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Blog / Marujada de Bragança do Pará

Sexta, 30 Novembro 2007 às 05:14

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Marujada Bragantina

Tradição de mais de dois séculos,a Marujada bragantina destaca-se no cenário cultural brasileiro como um dos mais expressivos do Estado do Pará. A Marujada é fruto da colonização portuguesa, que legou a adoração aos santos e que se reflete nas festividades religiosas ao longo de todo o ano. O folclore acontece como parte integrante da Festa de São Benedito, uma das mais antigas do Estado. Aliás, muitos são os festejos de Bragança, mas a sua mais tradicional manifestação religiosa é, sem duvida alguma, a de São Benedito.

A Marujada de Bragança, é uma manifestação religiosa e ao mesmo tempo profana, que mistura dança, canções e louvor ao padroeiro dos negros. O ponto alto da festa é em dezembro, mas os festejos acontecem durante o ano todo. Em junho é realizada o que eles chama de “esmolação”, que tem como propósito levantar fundos para a festa. Na esmolação, três imagens de São Benedito percorrem diferentes áreas da região. São Benedito das Águas segue em romaria fluvial; São Benedito das Colônias ganha as comunidades e São Benedito dos Campos percorre as áreas rurais de Bragança. Uma comissão de devotos vai de casa em casa e é recebida com ladainhas e rezas, além de doces e comidas. O ritual da esmolação só termina no primeiro domingo antes do início da grande festa. É quando as três imagens retornam à cidade e são recebidas com muita alegria e fogos pelos moradores.

As principais personagens da Marujada de Bragança são as mulheres. Vestidas de capitoa e subcapitoa, elas comandam a festa. Divididas em duas filas, elas saem dançando e cantando por toda a cidade no auge da festividade: dezembro. Com blusa ou mandrião branco, saia vermelha ou azul, colares, fitas coloridas e chapéus, as “marujas” dançam em passos ligeiros e curtos ao ritmo do retumbão, tocado pelos homens, os “marujos”, que as seguem, nos últimos lugares das filas, tocando tambores, pandeiros, cuíca, rabeca, viola, cavaquinho e violino. Apesar do papel secundário na festa, os marujos também têm seu capitão, que é escolhido, do mesmo modo que as marujas, em eleição pelos juízes da festa.

Segundo a professora Luíndia Azevedo, do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Amazonas, doutorada pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, a Marujada é uma festa que, através do sincretismo, ganhou significação e unidade com a reapropriação de símbolos emblemáticos de uma celebração ibero-africano. O folclore é uma manifestação tipicamente da microrregião do Salgado, município de Bragança, nordeste do Pará, que teve origem em 1789, quando os senhores de escravos permitiram que eles criassem a irmandade de São Benedito e construíssem uma igreja em homenagem ao santo. Em agradecimento, os negros foram à casa de seus senhores dançarem a Marujada.

A professora enfatiza que não há número limitado de marujas, ninguém fala ou canta no evento, além de não haver dramatização de qualquer feito marítimo. Sua principal característica é a dança ao ritmo “retumbão”. Retumbão é o lundum para alguns – é o lundum puro que saiu da senzala para o salão aristocrático. Cadenciado por um grande tambor, o ritmo é lento, grave e, discretamente, sensual na Marujada.

As mulheres usam blusa branca, pregueada e rendada, saia rodada vermelha ou branca com ramagens de diversas cores. A tiracolo usam uma fita azul ou vermelha. Na cabeça, um chapéu emplumado e cheio de fitas de várias cores. O acessório é a parte mais vistosa da indumentária, normalmente fabricado de carnaúba, de palhinha ou mesmo de papelão. Ele também é furado internamente e externamente para segurar cordões, prender papéis de cores, casquilho dourado ou prateado, tendo ao alto, plumas e penas de aves de diversas cores formando um largo penacho. No pescoço, colares de contas ou cordões de ouro e medalhas.

Os homens usam calça e camisa branca ou de cor, chapéu de palha revestido de panos e com uma flor em uma das abas.

A Marujada é conhecida em todo o Brasil e possui várias denominações como “Chegança de Marujos”, “Barca”, “Fandago”, etc... Fora de Bragança, trata-se de um auto dramatizado da tragédia marítima da Nau Catarineta, em que predomina o canto sobre as danças. Mas a Marujada bragantina em nada se assemelha ao auto marítimo que existe em todo o pais. Ela é uma manifestação folclórica tipicamente local e se constitui uma organização profana que faz parte da Irmandade de São Benedito.

A dança preferida para representar a Marujada, na época de São Benedito, é o retumbão, mas a dança de roda, mazurca, xote, valsa, chorado e a contra-dança também fazem parte da coreografia do folclore.

Fonte: Revista Amazon View

Para assistir ao vídeo acesse: http://br.youtube.com/watch?v=LAfDUADt920

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