orientado em função da situação do meio, com a participação direta, voluntária e consciente do povo rural, mobilizador da capacidade potencial de lideranças e de associativismo e adequado a levar aos habitantes do meio rural os conhecimentos e informações necessárias à melhoria do seu nível de vida, no tríplice aspecto técnico, econômico e social”.
    Foi ressaltado, também, a importância da seleção e treinamento de líderes formais e informais realizados pela equipe da ANCAR, os quais eram multiplicadores dos ensinamentos para as famílias, grupos e clubes. Esses líderes deveriam ser democráticos e com adaptabilidade para os ensinamentos e trabalhos da ACAR, funcionando como elos entre ACAR e o meio rural. A partir da ABCAR continuaria sendo trabalhado o modelo difusionista-inovador, entretanto com elementos teóricos de racionalidade, planejamento e moderna administração, repassados por técnicos e líderes, buscando solução técnicas para problemas históricos e estruturais do meio rural, e focando a família rural como na nova condição de produtora e consumidora no mercado global.

    5. Capítulo quarto- Do trabalho de todos à riqueza de alguns ou “É tempo de mudanças” na Extensão Rural do Brasil

    O país vivia turbulências políticas no final dos anos 50 e 60, e a extensão rural no Brasil sofria influência das agitações, pelo que, a ABCAR passava por auto-avaliação, planejamento e mudanças estruturais, ocorrendo permutação da ABCAR pela EMBRATER- Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural.

    1- Auto-avaliação da ABCAR e planejamento de suas futuras atividades

    Ocorreu processo de avaliação por especialistas norte-americanos e técnicos brasileiros, visando identificar os principais problemas, apresentação de sugestões e recomendações, destacando a autora as recomendações: maior comprometimento governamental com recursos financeiros e amparo legal; fortalecimento, controle e distribuição de recursos financeiros federais; e elaboração de plano nacional com elementos necessários para uma política nacional de extensão rural. Destaca-se, nesse momento, a implantação do regime socialista em Cuba com a vitória de Fidel Castro, gerando influência em toda a América Latina e sérias preocupações para as elites norte-americanas e latino-americanas. Em setembro de 1960 ocorria em Bogotá conferência focando os problemas agrários de toda a América Latina, concebendo a “Aliança para o Progresso”, ‘demonstrando o enfraquecimento do domínio americano na América Latina. No governo popular de Goulart, no foco da política interna brasileira, ocorriam greves, exigências por reformas de estrutura, principalmente pela reforma agrária, e mobilização dos camponeses para solidificar o movimento sindical e ligas camponesas de Francisco Julião, cujos fatos provocaram a AIA se retirar da ABCAR. Em 1960 técnicos brasileiros da ABCAR elaboram o Plano Diretor Qüinqüenal (1961-1965) com objetivos, diretrizes, metas, previsão de recursos para a ação de assistência ao meio rural, tomando por base a experiência acumulada, flexibilidade para ajustamentos e que serviria de base para o trabalho realizado em todos os níveis (federal, estadual, municipal), além do Congresso Nacional, Assembléias Legislativas, classes e lideranças de produtores, enfim todos os envolvidos com a questão rural no Brasil. Apresentou-se nesse plano a desvinculação do crédito rural supervisionado da extensão rural, ocupando o crédito o papel de “meio operacional” da extensão. Em 1961 a rede ABCAR foi considerada pelo Governo Federal como utilidade pública, colaboradora no desenvolvimento rural, instrumento da política agropecuária, e recursos estáveis nas esferas federal e estadual.

    2- Do compromisso político às mudanças institucionais

    A ABCAR assumia o compromisso junto ao Governo Federal para que a agricultura ostentasse papel de subordinação ao crescimento industrial, como fornecedora de mão-de-obra, matéria-prima e alimentos e consumidora de produtos industrializados, portanto permanecia o prisma do desenvolvimento focado, nesse momento, no desenvolvimento industrial, prorrogando a discussão dos reais problemas da agricultura, ou seja, estrutura fundiária, condições de trabalho e sistema de comercialização. A ABCAR apresentou as medidas priorizadas: promover impacto econômico para o aumento da renda das famílias rurais; incrementar a produção de gêneros alimentícios; contribuir para o aumento de produtividade, priorizando produtos de exportação para melhorias na política de comércio exterior do País; e orientar as famílias rurais no aproveitamento das rendas e conhecimento para melhorias das suas condições sociais. Com relação à reforma agrária, a ABCAR se posicionou para: contribuir com subsídios para estudos da estrutura agrária e para elaboração de planos e reforma agrária; colaborar na seleção de famílias e orientação técnica nos programas de colonização, crédito fundiário, outros, em parceria com os órgãos governamentais responsáveis pela reforma agrária. No campo político o país sofria turbulências internas (movimentos das massas urbanas e rurais contra o processo econômico, e que o desenvolvimento brasileiro não precisava ser necessariamente capitalista), e externas (saída de capitais nacionais e desestímulo a entrada de capital estrangeiro), tendo como conseqüência a desaceleração do crescimento econômico.
    A crise foi contida com repressão aos grupos contestatórios e mudança do processo político com o sistema de poder implantado pelos militares e tecnocratas. Em novembro de 1964, foram lançadas reformas no segmento agrícola: Lei do Estatuto da Terra, criação do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária- IBRA, do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário- INDA, do Fundo Geral para a Agricultura e Indústria- FUNAGRI, instituição e regulamentação do Crédito Rural junto ao Banco Central, visando controlar os movimentos rurais organizados e atender os anseios da elite dominante que apoiou a “revolução”. Em maio de 1966, a ABCAR passou a ser coordenada pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário. Em 1968, ocorreram mudanças substanciais no foco da extensão rural: novo conceito de educação e redefinição da clientela da ABCAR, tendo como conseqüência: ampliação da clientela da extensão com a inclusão dos grandes produtores, visando melhores resultados no crescimento da produção e produtividade; orientação preferencial aos proprietários rurais; assistência ao agricultor empresarial em vez dos pequenos e médios produtores; priorização aos planos regionais com visão macro em vez dos planejamentos locais; coordenação e integração dos vários órgãos com atuação dissipada no meio rural; os pequenos e médios produtores deveriam se organizar em cooperativas, visando facilitar o acesso ao crédito e comercialização; os meeiros e assalariados seriam conduzidos à sindicalização rural; e o sindicato assume papel assistencialista, como propagador de benefícios, a exemplo do FUNRURAL, desviando-se dos movimentos de organização (Ligas Camponesas e Sindicatos Livres). Com todas estas alterações a ABCAR estava ameaçada de extinção, e o Estado centralizador assumiu o projeto extensionista criando em 1974 a EMBRATER- Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, com objetivos básicos de melhoria das condições de vida das populações rurais e aumento substancial da produção de alimentos e matérias-primas para o mercado interno e externo, classificando os produtores em: alta renda dos quais se espera produção de larga escala para equilíbrio da balança comercial; média renda dos quais se espera oferta global interna de alimentos e matérias-primas e demandas de produtos do setor industrial; e baixa renda dos quais se espera, de forma coletiva, oferta global interna de alimentos e matérias-primas e demandas para o setor industrial.

  • PROJETO DE EXTENSÃO RURAL SOBRE MELHORIAS NA COMERCIALIZAÇ

    Fernando Antonio da Silva e Linalva Maria de Barros

    Projeto de Extensão Rural sobre Melhorias na Comercialização de Produtos Orgânicos

    Bacharelandos em Ciências Sociais

    Recife – PE

    junho/2006

    Projeto de Extensão Rural sobre Melhorias na Comercialização de Produtos Orgânicos

    DLCH/UFRPE

    Fernando Antonio da Silva e Linalva Maria de Barros

    Projeto de Extensão Rural sobre Melhorias na Comercialização de Produtos Orgânicos

    Trabalho referente à disciplina Extensão Rural, do 6º. Período do Curso Bacharelado em Ciências Sociais, a nível de graduação do DLCH/ UFRPE, orientado pelo professor José Nunes e realizado pelo aluno Fernando Antonio da Silva e aluna Linalva Maria de Barros.

    Recife – PE

    junho/2006

    EPÍGRAFE

    "A Agricultura orgânica é um sistema de gerenciamento total da produção agrícola com vistas a promover e realçar a saúde do meio ambiente, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. Nesse sentido, a agricultura orgânica enfatiza o uso de práticas de manejo em oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange, sempre que possível, a administração de conhecimentos agronômicos, biológicos e até mesmo mecânicos. Mas exclui a adoção de substâncias químicas ou outros materiais sintéticos que desempenhem no solo funções estranhas às desempenhadas pelo ecossistema".

    (Esta definição de agricultura orgânica foi formulada em julho de 1999, pelo Codex Alimentarius, filiado à Food and Agriculture Organization - FAO)

    SUMÁRIO

    1. Introdução......................................- ..................................................- ...........07

    2. Delimitação do Tema..............................................- ...................................08

    3. Justificativa/Problematização...................- ................................................09-

    4. Objetivos.........................................- ..................................................- ..........22

    5. Metodologia.......................................- ..................................................- .......23

    6. Metas.............................................- ..................................................- ............25

    7. Medidas de Implementação...................................- ...................................34

    8. Referências Bibliográficas...................................- .....................................36

    9. Anexos ..................................................- ..................................................- ...37

    1.Introdução

    O presente trabalho apresenta como objetivo repassar o contexto histórico da Agricultura Orgânica, vantagens e desvantagens na comercialização de produtos orgânicos, como também, as demandas e expectativas dos consumidores e consumidoras com relação aos produtos orgânicos que são ofertados em supermercados e o planejamento de ações visando melhorias na comercialização realizada pela Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos da Comunidade Amigos da Natureza.

    Idéias Principais

    A Agricultura Orgânica é uma exploração no segmento rural que busca o desenvolvimento sustentável, preservação ambiental e melhor qualidade de vida para o público consumidor desses produtos. A pesquisa junto ao consumidor e consumidora acerca de melhorias na apresentação, auxilia no processo de comercialização e agregação de valor no segmento agricultura familiar.

    Palavras- chaves
    Agricultura Orgânica, racionalidade, plano de metas e ações, e pesquisa.

    2. Delimitação do Tema

    O tema refere-se às dificuldades na comercialização de produtos orgânicos junto à rede de supermercados localizados em Recife, Estado de Pernambuco. Dentre todos os obstáculos e complexidades enfrentados, iremos pesquisar as razões do consumo dos produtos orgânicos, as características desses produtos observadas e as demandas por melhorias desses consumidores e consumidoras de produtos orgânicos. A população que será pesquisada consome produtos orgânicos em supermercado localizado no bairro de Boa Viagem, cidade do Recife, Estado de Pernambuco.

    3. Justificativa/ Problematização

    A origem da agricultura orgânica
    O conceito de agricultura orgânica surge com o inglês Sir Albert Howard(1), entre os anos de 1925 e 1930, que trabalhou e pesquisou durante muitos anos na Índia. Howard ressaltava a importância da utilização da matéria orgânica e da manutenção da vida biológica do solo.
    Resumidamente, agricultura orgânica é o sistema de produção que exclui o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal, compostos sinteticamente. Sempre que possível baseia-se no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Busca manter a estrutura e produtividade do solo, trabalhando em harmonia com a natureza.

    ___________________________
    (1) pesquisador inglês Sir. Albert Howard foi o principal ponto de partida para uma das mais difundidas vertentes alternativas, a agricultura orgânica. Entre os anos de 1925 e 1930, Horward dirigiu, em Indore, Índia, um instituto de pesquisas de plantas, onde realizou vários estudos sobre compostagem e adubação orgânica. Mais tarde, publicou obras relevantes como Manufacture of húmus by Indore process (Manufatura do húmus pelo processo Indore), em 1935, e em 1940, An agriculture testament (Um testamento agrícola).

    No início dos anos 30 alguns cientistas alertaram sobre os equívocos do modelo convencional de produção agrícola (uso de insumos químicos, alta mecanização das lavouras, entre outras práticas) não seria este o modelo que garantiria o futuro das terras férteis.
    Após a 2ª Guerra Mundial, os produtos químicos tornaram-se mais conhecidos, conseqüentemente os agrotóxicos começaram a ser utilizados na agricultura convencional. No entanto, até os anos 70, os defensores da agricultura sustentável eram ridicularizados.
    A partir dos anos 60, começam a surgir indícios de que a agricultura convencional apresenta sérios problemas energéticos e econômicos e causa um crescente dano ambiental. Neste período várias publicações e manifestações despertaram o interesse da opinião pública. Na década de 80 o movimento cresce, e na de 90 explode. Cada vez mais surgem produtores orgânicos até chegarmos ao quadro atual, no qual os orgânicos estão presentes nas gôndolas das grandes redes de supermercados.

    História e cronologia
    o Os primeiros teóricos da produção de alimentos naturais surgem na Inglaterra e na Alemanha, nos anos 20 e 30, quando os danos ao solo causados pela intensificação dos processos de cultivo -- para minimizar a fome no continente na Primeira Guerra (1914-1918) e na Segunda (1939-1945) -- começam a aparecer. 1924 - Surge na Alemanha o conceito da agricultura biodinâmica, criado pelo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Num curso com oito palestras, ele defende que a terra é organismo vivo e seu cultivo sujeito a "forças dinâmicas", não-materiais, que podem ser incrementadas por meio de preparados biodinâmicos
    o O pensador e filósofo japonês Mokiti Okada (1882-1955) desenvolve ao longo da década os conceitos e princípios da Agricultura Natural, que propõe restaurar os mecanismos da natureza, revitalizar os solos por meio de adubos naturais, sem estercos, e garantir a pureza das águas.
    o Nos anos 40 nasce o conceito de agricultura orgânica na Inglaterra, formulado por sir Albert Howard. Nesta década ainda é fundada a The Soil Association, que aprofundaria as pesquisas de materiais e métodos orgânicos pelos 30 anos seguintes.
    1940 - Nasce na Grã-Bretanha o conceito de agricultura orgânica, formulado por sir Albert Howard no livro An Agricultural Testament (Um Testamento Agrícola). Ele conclama os ingleses a criar uma agricultura sustentável fertilizando o solo com restos de comida e esgoto urbano.
    1942 - O empreendedor e editor americano J.I. Rodale (1898-1971) inicia a publicação da revista Organic Gardening and Farming (Jardinagem e Cultivo Orgânicos - tradução livre), consolidando o termo orgânico. Rodale iniciara anos antes uma fazenda experimental nos Estados Unidos, inspirado nos postulados de Albert Howard. Sua revista é publicada até hoje.
    1943 - Inspirada por J.I. Rodale, lady Eve Balfour publica na Inglaterra The Living Soil (O Solo Vivo), defendendo uma agricultura sustentável com métodos orgânicos. A obra torna-se um ponto de aglutinação de idéias e debates que dará origem à The Soil Association (Associação do Solo), principal entidade orgânica do Reino Unido.
    1946 - Um grupo de fazendeiros, cientistas e nutricionistas britânicos funda a The Soil Association, que nos trinta anos seguintes aprofunda pesquisas de materiais e métodos orgânicos. Na mesma década, o cultivo de orgânicos começa a ser adotado também por agricultores americanos.
    o Nesta década o movimento orgânico ganha força em países como Suíça e Alemanha. São fundadas entidades como a BioSuisse (Suíça), Bioland Associação Demeter (Alemanha)
    o 1952 - Na Suíça, Hans Müller e a mulher, Maria Müller, criam o conceito de Agricultura Bio-orgânica. Os Müller receberam inicialmente influência da filosofia de Rudolf Steiner e, depois, do médico e microbiologista alemão Hans-Peter Rusch, estudioso dos ciclos biológicos do solo. Seus seguidores darão origem às associações BioSuisse, em seu país, e Bioland, na Alemanha.
    o 1954 - Fundada na Alemanha a Associação Demeter (Demeter-Bund), reunindo produtores de alimentos biodinâmicos. A Demeter define mundialmente os critérios para certificação de biodinâmicos. No Brasil, o selo é concedido pelo Instituto Biodinâmico (IBD).
    o 1958 - Hans-Peter Rusch publica na Alemanha o livro Bodenfruchtbarkeit (Fertilidade do Solo).
    o Em 1960 a The Soil Association abre sua primeira loja de produtos orgânicos no Reino Unido. Na mesma década, o movimento orgânico cresce na Europa e nos Estados Unidos, impulsionado pela contracultura.
    o 1961 - Fundada na Alemanha a Fundação Ecologia & Agricultura (SOEL - Stiftung Oekologie & Landbau), principal instituição de pesquisa do país, e a ANOG - Associação para o Cultivo de Frutas, Vegetais e Colheitas Orgânicas (Arbeitsgemeinschaft für naturnahen Obst-, Gemüse- und Feldfruchtanbau), principal do país.
    o 1962 - A bióloga americana Rachel Carson publica Silent Spring (Primavera Silenciosa), estudo com bases científicas e de abrangência mundial. Ela criticava o excessivo consumo de petróleo pela indústria de insumos e alertava para a destruição no meio ambiente provocada por pesticidas, em especial o DDT, levando o Congresso dos Estados Unidos a rever o uso do produto.
    o No início da década de 70, é fundada a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), principal instituição mundial na área. Até março de 2002, ela congregava 750 organizações-membros de uma centena de países. Sua acreditação (reconhecimento fiscalizado) torna-se fundamental para exportações.
    o 1971 - O Congresso americano proíbe o uso de DDT nos Estados Unidos.
    o 1972 - É fundada em Versailles, França, a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), principal instituição mundial na área. Sediada na Alemanha desde 1987, a IFOAM congregava, até março de 2002, 750 organizações-membros de uma centena de países. Sua acreditação (reconhecimento fiscalizado) torna-se fundamental para exportações.
    o 1974 - A The Soil Association define padrões para a produção dos alimentos orgânicos, o que dá origem à certificação dos produtos para os consumidores ingleses. A padronização gera aumento de consumo.
    o 1978 - Na Austrália, o biólogo e naturalista Bill Mollison publica o livro Permaculture One (Permacultura Um), lançando as bases de sua proposta: criar sistemas integrados e autosustentáveis, aliando conhecimentos que vão da agricultura e ecologia à arquitetura e gerenciamento de empresas.
    o Nos anos 80, devido a escândalos por contaminação de alimentos, como o mal da vaca louca, epidemia que surge na Grã-Bretanha entre os anos de 1985 e 1986 e que, dez anos mais tarde, resulta no aparecimento de casos de mal de Creutzfeldt-Jakob – a versão humana da doença da vaca louca -, os alimentos orgânicos começam a aparecer nas grandes redes de supermercados da Europa. No final da década, é fundada na Alemanha a Federação para o Cultivo Orgânico, AGÖL, que congrega nove organizações.
    o 1985 - Surgem na Europa redes de supermercados interessadas em vender orgânicos e fazendeiros interessados em converter fazendas convencionais em orgânicas.
    o 1988 - Fundada na Alemanha a Federação para o Cultivo Orgânico, AGÖL (ArbeitsGemeinschaft Ökologischer Landbau). A AGÖL representa 80% dos produtores orgânicos e congrega nove organizações: Demeter, Bioland, Biopark, ANOG, Biokreis, Naturland, Ecovin, Gäa e Ökosiegel.
    o Na década de 90, a produção e o consumo de orgânicos são regulamentados pela legislação de diversos países europeus e nos Estados Unidos. É realizado também um dos maiores encontros ambientalista da história, a Conferência Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano (ECO92), que reuniu no Rio de Janeiro chefes de Estados de todos os países. Em São Paulo, acontece a 9a Conferência Científica da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM).
    o 1990 - O congresso americano aprova a Ata de Produção de Alimentos Orgânicos, iniciando a regulamentação federal do setor.
    o 1991 - Em 24 de junho, a Comunidade Econômica Européia regulamenta a produção e venda de vegetais orgânicos com a medida ECC 2.092/91, feita a partir dos critérios de certificação da The Soil Association.
    o 1992 - Realizado no Rio de Janeiro o encontro ambientalista internacional ECO92, que resulta na Agenda 21, assinada por 178 países que se comprometem a guiar governos e sociedade a promover o desenvolvimento sustentado de ambientes e recursos naturais. Já São Paulo acolhe a 9a Conferência Científica da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM).
    o 1999 - A Comunidade Econômica Européia regulamenta a produção de produtos animais orgânicos pela medida ECC 1.804/99, que complementa a medida de 1991.
    o 2000 - Em janeiro, num encontro das Nações Unidas em Montreal, representantes de 130 países assinam o Protocolo de Cartagena. O documento inicia a regulamentação da produção e venda de transgênicos. Os países signatários, incluindo o Brasil, comprometem-se a informar quando o alimento exportado contém transgênicos.

    Aspectos importantes a serem utilizados e observados para a viabilização da agricultura orgânica:
    • o lucro é importante para qualquer tipo de agricultura
    • deve haver limites ao lucro (consumidor, agricultor e trabalhador devem ser vistos como seres humanos)
    • que preço se está disposto a pagar pela viabilidade econômica da agricultura orgânica
    • devem haver princípios éticos e mercado justo
    • o papel do marketing na mídia é fundamental para viabilizá-la em larga escala
    • as possibilidades de utilização mais intensa e constante de ações visando esclarecer os consumidores sobre os efeitos perigosos dos agrotóxicos sobre a saúde humana e meio ambiente atual e para as gerações futuras
    • qual a estratégia que pode ser adotada para que se consiga não perder o controle do avanço da agricultura orgânica e para que a sua viabilidade econômica não seja alcançada à custa de suas filosofias e ideais (o lucro pelo lucro e as transnacionais entrando no mercado)
    • não se deve perder de vista os princípios fundamentais e éticos que deram origem aos movimentos alternativos de produção agrícola
    • não se deve adotar os mesmos parâmetros
    • pouco adiantará construir um processo diferente de produção, se ele trouxer consigo os mesmos desvios que estão presentes atualmente nos processos dominantes de tecnologia e comercialização
    • a nova agricultura poderá ter como uma de suas características principais estar fundamentada numa ciência agronômica não reducionista e na participação de um agricultor que tenha ou recupere suas capacidades de observação e de respeito pelo seu espaço de produção, reconheça e respeite o tempo da natureza e os consumidores como parceiros ativos e interessados.

    Organizações de agricultura orgânica em nível mundial indicam que há cerca de 17 mil produtores certificados, sendo 10 mil na Europa, cinco mil nos Estados Unidos e dois mil nos demais países. No Brasil há 1.500 produtores com o atestado de origem ecológica. "Destes, 250 foram certificados pela Associação de Agricultura Orgânica – AAO”, comenta Eduardo Ribeiro Machado, produtor e presidente da AAO.

    PANORAMA DE MERCADO NO MUNDO
    O mercado mundial de orgânicos movimenta cerca de US$ 23,5 bilhões de dólares por ano, e há uma expectativa de crescimento da ordem de 20% ao ano. Deste mercado incluem-se produtos frescos, processados, industrializados e até artigos de cuidados pessoais, produzidos com matérias primas obtidas sob o sistema orgânico.
    Na Europa, as estatísticas de produção e consumo são escassas, mas sabe-se que a CEE é uma grande consumidora de produtos orgânicos, mas a maioria do que consome é importado.
    O principal consumidor de produtos orgânicos na Europa é a Alemanha, possuindo 290.000 hectares cultivados com agricultura orgânica. Representa um atraente e rico mercado para os exportadores de produtos orgânicos, pois sua população altamente consciente em relação às questões ambientais, vê no produto orgânico um produto benéfico ao meio ambiente e à própria saúde. No entanto, este mercado é extremamente exigente já que eles se interessam além dos métodos de produção, nos de processamento e embalagem de toda a cadeia industrial envolvida. As importações suprem aproximadamente 20 % do mercado de orgânicos nesse país.
    O Consumo na França aumenta 15% ao ano , sendo 5% do total dos produtores convertidos ao sistema orgânico e existem 450 processadores e distribuidores envolvidos com estes produtos. Uma dificuldade que se encontra para a comercialização neste país são os altos preços destes produtos.
    No Reino Unido, o consumo de produtos orgânicos registrou expansão 500% entre 1987 e 1997, sendo que a produção britânica vem crescendo em torno de 40% ao ano. As vendas de carne orgânica por exemplo tiveram aumento de 189% entre 1992 e 1996.
    Os EUA são um importante exportador de matérias primas orgânicas para a Alemanha, que as processam e embalam em suas própria indústrias. Hoje em dia o país movimenta 4, 2 bilhões em produtos orgânicos, podendo ultrapassar os US$ 10 bilhões no ano 2000, com destaque para salgadinhos e doces, cujas vendas cresceram perto de 100%.
    O Canadá possui a maior área cultivada organicamente do mundo, com aproximadamente 600.000 hectares.
    A Argentina exporta para Alemanha, Holanda e Inglaterra, além dos EUA, tendo acesso a esses mercados por suas normas de produção serem compatíveis com as da União Européia. A produção orgânica alcança uma área de aproximadamente 345 mil hectares, predominando a atividade animal.
    Além desses países, muitos outros com Holanda, Áustria, Japão, representam um excelente mercado para os produtos orgânicos, pois sua população é altamente consciente e interessada nos produtos orgânicos. A produção nestes países apesar de crescente e freqüentemente estimulada pelos governos, é relativamente limitada, não sendo capaz ainda de suprir a demanda da população.

    PRODUÇÃO E MERCADO NO BRASIL
    No Brasil a produção de orgânicos teve um grande impulso nos últimos dois anos. Atraídos pelo preço dos produtos no mercado, em média 30% mais elevados do que o produto convencional, por uma possível diminuição nos custos de produção ou por uma maior possibilidade de conservação dos recursos da propriedade rural, o certo é que esse número vem aumentando dia a dia.
    O demanda no Brasil cresce cerca de 10% ao ano, podendo ter este ritmo acelerado, pelo efeito da divulgação do próprio produto nos pontos de venda, ou seja, pessoas que não conheciam o produto orgânico, podem passar a interessar-se à medida que ele se torne disponível. Segundo uma pesquisa do Instituto Gallup, 7 em cada 10 brasileiros consumiriam produtos orgânicos se houvesse mais ofertas nos supermercados.
    As exportações absorvem 70% do volume total certificado, gerando segundo dados de 1999, uma receita de 10 milhões em 10 mil toneladas de soja, café, castanha, óleo de dendê, suco de laranja, cacau, erva-mate, banana, guaraná, etc. O maior estímulo às exportações são os preços que se obtém pelo produto diferenciado, podendo atingir ágios de 30 a 60% de acordo com o produto.
    O mercado interno abastece-se principalmente de produtos frescos, hortaliças, legumes e frutas, mas pouco a pouco, amplia-se a variedade de produtos que vem sendo oferecida nos pontos de venda, incluindo os alimentos processados.
    O número de produtores envolvidos com a agricultura orgânica no Brasil mais que dobrou nos últimos dois anos, passando de 700 para cerca de 1500, organizados em cooperativas ou trabalhando individualmente. O IBD (Instituto Biodinâmico) já autorizou mais de 80 projetos no país, cada um podendo incluir dezenas de produtores e outros 40 estão em processo de certificação.
    A Região Sul, especialmente o Estado do Rio Grande do Sul, é a que apresenta maior número de feiras de orgânicos. Só em Porto Alegre são 12 funcionando diariamente. Em São Paulo, há a feira do Parque da Água Branca, que acontece todos os sábados e que, em 1997, comercializou cerca de R$ 487 mil.
    No Nordeste destacam-se, principalmente, a produção de coco e o azeite de dendê orgânicos. Nessa região merece destaque o Estado do Ceará. É que lá foi montada uma cooperativa que abriga sob o mesmo guarda-chuva consumidores e produtores. Os consumidores contribuem adquirindo cotas da cooperativa. O produtor, por sua vez, coloca a safra à disposição dos cooperados, tendo garantida à sua venda.

    A Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos da Comunidade Amigos da Natureza foi constituída em 21 de abril de 1995, é uma Organização localizada em Camaragibe, região metropolitana do Recife, capital do Estado de Pernambuco, e tem por finalidade promover o exercício pleno da cidadania dos homens, mulheres e dos adolescentes da comunidade e o desenvolvimento sustentável dos produtores e produtoras rurais.

    Diante do exposto compreendemos que os associados e pequenos produtores e produtoras de produtos orgânicos precisam ter melhores informações acerca das expectativas dos consumidores e consumidoras desses produtos em supermercados.
    Desta forma nos interessamos em pesquisar e analisar os aspectos dos produtos orgânicos mais valorizados e importantes para os consumidores e consumidoras.
    Acreditamos que esse conhecimento contribui para melhorias na comercialização dos produtos orgânicos, agregando valor para os pequenos produtores e produtoras, como também, ampliação do mercado consumidor da Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos Amigos da Natureza.

    4. Objetivos

    Geral: Fomentar o desenvolvimento sustentável da Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza. Analisar o comportamento dos consumidores de produtos orgânicos, acerca das questões que motivam o consumo de tais produtos e suas demandas por melhorias na apresentação dos produtos orgânicos.

    Específicos:
    • Verificar os motivos que contribuem para o consumo de produtos orgânicos em supermercados;
    • Investigar quais as melhorias na apresentação de produtos orgânicos que mais agradam aos consumidores e consumidoras;
    • Apurar as dificuldades de conhecimento dos consumidores e consumidoras acerca das características nutricionais, e variação de preços dos produtos orgânicos;
    • Pesquisar qual o grau de conhecimento dos consumidores e consumidoras sobre locais de comercialização dos produtos orgânicos;
    • Buscar a implantação de melhorias na apresentação dos produtos orgânicos elencadas pelos consumidores e consumidoras, através de capacitações e apoio financeiro para implantação concreta de tais melhorias.
    5. Metodologia

    A base teórica para construção do projeto foi o contido no livro Métodos e Técnicas de Pesquisa Social de Antonio Carlos Gil.
    Iremos adotar “como conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir conhecimento” (GIL, 1999), o método observacional somado ao método comparativo e método estatístico.

    Para o desenvolvimento da pesquisa iremos adotar o sistema de amostragem.

    “De acordo com a concepção da sondagem, a pesquisa é efetuada dentro de um pequeno número de unidades (pessoas ou outras) que é estatisticamente representativo do conjunto da população” ( THIOLLENT, 1985).

    A amostra será composta por dez pessoas físicas com idade adulta e consumidores e consumidoras dos produtos em supermercado (BOMPREÇO- Grupo Walt- Mart) localizado no bairro de Boa Viagem da cidade do Recife- PE.

    Para a coleta de dados serão utilizados os seguintes instrumentos:
    a) Uma entrevista contendo doze questões para o levantamento de informações, quanto às razões da preferência de produtos orgânicos, quais as principais características observadas pelos consumidores e consumidoras na apresentação desses produtos, informações sobre variação de preços dos produtos orgânicos e sobre o conhecimento dos consumidores e consumidoras acerca dos canais de comercialização desses produtos.
    A aplicação do questionário será realizada no mês de junho de 2006, pelos próprios pesquisadores nos locais de comercialização dos produtos orgânicos em supermercado. Em seguida, cada item do questionário com “indagação aberta” será lido pelos pesquisadores e o consumidor e consumidora responderá de acordo com a sua opinião.
    Na organização e análise de dados por obtermos informações, iremos adotar sistema simples de compilação dos depoimentos apresentados pelos entrevistados e entrevistadas, a informatização pela utilização de planilha Excel do Windows e apresentação em powerpoint.
    Para implementação das medidas necessárias para se alcançar os objetivos do projeto de extensão, iremos utilizar os conhecimentos adquiridos nos livros A Extensão Rural no Brasil, Um Projeto Educativo para o Capital realizado pela Professora Maria Teresa Lousa da Fonseca, Extensão Rural e Desenvolvimento da Agricultura Brasileira de A. L. Lima, e Ascensão e Decadência da Extensão Rural no Brasil de G. Olinger, repassados pelo professor José Nunes.

    6. Metas

    Apresentamos como metas do presente projeto:

    • Realizar pesquisa junto ao público de 20 pessoas físicas para analisar os aspectos dos produtos orgânicos mais valorizados e importantes para os consumidores e consumidoras.
    • Buscar conjuntamente com a Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza, a conscientização de implantação de todas as melhorias de apresentação dos produtos orgânicos, as quais foram apresentadas pelos consumidores e consumidoras (contidos no Anexo 9.2);
    • Realizar conjuntamente com o Programa de Desenvolvimento da Zona da Mata de Pernambuco- PROMATA/ Governo do Estado de Pernambuco, ECOORGÂNICA- Cooperativa dos Produtores Familiares Orgânicos e a ONG SERTA- Serviço de Tecnologia três capacitações sobre melhorias de apresentação e embalagem de produtos orgânicos para os associados e associadas da Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza;
    • Buscar juntamente com a Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza, Programa de Desenvolvimento da Zona da Mata de Pernambuco- PROMATA/ Governo do Estado de Pernambuco, ECOORGÂNICA- Cooperativa dos Produtores Familiares Orgânicos e a ONG SERTA- Serviço de Tecnologia linhas de crédito ao amparo do PRONAF- Programa Nacional de Fomento à Agricultura Familiar, tendo como objetivo a melhoria de apresentação e embalagem de produtos orgânicos.

    QUADRO DE METAS

    Enunciado do Objetivo Ações Resultados Esperados Período
    Quantitativos Qualitativos
    O b j e t i v o e s p e c í f i c o Realização de pesquisa junto a consumidores dos produtos em supermercados Em parceria com o Grupo BOMPREÇO e EXTRA, aplicar o questionário Aplicação de vinte questionários Ampliar o nível de conhecimento sobre demandas dos consumidores acerca dos produtos orgânicos Junho
    2006

    Enunciado do Objetivo Ações Resultados Esperados Período
    Quantitativos Qualitativos
    O b j e t i v o e s p e c í f i c o Realização de palestras, visando à conscientização de implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos
    , Em parceria com a Associação dos produtores Rurais de Produtos Orgânicos Amigos da Natureza Realização de cinco palestras para o público de cem pessoas da agricultura familiar (sendo cada palestra para vinte pessoas)

    Ampliar o nível de conhecimento sobre melhorias nos processos de embalagem e acondicionamento
    Junho e julho 2006

    Enunciado do Objetivo Ações Resultados Esperados Período
    Quantitativos Qualitativos
    O b j e t i v o e s p e c í f i c o Realizar três capacitações sobre melhorias de apresentação e embalagem de produtos orgânicos.
    Organizar juntamente com a Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos Amigos da Natureza, PROMATA, ECOORGÂNICA e SERTA, a realização das capacitações.

    Capacitação de 100 pessoas Melhorar a padronização dos produtos ofertados Junho e julho/ 2006

    Enunciado do Objetivo Ações Resultados Esperados Período
    Quantitativos Qualitativos
    O b j e t i v o e s p e c í f i c o Buscar informações sobre linhas de crédito, preferencialmente ao amparo do PRONAF, visando o financiamento para implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos.

    Em parceria com a Associação dos Produtores Rurais, buscar junto ao Banco do Nordeste do Brasil S/A e o Banco do Brasil informações sobre linhas de crédito, exigências e como ocorre o acesso ao crédito Atendimento de todos os sessenta produtores e produtoras Melhorias no beneficiamento dos produtos orgânicos. Agosto e Setembro 2006

    Ressaltamos, também, que iremos realizar avaliações de resultados e de impacto (conforme quadros abaixo).

    Sistema de Avaliação de Progresso e Resultados

    Atividade Indicadores de Progresso/ Resultados Meios de Verificação
    Realização de pesquisa junto a consumidores dos produtos em supermercados - Efetiva aplicação dos questionários
    - Nível de interesse demonstrado pelos atores consumidores
    -
    - Entrevistas pessoais dos consumidores e consumidoras

    Atividade Indicadores de Progresso/ Resultados Meios de Verificação
    Realização de palestras, visando à conscientização de implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos
    - Número efetivo de palestras realizadas
    - Nível de interesse demonstrado pelos participantes
    - - Interesse nos temas apresentados
    - Índice de freqüência
    - Melhorias na apresentação dos produtos - Relatório de avaliação dos capacitadores
    - Lista de freqüência
    - Fichas de avaliação dos participantes
    Atividade Indicadores de Progresso/ Resultados Meios de Verificação
    Realizar três capacitações sobre melhorias de apresentação e embalagem de produtos orgânicos.
    - Efetiva melhoria na padronização e apresentação dos produtos orgânicos
    - Nível de interesse demonstrado pelas participantes
    - Índice de freqüência
    - Entrevistas pessoais
    - Lista de freqüência
    - Fichas de avaliação dos participantes
    Atividade Indicadores de Progresso/ Resultados Meios de Verificação
    Buscar informações sobre linhas de crédito, preferencialmente ao amparo do PRONAF, visando o financiamento para implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos.

    - Número efetivo de produtores informados sobre linhas de crédito
    - Nível de interesse demonstrado pelos produtores e produtoras
    - Número efetivo de produtores e produtoras financiados por linhas de crédito.
    - Número de cadastros realizados junto aos bancos oficiais;
    - Número de financiamento realizados.

    Sistema de Avaliação de Impacto

    :
    Objetivo Específico
    Indicadores de Impacto

    Meios de Verificação

    Realização de palestras, visando à conscientização de implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos

    - Número de produtores e produtoras aplicando o contido nas palestras ao término da campanha.
    - Nível de compreensão dos produtores e produtoras sobre as melhorias
    - Entrevistas com as pessoas da comunidade.

    Objetivo Específico

    Indicadores de Impacto

    Meios de Verificação

    Realização de capacitações sobre melhorias de apresentação e embalagem de produtos orgânicos.
    - Número de produtores e produtoras que continuam utilizando a padronização implantada, após o término do projeto.
    - Nível de compreensão da comunidade sobre as exigências do mercado consumidor. - Entrevistas com os próprios representantes e com pessoas da comunidade.
    - apuração do número de produtores e produtoras que permanecem com a padronização.

    Objetivo Específico

    Indicadores de Impacto
    Meios de Verificação

    Realização de financiamentos, preferencialmente ao amparo do PRONAF, visando o financiamento para implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos.

    - Número de produtores e produtoras que continuam com regularidade junto aos bancos oficiais.
    - Nível de adimplência dos financiamentos realizados.
    - Entrevistas com os próprios representantes e com pessoas da comunidade.
    - apuração do número de cliente adimplentes junto aos bancos oficiais.

    No tocante ao cronograma de execução das ações, detalhamos, abaixo, em diversas planilhas, tais informações para a devida apreciação, crítica e aprovação.

    CRONOGRAMA GERAL DE EXECUÇÃO
    ANO 1
    Item Atividades
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
    Aplicação dos questionários junto aos consumidores

    X
    Compilação das contribuições geradas nos questionários

    X
    Realização de cinco palestras sobre as melhorias nos processos de embalagem e acondicionamento dos produtos orgânicos

    X X
    Realização das capacitações sobre melhorias de apresentação dos produtos orgânicos

    X X
    Realização de financiamentos dos produtores e produtoras.

    X X X
    Nota: mês 6: junho/2006; mês 07- julho/2006; mês 09: setembro/2006; mês 10: outubro/2006; e mês 11: novembro/2006

    CRONOGRAMA DETALHADO DA EXECUÇÃO DAS AÇÕES

    Objetivo Específico Atividades Mês
    1
    junho/06) Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Mês 9 Mês 10 Mês 11 Mês 12
    Abr
    07
    Aplicação dos questionários 1.Confecção do ofício da UFRPE solicitando aos supermercados a realização da pesquisa
    X
    2. Contatos com gerente de Loja do Grupo BOMPREÇO X

    3. Aplicação dos questionários e compilação das informações apresentadas nos questionários X

    Objetivo Específico Atividades Mês 1
    Junho/06 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Mês 9 Mês 10 Mês 11 Mês 12
    Realização de palestras, visando à conscientização de implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos

    1.Agendamento de reuniões para realização de palestras X(1)
    2. Realização das palestras, sendo direcionada para grupo de 20 pessoas envolvendo toda a familiar rural X(2) x

    Objetivo Específico Atividades Mês 1
    Junho/06 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Mês 9 Mês 10 Mês 11 Mês 12
    Realização de capacitações sobre melhorias de apresentação, limpeza e embalagem de produtos orgânicos.

    1.Contatos com PROMATA, ECOORGÂNICA E SERTA X
    2.Organização do material a ser utilizado na capacitação
    3.Divulgação do calendário das capacitações X
    3.Realização das capacitações e implantação das medidas de melhoramento da apresentação dos produtos orgânicos
    X(3) x x x x x x X(4)

    Objetivo Específico Atividades Mês 1
    Junho/06 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Mês 9 Mês 10 Mês 11 Mês 12
    Buscar informações sobre linhas de crédito, preferencialmente ao amparo do PRONAF, visando o financiamento para implantação das melhorias na apresentação dos produtos orgânicos.

    1.Contatos com gerentes de bancos oficiais sobre linhas de crédito X
    2.Preparação de documentação dos produtores e produtoras interessados e aptos ao financiamento x x
    3. Realização dos financiamentos x x x

    NOTAS: (1) O Agendamento ocorrerá junto às lideranças da Associação.
    (2) A reunião com grupo de vinte pessoas melhora a comunicação e assimilação, envolvendo toda a família de cada unidade rural.
    (3) A capacitação com grupos em torno de trinta e cinco pessoas melhora o processo de assimilação de conhecimentos.
    (4) A implantação das medidas e sugestões obtidas nos questionários dos consumidores de produtor orgânicos, ocorrerá durante o período de doze meses, sendo oito meses sob a supervisão dos parceiros envolvidos e quatro meses pela autonomia dos atores locais.

    7. Medidas de Implementação

    As medidas de implementação sugerem que as pessoas sejam envolvidas ao máximo para se sentirem realmente atores do processo, e que toda essa participação se dê o mais perto possível da realidade estimulando a conscientização.
    A duração das reuniões de conscientização sobre as melhorias a serem implementadas será de uma hora cada reunião com vinte pessoas. A duração do curso de capacitação será de dois dias (segunda e quarta- feira), com carga horária de oito horas (08:00 às 12:00) distribuídas da seguinte forma: segunda-feira- sugestão de melhorias na apresentação, limpeza e acondicionamento dos produtos orgânicos (obtidas nas entrevistas com os consumidores); quarta-feira- medidas de alteração nos processos de colheita/ limpeza/ embalagem/ acondicionamento. As reuniões e aulas de capacitação serão ministradas na sede da Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza na cidade de Camaragibe, Estado de Pernambuco. Vale ressaltar, que todo o material a ser usado pelos palestrantes como equipamentos de áudio e vídeo, cartilhas, etc., serão de responsabilidade do PROMATA, ECOÔRGANICA e SERTA. O processo de varredura sobre informações de linhas de crédito ocorrerá, inicialmente, junto ao Banco do Nordeste e do Banco do Brasil e, posteriormente, repassadas para os produtores e produtoras da Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza.

    Em seguida, para aqueles interessados em obter financiamentos, cuidaremos da organização da documentação necessária para a concretização dos empréstimos rurals.
    Dessa forma, o resultado esperado é a introdução das melhorias na apresentação e acondicionamento dos produtos orgânicos produzidos pela Associação dos Produtores Rurais de Produtos Orgânicos de Comunidade Amigos da Natureza. O prazo estimado para a realização do projeto é de 12 (doze) meses. Dentre o prazo estimado, estão 8 (oito) meses de participação direta dos idealizadores do projeto e da ECOORGÂNICA e SERTA, e os quatro meses restantes ficarão sob a responsabilidade das lideranças da Associação. Esta medida tem a intenção de fazer com que a comunidade como um todo, possa dar continuidade ao projeto sem a interferência externa, assumindo e procurando enfrentar os problemas de beneficiamento e comercialização

    8. Referências Bibliográficas

    o CAPORAL. F. R. Bases para uma nova ATER pública. DATER, disponível no site: www.mda.gov.br.
    o FONSECA, M. T. L. A Extensão Rural no Brasil: um projeto educativo para o capital, São Paulo, Editora Loyola, 1985.
    o GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social, 5ª. Ed. São Paulo, Atlas, 1999.
    o LIMA, A. L. Extensão Rural e Desenvolvimento da Agricultura Brasileira, Viçosa, UFV, 2001.
    o OLINGER, G. Ascensão e Decadência da Extensão Rural no Brasil, Florianópolis, EPAGRI, 1996.
    o SOUZA, A. P. O; ALCÂNTARA, R. L. C. Artigo Produtos Orgânicos: Um Estudo Exploratório sobre as possibilidades do Brasil no mercado internacional, site: www.planetaorganico.com.br.
    o THIOLLENT, M. Concepção e Organização da Pesquisa, In: Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez e Autores Associados, 1985. Cap.2.
    o www.aao.org.br
    o www.ambientebrasil.com.br

    9. ANEXOS

    9.1 - Questionário elaborado pelo Professor José Nunes.
    9.2 – Estatística dos questionários com perguntas colhidas junto a consumidores de produtos orgânicos.
    9.3 – Perfil global dos consumidores e consumidoras pesquisados.

    9.1 QUESTIONÁRIO

    Objetivo: Compreender porque os consumidores preferem os produtos orgânicos, bem como suas demandas por melhorias na apresentação e embalagem; informações sobre origem e características nutricionais e variação de preços.

    1. Por que o (a) Sr. (a) consome produtos vendidos aqui (orgânicos) ?
    2. Quais os produtos o (a) Sr. (a) consome? (listar)
    3. Quais as principais características/coisas que o (a) Sr. (a) observa ao comprar estes produtos? ( cor, limpeza, preço, embalagem, forma de exposição, etc...)
    4. O (a) Sr. (a) sabe a origem desses produtos ( ) SIM ( ) NÃO
    4.1 Se sim, qual é ?
    4.2 Se não, isso não lhe preocupa?
    5. O (a) Sr. (a) observa alguma variação de preço entre esses produtos e os convencionais? ( )SIM ( ) NÃO.
    5.1. Se sim: ( ) para mais ( ) para menos.
    5.2 Se sim: ao que o (a) Sr. (a) relaciona essa variação (porque o (a) Sr. (a) acha que tem essa variação :).
    6. Além desse local o(a) Sr. (a) conhece outros locais de venda na cidade?
    ( ) SIM ( ) NÃO.
    6.1. Se sim: quais?
    6.2. Se sim, porque o(a) Sr.(a) prefere comprar aqui?

    9.2 – Estatística dos questionários com perguntas colhidas junto a consumidores de produtos orgânicos.

    Com relação aos motivos de consumir produtos orgânicos em supermercado, apuramos:

    • 45% são clientes tradicionais com fidelidade ao estabelecimento;
    • 19% pela apresentação e embalagem.

    No tocante aos produtos que são consumidos, averiguamos:

    • 22% consomem alface (lisa e crespa);
    • 22% consomem berinjela;
    • 19% consomem espinafre;
    • 16% consomem rúcula;
    • 21% consomem os produtos: quiabo, nabo e pepino;
    • Registramos que os produtos pimentão, chicória, hortelã, rabanete, salsão e agrião, disponíveis para consumo, não apresentaram consumo nessa amostra de consumidores.

    Com relação às características observadas pelos consumidores, apuramos:

    • 46% observam a cor dos produtos;
    • 25% a embalagem;
    • 21% a limpeza dos produtos;
    • 8% observam a forma de exposição dos produtos;
    • não foi mencionada a questão do preço nessa amostra de pesquisados.

    No segmento origem dos produtos, averiguamos:
    • 70% conhecem a origem da agricultura orgânica;
    • 30% ignoram e não se preocupam com o assunto.

    No tocante a variação de preços dos produtos orgânicos em comparação aos produtos convencionais, apuramos:

    • 60% não observam a variação de preço.
    • 40% observam variação de preço onerando os produtos orgânicos;

    No segmento sobre conhecimento de outros locais que comercializam esses
    produtos, averiguamos:
    • 60% não conhecem outro local que são comercializados esses produtos;
    • 40% conhecem outro local (feirinhas livres e específicas com produtos orgânicos);
    • Apuramos que mesmo conhecendo outros locais preferem comprar no supermercado: i) por comodidade (as feirinhas começam muito cedo); ii) pela facilidade de utilização de cartão de crédito nos supermercados.
    9.3 Perfil global dos consumidores e consumidoras pesquisados

    Com relação ao perfil das entrevistadas e entrevistados, apuramos o seguinte:
    • Com relação a sexo: 73% são mulheres e 27% são homens;

    • No segmento nível educacional: 64% apresentam nível superior e 36% nível médio;

    • Com relação à estratificação social: 46% pertencem à classe média “B”; 27% pertencem à classe média “A”, e 27% pertencem à classe média “C”;

    • No tocante a faixa etária: 55% apresentam idade entre 48 a 52 anos de idade, 27% apresentam idade entre 40 a 46 anos, e 18% apresentam idade entre 60 a 70 anos.

  • RELATÓRIO DO PROCESSO DE TRABALHO DE PESQUISA PARA INTERVEN

    Fernando Antonio da Silva e Flávia Geralda Oliveira do Vale

    Relatório do Processo de Trabalho de Pesquisa para Intervenção Social sobre Gravidez Precoce

    Bacharelados em Ciências Sociais

    DLCH/ URFPRE
    Recife/ Julho/ 2005
    Fernando Antonio da Silva e Flávia Geralda Oliveira do Vale
    Relatório do Processo de Trabalho de Pesquisa para Intervenção Social sobre Gravidez Precoce

    Trabalho apresentado pelo aluno Fernando Antonio da Silva, e pela aluna Flávia Geralda Oliveira do Vale do 4º período do curso Bacharelado em Ciências Sociais, em nível de graduação do DLCH/UFRPE, à disciplina Métodos e Técnicas de Trabalhos em Comunidades sob a orientação da professora Laura Duque.

    Recife/ julho/ 2005

    Epígrafe

    “O vazio teórico se configura na superficialidade das visões que imaginam dar conta de um fenômeno de intenso confronto social com alegações em torno de coesão social. Predomina ainda a perspectiva “durkheimiana” de solidariedade social, marcantemente funcionalista, e que perde de vista que a convivência social representa totalidade dinâmica de teor dialético. Excluir maiorias, mesmo que estas se sintam angustiadamente inúteis no sistema, implica movimento violento de reorganização dos privilégios sociais.
    (Pedro Demo).

    Dedicatória

    Dedicamos esse nosso trabalho a Professora Laura Duque pela sua dedicação ao repassar conhecimentos e todo o seu carinho em acompanhar o nosso desenvolvimento.

    Sumário

    1. Apresentação....................................- ..................................................- .......07
    2. Enfoque Teórico..........................................- ...............................................18
    3. Justiticativa.....................................- ..................................................- .........21
    4. Problema ..................................................- ..................................................- 22
    5. Objetivos.........................................- ..................................................- ..........23
    6. Resultados esperados/ Meta ..................................................- ..................25
    7. Metodologia/ Orçamento ..................................................- ........................28
    8. Referências Bibliográficas...................................- .....................................30

    1. Apresentação

    O presente relatório pretende repassar toda a problemática que envolve a questão da Gravidez Precoce em nossa sociedade, pois é um problema de saúde pública no Brasil e em vários países. Outro fator importante é que a gravidez na adolescência é considerada de alto risco, ocorrendo no Brasil 700 mil partos/ ano em adolescentes abaixo dos 20 anos e do ponto de vista de classe social, as ocorrências acontecem tanto na classe social mais baixa, quanto na classe mais alta. Outros fatores econômicos/ sociais/ biológicos interferem na problemática, ou seja, baixo nível socioeconômico das adolescentes que vêm na gravidez oportunidade de ascensão social, dificuldade de relacionamento com os pais, a menstruação que vem ocorrendo cada vez mais precocemente e a sociedade que deixou de imputar aos homens a obrigação de realizar o casamento. Temos como objetivo realizar uma intervenção em parceria com diversos atores locais e não-locais, minimizando os efeitos nocivos gerados pela gravidez precoce nas esferas sociais, econômicas e políticas.

    2. Enfoque Teórico

    Apoiamos-nos em reflexões sobre os conceitos que nos pareceram adequados para orientar o nosso trabalho de pesquisa para intervenção social.
    • Exclusão e Estratégias de Inclusão Social: Pedro Demo.
    • Formas de Vontade: A. Guilherme Galliano, Lysias Nogueira Negrão, J. Gabriel de La Roque Romeiro, Regina Festa e Ricardo Ferraz Vespucci.
    • Trabalho de Base: Plínio de Arruda Sampaio e Ranulfo Peloso.

    Exclusão Social e Estratégias de Inclusão Social
    O autor Pedro Demo no livro Charme da Exclusão Social nos fala sobre o pensamento de Dubar que expressa como ocorre a exclusão social do ser humano pelas instituições: empresa, escola, Estado, cidade, pois a ausência de emprego ou ocupação provoca uma perda de relações sociais, mostrando que a exclusão social não é fato novo, mas provocada pela dinâmica capitalista, ocorrendo à priorização do mercado de trabalho e o abandono da prioridade da família provoca ainda mais o distanciamento da cidadania plena. Cita, também, o entendimento do pensador Castel de que a exclusão apresenta como pilares do processo: a prioridade do emprego e a conseqüente fragilidade das relações sociais. Argumenta o autor que no sistema capitalista esse tipo de exclusão é defendido como peça da dinâmica de produção, face sua capacidade de evolução e a geração de novas formas de produção. Cita a análise crítica que o pensador Wacquant faz do termo “underclass”, pois o sistema capitalista nega sua decadência social e classifica os pobres em categorias com comportamentos anti-sociais, cuja classificação apresenta os pobres virtuosos, os quais não deveriam existir, entretanto apresentam dignidade em lutarem pela vida, e em outro grupo, ficam os pobres com concentração de desvio, ou seja, desocupação em longo prazo, dependência crônica dos programas sociais, falta de dignidade, de ética e comportamento amoral, como também, criminalidade e violência. Tal conceito torna o ser humano do papel de vítima para o de agressor do sistema e esse mesmo sistema procura isolar esses agressores em seus guetos (bairros, favelas, invasões). Pontuando que o moralismo típico dos Estados Unidos considera essa sub-raça chamada de “underclass” muito negativa para o corpo social e procura instigá-los ao confronto, forçando a sua integração pelo trabalho ou para evitar a acomodação promovida pela assistência pública. Fala-nos sobre a análise do pensador chamado Fassin de que a exclusão social é provocada pelo crescimento da pobreza urbana e suas configurações do espaço social, exemplificada pelas figuras: exclusão na França, underclass nos Estados Unidos e “marginalidad” na América Latina. Ressalta que com o processo agressivo da globalização o fosso diferencial entre o terceiro e o primeiro mundo é marcado: primeiramente, pela marginalidade com desvio de conduta, cujo volume crescente é fato comprovado na maioria das cidades; dificuldade de inserção na nova ordem econômica; as políticas sociais caóticas, em face de progressiva necessidade; e a corrupção política reinante do terceiro mundo. Registra que a exclusão é fortemente influenciada pela precariedade e decadência da dimensão econômica, além do isolamento dessa população em favelas e o comportamento pontuado pelo desvio de conduta. O autor Pedro Demo cita a “nova questão social” apresentada pelo pensador Paugam quando parte do pressuposto de que os excluídos são classificados, tomando como parâmetro o bem estar e a participação social dessas pessoas nas suas sociedades e considerando seu momento histórico, ocasião em que o Pedro Demo questiona este pressuposto, levando-se em consideração as variações do grau de pobreza, tendo como limite a sobrevivência, como também, o diferencial monetário e social de um pobre no Brasil em comparação a um pobre dos Estados Unidos. Em seguida cita os patamares de pobreza apresentados por Paugam: a) pobreza integrada, ou seja, pobres que não foram excluídos socialmente, pois apresentam baixo nível de vida, entretanto permanecem com os laços sociais marcados pela integração da família e união com seus pares do mesmo bairro ou vila; :) pobreza marginal - é aquela entre o limiar da pobreza tradicional e a pobreza desqualificante; c) pobreza com exclusão social, ou seja, aqueles pobres desqualificados que foram eliminados do sistema produtivo e, conseqüentemente, apresentam dependência das políticas públicas movidas pelas instituições sociais, grupo esse delimitado pelo crescimento progressivo e a angústia que causa aos seus pares que estão no limiar de pertencerem a esse grupo. Ocasião em que o autor relativiza sobre o que foi apresentado por Paugam, ou seja, mesmo os excluídos que ameaçam a ordem social e se sentem inúteis fazem parte do sistema, e o que se classifica como “nova questão social” é delineada pelo choque surgido na Europa (França) diante da perda do bem estar social da maioria da sua população.

    Formas de Vontade
    As relações sociais são concebidas por Tonnies essencialmente com relações entre “vontades”. O termo “vontade”, nesse contexto, é usado em sentido genérico – e por isso mesmo bastante vago – para designar o conjunto dos mecanismos que motivam e orientam a ação dos seres humanos nas relações que mantêm entre si. Entende-se, portanto, que em Tönnies a concepção dicotômica da vida social se baseia numa distinção entre duas formas de vontade: a “vontade orgânica” (Wesenwille) e a “vontade reflexiva” (Kürwille). Segundo Tönnies, a vontade orgânica está diretamente ligada à biologia humana, ou seja, aos fatores que condicionam a atividade do ser humano como ser vivo; é daí que essa forma de vontade extrai seu princípio, sua força e seu ímpeto. Isto significa que ela exprime diretamente as necessidades vitais do ser humano na totalidade do seu modo de ser – uma totalidade que compreende estados biológicos, sentimentos e pensamentos. Portanto, a vontade orgânica não exclui o pensamento. Mas nela o pensamento não predomina, subordinando-se ao conjunto das motivações da ação humana. O predomínio do pensamento é justamente o que caracteriza a outra forma de vontade, a vontade reflexiva. Nesse sentido a vontade reflexiva é algo artificial. O ser humano teria sido levado a construí-la dentro de si ao longo da evolução, de certo modo por acréscimo, submetendo parte de sua atividade ao controle do pensamento ou da racionalidade. O próprio autor resume de maneira muito feliz a distinção entre as duas formas de vontade. Segundo ele, pode-se dizer que a vontade orgânica é “uma vontade que inclui o pensamento”, enquanto que a vontade reflexiva é “um pensamento que envolve a vontade”. Desse modo, a vontade orgânica compreende: 1º. Desejo, correspondente à atividade vegetativa interior ao organismo, ligada às necessidades fisiológicas básicas como fome, impulso sexual, etc.; 2º. O hábito, correspondente à atividade “animal” pela qual o ser humano, enquanto organismo, se relaciona com o mundo exterior para obter a satisfação de seus desejos por meio de padrões de ação determinados; 3º. Memória, definida como capacidade de reproduzir os atos requeridos para alcançar fins específicos, e correspondente à atividade mental envolvida no processo de formação dos hábitos. Tanto o hábito como a memória, afirma o autor, são adquiridos por aprendizagem. E a maneira como eles se combinam entre si com o desejo determina o caráter moral particular do indivíduo. A moralidade está, portanto, ligada à vontade orgânica. Quanto à vontade reflexiva, também compreende três formas: 1º. Reflexão propriamente dita, pela qual o pensamento governa a ação levando em conta as intenções ou finalidades daquele que age; 2º. A conveniência, pela qual o pensamento pondera as razões da escolha de uma dada finalidade levando em conta a situação em que se encontra o agente; 3º. Conceito, pelo qual o pensamento, chamado nesse caso pensamento formal, considera genérica e racionalmente os objetos e finalidades da ação abstraindo-os de seu contexto concreto. Segundo o autor, o que torna a oposição entre as duas vontades significativa tanto para os indivíduos como para os grupos sociais é simplesmente o fato de que uma ou outra dentre elas tende a predominar também na orientação das ações recíprocas entre os indivíduos. Ora, mas as ações recíprocas constituem, como já sabemos, a trama das relações sociais entre os indivíduos. Tönnies denomina “relações comunitárias” às relações sociais em que predomina a vontade orgânica, e “relações societárias” àquelas em que predomina a vontade reflexiva. Evidentemente esses dois tipos de relações são categorias teóricas. Isto significa que é impossível observar, na vida real, relações puramente comunitárias ou puramente societárias. Os tipos puros devem ser visto antes como os extremos de uma escala contínua ao longo da qual se situariam as relações reais. Não obstante, segundo Tönnies, é sempre possível determinar de qual dos extremos dessa escala está mais próxima cada relação real. Em princípio pode-se dizer, por exemplo, que a relação marido/mulher se aproxima do tipo comunitário, caracterizado pelo domínio da vontade orgânica. Com efeito, normalmente as relações conjugais se caracterizam por um forte conteúdo afetivo, que tende a predominar sobre as considerações de ordem racional, embora estas, sem dúvida, também se façam presentes. Ao passo que a relação patrão/empregado tende a se aproximar do tipo societário, onde a consideração racional das finalidades e da situação de ambas as partes exprime o domínio da vontade reflexiva. De outra parte, o tipo de relação predominante em cada agrupamento humano concreto permitiria classificá-lo do mesmo modo, entre os dois extremos de uma escala contínua. Assim os agrupamentos onde predominam as relações comunitárias se aproximariam do tipo de organização social que Tönnies denomina “comunidade”( Gemeinschaft). E os agrupamentos onde predominam as relações societárias se aproximariam do tipo denominado “sociedade”( Gesellschaft).

    Trabalho de Base
    Trabalho de base não é receita ou mágica. É um jeito de fazer política onde o militante coloca a sua alma. É uma paixão carregada de indignação contra qualquer injustiça e cheia de ternura por todos que se dispõem a construir um mundo sem a marca da dominação. Essa convicção nasce do coração e da razão, torna-se força contagiante capaz de vencer a fúria e a sedução da opressão e de comprometer-se com a transformação das pessoas e da sociedade. Essa prática multiplicadora por ser realizada nas favelas, nas ocupações de terras, nos diversos locais de trabalho, nas igrejas, na instituição do Estado e nos espaços internacionais. Ela se sustenta quanto mantêm os pés no chão e a cabeça nos sonhos. Consegue vitórias quando articula as lutas econômicas com as diferentes lutas políticas e sociais. E perdura, em qualquer conjuntura, quando combina ações de rebeldia com as disputas na legalidade. A finalidade do trabalho de base é: anunciar sempre que o ideal da humanidade é a prosperidade e a convivência solidária e combater a ganância, a competição, a dominação. Quanto maior a opressão e a crise, maior a razão para propagar o sonho da sociedade sem classes; despertar a dignidade das pessoas e a confiança nos seus valores e no seu potencial. Em geral, quem está no poder, prefere gente obediente e conformada porque é fácil manipular uma população domesticada e dependente; canalizar a rebeldia popular na luta contra a injustiça e na construção de uma sociedade de homens novos e mulheres novas onde a produção, distribuição e consumo sejam orientados pela lógica da solidariedade; transformar a realidade e conseguir vitórias em todos os campos e em todas as dimensões que satisfaçam os justos anseios da população. A força do trabalho de base está: Na sua sustentação de base- trabalho de base tem que ter raízes plantadas na alma da população que é a base da sociedade. Por causa desse alicerce ele sempre renasce e se reproduz. Não é um movimento para os trabalhadores. É dos trabalhadores. O povo deve se sentir parte dessa construção e companheir@as da mesma caminhada. Para isso, o trabalho de base se organiza onde o povo vive e trabalha; Na crença no povo- o povo está sempre reagindo contra a exploração e a dominação, mesmo quando não fala a linguagem dos militantes ou entra em caminhos que são armadilhas. A história tem mostrado que, apesar de toda miséria e de toda contradição, o povo é a sementeira permanente de novas formas de luta e de novos militantes; Na clareza que a organização popular- sendo uma parte, é parte para incluir todo o povo. Os dirigentes não são “guias geniais”, mas lideranças que ajudam o povo a entender a realidade e organizar os esforços, no rumo da transformação. No processo, o povo vai assumindo-se como sujeito de sua história; Na coerência entre o rumo e caminho- no trabalho de base não tem essa de “fazer a cabeça”. A pessoa deve abraçar a causa porque foi convencida de que ela é justa. Fica difícil falar de liberdade se, na prática diária, as pessoas mantêm um comportamento autoritário e antidemocrático. É verdade que “quem não sabe onde quer chegar, não chega lá, nunca”. Também é verdade que “o fim é o caminho que a gente faz para chegar no objetivo”. Quer dizer, o método que se pratica deve ser coerente com os objetivos que se pregam; Na metodologia multiplicadora- cada militante que se convence assume o compromisso de mobilizar um time de novos companheiros e companheiras. Estes, por sua vez, vão repartir os esclarecimentos e as experiências com outros companheiros e companheiras que vivem em muitos espaços de luta, de vida e de trabalho. Assim se vai tecendo a rede de resistência, de luta e de solidariedade para a conquista de vitórias; No planejamento das ações- ninguém entra de peito aberto numa guerra. É indispensável traçar um caminho capaz de levar à vitória. O planejamento enfrenta o medo de mexer no comodismo das pessoas e na indisciplina da prática espontaneísta. É fundamental planejamento, organização e balanço de resultados.

    3 Justiticativa

    A gravidez precoce é considerada como um problema de saúde pública no Brasil e em outros países. No Brasil, uma em cada quatro mulheres que dão à luz nas maternidades tem menos de 20 anos de idade. Estas meninas que não são mais crianças, nem adultas, estão em processo de transformação e, ao mesmo tempo, prestes a serem mães. O papel de criança que brinca de boneca e de mãe na vida real, confundem-se e na hora do parto é onde tudo acontece. A fantasia deixa de existir para dar lugar à realidade. É um momento muito delicado para essas adolescentes, e que gera medo, angústia, solidão e rejeição. As adolescentes grávidas vivenciam dois tipos de problemas emocionais: um pela perda de seu corpo infantil, e outro por um corpo adolescente recém-adquirido, que está se modificando novamente pela gravidez. Estas transformações corporais rapidamente ocorridas, de um corpo em formação para o de uma mulher grávida, são vividas muitas vezes com certo espanto pelas adolescentes. Por isso é muito importante a aceitação e o apoio quanto às mudanças que estão ocorrendo, por parte do companheiro, dos familiares, dos amigos e principalmente pelos pais. A escola muitas vezes não dispõe de estrutura adequada para acolher uma adolescente grávida. O resultado é que a menina acaba abandonando os estudos durante a gestação, ou após o nascimento da criança, trazendo conseqüências gravíssimas para o seu futuro profissional. Os riscos de complicações para a mãe e a criança são consideráveis quando o atendimento médico pré-natal é insatisfatório. Isto ocorre porque, normalmente, a adolescente costuma esconder a gravidez até a fase mais adiantada, impedindo uma assistência pré-natal desde o início da gestação. É muito comum também o uso de bebidas alcoólicas e cigarros o que aumenta os riscos de surgimento de problemas. Ainda existe a possibilidade de gestações sucessivas, os riscos do aborto provocado e as dificuldades para a amamentação. Por isso, a gravidez entre adolescentes deve ser encarada como um problema não apenas médico, mas de toda a sociedade. É importante a participação da família, serviços médicos e instituições, tanto governamentais como não-governamentais, no combate à gravidez precoce e indesejada. Pode-se dizer que estamos enfrentando atualmente uma epidemia de gravidezes em adolescentes. Para ter-se uma idéia, em 1990, cerca de 10% das gestações ocorria nessa faixa etária. Em 2000, portanto apenas dez anos depois, esse índice aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos. Gravidez na adolescência não é novidade na história de vida das mulheres. Provavelmente muitas de nossas antepassadas casaram cedo, engravidaram logo e, durante a gestação e o parto, não receberam assistência médica regular. Erros e acertos dessa época se perderam no tempo e na memória de seus descendentes. A sociedade se modernizou e as mulheres vislumbraram diferentes perspectivas de vida. No entanto, isso não impediu que, apesar da divulgação de métodos contraceptivos, a cada ano mais jovens engravidem numa idade em que outras ainda dormem abraçadas com o ursinho de pelúcia. A gravidez na adolescência é considerada de alto risco. Daí a importância indiscutível do pré-natal para evitar, nesses casos, complicações durante a gestação e o parto. Um levantamento que está sendo feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com o Ministério da Saúde, revela que 25% das adolescentes de 15 a 17 anos que deixaram a escola o fizeram por conta de gravidez. Dessas, 31% residem no Nordeste, são mais de 10,2 mil bebês que nascem de mães adolescentes a cada ano. Em todo o Brasil, 71% moram no interior e 12% nas periferias. Os dados, ainda inéditos, constam de três pesquisas em fase de conclusão. Uma é a Saúde Brasil 2005 do Ministério da Saúde, a segunda versão do mapa do setor produzido anualmente pelo Governo Federal, e os outros dois estudos são de autoria da Unesco. De acordo com dados da pesquisa, a gravidez precoce e as dificuldades dela decorrentes já respondem pela terceira causa de óbitos entre mulheres brasileiras jovens, perdendo apenas para homicídios e acidentes com transporte.

    Localizado ao norte no município do Recife, encontra-se o bairro de Nova Descoberta, com uma população de 34.676 habitantes. No tocante ao nível de instrução, a população em sua maioria possui apenas o 1º. Grau maior e 4.348 (15%) são analfabetos e analfabetas, possuindo uma sofrível qualificação profissional e boa parte da população está à margem do mercado de trabalho. O bairro está norteado por problemas tanto de ordem estrutural como social. A coleta de lixo é deficitária, o sistema de esgoto é precário, e, principalmente os problemas sociais de insegurança, falta de oportunidade de emprego ou ocupação e, conseqüentemente, ausência de geração de renda, além do alto índice de gravidez precoce. A população do bairro de Nova Descoberta está distribuída, (conforme censo realizado em 2000) com 16.690 homens e 17.986 mulheres e na faixa de 10- 14 anos até 20 – 24 anos consta 5.592 mulheres. Desse universo de 5.592 mulheres, foram registrados 1.398 casos de gravidez precoce, no período de 2000 a 2004, e ressaltamos que em 2003 foram registrados 252 casos e em 2004 foram registrados 432 casos, portanto crescimento de 58%. O bairro apresenta a ONG Grupo Mulher Maravilha que tem como principal eixo de trabalho a conscientização do papel da mulher na sociedade, já apresentando diversos serviços realizados no tocante a saúde sexual e reprodutiva em parcerias com a Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta, as ONG’s Associação de Ação Solidária, Grupo Viva a Vida, Grupo Gestos, SOS Corpo, Prefeitura da Cidade do Recife, Governo Federal/ Ministério da Saúde, Governo Federal/ Ministério do Trabalho, além de Organismos Internacionais: Comitê Alemão, Comitê da Suíça e Grupo de Padres Americanos de Detroit- EUA.

    4. Problema

    Observamos que o bairro de Nova Descoberta apresenta um elevado índice de gravidez de alto risco, além de altas percentagens de mulheres com baixo grau de instrução, conseqüentemente menor qualificação profissional para o mercado de trabalho. Atentamos, também, que as gravidezes precoces provocam grande evasão escolar tanto para as mulheres como para os companheiros, na sua maioria também adolescentes, que precocemente vão em busca de emprego no mercado de trabalho, face a responsabilidade de manutenção de um novo lar, ou compartilhamento das despesas de uma casa com seu genitor ou genitora, lançando-se cedo ao mercado sem concluir o curso médio ou superior. Aumento do envolvimento de adolescentes masculinos com o mundo das drogas, tanto como usuário como traficante de base (popularmente conhecidos como: avião ou mula) , em conseqüência da pressão financeira e social em gerar receitas “a qualquer preço” para sustento da família.

    5. Objetivos

    Objetivo Geral: contribuir para o intercâmbio entre as áreas de saúde, educação, cultura e lazer, tentando inibir a alta incidência de adolescentes grávidas, bem como em situações específicas que permitam resgatar a auto-estima da adolescente e norteiem a prevenção epidêmica. Ampliar a distribuição gratuita de métodos contraceptivos em escolas e postos de saúde do bairro, bem como campanhas e orientação sexual para adolescentes e pré-adolescentes. Priorizar a assistência médica à gestante adolescente no que se refere à saúde básica, mas também deve ser enfatizado o acompanhamento particular em quatro áreas essenciais: assistência ginecológica, exames pré-natais, assistência obstetrícia e exames pós-parto. Incentivar a continuidade dos estudos buscando a adequação dos horários às exigências da gravidez e da recém-maternidade, bem como a constituição de grupos de adolescentes nesta situação nas escolas. incentivar a profissionalização dos adolescentes e das adolescentes para que eles e elas possam se manter e sustentar também o filho ou a filha. Em muitos bairros, a única opção de lazer para os jovens é beber nos botecos e namorar, portanto oferecer alternativas de lazer e possibilidades de esporte, que resgatem o lado lúdico e recreativo, é também uma forma de prevenção.

    Objetivos Específicos: buscar a ampliação dos postos de distribuição de preservativos masculinos para a população de adolescentes; realizar uma palestra mensal em cada escola do bairro de nova descoberta, cujos palestrantes vão tratar sobre gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis- DST e AIDS, cujo público –alvo é adolescentes e pré-adolescentes; Organizar o atendimento prioritário de adolescentes grávidas junto aos unidades de saúde; Realizar à priorização das matrículas de mulheres grávidas ou com recém-nascidos no turno da noite; Realizar projeto para angariar recursos junto ao Governo Federal/ Ministério do Trabalho/ Fundo de Amparo ao Trabalhador- FAT, visando a realização de cursos profissionalizantes para adolescentes, priorizando aqueles que apresentam envolvimento com gravidez precoce; Buscar o aumento de áreas de lazer no bairro de Nova Descoberta; Buscar a implantação de creches municipais ou favorecimento de vagas a mães adolescentes em creches municipais ou de subsídio municipal para a locação de vagas em creches particulares.

    6. Resultados Esperados/ Metas

    Resultados Esperados- O reconhecimento do problema e a incorporação na agenda social do governo municipal e estadual dos problemas relacionados à gravidez na adolescência pode trazer resultados com relação à promoção da cidadania das adolescentes e de seus filhos. Um primeiro resultado é a afirmação do direito das adolescentes serem consideradas cidadãs que não podem ser alvo de discriminação por conta de sua condição e que têm direito a receber atenção do Estado. Isto significa, também, um ponto de partida para uma mudança cultural que enfraqueça o preconceito e a discriminação. Ações de prevenção à gravidez na adolescência podem significar a redução da incidência e, conseqüentemente, dos problemas e mortes relacionados. As ações de apoio e assistência trazem resultados diretos para as adolescentes e seus filhos e filhas. O oferecimento de apoio psicológico às jovens e aos jovens pais e às suas famílias pode minimizar problemas de relacionamento, evitando a desintegração social e familiar. A atenção apropriada à saúde ajuda a evitar problemas associados à gravidez e parto para as adolescentes e melhora as condições de saúde de seus filhos e filha. As ações sociais de uma política municipal de atenção às adolescentes podem trazer resultados positivos para as condições de subsistência das famílias. Pode-se promover a garantia de uma renda mínima, ou permitir que eles e elas continuem estudando, facilitando-lhes o acesso ao mercado de trabalho e, portanto, possibilitando que tenham melhores condições de sustentar as crianças, como no caso do programa “Parents Too Soon”, de Illinois, nos Estados Unidos, que oferece várias ações de apoio às adolescentes, orientadas para a garantia de sua continuidade nos estudos e seu acesso ao mercado de trabalho. Com isso, pode-se evitar diversos problemas sociais e familiares, ligados ao agravamento das condições da família ou à sua desestruturação.
    Metas-
    • Buscar conjuntamente com a ONG Grupo Mulher Maravilha a ampliação para 25 postos de distribuição de preservativos masculinos ( hoje existem 18) para a população de adolescentes;
    • Realizar conjuntamente com o ONG Grupo Gestos uma palestra mensal em cada escola do bairro de nova descoberta (hoje apresenta 01 escola estadual e 02 municipais) cujos palestrantes vão tratar sobre gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis- DST e AIDS, cujo público –alvo é adolescentes e pré-adolescentes;
    • Organizar juntamente com a Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta o atendimento prioritário de adolescentes grávidas junto as unidades de saúde ( existem 05 postos de saúde municipais e 01 hospital estadual);
    • Realizar conjuntamente com a Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta à priorização das matrículas de mulheres grávidas ou com recém-nascidos no turno da noite;
    • Realizar juntamente com a ONG Grupo Mulher Maravilha projeto para angariar recursos junto ao Governo Federal/ Ministério do Trabalho/ Fundo de Amparo ao Trabalhador- FAT, visando a realização de cursos profissionalizantes para cerca de 350 adolescentes, priorizando aqueles que apresentam envolvimento com gravidez precoce;
    • Buscar juntamente com a Associação Comunitária do bairro de Nova Descoberta o aumento para 05 áreas de lazer no bairro ( hoje existe apenas uma quadra poliesportiva), principalmente no processo de prioridades do projeto Orçamento Participativo coordenado pela Prefeitura Municipal do Recife;
    • Buscar conjuntamente com a ONG Grupo Mulher Maravilha e Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta a implantação de 05 creches municipais ( existem 02 municipais e 01 particular) , ou favorecimento de vagas a mães adolescentes em creches municipais ou de subsídio municipal para a locação de vagas em creches particulares.

    Metodologia/ Orçamento

    • A ampliação dos postos de distribuição de preservativos masculinos, prioritariamente para a população de adolescentes, vai ser realizada em parceria com a ONG Grupo Mulher Maravilha, cujos custos inexistem, por se tratar de trabalho voluntário a distribuição de panfletos e preservativos em residências e casas comerciais do bairro de Nova Descoberta;
    • As palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis- DST, AIDS, e gravidez precoce, cujo público –alvo é adolescentes e pré-adolescentes, serão realizadas pela ONG Grupo Gestos, sem custos para a população;
    • A Organização do atendimento prioritário de adolescentes grávidas junto as unidades de saúde será realizada juntamente com a Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta
    • A priorização das matrículas de mulheres grávidas ou com recém-nascidos no turno da noite, será realizada conjuntamente com a Associação Comunitária do bairro de Nova Descoberta junto aos colégios municipais e estaduais do bairro;
    • O projeto para angariar recursos junto ao Fundo de Amparo ao Trabalhador- FAT, no montante de R$ 100 mil, visando a realização de cursos profissionalizantes para cerca de 350 adolescentes, priorizando aqueles que apresentam envolvimento com gravidez precoce, será realizado juntamente com a ONG Grupo Mulher Maravilha;
    • A ampliação das áreas de lazer no bairro será realizada juntamente com a Associação Comunitária do bairro de Nova Descoberta, cujo orçamento ainda vai ser realizado;
    • A ampliação das creches municipais ou subsídio municipal para a locação de vagas em creches particulares, será realizada conjuntamente com a ONG Grupo Mulher Maravilha e Associação Comunitária do Bairro de Nova Descoberta, cujo orçamento ainda vai ser realizado.

    9. Referências Bibliográficas

    • Artigo Atenção à Gravidez na Adolescência publicado como Dicas no. 74, em 1996, de autoria de Veronika Paulics e auxiliar de pesquisa Fábio maleronka Ferron/ www.federativo. Bndes.gov.br
    • Artigo Gravidez Precoce do site Saúde de Vida On Line/ www.saudevidaonline.com.br
    • DEMO, Pedro. Charme da Exclusão Social, Campinas- SP, 1998
    • Texto Trabalho de Base de Plínio Arruda Sampaio e Ranulfo Peloso.
    • Cartilha “Caminhando Juntas na Prevenção da AIDS”, ano III, do Grupo Mulher Maravilha- GMM.
    • Estatuto do Grupo Mulher Maravilha- GMM ( reformado) de 16 de dezembro de 2004.

  • PROJETO DE INTEGRAÇÃO PARA A INCLUSÃO SOCIAL

    Fernando Antonio da Silva, Flávia Geralda Oliveira do Vale, Linalva Maria Barros (Pesquisadores)

    Relatório de Pesquisa: Projeto de Integração para a Inclusão Social
    Bacharelados em Ciências Sociais

    DLCH/ URFPRE
    Recife/ Junho/ 2005
    Fernando Antonio da Silva, Flávia Geralda Oliveira do Vale e Linalva Maria Barros
    Relatório de Projeto de Integração para a Inclusão Social

    Trabalho apresentado pelos alunos e alunas Fernando Antonio da Silva, Flávia Geralda Oliveira do Vale e Linalva Maria Barros do 4º período do curso Bacharelado em Ciências Sociais, em nível de graduação do DLCH/UFRPE, à disciplina Sociologia em Desenvolvimento sob a orientação da professora Selma Rodrigues.

    Recife/ junho/ 2005
    Epígrafe

    “O vazio teórico se configura na superficialidade das visões que imaginam dar conta de um fenômeno de intenso confronto social com alegações em torno de coesão social. Predomina ainda a perspectiva “durkheimiana” de solidariedade social, marcantemente funcionalista, e que perde de vista que a convivência social representa totalidade dinâmica de teor dialético. Excluir maiorias, mesmo que estas se sintam angustiadamente inúteis no sistema, implica movimento violento de reorganização dos privilégios sociais. Esta violência comparece em pelo menos duas preocupações por parte do sistema: a exclusão de maiorias representa ameaça à ordem; a necessidade de assistência indica no mínimo que esta situação incomoda. Aparecem, então, duas visões extremadas: a do liberalismo, que admite como inclusão efetiva apenas aquela que passa pelo mercado, relegando a cidadania; a dos teóricos da exclusão social, que, procurando superar explicações deterministas clássicas, flutuam num limbo que é bem a cara do “ welfare state”, ou seja, uma situação etérea que nunca alcançou mudar o perfil do capitalismo. A novidade talvez seja uma só: os países desenvolvidos precisam engolir em seco que não souberam resolver a questão social, que imaginavam já coisa de Terceiro Mundo”
    (Pedro Demo).

    Dedicatória

    Dedicamos esse nosso trabalho a Maria das Graças Freitas Rodrigues pelo seu exemplo de vida, dedicação e respeito aos direitos humanos e sua missão de realizar o desenvolvimento de coletividades carentes.

    Sumário

    1. Introdução......................................- ..................................................- ...........08
    2. Objetivos, metodologia da pesquisa, e técnica de coleta de dados.....10
    3. Exclusão e Estratégias de Inclusão Social............................................- ..12
    4. Reflexões, conceitos e experiências em Desenvolvimento Local.............................................- ..................................................- .............15
    5. Formas de Vontade...........................................- .........................................26
    6. Trabalho de Base ..................................................- ....................................30
    7. Contexto Social da ONG Grupo Mulher Maravilha, sua organização e estratégia de ação ..................................................- ...................................33
    8. Relação de Parcerias.........................................- ........................................41
    9. Conclusão........................................- ..................................................- .........45
    10. Referências Bibliográficas...................................- .....................................48

    1. Introdução

    Temos como objeto do presente relatório, repassar que todo o processo de desenvolvimento local é uma experiência de aprendizado. Precisamos transformar as experiências em curso em observatórios, para não desperdiçarmos a oportunidade de aprender com os atores locais a construção de novos caminhos para um desenvolvimento humano, social e sustentável, pois desenvolvimento local é acima de tudo o exercício de cidadania. Por isso não é um processo estático, mas um processo permanente de construção e de novas conquistas, não se restringindo apenas ao atendimento de demanda sociais básicas. Outro grande desafio refere-se à construção de políticas de desenvolvimento que consigam articular o projeto local com o projeto global, de modo a preservar o fim último que é a geração de renda e a diminuição das desigualdades sociais, transformando as dificuldades e obstáculos em oportunidades. A total retirada do Estado como agente regulador não vai resolver os problemas sociais básicos dos países em desenvolvimento. O que deve haver é uma reorientação da atuação do Estado, com divisão clara de funções entre as diferentes esferas do poder público e entre as suas diferentes instituições, privilegiando a participação local e a consolidação de políticas públicas harmonizadas que viabilizem as demandas globais, regionais e locais. Portanto as novas tendências apresentadas quanto à globalização, à descentralização/municipalização, à gestão local dos recursos naturais, e à organização dos atores sociais são mecanismos facilitadores do processo de desenvolvimento local, mas ainda apresentam muitas dificuldades e contradições para a sua viabilização, por terem que romper com uma cultura e uma estrutura organizacional pública que foi idealizada e construída com objetivos distintos dos que são atualmente apresentados.

    2. Objetivos, metodologia da pesquisa, e técnica de coleta de dados

    Objetivo Geral: verificar como se dá o processo estratégico de inclusão social do grupo de pessoas de um bairro de baixa renda da região metropolitana da cidade do Recife, Estado de Pernambuco.

    Objetivos Específicos: identificar: i) O processo histórico da formação da ONG Grupo Mulher Maravilha; ii) os processos formais de construção da integração interna da ONG Grupo Mulher Maravilha, visto pelo organograma, funções estatutárias, e composição da coordenação; iii) as estratégias e resultados das ações exercidas pela ONG Grupo Mulher Maravilha.

    Justificativa da Pesquisa: numa época em que a ação do Estado e de outros órgãos da política pública nas esferas do poder executivo, legislativo e judiciário tem sido passiva, cabendo a cada grupo a organização, luta e conquistas desses grupos junto aos governos, no sentido de angariar recursos e serviços necessários para a contenção da convulsão social.

    Enfoque Teórico: apoiamos-nos em reflexões sobre os conceitos que nos pareceram adequados para orientar a nossa observação. Autogestão, interesses, participação e relações interorganizacionais sob a forma de parcerias para a inclusão social.
    • Exclusão e Estratégias de Inclusão Social: Pedro Demo.
    • Reflexões, conceitos e experiências em Desenvolvimento Local: Ladislau Dowbor.
    • Formas de Vontade: A. Guilherme Galliano, Lysias Nogueira Negrão, J. Gabriel de La Roque Romeiro, Regina Festa e Ricardo Ferraz Vespucci.
    • Trabalho de Base: Plínio de Arruda Sampaio e Ranulfo Peloso.

    Metodologia e Técnicas de Pesquisa: trata-se de um estudo de caso, de formação de uma ONG para integração de grupos localizados em um bairro à cidadania e direitos humanos, raça e etnia, prevenção em saúde, educação popular, formação e inserção profissional.

    Técnicas de Coleta de Dados:
    • Dados Primários: entrevista semi-estruturada junto a Coordenação geral;
    • Dados Secundários: organograma, estatuto, projeto e contrato de parcerias.

    3. Exclusão Social e Estratégias de Inclusão Social

    O autor Pedro Demos no livro Charme da Exclusão Social nos fala sobre o pensamento de Dubar que expressa como ocorre a exclusão social do ser humano pelas instituições: empresa, escola, Estado, cidade, pois a ausência de emprego ou ocupação provoca uma perda de relações sociais, mostrando que a exclusão social não é fato novo, mas provocada pela dinâmica capitalista, ocorrendo à priorização do mercado de trabalho e o abandono da prioridade da família provoca ainda mais o distanciamento da cidadania plena. Cita, também, o entendimento do pensador Castel de que a exclusão apresenta como pilares do processo: a prioridade do emprego e a conseqüente fragilidade das relações sociais. Argumenta o autor que no sistema capitalista esse tipo de exclusão é defendido como peça da dinâmica de produção, face sua capacidade de evolução e a geração de novas formas de produção. Cita a análise crítica que o pensador Wacquant faz do termo “underclass”, pois o sistema capitalista nega sua decadência social e classifica os pobres em categorias com comportamentos anti-sociais, cuja classificação apresenta os pobres virtuosos, os quais não deveriam existir, entretanto apresentam dignidade em lutarem pela vida, e em outro grupo, ficam os pobres com concentração de desvio, ou seja, desocupação em longo prazo, dependência crônica dos programas sociais, falta de dignidade, de ética e comportamento amoral, como também, criminalidade e violência. Tal conceito torna o ser humano do papel de vítima para o de agressor do sistema e esse mesmo sistema procura isolar esses agressores em seus guetos (bairros, favelas, invasões). Pontuando que o moralismo típico dos Estados Unidos considera essa sub-raça chamada de “underclass” muito negativa para o corpo social e procura instigá-los ao confronto, forçando a sua integração pelo trabalho ou para evitar a acomodação promovida pela assistência pública. Fala-nos sobre a análise do pensador chamado Fassin de que a exclusão social é provocada pelo crescimento da pobreza urbana e suas configurações do espaço social, exemplificada pelas figuras: exclusão na França, underclass nos Estados Unidos e “marginalidad” na América Latina. Ressalta que com o processo agressivo da globalização o fosso diferencial entre o terceiro e o primeiro mundo é marcado: primeiramente, pela marginalidade com desvio de conduta, cujo volume crescente é fato comprovado na maioria das cidades; dificuldade de inserção na nova ordem econômica; as políticas sociais caóticas, em face de progressiva necessidade; e a corrupção política reinante do terceiro mundo. Registra que a exclusão é fortemente influenciada pela precariedade e decadência da dimensão econômica, além do isolamento dessa população em favelas e o comportamento pontuado pelo desvio de conduta. O autor Pedro Demo cita a “nova questão social” apresentada pelo pensador Paugam quando parte do pressuposto de que os excluídos são classificados, tomando como parâmetro o bem estar e a participação social dessas pessoas nas suas sociedades e considerando seu momento histórico, ocasião em que o Pedro Demo questiona este pressuposto, levando-se em consideração as variações do grau de pobreza, tendo como limite a sobrevivência, como também, o diferencial monetário e social de um pobre no Brasil em comparação a um pobre dos Estados Unidos. Em seguida cita os patamares de pobreza apresentados por Paugam: a) pobreza integrada, ou seja, pobres que não foram excluídos socialmente, pois apresentam baixo nível de vida, entretanto permanecem com os laços sociais marcados pela integração da família e união com seus pares do mesmo bairro ou vila; :) pobreza marginal - é aquela entre o limiar da pobreza tradicional e a pobreza desqualificante; c) pobreza com exclusão social, ou seja, aqueles pobres desqualificados que foram eliminados do sistema produtivo e, conseqüentemente, apresentam dependência das políticas públicas movidas pelas instituições sociais, grupo esse delimitado pelo crescimento progressivo e a angústia que causa aos seus pares que estão no limiar de pertencerem a esse grupo. Ocasião em que o autor relativiza sobre o que foi apresentado por Paugam, ou seja, mesmo os excluídos que ameaçam a ordem social e se sentem inúteis fazem parte do sistema, e o que se classifica como “nova questão social” é delineada pelo choque surgido na Europa (França) diante da perda do bem estar social da maioria da sua população.
    4. Reflexões, conceitos e experiências em Desenvolvimento Local
    O problema central, portanto, é o da recuperação do controle do cidadão, no seu bairro, na sua comunidade, sobre as formas do seu desenvolvimento, sobre a criação das dinâmicas concretas que levam a que a nossa vida seja agradável ou não. A questão do poder local está rapidamente emergindo para se tornar uma das questões fundamentais da nossa organização como sociedade. No caso dos países subdesenvolvidos, a questão se reveste de particular importância na medida em que o reforço do poder local permite, ainda que não assegure, criar equilíbrio mais democrático frente ao poder absurdamente centralizado nas mãos das elites. O desequilíbrio herdado - Por trás da questão da organização do nosso espaço de vida, está o problema básico da nossa sobrevivência econômica. Muitos não têm visão da gravidade da situação que enfrentamos neste fim de século. Destes, cerca de 1,2 bilhões vivem em países desenvolvidos, incluindo os países do Leste europeu. São três quartos da população mundial. A população dos países ricos aumenta atualmente de cerca de 7 milhões de habitantes por ano. A dos países pobres, 80 milhões. Nestes próximos anos, o Terceiro mundo representará quatro quintos da população do planeta. O grande problema que enfrentamos, neste fim de século, é o problema da pobreza, o problema do desenvolvimento. As raízes desta situação catastrófica são mais políticas do que econômicas. A realidade é que a metade do produto social é consumida por 10% das famílias mais ricas do país. O topo da pirâmide social, representando 1% dos mais ricos do país e cerca de 1,5 milhões de pessoas, obtém uma renda de cerca de 17% do total, enquanto a metade mais pobre do país não chega aos 13%. Isto significa que 1,5 milhões de ricos podem consumir mais do que os 75 milhões de pobres do país. Apesar de sermos um dos países mais bem dotados para a agricultura do mundo, temos cerca de metade da população desnutrida. Enquanto no campo social iam se avolumando problemas tão dramáticos, as grandes iniciativas do governo se concentravam em programas tão absurdos como o projeto nuclear, a Transamazônica, a ferrovia do aço, a "maior hidroelétrica do mundo" - Itaipu- e outros projetos que passam longe das necessidades efetivas da população. A centralização do poder está diretamente vinculada à concentração de renda, pois apenas com imenso poder central tanto ao nível do Estado como ao nível empresarial, é possível que 1% da população se aproprie de um produto social maior do que os 75 milhões de pobres. Os liberais nos dizem - "é a culpa do Estado". Na Suécia, exemplo de sociedade avançada, constatamos que o peso do Estado atinge os dois terços da economia. Em outros termos, a população urbana dos países em desenvolvimento estará quase dobrando nesta década. No caso brasileiro, passamos de 50% de população urbana em 1965, para 75% em 1988. Em 1980 cerca de 52% da população urbana vivia em cidades de mais de 500.000 habitantes, e a pressão continua forte: o crescimento da população urbana era de 3,6% ao ano no período 1980-88, quase o dobro da taxa de crescimento geral da população. Primeiro, porque a população se junta para discutir a organização do espaço onde vive. Um efeito indireto interessante é a modificação da atuação do técnico: os serviços da prefeitura intervêm para mostrar aos habitantes locais os limites das suas propostas: é preciso viabilizar a passagem do caminhão do lixo, algumas soluções de fechamento parcial são melhores do que outras do ponto de vista do trânsito externo e assim por diante. È verdade que o ceticismo quanto à importância estratégica dos mecanismos participativos no nível local ainda é grande. É bom dizer que também em torno da ideologia do poder local formou-se uma concepção simplificada, de solução universal na linha das tecnologias alternativas, do pequeno, do comunitário. Vantagens e desvantagens - A descentralização que o poder local permite tem igualmente uma dimensão administrativa extremamente concreta, a dimensão da simples racionalidade no uso dos recursos disponíveis, e da economia dos nossos esforços. No campo, permanecem os fatores de empobrecimento da população. O município está na linha de frente dos problemas, e em último lugar na hierarquia de decisões do Estado. A realidade é que estamos, nos países em desenvolvimento, dando os primeiros passos nesta área essencial do desenvolvimento local. À parte do orçamento destinada aos poderes locais atinge 19,4% na Venezuela, 12,3% na república Dominicana, 5% na Costa Rica, 6,4% no Paraguai, 5,8% no Peru, 4,2% no Panamá. De forma geral, a ordem de grandeza é que os municípios dos países desenvolvidos controlam cerca de metade dos recursos públicos nos países desenvolvidos, enquanto nos países subdesenvolvidos esta cifra situa-se em torno dos 10%. A racionalidade das ações de desenvolvimento exige assim cada vez mais que se imponha aos projetos o controle no nível do ponto de impacto, através da comunidade organizada, e não mais apenas no nível das instituições financiadoras centrais. Experiências recentes como a da "frente dos prefeitos", ou da Associação dos Secretários Municipais de Finanças, ou ainda dos consórcios inter-municipais, mostram que há um imenso campo de trabalho na coordenação inter-municipal, que permite políticas amplas e coordenadas, mas respondendo diretamente aos anseios da população.
    Na realidade é o conjunto do processo de tomada de decisão que precisa ser democratizado, aproximado da população, com uma revisão profunda da hierarquia de competências. Na área da limpeza pública está igualmente despontando uma nova geração de tecnologias, com participação do cidadão na separação do lixo, e as diversas formas de reciclagem que isto permite: compostagem, produção de energia, reaproveitamento de diversos produtos. Constatamos igualmente uma nova geração de soluções e propostas na área dos problemas ambientais urbanos, particularmente das grandes cidades. Mercado, planejamento e outros - A valorização recente do poder local não pode ser vista de forma isolada: trata-se de uma transformação lenta e profunda do conjunto dos mecanismos que o mundo "realmente existente" utiliza para organizar o seu desenvolvimento. Não se pode entender a nova dimensão do poder local sem entender esta transformação mais ampla. O mercado no sentido original hoje funciona em segmentos limitados da economia. Na própria área industrial, as grandes opções tecnológicas do Japão na área da micro-eletrônica, por exemplo, ou da Suécia na área da mecânica de precisão, resultam de decisões políticas e de estratégia econômica dos governos, baseadas em projeções de longo prazo, e não há nenhuma desregulação à vista nesta área. Estamos longe, aqui, tanto da teoria clássica dos monopólios, como do liberalismo econômico. Todos se preocupam hoje sobre esta dimensão mundial do nosso desenvolvimento. Trata-se da descentralização, do planejamento municipal, dos diversos sistemas de participação das comunidades nas decisões do espaço de vida do cidadão, e que dão corpo ao chamado "poder local". A participação comunitária constitui hoje claramente o mecanismo mais racional de regulação das principais atividades da área social, da urbanização, da pequena e média produção, além de constituir um "lastro" indispensável para o equilíbrio do conjunto das atividades no nível macroeconômico. No Brasil, voltando ao exemplo da terra, dos 850 milhões de hectares que compreendem o território nacional, temos cerca de 370 milhões de hectares de boa terra pronta para o cultivo. Em termos práticos, a pergunta que se deve fazer em cada município é a seguinte: quais são os recursos disponíveis e como estão sendo utilizados? Um bom exemplo é o do solo urbano: São Paulo, uma das quatro maiores metrópoles do mundo, tem 25% do seu solo vazio, aguardando valorização por esforço alheio, obrigando as pessoas a viver em bairros muito distantes ou em cortiços no centro, reduzindo a racionalidade do uso do recurso mais escasso da cidade. A falta de controle do uso da água, por outro lado, leva em geral a problemas ambientais dificilmente reversíveis, e a problemas dramáticos da qualidade de vida. O uso racional dos recursos não pode aguardar apenas a "mão invisível". Isso resulta dos mecanismos de mercado nessa área da economia. Isso, por sua vez, exige uma transformação do equilíbrio de decisão política, entre as empresas que exploram os recursos e a comunidade: trata-se de democratizar a decisão econômica do município. O resultado é o nível impressionante que atingiu no Brasil o esgotamento de solos, a destruição de florestas - com as perturbações de chuvas e de desertificação que resultam - a poluição do litoral de norte a sul do país, o desaparecimento da fauna, do recurso pesqueiro, a poluição dos rios e do ar, dinâmica cujo impacto sentirá a próxima geração, mas de maneira irreversível se não intensificarmos as providências hoje. O cruzamento dos dados de subutilização dos recursos humanos com os dados de subutilização de recursos naturais - terra, materiais de construção ou outros - aponta, freqüentemente, para soluções práticas que podem ser colocadas para discussão da comunidade, visando à promoção do desenvolvimento do conjunto dos recursos. Freqüentemente, inclusive, estas "ilhas" têm mais vinculações com a área internacional ou com as metrópoles do país do que propriamente com a economia local. Este tipo de desenvolvimento resulta, obviamente, na subutilização dos recursos humanos. A monocultura ou excessiva especialização do município - que acaba dependendo de um só ou de alguns produtos apenas - leva a necessidades muito elevadas de mão-de-obra no período do plantio ou da safra, e a um vazio durante o resto do ano. Isso dá origem ao namorico rural e à formação de periferias miseráveis e instáveis em torno dos centros urbanos. O subemprego, a monocultura - com a geração do subemprego sazonal - e o fato dos setores modernos não responderem senão de forma muito parcial às necessidades da parte pobre da população, levam por sua vez ao desenvolvimento do setor informal. Na América Latina entre 1980 e 1987, o setor informal absorveu 56% dos novos trabalhadores. A harmonização interna, no espaço do município, entre atividades industriais, agrícolas e de diversos serviços, a elevação do nível tecnológico do conjunto, visando tanto a plena utilização dos recursos humanos como a homogeneidade tecnológica, exigem evidentemente um espaço de participação ampla nas decisões e uma ruptura com formas centralizadas em que algumas famílias ou algumas empresas ordenam o espaço municipal em função dos seus interesses ou de interesses externos, e de um ou dois produtos. O planejamento econômico centralizado tampouco constitui um instrumento regulador significativo neste campo: os níveis salariais e o acesso das diversas parcelas da população ao produto social dependem menos de um plano e da sua decisão técnica sobre a melhor estrutura de remuneração, do que dos equilíbrios políticos que determinam a política de renda do Estado. Os recursos naturais e os recursos humanos dependem para o seu desenvolvimento do desenvolvimento paralelo das infra-estruturas sociais, do investimento no ser humano. É importante notar que a intensidade e as formas de funcionamento do aparelho produtivo e das infra-estruturas econômicas dependem em grande parte de mecanismos de mercado, dos preços de fatores e dos preços de venda ao consumidor. É importante lembrar que, ainda que a construção das redes de infra-estruturas econômicos possa depender de administrações supra-municipais ou de autarquias, como no caso da energia ou das telecomunicações, a lógica integradora do conjunto das redes depende da influência da prefeitura e da participação comunitária sobre as formas de sua estruturação local. O Brasil herdou do regime militar uma gigantesca máquina financeira, extremamente centralizada, permitindo um elevado grau de monopolização do acesso aos recursos financeiros. No Brasil, a própria orientação setorial do uso dos recursos obedece ao interesse dos grandes grupos de São Paulo, ou às orientações globais do governo federal. Isso, por sua vez, reforça o profundo desequilíbrio do país entre setores modernos e setores atrasados, um dificultando a dinâmica do outro. Este setor exige, portanto, uma articulação de vários níveis de intervenção: financiamento dos grandes empreendimentos econômicos através de organismos financeiros estatais, em função de prioridades definidas pelo planejamento central; financiamento de grandes investimentos empresariais através do re-investimento e do mercado de ações, captando recursos que o público conscientemente deseja aplicar na atividade empresarial; financiamento dos pequenos e médios empreendimentos econômicos através de controle local e comunitário, ao nível do banco municipal; e controle do volume geral de financiamentos através da política de conjuntura do Estado, que influi sobre a taxa geral de juros e políticas de crédito em nível nacional. O atraso na sua materialização resulta, sem dúvida, da força dos grandes grupos econômicos privados e multinacionais, que têm a ganhar com a centralização financeira. Trata-se aqui de mais uma frente de luta pela descentralização e pela modernização da gestão financeira do país em geral. O desenvolvimento deve ser entendido no sentido moderno, incluindo não só o aumento da produção como o equilíbrio social no acesso aos benefícios, e a preservação dos recursos não renováveis. Trata-se, portanto, de um esforço do município sobre si mesmo. Esta deve se adaptar à realidade local e responder a um profundo conhecimento da dinâmica política do município. A criação de instrumentos participativos ao nível municipal enfrenta no Brasil dificuldades particulares: o próprio desenvolvimento caótico da atividade empresarial criou um nomadismo econômico que é dos mais altos do mundo. Um avanço significativo da participação pode se dar através dos meios científicos e educacionais. Este nível de organização permite desenvolver pesquisa de fundo: estudos demográficos, estudos da posse e uso do solo, estudos da própria história do município, criando gradualmente um núcleo capaz de conhecer o município e os seus problemas mais significativos, e transmitir estes conhecimentos às forças políticas locais. Por outro lado, pode-se promover uma reorientação parcial dos eventuais estudos universitários, incluindo no currículo das diversas faculdades ampla pesquisa da realidade local. Isto permite formar gente interessada na realidade do seu município, reduzindo a tendência para a emigração de quadros dinâmicos, na medida em que uma pesquisa voltada para o estudo do potencial econômico concreto do município faz aparecer oportunidades de intervenção e transformação, rompendo o clima de imobilismo que freqüentemente prevalece em municípios do interior. Um outro nível de organização da participação se baseia numa correta divisão espacial do município. Uma das dificuldades encontradas no trabalho com os comitês do bairro é a exagerada localização das reivindicações: busca-se a praça, o asfalto, o esgoto, a iluminação, mas sem visão dos investimentos mais amplos e das necessidades de mais longo prazo do município como um todo. Um outro nível de participação é o dos corpos organizados no município: os sindicatos, as representações profissionais, as associações. A tradição do cacique ou do coronel, hoje vestindo gravata e dotado de poderosos apoios de grupos financeiros, é simplesmente uma realidade. Em conseqüência, a atribuição de maiores recursos ao município e a organização da participação da comunidade nas decisões sobre as formas de sua utilização, constituem a melhor política para limitar tanto o poder centralizador dos grandes grupos econômicos, como a força dos caciques e coronéis, e para adequar o desenvolvimento às necessidades da população. Um exemplo é a experiência da discussão pública dos orçamentos municipais hoje regularmente utilizada em numerosos municípios do país.

    5. Formas de Vontade

    As relações sociais são concebidas por Tonnies essencialmente com relações entre “vontades”. O termo “vontade”, nesse contexto, é usado em sentido genérico – e por isso mesmo bastante vago – para designar o conjunto dos mecanismos que motivam e orientam a ação dos seres humanos nas relações que mantêm entre si. Entende-se, portanto, que em Tönnies a concepção dicotômica da vida social se baseia numa distinção entre duas formas de vontade: a “vontade orgânica” (Wesenwille) e a “vontade reflexiva” (Kürwille).
    Segundo Tönnies, a vontade orgânica está diretamente ligada à biologia humana, ou seja, aos fatores que condicionam a atividade do ser humano como ser vivo; é daí que essa forma de vontade extrai seu princípio, sua força e seu ímpeto. Isto significa que ela exprime diretamente as necessidades vitais do ser humano na totalidade do seu modo de ser – uma totalidade que compreende estados biológicos, sentimentos e pensamentos. Portanto, a vontade orgânica não exclui o pensamento. Mas nela o pensamento não predomina, subordinando-se ao conjunto das motivações da ação humana.
    O predomínio do pensamento é justamente o que caracteriza a outra forma de vontade, a vontade reflexiva. Nesse sentido a vontade reflexiva é algo artificial. O ser humano teria sido levado a construí-la dentro de si ao longo da evolução, de certo modo por acréscimo, submetendo parte de sua atividade ao controle do pensamento ou da racionalidade.
    O próprio autor resume de maneira muito feliz a distinção entre as duas formas de vontade. Segundo ele, pode-se dizer que a vontade orgânica é “uma vontade que inclui o pensamento”, enquanto que a vontade reflexiva é “um pensamento que envolve a vontade”.
    Desse modo, a vontade orgânica compreende: 1º. Desejo, correspondente à atividade vegetativa interior ao organismo, ligada às necessidades fisiológicas básicas como fome, impulso sexual, etc.; 2º. O hábito, correspondente à atividade “animal” pela qual o ser humano, enquanto organismo, se relaciona com o mundo exterior para obter a satisfação de seus desejos por meio de padrões de ação determinados; 3º. Memória, definida como capacidade de reproduzir os atos requeridos para alcançar fins específicos, e correspondente à atividade mental envolvida no processo de formação dos hábitos. Tanto o hábito como a memória, afirma o autor, são adquiridos por aprendizagem. E a maneira como eles se combinam entre si com o desejo determina o caráter moral particular do indivíduo. A moralidade está, portanto, ligada à vontade orgânica.
    Quanto à vontade reflexiva, também compreende três formas: 1º. Reflexão propriamente dita, pela qual o pensamento governa a ação levando em conta as intenções ou finalidades daquele que age; 2º. A conveniência, pela qual o pensamento pondera as razões da escolha de uma dada finalidade levando em conta a situação em que se encontra o agente; 3º. Conceito, pelo qual o pensamento, chamado nesse caso pensamento formal, considera genérica e racionalmente os objetos e finalidades da ação abstraindo-os de seu contexto concreto.
    Segundo o autor, o que torna a oposição entre as duas vontades significativa tanto para os indivíduos como para os grupos sociais é simplesmente o fato de que uma ou outra dentre elas tende a predominar também na orientação das ações recíprocas entre os indivíduos. Ora, mas as ações recíprocas constituem, como já sabemos, a trama das relações sociais entre os indivíduos. Tönnies denomina “relações comunitárias” às relações sociais em que predomina a vontade orgânica, e “relações societárias” àquelas em que predomina a vontade reflexiva. Evidentemente esses dois tipos de relações são categorias teóricas. Isto significa que é impossível observar, na vida real, relações puramente comunitárias ou puramente societárias. Os tipos puros devem ser visto antes como os extremos de uma escala contínua ao longo da qual se situariam as relações reais. Não obstante, segundo Tönnies, é sempre possível determinar de qual dos extremos dessa escala está mais próxima cada relação real. Em princípio pode-se dizer, por exemplo, que a relação marido/mulher se aproxima do tipo comunitário, caracterizado pelo domínio da vontade orgânica. Com efeito, normalmente as relações conjugais se caracterizam por um forte conteúdo afetivo, que tende a predominar sobre as considerações de ordem racional, embora estas, sem dúvida, também se façam presentes. Ao passo que a relação patrão/empregado tende a se aproximar do tipo societário, onde a consideração racional das finalidades e da situação de ambas as partes exprime o domínio da vontade reflexiva. De outra parte, o tipo de relação predominante em cada agrupamento humano concreto permitiria classificá-lo do mesmo modo, entre os dois extremos de uma escala contínua. Assim os agrupamentos onde predominam as relações comunitárias se aproximariam do tipo de organização social que Tönnies denomina “comunidade”( Gemeinschaft). E os agrupamentos onde predominam as relações societárias se aproximariam do tipo denominado “sociedade”( Gesellschaft).

    6. Trabalho de Base

    Trabalho de base não é receita ou mágica. É um jeito de fazer política onde o militante coloca a sua alma. É uma paixão carregada de indignação contra qualquer injustiça e cheia de ternura por todos que se dispõem a construir um mundo sem a marca da dominação. Essa convicção nasce do coração e da razão, torna-se força contagiante capaz de vencer a fúria e a sedução da opressão e de comprometer-se com a transformação das pessoas e da sociedade.
    Essa prática multiplicadora por ser realizada nas favelas, nas ocupações de terras, nos diversos locais de trabalho, nas igrejas, na instituição do Estado e nos espaços internacionais. Ela se sustenta quanto mantêm os pés no chão e a cabeça nos sonhos. Consegue vitórias quando articula as lutas econômicas com as diferentes lutas políticas e sociais. E perdura, em qualquer conjuntura, quando combina ações de rebeldia com as disputas na legalidade.
    A finalidade do trabalho de base é: anunciar sempre que o ideal da humanidade é a prosperidade e a convivência solidária e combater a ganância, a competição, a dominação. Quanto maior a opressão e a crise, maior a razão para propagar o sonho da sociedade sem classes; despertar a dignidade das pessoas e a confiança nos seus valores e no seu potencial. Em geral, quem está no poder, prefere gente obediente e conformada porque é fácil manipular uma população domesticada e dependente; canalizar a rebeldia popular na luta contra a injustiça e na construção de uma sociedade de homens novos e mulheres novas onde a produção, distribuição e consumo sejam orientados pela lógica da solidariedade; transformar a realidade e conseguir vitórias em todos os campos e em todas as dimensões que satisfaçam os justos anseios da população.
    A força do trabalho de base está: Na sua sustentação de base- trabalho de base tem que ter raízes plantadas na alma da população que é a base da sociedade. Por causa desse alicerce ele sempre renasce e se reproduz. Não é um movimento para os trabalhadores. É dos trabalhadores. O povo deve se sentir parte dessa construção e companheir@as da mesma caminhada. Para isso, o trabalho de base se organiza onde o povo vive e trabalha; Na crença no povo- o povo está sempre reagindo contra a exploração e a dominação, mesmo quando não fala a linguagem dos militantes ou entra em caminhos que são armadilhas. A história tem mostrado que, apesar de toda miséria e de toda contradição, o povo é a sementeira permanente de novas formas de luta e de novos militantes; Na clareza que a organização popular- sendo uma parte, é parte para incluir todo o povo. Os dirigentes não são “guias geniais”, mas lideranças que ajudam o povo a entender a realidade e organizar os esforços, no rumo da transformação. No processo, o povo vai assumindo-se como sujeito de sua história; Na coerência entre o rumo e caminho- no trabalho de base não tem essa de “fazer a cabeça”. A pessoa deve abraçar a causa porque foi convencida de que ela é justa. Fica difícil falar de liberdade se, na prática diária, as pessoas mantêm um comportamento autoritário e antidemocrático. É verdade que “quem não sabe onde quer chegar, não chega lá, nunca”. Também é verdade que “o fim é o caminho que a gente faz para chegar no objetivo”. Quer dizer, o método que se pratica deve ser coerente com os objetivos que se pregam; Na metodologia multiplicadora- cada militante que se convence assume o compromisso de mobilizar um time de novos companheiros e companheiras. Estes, por sua vez, vão repartir os esclarecimentos e as experiências com outros companheiros e companheiras que vivem em muitos espaços de luta, de vida e de trabalho. Assim se vai tecendo a rede de resistência, de luta e de solidariedade para a conquista de vitórias; No planejamento das ações- ninguém entra de peito aberto numa guerra. É indispensável traçar um caminho capaz de levar à vitória. O planejamento enfrenta o medo de mexer no comodismo das pessoas e na indisciplina da prática espontaneísta. É fundamental planejamento, organização e balanço de resultados.

    7. Contexto Social da ONG Grupo Mulher Maravilha, sua organização e estratégia de ação

    Localizado ao norte no município do Recife, encontra-se o bairro de Nova Descoberta, com uma população de 34.676 habitantes. No tocante ao nível de instrução, a população em sua maioria possui apenas o 1º. Grau maior e 4.348 são analfabetos e analfabetas, possuindo uma regular qualificação profissional e boa parta da população está à margem do mercado de trabalho. O bairro está norteado por problemas tanto de ordem estrutural como social. A coleta de lixo é deficitária, o sistema de esgoto é precário, e, principalmente, a segurança é sofrível. Como também, ressaltamos o município de Afogados da Ingazeira, localizado no sertão do pajeú do Estado de Pernambuco, com uma população de 31.806 habitantes e com área de 386 km2, apresentando todas as dificuldades presentes na região semi-árida do Nordeste, com ênfase no êxodo rural e infra-estrutura precária para o bem estar do povo de Afogados da Ingazeira.
    Objetivando cobrar as autoridades nas esferas municipal, estadual e federal, suas responsabilidades com relação ao respeito aos direitos humanos numa perspectiva de gênero e etnia, pelo acesso à cidadania da população vítima de exclusão social e empoderamento das mulheres para a construção de uma nova sociedade, foi criada a ONG Grupo Mulher Maravilha, tendo com área de abrangência o bairro de Nova descoberta e adjacências e a região do semi-árido do sertão do Pajeú, apresentando como beneficiários e beneficiárias, as mulheres, adolescentes e jovens de ambos os sexos e os negros e negras.
    O Grupo Mulher Maravilha surgiu através de um grupo de 10 mulheres com militância política, estudantes, todas preocupadas com a situação dos presos políticos, vítimas da repressão da ditadura militar reinante nos anos de 1973, 1974, estando esse grupo no contexto histórico da repressão política e de perseguição a qualquer movimento libertário. E foi nesse cenário que algumas mulheres ousaram se reunir para discutir questões sociais e a situação da mulher no lar e na comunidade do bairro de Nova Descoberta, porém contando com o fundamental apoio de religiosas da paróquia de Nova Descoberta que haviam chegado dos Estados Unidos da América e sob a influência de Dom Hélder Câmara iniciaram as atividades de reflexão e discussão do sentido da liberdade humana. O nome “Grupo Mulher Maravilha”se originou de um seriado televisivo, em que uma mulher fazia maravilhas, valendo-se de supostos poderes. As mulheres refletiram e entenderam que Mulher Maravilha verdadeiramente eram elas que, além de cuidar do lar, enfrentando todas as dificuldades, ainda encontravam tempo para trabalhar fora de casa, e se organizar na comunidade com a preocupação de mudanças na estrutura social. O Grupo Mulher Maravilha sempre teve a preocupação de discutir questões políticas, controle social, gênero, saúde e direitos humanos, preocupado com a formação da consciência crítica e questionadora, tornando as pessoas capazes de analisarem o processo crescente de exclusão e de opressão. Mesmo conduzindo a luta, o Grupo sempre esteve aberto à participação das pessoas, atento em garantir uma prática democrática e libertadora, provocando o diálogo e favorecendo a construção coletiva. Iniciou-se através de reuniões na sacristia da igreja católica, em seguida em casa cedida pelas freiras, cujas discussões pautavam o trabalho em defesa da contenção de queda de barreiras dos morros de Nova Descoberta, construção de escadarias, linhas de ônibus para a comunidade, cursos preparatórios para o vestibular, ocasião em que ocorria o trabalho voluntário das pessoas com formação superior, além das discussões sobre a pirâmide social, o bolo social, os furões de greve, as técnicas de auto-exame e medicina caseira, buscando sempre a mulher consciente do seu corpo, sua família e sua vida em sociedade. Logo cedo foi necessário colocar em prática as atividades cotidianas que as mulheres já sabiam fazer, como: confeitaria, corte e costura, bordados, entre outros trabalhos artesanais, possibilitando as integrantes do Grupo, a geração de renda e conseqüentemente, certa autonomia financeira, atividades essas que se realizavam acompanhadas de reflexão sobre questões de cidadanias.
    As ações do Grupo são desenvolvidas no bairro de Nova Descoberta com pessoas que chegam de vários bairros adjacentes e em diversos grupos rurais de municípios do Sertão do Pajeú. Atualmente as ações principais são: cursos de formação e inserção profissional, prevenção às DST- Doenças Sexualmente Transmitíveis/ AIDS, campanhas de enfrentamento à violência de gênero e contra criança e adolescente e de empoderamento dos grupos de negros rurais quilombolas.
    O Grupo Mulher Maravilha desenvolveu a prática de aprender fazendo, adotando o lema crescer juntas com a compreensão de que “Só há um Caminho: Caminhar Juntas. E, também, sempre procurou refletir que “Não basta ser Mulher” e ser a maioria da população, pois é preciso ser mulher consciente do papel que necessita assumir, com muita coragem, preparando-se para lutar pela construção de uma nova sociedade e também que “Feliz é a mulher que se organiza”. Nesses 30 anos de existência, o Grupo Mulher Maravilha procurou assegurar tanto para seu quadro de sócios como a todas as pessoas beneficiadas pela sua atuação, o empoderamento para que sejam protagonistas de suas histórias, assegurando a formação da consciência crítica para o exercício da cidadania e o compromisso em lutar pelos direitos humanos como uma prática libertadora. Ao longos dos anos o Grupo construiu parcerias, filiou-se a diversas redes e fóruns e fez diversas articulações com instituições nacionais e internacionais, com órgãos oficiais das três esferas públicas, e através dos projetos procura assegurar a captação de recursos para o comprimento de sua missão, como posta em seu Estatuto: “Lutar pela promoção dos Direitos Humanos numa perspectiva de gênero, raça e etnia, pelo acesso à cidadania da população vítima da exclusão social e o empoderamento das mulheres para construção de uma nova socidade”.
    O Grupo Mulher Maravilha foi constituído em 21 de abril de 1975, é uma associação civil sem fins econômicos, pessoa jurídica de direito privado, com autonomia administrativa e financeira, CNPJ- 24.418.014/0001-98,com sede e foro à rua Nova Descoberta, no. 700, Nova Descoberta, CEP- 52.090-000, Recife – Pernambuco, fones/fax (081) 34417521, 32678657 e 32678993, e tem por finalidades promover o exercício pleno da cidadania das mulheres e dos adolescentes e jovens de ambos os sexos, no lar e na comunidade. O GMM apresenta como estrutura física: em Recife- 03 unidades, sendo 01 com laboratório de informática e espaço da Cidadania, 01 unidade denominada Favo Maravilha com uma cozinha industrial, para realização de cursos de pastelaria e laticínios, 01 unidade onde funciona a parte de escritório, sala de reunião e oficinas de cidadania; em Afogados da Ingazeira- 01 unidade com dois pavimentos onde funciona uma unidade de informática e realização de cursos e capacitações. No momento o Grupo Mulher Maravilha apresenta como principais programas e atividades: formação cidadã para o acesso à justiça e direitos humanos; ações de acompanhamento a prestadores de serviço com penas alternativas; ação educativa par uma consciência negra e empoderamento de comunidades negras rurais quilombolas; protagonismo feminino e juvenil; enfrentamento à violência doméstica e sexual infanto-juvenil; enfrentamento à violência de gênero; fortalecimento das ações das mulheres e seu empoderamento; prevenção às DST/ AIDS; e formação e inserção profissional.
    ORGANIZAÇÃO FORMAL DO GRUPO MULHER MARAVILHA - GMM- É composta pelos órgãos: Assembléia Geral, Coordenação Geral e Conselho Fiscal. A Assembléia Geral é o órgão máximo de deliberação do GMM com participação de todas as associadas e associados em pleno gozo de seus direitos; Coordenação Geral composta de Coordenadora Geral, Secretária, Tesoureira e Suplente; e Conselho Fiscal composto de três membros eleitos pela Assembléia Geral.

    FUNÇÕES E COMPOSIÇÃO DA ASSEMBLÉIA GERAL, COORDENAÇÃO GERAL E CONSELHO FISCAL-
    • Assembléia Geral Ordinária- Ocorrem três vezes ao ano e compete: aprovar os relatórios financeiros e de atividades do exercício anterior; apreciar o plano de ação para o exercício que se inicia; deliberar sobre qualquer assunto, inclusive os não tratados no Estatuto; ratificar a admissão ou desligamento de associadas e associados.
    • Assembléia Geral Extraordinária- Pode ser convocada a qualquer tempo pela Coordenação Geral, pelo Conselho Fiscal ou por requerimento de 1.5 ( um quinto) das sócias/ sócios quites com as obrigações sociais e com antecedência mínima de 08 ( oito) dias para tratar de assuntos relevantes à GMM.
    • Coordenação Geral- É a legítima representação da GMM perante os organismos e instituições públicas, entidades sociais, instituições financeiras, área judicial e a sociedade de maneira geral.
    • A Coordenadora Geral representa a GMM ativa e passivamente, judicial e extra-judicialmente, sendo eleito pelo voto direto para um mandato de 03 ( três anos), segundo o Estatuto.
    • Secretária- É a substituta direta da Coordenadora Geral e responsabiliza-se pela elaboração, guarda, e supervisiona todo o trabalho relacionado à Secretaria Executiva.
    • Tesoureira- É a substituta direta da Secretária e responde juntamente com a Coordenadora Geral pelos atos relativos à gestão financeira e contábil da entidade.
    • Suplente- Assume algum cargo da Coordenação Geral em caso de vacância temporária ou definitiva, segundo a ordem hierárquica crescente.
    • Conselho Fiscal- Compete examinar os livros escriturários, apreciar o balanço e balancetes apresentados e o relatório anual da Coordenação Geral, reunindo-se a cada 04 ( quatro meses) por um mandato de 03 (três ) anos.

    Relação da Coordenação Geral e Conselho Fiscal do Grupo Mulher Maravilha

    • Coordenação Geral- Maria das Graças Freitas Rodrigues, brasileira, casada, Assistente Social, CPF- 212.565.274-91, RG- 1.756.828- SSP/PE, endereço residencial- rua Fernandes Vieira, no. 600, apto. 808-B- Boa Vista- Recife-PE.
    • Secretaria- Valéria Araújo Santos, brasileira, casada, Socióloga, CPF- 296.304.954-49, RG- 2.015.290 SSP/ PE, endereço residencial- rua Nova Descoberta, no. 749- A- Nova Descoberta- Recife- PE.
    • Tesoureira- Ilza Rego da Silva, brasileira, viúva, Artesã, CPF- 277.297.884-20, RG- 594.788. SSP/ PE, endereço residencial- rua Dantas, no. 66- Nova Descoberta- Recife- PE.
    • Suplente- Marineide Xavier dos Santos, brasileira, solteira, Educadora Social, CPF- 172.275.694-20, RG- 1.391.147- SSP/ PE, endereço residencial- rua Tamaniquá, no. 70- Nova Descoberta- Recife- PE.
    • Conselho Fiscal
    o Severina Cruz de Lemos, brasileira, casada, Artesã, CPF- 440.270.874-53, RG- 1.557.992 SSP/ PE, endereço residencial- rua Nova Descoberta, no. 840- Nova Descoberta- Recife- PE.
    o Marilúcia Severina da Silva, brasileira, solteira, Artista Plástica, CPF- 326.698.104-97, RG- 1.956.095 SSP/ PE, endereço residencial- rua Senador Milton Campos, no. 116- Vasco da Gama- Recife- PE.
    o Maria José Gomes de Brito, brasileira, casada, Artesã, CPF- 688.768.584-15, RG- 2.011.311- SSP/ PE, endereço residencial- rua ameópolis, no. 51- Alto do Mandu- Recife- PE.

    8. Relação de Parcerias

    Relacionamos a teia de relacionamento construída pelo Grupo Mulher Maravilha, especificando a finalidade de cada parceria construída com os diversos órgãos e instituições nacionais e internacionais, e empresas públicas e privadas.

    • Centro de Assistência a Doentes Terminais – CADOTER- o GMM realiza um trabalho de informação, sensibilização e apoio junto às famílias vitimadas;
    • Associação de Ação Solidária – ASAS- o GMM realiza um trabalho de informação, sensibilização e apoio junto às famílias vitimadas;
    • Grupo Viva a Vida- o GMM realiza um trabalho de informação, sensibilização e apoio junto às famílias vitimadas;
    • Grupo Viva a Vida- o GMM realiza um trabalho de informação, sensibilização e apoio junto às famílias vitimadas;
    • ONG Grupo GESTOS- Projeto de saúde sexual e reprodutiva e prevenção das DST/AIDS, através da unidade do GMM no Sertão do Pajeú em Afogados da Ingazeira;
    • ONG SOS CORPO- Implantação de trabalho comunitário e educativo para trabalhar com prevenção no campo da saúde sexual e reprodutiva, ocorrendo a formação de 64 agentes multiplicadores, implantação de seis pontos de fornecimento de camisinhas, dezenas de palestras e fornecimento de informações e preservativos para 30 mil pessoas.
    • Prefeitura da Cidade do Recife- Apoio ao GMM na realização de palestras em Escolas Municipais acerca das DST/ AIDS.
    • Ministério da Saúde/ Governo Federal- Projeto Caminhando Juntas na Prevenção da AIDS e DST, visando a prevenção da AIDS com a criação de 14 pontos de fornecimento de camisinhas em Recife e 04 no Sertão do Pajeú;
    • Ministério do Trabalho- Repasse de verbas do Fundo de Amparo do Trabalhador- FAT para a realização de cursos e capacitação de pastelaria, laticínios, entre outros;
    • Voluntárias e Voluntários- Repasse de diversas técnicas as associadas; fornecimento de preservativos e materiais educativos nos pontos: Recife- lanchonete Comer Comer, União e Conselho de Moradores do Córrego do Eucalipto, Grupo de Mês do Maripá, Favo Maravilha, residência de João Batista, barraca da Fátima, residência da Lia, residência da Margarida, residência da Roseline, Espaço da Cidadania, barraca da Neide, Bloco Carnavalesco Turma Periquito, empresa Infonorte.com- ME; Afogados da Ingazeira- Espaço Benvirá, residência de Leonice, Sítio Jorge de Ingazeira e Sítio Caiçara, além dos pontos volantes que distribuem em fábricas, grupos de capoeiras e escolas, cujos responsáveis são Fábio Bezerra, Janayna Cavalcante, Suely Brasil, Helena Levino e Vera Lúcia.

    Organismos Internacionais:
    • Comitê Alemão- Contribuição na formação dos Agentes Multiplicadores e manutenção da publicação do jornal Colméia Maravilha;
    • Suíça- contribuição para o fortalecimento institucional e serviços de auditoria do GMM.
    • Padres Americanos dos EUA Detroit- Doação de terreno para construção do espaço Favo Maravilha ( cozinha industrial e espaço para cursos de pastelaria e laticínios).
    .

    9. Conclusão

    Inseridos numa perspectiva cada vez mais globalizada, no qual os poderes públicos representados pelos órgãos e instituições se eximem de suas responsabilidades sociais, a ONG Grupo Mulher Maravilha apresenta como eixos de trabalho para a inclusão social: a luta pelos direitos humanos, acesso à cidadania e a conscientização do papel da mulher na sociedade.
    A trajetória histórica do GMM mostra a força da organização popular, provocando uma revolução positiva para o bem estar da sociedade, cuja mudança de consciência se propaga, com efeito, de ondas de mudanças, tendo como epicentro um pequeno grupo de mulheres do conglomerado de algumas ruas do bairro de Nova Descoberta, porém irradiando mudanças em todo o bairro, afetando outros bairros e outras regiões.
    Dentro do contexto de que as dificuldades e necessidades não se limitam a porções geográficas e sim de que todo o terceiro mundo, do ocidente ou do oriente, enfrenta a exclusão do acúmulo de riqueza, do capitalismo selvagem e da exploração do “homem pelo homem”, criando o efeito de negação dos mínimos direitos à vida, a dignidade, e ao bem estar social de todos os grupos desorganizados.
    A experiência acumulada pelos mais de 30 anos do GMM, mostra toda a importância do trabalho de base consolidado: 1) no conhecimento da realidade- cujas informações nascem da convivência, observação, conversas, visitas, decobrindo pessoas e sinais de luta e ajudar essa luta a se ampliar, a se organizar e obter vitórias econômicas, políticas, sociais e culturais; Ações- os dados da realidade podem sugerir várias propostas de ação, e cada ação a ser encaminhada é aquela na qual o grupo vai participar e não ficar na platéia, assistindo. Tem que ser uma ação dentro da compreensão, do momento e do ritmo desse povo, pois pode ser um protesto, uma greve, uma disputa política, como também, pode ser um jogo, uma festa, ou uma celebração, portanto “agir sobre a realidade é a única forma de provar que se pode mudar a realidade”; liderança- as lideranças são indispensáveis no trabalho popular, porém só merecem esse nome quando reúnem, em torno de si, muitas pessoas e quando criam as condições para o aparecimento de outras lideranças. As verdadeiras lideranças não são necessariamente eleitas e sim as verdadeiramente reconhecidas por causa de sua atuação e de sua dedicação; parceria- a parceria é a descoberta de que ninguém pode fazer tudo, que ninguém sabe ou é especialista em tudo. A parceria é a crença no valor da troca das competências, no poder de fogo da ação conjunta e na soma dos recursos disponíveis. Não nascemos no mesmo lugar, não temos a mesma religião, a mesma ideologia, a mesma opção sexual, o mesmo time de futebol, nem o mesmo paladar. Portanto é uma riqueza o desafio que as diferenças nos colocam, porém nunca se pode esquecer os interesses e as dificuldade que são comuns. Ser parceira ou parceiro não significa abrir mão da própria convicção. Muito menos aceitar ser um braço tarefeito de um projeto que não ajudamos a pensar. A parceria é uma união de esforços para atingir objetivos que estão na mesma direção. Como toda aliança, também a parceria deve ser feita com autonomia das partes. Cada parceiro deve conservar suas diferenças e suas motivações.

    9. Referências Bibliográficas

    • DEMO, Pedro. Charme da Exclusão Social, Campinas- SP, 1998
    • Introdução à Sociologia/ planejamento e editoração A. Guilherme Galliano; consultoria técnica Lysias Nogueira Negrão; equipe editorial J. Gabriel de La Roque Romeiro, Regina Festa, Ricardo Ferraz Vespucci, São Paulo- Harper & Row do Brasil, 1981.
    • DOWBOR, Ladislau, O Que é poder local?, Coleção Primeiros Passos, Editora Brasiliense, São Paulo, 1995.
    • Texto Trabalho de Base de Plínio Arruda Sampaio e Ranulfo Peloso.
    • Cartilha “Caminhando Juntas na Prevenção da AIDS”, ano III, do Grupo Mulher Maravilha- GMM.
    • Informativo Colméia Maravilha, ano X, edição especial 8 de março de 2005.
    • Estatuto do Grupo Mulher Maravilha- GMM ( reformado) de 16 de dezembro de 2004.

  • PROJETO DE PESQUISA: GRAVIDEZ PRECOCE NA ADOLESCÊNCIA

    Fernando Antonio da Silva

    O Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Gravidez Precoce na Adolescência: Injustiça Social Contra as Jovens e os Jovens

    Bacharelado em Ciências Sociais

    DLCH/ UFRPE
    Recife/ Setembro/ 2005
    Fernando Antonio da Silva
    Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Gravidez Precoce na Adolescência: Injustiça Social Contra as Jovens e os Jovens

    Trabalho apresentado pelo aluno Fernando Antonio da Silva do 5º período do curso Bacharelado em Ciências Sociais, em nível de graduação do DLCH/UFRPE, à disciplina Método e Técnica de Pesquisa social sob a orientação da professora Cilena Maria como comprovante de atividade disciplinar da primeira avaliação.

    Recife/ setembro/ 2005

    Sumário

    1. Problema ..................................................- ..................................................- 05
    2. Hipótese.........................................- ..................................................- ...........06
    3. Justificativa.....................................- ..................................................- .........07
    4. Objetivos ..................................................- ..................................................- 11
    5. Metodologia/ Cronograma/ Recursos ..................................................- ...12
    6. Anexo ..................................................- ..................................................- .....13
    7. Referências Bibliográficas...................................- .....................................14

    1. Problema

    A Gravidez Precoce gera diversos problemas sociais para a mãe adolescente, e para o pai, quando é adolescente, também gera outros problemas sociais.

    Observamos que o bairro de Nova Descoberta apresenta um elevado índice de gravidez de alto risco, além de altas percentagens de mulheres com baixo grau de instrução, conseqüentemente menor qualificação profissional para o mercado de trabalho. Atentamos, também, que as gravidezes precoces provocam grande evasão escolar tanto para as mulheres como para os companheiros, na sua maioria também adolescentes, que precocemente vão em busca de emprego no mercado de trabalho, face à responsabilidade de manutenção de um novo lar, ou compartilhamento das despesas de uma casa com seu genitor ou genitora, lançando-se cedo ao mercado sem concluir o curso médio ou superior. Aumento do envolvimento de adolescentes masculinos com o mundo das drogas, tanto como usuário como traficante de base (popularmente conhecidos como: avião ou mula) , em conseqüência da pressão financeira e social em gerar receitas “a qualquer preço” para sustento da família.

    2. Hipótese

    A sociedade com famílias desestruturadas socialmente, financeiramente e emocionalmente, gera filhas e filhos com dificuldades afetivas, as quais encontram no sexo precoce uma compensação emocional.

    3 Justiticativa

    A gravidez precoce é considerada como um problema de saúde pública no Brasil e em outros países. No Brasil, uma em cada quatro mulheres que dão à luz nas maternidades tem menos de 20 anos de idade. Estas meninas que não são mais crianças, nem adultas, estão em processo de transformação e, ao mesmo tempo, prestes a serem mães. O papel de criança que brinca de boneca e de mãe na vida real, confunde-se e na hora do parto é onde tudo acontece. A fantasia deixa de existir para dar lugar à realidade. É um momento muito delicado para essas adolescentes, e que gera medo, angústia, solidão e rejeição. As adolescentes grávidas vivenciam dois tipos de problemas emocionais: um pela perda de seu corpo infantil, e outro por um corpo adolescente recém-adquirido, que está se modificando novamente pela gravidez. Estas transformações corporais rapidamente ocorridas, de um corpo em formação para o de uma mulher grávida, são vividas muitas vezes com certo espanto pelas adolescentes. Por isso é muito importante a aceitação e o apoio quanto às mudanças que estão ocorrendo, por parte do companheiro, dos familiares, dos amigos e principalmente pelos pais. A escola muitas vezes não dispõe de estrutura adequada para acolher uma adolescente grávida. O resultado é que a menina acaba abandonando os estudos durante a gestação, ou após o nascimento da criança, trazendo conseqüências gravíssimas para o seu futuro profissional. Os riscos de complicações para a mãe e a criança são consideráveis quando o atendimento médico pré-natal é insatisfatório. Isto ocorre porque, normalmente, a adolescente costuma esconder a gravidez até a fase mais adiantada, impedindo uma assistência pré-natal desde o início da gestação. É muito comum também o uso de bebidas alcoólicas e cigarros o que aumenta os riscos de surgimento de problemas. Ainda existe a possibilidade de gestações sucessivas, os riscos do aborto provocado e as dificuldades para a amamentação. Por isso, a gravidez entre adolescentes deve ser encarada como um problema não apenas médico, mas de toda a sociedade. É importante a participação da família, serviços médicos e instituições, tanto governamentais como não-governamentais, no combate à gravidez precoce e indesejada. Pode-se dizer que estamos enfrentando atualmente uma epidemia de gravidezes em adolescentes. Para ter-se uma idéia, em 1990, cerca de 10% das gestações ocorria nessa faixa etária. Em 2000, portanto apenas dez anos depois, esse índice aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos. Gravidez na adolescência não é novidade na história de vida das mulheres. Provavelmente muitas de nossas antepassadas casaram cedo, engravidaram logo e, durante a gestação e o parto, não receberam assistência médica regular. Erros e acertos dessa época se perderam no tempo e na memória de seus descendentes. A sociedade se modernizou e as mulheres vislumbraram diferentes perspectivas de vida. No entanto, isso não impediu que, apesar da divulgação de métodos contraceptivos, a cada ano mais jovens engravidem numa idade em que outras ainda dormem abraçadas com o ursinho de pelúcia. A gravidez na adolescência é considerada de alto risco. Daí a importância indiscutível do pré-natal para evitar, nesses casos, complicações durante a gestação e o parto. Um levantamento que está sendo feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com o Ministério da Saúde, revela que 25% das adolescentes de 15 a 17 anos que deixaram a escola o fizeram por conta de gravidez. Dessas, 31% residem no Nordeste, são mais de 10,2 mil bebês que nascem de mães adolescentes a cada ano. Em todo o Brasil, 71% moram no interior e 12% nas periferias. Os dados, ainda inéditos, constam de três pesquisas em fase de conclusão. Uma é a Saúde Brasil 2005 do Ministério da Saúde, a segunda versão do mapa do setor produzido anualmente pelo Governo Federal, e os outros dois estudos são de autoria da Unesco. De acordo com dados da pesquisa, a gravidez precoce e as dificuldades dela decorrentes já respondem pela terceira causa de óbitos entre mulheres brasileiras jovens, perdendo apenas para homicídios e acidentes com transporte.

    Localizado ao norte no município do Recife, encontra-se o bairro de Nova Descoberta, com uma população de 34.676 habitantes. No tocante ao nível de instrução, a população em sua maioria possui apenas o 1º. Grau maior e 4.348 (15%) são analfabetos e analfabetas, possuindo uma sofrível qualificação profissional e boa parte da população está à margem do mercado de trabalho. O bairro está norteado por problemas tanto de ordem estrutural como social. A coleta de lixo é deficitária, o sistema de esgoto é precário, e, principalmente os problemas sociais de insegurança, falta de oportunidade de emprego ou ocupação e, conseqüentemente, ausência de geração de renda, além do alto índice de gravidez precoce. A população do bairro de Nova Descoberta está distribuída, (conforme censo realizado em 2000) com 16.690 homens e 17.986 mulheres e na faixa de 10- 14 anos até 20 – 24 anos consta 5.592 mulheres. Desse universo de 5.592 mulheres, foram registrados 1.398 casos de gravidez precoce, no período de 2000 a 2004, e ressaltamos que em 2003 foram registrados 252 casos e em 2004 foram registrados 432 casos, portanto crescimento de 58%.

    5. Objetivos
    Objetivo Geral: contribuir com a disponibilidade de informações, no contexto social, dos problemas gerados pela gravidez precoce, permitindo uma avaliação que servirá como base para tomada de decisões pelas esferas políticas no nível municipal e estadual, visando à redução dos problemas sociais envolvendo adolescentes.
    Objetivos Específicos: buscar informações sobre a estrutura familiar desses jovens envolvidos com gravidez precoce; apreciar a carência afetiva desses jovens; avaliar a evasão escolar das jovens grávidas ou com recém-nascido e dos jovens pais envolvidos com gravidez precoce; Realizar levantamento sobre DST- Doenças Sexualmente Transmissíveis entre jovens; apreciar o nível de emprego dos jovens envolvidos com gravidez precoce; avaliar o nível de jovens envolvidos com drogas e embriaguez; demonstrar o direito das adolescentes grávidas de serem consideradas cidadãs que não podem ser alvo de discriminação por conta de sua condição e que têm direito a receber atenção do Estado; ampliar a visão de que ações de prevenção à gravidez na adolescência podem significar a redução da incidência e, conseqüentemente, dos problemas e mortes relacionadas com gravidez precoce; provocar o oferecimento por parte do poder do Estado de apoio psicológico às jovens e aos jovens pais e às suas famílias pode minimizar problemas de relacionamento, evitando a desintegração social e familiar.

    6. Metodologia/ Cronograma/ Recursos
    Iremos aplicar questionário (Anexo 1) com entrevista em setecentos jovens do bairro de Nova Descoberta, sendo 500 envolvidos com gravidez precoce (250 homens e 250 mulheres) e 200 não envolvidos com gravidez. Pretendemos utilizar o tempo de oito semanas, conforme cronograma abaixo. A equipe será formada por treze pessoas, sendo dez pesquisadores alunos e alunas do Curso de Ciências Sociais, um coordenador e dois digitadores, todos da UFRPE. Os dados serão tabulados em digitação simplificada e direta. Utilizaremos sala de extensão e pesquisa da UFRPE, como também, 02 computadores
    CRONOGRAMA
    ATIVIDADES / PERÍODOS: SEMANAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
    1 Levantamento de literatura X
    2 Montagem do Projeto X
    3 Coleta de dados X X
    4 Tratamento dos dados X X
    5 Elaboração do Relatório Final X
    6 Revisão do texto X
    7 Entrega do trabalho X

    Anexo 1

    Questionário/ Entrevista

    Nome: Sexo: ( ) M / ( ) F
    Filiação:

    Idade: Nível Educacional:

    O genitor apresenta algum vício ou doença socialmente condenável:
    ( ) alcoólatra / ( ) drogado / ( ) viciado em jogo de azar / ( ) outros: especificar

    A genitora apresenta algum vício ou doença socialmente condenável:
    ( ) alcoólatra / ( ) drogada / ( ) viciada em jogo de azar / ( ) outros: especificar

    Renda mensal familiar:

    ATENÇÃO: APENAS Jovens envolvidos com Gravidez Precoce

    A (O) Jovem recebeu ou recebe algum apoio da família sob a gravidez precoce

    Continua estudando:

    Apresenta-se empregado ou em alguma ocupação:

    Realizou ou está realizando o Pré-Natal recomendado:

    A criança está com atendimento em alguma creche ou tem vaga garantida para o bebê quando nascer:

    ATENÇÃO: APENAS Jovens NÃO envolvidos com Gravidez Precoce

    A (O) Jovem receberia algum apoio da família sob a gravidez precoce

    9. Referências Bibliográficas

    • Artigo Atenção à Gravidez na Adolescência publicado como Dicas no. 74, em 1996, de autoria de Veronika Paulics e auxiliar de pesquisa Fábio maleronka Ferron/ www.federativo. Bndes.gov.br
    • Artigo Gravidez Precoce do site Saúde de Vida On Line/ www.saudevidaonline.com.br
    • Artigo Projeto da Pesquisa- Metodologia Científica.

  • PROJETO DE PESQUISA: MODIFICAÇÃO CORPORAL E EMOCIONAL

    Fernando Antonio da Silva

    O Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Modificação corporal e emocional em jovens adolescentes que engravidam precocemente
    Bacharelado em Ciências Sociais

    DLCH/ URFPE
    Recife/ novembro/ 2005

    Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Modificação corporal e emocional em jovens adolescentes que engravidam precocemente

    Fernando Antonio da Silva

    “Projeto de Pesquisa apresentado ao Departamento de Letras e Ciências Humanas- DLCH da Universidade Federal Rural de Pernambuco- UFRPE Como Requisito Parcial à Obtenção de aprovação na disciplina Método e Técnica de Pesquisa Social sob a orientação da Professora Cecília”.

    Recife/ novembro/ 2005
    Epígrafe

    “A sociedade contemporânea é contraditória: estimula a livre prática da relação sexual, mas não oferece a educação necessária. Precisamos chegar a uma mentalidade preventiva”.
    (Gabriela Lanzetta Haack da Rocha- Psicóloga)

    Sumário

    1. Delimitação do tema..............................................- ....................................06
    2. Justificativa.....................................- ..................................................- .........07
    3. Objetivos.........................................- ..................................................- ..........12
    4. Problematização/Hipótese.......................- .................................................1- 3
    5. Metodologia.......................................- ..................................................- .......16
    6. Referências Bibliográficas...................................- .....................................19

    1. Delimitação do Tema

    O tema refere-se às alterações físicas, psíquicas e sociais experimentadas por adolescentes, ocorrendo mudanças bruscas na fase que separa a criança do adulto. Dentre toda a ebulição de comportamentos, sensações, alterações físicas, iremos pesquisar as mudanças que ocorrem nas jovens entre os doze e dezoito anos e que enfrentam uma gravidez precoce. As adolescentes que serão pesquisadas residem e convivem com a comunidade do bairro de Nova Descoberta, localizado na cidade do Recife, Estado de Pernambuco.

    2. Justificativa

    A palavra adolescência vem do latim “adolescere” que significa “fazer–se homem/mulher” ou “crescer na maturidade” (Muuss, 1982 apud Kimmel & Weiner, 1995, p. 2), sendo que somente a partir do final do século XIX foi vista como uma etapa distinta do desenvolvimento (Reinecke, Dattílio & Freeman, 1999, apud BUENO, 2004).
    A adolescência é um período de mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais que separam a criança do adulto, prolongando-se dos 10 aos 20 anos incompletos, segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou dos 12 aos 18 anos de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente do Brasil.
    A adolescência tem sido nos últimos anos tema de várias pesquisas e nestas, a sexualidade emerge com bastante significado, representada pelas questões de gravidez, namoro, contracepção. (CANO, et al., 1992; NEVES et al., 1997). Atualmente, a adolescência é compreendida como um período extremamente relevante dentro do processo de crescimento e desenvolvimento humano, período cujas transformações físico-biológicas da puberdade associam-se àquelas de âmbito psico-social-cultural, delas resultando a realização da jovem e posteriormente da adulta.
    Segundo OUTEIRAL (1994), o corpo físico assume dimensão significativa na vida da adolescente; uma vez iniciadas as transformações corporais, a jovem passa a viver todo esse processo passivamente, sem poder interferir, o que determina intensa ansiedade e cria inúmeras fantasias, ocasionando situações ou momentos de afastamento ou isolamento social.
    Para CHIPKEVITCH (1987), não se pode falar de adolescência sem falar do corpo; e do corpo sem falar da mente. Assim, as intensas transformações físicas desta idade, influenciam todo o processo psicossocial de formação da identidade do adolescente. A construção de uma identidade pessoal neste período, inclui, necessariamente, a relação com o próprio corpo.
    COLLI et al. (1995), colocam que a imagem corporal já está estabelecida muito antes da adolescência. No entanto, o período da adolescência exige sucessivas reconstruções e reformulações da imagem do próprio corpo.
    A imagem corporal segundo OSÓRIO (1992), é uma representação condensada das experiências passadas e presentes, reais ou fantasiada, consciente ou inconsciente; ela a idéia que o indivíduo tem seu próprio corpo.
    Existe uma grande dificuldade do adolescente em integrar todas as alterações que vêm ocorrendo em seu corpo, às vezes este lhe dá a sensação de não lhe pertencer, pois são freqüentes os sentimentos de estranheza do próprio "self" do eu. Porém, não é somente a imagem do físico, mas toda a representação de si mesmo, que passa a se constituir na adolescência em um tema fundamental. Então imagem corporal e identidade estão fortemente associadas.
    Segundo OUTEIRAL (1994), o corpo nesse momento, assume um importante papel na aceitação ou rejeição por parte da turma. A adolescente começa a perceber, se seu corpo corresponde ou não ao corpo idealizado para si e também para o grupo de iguais, e via de regra, é através da identificação e comparação com outros adolescentes, que ela começa a ter uma idéia concreta de seu esquema corporal.
    Os aspectos relacionados ao crescimento e desenvolvimento corporal que são alvos freqüentes de comparação entre as adolescentes, ou seja, para as meninas são, o excesso de peso, ausência ou atraso da menstruação, tamanho dos seios, acne, estrias e celulite.
    Para TIBA (1986), esta é a fase de encantamento, um pré-namoro, um período de amadurecimento, de preparação, vivenciado pelo adolescente para chegar ao namoro. Pode ser caracterizado como uma etapa em que o interesse e a satisfação sexual, predominam sobre outros interesses e relacionamentos afetivos. As garotas começam despertar seus interesses afetivo-sexuais a partir da menarca. Elas freqüentemente, direcionam suas energias em vestir-se bem, maquiar-se, enfim há todo um esforço em ficar bonita, atraente, evidenciando ainda mais a preocupação com a auto-imagem.
    Mesmo diante de casamentos ocorridos na adolescência de forma planejada e com gravidez também planejada, por mais preparado que esteja o casal, a adolescente não deixará de enfrentar a somatória das mudanças físicas e psíquicas decorrentes da gravidez e da adolescência.
    Alguns dados sobre gravidez em adolescentes e são importantes citar:
    1) segundo o Ministério da Saúde/ Governo Federal cerca de um milhão de adolescentes ficaram grávidas em 1998;
    2) uma em cada três meninas de 19 anos já é mãe ou está grávida de seu 1º filho, conforme dados do Ministério da Saúde, 1998;
    3) independente de classe social, somente 30% dos jovens usam métodos anticoncepcionais, conforme dados apurados em 1998, pelo Ministério da Saúde;
    4) 241 mil adolescentes realizaram abortos mal feitos e sofreram curetagem em 1997, de acordo com dados do SUS- Sistema Único de Saúde/Ministério da Saúde.
    5) A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante: 14% das adolescentes já tinha pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa dos 10 a 14 anos.
    Segundo dados do censo realizado pelo IBGE em 2000, o bairro de Nova Descoberta apresenta uma população de 30.365 habitantes, sendo 13.809 homens e 16.556 mulheres, e na faixa etária dos doze aos dezenoves anos são 2.899 habitantes. No tocante ao nível de instrução, a população em sua maioria possui apenas o 1º. Grau maior e 4.348 (15%) são analfabetos e analfabetas, possuindo uma sofrível qualificação profissional e boa parte da população está à margem do mercado de trabalho. O bairro está norteado por problemas tanto de ordem estrutural como social. A coleta de lixo é deficitária, o sistema de esgoto é precário, e, principalmente os problemas sociais de insegurança, falta de oportunidade de emprego ou ocupação e, conseqüentemente, ausência de geração de renda, além do alto índice de gravidez precoce.
    O Grupo Mulher Maravilha foi constituído em 21 de abril de 1975, é uma Organização Não Governamental-ONG e associação civil sem fins econômicos, pessoa jurídica de direito privado, com autonomia administrativa e financeira, CNPJ- 24.418.014/0001-98,com sede e foro à Rua Nova Descoberta, no. 700, Nova Descoberta, CEP- 52.090-000, Recife – Pernambuco, fones/fax (081) 34417521, 32678657 e 32678993, e tem por finalidade promover o exercício pleno da cidadania das mulheres e dos adolescentes e jovens de ambos os sexos, no lar e na comunidade.
    Diante do exposto compreendemos que a adolescente investe muito de sua energia na busca de uma identidade através de sua aceitação no grupo de iguais ou turma, na sua relação afetiva, tendo como pano de fundo seu corpo, sua imagem corporal.
    Desta forma nos interessamos em pesquisar e analisar os aspectos do corpo mais valorizados e importantes para as adolescentes no seu cotidiano e como elas reagem emocionalmente às transformações corporais que ocorrem na gravidez .
    Acreditamos que esse conhecimento contribui para uma promoção da saúde física e emocional mais adequada à realidade da adolescência.

    3. Objetivos

    Geral: Analisar os comportamentos emocionais vividos por adolescentes grávidas, cujos corpos e mentes estão em vários processos de transformação (corpo e mente de menina para adolescente e corpo de adolescente para mulher fecundada).

    Específicos:
    • Analisar a experiência vivida pelas adolescentes entre a estética exigida pela Sociedade e especificamente o seu grupo de pares e seu corpo em transformação na gravidez;
    • Apreciar a convivência da adolescente com o corpo em transformação pela gravidez e os valores da sociedade que convive;
    • Verificar os motivos que leva a adolescente esconder a gestação;
    • Investigar qual a mudança corporal mais sentida pelas adolescentes gestantes;
    • Apurar as dificuldades enfrentadas pelas adolescentes grávidas em dar continuidade aos estudos durante o período da gravidez.

    4. Problematização/ Hipótese

    Com relação à evasão escolar, segundo dados da UNESCO/ONU, em 2004, no Brasil, 25% das adolescentes com idade entre quinze e dezessete anos abandonaram os estudos, e ocorreu em decorrência de gravidez precoce. Será que a grande evasão escolar das adolescentes grávidas tem relação direta ou indireta com a modificação corporal vivida pelas adolescentes?
    Na adolescência o corpo apresenta um papel de identificação, definição e comparação entre adolescentes, tendo como conseqüência a aceitação ou rejeição entre seus pares (OUTEIRAL,1994). Será que o fato das adolescentes esconderem a gestação tem haver com a construção estética de beleza corporal?
    “A mudança corporal mais apreciada pelas adolescentes foi na barriga... A barriga assume especial papel durante a gestação...”segundo informações apuradas por MENEZES e DOMINGUES (2004). Poderá ser a barriga a mudança corporal mais apreciada ou rejeitada pelas adolescentes grávidas?
    Segundo pesquisa realizada, as adolescentes apresentam fragilidade no processo de formação de sua identidade, havendo dificuldade em estabelecer vínculos com o mercado de trabalho e falta de perspectiva nos estudos (BALLONE, 2004). Segundo SIDMAN (1995), vários jovens convivem com um ambiente familiar punitivo promovendo, de alguma maneira, para que estes deixem seus lares; deixar a família para estudar longe de casa ou para trabalhar são vistos pela sociedade como algo altamente aceitável; pais coercitivos colaboram para que seus filhos saiam de suas casas assim que puderem.
    No entanto, são muitos os adolescentes que vêem na gravidez e conseqüentemente em um casamento precoce, a possibilidade de esquivarem-se de um ambiente familiar escasso em reforçamento positivo compensatório. (apud BUENO, 2004). Será que a gravidez em adolescentes não é utilizada para amenizar os conflitos e angústias vividos na adolescência?
    No contexto de uma sociedade que valoriza o corpo com medidas impostas pela estética, moda, entre outros, ocorre embate entre o modelo de corpo exigido e as transformações corporais ocorridas durante a gravidez (MENEZES e DOMINGUES, 2004). “Acredita-se, atualmente que os riscos da gravidez durante a adolescência seja mais determinado por fatores psicossociais relacionados ao ciclo da pobreza e educação existente, e fundamentalmente, a falta de perspectivas na vida dessas jovens sem escola, saúde, cultura, lazer e emprego; para elas, a gravidez pode representar a única maneira de modificarem seu status na vida” ( BUENO, 2004). Como as adolescentes gestantes com idade entre doze e dezoito anos do bairro de Nova Descoberta da cidade do Recife- PE, observam e reagem as transformações corporais e emocionais que ocorrem na gravidez ?
    Quando a gravidez se torna óbvia e irreversível, a grávida adolescente passa a ter um estatuto que lhe confere alguns privilégios; caixas dos supermercados prioritárias para grávidas ou de lugares reservados nos transportes públicos, etc. Como também passa a receber conselhos, críticas, sugestões e advertências dos amigos, amigas, parentes e professores ( BALLONE, 2004). Será que a gravidez em adolescentes não é uma maneira de se sentir acolhida, valorizada e compreendida pelas famílias e sociedade?

    Provavelmente para as adolescentes, a gravidez tem uma dupla função, a barriga pode trazer certo poder e até status dentro da família e poderá preencher o vazio que elas sentem por causa da crise de identidade comum da adolescência.
    É possível que a grávida adolescente experimente algumas sensações de ser especial e isso pode vir a aliviar a eventual depressão pela qual esteja passando.

    5. Metodologia

    A base teórica para construção do projeto foi o contido no livro Métodos e Técnicas de Pesquisa Social de Antonio Carlos Gil e do artigo A construção do Projeto de Pesquisa da socióloga Suely Ferreira Deslandes.
    Iremos adotar “como conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir conhecimento” (GIL, 1999), o método observacional somado ao método comparativo e método estatístico.

    Para o desenvolvimento da pesquisa iremos adotar o sistema de amostragem: “De acordo com a concepção da sondagem, a pesquisa é efetuada dentro de um pequeno número de unidades (pessoas ou outras) que é estatisticamente representativo do conjunto da população” ( THIOLLENT, 1985). A amostra será composta por vinte e cinco gestantes adolescentes com idade entre doze e dezoito anos, nulíparas (*) e residentes no bairro de Nova Descoberta da cidade do Recife- PE, e assistidas pela Organização Não Governamental- ONG Mulher Maravilha.

    Nota: (*) Segundo o dicionário Aurélio, nulípara é “fêmea que nunca pariu”.

    Para a coleta de dados serão utilizados os seguintes instrumentos:
    a) Ficha de identificação das adolescentes contendo dados pessoais, nível socioeconômico, nível escolar, profissão, moradia;
    :) Uma entrevista contendo 14 questões para o levantamento de informações quanto à gravidez na adolescência, comportamento sexual, influência da mídia, escola e educação familiar para a ocorrência da mesma, situação escolar atual, situação ocupacional atual, mudanças comportamentais de sua família, grupo e comunidade, mediante sua gravidez;
    c) Um questionário semi-estruturado para obtenção das variáveis familiares, variáveis relacionadas ao parceiro e variáveis situacionais que contribuíram para a adolescente engravidar.
    Será colhido dados sobre as condições socioeconômicas (renda, escolaridade e ocupação do chefe da família), o contexto familiar (estado civil, idade e escolaridade dos pais da criança, relacionamento com o pai da criança, atitudes dos próprios pais e do pai da criança diante da gravidez), a gestação (idade da menarca, data da última menstruação). Serão coletadas, também, as mudanças comportamentais e corporais expressadas pelas adolescentes, seu marido ou companheiro, parente e amigos e amigas, utilizando-se a coleta de dados e observações comportamentais.
    A aplicação do questionário será realizado com repetição de baterias de perguntas no período de janeiro a maio de 2006, pelo próprio pesquisador em local reservado, individualmente, antes ou depois da consulta médica que ocorre na ONG Mulher Maravilha. Antes da aplicação será feita uma orientação sobre a forma como deverá ocorrer a resposta ao questionário. Em seguida, cada item do questionário será lido pelo pesquisador e a gestante adolescente responderá de acordo com as alternativas de respostas apresentadas.

    Na organização e análise de dados por obtermos informações, iremos adotar o sistema de codificação e a informatização pela utilização de planilha Excel do Windows.

    6. Referências Bibliográficas
    1. BALLONE G.J. - Gravidez na Adolescência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://http://www.psiqweb.med.br, revisto em 2004.
    2.BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa, Edições 70, 1977.
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    4. BUENO, G. M. Dissertação Estudo sobre as variáveis de risco para a gravidez na adolescência, Campinas- SP, 2004.
    5.CANO, M.A.T.; FERRIANI, M.G.C.; MEDEIROS, M.; GOMES, R. - Auto-imagem na adolescência. Revista Eletrônica de Enfermagem (online), Goiânia, out-dez. 1999.
    6. CANO, M.A.T.; FERRIANI, M.G.C.; NOCCIOLI, M.M. Encontro de escolares adolescentes em Ribeirão Preto –SP. Rev. Bras. Saúde Esc., n.3, 1992.
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    8. CANO, M.A.T. A percepção dos pais sobre sua relação com os filhos adolescentes: reflexos da ausência de perspectivas e as solicitações de ajuda. Ribeirão Preto, 1997. 142p. Tese ( livre-Docência) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
    9. CHIPKEVITCH, E. O adolescente e o corpo. Pediatria Moderna, 1997.
    10. COLLI, C.; PALAÇIOS, J.E.; MARCHEZI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porte Alegra, Artes Médicas, 1995.
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    19. OUTEIRAL, J.O. Adolescer: estudo sobre adolescência. Porto Alegre: Artes médicas, 1994.
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    26. THIOLLENT, M. Concepção e Organização da Pesquisa, In: Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez e Autores Associados, 1985. Cap.2.
    26. TIBA, I. Adolescência: o despertar do sexo. São Paulo: Gente, 1994.
    27. TIBA, I. Puberdade e Adolescência: desenvolvimento biopsicosocial.
    São Paulo: Ágora, 1986.

  • SEMINÁRIO RITUAL RELIGIOSO: MISSA DA IGREJA CATÓLICA

    Dílson Barbosa Nunes, Fernando Antonio da Silva, Flávia Geralda do Vale Carneiro da Cunha, e Linalva Maria de Barros

    Seminário Ritual Religioso: missa da Igreja Católica
    Bacharelandos em Ciências Sociais

    Recife – PE

    maio/2006

    Seminário Ritual Religioso: missa da Igreja Católica

    DLCH/UFRPE
    Dílson Barbosa Nunes, Fernando Antonio da Silva, Flávia Geralda do Vale Carneiro da Cunha, e Linalva Maria de Barros

    Seminário Ritual Religioso: missa da Igreja Católica

    Trabalho referente a disciplina Sociologia das Organizações: Análise da Cultura Organizacional, do 6º. Período do Curso Bacharelado em Ciências Sociais, a nível de graduação do DLCH/ UFRPE, orientado pela Professora Selma Rodrigues, e realizado pelos alunos Dílson Barbosa Nunes, Fernando Antonio da Silva e alunas Flávia Geralda do Vale Carneiro da Cunha e Linalva Maria de Barros.

    Recife – PE

    maio/2006

    EPÍGRAFE

    "A missa é uma cerimônia litúrgica baseada em um texto, dotado de partes fixas com destaque para a consagração da eucaristia, que representa o momento mais elevado do rito, na medida em que reatuliza o sacrifício e a ressurreição de Cristo e a promessa de salvação para os que acreditam nesse mistério.
    De acordo com um conjunto de autores e de especialistas em liturgias, alguns dos quais teólogos, a assembléia litúrgica tem características próprias que a diferem de qualquer outra reunião. É uma assembléia de batizados ou iniciados na fé e para a fé, de irmãos unidos pelo amor, aberta a todos que se ligam por laços profundos de pertencimento e fraternidade”.
    (Tese de Doutoramento em Antropologia Social sobre rituais católicos da missa e do culto)

    SUMÁRIO

    1. Introdução......................................- ..................................................- ...........07

    2. Estrutura geral da missa.............................................- ..............................08

    3. Símbolos e procedimentos.....................................- ..................................13

    4. O ritual como um drama.............................................- ...............................25

    5. Anexos............................................- ..................................................- ..........42

    Referências Bibliográficas

    1. Introdução

    O presente trabalho tem como objetivo apresentar o ritual de missa religiosa da Igreja Católica, tratando sobre a estrutura geral da missa, funções e ministérios na missa, detalhando sobre vestimentas, comportamentos, discurso (homilia), gestos, entre outros. Apresentaremos, também, o ritual-drama de uma missa, com seus símbolos e procedimentos utilizados. Iremos abordar sobre os aspectos de evolução na forma diacrônica e sincrônica, como também, sobre a liturgia da missa como comunicação e participação, e a liturgia como cultura.

    Idéias Principais –
    A missa é uma assembléia de batizados ou iniciados na fé e para a fé, de irmãos unidos pelo amor, aberta a todos que se ligam por laços profundos de pertencimento e fraternidade.

    Palavras- chaves –

    Missa, homilia, símbolos, vestimentas, comportamentos, gestos, liturgia, transcendência e cultura.

    2. Estrutura geral da missa
    “No dia chamado do Sol, todos aqueles dos nossos que moram nas cidades ou nos campos se reúnem num mesmo lugar: lêem-se as memórias dos Apóstolos e os escritos dos profetas, conforme o tempo disponível. Terminada a leitura, o que preside toma a palavra para advertir os assistentes e exorta-los a imitar tão belos ensinamentos.
    Em seguida, nós nos levantamos e dirigimos em conjunto, em voz alta, preces a Deus, por nós, pelos novos batizados e por todos os demais cristãos que estão em toda parte do mundo.
    Depois nos abraçamos uns aos outros suspendendo as preces.
    É então apresentado àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água misturada com vinho. Ele toma-o e exprime louvor e glória ao Pai do universo em nome do Filho e do Espírito Santo, e faz uma ação de graças muito extensa – na medida de suas forças – pelo fato de Deus nos ter dado essas coisas.
    Havendo o que preside terminado as orações e a ação de graças, todo o povo presente aclama dizendo: Amém.
    Tendo o que preside dado graças e todo o povo aclamado, aqueles que entre nós são chamados diáconos dão a cada um dos assistentes uma parte de pão eucaristiado e do vinho misturado com água, e levam-nos aos ausentes.
    Esse alimento é chamado entre nós de eucaristia... Nós não o tomamos como pão ou bebida vulgares... O alimento eucaristiado por um discurso de oração que vem de Jesus Cristo nosso Salvador é a carne e o sangue desse Jesus feito carne.
    Pois os apóstolos nas memórias que são deles e se chamam Evangelhos, relataram-nos o que ele assim lhes prescrevera: Jesus, havendo tomado pão, dera graças dizendo: “Fazei isto em memória de mim: isto é o meu corpo”. E havendo tomado o cálice de modo semelhante, dera graças dizendo: “Isto é o meu sangue”.
    Aqueles que vivem na abundância e querem dar, dão livremente cada qual o que entende; o que se recolhe é assim levado àquele que preside, e ele socorre os órfãos e as viúvas, e os que estão na indigência por motivo de doença ou por qualquer outra causa, e os que estão de passagem; em resumo, ele cuida de quem quer que esteja necessitado.
    Nós nos reunimos todos os dias do sol, por ser o primeiro dia em que Deus, tirando a matéria das trevas, fez o mundo, e Jesus Cristo, nosso Salvador, no mesmo dia, ressuscitou dos mortos”.

    (Justino foi um leigo, filósofo e crente que, de acordo com REY-MERMET e BASURKO, deixou-nos por volta do ano 150 a primeira reportagem da celebração eucarística, matéria de sua obra “Primeira Apologia).

    A celebração da missa é o centro de toda a vida cristã, tanto para a igreja católica universal, como local e também para cada um dos fiéis. A missa consta de duas partes: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, tão intimamente unidas entre si, que constituem um só ato de culto.

    Entre os historiadores e estudiosos é consensual que a história da liturgia apresenta quatro períodos que vão desde a sua origem até a realização do Concílio de Trento, assim caracterizados:
    1º. O da improvisação litúrgica, situado entre os séculos I e IV;
    2º. O da criação de formulário, que foi de meados do século V até o final do século VII, quando se deu o uso de composições escritas;
    3º. O da compilação, do século VIII ao XII, e
    4º. O da fixação das liturgias, entre os séculos XIII até XIV, quanto tomaram a forma que conservam até os dias de hoje. (Martimort, 1965)

    Entre as partes que competem ao sacerdote, ocupa o primeiro lugar a oração eucarística, cume de toda a celebração. A seguir vêm as orações, isto é, a oração do dia (coleta), a oração sobre as oferendas e a oração depois da comunhão. Estas orações são proferidas em voz alta e distinta, e, enquanto o sacerdote as profere, não pode haver outras orações nem cantos, nem sons de órgão ou qualquer instrumento.
    As aclamações e respostas dos fiéis às orações e saudações do sacerdote, constituem o grau de participação ativa que os fiéis devem realizar, para que se promova e exprima claramente a ação de toda a comunidade. Na escolha das partes que de fato são cantadas, deve-se dar preferência às mais importantes e sobretudo àquelas que o sacerdote e os ministros cantam com respostas do povo; ou então àquelas que o sacerdote e o povo devem proferir simultaneamente.
    Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou a homilia, meditam brevemente o que ouviram; após a comunhão, louvam e rezam a Deus no íntimo da coração.

    Toda celebração é dirigida pelo bispo, pessoalmente ou através dos seus auxiliares. Se o bispo não celebra a eucaristia, mas delega outro para fazê-lo, convém que ele próprio dirija a liturgia da palavra e, ao fim da missa, dê a benção.
    Entre os ministros(1), ocupa o primeiro lugar o diácono, cuja ordem foi tida em grande honra desde o início da igreja. O diácono tem na missa funções que lhe são próprias: anunciar o evangelho, pregar às vezes a palavra de Deus, recitar para os fiéis as intenções da oração universal, servir ao sacerdote, distribuir a comunhão aos fiéis e, por vezes indicar a toda a assembléia os gestos e posições do corpo que deve adotar.
    Os fiéis constituem o povo santo. Na celebração da missa, formam um único corpo, seja ouvindo a palavra de Deus, seja tomando parte nas orações e no canto. Tal unidade se manifesta quando todos os fiéis realizam em comum, os mesmos gestos e assumem as mesmas atitudes externas.
    O acólito é instituído para servir ao altar e auxiliar o sacerdote e o diácono. Compete-lhe principalmente preparar o altar e os vasos sagrados, bem como distribuir aos fiéis a eucaristia, da qual é ministro extraordinário.
    O leitor é instituído par proferir as leituras da sagrada escritura, exceto o evangelho.

    __________________________

    (1) Os ministros são pessoas designadas para prestar um serviço específico durante a celebração, como na comunhão, nas leituras, trazendo as oferendas, etc.)

    A Homilia, como parte integrante da liturgia da palavra, trata-se, normalmente, de uma ação do presidente no comentário de passagens da escritura, que constituem ponto de encontro entre o mistério celebrado e a vida dos fiéis. É uma atualização da palavra e deve desafiar, provocar a comunidade de fiéis a fazer uma reflexão sobre sua vida concreta.
    A homilia é diferente do sermão e de outras formas de pregação e significa “conversa familiar, simples, direta”. Sua preparação não é exclusiva do sacerdote e pode contar com a participação de leigos.

    3. Símbolos, objetos e Procedimentos

    Maneiras de proferir os diversos textos- Nos textos que o sacerdote, os ministros ou toda a assembléia devem proferir em voz alta e distinta, a voz corresponda ao gênero do próprio texto, conforme se trate de leitura, oração, exortação, aclamação ou canto, como também, a forma de celebração e à solenidade da assembléia. Além disso, leve-se em conta a índole das diversas línguas e o gênio dos povos.
    Importância do canto- O canto constitui um sinal de alegria do coração. É de grande valor o uso do canto nas celebrações, tendo em vista a índole dos povos e as possibilidades de cada assembléia.
    Gestos e posições do corpo- Para obter a uniformidade nos gestos e posições do corpo, os fiéis obedecem os avisos dados durante a celebração pelo sacerdote.

    Em todas as missas, os fiéis permanecem de pé:
    - do início do canto de entrada, ou no momento em que o sacerdote se aproxima do altar, até a oração do dia;
    - ao canto do “aleluia”, antes do evangelho;
    - durante a proclamação do evangelho;
    - durante a profissão de fé e a oração universal;
    - e da oração sobre as oferendas até o fim da missa.
    Os fiéis permanecem sentados:
    - durante as leituras do evangelho e durante o salmo responsorial;
    - durante a homilia e enquanto se preparam os dons ao ofertório;
    - e se for conveniente, enquanto se observa o silêncio sagrado após a comunhão.
    Ajoelhar durante a consagração.

    Os vasos sagrados- Entre as coisas necessárias para a celebração da missa, honram-se especialmente os vasos sagrados e, entre eles, o cálice e a patena, onde se oferecem, consagram e consomem o pão e o vinho.
    As vestes litúrgicas- Na igreja, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de ministérios se manifesta exteriormente no exercício do culto sagrado pela diversidade das vestes litúrgicas, que distinguem a função de cada ministro. Convém que as vestes litúrgicas contribuam para a beleza da ação sagrada.
    Durante a missa, observamos breves aclamações de alegria, aprovação, saudação (amém, assim seja, aleluia, etc.) e um conjunto de reverências, inclinações, semi-flexões e alegorias que evoluem ao longo da celebração,
    tais como:
    - fazer o sinal da cruz: marca o início e final de cada celebração e revela o grande mistério da fé cristã;
    - estar de joelhos: sinal de reconhecimento da miséria e pequenez diante de Deus;
    - dar as mãos: sinal de união e de fraternidade, disposição para o acolhimento e para a solidariedade;
    - erguer as mãos: sinal de reconhecimento da grandeza de Deus, manifestação de confiança;
    - dar o abraço de paz: uma saudação em que se expressa o bem-querer para todos.
    O pão e o vinho: na civilização ocidental, o pão e o vinho são símbolos de todos os outros, e o pão é, emblematicamente, o fruto de uma relação do ser humano com a natureza que é medida pelo trabalho, entendido como esforço inteligente, realizado para transformar a natureza bruta e dela fazer nascer um fruto. O fato da refeição eucarística supõe materialmente a existência deste fruto, que é o pão. O vinho completa e acrescenta à refeição, uma nota de alegria e de festa. Pão e vinho são portadores de todo um simbolismo que dez da alegria, da comemoração na missa, e guardam a evocação da natureza como dádiva de Deus. Pão e vinho são frutos da terra. Assim, todo o cosmos se entroniza à mesa do ser humano, e o culto pode bem ser compreendido como um serviço que é o oferecimento do produto do trabalho humano, produto da vida para sua reprodução e crescimento ao divino.
    Canto: expressão especial da celebração, une palmas, ritmo e melodia. Não existe festa sem canto, nem celebração sem música, e a liturgia se move no âmbito do inefável, do mistério e da comunidade eclesial onde a linguagem mais apropriada é a do canto.
    Oração: através do diálogo ela se faz presente em toda celebração. É a própria celebração na verdade.
    Altar: com seus objetos, lembra a mesa da família. A toalha indica um aspecto de festa e alegria, próprias da mesa da refeição. A pedra Dára é uma pequena pedra de mármore onde estão encravadas as relíquias dos santos. É um modo de recordar as primeiras celebrações em cima de túmulos de mártires. A pedra dá um aspecto concreto à dimensão histórica da celebração, que é a união com todos que já viveram sua fé, alimentando-a com o pão da vida.
    Os Objetos da Missa

    Casula
    É o traje usado pelo sacerdote durante as ações sagradas, usada geralmente nas Missas, Domingos, solenidades e festas. É usada sobre a túnica e a estola.

    Túnica
    Geralmente de cor branca, é a veste dos acólitos e ministros eclesiásticos para as celebrações litúrgicas.

    Amito
    Há padres que usam também o amito. É um pano branco que envolve o pescoço do celebrante. Veste-se antes da túnica ou da alva.

    Estola
    É colocada pelo diácono no ombro esquerdo, como faixa transversal e pendente sobre os ombros pelo presbíteros e bispos. Caracteriza os ministros ordenados.
    São de cores variadas, para serem usadas conforme a celebração.

    Opa
    Roupa usada pelos ministros extraordinários da eucaristia.
    Cálice
    É a taça onde se coloca o vinho que vai ser consagrado.

    Patena
    É um prato onde são colocadas as hóstias para a consagração.

    Sanguinho
    É um pequeno pano utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração.

    Corporal
    Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro; sobre ele é colocado o cálice, a patena e a âmbula (*) para a consagração.
    (*) Hóstia da consagração.

    Pala
    Cobertura quadrangular para o cálice.

    Manustérgio
    Toalha usada para purificar as mãos antes, durante e depois do ato litúrgico.

    Teca
    Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir à Missa.

    Galhetas
    São os recipientes onde se coloca a água e o vinho para serem usados na Celebração Eucarística.

    Missal
    É um livro grosso que contém o ritual da missa, menos as leituras.

    Crucifixo
    Fica sobre o altar ou acima dele, lembra a Ceia do Senhor é inseparável do seu Sacrifício Redentor. Na Ceia, Jesus deu aos discípulos o "Sangue da Aliança, que ia ser derramado por muitos, para o perdão dos pecados".

    Ostensório
    Objeto utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em procissão. Também é conhecido como custódia.

    Ambão
    Estante onde é proclamada a palavra de Deus.

    Lecionários
    Livros que contém as leituras da missa. Lecionário ferial: contém as leituras da semana; lecionário santoral: contém a leitura dos santos, lecionário dominical: contém as leituras do Domingo.

    Turíbulo
    Recipiente de metal usado para queimar o incenso.

    Incenso
    Resina de aroma suave. Produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando as nossas preces e orações à Deus.

    Naveta
    Objeto utilizado para se colocar o incenso, antes de queimá-lo no turíbulo.

    Altar
    Mesa onde se realiza a ceia Eucarística; ela representa o próprio Jesus na Liturgia. O altar é o próprio cordeiro crucificado.

    Ainda temos:
    ÁGUA -Trata-se de água natural. É usada para purificar as mãos do sacerdote e para ser misturada com o vinho, simbolizando a união da Humanidade com a Divindade em Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a âmbula.
    ALFAIAS - Designam todos os objetos utilizados no culto, como por exemplo, os paramentos litúrgicos.
    ALIANÇA - Anel utilizado pelos noivos para significar seu compromisso de amor selado no matrimônio.
    ÂMBULA - É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário, juntamente com as hóstias que foram consagradas.
    ANDOR - Suporte de madeira, enfeitado com flores. Utilizados para levar os santos nas procissões.
    ASPERGES - Utilizado para aspergir o povo com água-benta. Também conhecido pelos nomes de aspergil ou aspersório.
    BACIA - Usada como jarro para as purificações litúrgicas.
    BÁCULO - Bastão utilizado pelos bispos. Significa que ele está em lugar do Cristo Pastor.
    BATISTÉRIO - O mesmo que pia batismal. É onde acontecem os batizados.
    BURSA - Bolsa quadrangular para colocar o corporal.
    CALDEIRINHA - Vasilha de água-benta.
    CAMPAINHA - Sininhos tocados pelo acólito no momento da consagração.
    CASTIÇAIS - Suportes para as velas.
    CADEIRA DO CELEBRANTE - Cadeira no centro do presbitério que manifesta a função de presidir o culto.
    CÍRIO PASCAL - Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Cristo: começo e fim) e o ano em curso. tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de Cristo. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batizados. Simboliza o Cristo, luz do mundo.
    COLHERINHA - Usada para colocar a gota de água no vinho e para colocar o incenso no turíbulo.
    CONOPEU - Cortina colocada na frente do sacrário.
    CORES LITÚRGICAS - Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia indicada pelo calendário fica estabelecida determinada cor. ROXO -Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento. ROSA -Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve pausa na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento. PRETO -Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.
    CREDÊNCIA - Mesinha ao lado do altar, utilizada para colocar os objetos do culto.
    CRUZ PROCESSIONAL - Cruz com um cabo maior utilizada nas procissões.
    CRUZ PEITORAL - Crucifixo dos bispos.
    ESCULTURAS - Exsitem nas Igrejas desde os primeiros séculos. Sua única finalidade litúrgica é ajudar a mergulhar nos mistérios da vida de Cristo. O mesmo se pode dizer com relação às pinturas.
    FLORES - Em dias festivos pode-se usar flores, não sobre o altar, mas ao lado deste. Sobre o altar usa-se decoração com motivos litúrgicos, tais como o pão e o vinho, o trigo e a uva, além das velas e crucifixo. No tempo da Quaresma não se usa flores; durante o Advento, admite-se seu uso desde que seja com moderação, para não antecipar a alegria do Natal.
    GENUFLEXÓRIO - Faz parte dos bancos da Igreja. Sua única finalidade é ajudar o povo na hora de ajoelhar-se.
    HÓSTIA - Pão Eucarístico. A palavra significa "vítima que será" sacrificada. É feita de pão de trigo. Há uma hóstia grande para o sacerdote e pequenas para o povo. A do sacerdote é grande para que possa ser vista de longe pelo povo durante a elevação e também para ser repartida entre alguns participantes, em geral os ministros.
    JARRO - Usado durante a purificação.
    LAMPARINA - É a lâmpada do Santíssimo.
    LAVATÓRIO - Pia da Sacristia. Nela há toalha e sabonete para que o sacerdote possa lavar as mãos antes e depois da celebração.
    LIVROS LITÚRGICOS - Todos os livros que auxiliam na liturgia: lecionário, missal, rituais, pontifical, gradual, antifonal.
    LUNETA - Objeto em forma de meia-lua utilizado para fixar a hóstia grande dentro do ostensório.
    MATRACA - Instrumento do madeira que produz um barulho surdo. Substitui os sinos durante a semana santa.
    PISCINA - antigo nome da pia da sacristia.
    PÍXIDE - O mesmo que ÂMBULA.
    PRATINHO - Recipiente que sustenta as galhetas.
    PURIFICATÓRIO - O mesmo que sanguinho.
    RELICÁRIO - Onde são guardados as relíquias dos santos.
    SACRÁRIO - Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida como TABERNÁCULO.
    SANTA RESERVA - Eucaristia guardada no SACRÁRIO.
    TABERNÁCULO - O mesmo que SACRÁRIO.
    VELAS - Sobre o altar ficam duas velas. A chama da vela simboliza a fé que recebemos de Jesus, Luz do Mundo, no batismo e na confirmação. É sinal de que a missa só tem sentido para quem vive a fé.
    VESTES LITÚRGICAS - Para lidar com as coisas santas, o sacerdote se utiliza de sinais sagrados, usando vestes que o distinguem das outras pessoas. As vestes representam o Cristo cheio de glória e simbolizam a comunidade que crê no Cristo ressuscitado. Alva - É uma veste muito semelhante à túnica, sendo toda branca. Simboliza a nova vida, a pureza e ressurreição. Cíngulo - É um cordão que prende a alva ou a túnica à altura da cintura. Simboliza a vigilância, lembrando as cordas com as quais Jesus foi amarrado.
    VÉU DO CÁLICE - Pano utilizado para cobrir o cálice.
    VÉU DO CIBÓRIO - Capinha de seda branca que cobre a âmbula. É sinal de respeito para com a Eucaristia.
    VINHO - É vinho puro de uva. Assim como o pão se converte no verdadeiro Corpo de Cristo, também o vinho se converte no verdadeiro Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado.

    4. O ritual como um drama

    Antoniazzi apresenta a evolução dos sacramentos no interior da Igreja Católica a partir de alguns pontos por ele interpretados como “tensões sempre presentes” na história da própria instituição. Esses pontos podem ser interpretados como os três grandes momentos que marcam a passagem de um sentido comunitário da vida cristã, para um sentido individualista:
    1 – A liturgia doméstica ( séc II e III) – caracterizada pela simplicidade dos ritos e de templos. O presbítero se confundia com a família, e o local da celebração era a casa do fiel. Era uma celebração comunitária que mudava à medida que crescem esta mesma comunidade e sua casa.
    2 – a liturgia como espetáculo e drama (séc. IV e VII) – caracterizada por grandes celebrações nas basílicas ou nas construções romanas. O fiel participava com cânticos, gestos e procissões, e o bispo ou o presbítero(2) passaram a desempenhar várias funções
    3 – A liturgia individualista (séc. VII em diante) – caracterizada por um tempo de invasões no império Romano e pela influência celta e germânica. Com a decadência das cidades, o cristianismo buscou sua difusão e bases no mundo rural antes isolado, provocando uma virada na instituição. Passou a predominar o individualismo e a perda do sentido da “coisa pública”. Tudo se tornou propriedade, inclusive a Igreja. (ANTONIAZZI, 1990)

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    (2) São os seguintes os Graus da Ordem na Igreja Católica: 1º. Diaconato; 2º. Presbiterato e 3º Episcopado.
    A Missa

    A missa no contexto geral é composta de partes:
    Entrada: É a procissão do povo de Deus que se dirige à casa do Pai.
    Saudação: No inicio da Missa o padre cumprimenta os participantes.
    Ato Penitencial: Para participarmos da Missa, devemos estar com o coração limpo, sem nenhum pecado, por isso, pedimos perdão à Deus.
    Glória: Como Deus nos perdoou, nós O louvamos cantando ou rezando.
    Leituras: Até agora, Deus nos ouviu. É nossa hora de ouvir a Deus ouvindo as três leituras tirasdas da Bíblia.
    Homília: Depois das leituras, o Padre explica a mensagem da Bíblia.
    Oração dos fiéis: É quando a comunidade faz os seus pedidos.
    Ofertório: Está na hora de preparar a mesa para o grande banquete. Além do Pão e Vinho ofertamos tudo o que somos e temos.
    Oração Eucarística: Durante a consagração, o pão e o vinho são transformados no Corpo e Sangue de Jesus Cristo.
    Pai Nosso: Esta é a Oração que Jesus nos ensinou.
    Oração pela Igreja: Pedimos pela unidade e paz.
    Saudação da Paz: Desejamos ao nosso irmão a Paz de Cristo.
    Cordeiro de Deus: Oração que nos mostra que só Jesus é o nosso alimento.
    Comunhão: Nos alimentamos do próprio Jesus Vivo.
    Ação de Graças: Por tudo o que temos e somos, agradecemos ao Senhor.
    Despedida: O Padre dá a benção e se despede.

    As pessoas vão chegando sempre um pouco antes de a missa ter início e procuram os lugares na frente, mais próximos do altar. Com exceção das pessoas mais jovem, que ficam de papo na porta da igreja até que a missa comece e eles se ajeitem nas laterais e nos fundos do templo. Como obedecendo a uma espécie de código, os mais idosos e pessoas com os filhos de colo sentam sempre à frente e os mais jovens, casais de namorados ficam mais aos fundos.
    O coral reúne-se no lado direito do altar, formado por integrantes do grupo de jovens da comunidade. Alguns instrumentos são preparados para ilustrar algumas músicas, acompanhadas pelas palmas e um discreto movimento de corpo.
    Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. O canto é executado alternadamente pelo coral e pelo povo. Chegando ao presbitério, o sacerdote e os ministros saúdam o altar, em seguida, em sinal de veneração, o sacerdote e o diácono beijam o altar, e o sacerdote o incensa. Em seguida o sacerdote e toda a assembléia fazem o sinal da cruz (o sinal da cruz simboliza saudação).
    Após a saudação do povo, o sacerdote introduz, com breves palavras, os fiéis na missa do dia, convidando-os ao ato penitencial, onde se reconhecem como pecadores, uns diante dos outros, realizando uma confissão geral, sendo concluído com a absolvição dada pelo sacerdote.
    Depois do alto penitencial, vem o canto “Senhor, tende piedade” onde os fiéis aclamam o Senhor e imploram a sua misericórdia, seguido de “glória a Deus”, hino antiqüíssimo, que, se não for cantado, deve ser recitado por todos, juntos ou alternamente.
    A seguir, o sacerdote convida o povo a rezar em silêncio à “coleta” (oração do dia). Na missa diz-se uma única oração do dia, valendo o mesmo para as orações sobre as oferendas e depois da comunhão.
    Começam as leituras bíblicas, que servem para comunicar a palavra divina, por tradição, as leituras não são feitas pelo sacerdote e sim por um ministro ordenado. Após a primeira leitura, canta-se um salmo e os fiéis participam com o refrão. Após a segunda leitura, vem o “aleluia”.
    Em seguida, vem a homilia, que é diferente do sermão e significa “conversa familiar, simples, direta”. Trata-se de comentários de passagens da escritura que constituem ponto de encontro entre o mistério celebrado e a vida dos fiéis, visando provocar a comunidade de fiéis a fazer uma reflexão sobre sua vida concreta.
    Após a homilia, vem: a “profissão de fé”, em que a comunidade proclama a sua fé e expressa o seu compromisso de praticá-la, designa o “creio”, e a “oração dos fiéis”. Um momento variado e participativo, onde o povo reza e suplica por toda a humanidade, expressando também suas intenções locais e pessoais. Tanto a “profissão de fé”, como a “oração dos fiéis” são manifestações de adesão pessoal e acolhimento da palavra da igreja, um gesto de comunhão com a tradição apostólica.

    “a liturgia é uma práxis simbólica que procura mudar o mundo das representações e das comunicações através de símbolos eficazes e de palavras performativas que constituem uma vida humana e radicalmente fiel. Sob esta ótica, o símbolo supõe uma percepção unitária do tipo existencial e intuitivo global, já que afeta a totalidade da pessoa. É imagem e doxa da realidade evocada e transmite um conhecimento profundamente dinâmico”. (Boróbio, 1990, p. 428)

    Agora, começa a liturgia eucarística, disposta em três partes que correspondem às palavras e gestos de fato:
    1) na preparação das oferendas, levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos;
    2) na oração eucarística, rendem-se graças a Deus por toda a obra salvífica(3) e as oferendas tornam-se corpo e sangue de Cristo;
    3) Pela fração do mesmo pão, manifesta-se a unidade dos fiéis e pela comunhão recebem o corpo e o sangue do Senhor.
    No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas ( o pão e o vinho) que se converterão no corpo e sangue de Cristo. Em primeiro lugar, prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o missal e o cálice.
    A seguir, trazem-se as oferendas. Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a igreja, porém serão colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.

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    (3) Salvífica, significa: que traz ou produz salvação ( Dicionário Aurélio).
    Podem-se incensar as oferendas colocadas no altar, bem como o próprio altar para simbolizar-se deste modo que a oferenda e a oração da igreja sobem, qual incenso, à presença de Deus. Também, o sacerdote e o povo podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro, depois de incensadas, as oferendas e o altar. Em seguida, o sacerdote lava as mãos, exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior.
    Depositadas as oferendas sobre o altar e terminados os ritos que as acompanham, conclui-se a preparação dos dons e prepara-se a oração eucarística, com o convite aos fiéis a rezarem com o sacerdote e com a oração sobre as oferendas.
    Inicia-se agora a oração eucarística, centro e ápice de toda a celebração, prece de ação de graças e santificação. Os principais elementos que compõem a oração eucarística são:
    a) Ação de graças- em que o sacerdote, em nome de todo o povo santo, glorifica a Deus e lhe rende graças por toda a obra da salvação ou por um dos seus aspectos, de acordo com o dia, a festa ou o tempo;
    :) A aclamação- pela qual toda a assembléia canta ou recita o “sanctus”;
    c) A Epíclese- é o momento na qual a igreja implora por meio de invocações especiais o poder divino, na qual se transforma o pão e o vinho em corpo e sangue de Cristo, e que a hóstia se torne a salvação daqueles que vão recebê-la em comunhão;
    d) A narrativa da instituição e consagração- quando pelas palavras e ações de Cristo se realiza o sacrifício que ele instituiu na última ceia, ao oferecer o seu corpo e sangue sob as espécies de pão e vinho, e entregá-los aos apóstolos como comida e bebida, dando-lhes a ordem de perpetuar este mistério;
    e) A Anamnese- pela qual, cumprindo a ordem recebida do Cristo Senhor através dos apóstolos, a igreja faz a memória do próprio Cristo, relembrando principalmente a sua bem-aventurada paixão, a gloriosa ressurreição e a ascensão aos céus;
    f) a oblação- a igreja oferece ao Pai, no espírito santo, a hóstia imaculada, ela deseja que os fiéis não apenas ofereçam a hóstia, mas aprendam a oferecer-se a si próprios;
    g) as intercessões- pelas quais se exprime que a eucaristia é celebrada em comunhão com toda a igreja, tanto celeste como terrestre, que a oblação é feita por ela e por todos os seus membros vivos e defuntos, que foram chamados a participar da redenção e da salvação obtidas pelo corpo e sangue de Cristo; e

    h) Termina com a Doxologia(4) – “Por Cristo, com Cristo, e em Cristo”que exprime a glorificação de Deus, e é confirmada e concluída pela aclamação do povo.

    Exige a oração eucarística que todos a escutem com reverência e em silêncio, dela participando pelas aclamações previstas no próprio rito.

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    (4) Doxologia, significa: fórmula litúrgica de louvor a Deus, geralmente ritmada( Dicionário Aurélio).

    Agora começam os ritos da comunhão, sendo a celebração eucarística a ceia pascal, convém que, segundo a ordem do Senhor, o seu corpo e sangue sejam recebidos como alimento espiritual pelos fiéis, devidamente preparados. Esta é a finalidade da fração de pão e os outros ritos preparatórios, pelos quais os fiéis são imediatamente encaminhados à comunhão:
    a) O “Pai nosso” é rezado por todos com expressão dos sentimentos de amor e de união fraterna com Deus e com os outros. Nesta oração pede-se o pão de cada dia, que lembra para os cristãos o pão eucarístico e pede-se a purificação dos pecados, a fim de que as coisas santas sejam verdadeiramente dadas aos santos. O sacerdote profere o convite, todos os fiéis recitam a oração com o celebrante, e ele acrescenta sozinho o embolismo, que o povo encerra com a doxologia. O convite, a oração, o embolismo e a doxologia com que o povo encerra o rito são cantados ou proferidos em voz alta;
    :) Segue-se o rito da paz no qual os fiéis imploram a paz e a unidade para a igreja e toda a família humana, e exprimem mutuamente a caridade, antes de participar do mesmo pão. Quanto ao rito da paz, seja estabelecido pelas conferências episcopais de acordo com a índole e os costumes dos povos, o modo de realizá-lo. Observação: a CNBB na Assembléia geral de 1970, decidiu que “o rito da paz seja realizado por cumprimento entre as pessoas do modo com que as mesmas se cumprimentam entre si em qualquer lugar público”.
    c) O gesto de partir o pão, realizado por Cristo na última ceia, deu nome a toda a ação eucarística na época apostólica, esse rito possui não apenas uma razão
    prática, mas significa que nós, sendo muitos, pelo comunhão do único pão da vida, que é Cristo, formamos um único corpo;
    d) A mistura do corpo e do sangue de Cristo: o sacerdote coloca no cálice uma partícula da hóstia;
    e) O “cordeiro de Deus” é cantado enquanto o presidente parte a hóstia, lembrando a antiga denominação da eucaristia que era chamada de “fração do pão”. Se não for cantada, seja dita em voz alta. Para acompanhar o rito da fração do pão, pode-se repetir essa invocação quantas vezes for necessário, terminando-se sempre com as palavras “daí-nos a paz”;
    f) A preparação particular do sacerdote: rezando em voz baixa o sacerdote se prepara para receber frutuosamente o corpo e sangue de Cristo. Os fiéis fazem o mesmo, rezando em silêncio;
    g) A seguir, o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico que será recebido na comunhão e convida-os à ceia de Cristo, e, unindo-se aos fiéis, faz um ato de humildade, usando as palavras do evangelho;
    h) É muito recomendável que os fiéis recebam o corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do sacrifício celebrado;

    i) Enquanto o sacerdote e os fiéis recebem o sacramento, entoa-se o canto da comunhão que exprime, pela unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes(5), demonstra a alegria dos corações e torna mais fraternal a procissão dos que vão receber o corpo de Cristo. O canto começa quando o sacerdote comunga, prolongando-se oportunamente, enquanto os fiéis recebem a hóstia. Havendo um hino após a comunhão, encerre-se em tempo o canto da comunhão. Pode-se empregar a antífona(6) do gradual romano, com o salmo ou sem salmo, ou a antífona com o salmo do gradual simples, ou outro canto adequado, aprovado pela conferência episcopal. O canto é executado só pelo grupo dos cantores, ou pelo grupo dos cantores ou cantor com o povo.
    j) Terminada a distribuição da comunhão, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio, podendo a assembléia entoar ainda um hino, salmo ou outro canto de louvor;
    k) na oração depois da comunhão, o sacerdote implora os frutos do mistério celebrado, e o povo, pela aclamação – AMÉM – faz sua oração.

    Inicia-se os ritos de encerramento. São os ritos de conclusão que se realizam com a saudação do celebrante, a benção e a despedida.

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    (5) Comungante, significa: que pessoa que pode ou vai receber comunhão( Dicionário Aurélio).
    (6) Antífona, significa: curto versículo recitado ou cantado pelo celebrante, antes e depois de um salmo, ao qual respondem alternadamente duas metades do coro.
    Missa para os Vaqueiros
    Em plena caatinga, liturgia católica assume a roupagem cultural do Sertão e atrai fiéis e visitantes, todos os anos.

    O altar é rústico, de pedra e cimento, ao ar livre, sobre um pequeno quadrado de paralelepípedos. Não há púlpito, o padre celebra do chão e o sermão é feito no mais simples linguajar. Os participantes, espalhados numa esplanada de cascalho, vestem-se de couro da cabeça aos pés e assistem à cerimônia religiosa montados em seus cavalos. Na comunhão, em lugar da hóstia recebe-se farinha, queijo ou rapadura. No ofertório, depõem-se ao pé do altar gibões, relhos ou berrantes. Essa é a liturgia da Missa do Vaqueiro.
    Há exatos 30 anos, foi celebrada a primeira, no Sítio das Lajes, em Serrita, alto sertão pernambucano. Havia apenas o padre João Câncio (já falecido), um punhado de vaqueiros e alguns curiosos. De lá para cá, a Missa do Vaqueiro é um dos eventos mais mobilizadores do calendário turístico-religioso do Nordeste, reunindo centenas de peões das fazendas de gado da região e milhares de visitantes e acompanhantes. É repetida a cada ano no terceiro domingo de julho, sendo precedida, durante cinco dias – da quarta ao domingo – de uma variada programação cultural, incluindo vaquejada, exposição de artesanato sertanejo, espetáculos de dança e shows com bandas de forró e outros estilos. Desde 1976, o acompanhamento musical da missa é executado pelo Quinteto Violado.
    Calcula-se em 50 mil pessoas o número dos que comparecem ao evento, nos últimos anos. No período, espalham-se pelo Sítio das Lajes barracas de bebidas e comidas típicas, ao redor das quais os vaqueiros, com suas vestimentas características, empenham-se em torneios de aboios – o canto solitário que solfejam quando tangem as boiadas, que também assume uma forma lúdica durante as vaquejadas, incorporando versos de amor ou de sátiras aos costumes.
    A primeira missa foi concebida a partir da canção Morte do Vaqueiro, de Luiz Gonzaga e Nélson Barbalho, e baseia-se na história de Raimundo Jacó, dada como fato verdadeiro.
    Segundo a narrativa, Raimundo Jacó era um vaqueiro valente, destemido, que conhecia as manhas do gado e todo o mistério da caatinga, que avistava e diferenciava de longe cada um dos garrotes sob sua responsabilidade e sabia onde todos bebiam e comiam. Não havia na região ninguém que conduzisse uma boiada ou localizasse um touro desgarrado, como ele. Suas habilidades angariaram-lhe uma legião de admiradores e, como seria presumível, despertaram a inveja de companheiros de labuta menos dotados de tais atributos.
    Então, na fazenda onde Jacó trabalhava chegou o vaqueiro Miguel. Um tomava conta do rebanho do patrão, o outro, do da patroa. Eventualmente, saíam juntos na labuta pelas caatingas.
    No dia 8 de julho de 1954, os dois partiram em busca de um animal, de grande valor para os donos da fazenda, que havia fugido. Saíram juntos, mas apenas Miguel retornou. Dias depois, Raimundo Jacó foi encontrado morto, com uma pancada na nuca, ao lado de seu cachorro e com o garrote amarrado em seu corpo.
    Miguel passou a ser acusado pelo crime, mas nunca foi condenado devido à falta de provas. A brutalidade do crime e a impunidade reinante no Sertão causaram revolta tanto ao cantor e compositor Luiz Gonzaga, primo de Jacó, quanto ao então pároco de Serrita, João Câncio.

    Em 1971, os dois organizaram, com o auxílio do poeta Pedro Bandeira, famoso repentista do Cariri, a cerimônia litúrgica em homenagem à memória de Raimundo Jacó e a todos os vaqueiros nordestinos, além de pretender ser um grito por justiça. De lá para cá, a missa foi crescendo, mobilizando mais e mais pessoas, até assumir as dimensões de hoje.
    Em 1973, a Prefeitura de Serrita ergueu no Sítio das Lajes uma estátua de Raimundo Jacó, esculpida por Jota Mendes, artista de Petrolina.

    A Constituição Sacrosanctum Concilium, publicada em 1963, conseqüência do Concílio Vaticano II, normatizou a renovação da liturgia, apresentando as modificações: 1) adaptação do culto da Igreja às realidades locais; 2) o emprego de línguas vernáculas (desobrigação do uso do Latim); 3) a concelebração, destacando o aspecto comunitário do rito; 4) a mudança de posição do altar (o que recolocava o celebrante de frente para o fiel); 5) o emprego de cantos ligados à vida concreta do povo; 6) a valorização da palavra (no sentido de adensar a riqueza da palavra bíblica na comunicação com o fiel); e o estímulo à maior participação de todos.
    O padre Nereu de Castro Teixeira(7) nos mostra que podemos interpretar a liturgia, antes das reformas implementadas na Constituição Sacrosanctum Concilium, com três aspectos: 1º. Aspecto doutrinal que será sempre celebrado e que se refere ao conteúdo; 2º. O desenvolvimento do pensamento teológico fora do espaço da celebração, criando a figura do teólogo, distante da do celebrante. Ou do mundo das idéias separado do mundo vivido; e 3º. A prerrogativa deste mundo das idéias de ter o acesso à informação, como o poder de decidir a celebração.

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    (7) O Padre Nereu de Castro Teixeira é professor de História da Liturgia no Seminário Teológico Coração Eucarístico, em Belo Horizonte-MG, além da formação teológica, ele é jornalista, formado pela PUC- Minas Gerais e assessor da CNBB, no setor de Comunicação Social e publicou Celebração e Comunicação: Festa da vida, Belo Horizonte em 1994.
    Os textos históricos e o entendimento de teólogos nos mostram que a reforma litúrgica buscou basicamente a participação dos fiéis, pois, anteriormente, o ritual era centralizado na figura do padre, contando com a presença dos fiéis sem participação direta, considerando que o principal sistema de comunicação era realizado com o uso irrestrito do Latim. Dessa maneira, buscava-se, basicamente: a) postura ativa e consciente dos fiéis, principalmente com o deslocamento do altar, e participação ativa, pois todos são celebrantes daquele culto; :) abertura de questões internas à Igreja, ultrapassando da celebração para, também, as conferências episcopais e outros assuntos restritos a Roma, adaptando o rito católico às diversas culturas e às realidades das Igrejas locais, buscando um maior enraizamento através da criação dos conselhos pastorais, conselheiros sacerdotais, etc; e c) participação coerente com a natureza comunitária da liturgia.

    Missa Conga ou a reza dos Libertos

    Essa missa põe em diálogo a liturgia da igreja católica e a religiosidade popular.
    As guardas se preparam para entrar na igreja e o passado – tão presente – traz à lembrança as porta do templo, sempre fechadas aos fiéis de pele negra. O capitão da guarda faz o lamento, e perto dele permanece um jovem, que será futuramente o conhecedor das palavras sagradas. É assim que a gunga de Arthur Camilo se perpetua, pela própria consciência da necessidade do ensinamento às gerações mais jovens.
    Cessando o lamento a voz de outro capitão, faz se forte e clara, lembra que a igreja é de Deus e que a missa será celebrada pelo Rei Eterno:

    “O sô padro abre a porta
    O! que o nego qué entrá
    Qué ouvi a santa missa
    Que o padro Eterno vai celebrá”

    O canto acompanha a porta que se abre, par a par, para a entrada dos negros: simbolicamente, os escravos penetram primeiro. Entram o reino coroado, as guardas e o povo.
    Os primeiros bancos da igreja são ocupados pela corte e autoridades, a guarda de Congo à direita do altar e a guarda de Moçambique à esquerda. Segue a liturgia da igreja católica, sendo que os cantos das guardas pontuam os momentos: Evangelho, Ofertório, Saudação entre os fiéis, Comunhão e Encerramento.

    Escravo Antoninho
    Acervo CMU-Unicamp Esta missa é uma homenagem póstuma a alma do escravo Antoninho, muito cultuada na região, seu túmulo é muito visitado e repleto de flores e placas de agradecimento por graças alcançadas. Falecido em 13 de março de l904, sepultado ao lado do seu senhor, Barão Geraldo de Resende, no cemitério da Saudade – Campinas-SP.

    A missa apresenta como o momento mais elevado do rito a consagração da eucaristia, considerando que nesse momento se reatualiza o sacrifício e a resurreição de Cristo e a promessa de salvação para os que acreditam nesse mistério.
    A missa aborda um fato passado com valor divino, ou seja, a última ceia de Cristo, ocorrendo à comunhão pela partilha de alimentos, buscando-se a interação do ser humano com a natureza e com o cosmos, portanto a expressão “tomai e comei... e tomai e bebei” é a expressão mais profunda deste enraizamento humano no cosmos.
    A assembléia litúrgica se difere de outras reuniões, considerando que é uma assembléia de pessoas com fé, de irmãos e irmãs unidos pelo amor e é um encontro público aberto a todos engajados por laços de fraternidade.

    5. Anexos

    5.1- Fotos da “nave” (interior da igreja) e “coral” da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.2- Fotos do altar e sacrário da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.3- Foto crucifixo da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.4- Foto do padre com vestes litúrgicas da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.5- Fotos do “missal”e de alguns objetos usados na celebração da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.6- Planta baixa com fachada principal e corte A A da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.7- Planta baixa com fachada principal, corte B B e definição de cômodos e localização das pessoas e objetos da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil
    5.8- Planta baixa com detalhes dos objetos da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima do bairro da Mangabeira, Recife- PE, Brasil.

    6. Referências Bibliográficas
    • ANTONIAZZI, Alberto. Notas sobre a história do Sacramento. Revista Atualização, Belo Horizonte, no. 225, 1990
    • BASURKO, X. A vida litúrgica-sacramental da Igreja em sua evolução histórica. In Boróbio, Dionísio (org) A Celebração na Igreja. São Paulo, Loyola, 1990.
    • Constituição Sacrosanctum Concilium. Vaticano, 1963
    • Livro Missal da Igreja Católica Matriz de Nossa Senhora de Fátima, Recife-PE, 2006.
    • MARTIMORT, A. G. A Igreja em Oração – introdução à liturgia. 3ª. Ed, Portugal, Ed. Ora e Labora, 1965
    • REY-MERMET. A fé explicada aos jovens e adultos, 3ª. ed. São Paulo, Paulinas, 1979 Vol II, Os Sacramentos
    www.aguaforte.assessoriaweb,com
    www.auxiliadora.org.br
    www.continentemulticultural.com.br
    www.geocities.yahoo.com.br
    www.servosporamor.com.br
    www.unicamp.br
    so.com

  • SOCIOLOGIA- PROJETO DE PESQUISA SOBRE GRAVIDEZ PRECOCE

    Fernando Antonio da Silva

    O Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Gravidez Precoce na Adolescência: Injustiça Social Contra as Jovens e os Jovens

    Bacharelado em Ciências Sociais

    DLCH/ UFRPE
    Recife/ Setembro/ 2005
    Fernando Antonio da Silva
    Projeto de Pesquisa sobre o Tema: Gravidez Precoce na Adolescência: Injustiça Social Contra as Jovens e os Jovens

    Trabalho apresentado pelo aluno Fernando Antonio da Silva do 5º período do curso Bacharelado em Ciências Sociais, em nível de graduação do DLCH/UFRPE, à disciplina Método e Técnica de Pesquisa social sob a orientação da professora Cilena Maria como comprovante de atividade disciplinar da primeira avaliação.

    Recife/ setembro/ 2005

    Sumário

    1. Problema ..................................................- ..................................................- 05
    2. Hipótese.........................................- ..................................................- ...........06
    3. Justificativa.....................................- ..................................................- .........07
    4. Objetivos ..................................................- ..................................................- 11
    5. Metodologia/ Cronograma/ Recursos ..................................................- ...12
    6. Anexo ..................................................- ..................................................- .....13
    7. Referências Bibliográficas...................................- .....................................14

    1. Problema

    A Gravidez Precoce gera diversos problemas sociais para a mãe adolescente, e para o pai, quando é adolescente, também gera outros problemas sociais.

    Observamos que o bairro de Nova Descoberta apresenta um elevado índice de gravidez de alto risco, além de altas percentagens de mulheres com baixo grau de instrução, conseqüentemente menor qualificação profissional para o mercado de trabalho. Atentamos, também, que as gravidezes precoces provocam grande evasão escolar tanto para as mulheres como para os companheiros, na sua maioria também adolescentes, que precocemente vão em busca de emprego no mercado de trabalho, face à responsabilidade de manutenção de um novo lar, ou compartilhamento das despesas de uma casa com seu genitor ou genitora, lançando-se cedo ao mercado sem concluir o curso médio ou superior. Aumento do envolvimento de adolescentes masculinos com o mundo das drogas, tanto como usuário como traficante de base (popularmente conhecidos como: avião ou mula) , em conseqüência da pressão financeira e social em gerar receitas “a qualquer preço” para sustento da família.

    2. Hipótese

    A sociedade com famílias desestruturadas socialmente, financeiramente e emocionalmente, gera filhas e filhos com dificuldades afetivas, as quais encontram no sexo precoce uma compensação emocional.

    3 Justiticativa

    A gravidez precoce é considerada como um problema de saúde pública no Brasil e em outros países. No Brasil, uma em cada quatro mulheres que dão à luz nas maternidades tem menos de 20 anos de idade. Estas meninas que não são mais crianças, nem adultas, estão em processo de transformação e, ao mesmo tempo, prestes a serem mães. O papel de criança que brinca de boneca e de mãe na vida real, confunde-se e na hora do parto é onde tudo acontece. A fantasia deixa de existir para dar lugar à realidade. É um momento muito delicado para essas adolescentes, e que gera medo, angústia, solidão e rejeição. As adolescentes grávidas vivenciam dois tipos de problemas emocionais: um pela perda de seu corpo infantil, e outro por um corpo adolescente recém-adquirido, que está se modificando novamente pela gravidez. Estas transformações corporais rapidamente ocorridas, de um corpo em formação para o de uma mulher grávida, são vividas muitas vezes com certo espanto pelas adolescentes. Por isso é muito importante a aceitação e o apoio quanto às mudanças que estão ocorrendo, por parte do companheiro, dos familiares, dos amigos e principalmente pelos pais. A escola muitas vezes não dispõe de estrutura adequada para acolher uma adolescente grávida. O resultado é que a menina acaba abandonando os estudos durante a gestação, ou após o nascimento da criança, trazendo conseqüências gravíssimas para o seu futuro profissional. Os riscos de complicações para a mãe e a criança são consideráveis quando o atendimento médico pré-natal é insatisfatório. Isto ocorre porque, normalmente, a adolescente costuma esconder a gravidez até a fase mais adiantada, impedindo uma assistência pré-natal desde o início da gestação. É muito comum também o uso de bebidas alcoólicas e cigarros o que aumenta os riscos de surgimento de problemas. Ainda existe a possibilidade de gestações sucessivas, os riscos do aborto provocado e as dificuldades para a amamentação. Por isso, a gravidez entre adolescentes deve ser encarada como um problema não apenas médico, mas de toda a sociedade. É importante a participação da família, serviços médicos e instituições, tanto governamentais como não-governamentais, no combate à gravidez precoce e indesejada. Pode-se dizer que estamos enfrentando atualmente uma epidemia de gravidezes em adolescentes. Para ter-se uma idéia, em 1990, cerca de 10% das gestações ocorria nessa faixa etária. Em 2000, portanto apenas dez anos depois, esse índice aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos. Gravidez na adolescência não é novidade na história de vida das mulheres. Provavelmente muitas de nossas antepassadas casaram cedo, engravidaram logo e, durante a gestação e o parto, não receberam assistência médica regular. Erros e acertos dessa época se perderam no tempo e na memória de seus descendentes. A sociedade se modernizou e as mulheres vislumbraram diferentes perspectivas de vida. No entanto, isso não impediu que, apesar da divulgação de métodos contraceptivos, a cada ano mais jovens engravidem numa idade em que outras ainda dormem abraçadas com o ursinho de pelúcia. A gravidez na adolescência é considerada de alto risco. Daí a importância indiscutível do pré-natal para evitar, nesses casos, complicações durante a gestação e o parto. Um levantamento que está sendo feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com o Ministério da Saúde, revela que 25% das adolescentes de 15 a 17 anos que deixaram a escola o fizeram por conta de gravidez. Dessas, 31% residem no Nordeste, são mais de 10,2 mil bebês que nascem de mães adolescentes a cada ano. Em todo o Brasil, 71% moram no interior e 12% nas periferias. Os dados, ainda inéditos, constam de três pesquisas em fase de conclusão. Uma é a Saúde Brasil 2005 do Ministério da Saúde, a segunda versão do mapa do setor produzido anualmente pelo Governo Federal, e os outros dois estudos são de autoria da Unesco. De acordo com dados da pesquisa, a gravidez precoce e as dificuldades dela decorrentes já respondem pela terceira causa de óbitos entre mulheres brasileiras jovens, perdendo apenas para homicídios e acidentes com transporte.

    Localizado ao norte no município do Recife, encontra-se o bairro de Nova Descoberta, com uma população de 34.676 habitantes. No tocante ao nível de instrução, a população em sua maioria possui apenas o 1º. Grau maior e 4.348 (15%) são analfabetos e analfabetas, possuindo uma sofrível qualificação profissional e boa parte da população está à margem do mercado de trabalho. O bairro está norteado por problemas tanto de ordem estrutural como social. A coleta de lixo é deficitária, o sistema de esgoto é precário, e, principalmente os problemas sociais de insegurança, falta de oportunidade de emprego ou ocupação e, conseqüentemente, ausência de geração de renda, além do alto índice de gravidez precoce. A população do bairro de Nova Descoberta está distribuída, (conforme censo realizado em 2000) com 16.690 homens e 17.986 mulheres e na faixa de 10- 14 anos até 20 – 24 anos consta 5.592 mulheres. Desse universo de 5.592 mulheres, foram registrados 1.398 casos de gravidez precoce, no período de 2000 a 2004, e ressaltamos que em 2003 foram registrados 252 casos e em 2004 foram registrados 432 casos, portanto crescimento de 58%.

    5. Objetivos
    Objetivo Geral: contribuir com a disponibilidade de informações, no contexto social, dos problemas gerados pela gravidez precoce, permitindo uma avaliação que servirá como base para tomada de decisões pelas esferas políticas no nível municipal e estadual, visando à redução dos problemas sociais envolvendo adolescentes.
    Objetivos Específicos: buscar informações sobre a estrutura familiar desses jovens envolvidos com gravidez precoce; apreciar a carência afetiva desses jovens; avaliar a evasão escolar das jovens grávidas ou com recém-nascido e dos jovens pais envolvidos com gravidez precoce; Realizar levantamento sobre DST- Doenças Sexualmente Transmissíveis entre jovens; apreciar o nível de emprego dos jovens envolvidos com gravidez precoce; avaliar o nível de jovens envolvidos com drogas e embriaguez; demonstrar o direito das adolescentes grávidas de serem consideradas cidadãs que não podem ser alvo de discriminação por conta de sua condição e que têm direito a receber atenção do Estado; ampliar a visão de que ações de prevenção à gravidez na adolescência podem significar a redução da incidência e, conseqüentemente, dos problemas e mortes relacionadas com gravidez precoce; provocar o oferecimento por parte do poder do Estado de apoio psicológico às jovens e aos jovens pais e às suas famílias pode minimizar problemas de relacionamento, evitando a desintegração social e familiar.

    6. Metodologia/ Cronograma/ Recursos
    Iremos aplicar questionário (Anexo 1) com entrevista em setecentos jovens do bairro de Nova Descoberta, sendo 500 envolvidos com gravidez precoce (250 homens e 250 mulheres) e 200 não envolvidos com gravidez. Pretendemos utilizar o tempo de oito semanas, conforme cronograma abaixo. A equipe será formada por treze pessoas, sendo dez pesquisadores alunos e alunas do Curso de Ciências Sociais, um coordenador e dois digitadores, todos da UFRPE. Os dados serão tabulados em digitação simplificada e direta. Utilizaremos sala de extensão e pesquisa da UFRPE, como também, 02 computadores
    CRONOGRAMA
    ATIVIDADES / PERÍODOS: SEMANAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
    1 Levantamento de literatura X
    2 Montagem do Projeto X
    3 Coleta de dados X X
    4 Tratamento dos dados X X
    5 Elaboração do Relatório Final X
    6 Revisão do texto X
    7 Entrega do trabalho X

    Anexo 1

    Questionário/ Entrevista

    Nome: Sexo: ( ) M / ( ) F
    Filiação:

    Idade: Nível Educacional:

    O genitor apresenta algum vício ou doença socialmente condenável:
    ( ) alcoólatra / ( ) drogado / ( ) viciado em jogo de azar / ( ) outros: especificar

    A genitora apresenta algum vício ou doença socialmente condenável:
    ( ) alcoólatra / ( ) drogada / ( ) viciada em jogo de azar / ( ) outros: especificar

    Renda mensal familiar:

    ATENÇÃO: APENAS Jovens envolvidos com Gravidez Precoce

    A (O) Jovem recebeu ou recebe algum apoio da família sob a gravidez precoce

    Continua estudando:

    Apresenta-se empregado ou em alguma ocupação:

    Realizou ou está realizando o Pré-Natal recomendado:

    A criança está com atendimento em alguma creche ou tem vaga garantida para o bebê quando nascer:

    ATENÇÃO: APENAS Jovens NÃO envolvidos com Gravidez Precoce

    A (O) Jovem receberia algum apoio da família sob a gravidez precoce

    9. Referências Bibliográficas

    • Artigo Atenção à Gravidez na Adolescência publicado como Dicas no. 74, em 1996, de autoria de Veronika Paulics e auxiliar de pesquisa Fábio maleronka Ferron/ www.federativo. Bndes.gov.br
    • Artigo Gravidez Precoce do site Saúde de Vida On Line/ www.saudevidaonline.com.br
    • Artigo Projeto da Pesquisa- Metodologia Científica.

  • sociologia- ensaio científico sobre Noções de Cultura

    Universidade Federal Rural de Pernambuco- UFRPE

    Departamento de Letras e Ciências Humanas

    Disciplina: Português

    Profª: Ana José

    ENSAIO CIENTÍFICO: NOÇÕES DE CULTURA

    Equipe: Fernando Antonio da Silva, Elvis, Maurício, Williams, Dilson, Fernando Antonio Junior.

    Recife-PE, UFRPE- 02/03/2004

    Escrever ou falar sobre cultura é evocar um mundo quase infinito de realizações e criações, operadas pela humanidade, em cerca de três milhões de anos. Nessa evocação, defrontamo-nos com surpresas, com invenções e descobertas, com dinamismo e criatividade. Ficamos pasmos com a variedade cultural que o século vinte apresenta, em todos os países quer dos chamados desenvolvidos quer dos que pertencem ao Terceiro Mundo. E a nossa admiração cresce de ponto quando colocamos, ao lado das civilizações modernas, os povos que ainda vagueiam pelas selvas ou savanas, com instrumentos líticos. Ficamos talvez, tomados de etnocentrismo inconsciente, ao tomarmos contato com traços culturais contraditórios, no exame de uma e outra cultura.
    Pelo visto, o tema cultura apresenta-se riquíssimo e, atualmente, é-lhe dado tratamento muito especial, na cadeira de Antropologia Cultural. O crescente interesse por essa disciplina deve-se, não em último lugar, ao fato do ser humano, nas realizações culturais, ver um como espelho do que ele é, do que ele pode e do que ele espera.
    Ruth Benedict escreveu em seu livro O crisântemo e a espada que a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo.

    O QUE É CULTURA?
    A palavra cultura tem sua raiz no latim: colere, cultus. Assim, temos cultura de abelhas, de bactérias, cultura do campo, etc.
    Em sentido mais lato, a cultura referindo-se ao ser humano, expressa o modo como este encara as coisas, o mundo, o sentido da vida. Temos, então, cultura como sinônimo de mundividência.
    Edward B. Tylor ( 1871) foi o primeiro a formular um conceito de cultura, em sua obra Cultura primitiva. Ele propôs “Cultura... é aquele lado complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
    Na antiga Grécia, a educação, fruto da cultura, era denominado “paidéia”.
    Franz Boas ( 1938) define cultura como “a totalidade das reações e atividades mentais e físicas que caracterizam o comportamento dos indivíduos que compôem um grupo social... “.
    A par disso, toma-se cultura como aprimoramento das faculdades superiores do ser humano: inteligência, vontade, memória. A este trabalho exclusivo de cada indivíduo, dá-se o nome de cultura subjetiva.
    Quando se fala em cultura incluindo os padrões de comportamento de um grupo humano, as crenças, os valores, todo esse conjunto, elaborado pelos seres humanos e que, por sua vez, lhes regula o comportamento, chamam-no os antropólogos, de cultura objetiva. Nela, é mister distinguir os elementos de cultura não-material ou simbólica ( arte, religião, mitos, ritos, etc.) e os de cultura material ou não simbólica.
    Bronislaw Malinowski ( 1944), em Uma teoria científica da cultura, conceitua cultura como “o todo global consistente de implementos e bens de consumo, de cartas constitucionais para os vários agrupamentos sociais, de idéias e ofícios humanos, de crenças e costumes”.
    Mais recentemente, Clifford Geertz ( 1973) propõe: “a cultura deve ser vista como um conjunto de mecanismos de controle- planos, receitas, regras, instituições- para governar o comportamento”. Para ele, “mecanismos de controle” consiste naquilo que G. H. Mead e outros chamaram de símbolos singnificantes, ou seja, “palavras, gestos, desenhos, sons musicais, objetos ou qualquer coisa que seja usada para impor um significado à experiência”. Esses símbolos, correntes na sociedade e transmitidos aos indivíduos- que fazem uso de alguns deles, enquanto vivem- “permanecem em circulação” mesmo após a morte dessas pessoas.

    QUAL A ORIGEM DA CULTURA
    Falar da origem da cultura é reportar-se, indubitavelmente, ao primeiro ser humano a fabricar instrumentos. Ora, quantos, hoje, se conhece, o primeiro ser humano, com mais de três milhões de anos de idade, teve origem na África, na garganta de Olduvai. E o testemunho de que tinha cultura material encontramo-lo nos instrumentos de pedra, bifaces e unifaces, por ele fabricados, em grande abundância e de forma padronizada. Isto sobre a cultura material.
    E, no tocante à cultura simbólica, quando o ser humano, por exemplo, começou a falar? Há quem diga que isso ocorreu realmente, há uns 72.000 anos! E vão mais longe, atribuindo esse dom ao homem de Crô-Magnon, o qual se teria diferenciado dos anteriores, por um meio e comunicação alheio à voz. Se como todos os autores confessam, a linguagem é a linha divisória entre o ser humano e os animais, o primeiro ser humano, sem sabermos qual tenha sido a sua linguagem, por certo a utilizava. A linguagem é inerente ao ser humano, é-lhe conatural! Por que somente atribuir ao homem de Crô-Magnon, aurigacense, a faculdade real de falar? Não teria, também, o homem de Nearderthal, esparso, antes, pela Europa, Norte da África e Oriente Médio, tido “comunicação alheia a voz”? Não teria emitido, este homem, símbolos, no sentido em que se entende, corretamente, o termo? Embora idéias não se fossilizem, admitindo que o ser humano é universal, no espaço e no tempo, devemos, igualmente, admitir a linguagem simbólica, muito antes do homem cromagnonense. Se somos arrojados, em nossa posição, parece-nos ela mais plausível do que traçar um limite de tempo recente, para estabelecer o início da linguagem “real”.
    Deixando de parte o problema da gênese primigênia da cultura, acenamos para o fato de que a origem de novas culturas ou de novos traços culturais se deve à evolução sofrida pelo ser humano, ao espírito inventivo que o caracteriza, ao contato, por difusão de outras culturas. Impossível é tratar cada um desses itens, motivo por que apenas ficam registrados.

    CARACTERÍSTICAS DA CULTURA
    a) A cultura é simbólica
    Na filosofia, define-se símbolo como “aliquid por aliguo”, isto é, “alguma coisa em lugar de outra”. É um fenômeno físico, seja material em si, como a bandeira de um país, seja apenas um termo material, como o é a expressão escrita ou falado de um conceito.
    O símbolo é o mesmo que significante.
    Os símbolos são arbitrários, ou seja, não há uma relação natural intríseca, entre o símbolo e o simbolizado, entre o significante e o significado.
    Para Felix M. Keesing ( 1957) a cultura material “tem a distinção especial de ligar o comportamento do indivíduo a coisas externas feitas artificialmente: os artefatos”. Engloba, portanto, uma infinidade de objetos e coisas, feitas de matérias-primas as mais diversas, encontradas nos diferentes habitais da Terra, resultantes de inúmeras técnicas.
    Ademais, os símbolos pertencem ao patrimônio social de uma cultura, embora possam ser criados, historicamente, por um indivíduo. Assim, a denominação de um novo elemento químico pode ser criado por um cientista. De imediato, se recebe o aval dos pares, passa a circular no meio cultural universal. Torna-se social.
    O ser humano, inclinado, por natureza, a ordenar as coisas, a sistematizá-las, a classificá-las, necessita de símbolos. Também os povos ágrafos assim procedem. Dessa forma, toda a cultura é simbólica e se transmite e geração a geração. Convém observar que, para os povos ágrafos, a natureza simbolizada encerra um conteúdo mais fecundo e mais profundo do que para os povos letrados. Uma pedra, uma árvore, uma serpente, uma fonte, são muito mais do que isso, porque contêm “mana”. Os povos civilizados vêem na natureza meros objetos. Claro é que a natureza, transformada pelos civilizados, assume, não raro, significados especiais, ou seja, traveste-se de simbolismo.
    Toras de madeira dispostas em forma de cruz ultrapassam a simples conotação de madeira. Um pano, transformado em bandeira, eleva-se pelo assim dizer, em dignidade e valor.
    Para terminar, uma pergunta: os símbolos são imutáveis ou têm caráter de estabilidade? Nas instituições, diríamos que atingem vitalmente, o ser humano, tais como religião e direito, ou nas que fazem parte do ser humano como ser social, tal como a linguagem, os símbolos têm maior estabilidade do que naquelas que atingem o ser humano de um modo mais periférico, se assim logramos dizer, como sejam a economia e a técnica.
    :) A cultura é social
    Já que os símbolos representam a sistematização da natureza e do universo, de acordo com uma cultura dada, e já que esse símbolos são transmitidos de geração a geração, nada mais evidente do que a cultura se caracterizar como social. No caso, logramos comparar a cultura à linguagem: o emissor ( cultura existente) transmite os símbolos aos indivíduos inculturados ( são os receptores). Também a cultura subjetiva, no sentido de aprimoramento das faculdades superiores individuais, nutre-se da cultura objetivada: religião, costumes, linguagem, valores, etc.
    Ruth Benedict, escreve: “uma cultura é um modelo mais ou menos consistente de pensamento e ação (...). Não é apenas a soma de todas as suas partes, mas o resultado de um único arranjo e única inter-relação das partes, do que resultou uma nova entidade”.
    Do que foi dito, flui ser a cultura um fenômeno interagente ou de interação entre os indivíduos. Dessa interação nascem aspectos novos, o que leva ao progresso, ao aperfeiçoamento e, até a mudanças. Tudo isso pode ocorrer, lentamente, no seio de uma sociedade fechada, como sucede em tribos primitivas. Quando se processam contatos cultuais, surge o difusionismo. Nesse caso, a interpenetração de duas ou mais culturas gera modificações mais rápidas. Não expendemos, aqui juízo sobre se a modificação é para pior ou para melhor.
    c) Dinamismo e estabilidade da cultura
    O título parece contraditório. Estáveis, não imutáveis, são certos padrões universais, institucionalizados, de cultura. Entre esses, citamos, por exemplo, o casamento, a família, a religião, a endoculturação, que é sinônimo de educação, o tratamento dispensado aos mortos. Ao mesmo tempo em que se revestem de estabilidade, a qual não deve ser confundida com estaticidades, percebe-se um evidente dinamismo, uma nítida vitalidade.
    Os fatos, em si, permanecem; mas a maneira como, de tempos em tempos, se apresentam, cá e lá, é variável. Veja-se, por exemplo, o casamento. Sua instituição não sofreu alterações essenciais, mesmo que se lhe dê o nome de ajuntamento ou outro qualquer. Usando a linguagem de de Margaret Mead, macho e fêmea, não importa se por longo tempo ou não, vivem juntos. Logo, a essência permanece. O mesmo se diga, por exemplo, no que tange à moda, aos trajes de banho femininos, desde o início do século até esta data. Também, na literatura vemos algo idêntico, comparando a do século passado com a de hoje, respeitante, por exemplo, aos romances. Os temas dir-se-ia são eternos. O que varia é a maneira de encará-los e apresentá-los.
    Quais as razões e tais mudanças? Por que existe a estabilidade, na dinamicidade, e a dinamicidade, na estabilidade? Enumeremos alguns motivos: novas situações históricas, que devem ser enfrentadas; convulsões sociais, exigindo, após seu término, novas respostas e soluções; não em último lugar, cataclismos bélicos que atingem, existencialmente, grupos humanos. Este último fenômeno é capaz de modificar toda uma filosofia de vida, como o demonstra o tempo da segunda grande guerra.
    Do supradito infere-se que a cultura, criada pelo ser humano e, ao mesmo tempo, plasmador dele, não há de ser olhada com se fora, de todo, determinante do comportamento do ser humano ou castradora do ser humano, que vive nesta ou naquela cultura. Precisamente, por viver numa data cultura, que tem por meta humanizar aquele ser humano, a cultura, por natureza, deve impor limites, orientar, cercear, por vezes, o selvático, o instintivo, o animalesco, as mil formas ser que o ser humano abriga em si.
    Por isso discordamos, frontalmente dos autores que sustentam ser o processo de socialização sinônimo de despersonalização ou, pior ainda, processo em que a liberdade e a individualidade da pessoas são suprimidas pela censura dos papéis sociais. A aceitação desse posicionamento é proclamar o total desenfreamento do instinto. Tais autores confundem liberdade com desbragamento; individualidade com egoísmo. Se, apesar do processo endoculturativo, é difícil socializar e humanizar o homem que aconteceria, sem tal socialização? Seria o caos total!

    POR QUE EXISTEM TANTAS CULTURAS- DIVERSIDADE
    Proceder à análise desse pergunta envolve uma diversidade de fatores. Fique bem claro, antes do mais, que, embora a natureza humana seja a mesma, embora o ser humano seja universal, no espaço e no tempo, suas criações, seus produtos culturais, sempre sensíveis, ainda que se trate de cultura simbólica ou não-material, apresentam uma fama inimaginável de manifestações.
    Roger Keesing em seu manual News Perspectives in Cultural Anthropology escreve “o homem tem despendido grande parte de sua história na Terra, separado em pequenos grupos, cada um com a sua própria linguagem, sua própria visão de mundo, seus constumes e expectativas”.
    A cultura, com seus variegados matizes de epifania, revela indubitavelmente, a riqueza interior do ser humano. Essa riqueza pode aparecer multifariamente, quando procura atender às necessidades materiais e espirituais que são, diríamos, a mola propulsora da cultura, rumo à humanização, desde o momento da hominização.
    Em segundo lugar, devido às possibilidades que a natureza ambiente oferece. Neste particular, as manifestações de cultura material, todas elas, não deixam dúvidas. Porém, as possibilidades da natureza não são determinantes, porque o ser humano, com sua inteligência e liberdade, se sobrepõe ao natural, artificializando-o e adaptando-o a si. Isso vale dizer que a ambiência é condicionante.
    Depois, a cultura se torna múltipla, na medida em que, pela tecnologia, abre novas possibilidades. Uma das aferições de simplicidade ou complexidade cultural consiste em acompanhar o evolver tecnológico da humanidade, desde o “homo habilis”até o “homo galacticus”.
    Multiplice é, ainda, a cultura pelo fato do ser humano ser criativo. Atento e aberto e novas possibilidades, busca novas soluções.
    Difusão “é um processo, na dinâmica cultural em que os elementos ou complexos culturais se difundem de uma sociedade a outra”, afirmam Adamson A. Hoebel e Everett I. Hoebel no livro Antropologia cultural e social.
    Por ser inventivo, com poder de associação, graças à imaginação ou fantasia de que é dotado, pode, o ser humano, numa cultura, fazer irromper novas epifanias. Nem se deve esquecer que o difusionismo, como foi dito, colabora, não pouco, para que, do contato permanente entre dois ou mais povos diferentes, surjam recriações, adaptações, reformulações, de maior ou menor monta.
    Convém, ao finalizar, lembrar que, em virtude do difusionismo, crescente, na atualidade, a cultura material tende a se unformizar mais e mais. No plano da cultura simbólica, por motivos já aduzidos, a uniformização há de ser mais dificultosa. Somente o futuro poderá dar uma resposta a tal respeito.

    O QUE É ENCULTURAÇÃO OU ENDOCULTURAÇÃO, ACULTURAÇÃO E SUBCULTURA

    Ao que consta, foi Herskovits que, por primeiro, empregou o termo endoculturação, no sentido de o indivíduo, na sociedade, em que nasce, internalizar os padrões de cultura, próprios àquela sociedade. Essa enculturation, como a denomina, se processa de forma consciente ou sistemática e inconsciente ou assistemática. Desse modo, apossa-se, o indivíduo, desde criança, dos padrões da cultura que lhe regerão a vida futura. Na interiorização dos valores, acima aludida, a pessoa, do berço ao túmulo, para não se desajustar ou desviar da conduta comum, há, sempre, que manter-se atenta a tudo que a sociedade admite e a tudo quanto rejeita. Neste sentido, a cultura plasma os indivíduos. É condicionante, porque não lhe tira a liberdade. No entanto, desvios visíveis sofrerão a censura, que pode assumir as mais diversas formas. Seria, então, determinante.
    Em qualquer sociedade, iletrada, os indivíduos absorvem, dentro de suas possibilidades, tudo quanto a cultura lhe apresenta. A que se conforma o enculturado? A linguagem corrente, aos mitos, à religião, aos costumes, em geral.
    Se o ser humano, ao nascer, é comparável a um animalzinho, desde logo, pela enculturação, ele se torna cultural. Por outra, o biológico, embora não alijável, de todo é substituído ou, pelo menos, regulado, culturalmente. O modo de satisfazer às necessidades biológicas, como o eructar, em público ou não, a maneira de poder dar largas às paixões, a forma de tratar seus semelhantes, para só citar alguns casos, tudo isso a cultura vai padronizando nos indivíduos.
    “Quando as crianças em crescimento ajustarem seu comportamento aos padrões de sua cultura, quando seus valores pertinentes, crenças e modos de agir se tornarem parte normal de seu pensamento e comportamento, terão interiorizado sua cultura e se tornado totalmente enculturadas. Suas personalidades amadureceram”, afirmam Adamson E. Hoebel e Everett I Frost no livro Antropologia cultural e social.
    Nem é preciso dizer que há uma gradação ou graus de intensidade, na endoculturação. Nos primeiros anos de vida, em que, como diz Horácio- a criança é “cera liquescens”- a internalização é rápida, constante e acritíca. Na medida em que o indivíduo avança em idade, tendo, já assumido a “forma”( em sentido tomista) da cultura, o maior ou menor vigor de sua personalidade assumirá uma atitude crítica ou de submissão ao que a cultura lhe legou. Aprovação do grupo terá aquele que se conformar aos padrões comuns. Reprovação, sanção ou censura merecerá quem se desviar dos padrões estabelecidos. Nas sociedades primitivas, a não conformidade com a vida tribal pode fazer com que o desajustado sofra o ostracismo.
    Nas sociedades complexas, muda de aspecto. Os meios de comunicação, atingindo grandes massas humanas e manipulando mormente os jovens, contestatórios, por natureza, provocam inovações, por vezes chocantes para os adultos a escandalosas, para os velhos. Entre essas inovações podem enumerar-se algumas: gíria, na linguagem; exotismo no trajar; extravagância e excentricidade, quanto aos costumes. Pelos prefixos dos termos citados, percebe-se, com evidência, um desvio, um estar por fora do que se acha padronizado. Nem mesmo no âmbito da moral e da religião, tudo permanece inconcusso. A ninguém, dentre nós, passam despercebidos o libertarismo moral e o agnosticismo religioso, que vão permeando, avassaladoramente, todas as camadas sociais. Tais fenômenos evidenciam uma profunda crise da sociedade, tomada de incerteza, de insegurança, de angustiante ansiedade. Termo, já corrente, para designar as tentativas de subverter os valores da cultura tradicional, é o de contracultura.
    Uma conclusão que flui do anteriormente dito é a de que culturas “isoladas” são mais estáveis, porque a difusão cultural ainda não as atingiu ou, de raro em raro, as afeta. Já naquelas, em permanente intercurso, a labilidade, sob todos os aspectos, se introduz, minando, subvertendo, modificando, e, mesmo, eliminando traços culturais, que, durante séculos, constituíam características intocáveis, quase sagradas como dogmas.
    Esses abalos a que nos referimos, inevitavelmente geram conflitos e, estes, com o passar do tempo, podem provocar mudança cultural. E, ainda, para complementar a idéia de enculturação com as implicações que, ao nosso ver, ela encerra, uma palavra a respeito de cultura ideal e cultura real. A cultura real designa aquilo que os indivíduos exteriorizam ou manifestam, na cultura que lhes é própria, como integrantes de uma sociedade, vivendo a realidade cotidiana. Cultura ideal, como diz o termo, é o que as pessoas julgam deverem viver. A primeira expressa, pois, o que, de fato, é. A segunda, o que deveria ser. Entre uma e outra, há uma dissintonia. A primeira é prática; a outra, normativa.
    Em estudando o que é cultura, necessários se faz relancear um olhar sobre aculturação. O que é aculturação? É um processo no qual duas culturas, geralmente uma delas sendo doadora e a outra, receptora, num contato bastante prolongado ou permanente, sofrem influxo recíproco. Em termos mais simples, dir-se-ia que a aculturação consiste na adaptação de uma cultura à outra, num ou vários traços.
    Do que se depreende que a aculturação se dá a nível grupal. Há que chamar a atenção para o fato de que, tratando-se de traços de cultura material, a aceitação dá-se, sem nenhuma dificuldade. Dir-se-ia, quase, que semelha a um transplante puro e simples. Exemplifica-o a substituição, numa cultura, de uma machado de pedra por um de ferro. A aceitação é imediata e sem rebuços, porque as vantagens são evidentes. Entrando, porém, em jogo traços de cultura simbólica, como, por exemplo, religião, mitos, ritos e assim por diante, a dificuldade sobe de ponto. Por que? Pelo fato de se tratar de valores não materiais, internalizados, desde a mais tenra infância por todos os elementos do grupo. Muitas vezes, esses valores são reforçados por mitos, os quais, como se sabe, possuem caráter de sacralidade entre os povos ágrafos. No caso, não há mera substituição, mas penosamente e laboriosamente, se torna necessária uma reformulação interior.
    Segundo Melville J. Herskovits, o termo aculturação “não implica, de modo algum, que as culturas que entram em contato se devam distinguir uma da outra como “superior” ou “mais avançada”, ou como tendo um maior “conteúdo de civilização” ou por diferir em qualquer outra forma qualitativa”.
    Por vezes, a oposição a um traço cultural alienígena é tão grande que alguém da cultura receptora encabeça um movimento de libertação. Nascem, então, os movimentos messiânicos.
    Para não deixar a idéia de que a aculturação se verifica, apenas, entre os povos ágrafos, convém referir que, atualmente, com os meios de comunicação ao dispor, o processo aculturativo se dá a passos de gigante, a nível universal. Aqui estão envolvidas tantos as ideologias, mormente as dos países na vanguarda política, quanto a moda, a tecnologia, os costumes, a família, para citar somente alguns casos. Todo o nosso planeta está ebulindo nessa dinâmica, que não escapa aos olhos de ninguém.
    Em países como o Brasil, com diversas matrizes culturais, a aculturação assume feições peculiares. Talvez, até, estejamos rumando para a formação de uma cultura tipicamente nossa. Haja vista a sincretismo religioso, em muitas partes, com elementos tirados do cristianismo, de religiões africanas e dos nossos índios.
    Sabemos haver um grande esforço, de parte de diversos setores nacionais, por preservar intacta a cultura indígena, isolando-a em reservas especiais. Como quer que seja, toda vez que o branco entra em contato com os indígenas, parece que lhes inocula o germe da morte próxima. Não esqueçamos que, com o expansionismo do branco, rumo às mais longíquas regiões do país, estará sendo vítima do contato com o “civilizado”. Ao que a experiência, até hoje, demonstra, começa, então, a morte lenta da cultura nativa. Será que temos o direito de tentar aculturar o indígena? A pergunta dá o que pensar. Em vez de aculturação, teremos a deculturação, a qual nada mais é do que degenerescência e lento desaparecimento do indígena.
    Numa tentativa de aculturar, em 1939, as culturas de origem européia à índole brasileira, num inusitado movimento chamado nacionalismo, mal seus executores previram as nefastas consequências. Foi cometido um verdadeiro etnocídio. Proibidos os idiomas alemão e italiano, duas gerações após a implantação da medida, já poucos falam essas línguas de seus antepassados.
    Por consequência, os filões de folclore, expresso em canções e outras tradições, foram destruídos. Ora, à época da Segunda Guerra Mundial, circulavam jornais em língua japonesa, alemã e italiana, nos Estados Unidos, sem que houvesse problemas com esses descendentes de imigrantes.
    Aqui, criou-se uma neurose contra elementos de outras origens... A História, parece, ainda não era conhecida como mestra...
    Subcultura- decompondo, etimologicamente, a palavra afigura-se, à primeira vista, como se se tratasse de cultura inferior, o que, caso fosse assim, saberia a grosseiro etnocentrismo. Aliás, este, no século passado e, ainda, em nossos dias, vige, com maior ou menor intensidade. Voltando, porém, ao sentido de subcultura, o termo nada mais significa do que uma forma peculiar de cultura, uma parcela dir-se-ia, dentro de uma cultura global, nacional.
    Para Ralph Linton Beals, “a cultura é um agregado de subculturas”.
    Como exemplo, no Brasil, podem citar-se as regiões habitadas por imigrantes ou descendentes de imigrantes. Caso típico é o das regiões habitadas por filhos de italianos, alemães, japonesas, sírios, chineses, africanos, portugueses e muitos outros grupos. Conquanto a língua portuguesa, como elo comum, faça de todos os brasileiros, todos em maior ou menor grau, conservam traços típicos dos países de onde vieram seus ancestrais.
    Esse fenômeno faz do Brasil um verdadeiro mosaico cultural, um “melting pot”, como diriam os ingleses.
    Entre as idiossincrasias das subculturas, no Brasil merece ressaltado o bilinguismo, isto é, a língua portuguesa ao lado da língua herdada dos antepassados; a forma de proporcionar a primeira educação ( enculturação); o tipo de cultivo, na agricultura; os modos de ritos de casamento ou de sepultamento, e assim por diante.
    Uma das causas da existência de subculturas é, como foi apontado, o fluxo imigratório a uma região; outra, a situação geográfica ou o “habitat”, outra, enfim, o sincretismo ou miscigenação de traços culturais.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Muitas coisas poderiam ainda ser ditas a respeito do assunto que, brevemente, abordamos. Basta citar as grandes correntes antropológicas, cultura e ambiente ( ecologia e cultura), cultura e personalidade. Todos esses pontos foram, de alguma forma, acenados, pela rama. Partindo do termo cultura, tentamos mostrar como ele traz implicações as mais ricas e variadas. Afinal, discorrer sobre cultura, no seu sentido mais amplo, nada mais é do que acompanhar sua gênese e suas ramificações exuberantes, em todos os tempos e lugares. Claro está que a exiguidade de espaço, restrito a algumas páginas, somente permite tocar as fímbrias do que o homem produziu, quer no âmbito material quer no plano simbólico.
    Como uma caudal, a cultura nasceu humilde e despretensiosa, com o surgimento do primeiro ser humano, na face de nosso globo. Com a entrada da noosfera no universo, nova fisionomia começou a ser-lhe impressa. Na medida em que os seres humanos se multiplicaram, arrostando novas necessidades, na medida em que se dispersaram, por diversas regiões do globo, e, depois, intercambiaram as suas criações peculiares, o afluxo de contribuições culturais enriqueceu este patrimônio valioso que é a cultura. Esses contributos dos povos, em todos os quadrantes do espaço e em todas as dimensões do tempo passado, próximo ou remoto, semelham aos afluentes tributários de um imenso rio, o qual abriu-se na fantástica desembocadura para o nosso tempo presente. Mas a cultura prosseguirá em seu pujante dinamismo. “Homo capax est infinit”- diziam os antigos. Em virtude dessa capacidade a geração de hoje, como a de amanhã, dará, igualmente, sua parcela de contribuição ao progresso, não apenas material mas, acima de tudo, espiritual. Não sendo assim, a cultura teria pouco ou nenhum sentido. Seria, permanecendo na imagem usada, uma imensa torrente a errar, sem rumo e sem norte.
    Afinal, todo o significado de cultura, toda a mensagem, que em si encerra, resume-se em tornar o ser humano mais humano – em humanizar a humanidade!
    Com isso, o mundo da noosfera, o universo do ser humano entrará em nova “temperatura”. A expressão é válida, se nos lembrarmos que não poucos autores falam em “culturas frias”e “culturas quentes”, entendendo, pelas primeiras, as de menor complexidade, ou seja, as do ditos povos primitivos e, pelas segundas, as dos civilizados, de maior complexidade. Por uma entropia “sui generis”, estas elevarão à sua temperatura aquelas. “Nolens, volens”, a humanidade ruma para esse estágio.
    Oxalá seja essa nova temperatura, realmente, uma ambiência de convívio humanizado, de paz, numa palavra, de supra-humanização.

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    TEMA: Noções de cultura

    Para a Etnologia e para a Sociologia o termo Cultura é um conceito amplo e bastante impreciso para denominarmos a "herança social" de uma sociedade.
    Podemos dizer que por Cultura entendemos o conhecimento total, todas as crenças, costumes e usos de uma sociedade, além, evidentemente, do conhecimento das técnicas herdadas para as soluções de problemas práticos e dos equipamentos técnicos desenvolvidos por essa sociedade. Em suma, é todo o conhecimento desenvolvido por uma sociedade através dos seres humanos.
    Afora as discussões acadêmicas, Cultura é todo o conhecimento humano preservado por uma sociedade, suas tradições costumes e crenças. É também o aprendizado histórico dessa sociedade, sua história, seu povo e suas transformações no decorrer dos tempos. Alguns afirmam ser a cultura a fonte do saber humano, o livro onde estão todas as informações sobre a sociedade humana desde a sua origem; outros afirmam ser a cultura o resultado de um processo histórico, um aprendizado que as sociedades humanas têm a partir do momento que ela é compreendida como uma sociedade histórica. Muito além disso, todas as sociedades existentes, históricas ou não, tem cultura, sendo ela transmitida de forma oral ou escrita.
    O ser humano é um ser histórico, portanto Cultura é todo o conhecimento que adquirimos durante a nossa existência.
    Temos como objetivos repassar alguns conceitos sobre origem, características e diversidades da cultura, como também, repassar sobre a endoculturação, aculturação, e sub-cultura.
    Falar da origem da cultura é reportar-se ao primeiro ser humano a fabricar instrumentos, ou seja, é falar sobre o que foi acumulado em mais de três milhões de anos. Citamos como características que a cultura é simbólica e se transmite de geração a geração, como também, a cultura é social, pois é um fenômeno de interação entre os indivíduos e dessa interação nascem aspectos novos, o que leva ao progresso, ao aperfeiçoamento e, até, a mudanças. A diversidade de cultura ocorre porque ela é dinâmica, sofre influências da natureza ambiente. Multiplice é, ainda, pelo fato do ser humano ser criativo. Atento e aberto a novas possibilidades, busca novas soluções. A endoculturação se trata de internalização dos valores e tradições daquela cultura nas crianças, ressaltando que a convivência das crianças com os adultos gera aprendizagem gradativa, marcada principalmente, nos ritos iniciáticos. Sobre aculturação podemos citar que é o processo de trocas e modificações de valores entre a cultura receptora, a qual através de simbiose, sofre mais influência do que a cultura doadora. Cabe ressaltar que as inovações da cultura material são mais fáceis de aceitação, face ser palpável as vantagens e desvantagens de tais introduções. Citamos como exemplo, a permuta de utensílios e armas modernas pelos utensílios tradicionais e primitivos. Com relação a aceitação da cultura simbólica se torna mais difícil, face não ser palpável, nem mensurável tal permuta. Com relação a contra-aculturação, podemos dizer, que é o movimento de retomada as suas raízes, tradições, valores antigos e ocorre fortemente quando o grupo percebe que está sendo desagregado, perdendo seus princípios e suas emoções. A deculturação ocorre por diversos motivos, entre eles, pela degeneração cultural, decadência moral de comunidades, basicamente ocorrendo por pressão de outras classe dominante, pelo que, a comunidade decadente fica sem forças para se reerguer. Sobre subcultura, o termo nada mais significa do que uma forma peculiar de cultura, uma parcela dentro de uma cultura global, nacional. Uma das causas da existência de subculturas é, como foi apontado, o fluxo imigratório a uma região; outra, a situação geográfica ou o “habitat”, outra, enfim, o sincretismo ou miscigenação de traços culturais.
    Citamos como teóricos norteadores, o evolucionista Edward Burnett Tylor que por volta de 1870, com sua obra Primitive Culture, abriu “novos” horizontes à Etnologia. Consoante Tylor, a ciência da cultura não teria a incumbência de ser histórica, no sentido usual, mas deveria ser história do conhecimento, da religião, da arte, e dos costumes. Bronisllaw Malinowski, antropólogo polonês que migrou para a Inglaterra, promoveu impulso especial ao funcionalismo, e defendeu que o conceito de cultura é básico para aqueles que orientam sua atenção para a migração dos povos e a difusão e o intercâmbio de invenções e idéias. Citamos, também, o Franz Boas, alemão naturalizado americano, imprimiu a orientação definitiva a escola difusionismo. Fraz Boas estava convencido de que o processo histórico envolvia a difusão de traços culturais e não de complexos culturais maiores. A difusão para ele, verifica-se em áreas geográficas reduzidas, que formam áreas culturais. E, finalmente, Reinholdo Alousio Ullmann, gaúcho de Santa Cruz do Sul, Doutor em filosofia e professor de Antropologia cultural, o qual cita: “Conquanto aliciado pelas maravilhas da tecnologia, o homem volta a centrar, ansiosamente, sua atenção sobre si mesmo, demonstrando ser um eterno curioso do que ele é e do que faz”.

    ROTEIRO DO SEMINÁRIO

    ABERTURA
    CONCEITOS sobre: o que é cultura?/ origem da cultura?/ características da cultura? Por que existem tantas culturas?/
    O que é endocultura, aculturação e subcultura. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cultura, portanto, pode ser analisada, ao mesmo tempo, sob vários enfoques:
    • Idéias ( conhecimento- construção de abrigos e contra animais ferozes e filosofia, sociologia e antropologia)
    • Crenças ( religião e superstição, espíritos, fantasmas)
    • Valores ( ideologia e moral, liberdade de expressão, servir café às visitas)
    • Normas ( costumes e leis, enterrar ou cremar os mortos, andar vestido, jovens usar jeans)
    • Atitudes ( preconceito e respeito ao próximo)
    • Padrões de conduta ( monogamia, casamentos, comer com talher, comer com pauzinhos)
    • Abstração do comportamento ( símbolos- bater palmas, hino nacional e compromissos)
    • Instituições ( família e sistemas econômicos)
    • Técnicas ( artes e habilidades)
    • Artefatos ( machado de pedra, máscaras, telefone, satélites artificiais, navios)

  • sociologia- trabalho sobre ciranda

    1. Introdução

    Nosso trabalho insere-se na área de Sociologia, e na subárea de Sociologia da Vida Cotidiana, especificamente as que se encontram no meio rural. Queremos abordar a importância cultural e histórica da dança intitulada Ciranda e sua importância ao retratar a vida cotidiana do nosso povo. O trabalho apresenta dois módulos:

    1) trabalho de pesquisa sobre a origem, traços, passos e acervo cultural da Ciranda;

    2) vivência prática com a ciranda, mediante apresentação pelo grupo do 8º. Período do Curso de Sociologia, em sala de aula, da dança ciranda, mediante roteiro constante deste trabalho.

    1. Trabalho de Pesquisa sobre a Ciranda

    É uma dança típica das praias que começou a aparecer no litoral norte de Pernambuco. Uma das cirandeiras mais conhecidas é a Lia de Itamaracá. Surgiu também, simultaneamente, em áreas do interior da Zona da Mata Norte do Estado. É muito comum no Brasil definir ciranda como uma brincadeira de roda infantil, porém na região Nordeste, principalmente, em Pernambuco ela é conhecida como uma dança de rodas de adultos. Os participantes podem ser de várias faixas etárias, não havendo impedimentos para a participação de crianças também.
    Há várias interpretações para a origem da palavra ciranda, mas segundo o Padre Jaime Diniz, um dos pioneiros a estudarem o assunto, vem do vocábulo espanhol zaranda, que significa instrumento de peneirar farinha e que seria uma evolução da palavra árabe çarand.
    A ciranda, assim como o coco em Pernambuco era mais dançada nas pontas-de-rua e nos terreiros de casas de trabalhadores rurais, partindo depois para praças, avenidas, ruas, residências, clubes sociais, bares, restaurantes. Em alguns desses lugares passou a ser um produto de consumo para turistas.
    É uma dança comunitária que não tem preconceito quanto ao sexo, cor, idade, condição social ou econômica dos participantes, assim como não há limite para o número de pessoas que dela podem participar. Começa com uma roda pequena que vai aumentando, à medida que as pessoas chegam para dançar, abrindo o círculo e segurando nas mãos dos que já estão dançando. Tanto na hora de entrar como na hora de sair, a pessoa pode fazê-lo sem o menor problema. Quando a roda atinge um tamanho que dificulta a movimentação, forma-se outra menor no interior da roda maior.
    Os participantes são denominados de cirandeiros e cirandeiras, havendo também o mestre, o contra-mestre e os músicos, que ficam no centro da roda. Voltados para o centro da roda, os dançadores dão-se às mãos e balançam o corpo à medida que fazem o movimento de translação em sentido anti-horário. A coreografia é bastante simples: no compasso da música, dá-se quatro passos para a direita, começando-se com o pé esquerdo, na batida forte do bombo, balançando os ombros de leve no sentido da direção da roda.
    Há cirandeiros que acompanham esse movimento elevando e baixando os braços de mãos dadas. O bombo ou zabumba, mineiro ou ganzá, maracá, caracaxá (espécie de chocalho), a caixa ou tarol formam o instrumental mais comum de uma ciranda tradicional, podendo também ser utilizados a cuíca, o pandeiro, a sanfona ou algum instrumento de sopro.
    O mestre cirandeiro é o integrante mais importante da ciranda, cabendo a ele "tirar as cantigas" (cirandas), improvisar versos, tocar o ganzá e presidir a brincadeira. Ele utiliza um apito pendurado no pescoço para ajudá-lo nas suas funções. O contra-mestre pode tocar tanto o bombo quanto a caixa e substitui o mestre quando necessário. As músicas podem ser as já decoradas, improvisadas ou até canções comerciais de domínio público transformadas em ritmo de ciranda.
    Pode-se destacar três passos mais conhecidos dos cirandeiros: a onda, o sacudidinho e o machucadinho. Alguns dançarinos criam passos e movimentos de corpo, mas sempre obedecendo à marcação que lhes impõe o bombo. Não há figurino próprio. Os participantes podem usar qualquer tipo de roupa e a ciranda é dançada durante todo o ano.
    A partir da década de 70 as cirandas começaram a ser dançadas em locais turísticos do Recife, como o Pátio de São Pedro e a Casa da Cultura modificando um pouco a dança que se tornou mais um espetáculo. O mestre, contra-mestre e músicos saíram do cento da roda para melhor se adaptarem aos microfones e aparelhos de som, passando também a haver limite de tempo para a brincadeira. Compositores pernambucanos como Chico Science e Lenine enriqueceram seus repertórios, utilizando a ciranda nos seus trabalhos.
    Uma das cirandas mais conhecidas é a de Antônio Baracho da Silva:
    Estava Na beira da praia
    Ouvindo as pancadas
    Das águas do mar
    Esta ciranda
    Quem me deu foi Lia
    Que mora na ilha
    De Itamaracá

    Citamos, também, a folclórica Ciranda do Norte, em sua concepção, nota-se uma variação de passos com diversificação rítmica (ciranda, xote e valsa ), compreendendo em uma só letra a dança Ciranda do Norte, com isso aparecendo as seguintes danças, que a completam como um todo:
    Ciranda
    Seu Manezinho
    Carão
    Não se fie em mulher
    Despedida da Ciranda, Papete e Coro.
    A coreografia é feita de acordo com os versos cantados que narram o lazer, o trabalho na agricultura, caça, pesca e outras atividades que se desenvolvem na região. E dançado sempre em círculo. Para o acompanhamento musical, são utilizados instrumentos de pau, de corda e de sopro como: Curimbós, maracás, ganzás, banjos, cacetes e flautas.
    A indumentária da Ciranda do Norte caracteriza a moda da época, as classes de baixa renda, onde as mulheres usavam blusa geralmente com babados e mangas soltas, com saias rodadas, estampadas abaixo do joelho e anáguas de renda e os homens usavam camisas estampadas sociais combinando com a saia da dama e calça preta, branca ou azul mescla. Ambos dançam de Chapéu de palha de abas curtas e sapatilhas artesanais ou descalços.
    O conjunto obedece à mesma roupa dos homens com estampas diferentes. O caçador se veste com camisa lisa social, calça preta, bota. Chapéu de palha e espingarda.
    O carão (em forma de cordão de pássaro, onde à frente eles levam o carão, que está presente na letra da música) apresenta roupa específica ao pássaro, com plumagens e pedras que dão realce a sua vestimenta.
    No Rio de Janeiro o termo Ciranda pode significar tanto uma dança específica quanto uma série de danças de salão, que obedecem a um esquema: Abertura, Miudezas e Encerramento. Enquanto dança, faz parte das miudezas da Ciranda, baile.
    Ciranda-baile, também denominada Chiba, tem na Chiba-cateretê a que faz abertura da série. As Miudezas são um conjunto de variadas danças com nomes e coreografias diversos: Cana-verde-de-mão, Cana-verde-valsada, Caranguejo, Arara, Flor-do-mar, Canoa, Limão, Chapéu, Choradinha, Mariquita, Marrafa, Ciranda, Namorador, Zombador. Os movimentos constam de círculko único, com ou sem solista, pares soltos, dança de pares enlaçados, sapateados, volteios, etc. O Encerramento é feito com a Tonta, também chamada Barra-do-dia.
    As músicas são na forma de solo-coro, tiradas pelo mestre em quadras tradicionais e circunstanciais, respondidas pelas vozes dos demais. O acompanhamento musical é feito por viola, violão, cavaquinho e adufes. Na Chiba-cateretê o conjunto musical é composto ainda do Mancado: um caixote percutido com tamancos de madeira.
    A Ciranda é a mais simples de todas as danças populares. Não requer prática, nem habilidade. Seu ritmo lento e suave permite também a participação de pessoas idosas e atrai crianças pela facilidade e singeleza. Dando oportunidade de expressão corporal até aos mais tímidos.

    2. Roteiro de apresentação da dança Ciranda

    1. ABERTURA: repassar aos presentes e ao Professor Délio a importância histórica, cultural e cotidiana da dança Ciranda;

    2. VIVÊNCIA:
    • Começa a tocar música que embala a ciranda;
    • Forma-se uma pequena roda com alguns personagens dançando ciranda;
    • Outras pessoas entram na roda da ciranda. Cada personagem que entra na ciranda cita versos da sua vida cotidiana;
    • Final: todos cantam a eterna música Lia de Itamaracá.

    Referências

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