abgalvao888
Confiança masculino - 62 anos, Fernão Ferro, Portugal
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Blog 68
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A carta rasgada
A tarde morria enforcada nos fios
Da teia d’arame que o homem teceu…
Guiavam-me os passos pensamentos frios
P’la estreita calçada que ao tempo cedeu
Rodando às bolandas, submissos ao vento,
Fragmentos impressos, por mãos que não sei,
Tolheram-me os passos e num gesto lento
Apanhei alguns e a lê-los me dei
Palavras escritas, desgostos d’alguém
Amores desfeitos, arrufo ou traição…
Destroços de vida aqui e além
Na carta rasgada espalhada no chão
Sentia-se amor na letra tremida
Expressa a angústia de quem a escreveu …
P´la forma rasgada… a mão ressentida
De quem a rasgou e quiçá nem a leu.
Abgalvão -
Mensagem de amigo
Não mates os sonhos que te invadem a mente
Nunca negues o colo a quem o merece
Não rejeites amor cala o ódio e consente
O abraço e o beijo que a vida te oferece.
Abgalvão -
Rectificação
Caros amigos,
O poema que partilhei com vocês - A SAUDADE VIRÁ tem uma pequena gralha no terceiro verso da primeira quadra que me passou ao lado mas graças a uma amiga e com os meus pedidos de desculpa aqui fica a devida rectificação:
Em vez de:
Os acordes do vento FAZEREM sentir passa a FIZEREM sentir
A saudade virá
A saudade virá quando a noite cair
a chuva tocar a canção mais ouvida
e os acordes do vento fizerem sentir
a falta de ti em meus braços, querida!
Beberei minhas mágoas nos braços do frio
sentirei nos abraços o amasso da dor
e a solidão zurzir chibatadas de cio
no meu corpo nu e carente de amor
Estendido na cama vazia de ti
mas vestida do cheiro que teima manter
olharei teu retrato que ainda sorri
e lágrimas eu sei que jamais vou conter
Sem o verde da esp’rança e o viço perdido
como folha caída secando no chão,
cairei por aí derrubado e vencido
pelas feridas abertas no meu coração.
Abgalvão (In alma vadia)
Obrigado -
A saudade virá
Apesar de nostálgico este é um dos meus poemas que mais gosto e por isso partilho com vocês amigas e amigos.
A saudade virá
A saudade virá quando a noite cair
a chuva tocar a canção mais ouvida
e os acordes do vento fazerem sentir
a falta de ti em meus braços, querida!
Beberei minhas mágoas nos braços do frio
sentirei nos abraços o amasso da dor
e a solidão zurzir chibatadas de cio
no meu corpo nu e carente de amor
Estendido na cama vazia de ti
mas vestida do cheiro que teima manter
olharei teu retrato que ainda sorri
e lágrimas eu sei que jamais vou conter
Sem o verde da esp’rança e o viço perdido
como folha caída secando no chão,
cairei por aí derrubado e vencido
pelas feridas abertas no meu coração.
Abgalvão (In alma vadia) -
Noites de Junho
O calor da noite é convite
para sair,
passear,
beber um copo e deixar
extravasar
emoções.
Noites de Junho,
para os poetas,
são como dogmas
para os profetas
ou para pedreiros
o fio-de-prumo.
São noites para sonhar,
conquistar e prometer,
alimentar ou desfazer
ilusões.
Noites de Junho
são noites para namorar
sem compromissos
nem lugares fixos.
Noites para amar
com alma nua
e acabar com a rotina
que nos anula.
Noites de Junho
são noites para perder
a vergonha e o tino
em qualquer rua.
Noites para viver,
para matar o stress
que nos domina
e em nosso peito
se acumula.
São noites para possuir a lua
no quarto crescente
e atraiçoá-la, depois,
no quarto minguante.
Para amar a lua nova
num clima envolvente
e, ao sabor do acaso,
gozar amásios prazeres
com a lua cheia.
Noites de Junho
são como quadras ditadas
pelo vento…
paixões que a vida semeia
ao relento
e se divulgam em baladas
muitas vezes cantadas…
e outras tantas choradas
ou mordidas em bocas
com sabor a revezes.
Abgalvão (In fantasias, amor e poesia) -
Aurora
A aurora se abriu como rosa,
Rubras pétalas o dia saudando,
Tua boca se oferece, amorosa,
A paixão p’la manhã despertando!
Apagamos as trevas, o medo,
Acendemos as nossas vontades,
Libertamos o amor, bem cedo,
Sem tabus nem contrariedades
Livremente ali nos amamos
Acordando o sonho bandido…
Soltamos o desejo escondido
E ao prazer duma dança deixamos,
Com um tango na rádio tocando,
Nossas coxas, lascivas, gingando!
Abgalvão (In fantasias, amor e poesia) -
Traição e remorso
Ventava!
O frio cortante esventrava a noite
menstruada de lua
e me agredia a pele com punhaladas
de orvalho gélido.
As árvores, acicatadas p’lo vento,
choramingavam, em coro,
pungentes lamúrias
como carpideiras fúnebres.
As ruas desertas,
estreitas e incertas,
deixavam correr os uivos do vento
repercutidos das cantarias gastas
das velhas mansardas
que, à luz do luar,
pareciam fantasmas
se erguendo do chão
com raízes de pedra
esculpidas à mão.
Enquanto regressava a casa
caminhando como ébrio
sobre as brasas da vergonha
e o peso do remorso
a moer-me o pensamento…
o medo degolou-me a voz,
aprisionou-me os gestos…
e o arrepio violou-me as entranhas
com falos sobrenaturais
ejaculando mentiras.
Amaldiçoei a lua, o frio, a vida
e a mim próprio, meu amor,
pela traição, vil e imatura,
desta noite de irracional aventura.
Apeteceu-me fugir,
desaparecer,
imolar-me…
eu sei lá quantas ideias
vagas e loucas
me metralharam o cérebro
e explodiram os diques
que me retinham as lágrimas.
Quantas perguntas eu fiz
a mim próprio, meu amor,
quanta resposta inventei
p’ra te dar… eu já nem sei!
Só a noite, só o frio e a lua,
meu amor, me escutavam…
e só o lamento das árvores
e os uivos do vento,
solidários, me entendiam.
Caminhei horas a fio
abraçado à noite fria
exorcizando o fantasma
que em meu peito se alojara
e madruguei à nossa porta
curvado e abatido
sob o peso da traição.
Sacudi o corpo
qual triste cão molhado
sem casota nem abafo…
como se as gotas de orvalho,
expelidas, afastassem de mim
a mágoa que me consumia,
me expurgassem a dor
e me acalmassem a alma.
Entrei como criança insegura
de olhos postos no chão
e mastigando desculpas
sem base, sem tino,
sem nexo!
Tu, meu amor,
dormias serena como anjo
em nuvem plana.
A lua iluminava-te o corpo nu
salientando a brancura dos teus seios
redondos firmes e belos,
e das tuas coxas bem formadas
que o tempo, gratamente, madurou.
Olhei-te como fosse a vez primeira,
acordando em mim os gratos momentos
de amor que passamos juntos.
Ai se o arrependimento matasse,
meu amor,
morreria ali… instantaneamente!
Toquei-te como quem toca
algo de frágil e precioso.
Percorri-te com beijos ternos e suaves,
saboreando, preguiçosamente,
o calor e a suavidade da tua pele.
Aconchegaste o teu corpo ao meu
com carinho e com volúpia,
envolvi-te num fogoso amplexo
e sussurrei-te ao ouvido,
docemente,
eu te amo meu amor.
Acordaste… e depois…
depois o dia levantou-se radioso
espalhando pétalas coloridas de prazer
porque eu, meu amor,
me arrependi,
sinceramente!
E tu, meu amor,
me perdoaste,
generosamente!
Abgalvão (In alma vadia) -
Desejo voraz
A noite chegara
batendo à janela
com sons invernais…
meu corpo ansiava
p’lo teu esperava
num coro de ais.
Chegaste e beijei-te
os olhos, a boca,
e após desnudei-te
à força d’olhar.
Te entregas ao jogo…
e ateias meu fogo
sorrindo qual louca
com toques de mãos.
Sem mais esperar
te agarro e te deito
no velho tapete
da sala de estar…
te arranco o corpete,
a saia e o resto,
e logo me apresto.
Engoles teus nãos
e abres-te em sins…
coloco-me a jeito…
colocas-te a jeito…
e ao som de gemidos
os corpos dançaram
subiram, desceram,
suaram, vibraram
quais loucos varridos
ou lobos no estio
uivando nas serras
em noites de cio.
Entregues ao acto,
(ao sexo de facto),
chegou o clímax
quase em sintonia…
e aí s’emolaram
no fogo do orgasmo
que o tesão exigia.
Abgalvão (In alma vadia) -
À mãe dos meus filhos
Hoje, dia da mãe, quero homenagear e mandar beijos a todas as mães mas, muito em especial a uma… a mãe dos meus filhos!
Não vou fazê-lo através de poesia porque teria de ser uma obra-prima e eu não tenho capacidade para tal.Vou fazê-lo através deste simples e sincero texto:
Eu não te amo mulher!
Não te amo pela beleza pela qual me encantei e que, apesar da perda do viço da mocidade, ainda manténs intacta na plenitude da meia-idade.
Não! Não te amo pelos olhos castanhos e calmos aos quais me prendi, nem pela tua farta e linda cabeleira, outrora negra como a noite e que agora, já branca, resplandece linda como a neve.
Também não te amo pelo corpo esbelto que me atraiu e atrai, ou pelos teus seios que me tentaram e tentam, nem pelos teus lábios que os meus desejaram e desejam.
Não! Não te amo só por isso… amo-te por muito mais!
Amo-te pela tua paciência e serenidade!
Amo-te pelo bom senso que tens demonstrado nas horas difíceis ao longo destes mais de trinta anos de vida em comum!
Amo-te pelo carinho e atenção que me tens dedicado!
Pela generosidade com que te entregas!
Pelo teu carácter e desprendimento!
Pela forma inteligente como contrabalanças o sim e o não!
Pelos teus silêncios protestando contra os meus devaneios!
Pelos teus moderados protestos contra os meus silêncios injustificados!
Pela amizade, companheirismo e compreensão!
Pela forma organizada e controlada como tens orientado o orçamento familiar que, infelizmente, nunca foi gordo!
Amo-te por todos estes longos anos de casamento, com altos e baixos como é normal, mas gratificantes no geral!
Amo-te, acima de tudo, pela boa mãe que és dos filhos que me deste e pela forma como os educaste e criaste!
Eu te amo, mulher, por tudo isto e por muito mais!
Abgalvão -
Maria e Zé
Como gémeos prematuros siameses
De mãos dadas o destino desbravando
Trote largo pela estrada dos reveses
Vão…fome e dor pela estrada cavalgando
Maria e Zé, dois dos muitos cidadãos
Portugueses, eleitores e sem emprego,
Com a esp’rança exangue nos calos das mãos
E os futuros há muito postos no “prego”
Maria e Zé são campo, arroz, trigo e pão,
Monda e ceifa sob sóis de longos dias…
Cimento, cal, forja, ferro e alcatrão…
Mestre, escola, fogo aceso em noites frias
Maria e Zé…ela e ele somos nós…
O pedreiro, o servente, o escritor…
São pais e filhos, são netos e avós
Que pugnam p’la paz, p’lo pão e p’lo amor
Porém sopram vendavais de depressão
O crime medra adubado p’la pobreza
A fé vacila entre a reza e a agressão
E morta cai… trespassada p’la incerteza!
Abgalvão /In alma vadia)