abgalvao888
Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal
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Aprendamos com as crianças!
Um pequeno texto baseado num facto real, (que me tirou do sério), passado há 3 ou 4 anos num parque público. Resolvi misturar um pouco de fantasia poética para amenizar.
Aprendamos com as crianças!
A Primavera chegara, finalmente, envolta no seu manto fino e colorido. Aromas de flores e sabores misturavam-se no ar invadindo-nos as narinas.
As blusas finas, t-shirts e lenços garridos ocupavam agora os corpos, (até os dos mais conservadores), destronando os casacos e cachecóis que os haviam abrigado do Inverno rigoroso.
Era Domingo e o sol, o astro rei, mostrava todo o seu esplendor lá do alto do seu império celestial.
Um gracioso par acabadinho de pronunciar o sim que os ligara ao matrimónio e mais os seus convivas, aproveitavam o dia e os recantos mais aprazíveis do parque para as tradicionais fotos que antecedem o não menos tradicional copo de água.
Aconchegados num banco, com um belo canteiro de hortenses floridas como cenário de fundo, um parzinho adolescente trocava, romanticamente, beijos apaixonados.
Crianças disputavam os dois baloiços existentes e o velho escorrega cuja rampa maltratada se tornara no inimigo número um dos fundilhos dos calções e dos rabiosques dos pequenos aventureiros.
Ninguém falava de crise, política, futebol …bem… futebol…um ou outro! Viam-se rostos felizes e até os pombos que quase se deixavam atropelar pelos carrinhos que, com a devida prioridade, as mamãs empurravam, passeando, orgulhosamente, os seus lindos e rosadinhos bebés, até os pombos, dizia, pareciam felizes.
Na esplanada do café “jardim”, situado estrategicamente numa das extremidades do parque, o consumismo era patente. Marisco, bebidas e demais iguarias enfeitavam mesas e consolavam gente que tinha ou aparentava posses.
Havia risos, conversas banais, intrigas, arrotos mal disfarçados, olhares maliciosos, toques indiscretos de pernas atrevidas, beijos com sabores comprados, ostentação sem sentido e muita pobreza de espírito.
Mas tal como as rosas que apesar de lindas e cheirosas têm espinhos, também ali naquele local havia espinhos. Não como os espinhos que a natureza deu à rosa, (esses só picam quem as maltrata), mas espinhos que crescem na gente e que discriminam, maltratam e ferem!
Boca escancarada, os olhitos luzindo como pirilampos no breu da noite, uma criança olhava extasiada o gelado de morango que outra criança na companhia dos pais, (e só por isso muito mais afortunada), lambia deliciada na esplanada do já citado café “jardim”.
Era, pelo seu aspecto, indubitavelmente, uma criança carente. Carente de afecto familiar e de nutrição minimamente cuidada.
Com gestos repetidos e sincronizados com os da outra criança, ela própria lambia e degustava, deleitada, o seu imaginário gelado, indiferente aos olhares reprovadores e aos estúpidos comentários de uns tais cidadãos que aparentavam aspecto limpo escondendo moral suja.
A certa altura, a criança que, consoladoramente, degustava o gelado, reparou no olhar pedinchão do menino que ali se mantinha especado, olhou para o seu querido gelado duas vezes… levantou-se… e com a inocência própria e abençoada das crianças, ofertou o resto do gelado ao pobre menino.
Como prémio recebeu um belo e rasgado sorriso da agradecida criança e, como infeliz contraponto, um estúpido e contundente raspanete do pai, que não satisfeito, agride o infeliz petiz com insultos racistas e discriminatórios, com tal violência, que a criança, assustada, foge desabrida, deixando cair o tão ambicionado gelado.
Nota: A primavera é linda, o mundo é lindo, nascemos lindos…afinal porque nos tornamos tão feios?!
Moral da história:
Sigamos os bons exemplos das crianças bem formadas e não os maus exemplos dos adultos mal formados.
Abgalvão -
Um homem, um gato e dois cães
Um homem, um gato e dois cães
(Esta história, em forma de poema, retrata a vida real de muitos dos sem abrigo que vemos por aí)
Surgiram de forma abrupta
e do nada,
desafiando a névoa fria
e cerrada.
Ele qual dom quixote
sem história
nem lança.
Eles…
um gato e dois cães…
a guarda avançada
sem farda nem pré!
Os braços do homem
pareciam ramos
carcomidos p’lo tempo.
Os olhos espelhos baços
sem reflexo.
O traje…
lembrava mato devastado
por forças estranhas.
A palidez do rosto,
por baixo do gorro corroído,
destacava-se na noite
como fantasma inocente...
não imaginário
mas bem real!
Às tantas…
gesticulou como autómato…
apontou adiante
como general sem estrelas
e avançou!
Avançou e atacou,
a mando da fome,
os sacos de lixo
perfilados ao longo da calçada
como exército
estático
e sem guaritas.
Com risadas roufenhas
e naifadas precisas
esventra-os sem dó!
Revolve-lhes as entranhas
como experiente
médico legista
e… enfim… a conquista!
Dá graças a Deus…
beija o crucifixo
que entre o magro pescoço
e o peito mirrado
balança pendente
dum negro cordel.
A boca sem dentes…
no negro da noite
sorri à vitória.
Seu séquito…
o gato e os cães,
(mais mortos que vivos),
vigiam, esquivos,
os nocturnos passantes
de olhares vazios
cruéis e cortantes!
-----------------------
Depois…
entre as colunas e arcos
do velho e indiferente
viaduto…
os quatro…
(um homem, um gato e dois cães),
descansam os corpos
amorfos…
roendo os restos
dos restos que amealharam…
restos que mais não eram
do que restos dos restos
dos indigestos pitéus
com que outros se fartaram!
Abgalvão (In olhares) -
Dia de S.Valentim
Hoje é dia dos namorados, portanto, minha amiga, namore e seja feliz!
Uma rosa para si com beijinho meu!
-
E o vento nos disse...
E o vento nos disse
O vento beijando escarpas,
Gemendo de excitação,
Lembrava sonoras harpas
Nas mãos de belas sereias
Num acto de sedução
Ondas cantando, baixinho,
Cantigas por Deus compostas,
Faziam bailar a lua
Bailados que eram propostas
Nenhuma minha nem tua
A areia branca da praia,
Longo lençol estendido,
Brincava com tua saia
Enquanto o mar sussurrava
Segredos ao teu ouvido
Luziam no alto estrelas
Por entre as nuvens, no céu,
Como luzes indirectas
Lembrando chama de velas
Brilhando por trás dum véu
Gotas de orvalho, mimosas,
De transparência cristal,
Brincavam livres, vaidosas,
Nos biquinhos dos teus seios
Num bailado divinal
Um vaga-lume indiscreto,
Dolentemente vagando,
Deixou-nos presenteados,
Dois corações cintilando
O teu e meu, enlaçados!
O mar parecia sereno
E serenos eu e tu…
Beijei-te o corpo moreno
E meu corpo desejoso
Cobriu o teu corpo nu
O nosso amor foi crescendo
Como a maré que subia…
O meu desejo te querendo,
O teu o meu desejando
Enquanto o tempo fugia
E nossos corpos se entregam
Febre em ti, fogo em mim,
Partilha, suor , tesão…
Beijos de amor, frenesim,
Lábios mordidos… paixão!
Nossos quadris enlouquecem
Em estertores desmedidos,
As nossas bocas se oferecem,
Estremecem os sentidos
É a loucura… o delírio!
Soam pandeiros, sininhos,
Órgãos, trompetes, ferrinhos,
Violinos e trombetas…
Reco-reco, pandeiretas
Oboés e berimbaus.
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Extasiados…
Deixamos o prazer cavalgar as dunas,
A areia penetrar os nossos poros,
As nossas línguas se tornarem unas,
Nossos sexos se entregarem, loucamente,
E o orgasmo “matar-nos”… finalmente!
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Amanheceu!
Cantam cigarras nas moitas,
E em bandos, as gaivotas,
Rodopiam curiosas
Planando por sobre o mar.
Arrefeceu!
A aurora vem-nos beijar…
E antes que alguém nos visse
O vento fresco nos disse
Que eram horas de abalar.
Abgalvão (In fantasias, amor e poesia) -
Nessa praia
O prometido é devido!
Inspirado nesta imagem que me enviou a amiga Lisa “sonhadora”, e que me trouxe à memória as belas praias de Angola, minha terra.
Nessa praia
Nessa praia onde banhei
Os meus sonhos de menino,
Muitas pegadas deixei
Nas areias do destino
Andei despido, ao luar,
Fui de corais o senhor…
Joguei garrafas ao mar
Contendo cartas de amor
Cavei tesouros à mão
Em muitas missões nocturnas,
Desabrochou-me a paixão
Entre palmeiras e dunas
Pesquei das águas paixões
Troquei mui beijos salgados
Enfeiticei corações
Com meus poemas rimados
Soprei ao vento promessas
Que se perdiam na bruma
Ou em suaves lamentos
Se desfaziam na espuma
Doem-me os olhos, agora,
Morde-me o tempo, a idade,
Porque foi meu barco embora
Nas ondas da mocidade.
Abgalvão -
Neste mar
Inspirado nesta imagem que me foi, gentilmente, enviada pela amiga Howlit
Neste mar
Neste mar de calmas águas
Onde meu barco se atraca
Não há tristezas e mágoas
Nem destroços de ressaca
Não há frio nem queixume
Nem maré vaza de beijos,
Não há ondas de ciúme
Na rota dos meus desejos
Há sussurrar de segredos
Que a lua segreda ao mar…
Há ventos levando os medos
De por ti me apaixonar
Cruzei, só, noites sem estrelas
Amando, à proa, o sereno…
Tive por mantas as velas
Sonhei teu corpo moreno
Sereias ouvi cantar
Nas manhãs da ilusão,
Desnudas e a acenar
Em poses de sedução
Mas é por ti que navego
Este mar de amor profundo…
Paixões de acaso renego
Tu és meu leme, meu mundo!
E no fascínio da noite
Com lua cheia desnuda
Os coqueirais seduzindo…
Aporto ao cais da saudade
Dessa ilha que sonhei…
E nas dunas d’ansiedade
Febril e louco te amei!
Abgalvão -
Mensagem
A minha actividade profissional obriga-me a algumas ausências, não muito longas mas frequentes.
Estou de regresso para agradecer às amigas e amigos as mensagens que me enviaram e desejar-lhes um belo e feliz fim de semana.
A todos a minha estima e consideração.
Abgalvão -
A UM CIDADÃO ALGURES POR AÍ...
Imagem tirada da NET)
A um cidadão algures por aí…
Lavaram-te os olhos as chuvas d’0utono…
gretaram-te as faces os frios Invernos…
incineraram-te os sonhos e o sono
nos fornos da vida a que chamam infernos
Pisaste caminhos de gelo e de lama …
dormiste nas palhas de secos estios…
serviste de teta, ùber, ou mama
a parasitas reles feios e frios.
Tiveste fartura d’azedos arrotos,
de gases raivosos inchando as entranhas…
as unhas torcidas em sapatos rotos
e a dor como amante montando artimanhas
Nas mãos tens as marcas das lutas travadas…
o corpo rasgado por lâminas d’aço…
na mente as esporas d’angústia cravadas
ferindo e roubando-te a força do braço
Deixaram-te a fome, roubaram-te ideias…
moeram-te os nervos nas mós do cinismo…
prenderam-te a língua em sombrias cadeias
erguidas sem nexo em chãos d’egoísmo
Eu sei que tens nome, tens chão e País…
cartão que te dá, p’ra escolher, liberdade…
mas o tempo matou-te a força motriz
e a doença minou-te sem piedade
Perdeste a batalha mas não a revolta…
depuseste as armas mas não t’entregaste…
e ao grito da escrita e da palavra solta
legião d’amigos eu sei que ganhaste!
Abgalvão (In olhares…) -
Posso...
Posso…
afogar os meus medos
em praias de marés vivas…
deixar na areia impressas
as pistas do meu desgosto…
largar à lua meus beijos
entre palavras esquivas…
gritar às noites promessas
sem mascarar o meu rosto
Posso…
despir-me e vestir-me
em quartos de ocasião…
gozar prazeres e rir-me
às portas da solidão…
amar em colchões de palha
mulheres que nem conheço…
deitar-me em camas, ao calha,
sem contestar o seu preço
Posso…
acorrentar-me ao sucesso
mamar nos seios da fama…
ser rico e ter livre acesso
a damas de boa cama…
contar segredos à chuva
sem ter à mão um chapéu…
sentir o quente da luva
e andar de braços ao léu
Posso…
jogar meus sonhos num jogo
entre paixões coloridas…
queimar raízes no fogo
por nas as ter protegidas…
tirar à sorte e não ter
a sorte que procurava…
jogar de novo e perder
o pouco que me restava
Posso…
andar à toa na vida
dançar a dança do cio…
perder do senso a medida
hipotecar o meu brio
Posso…sim… posso!
Posso tudo!
Correr, gritar, fugir
ou voar qual colibri…
mas, amor, somente quero
não mais fingir e sentir
que o vento que tanto espero
me leve de volta a ti!
Abgalvão (In fantasia, amor e poesia) -
FELIZ ANO NOVO
Amigas e amigos, em 2009
Quero
que horizontes se abram,
se dissipem as mágoas,
se transponham barreiras...
e se apaguem as fráguas
da dor e do medo
que às vezes nos travam
e pregam rasteiras
com arte e enredo.
Quero,
neste ano que vem,
seja tudo melhor...
e o vento d'esperança,
soprando do além,
nos dê confiança,
nos livre da dor...
nos motive e nos dê
a força e a fé
para querer e poder
fazer tudo melhor!
BOM ANO PARA TODOS!
Abgalvão[