abgalvao888
Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal
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Blog 67
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Há
Há…
Há mentes que pensam,
sem nunca entender,
que o brilho que emanam
e ao espelho seduz…
é brilho sem chama
que a nada conduz...
e olhos que vêem
sem nunca sentir
a dor do olhar
que não sabe mentir.
Há ouvidos que ouvem,
mas sem perceber,
palavras que louvem
o amor e a paz…
e bocas que falam,
que gritam e clamam,
mas logo se calam
sem nada dizer.
Há dedos que apontam,
sem nada indicar,
mãos que recebem
sem nada doar,
braços que apertam,
que laçam e envolvem,
mas logo se apartam
sem aconchegar…
E pernas que correm,
às voltas e voltas,
que dão voltas e voltam
sem nunca ajudar.
´
Há corações isentos,
vazios, frios, cinzentos…
que pulsam e pulsam,
bombeiam, bombeiam,
em louca batida…
como, apenas e só,
máquinas complexas
em corpos anexas
sustento de vida!
Abgalvão (In olhares!) -
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
Um poema tão lindo como aqueles que os poetas com toda a sua nobreza, perspicácia e sensibilidade artística, normalmente fazem nesta quadra festiva.
Um poema que tivesse o condão de reacender a luz da esperança no coração daqueles a quem o infortúnio apagou; que pudesse minimizar a dor que mina as entranhas daqueles que sofrem de doença grave e prolongada; que pudesse restituir os bens perdidos àqueles que, sendo os menos culpados, são os mais atingidos pelas cada vez mais frequentes catástrofes.
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
Um poema que tivesse a força de responsabilizar e castigar aqueles que pela cegueira da ganância destroem o planeta e que, por outro lado, lhe conseguisse restituir o esplendor de outrora. Um poema sem frases feitas, vazias e banais, onde a palavra Feliz Natal tivesse a ousadia de entrar e se instalar em qualquer casa de qualquer canto do Mundo e as crianças não vissem o pai natal como mero entregador de brinquedos mas sim, (muito embora ilusória), como figura paternal detentora do sorriso e da felicidade.
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
Um poema onde a rima fosse pão e a métrica o remédio para quem precisa; onde cada verso fosse semente e cada estrofe terra lavrada e fértil.
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
Um poema sem palavras de mágoa e ressentimento, sem pontos de interrogação, reticências, acusações… e livre de preconceitos e de expressão!
Eu quis fazer um poema, alusivo ao Natal, livre e perfeito! Mas não fui capaz!
Por não ser génio faltou-me o jeito e a arte; por não ser Deus faltou-me a confiança, a Santidade e a Omnipresença. E por ser homem faltou-me tudo… em especial a sensibilidade e a perfeição!
Abgalvão -
Meu livro
Amigas e amigos, o meu livro “palavras aladas” já está disponível. Se quiserem adquirir algum exemplar, agradeço que, através do meu mail, indiquem, o endereço para onde querem que o envie.
Não pretendo obter lucros com os meus livros mas apenas reaver o investimento feito e divulgar a minha poesia. O preço de cada livro é de 8,50€ com despesas de envio já incluídas.
Não envio à cobrança para não agravar o preço. Enviarei, junto com o livro, o meu NIB para que, comodamente e quando puderem, transferirem o respectivo valor.
Obrigado!
Abgalvão
mail: aboaventurag@sapo.pt
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VELHICE!
No olhar de muitos dos nossos velhos, (digo velhos com carinho), a solidão para além de visível é, poderei dizer, palpável. O silêncio das casas, a indisponibilidade dos filhos e demais parentes, as pensões ou reformas miseráveis, etc., contribuem muito para isso e para muito mais.
Para aqueles que ainda se vão podendo locomover, é nos momentos passados num banco de jardim ou à porta de suas casas que vão tendo algum conforto e partículas de prazer.
Velhice
Sustentavam a velhice de mãos dadas,
Ele e ela na ternura dos noventa,
E nas rugas, em seus rostos bem vincadas,
Versos vivos que o poeta não inventa
Trocando olhares saltitantes de candura,
Ela bordando alvas rendas de lençol,
Falam de beijos dum amor q’inda perdura
Sob cambiantes dum versátil arrebol
A tarde morre na dureza da calçada,
A noite estende, com frieza, sua mão,
Sobem a custo os degraus da velha escada,
Abrem a porta que os conduz à solidão
Aos filhos… falta o tempo que não querem ter
Porque à carreira e aos “valores” se subjugaram.
Aos netos q’ridos passam meses sem os ver
E as saudades abrem f’ridas que não saram
A grande mesa já só dá lugar ao pranto,
A luz do quarto já não dá a luz d’outrora,
E a cama fria já não tem aquele encanto,
Que já teve, ao ranger, não tem agora!
Os sonhos foram no caudal da enxurrada,
A dor chegou, a cavalo, nos Outonos,
A esp’rança cai com o impacto da porrada
E a fé s’entrega ao mais longo dos seus sonos.
Abgalvão (In alma vadia) -
Meus sonhos são…
Os meus sonhos são parcelas
Da vida que queria ter…
Pinturas e aguarelas
Difíceis de descrever!
Sonho vontades diversas,
Sonho prazeres de amante,
E até com cenas perversas
Porque o sonho é inconstante
Sonho meus sonhos criança,
No tempo fossilizados,
Guerreiro de espada e lança
Defendendo escravizados
Sonho ser chuva, ser vento,
Mar azul de ondas brandas,
Mas nos poemas qu’invento
Movo, aos algozes, demandas
Sonho paixões, devaneios,
Noites de amor, fantasias,
Cofres bem grandes e cheios
E até mesmo aleivosias
Os meus sonhos são humanos
Têm corpo, alma e voz…
São compactos e diáfanos
Vorazes como albatroz
Os meus sonhos são searas,
Frutos frescos e agridoces,
Flores de cheiro e formas raras
Em colos de chãos bem doces
Meu sonho é riso e lamento,
Esperança e prazer de viver…
Meu sonho é tese, argumento,
Que ao teu se quer aliar…
Meu sonho é sonho, mulher,
Que em teu sonho quer morar!
Abgalvão (In fantasias poéticas) -
Sorrisos molhados
Sorrisos molhados
Palavras trocadas na mesa dum bar…
Sorrisos molhados por sumo ou café…
Carícias abertas, libidos no ar…
Mãos tacteando do cume ao sopé…
Bocas se unindo sufocando o beijo…
Coxas lascivas em pleno contacto…
Dedos molhados cheirando a desejo
E um quarto esperando o sexo… de facto!
A porta que cede à chave teimosa…
A entrada na cena quase de rompão…
Protestos da cama rangendo dengosa
E a colcha vermelha aberta à paixão.
A noite que chega… enlaces de olhar…
Dois corpos entregues ao som do prazer…
E a lua que espalha a luz do luar
Aplaude o orgasmo pós acontecer.
Abgalvão (In fantasias)
-
Noite na praia
Descemos a falésia sobranceira
E na praia reacendemos a paixão.
Caminhamos, longamente, mão na mão,
Com o amor no limiar da fronteira.
A lua dançava, (requebrados de africana),
Lançava feitiços, profecias de cigana.
Alguns tritões tiravam sonhos de batuques,
E as sereias das marimbas e adufes.
Nossos corpos não enjeitam o frenesim
E entram na dança agitando o ritual…
Beijo-te a boca, os teus lábios de carmim,
Deito, na areia, tua força estrutural.
O cantar do galo acordou a realidade
Despertando nossos corpos distraídos.
Desnudamos sentimentos reprimidos
E encobrimos a nudez com a verdade.
Suave e fresca, a madrugada lambeu
Teu rosto. Carinhosa… a brisa do mar
Enfeitou com algas o teu cabelo
Que uma duna se atreveu a namorar.
Displicente… Surge a neblina com seu véu…
A noite, conivente, já lá vai e eu,
Semideus… uma a uma, com desvelo,
Beijo estrelas que descubro no teu céu.
Abgalvão (D.A.) -
Êxtase
Êxtase
Na calada do sono,
Que a noite acoberta,
Engravidas o sonho
E o medo penetra.
Penetra bem fundo,
No fundo da alma,
Desperta o suor
Qual sémen fecundo.
Vislumbras a dor
Que escondes na cama
E teu corpo grita
Abana e agita,
Atira-se à chama.
Contraem-se os dedos,
Beliscam os lençóis...
Expulsas segredos
Em mil e um sóis.
Acalma-se a noite
E o sonho vira miragem.
São teus os desejos
E minha a voragem.
Acordas cansada,
Dorida e molhada,
Sem medos nem traumas,
Nem falso pudor…
Desnudas teu corpo
De amante e mulher,
Espantas os medos,
Aqueces desejos,
Dás vida ao amor.
Abgalvão (DA) -
Amantes
Amantes
Andam promessas no ar
De beijos que não são dela,
Andam bocas por beijar
Mas a sua é a mais bela.
Andam desejos perdidos
Nos ventos da tentação,
Andam prazeres, atrevidos,
No calor duma paixão.
Andam loucos dois amores,
Dois corações em tortura,
Ambos provaram os sabores
Da vergonha e da censura.
Ambos são frutos da vida,
Do tempo que não mudou,
São a maçã proibida
Que o destino madurou.
Ele e ela são amantes,
Duas almas que se fundem,
Trocam beijos delirantes
Quando seus lábios se unem.
Ela é a jóia perfeita
Que ele, um dia, recebeu.
Ela não é Julieta…
Nem ele se chama Romeu.
Abgalvão (D.A.) -
Tenho
Tenho nas mãos o desejo
Das tuas mãos afagar,
O tempo passa e um beijo
Ando louco p’ra te dar.
Tenho nos dedos a esp’rança
D’em teu colo os passear,
E nas voltas duma dança
Em meus braços t’embalar.
Tenho nos olhos o fogo
Que aos teus se quer atear
Brincando contigo o jogo
Que se chama namorar.
Tenho em meu corpo o capricho
Que no teu quer caprichar…
Fazer pinturas no nicho
Que há muito quero ocupar.
Tenho vontades latentes
De mim se q’rendo soltar…
Prazeres de ti carentes
Que em ti se querem matar.
Abgalvão