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        <title>O blog do(a) Edmar Prandini</title>
        <description>O blog do(a) Edmar Prandini</description>
        <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog</link>
        <lastBuildDate>Fri, 27 Nov 2009 03:52:28 UT</lastBuildDate>
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            <title>edmarrp</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp</link>
            <description>edmarrp</description>
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            <title>O SENTIDO DA VIDA</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1865090</link>
            <description>Não sei... &lt;br /&gt;se a vida é curta ou longa demais pra nós, &lt;br /&gt;mas sei que nada do que vivemos tem sentido, &lt;br /&gt;se não tocamos o coração das pessoas.&lt;br /&gt;Muitas vezes basta ser:&lt;br /&gt;colo que acolhe,&lt;br /&gt;braço que envolve,&lt;br /&gt;palavra que conforta,&lt;br /&gt;silêncio que respeita,&lt;br /&gt;alegria que contagia,&lt;br /&gt;lágrima que corre,&lt;br /&gt;olhar que acaricia,&lt;br /&gt;desejo que sacia,&lt;br /&gt;amor que promove.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E isso não é coisa de outro mundo, &lt;br /&gt;é o que dá sentido à vida.&lt;br /&gt;É o que faz com que ela não &lt;br /&gt;seja nem curta, nem longa demais,&lt;br /&gt;mas que seja intensa, &lt;br /&gt;verdadeira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;CORA CORALINA</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sat, 17 Oct 2009 16:26:33 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Sobre a Beleza</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1819443</link>
            <description>Beleza existe quando com seu encontro, rejubila-se nossa alma, de alegria e paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Edmar, 28 de agosto de 2009)</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Fri, 28 Aug 2009 08:08:10 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>A História de uma Adoção</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1802687</link>
            <description>O brilhante jornalista Ricardo Kotscho mantém um blog, em que relata a história de um casal que, após vários anos, concretiza o sonho da adoção de duas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é do &amp;quot;pai&amp;quot;, um homem de fé, que participa do movimento de Fé e Política. Desde sempre acompanhou o Lula e, desde 2003, quando Lula assumiu a presidência, é seu secretário. Gilberto Carvalho é seu nome, que consegue lidar, movido por sua fé, com as grandes questões da política nacional, com as tensões e crises que envolvem o poder, mas que mantém o amor generoso e o sentimento profundo de que o que importa são as coisas da vida real, onde o status não impera: só a ternura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns Gilberto Carvalho e Flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muita admiração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o Link para ler e emocionar-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2Fcolunistas.ig.com.br%2Fricardokotscho%2F2009%2F07%2F31%2Fexclusivo-dois-anos-de-batalha-para-adotar-duas-filhas%2F&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2009/07/31/exclusivo-dois-anos-de-batalha-para-adotar-duas-filhas/&lt;/a&gt;</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 09 Aug 2009 05:12:02 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>O Haver - Vinícius de Morais</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1786378</link>
            <description>O Haver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura&lt;br /&gt;Essa intimidade perfeita com o silêncio&lt;br /&gt;Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo&lt;br /&gt;- Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo&lt;br /&gt;Essa mão que tateia antes de ter, esse medo&lt;br /&gt;De ferir tocando, essa forte mão de homem&lt;br /&gt;Cheia de mansidão para com tudo que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa imobilidade, essa economia de gestos&lt;br /&gt;Essa inércia cada vez maior diante do Infinito&lt;br /&gt;Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível&lt;br /&gt;Essa irredutível recusa à poesia não vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento&lt;br /&gt;Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade&lt;br /&gt;Do tempo, essa lenta decomposição poética&lt;br /&gt;Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esse coração queimando como um círio&lt;br /&gt;Numa catedral em ruínas, essa tristeza&lt;br /&gt;Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria&lt;br /&gt;Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa vontade de chorar diante da beleza&lt;br /&gt;Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido&lt;br /&gt;Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa&lt;br /&gt;Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado&lt;br /&gt;De pequenos absurdos, essa tola capacidade&lt;br /&gt;De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil&lt;br /&gt;E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza&lt;br /&gt;De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser&lt;br /&gt;E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa&lt;br /&gt;Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa faculdade incoercível de sonhar&lt;br /&gt;De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade&lt;br /&gt;De aceitá-la tal como é, e essa visão&lt;br /&gt;Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desnecessária presciência, e essa memória anterior&lt;br /&gt;De mundos inexistentes, e esse heroísmo&lt;br /&gt;Estático, e essa pequenina luz indecifrável&lt;br /&gt;A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa obstinação em não fugir do labirinto&lt;br /&gt;Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente&lt;br /&gt;E essa coragem indizível diante do grande medo&lt;br /&gt;E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esse desejo de sentir-se igual a todos&lt;br /&gt;De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história&lt;br /&gt;Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade&lt;br /&gt;De não querer ser príncipe senão do seu reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento&lt;br /&gt;Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável&lt;br /&gt;Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços&lt;br /&gt;E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio&lt;br /&gt;Pelo momento a vir, quando, emocionada&lt;br /&gt;Ela virá me abrir a porta como uma velha amante&lt;br /&gt;Sem saber que é a minha mais nova namorada.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Tue, 21 Jul 2009 00:52:18 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Fim da exigência do diploma para a contratação de jornali</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1758365</link>
            <description>Sou graduado em filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me formei, quase não existiam opções de emprego para alguém formado em filosofia. No Estado de São Paulo, não existiam sequer aulas no ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, em um concurso, meu diploma de filosofia foi rejeitado, apesar de minha pós-graduação ser aceita. A rejeição implicou em que minha classificação na seleção ficou fora das vagas e, apesar de ter recorrido, não obtive sucesso. Curioso é que a função tinha perfil administrativo e leciono filosofia em um curso de administração, por exigência do Conselho Federal de Administração, que tornou a filosofia disciplina obrigatória na grade curricular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo isso, tenho orgulho de meu diploma. Eu lutei por ele, quatro anos. Dediquei-me para que ele me abrisse os horizontes e a capacidade de agir com lucidez, não para que ele me desse uma proteção contra o direito de outras pessoas pensarem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive vontade de trabalhar no jornalismo. Não sei como será meu itinerário futuro, mas já não há mais o dique que muitas vezes me impediu sequer de procurar essa alternativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que os jornalistas foram prejudicados hoje. Acho que aqueles que dependem mais do dique do que de sua qualidade analítica, textual, estes perderam, mas vejo nisso um avanço.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Thu, 18 Jun 2009 23:37:41 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>“As pessoas não precisam estar mais bem-vestidas. Precisa</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1744423</link>
            <description> Extraído da Revista Almanaque Brasil, da TAM&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=-aHR0cDovL2h0dHA6Ly93d3cuYWxtYW5hcXVlYnJhc2lsLmNvbS5ici9wYXBvLWNhYmVjYS9hcy1wZXNzb2FzLW5hby1wcmVjaXNhbS1lc3Rhci1tYWlzLWJlbS12ZXN0aWRhcy1wcmVjaXNhbS1zZXItbWVsaG9yZXMv&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;As pessoas não precisam estar mais bem vestidas, precisam ser melhores&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUM NAKAO&lt;br /&gt;maio de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDI PEREIRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estranho ouvir isso de um estilista? Pois a moda, para Jum Nakao, nada mais é do que uma “ferramenta de descoberta”. Ele não aposta em tendências e padrões, mas em um novo formato de mercado: “A gente precisa reconectar as pessoas à essência humana”. Desde que deixou a passarela mais importante do País, em 2004, decidiu dedicar a carreira ao resgate de valores. Ministra cursos no sertão, desenvolve objetos sustentáveis com comunidades na Amazônia. O que mais dói, conta, é perceber todo o potencial de recursos e saberes do País que fica “confinado ao silêncio”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o papel que a moda pode desempenhar na sociedade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo a moda como a relação do indivíduo com o lugar em que habita –&lt;br /&gt;sua cidade, seu país, a sociedade. A moda não deveria ter a característica do isolamento, que faz as pessoas perderem o senso de coletividade, de cultura, de sociedade. Se pensar nos guetos, por exemplo, eles traduzem visualmente crenças e cultura. Enfim, a moda é a última camada após as suas convicções. A moda sedimenta tudo aquilo que você é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que decidiu parar de desfilar na São Paulo Fashion Week, em 2004?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o mais importante é transformar as pessoas. Eu não acho que as pessoas precisam estar mais bem-vestidas. Acho que as pessoas precisam ser melhores. Então, percebi que estava num sistema que tinha que ser repensado, com o qual eu não podia mais compactuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que no seu trabalho destoava dos grandes eventos de moda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca acreditei nas tendências. Eu acredito muito mais na moda como uma ferramenta de descoberta, não como um mecanismo a ser trabalhado dentro de um senso comum. A moda tem esse pressuposto de que você precisa ser igual. Igual a modelos estabelecidos, dentro de uma tendência, uniformizado. Uma crença única que, pra mim, é uma forma muito emburrecedora de lidar com as potencialidades das pessoas. Meus desfiles eram quase que modulares – as pessoas podiam recompor. Romper, para mim, foi uma questão ética. Eu preciso que as pessoas mudem, por isso decidi dedicar minha carreira às pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu último desfile simbolizou este rompimento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma apresentação fora do convencional. Eu queria mostrar que não importa do que a roupa é feita. E só usei papel no projeto, que chamamos de Costura do Invisível. Um papel pode conter ideias capazes de mudar o mundo. Pode conter a escrita e todo o seu significado, e ao mesmo tempo é algo em branco, um desafio. É algo barato, que só tem valor se você atribui valor a ele. Minha ideia era transformar o papel num monumento, num sonho. Gastamos quase uma tonelada de papel para fazer a cenografia e as roupas, e mais de 700 horas de trabalho. Num evento onde as pessoas vão para enxergar tendências, cores, de repente apresentamos um desfile em branco. Mas era uma fábula, um momento de encantamento. As roupas eram fantásticas e aquilo criou um silêncio. As pessoas foram transportadas para outro lugar, para dentro de um conto. As modelos usavam perucas tipo “playmobil”, um elemento lúdico que rompia com a barreira entre público e obra, porque havia um regaste de memória. Quando o público achou que o desfile tinha terminado, as modelos rasgaram tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a reação da plateia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi um baque. A plateia se jogou pra pegar pedacinhos rasgados, como se fosse possível guardar pedaços de um sonho. Com isso, mostrou-se que o invisível tem muito mais valor que o visível. Apesar de trabalhar num momento de extrema velocidade, de transformações, de efemeridade, uma obra em branco, se pulverizada, tem permanência. A ideia era falar: “Tá tudo errado, as coisas precisam ser mudadas”. E, para que as coisas mudem, a gente precisa reconectar as pessoas à essência humana. Tirá-las do “estado zumbi”. O objetivo era criar uma suspensão de tempo. Por um instante que seja, tiramos o chão daquelas 1.200 pessoas que estavam assistindo ao desfile. Espero que elas tenham refletido sobre o que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você deixou de acreditar na concepção dos grandes desfiles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu continuo acreditando na importância da moda, mas tenho que pensar em novos processos. Estou sempre com alunos, em oficinas e palestras, porque preciso formar pessoas. Não para o mercado. Preciso formar pessoas capazes de criar novos formatos de mercado. Se os processos não mudam, os hábitos continuam os mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diante da crise mundial, a moda deve se transformar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho até curioso que uma crise como a que a gente vive esteja acontecendo, fazendo as pessoas pensarem nos seus conceitos, na sua cultura de consumo. Do que a gente precisa? Acho que esse primeiro quarto de século vai ser todo dominado por uma discussão sobre sustentabilidade, sobre novas éticas. Chegou um ponto em que é necessário reformular valores. Não há como imaginar que do jeito que está podemos continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É preciso repensar os parâmetros de  consumo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que mostra como uma comunidade vive é o consumo. Eu acho um absurdo que para a sociedade continuar existindo as pessoas tenham que consumir carros, por exemplo. Para suprir a necessidade atual do planeta inteiro, dentro dos hábitos atuais de consumo, precisamos de dois planetas. Se isso não mudar, é impossível falar em futuro. Uma outra questão é a própria hierarquia de valores. O valor do material é muito maior do que o valor do conhecimento. O de uma celebridade, muito maior que o de um pensador. A sociedade perdeu seus parâmetros. E não adianta as pessoas só falarem em “ecologicamente correto”, em “consciência de sustentabilidade”. Elas precisam comprar a ideia. Consumir não é ruim, é um ato político. Se você vai comprar um produto, tem que avaliar se ele está sendo produzido num sistema com o qual você concorda ou não. Desde que entrei no projeto Floresta Móbile, o que mais acho importante é que os produtos vendam. Senão a comunidade que acreditou no projeto como alternativa de sobrevivência vai voltar a queimar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como funciona o Floresta Móbile?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um projeto grande, desenvolvido no mundo todo. Eu trabalho com uma comunidade carvoeira na Amazônia. Produzimos móveis com resíduos de madeiras que seriam queimados. Na contramão da antiga Revolução Industrial, partimos para a “revolução humana”. Resgatamos o valor de como é feito, não do que é feito. Se um saber está sendo aplicado, a natureza ganha fôlego para o reflorestamento. Queimando, se acaba com algo como um Estado de São Paulo por dia. Colaborar, dar vida, animar – no sentido de dar alma a coisas inertes – exigem um tempo diferente do da destruição. Jogar uma bomba é rápido, reconstruir demora. A proposta é que essas comunidades se dediquem a construir, não a destruir. Se esses projetos não derem certo, elas vão voltar a destruir. Por isso é muito importante que a sociedade compre a ideia, e não somente no plano filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você tem andado muito pelo Brasil. O que tem visto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O País é muito rico de recursos e saberes. Se você for para qualquer lugar do País, vai encontrar um Brasil diferente. Mas você sabe que é a sua casa. E as pessoas te reconhecerão como brasileiro também. Isso você não vai sentir em nenhum outro lugar do mundo. Essa questão da hospitalidade – ainda que não seja restrita aos brasileiros – mostra como entre nós existe, sim, uma comunhão. Entretanto, há uma cultura muito viva, mas que está sendo sufocada. Não precisa ir longe. No interior de seu Estado você pode descobrir coisas de que nunca ouviu falar. A verdade é que a gente só olha para o que está sendo vendido. Há um potencial muito grande de saberes que fica confinado ao silêncio. Se não há demanda por estes saberes, as pessoas que os detêm simplesmente partem para outras atividades que possam garantir o sustento. Se a sociedade só quer carvão, estas pessoas vão fazer queimadas. Ou vão morrer de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Existe brasilidade na moda? É um caminho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que eu percebo é que há um certo risco nesse tipo de tentativa. Não podemos ter um pensamento isolacionista, achar que, para sermos brasileiros, temos que fechar as fronteiras e procurar a raiz. A cultura é um elemento transversal, um amalgamento de camadas. Não um retrato estático. Eu enxergo o Brasil com essa cara múltipla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Essa multiplicidade muitas vezes é ignorada, não?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu lamento muito a situação cultural que o Pais vive. Um país, pra mim, não se define pelas fronteiras geográficas ou pelo pib, mas pela cultura de seu povo. A nossa, até por uma falta de base educacional, deixa de ter materialidade. E, assim, acabamos apenas assimilando o que vem de fora. O que mais me dói é perceber todas estas potencialidades e, ao mesmo tempo, este silêncio. O que as pessoas acreditam que seja o Brasil, além de futebol, samba e feijoada? Temos que acreditar na cultura, nas pessoas que pensam. E em pesquisa tecnológica, em pesquisa estrutural, em produção mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como você dizia, falta valorizar o saber…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como professor, em outros lugares do mundo, me chamam de “mestre”. Aqui não existe a valorização de quem lapida a cultura, a base. Como as coisas vão mudar? Precisamos de gente que entre na “guerrilha do bem”: que queira educar, fazer eventos, projetos democráticos, que mude pelo menos algumas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para finalizar: o que é brasilidade pra você?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que mais caracteriza a brasilidade para mim é essa cultura antropofágica. Pegar o mundo inteiro, amalgamar e devolver de uma forma singular, cheia de gambiarra, de ginga. Pegar o sushi, devolver o sushi de morango. Pegar o hi-tech e transformar no low-tech, mas com muita alma, muito suingue. Essa coisa cultural, de falar todas as línguas desse País. Não apenas as verbais, mas essas línguas de saberes que se somam e produzem todo um caldeirão, um caldo único.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Wed, 03 Jun 2009 02:44:26 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Plano Diretor Participativo: Convocação</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1742323</link>
            <description>Em 2001, depois de tramitar pelo Congresso durante aproximadamente 10 anos, o Estatuto das Cidades foi aprovado e sancionado, determinando um conjunto de novos instrumentos para a gestão urbana, dentre os quais a formulação periódica do Plano Diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a lei, todo município com população superior a 20 mil habitantes deve, a cada 5 anos, revisar e aprovar novo Plano Diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito subjacente é de que a cidade é uma realidade dinâmica cuja organização e planejamento devem ser recorrentes, de modo a acompanhar a evolução real, considerando ao mesmo tempo, as mudanças na composição e práticas da população, as inovações da tecnologia e, consequentemente das normas técnicas, bem como os impactos dos planejamentos passados, uma vez que sabe-se que o planejamento não é um processo neutro, isento de consequências econômicas, sociais e políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, com a criação do Ministério das Cidades, pelo recém-instalado governo Lula, sob a liderança do admirável Olívio Dutra, houve um extraordinário esforço de realização das Conferências de Cidades, que já naquele ano, por meio de um conjunto de medidas de estímulo à participação popular, foi capaz de promover a Conferência da Cidade em mais de 3.700 municípios (mais de 5 mil em 2004). Assim, sob o amparo do Estatuto das Cidades, sob o impulso das Conferências das Cidades, o Ministério das Cidades estimulou a implementação do Plano Diretor Participativo por todos os municípios do país. Chegou-se a iniciar um processo de identificação, pelo Ministério das Cidades, de consultores em urbanismo ou em processos participativos, para que as prefeituras pudessem contratar, se o desejassem, dado que a maioria das prefeituras não detinha quadros e cultura de planejamento em que fossem integradas a discussão técnica com os processos abertos do planejamento participativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas cidades concluíram seus Planos Diretores em 2004 e outras em 2005, de modo que já neste ano há a necessidade de re-elaboração, mas no ano de 2010 este processo será ainda maior, reputo alcançar milhares de cidades pelo país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma tendência, contra qual todos teremos que lutar, de se postergar o processo ou apenas revalidar os Planos Diretores aprovados em 2004-2005. Nada pode ser mais arcaico conceitualmente, nem mais prejudicial ao princípio da apropriação social do espaço em que se vive, a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que devamos todos, na medida do possível, estimular às mais diversas organizações que se dedicam aos assuntos em que as temáticas da urbis estão imbricadas para que pressionem as Câmaras Municipais e as Prefeituras a iniciarem os processos de discussão do Plano Diretor Participativo, para esta nova safra 2009-2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às falas arquitetos, urbanistas, engenheiros, administradores públicos, gestores de políticas habitacionais, ecologistas, responsáveis pelo trânsito, pelos distritos industriais, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às falas líderes comunitários, movimentos de favelas, cooperativas habitacionais, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às falas, cidadãos brasileiros. Todas as cidades são nossas!</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 31 May 2009 20:38:54 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>L.I.V.R.O</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1741780</link>
            <description>Millôr Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM REVOLUCIONÁRIO CONCEITO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO CHAMADO L.I.V.R.O. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local de Informações Variadas Reutilizáveis e Ordenadas, L.I.V.R.O.,representa um avanço fantástico na tecnologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem fios, circuitos elétricos nem pilhas. Não precisa ser conectado a nada nem ligado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada livro é formado por uma seqüência de páginas numeradas feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada que as mantém automaticamente em sua seqüência correta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco, permite que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialistas dividem-se quanto aos poderes de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.RO. com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os deixa mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que, quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deve ser a capacidade de processamento do usuário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedos permite o acesso instantâneo a outras páginas. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nunca apresenta 'ERRO GERAL DE PROTEÇÃO', nem precisa ser reinicializado embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo. O comando &amp;quot;browse&amp;quot; permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento &amp;quot;índice&amp;quot; instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados. Um acessório opcional, o &amp;quot;marca-página&amp;quot;, permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de páginas, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para o uso dos marcadores coincide com o número total de páginas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se, ainda, personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve- se utilizar o periférico Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades, utilizando a plataforma L.I.V.R.O.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 31 May 2009 04:27:56 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Taxista</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1735365</link>
            <description>Sujeito chega de viagem, sobe num táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trajeto, vê uma mulher entrando numa Boate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecendo a mulher, pede ao taxista pra dar ré, tira do bolso um pacote do bolso e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui tem dois mil reais. São seus se trouxer pra fora aquela mulher de vermelho que acabou de entrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já vai cobrindo de porrada, que a desgraçada é minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O taxista, que andava na draga, topa logo e entra correndo na boate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 5 minutos, sai arrastando uma mulher pelos cabelos, toda desgrenhada, de cara roxa, tudo na maior gritaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passageiro olhando a cena, percebe que a mulher está vestida de verde. Berra pro taxista, desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para! Para! É a mulher errada! Você confundiu vermelho com verde ? Por acaso é daltônico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o taxista, fuzilando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Daltônico, o cacete ! Esta é a minha... Peraí que já volto lá pra pegar a sua !</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 24 May 2009 03:42:21 UT</pubDate>
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            <title>Ajuda-me a dizer a verdade!</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1732945</link>
            <description>Meu Deus...&lt;br /&gt;Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a não mentir para obter o aplauso dos débeis.&lt;br /&gt;Se me dás dinheiro, não tomes a minha felicidade, e se me dás forças, não tires o meu raciocínio.&lt;br /&gt;Se me dás êxito, não me tires a humildade; se me dás humildade, não tires a minha dignidade.&lt;br /&gt;Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e nao me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque não partilham meu critério.&lt;br /&gt;Ensina-me a amar os outros como amo a mim mesmo e a julgar-me como o faço com os outros.&lt;br /&gt;Não me deixes embriagar com o êxito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso.&lt;br /&gt;Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito.&lt;br /&gt;Ensina-me que a tolerância é o mais alto grau da força e que desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade.&lt;br /&gt;Se me despojas do dinheiro, deixe-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixe-me a força de vontade para poder vencer o fracasso.&lt;br /&gt;Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé. Se causo dano a alguém, da-me a força da desculpa, e se alguém me causa dano, da-me a força do perdão e da clemência.&lt;br /&gt;Meu Deus...&lt;br /&gt;se me esquecer de Ti...&lt;br /&gt;Tu não Te esqueças de mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gandhi)</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Thu, 21 May 2009 13:29:28 UT</pubDate>
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            <title>Mahatma Gandhi</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1731701</link>
            <description>À DESCOBERTA DO AMOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaia um sorriso&lt;br /&gt;e oferece-o a quem não teve nenhum.&lt;br /&gt;Agarra um raio de sol&lt;br /&gt;e desprende-o onde houver noite.&lt;br /&gt;Descobre uma nascente&lt;br /&gt;e nela limpa quem vive na lama.&lt;br /&gt;Toma uma lágrima&lt;br /&gt;e pousa-a em quem nunca chorou.&lt;br /&gt;Ganha coragem&lt;br /&gt;e dá-a a quem não sabe lutar.&lt;br /&gt;Inventa a vida&lt;br /&gt;e conta-a a quem nada compreende.&lt;br /&gt;Enche-te de esperança&lt;br /&gt;e vive á sua luz.&lt;br /&gt;Enriquece-te de bondade&lt;br /&gt;e oferece-a a quem não sabe dar.&lt;br /&gt;Vive com amor&lt;br /&gt;e fá-lo conhecer ao Mundo.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Wed, 20 May 2009 06:31:54 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Mário Quintana</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1722739</link>
            <description>“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se vê, já são seis horas!&lt;br /&gt;Quando se vê, já é sexta-feira...&lt;br /&gt;Quando se vê, já terminou o ano...&lt;br /&gt;Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.&lt;br /&gt;Quando se vê, já passaram-se 50 anos!&lt;br /&gt;Agora é tarde demais para ser reprovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.&lt;br /&gt;Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.”'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mário Quintana)</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Mon, 11 May 2009 05:06:47 UT</pubDate>
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            <title>Controle dos Bancos sobre os Estados</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1722087</link>
            <description>Entrevista com o economista Plínio de Arruda Sampaio Junior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08/05/2009 - 22:05&lt;br /&gt;Saída da crise pode aumentar controle de bancos sobre Estados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, professor da Universidade Federal de Campinas (Unicamp), analisa a crise financeira mundial dentro das crises inerentes ao capitalismo e buscando o contraste entre as visões marxista e keynesiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa comparação, ele acredita que as teses de Karl Marx irão sobressair: o capital ficará mais concentrado e os trabalhadores ainda mais explorados, até a crise seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;quot;Temo que, nas condições atuais, o capital financeiro tenha ficado tão forte e com tamanho poder de chantagem sobre os Estados nacionais, que estes não possam contê-lo. O que está acontecendo é exatamente o oposto do esperado pela maioria: o capital financeiro está dando um novo passo na conquista do Estado&amp;quot;, disse, nesta entrevista exclusiva ao MM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Sampaio Júnior, a liberalização financeira é o principal mecanismo a garantir o poder de chantagem do capital financeiro sobre os países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a diferença básica entre as abordagens de Keynes e Marx em relação às crises do modo capitalista de produção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que a crise, para Keynes, é um fenômeno aleatório e passível de ser corrigido através de políticas de Estado. Já na visão marxista, crise é uma necessidade histórica e um componente orgânico do capitalismo, passível de ser atenuada, mas não evitada. Sendo assim, esta crise vai gerar, necessariamente, uma próxima e não há Estado capaz de resolver isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais as limitações mais evidentes das políticas keynesianas no enfrentamento da crise atual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos bases nem objetivas nem subjetivas para uma política keynesiana. Objetivamente, não temos mais um padrão de acumulação baseado na economia nacional. Do ponto de vista subjetivo, a política keynesiana pressupõe um Estado com capacidade política de se contrapor ao capital financeiro. Temo que, nas condições atuais, o capital financeiro tenha ficado tão forte, com tamanho poder de chantagem sobre os Estados nacionais, devido ao poder de mobilização espacial, que não possa ser contido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está acontecendo nesta crise é exatamente o oposto do esperado, o capital financeiro dando um novo passo na conquista do Estado e não o contrário. Basta observar que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) compilou o volume de recursos que, até o final de outubro de 2008, tinha sido transferido para os bancos: US$ 7 trilhões, o que equivale à soma de todos os PIBs latino-americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Latina deve considerar esta crise como uma oportunidade para o desenvolvimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Sobretudo no caso do Brasil. A crise de 1929 foi boa para nós, pois, através do isolamento econômico, conseguimos fazer um considerável avanço no desenvolvimento das forças produtivas. Muitos pensam que esta crise pode ser uma janela de oportunidades. Eu acho que não, pois já temos um parque industrial montado, mas não temos capacidade de defendê-lo dos países centrais. Por outro lado, também não temos como competir com a China. Creio que a tendência seja para aceleração do processo de regressão colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Marx explica esse fenômeno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo 3 do livro III de O Capital, Marx aborda o que chamou de &amp;quot;tendência decrescente da taxa de lucro&amp;quot;. O capitalismo tem várias crises. Minha hipótese é que esta é uma crise geral do sistema, uma &amp;quot;crise de indigestão&amp;quot;. Ou seja, o capitalismo acumulou mais capital do que aquele que pode converter para a produção e a extração de mais valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fica patente que há um excedente absoluto, o circuito da concorrência deixa de estar baseado na acumulação do lucro e passa para a lógica de ver quem sobrevive. O excedente absoluto de capital impõe uma queima de capital. E a produção a mais é o que &amp;quot;micou&amp;quot;. A crise é isso, só que em todos os níveis - monetário, produtivo, financeiro e comercial. Isso muda a dinâmica de funcionamento do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que sentido seria essa mudança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keynes acredita numa saída civilizada, que é uma saída ideológica, pois o keynesianismo, por mais refinado que seja, é um produto da crise e da barbárie do liberalismo e da guerra. Em Marx, está claro que qualquer crise capitalista geral resolve-se, fundamentalmente, com dois movimentos, necessário para restaurar as condições da rentabilidade: de um lado, queimar capital, aumentando o grau de monopolização, e, por outro, ampliar a taxa de mais valia, através de todos os expedientes possíveis, inclusive superexploração da mão-de-obra. Isso permitiria um novo movimento de expansão, que, no entanto, resultaria em nova crise no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, veremos agora a luta pela sobrevivência dos capitais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Essa luta é a destruição do outro (monopolização) e o aumento das condições de exploração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que foi a II Guerra, e não as políticas keynesianas, que tirou o mundo da depressão econômica. Acredita que haverá um confronto de grandes proporções para que a economia mundial se recupere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, as grandes guerras, com seus gastos e mobilização de contingentes, são o keynesianismo puro. Hitler foi o extremo do keynesianismo. Por trás da luta entre os capitais há a luta dos Estados nacionais associados a eles. Sem dúvida, teremos um redesenho do mundo e nele as rivalidades nacionais aumentarão. Sobre a crise de 1929, Lênin afirma que o imperialismo inaugura um período de guerra especifica entre as grandes potências, pois, para o resto do mundo, sempre houve guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então haverá uma III Guerra Mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso hoje é difícil. Em 1929, havia potências que se equivaliam. Atualmente, os EUA ainda são absolutos financeira e militarmente. Prova disso é que todos fogem para os títulos norte-americanos. Esse tipo de guerra não vejo, mas um movimento de empurrar a crise para um elo fraco, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Brasil faz parte desse elo fraco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Não creio que o Brasil jogará um papel importante na saída da crise. Minha suspeita é que os elogios que o Brasil recebe no G20 e os convites feitos pelos norte-americanos têm a finalidade de evitar que partamos para o lado da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto ao G20, estaria &amp;quot;jogando para a platéia&amp;quot;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crise tem coisas assustadoras. Se os diagnósticos estiverem corretos, assistiremos a uma generalização e ao aprofundamento da barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita numa nova arquitetura financeira mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança mais grave está no plano da política, no tipo de relação que os grandes conglomerados estão estabelecendo com os Estados nacionais. Isso pode configurar uma mudança na natureza do Estado, que já estava instrumentalizado pelo capital financeiro, e, agora, muda o grau de instrumentalização. Agora mesmo, um outro banco (Bank of America) está pedindo mais US$ 34 bilhões ao Tesouro norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crise de 1998, o Brasil recebeu cerca de US$ 50 bilhões do FMI. Agora um banquinho pede US$ 34 bilhões adicionais - já tinha recebido injeção de recursos. Ou seja, as mudanças não estão dando caráter construtivo ao capitalismo, pelo contrário. Não consigo ver nenhuma nova arquitetura. Apenas retórica. Mesmo ela é bastante conservadora. Os relatórios das instituições multilaterais, dizem que não se pode recuar para a regulação do sistema, salvo alguma fiscalização dos bancos, o que é absolutamente insuficiente. Não há consenso ideológico nem político para mudança no padrão.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 10 May 2009 14:49:44 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Cancelar linha telefônica - A ressurreição!</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1694677</link>
            <description> Extraído do Blog do Luis Nassif. O relato é verídico. Todos sabemos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#  12/04/2009 - 11:19  Enviado por: Luciano Prado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para rir e chorar (de raiva)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ana Lúcia, da Brasil Telecom”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Leandro Fontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os fatos relatados abaixo são reais e revelam o grau de precariedade ainda vigente nas relações de consumo no Brasil. Demonstram, no genérico, a forma mais explícita de desrespeito adotada pelas operadoras de telefonia do país, e, no particular, a desastrosa estratégia de assédio bolada pela Brasil Telecom para tentar manter os muitos clientes que, em Brasília, fogem dela para empresas melhores, mais eficientes e mais corretas no trato com os usuários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira, 28 de maio, 10h09. Do outro lado da linha, o serviço automático de atendimento da Brasil Telecom, o 10314. Aperto as teclas que me mandam para ser atendido. Antes de me remeterem ao inferno de quase uma hora ao lado de uma atendente diabólica, me pedem para, ao final, dar uma nota sobre a qualidade do atendimento. Será a minha vingança, mas, por ora, voltemos ao começo. Disco todos os números e espero, finalmente, que um ser humano me atenda do outro lado. Quero cancelar uma linha de telefone fixo. Antes, contudo, vem uma musiquinha irritante, de três acordes, meio buzina, meio bateria eletrônica. Superposta a ela, começam as propagandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, sobre o celular BrT, da empresa, cheio de facilidades para conferir e-mails ou faturas das contas. Mais música. Pedem para eu conferir as funções do menu do BrT Celular (eu nem tenho um) para “ficar por dentro” de muitas promoções “e muito mais” (o que será? Prefiro esperar o atendente). A musiquinha volta, infame. “A fim de conhecer mais pessoas?”, me pergunta a gravação do outro lado. Não, não estou, mas ela não me ouve. “Consulte o menu (do BrT Celular, claro) e cadastre o seu perfil”. E lá vem a musiquinha infernal. “Registrou um momento único? Mande um torpedo!”. Eu não mereço isso. “Quer ganhar prêmios todos os dias?”. Ué, quem não quer? Enquanto não sou atendido, descubro que basta enviar torpedos e trocar pontos por prêmios. Se eu tivesse um torpedo, começaria por apontar para o serviço de atendimento da Brasil Telecom. Mas continuo aguardando, paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A musiquinha ganha fôlego. E tome propaganda. “Não consegue acompanhar notícias do dia-a-dia?”. Eu não consigo, ninguém consegue, mas descubro – oh! – que basta acessar o menu do BrT Celular para que o mundo se abra aos meus olhos. “E muito mais!”. Adoro isso. Aliás, descubro, ainda, que o expediente do torpedo é a maneira mais fácil e rápida de se comunicar “quando você não pode falar ou não quer falar”. Entenderam a sacada? Como pude viver até hoje sem perder uma hora da minha manhã ouvindo os reclames da Brasil Telecom? Depois, incrivelmente, a voz gravada me pergunta: “Cansado da musiquinha do seu celular?” Hahahahahahahaha! Esses caras do BrT Celular são uns pândegos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h21, Estou ouvindo propaganda há 10 minutos, e nem sei se estou pagando essa ligação. Preciso lembrar de perguntar ao atendente, se ele me atender, é claro. A musiquinha não pára. “Sua conta da Brasil Telecom tem selo de qualidade do Inmetro”. Já o serviço de atendimento… “Tem tudo para facilitar a sua vida”. Ok, ok, eu sei quando estão tirando sarro de mim. Mas não vou desistir. Acho que eles percebem o meu espírito perseverante porque, após um último informe sobre os serviços de convergência da empresa (“multiconferência com vídeo, áudio e web”), sou finalmente atendido por alguém em carne osso. O nome dela é Ana Lúcia. São 10h24.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Lúcia é da infantaria do telemarketing da Brasil Telecom, percebo logo. Ela não quer saber de frescura nem de desculpa besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer cancelar a linha? Por quê? Qual o motivo? Alguma coisa ocorreu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento acalmá-la, digo que é por um motivo pessoal, preferi mudar de operadora. Ana Lúcia fica furiosa. Nem respira. Dispara uma metralhadora verbal que me deixa aturdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um motivo pessoal? Que motivo pessoal? Olha, o senhor está querendo cancelar uma linha econômica, um pacote excelente. Não quer transferir para outra pessoa? O senhor pode transferir para outra pessoa! Uma boa ação faz o mundo melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h28 e eu preciso trabalhar. Digo isso para Ana Lúcia, mas ela não foi treinada para ter piedade. Na Brasil Telecom a ordem, imagino, é nunca perder um cliente, nem que para isso seja preciso azucriná-lo, tomar-lhe o tempo de trabalho e deixá-lo plantado por uma hora apenas para cancelar uma linha. Ana Lúcia insiste, sabe que estou trocando a empresa dela por outra, quer saber o nome, quer saber o porquê dessa traição. Perco um pouco a paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Lúcia, você pode, por favor, cancelar a minha linha, porque eu preciso trabalhar?&lt;br /&gt;- Mas eu nunca disse que não podia, eu só quero saber por que o senhor quer cancelar a linha.&lt;br /&gt;- Por um motivo pessoal, já disse.&lt;br /&gt;- Mas qual motivo? O senhor trocou de operadora por que, afinal?&lt;br /&gt;- Achei a logomarca da outra mais bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um erro. Jamais deveria ter usado de ironia com Ana Lúcia. Naquele momento, soube que tinha arranjado uma inimiga feroz dentro do sistema. Iniciei, então, uma batalha sinistra com a atendente da Brasil Telecom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h29. Ana Lúcia muda o tom de voz, torna-se fria, pragmática. Pede o meu número do CPF, a data de nascimento, o nome completo. Diz que vai “analisar” minha conta e pede para eu aguardar. Eu arrisco uma ofensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é Ana Lúcia de quê?&lt;br /&gt;- É só Ana Lúcia, é meu nome de atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio do outro lado da linha. Ana Lúcia deve estar fazendo consultas no manual de atendimento. Tenta entender minha estratégia, descobrir o que está errado. Talvez até tenha chamado o supervisor. Passados seis minutos, tenho a impressão de que ela desligou. Arrisco-me de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Lúcia reaparece, tem a voz gélida. Põe em prática o tratamento dispensado pela empresa aos traidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aguarde mais um instante, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aguardo. Estou disposto a não desistir. O funcionário da outra operadora, quando eu disse que iria cancelar o telefone fixo da Brasil Telecom, deu uma risadinha de dó. Segundo ele, ninguém estava conseguindo, só no Procon. Eu havia chegado até Ana Lúcia, não iria desistir agora. Fiquei aguardando. Iria aguardar até o outro dia, se necessário. Iria resistir. Ana Lúcia é o exército alemão, eu, Stalingrado. Mas não vai ser fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, estou verificando sua linha, ela tem muito mais economia em relação a qualquer operadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa é Ana Lúcia. Incansável. Chego a admirá-la. Em outras circunstâncias, poderíamos mesmo ser amigos. Mas agora eu tenho que derrotá-la, e não vou abrir mão disso. Ela tenta me alertar para as “propagandas fantasiosas” das outras operadoras, do erro que estou cometendo ao abandonar a Brasil Telecom por outra empresa de “qualidade inferior”. Estranho, ela nem sabe qual é a outra empresa. Mas Ana Lúcia é assim, despreza detalhes bobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Matematicamente falando, o senhor vai pagar excedente na outra operadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Lúcia quer me enlouquecer, matematicamente falando. Mantenho a atitude, sei que ela está ferida por conta da minha ironia lá de cima, mas, principalmente, pela minha posição irredutível. Aproveito o momento de fraqueza dela. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Lúcia, por favor, cancele a minha linha e me informe o número do protocolo.&lt;br /&gt;- Então, continue aguardando. Mas deixe eu continuar falando sobre a sua linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos. Do outro lado, Ana Lúcia recupera terreno. Fala da economia da qual estou abrindo mão, da qualidade do serviço (ela não sabe que, para instalar a linha lá em casa, passei um mês indo e vindo à Brasil Telecom). A certa altura, sai-se com essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trocar o certo pelo duvidoso é uma coisa incerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h40. Começo a temer pela saúde mental de Ana Lúcia. Ela tem meus dados, meu endereço. Pode querer se vingar. Eu não devia ter feito aquela gracinha da logomarca. Nos cinco minutos seguintes, ela passa a alternar silêncios com um tenebroso “aguarde mais um pouco, por favor”. Às 10h45, ela tenta de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho que preencher o espaço da justificativa para o cancelamento da sua linha. Coloco que foi porque o senhor achou a logomarca mais bonita mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma ligação, mas pude sentir o cheiro de enxofre. Ana Lúcia é muito melhor treinada do que eu imagino. Agora ela veio com ironia para cima de mim. Por essa eu não esperava, Ana Lúcia tem reações subjetivas! Se eu fosse supervisor dela, a promovia. Mas sou só o inimigo. Preciso vencê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, para mim está ótimo.&lt;br /&gt;- E nome da operadora?&lt;br /&gt;- Prefiro não falar.&lt;br /&gt;- Então, aguarde. Qualquer dúvida, é só me chamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h45. Estou há 35 minutos tentando cancelar uma linha telefônica. Penso em desligar. Estou cansado, o celular está queimando a minha orelha, mas penso em Ana Lúcia, vitoriosa do outro lado, a comentar com as colegas, “venci mais um”. Mantenho minha posição. Ela me pergunta se a próxima fatura pode ser mandada para o mesmo endereço. Digo que sim. Pergunta-me o número do telefone fixo da nova operadora. Digo que não é preciso. Isso a deixa realmente frustrada. A voz dela perde os agudos, parece um sussurro de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, vai ficar incompleto aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aproveito para tripudiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por mim, não tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo mais um tempo. Há seis ligações em espera no meu celular. Estou exausto, irritado, cheio de ódio no coração, mas Ana Lúcia não pode perceber. Fico pensando como deve ser viver em um país onde você não precise explicar para a atendente as razões que o levaram a mudar de operadora. Algo como “disque 7 e cancele sua linha, muito obrigado”. Em dois minutos, no máximo. Sem Anas Lúcias, sem o deboche de ter que esperar uma hora para fazer uma coisa dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10h59. Ana Lúcia anuncia sua capitulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, sua solicitação foi concluída com sucesso. A Brasil Telecom agradece, etc, etc, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebo o número do protocolo de atendimento (&lt;img class=&quot;smiley&quot; src=&quot;http://v.netlogstatic.com/v4.00/2453//s/i/smilies/unsure.gif&quot; alt=&quot;:)&quot; /&gt; e espero para dar nota ao serviço, conforme me foi solicitado, quase uma hora atrás. Uma voz mecânica me avisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digite “1” se a sua avaliação for “muito insatisfeito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digitei. Aliás, esperaria mais uma hora para digitar esse “1”, se fosse necessário.”</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 12 Apr 2009 21:35:15 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Luta, identidade, poesia (?)</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1694320</link>
            <description>Na conquista de cada vitória, a cada luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os direitos negados já não ficam represados apenas na negação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqueles que os têm tido negados tem aprendido a lutar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a negação tem sido fator de identidade e de união:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso são conhecidos como &amp;quot;sem&amp;quot;: sem-terra, sem-teto, sem-casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a negação gera identidade, a identidade torna-se dialeticamente fator de afirmação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;surgem as lutas e das lutas, em muitas delas, a vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso destes &amp;quot;sem&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que ganharam mais que terra, identidade, cidadania, organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a luta que forja a vida dos povos dos &amp;quot;sem&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a transforma em povo dos &amp;quot;com&amp;quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta reverte o impossível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e cria um campo novo de possibilidades,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inclusive de novos direitos antes não imaginados!</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 12 Apr 2009 14:41:46 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Faltam uns “chega-pra-lá” nos bancos - José Paulo Kupf</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1692123</link>
            <description>O Ipea divulgou um levantamento com o objetivo de retratar o sistema bancário brasileiro, comparando dois momentos – 1996 e 2006 – e concluiu que a concentração bancária, no Brasil, crescente no período, obedece à mesma e perversa lógica da concentração de renda no Brasil, contribuindo para cristalizar a perversão. Faz sentido. Afinal, banco só empresta para quem tem dinheiro, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo estudo, o Ipea comparou as taxas de juros efetivas cobradas no Brasil com as praticadas em outros países. Para tanto, fez uma maldade: comparou as taxas cobradas pelos mesmos bancos estrangeiros que operam no Brasil, aqui e na matriz. Encontrou, como era de se esperar, diferenças escalafobéticas. Há casos em que essa diferença é de dez vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Federação dos Bancos, naturalmente, esperneou. Contestou os indicadores de acesso bancário (número de agências por habitante) utilizados pelo Ipea e defendeu-se com a afirmação de que a distribuição geográfica e de oferta de crédito dos bancos apenas reflete a distribuição regional do produto interno bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à comparação de taxas de juros, nos Brasil e em outros países, a Febraban insinuou que o Ipea misturou bananas com laranjas. Pode ser. De fato, aqui a taxa básica é muitas vezes maior do que lá fora, há depósitos compulsórios que lá não são retidos e, em diversos casos, os impostos e taxas, no Brasil, são mais altos. Sem falar no direcionamento de linhas de crédito a atividades específicas, do qual os bancos, no Brasil, reclamam com insistência. Mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos desses fatores podem até ajudar a explicar as diferenças, mas não as justificam. Segundo o Banco Central, a composição do spread bancário no Brasil, em média de 28,4%, inclui, por exemplo, quase 40% por conta do risco de inadimplência e perto de 25% de lucro. Os custos administrativos inflam a conta em quase 15% e os impostos, taxas e tributos agregam outros 5%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que os níveis de inadimplência tendem a aumentar na razão direta do nível das taxas de juros. Isso é fato, como é fato que os níveis de inadimplência aumentam em momentos de crise econômica. Mas daí a carregar na mão e, praticamente, eliminar o risco do negócio, eu também quero. Falando sério, conseguir eliminar riscos nestes níveis é coisa só possível onde não há competição nem o regulador (no caso, o Banco Central) atua com eficiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que tem faltado aos governos, à frente o responsável direto no governo pela área, vontade para operar reduções consistentes nos spreads. Isso vem de longe, mas, para não recuar demais, basta lembrar o que se dizia quando, logo na entrada do Plano Real, foi anunciado como a “solução” do problema: o ingresso de bancos estrangeiros, vendidos então como mais eficientes que os locais. Visto de hoje, o argumento é risível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, entro em cena a nova lei de falências. Durante o largo período de sua gestação, a nova lei foi vendida como a panacéia universal dos males peculiares da economia brasileira. De frieira no pé a juros altos, tudo estaria resolvido com a aprovação da nova lei. Bem, a lei está aí, tem confirmado suas vantagens na administração de crises empresariais, mas nem as frieiras e muito menos os juros altos foram vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a “solução” para os juros altos é o controvertido cadastro positivo. No mercado financeiro, a começar do presidente do Banco Central, todos esperam a chegada do novo santo para celebrar a redução dos juros brasileiros a padrões razoáveis, em comparação com os praticados no resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é difícil acreditar que só essa providência será suficiente para operar o milagre, eu já estou me preparando para a próxima. Não duvido nada que a cara de pau dessa turma ainda vai pegar para pato um dos seus suspeitos preferidos de sempre. Não seria surpresa, para mim, se aparecerem com a história de que os juros só vão cair quando for feita… a reforma da Previdência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A substituição do presidente do Banco do Brasil, que resistia a reduzir os juros cobrados pela instituição, anunciada justamente hoje, de todo modo, pode ser um ponto de virada nesse capítulo lamentável da história econômica brasileira. E o desabamento das ações do BB logo após o anúncio da troca é um alvissareiro sinal de que os juros no bancão oficial – e um pouco da rentabilidade – agora podem mesmo cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder dos bancos públicos, é certo, já não é o mesmo de antigamente – houve, principalmente no governo FHC, um forte empenho em reduzir-lhes o peso. Mas eles ainda podem ser um eficaz instrumento de pressão sobre o mercado, como, aliás, nota a carta do insuspeito Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, também distribuída hoje.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais ainda a ser feito. Por exemplo: estímulos específicos (menos compulsórios para quem baixar os juros, ou linhas de redesconto mais camaradas para quem baixar os juros, etc. etc. etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente boa que acha que o caso dos spreads bancários no Brasil é um simples caso de polícia. Sem chegar a tanto, a autoridade monetária está mesmo devendo uns “chega-pra-lá” nos bancos.&lt;br /&gt;Enviado por: José Paulo Kupfer - Categoria: Blog</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Fri, 10 Apr 2009 00:18:39 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Poema que aconteceu</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1685709</link>
            <description>Carlos Drummond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum desejo neste domingo&lt;br /&gt;nenhum problema nesta vida&lt;br /&gt;o mundo parou de repente&lt;br /&gt;os homens ficaram calados&lt;br /&gt;domingo sem fim nem começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão que escreve este poema&lt;br /&gt;não sabe o que está escrevendo&lt;br /&gt;mas é possível que se soubesse&lt;br /&gt;nem ligasse.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Fri, 03 Apr 2009 02:21:43 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>O Sistema Brasileiro de Inteligência e o jogo político</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1669181</link>
            <description>Extraído do Blog do Luis Nassif&lt;br /&gt;============================================================================&lt;br /&gt;17/03/2009 - 15:00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolvendo melhor o post anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando FHC saiu do governo, escrevi o artigo “Uma obra de arte política”, descrevendo a habilidade da sua estratégia de governabilidade - e o desperdício de não ter sido utilizada para um plano de desenvolvimento amplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia consistia em cooptar chefes regionais com migalhas do poder, mantendo incólumes os pilares centrais do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta era apenas a perna conhecida do modelo criado por FHC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça central, obscura, era o controle estrito sobre o Ministério da Fazenda e toda a estrutura debaixo dele - Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Secretaria da Receita Federal (SRF).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se tratava apenas de manter o controle técnico sobre a economia. Era nesses ambientes que se fortalecia a perna oculta do sistema de poder que estava sendo montado: a criação de um modelo sistêmico de aliança com o crime organizado (de colarinho branco), que se expandia na indústria de offshores, de bancos de investimentos, de gestores de recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira como Gustavo Franco autorizou as operações do Banco Araucária, os leilões da dívida pública (sempre com dúvidas sobre sua transparência), o caso emblemático do Banco Santos - desde 1994, um banco quebrado que, mesmo assim, enviava centenas de milhões de dólares para o exterior, com autorização do Banco Central - e, especialmente, o caso Opportunity, demonstravam uma ampla cumplicidade entre autoridades e transgressores. A estrutura de fiscalização do Estado ficou totalmente imobilizada pelas ordens que emanavam do centro do comando financeiro do governo.&lt;br /&gt;O controle do Estado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista que concedeu ao Terra Magazine, FHC definiu a Satiagraha como uma luta pelo controle do Estado. Estava completamente certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o PT assumiu o poder, seguiu ao pé da letra a receita de FHC - tanto nos acordos fisiológicos inevitáveis, quanto na tentativa de cooptação desses grupos barras-pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse trabalho foi conduzido por dois estrategistas políticos de Lula, José Dirceu e Antonio Palocci. Palocci atuava especialmente através do Conselhinho (o Conselho que julga os recursos dos agentes financeiros) e da CVM - nas gestões Marcelo Trindade e Cantidiano. Livra-se o Banco Pactual de autuações severas por crimes fiscais, livra-se Dantas por crimes de lavagem de dinheiro e de desobediência às regras cambiais brasileiras, permite-se que o Banco Santos se torne o maior repassador de recursos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) em uma leniência sistemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Opportunity passa a financiar Delúbio Soares, através da Telemig Celular e Amazonia Celular. Palocci tornou-se próximo de André Esteves, do Banco Pactual. E o BC mantinha olhos fechados para os crimes de lavagem de dinheiro.&lt;br /&gt;O Sistema Brasileiro de Inteligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse esquema começa a esboroar não apenas com o chamado escândalo do “mensalão”, mas pela iniciativa histórica do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de montar o Sistema Brasileiro de Inteligência, de forma paralela com o que ocorre em outros países, quando os Estados nacionais se organizam para enfrentar a internacionalização do crime organizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, começa a ruir o modelo de governabilidade baseado na aliança com o crime organizado. Com o Sisbin, o funcionário do BC não responde mais à sua diretoria mas a uma estrutura superior e interdepartamental. O mesmo ocorre com outros funcionários da área econômica. O controle imobilizador acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo que o processo era inevitável, e escaldado pelo “mensalão”, Lula dá ampla liberdade para o aparato do Estado se organizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez, o Estado começa a cumprir suas funções e os funcionários públicos a se libertar das amarras impostas por esse pacto espúrio. Aumenta a colaboração com as forças internacionais anti-crime, surgem as grandes operações combinadas de combate ao crime organizado. Fiscais da Receita passam a conversar com a Polícia Federal, a Coaf troca informações com o Ministério Público, a ABIN é acionada. E dessa integração começa a nascer a esperança de uma mudança estrutural não apenas no combate ao crime organizado, como na redemocratização do Estado e no aprimoramento do jogo político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era inevitável o choque com a estrutura de poder montada. O ovo da serpente já estava incubado, eram muito profundas as ligações entre o crime organizado, estruturas de mídia, instâncias do Judiciário, Congresso Nacional, Executivo. O país havia se criminalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior, criminalizou-se com status. Chefes de quadrilha passam a ser tratados como brilhantes executivos, aproximam-se de grupos de mídia, ajudam na capitalização de alguns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos fatores que leva à inibição do crime é a condenação social do criminoso, a não aceitação de sua presença nos círculos sociais. Por aqui, Daniel Dantas continuou a ser aceito por praticamente todas as lideranças políticas. O ato comprovado de tentar subornar um delegado não mereceu a condenação explícita de ninguém. Pelo contrário, Dantas é elogiado pelo mentor máximo da oposição, FHC, e defendido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa lógica vergonhosa, para nós brasileiros, que explica toda a ofensiva para desmontar o Sistema Brasileiro de Inteligência.&lt;br /&gt;Mudanças irreversíveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que o mundo mudou. O crime organizado de colarinho branco tornou-se ameaça mundial, combatido por todos os países civilizados. A Internet rompeu com a barreira da informação. Pode custar mais ou menos, mas será impossível ao país não se curvar à grande onda anti-crime que se seguirá à queda da economia global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes critiquei a superficialidade de FHC, sua incapacidade de perceber os ventos, os grandes fatores de transformação que permitissem lançar o país rumo ao desenvolvimento. Bobagem minha! Seu foco era outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso quem para ele, Protógenes é amalucado e Dantas é brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história ainda cobrará caro de FHC por ter institucionalizado o crime organizado no centro do jogo político brasileiro.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Wed, 18 Mar 2009 03:05:33 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Educação no Brasil.</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1645567</link>
            <description>Excelente entrevista com o MInistro da Educação, Fernando Haddad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximadamente, 20 minutos, mas excelente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2Feducacao.uol.com.br%2Fultnot%2Fentrevista-ministro-educacao-fernando-haddad.jhtm&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://educacao.uol.com.br/ultnot/entrevista-ministro-educacao-fernando-haddad.jhtm&lt;/a&gt;.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 22 Feb 2009 17:42:20 UT</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Campanha Pró Imposto</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1644591</link>
            <description>Trago o texto abaixo porque resolvi aderir à campanha. Quero um imposto chamado de ditabranda para impor àqueles que se beneficiaram política e economicamente da ditadura no Brasil. Não é mais justo que se mantenha a impunidade daqueles assassinos e de seus comparsas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui vítima da tortura, até pela minha idade. Mas, convivi com várias pessoas maravilhosas que o foram e que merecem mais respeito. Agora, alguns querem minimizar a repressão, sua brutalidade. Querem justificar a infâmia e os crimes cometidos. Querem salvar assassinos de condenações. Crime contra os direitos humanos não tem prescrição, senhores bandidos e financiadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, o que há de pior no país está se unindo para amenizar a ditadura, para evitar que a Ministra Dilma Roussef, candidata, possa ter mais este forte argumento a seu favor: a luta pela democracia, a resistência à tortura. Não devemos esquecer a idiotice do senador Agripino Maia querendo constranger a Dilma, no Senado, chamando-a de mentirosa, por mentir nas sessões de torturas. Qual a resposta que ela deu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mentir para os torturadores era motivo de orgulho: salvou vidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campanha: imposto ditabranda para os que se benificiaram da ditadura no Brasil JÁ!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==========================================================================&lt;br /&gt;Imposto Ditabrando para a Folha&lt;br /&gt;Carta aberta para os Frias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editorial da folha de São Paulo, sucessora da Folha da Tarde,  classificou a ditadura brasileira como ditabranda. Leio no Conversa Afiada a resposta da FSP aos protestos que despertou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que não foram níveis baixos. Vocês mentem que eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acho que sei porque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje não me senti de todo confortável para pedir a indenização pelo que a ditadura fez comigo.  Vocês me despertaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não critico quem pediu a indenização da lei da anistia (exceto por um que trabalha para vocês). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a conta está errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que financiaram a repressão, a ditadura, os assassinatos, é que deveriam pagar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que obtiveram favores, cresceram e lucraram pelo apoio à ditadura é que deveriam pagar. E não todo o povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proponho um imposto ditabrando. Apenas 10% do patrimônio amealhado durante a ditadura por aquelas empresas e políticos que participaram, financiaram ou deram cobertura à violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1975 eu, um garoto, fui preso em São Paulo pelo simples fato de estar ao lado de um estudante da USP que portava um livro de sociologia da Academia de Ciências da URSS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei uns tapas no DOPS. Umas palmatórias. Uma noite sem dormir. Ouvi os gritos, as ameaças. Como saber se não fui conduzido por uma daquelas viaturas que a Folha da Tarde cedeu para a OBAN? Isto é brando para vocês? Para mim, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, em 1977, ainda garoto, fui arrastado para os porões do DOI-CODI na Barão de Mesquita, RJ. Era estudante de medicina. UERJ. Pertencia à geração que criticava, politicamente, a luta armada. Nunca peguei numa. Minha única arma era a palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E conheci o palácio da tortura. Uma instalação. Tão moderna quanto o dinheiro da época podia comprar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparelhada com cadeiras especiais para o choque elétrico, as câmaras frigoríficas chamadas de “geladeiras”, capazes de ir do calor infernal ao frio invernal em poucos minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sons estereofônicos, ou quadrafônicos, não sei como chamar, mas pode constar como o som do diabo, que estará bem constado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janelas especiais onde um companheiro podia observar sua companheira ser seviciada com choques elétricos vaginais e nos seios…até ele mandar parar…em troca de assinar um documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nível baixo de violência, senhores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de uma companheira foi sequestrada em Rio Claro e levada para o DOI-CODI, até que a filha se entregasse. Uma senhora que nunca tinha saído do interior de São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ocorreu a  troca do sequestro, esta senhora foi deixada perdida no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nível Baixo, família Frias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 10 dias incomunicável naquele inferno, fui levado para o DOPS. Lá soube que minha companheira, também estudante de medicina, fora presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque era minha companheira. Nível Baixo de violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino dela foram as torturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui condenado a três anos de prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me esqueço das palavras dos torturadores: “Se você sair daqui vivo, saiba que quando for ao maracanã, estaremos atrás de você. Quando for ao cinema, estaremos atrás de você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prisão fizemos uma greve de fome e pudemos aguardar o julgamento em liberdade. Um interregno até a pena do presídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período, eu e minha companheira fomos seguidos, houve simulação de nova prisão-sequestro. Aconteceu de saltarmos de ônibus e sairmos correndo por entre os carros do trânsito de copacabana, em função do pânico, do pavor de não querermos passar um minuto sequer no DOI-CODI. Não vivos. Vivos não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branda, senhores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje os horrores povoam meus sonos. Não tenho dúvida de que a vida dos meus filhos e a vida dos meus pais e irmãos foi afetada por isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o pior, eu sei que outros passaram por coisas muito piores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, níveis baixos de violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo a vocês nem um centésimo do que foi aquele inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até hoje vocês provocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo um segundo de prisão para vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vocês provocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farei campanha pelo imposto ditabrando. É duro? Imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TV globo cresceu em função do apoio ao regime ditatorial. Sarney hoje é um ex-presidente da república, próspero senhor de negócios no Maranhão e presidente do Senado. A Folha se apresenta como o maior jornal do país. A ARENA se orgulhava de ser o maior partido do ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justo que vocês paguem a indenização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O DEM, legítimo sucessor da ARENA, deveria, por lei,destinar 10% do fundo partidário para o imposto ditabrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os torturadores, na minha opinião, são uns pobres diabos que só puderam soltar a sanha assassina e mórbida por conta do apoio político e financeiro que receberam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei a campanha. Imposto Ditabrando para a Folha e assemelhados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso uma lei. É preciso sensibilizar um deputado. Tentarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo isto com lágrimas nos olhos e um misto de tristeza e raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estou sob o impulso da emoção. Mas só volto atrás se assim meus filhos quiserem, por entenderem melhor deixar este assunto enterrado nas catacumbas.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sat, 21 Feb 2009 15:34:10 UT</pubDate>
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            <title>Meu querido banco</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1638046</link>
            <description>Extraído do Uol&lt;br /&gt;14/02/2009&lt;br /&gt;========================================================================&lt;br /&gt;Quem nunca ficou p. da vida com seu banco levanta a mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que há alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia fiquei bem triste com meu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis saber se seria possível receber dólares por um eventual trabalho no exterior via meu banco. Poucos dólares, de um possível trabalho, vou logo avisando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no site do banco, vi que o dólar naquele dia custava R$ 2,28 tanto para a compra quanto para a venda, mas não obtive mais informações sobre o tipo de operação que queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso liguei para a gerente, que logo me explicou tudinho, usa-se um &amp;quot;invoice&amp;quot;, deposita lá fora, cai na minha conta aqui dentro, eu declaro tudo e pago os impostos, tudo muito fácil e rápido e uma taxa de R$ 45 pela operação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, beleza. Só para conferir, perguntei: se a operação fosse realizada naquele dia, quanto daria o valor em Real?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opa, a resposta da moça não bateu com a conta que eu havia feito em cima da cotação colhida no site do próprio banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, explicou a gentil gerente, no site é apenas uma referência. Se você for fazer a operação o banco paga R$ 2,21 por dólar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, mas a cotação de mercado não é calculada justamente em cima do preço que vocês cobram? Vocês são o mercado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas não, é apenas uma referência. No site tem o preço de mercado, mas cada banco cobra um valor, explicou mais uma vez gentilmente a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, então vamos fazer de conta que eu quero comprar dólar, em vez de vender; quanto vocês cobram, perguntei certo de que faria um bom negócio comprando e não mais vendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banco, ouvi, cobra R$ 2,34.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: o valor de mercado era de R$ 2,28 para compra ou venda, mas seu eu fosse vender, o banco pagaria menos, se fosse comprar, cobraria mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja 2: a cotação do mercado, ao qual o banco pertence, é &amp;quot;apenas uma referência&amp;quot;, e o cliente comprando ou vendendo sai sempre perdendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essas e outras que o pessoal anda muito bravo com os bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje mesmo recebi mais de uma vez pela internet a cópia vez uma cartinha na qual um cliente bem contrariado, mas cheio de estilo, diz algumas boas aos donos do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele cita nominalmente o banco, mas como não tenho o nome do autor da carta (se quiser se identificar, por favor, fique à vontade...), omito também o nome da instituição, alertando os leitores que deve haver bancos que eventualmente não se comportam da maneira descrita pelo cliente (se algum banco quiser contra argumentar, por favor, também fique à vontade...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis trechos daa saborosa cartinha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;quot;Caros Diretores do Banco X&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funcionaria assim: todo mês os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante. Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc.), o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois ontem saí de seu banco com a certeza de que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas. Uma 'taxa de acesso ao pãozinho', outra 'taxa por guardar pão quentinho' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo uma comparação com a qual talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preço de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma &amp;quot;taxa de abertura de crédito&amp;quot; -- equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma &amp;quot;taxa de abertura de conta&amp;quot;. Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa &amp;quot;taxa de abertura de conta&amp;quot; se assemelharia a uma 'taxa de abertura da padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como &amp;quot;papagaios&amp;quot;. Para liberar o 'papagaio', alguns gerentes inescrupulosos cobravam um &amp;quot;por fora&amp;quot;, que era devidamente embolsado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com a impressão que o banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos. Agora, ao invés de um 'por fora', temos muitos &amp;quot;por dentro&amp;quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, tirei um extrato de minha conta --um único extrato no mês-- e os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 para a &amp;quot;manutenção da conta&amp;quot;, semelhante àquela &amp;quot;taxa pela existência da padaria na esquina da rua&amp;quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite de cheque especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo. Semelhante àquela &amp;quot;taxa por guardar o pão quentinho&amp;quot;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc. e tal. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, vocês concordam o quanto são abusivas?&amp;quot;&lt;br /&gt;	Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E-mail: &lt;a href=&quot;/go/messages/send/receiver=caversan@uol.com.br&quot;&gt;caversan@uol.com.br&lt;/a&gt;</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sun, 15 Feb 2009 07:17:07 UT</pubDate>
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            <title>O Fórum Social</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1619966</link>
            <description>Texto que publiquei no blog do Luis Nassif&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis NassifSobre economia, política e notícias do Brasil e do Mundo&lt;br /&gt;29/01/2009 - 12:37&lt;br /&gt;O Fórum Social&lt;br /&gt;Por Edmar Roberto Prandini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nassif, como você disse, caso houvessem notícias sobre o Fórum Social Mundial você estaria aberto a divulgá-las. Por essa razão, sem poder este ano comparecer, tenho procurado acompanhar à distância e ver como posso replicar informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Dos números&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comissão Organizadora do Fórum sempre divulga ao final do evento um relatório contendo dados acerca dos participantes inscritos formalmente. O sistema de inscrições é, desde o I FSM, em 2001, totalmente informatizado. O credenciamento dos participantes é realizado pelas organizações e movimentos, bem como as solicitações de espaços para a estruturação de oficinas de discussão. Há, portanto, um número de participantes credenciados formalmente - Delegados das ONGs e movimentos e um grande número de participantes não credenciados. Buscando dados, o último número que obtive é de que cerca de 80 mil pessoas estão credenciadas na qualidade de delegados. Já se fala em um total de 120 mil pessoas participando, dentre os credenciados e os não credenciados pelas organizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Belém Expandida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução da dinâmica do FSM ao longo desses seus nove anos de existência é muito rica. O evento previsto em 2001 para Porto Alegre, pela força e disposição que produziu nos seus participantes, passou a se reproduzir, inicialmente, anualmente e depois, dado o volumoso e dispendioso trabalho mobilizatório, bienalmente. De um lugar fixo, Porto Alegre, deliberou-se migrar a cada edição por todo o planeta. Por outro lado, deliberou-se pela realização policêntrica, ou seja, pela realização do Fórum em continentes diversos. Depois, em 2008 foi criado o Dia da Ação Global, uma data em que, em qualquer lugar do planeta, as entidades e pessoas identificadas com o espírito do FSM, reúnem-se para inicitivas locais afinadas com o sentido das mudanças e construções alinhadas. No FSM de Belém, a Comissão Organizadora criou o OpenFSM e surgiu ainda a iniciativa Belém Expandida. Belém Expandida é a possibilidade de que as entidades e organizações que não puderam deslocar-se a Belém credenciem eventos que estejam realizando como FSM à distância. Organizações diversas, dos movimentos culturais, étnicos, de gênero, de economia solidária, etc., agregam-se localmente, promovem atividades diversas - debates, mobilizações, articulações e informar o FSM via web.&lt;br /&gt;Recebi convites, via listas de discussão, de alguns eventos deste tipo, em mais de um lugar do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Dos eventos paralelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro FSM, ainda em Porto Alegre, a oportunidade do encontro propiciada pelo Fórum representou a chance para que diversos outros movimentos e discussões se agregassem nos mesmos dias na cidade do Fórum. Assim, paralelamente ao evento central, acontecem diversos outros Fóruns, como aquele da saúde, que noticiou a indicação do SUS como patrimônio da humanidade. Existe o Fórum Parlamentar Mundial, o Fórum das Autoridades Locais, o Fórum da Teologia da Libertação, o Fórum dos educadores, o Fórum do Software Livre, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. WSFTV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As alternativas tecnológicas da WEB e do Software Livre sempre foram aliadas e condição de viabilização organizacional, política e mobilizatória do Fórum Social Mundial. O WSFTV é mais uma fas ferramentas utilizadas para ecoar informações sobre a multiplicidade dos acontecimentos. Além de milhares de iniciativas individuais de pessoas e organizações participantes, viabiliza informações do ponto de vistas dos propulsores do Fórum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. FSM x Davos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o FSM nasceu quando se pensava que a história tivesse chegado ao fim e sob a ditadura do discurso neoliberal, bem como a rigidez de organizações como o FMI, OMC, a imposição da ALCA, etc, chegamos ao final da década com a exuberância da falência daquele modelo econômico, expressa na crise generalizada instalada nos EUA, Europa e Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, resistem o Brasil e implementam-se, não sem polêmica, mas por vias institucionais e instrumentos democráticos, as mudanças em toda a América Latina, que se exprime pelas figuras de Lula, Chavez, Morelos, Correa e Lugo, presentes ao Fórum, pela proposta do Banco do Sul, pelos plebiscitos venezuelanos e boliviano, pelas novas constituições da Venezuela, Bolívia e Equador, dentre outros gestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente bradando que o FSM teria vencido Davos, numa alegoria da vitória de Davi sobre Golias. A verdadeira vitória dos anseios expressos no FSM seria que não houvessem mais Golias, nem mais Davis. Que houvesse a solidariedade política e econômica, o respeito multicultural, a democratização do poder mundial, a superação da violência e da guerra, o cuidado com outro e com o meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique aqui para entrar na página do fórum.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Thu, 29 Jan 2009 21:40:50 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Fórum Social Mundial 2009</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1615646</link>
            <description>&amp;lt;object type=&amp;quot;application/x-shockwave-flash&amp;quot; data=&amp;quot;&lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2F193.41.7.81%2FFlowPlayerDark.swf%26quot&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://193.41.7.81/FlowPlayerDark.swf&amp;quot&lt;/a&gt; ;width=&amp;quot;320&amp;quot; height=&amp;quot;240&amp;quot; id=&amp;quot;FlowPlayer&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;allowScriptAccess&amp;quot; value=&amp;quot;sameDomain&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;movie&amp;quot; value=&amp;quot;FlowPlayerDark.swf&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;quality&amp;quot; value=&amp;quot;high&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;allowFullScreen&amp;quot; value=&amp;quot;true&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;scale&amp;quot; value=&amp;quot;noScale&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;wmode&amp;quot; value=&amp;quot;transparent&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;param name=&amp;quot;flashvars&amp;quot; value=&amp;quot;config={playList: [{url: 'wsf_splash.jpg', overlayId: 'play'},{url: 'Members/harrison/videos/O_filme_FSM_2009_1.flv', type: 'flv'}], autoRewind: true, initialScale: 'fit', loop: false, autoPlay: false, autoBuffering: false, controlBarBackgroundColor:-1, showVolumeSlider: true, controlsOverVideo: 'ease', controlBarGloss: 'low', menuItems: [ 1, 1, 1, 1, 1, 1, 0 ]}&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/object&amp;gt;</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Mon, 26 Jan 2009 01:55:40 UT</pubDate>
        </item>
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            <title>Células-Tronco sem Embriões</title>
            <link>http://pt.netlog.com/edmarrp/blog/blogid=1613507</link>
            <description>--Do site &lt;a href=&quot;http://pt.netlog.com/go/out/url=http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br--&quot;target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;www.estadao.com.br--&lt;/a&gt; dia 24.01.2009--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientistas da UFRJ e do Inca conseguiram reprogramar células adultas para que voltassem ao estado indiferenciado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herton Escobar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Conhecidas pela sigla iPS - induced pluripotent stem cells, em inglês -, elas são idênticas às cobiçadas células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de embriões para sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo) é induzida &amp;quot;artificialmente&amp;quot; em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A técnica, segundo o que os pesquisadores revelaram com exclusividade ao Estado, não reduz a importância do estudo das células embrionárias &amp;quot;autênticas&amp;quot;, mas diminui a necessidade de destruir embriões para a produção de novas linhagens pluripotentes. Além de facilitar imensamente a produção de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no número de células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar pelas complicações técnicas (e éticas) de fabricar ou clonar um embrião para pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas quatro outros países já possuem linhagens de células iPS registradas na literatura científica: Japão, Estados Unidos, China e Alemanha. Os pioneiros são os japoneses, da Universidade de Kyoto, que desenvolveram a técnica em células de camundongo, em agosto de 2006, e depois reproduziram o feito em células humanas, em novembro de 2007. Os resultados mudaram completamente o cenário mundial das pesquisas com células-tronco embrionárias, engessadas pelo debate ético em torno da destruição de embriões humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa brasileira produziu, simultaneamente, em menos de um ano, uma linhagem iPS de células humanas e outra de camundongo. Ambas serão disponibilizadas gratuitamente para a comunidade científica. O projeto foi realizado nos laboratórios do neurocientista Stevens Rehen, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do biomédico Martin Bonamino, da Divisão de Medicina Experimental do Instituto Nacional de Câncer (Inca), com apoio dos alunos de pós-graduação Bruna Paulsen e Leonardo Chicaybam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parceria começou em 2008, depois que Rehen deu uma palestra no Inca. Foi o casamento perfeito: &amp;quot;O Stevens sabia cultivar as células-tronco e a gente sabia produzir os vetores virais para infectar as células&amp;quot;, conta Bonamino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o elemento fundamental - e também o calcanhar de Aquiles - da técnica inventada pelos japoneses: para transformar as células adultas em células pluripotentes (iguais às embrionárias), é preciso introduzir quatro genes em seu DNA, chamados Oct-4, Sox-2, Klf-4 e c-Myc. A única maneira de fazer isso, por enquanto, é infectar as células com vírus atenuados, construídos em laboratório, que carregam os genes para dentro da células e os inserem no seu genoma nuclear. Esses genes funcionam como um software genético, que reformata a célula de volta ao seu estado &amp;quot;original de fábrica&amp;quot; (indiferenciado e pluripotente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vírus usados como vetores para transformar as células morrem logo depois de cumprir sua missão, sem se reproduzir. Mas o problema é que o local de inserção dos genes no genoma é puramente aleatório, o que pode interferir em funções vitais da célula. Se um dos genes entrar em um ponto que interfira com o sistema de controle da divisão celular, por exemplo, há o risco de a célula se tornar cancerígena. &amp;quot;O ideal, para o futuro, é encontrar uma maneira de fazer a reprogramação sem vírus&amp;quot;, explica Bonamino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, segundo Rehen, as células iPS são idênticas às células embrionárias, capazes de se transformar em qualquer tecido do organismo. Os cientistas esperam, no futuro, aproveitar essa versatilidade para produzir tecidos de reposição geneticamente customizados, que possam ser usados no tratamento de doenças, na recuperação de lesões ou como base para o teste de novos medicamentos in vitro. Como as células seriam provenientes do próprio paciente, não haveria risco de rejeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhos internacionais já mostraram que é possível transformar células de pacientes em células iPS e, posteriormente, transformar essas iPS em neurônios e outras células especializadas de interesse terapêutico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da pesquisa brasileira, as células humanas usadas na reprogramação eram células renais de uma linhagem tradicional de pesquisa - e não células de doadores vivos. &amp;quot;O primeiro passo era dominar a técnica e aprender a produzir as células&amp;quot;, afirma Rehen. O próximo passo - que ele espera dar em breve - é repetir a dose com células de pacientes com doenças específicas. &amp;quot;Estamos, finalmente, reduzindo o atraso (em relação ao resto do mundo)&amp;quot;, desabafa Rehen. A novidade carioca chega três meses depois de uma equipe da Universidade de São Paulo ter obtido a primeira linhagem brasileira de células-tronco de embriões humanos.</description>
            <author>edmarrp</author>
            <pubDate>Sat, 24 Jan 2009 13:02:01 UT</pubDate>
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