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Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal


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  • Aprendamos com as crianças!



    Um pequeno texto baseado num facto real, (que me tirou do sério), passado há 3 ou 4 anos num parque público. Resolvi misturar um pouco de fantasia poética para amenizar.

    Aprendamos com as crianças!

    A Primavera chegara, finalmente, envolta no seu manto fino e colorido. Aromas de flores e sabores misturavam-se no ar invadindo-nos as narinas.
    As blusas finas, t-shirts e lenços garridos ocupavam agora os corpos, (até os dos mais conservadores), destronando os casacos e cachecóis que os haviam abrigado do Inverno rigoroso.
    Era Domingo e o sol, o astro rei, mostrava todo o seu esplendor lá do alto do seu império celestial.
    Um gracioso par acabadinho de pronunciar o sim que os ligara ao matrimónio e mais os seus convivas, aproveitavam o dia e os recantos mais aprazíveis do parque para as tradicionais fotos que antecedem o não menos tradicional copo de água.
    Aconchegados num banco, com um belo canteiro de hortenses floridas como cenário de fundo, um parzinho adolescente trocava, romanticamente, beijos apaixonados.
    Crianças disputavam os dois baloiços existentes e o velho escorrega cuja rampa maltratada se tornara no inimigo número um dos fundilhos dos calções e dos rabiosques dos pequenos aventureiros.
    Ninguém falava de crise, política, futebol …bem… futebol…um ou outro! Viam-se rostos felizes e até os pombos que quase se deixavam atropelar pelos carrinhos que, com a devida prioridade, as mamãs empurravam, passeando, orgulhosamente, os seus lindos e rosadinhos bebés, até os pombos, dizia, pareciam felizes.
    Na esplanada do café “jardim”, situado estrategicamente numa das extremidades do parque, o consumismo era patente. Marisco, bebidas e demais iguarias enfeitavam mesas e consolavam gente que tinha ou aparentava posses.
    Havia risos, conversas banais, intrigas, arrotos mal disfarçados, olhares maliciosos, toques indiscretos de pernas atrevidas, beijos com sabores comprados, ostentação sem sentido e muita pobreza de espírito.
    Mas tal como as rosas que apesar de lindas e cheirosas têm espinhos, também ali naquele local havia espinhos. Não como os espinhos que a natureza deu à rosa, (esses só picam quem as maltrata), mas espinhos que crescem na gente e que discriminam, maltratam e ferem!
    Boca escancarada, os olhitos luzindo como pirilampos no breu da noite, uma criança olhava extasiada o gelado de morango que outra criança na companhia dos pais, (e só por isso muito mais afortunada), lambia deliciada na esplanada do já citado café “jardim”.
    Era, pelo seu aspecto, indubitavelmente, uma criança carente. Carente de afecto familiar e de nutrição minimamente cuidada.
    Com gestos repetidos e sincronizados com os da outra criança, ela própria lambia e degustava, deleitada, o seu imaginário gelado, indiferente aos olhares reprovadores e aos estúpidos comentários de uns tais cidadãos que aparentavam aspecto limpo escondendo moral suja.
    A certa altura, a criança que, consoladoramente, degustava o gelado, reparou no olhar pedinchão do menino que ali se mantinha especado, olhou para o seu querido gelado duas vezes… levantou-se… e com a inocência própria e abençoada das crianças, ofertou o resto do gelado ao pobre menino.
    Como prémio recebeu um belo e rasgado sorriso da agradecida criança e, como infeliz contraponto, um estúpido e contundente raspanete do pai, que não satisfeito, agride o infeliz petiz com insultos racistas e discriminatórios, com tal violência, que a criança, assustada, foge desabrida, deixando cair o tão ambicionado gelado.

    Nota: A primavera é linda, o mundo é lindo, nascemos lindos…afinal porque nos tornamos tão feios?!

    Moral da história:
    Sigamos os bons exemplos das crianças bem formadas e não os maus exemplos dos adultos mal formados.

    Abgalvão

  • Um homem, um gato e dois cães

    Um homem, um gato e dois cães

    (Esta história, em forma de poema, retrata a vida real de muitos dos sem abrigo que vemos por aí)

    Surgiram de forma abrupta
    e do nada,
    desafiando a névoa fria
    e cerrada.
    Ele qual dom quixote
    sem história
    nem lança.
    Eles…
    um gato e dois cães…
    a guarda avançada
    sem farda nem pré!
    Os braços do homem
    pareciam ramos
    carcomidos p’lo tempo.
    Os olhos espelhos baços
    sem reflexo.
    O traje…
    lembrava mato devastado
    por forças estranhas.
    A palidez do rosto,
    por baixo do gorro corroído,
    destacava-se na noite
    como fantasma inocente...
    não imaginário
    mas bem real!
    Às tantas…
    gesticulou como autómato…
    apontou adiante
    como general sem estrelas
    e avançou!
    Avançou e atacou,
    a mando da fome,
    os sacos de lixo
    perfilados ao longo da calçada
    como exército
    estático
    e sem guaritas.
    Com risadas roufenhas
    e naifadas precisas
    esventra-os sem dó!
    Revolve-lhes as entranhas
    como experiente
    médico legista
    e… enfim… a conquista!
    Dá graças a Deus…
    beija o crucifixo
    que entre o magro pescoço
    e o peito mirrado
    balança pendente
    dum negro cordel.
    A boca sem dentes…
    no negro da noite
    sorri à vitória.
    Seu séquito…
    o gato e os cães,
    (mais mortos que vivos),
    vigiam, esquivos,
    os nocturnos passantes
    de olhares vazios
    cruéis e cortantes!
    -----------------------
    Depois…
    entre as colunas e arcos
    do velho e indiferente
    viaduto…
    os quatro…
    (um homem, um gato e dois cães),
    descansam os corpos
    amorfos…
    roendo os restos
    dos restos que amealharam…
    restos que mais não eram
    do que restos dos restos
    dos indigestos pitéus
    com que outros se fartaram!

    Abgalvão (In olhares)

  • Dia de S.Valentim

    Hoje é dia dos namorados, portanto, minha amiga, namore e seja feliz!

    Uma rosa para si com beijinho meu!

  • E o vento nos disse...



    E o vento nos disse

    O vento beijando escarpas,
    Gemendo de excitação,
    Lembrava sonoras harpas
    Nas mãos de belas sereias
    Num acto de sedução

    Ondas cantando, baixinho,
    Cantigas por Deus compostas,
    Faziam bailar a lua
    Bailados que eram propostas
    Nenhuma minha nem tua

    A areia branca da praia,
    Longo lençol estendido,
    Brincava com tua saia
    Enquanto o mar sussurrava
    Segredos ao teu ouvido

    Luziam no alto estrelas
    Por entre as nuvens, no céu,
    Como luzes indirectas
    Lembrando chama de velas
    Brilhando por trás dum véu

    Gotas de orvalho, mimosas,
    De transparência cristal,
    Brincavam livres, vaidosas,
    Nos biquinhos dos teus seios
    Num bailado divinal

    Um vaga-lume indiscreto,
    Dolentemente vagando,
    Deixou-nos presenteados,
    Dois corações cintilando
    O teu e meu, enlaçados!

    O mar parecia sereno
    E serenos eu e tu…
    Beijei-te o corpo moreno
    E meu corpo desejoso
    Cobriu o teu corpo nu

    O nosso amor foi crescendo
    Como a maré que subia…
    O meu desejo te querendo,
    O teu o meu desejando
    Enquanto o tempo fugia

    E nossos corpos se entregam
    Febre em ti, fogo em mim,
    Partilha, suor , tesão…
    Beijos de amor, frenesim,
    Lábios mordidos… paixão!

    Nossos quadris enlouquecem
    Em estertores desmedidos,
    As nossas bocas se oferecem,
    Estremecem os sentidos
    É a loucura… o delírio!

    Soam pandeiros, sininhos,
    Órgãos, trompetes, ferrinhos,
    Violinos e trombetas…
    Reco-reco, pandeiretas
    Oboés e berimbaus.

    ---------------------------------------------------
    Extasiados…
    Deixamos o prazer cavalgar as dunas,
    A areia penetrar os nossos poros,
    As nossas línguas se tornarem unas,
    Nossos sexos se entregarem, loucamente,
    E o orgasmo “matar-nos”… finalmente!

    --------------------------------------------------- ---

    Amanheceu!
    Cantam cigarras nas moitas,
    E em bandos, as gaivotas,
    Rodopiam curiosas
    Planando por sobre o mar.

    Arrefeceu!
    A aurora vem-nos beijar…
    E antes que alguém nos visse
    O vento fresco nos disse
    Que eram horas de abalar.

    Abgalvão (In fantasias, amor e poesia)

  • Nessa praia

    O prometido é devido!

    Inspirado nesta imagem que me enviou a amiga Lisa “sonhadora”, e que me trouxe à memória as belas praias de Angola, minha terra.



    Nessa praia

    Nessa praia onde banhei
    Os meus sonhos de menino,
    Muitas pegadas deixei
    Nas areias do destino

    Andei despido, ao luar,
    Fui de corais o senhor…
    Joguei garrafas ao mar
    Contendo cartas de amor

    Cavei tesouros à mão
    Em muitas missões nocturnas,
    Desabrochou-me a paixão
    Entre palmeiras e dunas

    Pesquei das águas paixões
    Troquei mui beijos salgados
    Enfeiticei corações
    Com meus poemas rimados

    Soprei ao vento promessas
    Que se perdiam na bruma
    Ou em suaves lamentos
    Se desfaziam na espuma

    Doem-me os olhos, agora,
    Morde-me o tempo, a idade,
    Porque foi meu barco embora
    Nas ondas da mocidade.

    Abgalvão

  • Neste mar

    Inspirado nesta imagem que me foi, gentilmente, enviada pela amiga Howlit



    Neste mar

    Neste mar de calmas águas
    Onde meu barco se atraca
    Não há tristezas e mágoas
    Nem destroços de ressaca

    Não há frio nem queixume
    Nem maré vaza de beijos,
    Não há ondas de ciúme
    Na rota dos meus desejos

    Há sussurrar de segredos
    Que a lua segreda ao mar…
    Há ventos levando os medos
    De por ti me apaixonar

    Cruzei, só, noites sem estrelas
    Amando, à proa, o sereno…
    Tive por mantas as velas
    Sonhei teu corpo moreno

    Sereias ouvi cantar
    Nas manhãs da ilusão,
    Desnudas e a acenar
    Em poses de sedução

    Mas é por ti que navego
    Este mar de amor profundo…
    Paixões de acaso renego
    Tu és meu leme, meu mundo!

    E no fascínio da noite
    Com lua cheia desnuda
    Os coqueirais seduzindo…

    Aporto ao cais da saudade
    Dessa ilha que sonhei…
    E nas dunas d’ansiedade
    Febril e louco te amei!

    Abgalvão

  • Mensagem

    A minha actividade profissional obriga-me a algumas ausências, não muito longas mas frequentes.
    Estou de regresso para agradecer às amigas e amigos as mensagens que me enviaram e desejar-lhes um belo e feliz fim de semana.
    A todos a minha estima e consideração.
    Abgalvão

  • A UM CIDADÃO ALGURES POR AÍ...



    Imagem tirada da NET)

    A um cidadão algures por aí…

    Lavaram-te os olhos as chuvas d’0utono…
    gretaram-te as faces os frios Invernos…
    incineraram-te os sonhos e o sono
    nos fornos da vida a que chamam infernos

    Pisaste caminhos de gelo e de lama …
    dormiste nas palhas de secos estios…
    serviste de teta, ùber, ou mama
    a parasitas reles feios e frios.

    Tiveste fartura d’azedos arrotos,
    de gases raivosos inchando as entranhas…
    as unhas torcidas em sapatos rotos
    e a dor como amante montando artimanhas

    Nas mãos tens as marcas das lutas travadas…
    o corpo rasgado por lâminas d’aço…
    na mente as esporas d’angústia cravadas
    ferindo e roubando-te a força do braço

    Deixaram-te a fome, roubaram-te ideias…
    moeram-te os nervos nas mós do cinismo…
    prenderam-te a língua em sombrias cadeias
    erguidas sem nexo em chãos d’egoísmo

    Eu sei que tens nome, tens chão e País…
    cartão que te dá, p’ra escolher, liberdade…
    mas o tempo matou-te a força motriz
    e a doença minou-te sem piedade

    Perdeste a batalha mas não a revolta…
    depuseste as armas mas não t’entregaste…
    e ao grito da escrita e da palavra solta
    legião d’amigos eu sei que ganhaste!

    Abgalvão (In olhares…)

  • Posso...

    Posso…
    afogar os meus medos
    em praias de marés vivas…
    deixar na areia impressas
    as pistas do meu desgosto…
    largar à lua meus beijos
    entre palavras esquivas…
    gritar às noites promessas
    sem mascarar o meu rosto
    Posso…
    despir-me e vestir-me
    em quartos de ocasião…
    gozar prazeres e rir-me
    às portas da solidão…
    amar em colchões de palha
    mulheres que nem conheço…
    deitar-me em camas, ao calha,
    sem contestar o seu preço
    Posso…
    acorrentar-me ao sucesso
    mamar nos seios da fama…
    ser rico e ter livre acesso
    a damas de boa cama…
    contar segredos à chuva
    sem ter à mão um chapéu…
    sentir o quente da luva
    e andar de braços ao léu
    Posso…
    jogar meus sonhos num jogo
    entre paixões coloridas…
    queimar raízes no fogo
    por nas as ter protegidas…
    tirar à sorte e não ter
    a sorte que procurava…
    jogar de novo e perder
    o pouco que me restava
    Posso…
    andar à toa na vida
    dançar a dança do cio…
    perder do senso a medida
    hipotecar o meu brio
    Posso…sim… posso!
    Posso tudo!
    Correr, gritar, fugir
    ou voar qual colibri…
    mas, amor, somente quero
    não mais fingir e sentir
    que o vento que tanto espero
    me leve de volta a ti!

    Abgalvão (In fantasia, amor e poesia)

  • FELIZ ANO NOVO

    Amigas e amigos, em 2009

    Quero
    que horizontes se abram,
    se dissipem as mágoas,
    se transponham barreiras...
    e se apaguem as fráguas
    da dor e do medo
    que às vezes nos travam
    e pregam rasteiras
    com arte e enredo.
    Quero,
    neste ano que vem,
    seja tudo melhor...
    e o vento d'esperança,
    soprando do além,
    nos dê confiança,
    nos livre da dor...
    nos motive e nos dê
    a força e a fé
    para querer e poder
    fazer tudo melhor!

    BOM ANO PARA TODOS!
    Abgalvão[

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