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Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal


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Mensagens de blog com a tag 'família':


  • FELIZ ANO NOVO

    Amigas e amigos, em 2009

    Quero
    que horizontes se abram,
    se dissipem as mágoas,
    se transponham barreiras...
    e se apaguem as fráguas
    da dor e do medo
    que às vezes nos travam
    e pregam rasteiras
    com arte e enredo.
    Quero,
    neste ano que vem,
    seja tudo melhor...
    e o vento d'esperança,
    soprando do além,
    nos dê confiança,
    nos livre da dor...
    nos motive e nos dê
    a força e a fé
    para querer e poder
    fazer tudo melhor!

    BOM ANO PARA TODOS!
    Abgalvão[

  • Há…

    Há mentes que pensam,
    sem nunca entender,
    que o brilho que emanam
    e ao espelho seduz…
    é brilho sem chama
    que a nada conduz...
    e olhos que vêem
    sem nunca sentir
    a dor do olhar
    que não sabe mentir.

    Há ouvidos que ouvem,
    mas sem perceber,
    palavras que louvem
    o amor e a paz…
    e bocas que falam,
    que gritam e clamam,
    mas logo se calam
    sem nada dizer.

    Há dedos que apontam,
    sem nada indicar,
    mãos que recebem
    sem nada doar,
    braços que apertam,
    que laçam e envolvem,
    mas logo se apartam
    sem aconchegar…
    E pernas que correm,
    às voltas e voltas,
    que dão voltas e voltam
    sem nunca ajudar.
    ´
    Há corações isentos,
    vazios, frios, cinzentos…
    que pulsam e pulsam,
    bombeiam, bombeiam,
    em louca batida…
    como, apenas e só,
    máquinas complexas
    em corpos anexas
    sustento de vida!

    Abgalvão (In olhares!)

  • Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!

    Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!

    Um poema tão lindo como aqueles que os poetas com toda a sua nobreza, perspicácia e sensibilidade artística, normalmente fazem nesta quadra festiva.
    Um poema que tivesse o condão de reacender a luz da esperança no coração daqueles a quem o infortúnio apagou; que pudesse minimizar a dor que mina as entranhas daqueles que sofrem de doença grave e prolongada; que pudesse restituir os bens perdidos àqueles que, sendo os menos culpados, são os mais atingidos pelas cada vez mais frequentes catástrofes.

    Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!

    Um poema que tivesse a força de responsabilizar e castigar aqueles que pela cegueira da ganância destroem o planeta e que, por outro lado, lhe conseguisse restituir o esplendor de outrora. Um poema sem frases feitas, vazias e banais, onde a palavra Feliz Natal tivesse a ousadia de entrar e se instalar em qualquer casa de qualquer canto do Mundo e as crianças não vissem o pai natal como mero entregador de brinquedos mas sim, (muito embora ilusória), como figura paternal detentora do sorriso e da felicidade.

    Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!

    Um poema onde a rima fosse pão e a métrica o remédio para quem precisa; onde cada verso fosse semente e cada estrofe terra lavrada e fértil.

    Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!

    Um poema sem palavras de mágoa e ressentimento, sem pontos de interrogação, reticências, acusações… e livre de preconceitos e de expressão!

    Eu quis fazer um poema, alusivo ao Natal, livre e perfeito! Mas não fui capaz!

    Por não ser génio faltou-me o jeito e a arte; por não ser Deus faltou-me a confiança, a Santidade e a Omnipresença. E por ser homem faltou-me tudo… em especial a sensibilidade e a perfeição!

    Abgalvão

  • VELHICE!

    No olhar de muitos dos nossos velhos, (digo velhos com carinho), a solidão para além de visível é, poderei dizer, palpável. O silêncio das casas, a indisponibilidade dos filhos e demais parentes, as pensões ou reformas miseráveis, etc., contribuem muito para isso e para muito mais.
    Para aqueles que ainda se vão podendo locomover, é nos momentos passados num banco de jardim ou à porta de suas casas que vão tendo algum conforto e partículas de prazer.

    Velhice

    Sustentavam a velhice de mãos dadas,
    Ele e ela na ternura dos noventa,
    E nas rugas, em seus rostos bem vincadas,
    Versos vivos que o poeta não inventa

    Trocando olhares saltitantes de candura,
    Ela bordando alvas rendas de lençol,
    Falam de beijos dum amor q’inda perdura
    Sob cambiantes dum versátil arrebol

    A tarde morre na dureza da calçada,
    A noite estende, com frieza, sua mão,
    Sobem a custo os degraus da velha escada,
    Abrem a porta que os conduz à solidão

    Aos filhos… falta o tempo que não querem ter
    Porque à carreira e aos “valores” se subjugaram.
    Aos netos q’ridos passam meses sem os ver
    E as saudades abrem f’ridas que não saram

    A grande mesa já só dá lugar ao pranto,
    A luz do quarto já não dá a luz d’outrora,
    E a cama fria já não tem aquele encanto,
    Que já teve, ao ranger, não tem agora!

    Os sonhos foram no caudal da enxurrada,
    A dor chegou, a cavalo, nos Outonos,
    A esp’rança cai com o impacto da porrada
    E a fé s’entrega ao mais longo dos seus sonos.

    Abgalvão (In alma vadia)

  • Paixão

    Paixão

    Dedos dedilham veias e nervos,
    Fundem-se bocas em frenesim,
    Sentidos ficam escravos e servos,
    Esquenta-se o sangue dentro de mim.

    Com mãos bailarinas, sábias, vividas,
    Moldo-te o corpo com arte e engenho…
    Tiro de ti paixões ressequidas
    Como quem faz um quadro, um desenho.

    Trituram-me a pele teus dentes e unhas,
    Sobem e descem gemidos dengosos…
    Soltam-se medos, “tabus vergonhosos”…
    Desejos se prendem com trancas e cunhas.

    Morrem vergonhas, medos, complexos,
    Pernas e coxas se enroscam, gulosas,
    E explodem visões paradisíacas.
    Colam-se peitos, línguas, os sexos,
    E gotas de orvalho brotam de nós
    Com cheiro a essências afrodisíacas.

    Abgalvão
    DA

  • Esta carta que te escrevo

    Carta de amor

    Esta carta que te escrevo,
    meu amor,
    fala do frio das noites
    e das saudades de ti.
    Fala do que te não disse
    e por isso é que me atrevo
    dizer-te, agora, aqui!

    Fala deste amor que tenho,
    fogo que arde e se vê…
    E por esse amor mantenho
    toda a fé, toda a esperança,
    essa bem-aventurança
    de me casar com você.

    As aves, em formação,
    recortando o céu azul,
    preparam a migração,
    rumam de Norte p’ra Sul.

    As andorinhas partiram,
    o verão já se acabou,
    e as saudades assumiram
    o Outono que chegou.

    Meu coração anda louco
    pulsando mais que devia,
    ainda agora, mesmo á pouco,
    quase do peito saía.

    Mimosas e perfumadas,
    as flores,
    perfumam com seu aroma
    as mãos daqueles que as cortam
    mesmo depois de cortadas.
    O amor que por ti sinto
    é como essência de absinto
    que me excita, que me toma,
    e meus sonhos embeleza
    ás cores!

    O teu amor
    é o canto da sereia
    que me encanta e alucina...
    É sol quente que calcina,
    é montanha, mar, areia.

    És a ilha que procuro
    e por isso, amor, te juro,
    que teu corpo, teu abraço,
    tua boca, teu regaço,
    é tudo quanto reclamo
    quando, à noite, por ti chamo.

    Esta carta que te escrevo
    com carinho, com enlevo,
    serve apenas para dizer
    que te amo, podes crer!

    Abgalvão
    D.A.

  • DELIRIOS

    Delírios

    Deita-te aqui, amor,
    E espera...
    Ou desespera
    Na revolta contra o tempo,
    (no contratempo),
    Deste mundo impróprio
    Para consumo
    Sem rumo.

    Mede, palmo a palmo, a distância
    E faz...
    Faz amor, desinibido, pela calada
    Da alvorada!
    Mastiga a dor, rumina, regurgita
    E grita!

    Grita contra o facto consumado,
    Ou adiado…
    Mas delira, amor,
    Com a força de dar e receber
    Prazer.

    Deita-te aqui, amor, e entrega,
    Ou segrega…
    Entrega teu corpo ao meu, enfim,
    Sem fim…
    Beija minha boca com magia,
    (magia louca),
    E louca por orgia.

    Enlacemos nossos corpos,
    Sem decoro nem complexo...
    E soltemos desejos descarados,
    Os teus e meus!

    Afoguemos as vontades nesses rios
    Que nos brotam das entranhas,
    Num abraço, num amplexo…
    Soltemos delirantes arrepios...
    Cantemos aleluia, como um coro,
    Tu Euterpe… eu Orfeu!

    Sim amor!
    Deita-te aqui sem cerimónias
    E entrega teu corpo
    Sem medos nem parcimónias.
    Esquece preconceitos sociais
    E os tabus.
    Somos jovens, somos livres,
    Estamos nus!

    Acorda, amor, com humor e alegria
    Já é dia!... Mais um dia!
    A vida é o deslumbre, o prazer
    E o momento
    De sentir, doar e querer
    Com sentimento!

    A vida é um flash
    Que relampeja!
    É som e medo
    Quando troveja!
    É como chuva
    Que tanto cai,
    Como se vai!
    Como o sol que brilha,
    Resplandecente...
    Ou esmorece e morre
    De repente.

    A vida é cheiro, gosto
    E cor!
    É um parto que acontece
    Dia a dia...
    É paixão, prazer
    E amor,
    Festejados com sorrisos
    De alegria.

    A vida é a música de corpos
    Balançando
    E amando!
    É o descarado murmúrio de beijos
    Trocados,
    Ou roubados!
    A vida é dor, tristeza,
    E loucura também
    Se, acordado ou sonhando,
    Eu, tu, ou alguém,
    Por amar se julga louco.

    Abgalvão
    D.A.

  • MENSAGEM DE NATAL (Acróstico)

    Façamos que este Natal seja o melhor de sempre
    Elevando a moral e os costumes…
    Lutando contra a injustiça e a discriminação…
    Investindo na amizade e compreensão…
    Zelando pela concórdia nas famílias…

    Não deixando que o egoísmo nos domine…
    Abraçando sem complexos o nosso próximo…
    Tolerando sem reservas nem recusas…
    Aceitando qualquer mão que nos estendam…
    Libertando a paz que está cativa…

    Protegendo quem é fraco e oprimido…
    Amando quem nos ama e quem precisa…
    Rezando com a fé que não mostramos…
    Acalmando a dor e choro de quem sofre…

    Trocando mimos e lembranças sem reservas…
    Ouvindo quem nos quer e aprecia…
    Doando amor sem cinismo ou hipocrisia e,
    Orgulhosamente,
    Sentindo, no peito, o coração vibrar… gritar…

    Vitória!
    Ódio Não! Amor Sim!
    Sem barreiras nem fronteiras!

    FELIZ NATAL PARA TODOS!

    Abgalvão
    D.A.

  • Doce paixão

    Doce paixão

    A ânsia espreitava a noite tardia…
    O fumo azulado fugia ao cigarro…
    A luz de néon apagava, acendia,
    E a esperança saía da porta dum carro.

    Badalavam, ao longe, os sinos da Sé…
    A chuva caindo molhava a aventura…
    E o nervoso subindo as escadas, a pé,
    Mostrava, nas pernas, sinais de tremura.

    Cortinas dançavam embaladas p’lo vento…
    A cama aguardava, expectante, o prazer…
    E uma porta, entreaberta, esperava o momento
    Que o amor entrasse, sem nela bater.

    Amor e desejo no quarto se fecham
    Com velas acesas flamejando emoção…
    Dois corpos febris e desnudos se entregam
    À doce loucura que se chama paixão.

    Abgalvão
    D.A.

  • Tu foste

    Amigas e amigos aqui vos deixo este poema como sendo um pouco de mim!

    Tu foste

    Tu foste aquela por quem um dia
    me apaixonei
    e, por criancice, tantas loucuras
    pratiquei.

    Tu foste o poço das amarguras,
    que cavei.
    Lago de dor, mágoa e tristeza,
    que alaguei.

    Tu foste o sonho que tanto quis
    mas não sonhei…
    a estrela linda que eu perseguia
    mas não toquei.

    Foste a razão da inspiração
    que não achei,
    a obra de arte que um dia fiz
    mas não gravei.

    Tu foste a jóia, o diadema,
    que não comprei,
    a pauta e letra dessa canção
    que não cantei.

    Tu foste verso, quadra, poema
    que rabisquei,
    história de amor que publicar
    eu não cheguei.

    Tu foste rio e corrente
    onde afoguei
    toda a ansiedade e o desejo
    que não matei.

    Foste montanha, pico, vertente,
    que não escalei…
    essa medalha, taça ou troféu
    que não ganhei.

    Tu foste a lua cheia, no céu,
    que tanto olhei,
    o ás que tinha, no meu baralho,
    mas não joguei.

    Tu foste a noite louca de amor
    que não passei,
    a boca, querida, que por pudor
    eu não beijei.

    Tu foste a chama e o borralho
    onde queimei
    toda a ilusão dessa paixão
    que aticei.

    Foste, meu bem, toda essa vida
    que desprezei
    e hoje sinto doer a ferida
    que não curei.

    Quiseste no meu mundo entrar
    mas não deixei,
    e choro, agora, porque vejo
    o quanto errei.

    Tu foste tudo, tu foste nada,
    mas eu bem sei,
    que te esquecer não posso…
    amor eu sei!

    Abgalvão
    D.A.

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