abgalvao888
Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal
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Blog / Estradas da má vida
Quarta, 28 Outubro 2009 às 04:56
A minha vida profissional obriga-me a constantes deslocações por algumas zonas do País, e tenho reparado que a prostituição na beira de estradas tem aumentado assustadoramente.
São cada vez mais jovens a recorrer a este tipo de vida, resultado, ao que penso, do desemprego, falta de meios de subsistência e descontrole na emigração.
Este meu trabalho não pretende, de forma alguma, acusar, humilhar ou rebaixar estas mulheres, antes pelo contrário, considero-as, também, vítimas da situação a que o País chegou.
Estradas de má vida
Por estradas onde passo, bem ligeiro,
Entre moitas e pinhais que se destacam;
Vê-se jovens se matando por dinheiro
E frustrados cidadãos que vícios matam
Seminua se passeia a humilhação
Pela fímbria do extenso matagal…
E o sexo sem prazer nem emoção
Se disfarça numa cena teatral
Vê-se as marcas da desgraça bem vincadas
Nos despojos desses corpos que se “impigem”…
Nos seus olhos o sombrio das porradas
Que os “ossos do ofício” lhes infligem
A miséria e a doença marcam pontos
Nesse jogo onde a vida é a roleta;
E o tempo, que é juiz, faz os descontos
Tira tempo, ao tempo resto, d’ampulheta
E reparo serem jovens raparigas
As que hoje se mais vêem nessa lida…
Flores sem viço que se escondem entre ortigas
Definhando pelas bermas da má vida
Não sou falso moralista nem rebaixo
A mulher que, por preciso, o corpo venda…
Mas condeno o chulo reles, vil e baixo
Que da pobre prostituta tira renda
As imagens que vos deixo, assim compostas
Sem controlo, como praga proliferam…
E na falta de projectos, as respostas
São as mesmas que outros, antes, já nos deram
São prostitutas, eu sei, muitos dirão
Que se lá estão é por vício ou por prazer;
Creio, porém, não seja essa a mor razão
Outra será, bem mais grave…é meu parecer!
Me constrange ver ao quanto a fome obriga
O que faz o desemprego ao ser humano…
E também, aqui confesso, o que me intriga
É um campo social tão desumano
Dos governos… as incúrias sucessivas
Legislando sem critérios nem matriz…
Deram azo a constantes e expressivas
Discrepâncias sociais neste país
Abgalvão
Comentários 4 Organizar os comentários:
papoila amiga Confiança (Quarta, 28 Outubro 2009 às 13:04)
Nunca é demais denunciar o estado a que o país chegou.
De degradação em degradação, tudo é permitido, o laxismo tomou conta de quem governa, e nada de bom se augura.
E muitos deles também entram nessa pirâmide de prostituição, camuflados..., mas entram.
Uma juventude sem futuro, nem esperança, não era suposto ser assim...
Mia
(¯`·._.· Surpresa ·._.·´¯) (Quarta, 28 Outubro 2009 às 05:48)
Flores sem viço que se escondem entre ortigas
Definhando pelas bermas da má vida.....
Gosto dos teus desabafos em forma de poemas .... são sempre muito comoventes... lindos.... e verdadeiros....
Beijinho
Lisa Confiança (Quarta, 28 Outubro 2009 às 05:26)
Emocionou-me este teu poema. Parabén meu Amigo pelo poema lindíssimo retratando um mal social crescente e pela denúncia.
"São prostitutas, eu sei, muitos dirão
Que se lá estão é por vício ou por prazer;
Creio, porém, não seja essa a mor razão
Outra será, bem mais grave…é meu parecer! "
Serão algumas por prazer, vício, comodidade, talvez, mas essas não são com certeza a maioria nem estas à berma da estrada...
Um abraço Albertino
Joaquim Sustelo Confiança (Quarta, 28 Outubro 2009 às 05:11)
Bravo!!!! E excelência na denúncia!
Um forte abraço
Sustelo
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