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Confiança feminino - 60 anos, Lisbon, Portugal
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Fuga
Em que pensas se te isolas
quando te queres encontrar?
Que labirinto sobrevoa teu pensamento
quando a alma quer tocar?
Diz-me tu,
quantos passos em falso acabas por não dar
se te afastas,
quanto perdão fica por pedir
pela confusão semeada em teu redor
num só gesto sem pensar,
no encontro desse olhar
cor de mel, que sei de cor
e no jeito de sorrir.
Que lugar mágico te conforta
quando te recusas a ceder,
quando o impulso quebra sem doer
e por fim só a razão importa?
Branco cume de montanha
ao meio dia,
verde encosta com forte cheiro a malvasia
ou crista de onda transparente
em fim de tarde sem igual?
Diz-me tu, aonde vais quando te queres ouvir?
j.m. -
Remoinho
Sem ti sou como folha de outono
que lentamente se solta
da árvore que a susteve
verde e fresca por tantos meses a fio
e que tocada pelo vento, em remoinho,
irá cair já sem força
numa qualquer pedra
que encontrar pelo caminho.
Assim sou eu quando não estás
frágil, fraca e sem rumo,
sem norte e sem destino,
de olhar parado no nada
e as mãos vazias de tudo.
Sem sonhos por bagagem
não visto alma nem corpo
e nesta nudez profunda
estou confusa e nada sei
para lá do que me apetece
sem esforço, agora e aqui
Chorar o que não tive,
chorar o que perdi.
j.m. -
NATUREZA
Sente-se no ar
a agitação das aves,
a fúria do vento,
a cabeleira das árvores que resistem
como soldados em campo de batalha.
Chama-nos o rodopio da areia
em dança frenética,
a espuma das ondas
babando contra a praia
Assusta-nos o tenebroso cinzento do céu
a prometer
e logo a chuva a cair
torrencial, em catadupa
E as pessoas correm ao som do vento,
caminham contra a chuva,
equilibrando guarda-chuvas coloridos,
inteiros, sem varetas, partidos ou rasgados
como mastros de caravela
em dia de tempestade.
Tão frágil o ser humano ao sabor do temporal,
quando já todos pensavam que era primavera
quis a natureza mostrar outra realidade.
A natureza tem destas coisas...
não é por mal.
j.m. -
Meu nome é lua
Chamo-me assim por ser eu,
irmã do sol, prima do vento,
vivo no mar por paixão
e levo o céu no pensamento.
Já quase tudo foi dito
das noites de negro e prata
neste mar calmo que habito,
luas que dançam à tona
na proa de uma fragata,
Cama de rede em que embalo
o meu sonho mais perfeito.
Conto estrelas uma - a - uma,
pérolas de uma saudade
que aperto bem junto ao peito
São inspiração, magia
as luas que bailam no mar,
no escuro abrem caminho,
deixam entrever teu rosto
e fazem-me querer sonhar.
j.m.
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