edmarrp
masculino - 43 anos, Brasilia, Brasil
Blog 123
Compartilhar emoções, pensamentos, utopias, esperanças...
Registrar o caminho, a trilha do viver.
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O SENTIDO DA VIDA
Não sei...
se a vida é curta ou longa demais pra nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira.
CORA CORALINA -
Sobre a Beleza
Beleza existe quando com seu encontro, rejubila-se nossa alma, de alegria e paz.
(Edmar, 28 de agosto de 2009) -
A História de uma Adoção
O brilhante jornalista Ricardo Kotscho mantém um blog, em que relata a história de um casal que, após vários anos, concretiza o sonho da adoção de duas crianças.
O texto é do "pai", um homem de fé, que participa do movimento de Fé e Política. Desde sempre acompanhou o Lula e, desde 2003, quando Lula assumiu a presidência, é seu secretário. Gilberto Carvalho é seu nome, que consegue lidar, movido por sua fé, com as grandes questões da política nacional, com as tensões e crises que envolvem o poder, mas que mantém o amor generoso e o sentimento profundo de que o que importa são as coisas da vida real, onde o status não impera: só a ternura!
Parabéns Gilberto Carvalho e Flor.
Com muita admiração!
Eis o Link para ler e emocionar-se:
http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/200... -
O Haver - Vinícius de Morais
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada. -
Fim da exigência do diploma para a contratação de jornali
Sou graduado em filosofia.
Quando me formei, quase não existiam opções de emprego para alguém formado em filosofia. No Estado de São Paulo, não existiam sequer aulas no ensino médio.
Recentemente, em um concurso, meu diploma de filosofia foi rejeitado, apesar de minha pós-graduação ser aceita. A rejeição implicou em que minha classificação na seleção ficou fora das vagas e, apesar de ter recorrido, não obtive sucesso. Curioso é que a função tinha perfil administrativo e leciono filosofia em um curso de administração, por exigência do Conselho Federal de Administração, que tornou a filosofia disciplina obrigatória na grade curricular.
Apesar de tudo isso, tenho orgulho de meu diploma. Eu lutei por ele, quatro anos. Dediquei-me para que ele me abrisse os horizontes e a capacidade de agir com lucidez, não para que ele me desse uma proteção contra o direito de outras pessoas pensarem também.
Sempre tive vontade de trabalhar no jornalismo. Não sei como será meu itinerário futuro, mas já não há mais o dique que muitas vezes me impediu sequer de procurar essa alternativa.
Não acho que os jornalistas foram prejudicados hoje. Acho que aqueles que dependem mais do dique do que de sua qualidade analítica, textual, estes perderam, mas vejo nisso um avanço. -
“As pessoas não precisam estar mais bem-vestidas. Precisa
Extraído da Revista Almanaque Brasil, da TAM
As pessoas não precisam estar mais bem vestidas, precisam ser melhores
JUM NAKAO
maio de 2009
EDI PEREIRA
Estranho ouvir isso de um estilista? Pois a moda, para Jum Nakao, nada mais é do que uma “ferramenta de descoberta”. Ele não aposta em tendências e padrões, mas em um novo formato de mercado: “A gente precisa reconectar as pessoas à essência humana”. Desde que deixou a passarela mais importante do País, em 2004, decidiu dedicar a carreira ao resgate de valores. Ministra cursos no sertão, desenvolve objetos sustentáveis com comunidades na Amazônia. O que mais dói, conta, é perceber todo o potencial de recursos e saberes do País que fica “confinado ao silêncio”.
Qual é o papel que a moda pode desempenhar na sociedade?
Eu vejo a moda como a relação do indivíduo com o lugar em que habita –
sua cidade, seu país, a sociedade. A moda não deveria ter a característica do isolamento, que faz as pessoas perderem o senso de coletividade, de cultura, de sociedade. Se pensar nos guetos, por exemplo, eles traduzem visualmente crenças e cultura. Enfim, a moda é a última camada após as suas convicções. A moda sedimenta tudo aquilo que você é.
Por que decidiu parar de desfilar na São Paulo Fashion Week, em 2004?
Para mim, o mais importante é transformar as pessoas. Eu não acho que as pessoas precisam estar mais bem-vestidas. Acho que as pessoas precisam ser melhores. Então, percebi que estava num sistema que tinha que ser repensado, com o qual eu não podia mais compactuar.
O que no seu trabalho destoava dos grandes eventos de moda?
Eu nunca acreditei nas tendências. Eu acredito muito mais na moda como uma ferramenta de descoberta, não como um mecanismo a ser trabalhado dentro de um senso comum. A moda tem esse pressuposto de que você precisa ser igual. Igual a modelos estabelecidos, dentro de uma tendência, uniformizado. Uma crença única que, pra mim, é uma forma muito emburrecedora de lidar com as potencialidades das pessoas. Meus desfiles eram quase que modulares – as pessoas podiam recompor. Romper, para mim, foi uma questão ética. Eu preciso que as pessoas mudem, por isso decidi dedicar minha carreira às pessoas.
Seu último desfile simbolizou este rompimento?
Foi uma apresentação fora do convencional. Eu queria mostrar que não importa do que a roupa é feita. E só usei papel no projeto, que chamamos de Costura do Invisível. Um papel pode conter ideias capazes de mudar o mundo. Pode conter a escrita e todo o seu significado, e ao mesmo tempo é algo em branco, um desafio. É algo barato, que só tem valor se você atribui valor a ele. Minha ideia era transformar o papel num monumento, num sonho. Gastamos quase uma tonelada de papel para fazer a cenografia e as roupas, e mais de 700 horas de trabalho. Num evento onde as pessoas vão para enxergar tendências, cores, de repente apresentamos um desfile em branco. Mas era uma fábula, um momento de encantamento. As roupas eram fantásticas e aquilo criou um silêncio. As pessoas foram transportadas para outro lugar, para dentro de um conto. As modelos usavam perucas tipo “playmobil”, um elemento lúdico que rompia com a barreira entre público e obra, porque havia um regaste de memória. Quando o público achou que o desfile tinha terminado, as modelos rasgaram tudo.
Qual foi a reação da plateia?
Foi um baque. A plateia se jogou pra pegar pedacinhos rasgados, como se fosse possível guardar pedaços de um sonho. Com isso, mostrou-se que o invisível tem muito mais valor que o visível. Apesar de trabalhar num momento de extrema velocidade, de transformações, de efemeridade, uma obra em branco, se pulverizada, tem permanência. A ideia era falar: “Tá tudo errado, as coisas precisam ser mudadas”. E, para que as coisas mudem, a gente precisa reconectar as pessoas à essência humana. Tirá-las do “estado zumbi”. O objetivo era criar uma suspensão de tempo. Por um instante que seja, tiramos o chão daquelas 1.200 pessoas que estavam assistindo ao desfile. Espero que elas tenham refletido sobre o que está acontecendo.
Você deixou de acreditar na concepção dos grandes desfiles?
Eu continuo acreditando na importância da moda, mas tenho que pensar em novos processos. Estou sempre com alunos, em oficinas e palestras, porque preciso formar pessoas. Não para o mercado. Preciso formar pessoas capazes de criar novos formatos de mercado. Se os processos não mudam, os hábitos continuam os mesmos.
Diante da crise mundial, a moda deve se transformar?
Acho até curioso que uma crise como a que a gente vive esteja acontecendo, fazendo as pessoas pensarem nos seus conceitos, na sua cultura de consumo. Do que a gente precisa? Acho que esse primeiro quarto de século vai ser todo dominado por uma discussão sobre sustentabilidade, sobre novas éticas. Chegou um ponto em que é necessário reformular valores. Não há como imaginar que do jeito que está podemos continuar.
É preciso repensar os parâmetros de consumo?
O que mostra como uma comunidade vive é o consumo. Eu acho um absurdo que para a sociedade continuar existindo as pessoas tenham que consumir carros, por exemplo. Para suprir a necessidade atual do planeta inteiro, dentro dos hábitos atuais de consumo, precisamos de dois planetas. Se isso não mudar, é impossível falar em futuro. Uma outra questão é a própria hierarquia de valores. O valor do material é muito maior do que o valor do conhecimento. O de uma celebridade, muito maior que o de um pensador. A sociedade perdeu seus parâmetros. E não adianta as pessoas só falarem em “ecologicamente correto”, em “consciência de sustentabilidade”. Elas precisam comprar a ideia. Consumir não é ruim, é um ato político. Se você vai comprar um produto, tem que avaliar se ele está sendo produzido num sistema com o qual você concorda ou não. Desde que entrei no projeto Floresta Móbile, o que mais acho importante é que os produtos vendam. Senão a comunidade que acreditou no projeto como alternativa de sobrevivência vai voltar a queimar.
Como funciona o Floresta Móbile?
É um projeto grande, desenvolvido no mundo todo. Eu trabalho com uma comunidade carvoeira na Amazônia. Produzimos móveis com resíduos de madeiras que seriam queimados. Na contramão da antiga Revolução Industrial, partimos para a “revolução humana”. Resgatamos o valor de como é feito, não do que é feito. Se um saber está sendo aplicado, a natureza ganha fôlego para o reflorestamento. Queimando, se acaba com algo como um Estado de São Paulo por dia. Colaborar, dar vida, animar – no sentido de dar alma a coisas inertes – exigem um tempo diferente do da destruição. Jogar uma bomba é rápido, reconstruir demora. A proposta é que essas comunidades se dediquem a construir, não a destruir. Se esses projetos não derem certo, elas vão voltar a destruir. Por isso é muito importante que a sociedade compre a ideia, e não somente no plano filosófico.
Você tem andado muito pelo Brasil. O que tem visto?
O País é muito rico de recursos e saberes. Se você for para qualquer lugar do País, vai encontrar um Brasil diferente. Mas você sabe que é a sua casa. E as pessoas te reconhecerão como brasileiro também. Isso você não vai sentir em nenhum outro lugar do mundo. Essa questão da hospitalidade – ainda que não seja restrita aos brasileiros – mostra como entre nós existe, sim, uma comunhão. Entretanto, há uma cultura muito viva, mas que está sendo sufocada. Não precisa ir longe. No interior de seu Estado você pode descobrir coisas de que nunca ouviu falar. A verdade é que a gente só olha para o que está sendo vendido. Há um potencial muito grande de saberes que fica confinado ao silêncio. Se não há demanda por estes saberes, as pessoas que os detêm simplesmente partem para outras atividades que possam garantir o sustento. Se a sociedade só quer carvão, estas pessoas vão fazer queimadas. Ou vão morrer de fome.
Existe brasilidade na moda? É um caminho?
O que eu percebo é que há um certo risco nesse tipo de tentativa. Não podemos ter um pensamento isolacionista, achar que, para sermos brasileiros, temos que fechar as fronteiras e procurar a raiz. A cultura é um elemento transversal, um amalgamento de camadas. Não um retrato estático. Eu enxergo o Brasil com essa cara múltipla.
Essa multiplicidade muitas vezes é ignorada, não?
Eu lamento muito a situação cultural que o Pais vive. Um país, pra mim, não se define pelas fronteiras geográficas ou pelo pib, mas pela cultura de seu povo. A nossa, até por uma falta de base educacional, deixa de ter materialidade. E, assim, acabamos apenas assimilando o que vem de fora. O que mais me dói é perceber todas estas potencialidades e, ao mesmo tempo, este silêncio. O que as pessoas acreditam que seja o Brasil, além de futebol, samba e feijoada? Temos que acreditar na cultura, nas pessoas que pensam. E em pesquisa tecnológica, em pesquisa estrutural, em produção mesmo.
Como você dizia, falta valorizar o saber…
Como professor, em outros lugares do mundo, me chamam de “mestre”. Aqui não existe a valorização de quem lapida a cultura, a base. Como as coisas vão mudar? Precisamos de gente que entre na “guerrilha do bem”: que queira educar, fazer eventos, projetos democráticos, que mude pelo menos algumas pessoas.
Para finalizar: o que é brasilidade pra você?
O que mais caracteriza a brasilidade para mim é essa cultura antropofágica. Pegar o mundo inteiro, amalgamar e devolver de uma forma singular, cheia de gambiarra, de ginga. Pegar o sushi, devolver o sushi de morango. Pegar o hi-tech e transformar no low-tech, mas com muita alma, muito suingue. Essa coisa cultural, de falar todas as línguas desse País. Não apenas as verbais, mas essas línguas de saberes que se somam e produzem todo um caldeirão, um caldo único. -
Plano Diretor Participativo: Convocação
Em 2001, depois de tramitar pelo Congresso durante aproximadamente 10 anos, o Estatuto das Cidades foi aprovado e sancionado, determinando um conjunto de novos instrumentos para a gestão urbana, dentre os quais a formulação periódica do Plano Diretor.
De acordo com a lei, todo município com população superior a 20 mil habitantes deve, a cada 5 anos, revisar e aprovar novo Plano Diretor.
O conceito subjacente é de que a cidade é uma realidade dinâmica cuja organização e planejamento devem ser recorrentes, de modo a acompanhar a evolução real, considerando ao mesmo tempo, as mudanças na composição e práticas da população, as inovações da tecnologia e, consequentemente das normas técnicas, bem como os impactos dos planejamentos passados, uma vez que sabe-se que o planejamento não é um processo neutro, isento de consequências econômicas, sociais e políticas.
Em 2003, com a criação do Ministério das Cidades, pelo recém-instalado governo Lula, sob a liderança do admirável Olívio Dutra, houve um extraordinário esforço de realização das Conferências de Cidades, que já naquele ano, por meio de um conjunto de medidas de estímulo à participação popular, foi capaz de promover a Conferência da Cidade em mais de 3.700 municípios (mais de 5 mil em 2004). Assim, sob o amparo do Estatuto das Cidades, sob o impulso das Conferências das Cidades, o Ministério das Cidades estimulou a implementação do Plano Diretor Participativo por todos os municípios do país. Chegou-se a iniciar um processo de identificação, pelo Ministério das Cidades, de consultores em urbanismo ou em processos participativos, para que as prefeituras pudessem contratar, se o desejassem, dado que a maioria das prefeituras não detinha quadros e cultura de planejamento em que fossem integradas a discussão técnica com os processos abertos do planejamento participativo.
Muitas cidades concluíram seus Planos Diretores em 2004 e outras em 2005, de modo que já neste ano há a necessidade de re-elaboração, mas no ano de 2010 este processo será ainda maior, reputo alcançar milhares de cidades pelo país.
Há uma tendência, contra qual todos teremos que lutar, de se postergar o processo ou apenas revalidar os Planos Diretores aprovados em 2004-2005. Nada pode ser mais arcaico conceitualmente, nem mais prejudicial ao princípio da apropriação social do espaço em que se vive, a cidade.
Creio que devamos todos, na medida do possível, estimular às mais diversas organizações que se dedicam aos assuntos em que as temáticas da urbis estão imbricadas para que pressionem as Câmaras Municipais e as Prefeituras a iniciarem os processos de discussão do Plano Diretor Participativo, para esta nova safra 2009-2010.
Às falas arquitetos, urbanistas, engenheiros, administradores públicos, gestores de políticas habitacionais, ecologistas, responsáveis pelo trânsito, pelos distritos industriais, etc...
Às falas líderes comunitários, movimentos de favelas, cooperativas habitacionais, etc...
Às falas, cidadãos brasileiros. Todas as cidades são nossas! -
L.I.V.R.O
Millôr Fernandes
UM REVOLUCIONÁRIO CONCEITO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO CHAMADO L.I.V.R.O.
Local de Informações Variadas Reutilizáveis e Ordenadas, L.I.V.R.O.,representa um avanço fantástico na tecnologia.
Não tem fios, circuitos elétricos nem pilhas. Não precisa ser conectado a nada nem ligado.
É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo.
Cada livro é formado por uma seqüência de páginas numeradas feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada que as mantém automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco, permite que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade.
Especialistas dividem-se quanto aos poderes de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.RO. com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os deixa mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que, quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deve ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedos permite o acesso instantâneo a outras páginas. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo.
Ele nunca apresenta 'ERRO GERAL DE PROTEÇÃO', nem precisa ser reinicializado embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo. O comando "browse" permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados. Um acessório opcional, o "marca-página", permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de páginas, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para o uso dos marcadores coincide com o número total de páginas.
Pode-se, ainda, personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve- se utilizar o periférico Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades, utilizando a plataforma L.I.V.R.O. -
Taxista
Sujeito chega de viagem, sobe num táxi.
No trajeto, vê uma mulher entrando numa Boate.
Reconhecendo a mulher, pede ao taxista pra dar ré, tira do bolso um pacote do bolso e diz:
- Aqui tem dois mil reais. São seus se trouxer pra fora aquela mulher de vermelho que acabou de entrar.
Mas já vai cobrindo de porrada, que a desgraçada é minha esposa.
O taxista, que andava na draga, topa logo e entra correndo na boate.
Depois de 5 minutos, sai arrastando uma mulher pelos cabelos, toda desgrenhada, de cara roxa, tudo na maior gritaria.
O passageiro olhando a cena, percebe que a mulher está vestida de verde. Berra pro taxista, desesperado.
- Para! Para! É a mulher errada! Você confundiu vermelho com verde ? Por acaso é daltônico?
E o taxista, fuzilando:
- Daltônico, o cacete ! Esta é a minha... Peraí que já volto lá pra pegar a sua ! -
Ajuda-me a dizer a verdade!
Meu Deus...
Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a não mentir para obter o aplauso dos débeis.
Se me dás dinheiro, não tomes a minha felicidade, e se me dás forças, não tires o meu raciocínio.
Se me dás êxito, não me tires a humildade; se me dás humildade, não tires a minha dignidade.
Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e nao me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque não partilham meu critério.
Ensina-me a amar os outros como amo a mim mesmo e a julgar-me como o faço com os outros.
Não me deixes embriagar com o êxito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso.
Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito.
Ensina-me que a tolerância é o mais alto grau da força e que desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade.
Se me despojas do dinheiro, deixe-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixe-me a força de vontade para poder vencer o fracasso.
Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé. Se causo dano a alguém, da-me a força da desculpa, e se alguém me causa dano, da-me a força do perdão e da clemência.
Meu Deus...
se me esquecer de Ti...
Tu não Te esqueças de mim!
(Gandhi)