Littlesherry
Confiança feminino - 53 anos, Leiria, Portugal
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Centro do Pisao
Meus caros Amigos
Tive recentemente conhecimento desta situação e é com algum desespero e mágoa que vos venho falar dos problemas por que passam as pessoas que vivem no Pisão. Por isso me atiro às teclas do computador, agora na hora do almoço, pois o assunto carece duma reacção, numa primeira fase com resultados rápidos.
Em primeiro lugar saliento que não é preciso dinheiro, nem vos quero incomodar com perdas de tempo.
A solução é mais simples.
O Pisão é um grande centro de acolhimento, perto de Alcabideche, onde vivem 340 deficientes mentais e pessoas sem abrigo. São pessoas muito pobres que nada têm. Vivem apenas da caridade que o centro com grandes dificuldades lhes poder dar. As verbas escassas da Misericórdia e alguns donativos, mal chega para dar de comer, quanto mais para os vestir.
Nesta altura do ano os problemas agudizam-se: ESTAS PESSOAS PASSAM FRIO.
A D. Maria Teresa Ferreira que trabalha no Pisão e também no Hospital de Cascais, informou a Isilda desta precaridade e sugeriu como seriam tão úteis algumas roupas que já não usamos em nossas casas. Como é fácil de perceber, as pessoas usam roupas oferecidas que se gastam rapidamente.
Eles estão a precisar com urgência de roupas de primeira necessidade:
Camisolas interiores
Cuecas
Pijamas
Meias
Sapatos
Não vos peço para comprar seja o que for, basta uma breve revisão do que já não usam em casa, para homem ou mulher (adultos) de qualquer tamanho.
Se também houver roupa para vestir (calças, camisas, malhas, casacos), toalhas, lençóis e cobertores usados, são artigos muito bem vindos.
O Natal coincide com o Inverno e o frio, por isso se pudermos aquecer a vida destas pessoas, com pequenas coisas talvez já inúteis para nós, vamos contribuir para que tenham um Natal melhor. Uma simples mala de senhora que já não é usada, faz a felicidade de uma mulher no Pisão.
Ás vezes há realidades que são tão básicas e nós nem nos apercebemos que podem existir. As carências do Pisão reveladas pela D. Maria Teresa Ferreira, transmitem a realidade e tocaram-me o coração. A fim de que eu pudesse ter uma perspectiva mais global, falei também com a Dra Anabela Gomes, membro da direcção do Centro, que me confirmou a grande carência neste tipo de ofertas.
Peço a vossa colaboração neste pedido de auxílio. Para entregar as ofertas podem fazê-lo directamente no Centro do Pisão ao cuidado da Dra. Anabela Gomes, telef 214603890. Para que as ofertas sejam feitas com o mínimo de dignidade, peço-vos que a roupa esteja lavada e pelo menos dobrada.
Em complemento divulguem este apelo na vossa família, amigos e nas vossas empresas, e organizem a recolha. Esta necessidade é permanente, não acontece só no Natal.
Muito obrigado pela vossa disponibilidade e solidariedade, agradecer-vos-ão com certeza 340 pessoas necessitadas que aguardam um pouco do vosso conforto.
Na expectativa de que este pedido de socorro se realize, envio um GRANDE ABRAÇO que nos ligue a todos, com muito calor humano. -
A VOZ DA INDIGNAÇAO
ONDE ESTÃO OS INTELECTUAIS SÉRIOS (PORQUE AINDA OS HÁ) QUE NÃO SE MANIFESTAM SOBRE ESTA VERGONHA, EM QUE PORTUGAL ESTÁ MERGULHADO?
ONDE ESTÃO?!... ONDE ESTÃO?!..
.
Por via das dúvidas que fique bem claro que sou apartidária e a minha indignaçao em relaçao ao charco em que, enquanto País, nos estamos a tornar nao é de hoje.
O artigo que se segue é de Baptista Bastos:
Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver.
Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos.
Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do
imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do
viver português e do existir em Portugal.
Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na
futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo
das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d'alma: são, também,
dores físicas.
Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz - os que lêem. As
televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma
pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos
problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os
ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.
Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou
Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: 'Que
se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi
aparada ou cortada por uma claque, espalhada por todos os sectores da vida
nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o
Soares.'
Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois
milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9
milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto
nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que
há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da
pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes
não se sabe como.
Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização
de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o
primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está
a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz
exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto
particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo
sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é
inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar
verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza
do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas
de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos
jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a
iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se
que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que
recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se
que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis
consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu
timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.
Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel
Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas,
socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é
agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a
maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em
escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela
dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os
olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não
querem.
A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a
cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os
relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer
para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de
umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um
socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O
acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso,
seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de
José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa
que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses.
Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez
mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta. -
Cada vez mais actual: Maiakovski
Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba.nos a lua,
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não disemos nada,
já não podemos dizer nada.
Maiakovski - Poeta (1893-1930) -
Vida
Ninguém pode construir em teu lugar
As pontes que precisarás passar,
Para atravessar o rio da vida
– Ninguém,
Excepto tu, só tu.
Existem, por certo,
Atalhos sem número,
E pontes,
E semi-deuses
Que se oferecerão para te levar além do rio;
Mas isso custar-te-ia a tua própria pessoa;
Hipotecar-te-ias
E perder-te-ias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva?
Não perguntes, segue-o.
Nietzsche -
Analfabeto Politico - Bertoldt Brecht
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Não sabe que tudo na sua vida depende das decisões políticas. É tão desinformado que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Desconhece que da sua ignorância política -- da alienação e da omissão -- nascem a prostituição, a miséria, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político corrupto, vigarista e demagogo". Bertoldt Brecht.
-
Conhecimento Maduro
Passa-se com os livros uma coisa semelhante ao que sucede com um novo conhecimento que travamos com alguém. Num primeiro momento experimentamos um profundo prazer em encontrar coincidências gerais de opinião ou ao sentirmo-nos tocados num aspecto importante da nossa existência. Só depois, quando o conhecimento se aprofunda, começam a surgir as diferenças. Nessa altura, o comportamento inteligente caracteriza-se pela capacidade de não retroceder imediatamente, como muitas vezes acontece na juventude, e de pelo contrário reter o que há de coincidente enquanto se vão esclarecendo mutuamente todas as diferenças, sem se pretender chegar a acordo absoluto.
Goethe, in 'Máximas e Reflexões' -
ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso
Quero fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré - nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico – sócio – bio - ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não dá para perceber.
O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. -
FELIZ AÑO DE CORAZÓN…
Me gusta felicitar el año con pequeños relatos que nos dan que pensar, y para mi, este año, Jorge Bucay ha sido la inspiración… Ahí va el resumen de su cuento:
"Cuando yo era pequeño me encantaban los circos. Me llamaba especialmente la atención el elefante. Durante la función, la enorme bestia hacía gala de un peso, un tamaño y una fuerza descomunales…
Pero después de su actuación y hasta poco antes de volver al escenario, el elefante siempre permanecía atado a una pequeña estaca clavada en el suelo con una cadena que aprisionaba sus patas. Sin embargo, la estaca era sólo un minúsculo pedazo de madera apenas enterrado unos centímetros en el suelo. Y, aunque la cadena era gruesa y poderosa, me parecía obvio que un animal capaz de arrancar un árbol de cuajo con su fuerza, podría liberarse con facilidad de la estaca y huir.
El misterio sigue pareciéndome evidente. ¿Qué lo sujeta entonces? ¿Por qué no huye? Hace algunos años, descubrí que, por suerte para mí, alguien había sido lo suficientemente sabio como para encontrar la respuesta:
"El elefante del circo no escapa porque ha estado atado a una estaca parecida desde que era muy, muy pequeño."
Cerré los ojos e imaginé al indefenso elefante recién nacido sujeto a la estaca. Estoy seguro de que, en aquel momento, el elefantito empujó, tiró y sudó tratando de soltarse. Y, a pesar de sus esfuerzos, no lo consiguió, porque aquella estaca era demasiado dura para él. Imagine que se dormía agotado y que al día siguiente lo volvía a intentar, y al otro día, y al otro… Hasta que, un día, un día terrible para su historia, el animal aceptó su impotencia y se resignó a su destino.
Ese elefante enorme y poderoso que vemos en el circo no escapa porque, pobre, cree que no puede. Tiene grabado el recuerdo de la impotencia que sintió poco después de nacer. Y lo peor es que jamás se ha vuelto a cuestionar seriamente ese recuerdo. Jamás, jamás intentó volver a poner a prueba su fuerza…"
Vivimos pensando que no podemos hacer algo porque algo nos ata, pero, ¿existe realmente esa atadura? Grabamos en nuestra memoria el no puedo, como la estaca para el elefante.
Espero que os de que pensar, igual que a mi, y que empecemos el nuevo año arrancando las estacas que alguna vez han frenado un sueño, una ilusión, una locura… Os prometo que yo lo haré
A minha gratidao a quem me enviou -
Organiza o Natal
Carlos Drummond de Andrade
Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com as suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará ao serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.
Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52. -
Credo - Enviado por um amigo Cubano
Creo en Pablo Neruda, todopoderoso
creador del cielo y de la tierra
Creo en Charlie Chaplin
Hijo de las violetas y los ratones
que fué crucificado, muerto y sepultado
por el tiempo, pero que cada dia resucita
en el corazon de los hombres
Creo en el amor y el arte
como vias hacia el disfrute de la vida perdurable
Creo en los grillos
que pueblan la noche de mágicos cristales
Creo en el amolador
que vive de fabricar estrellas con su rueda maravillosa
Creo en la cualidad aerea del hombre
configurado en el recuerdo
de Isadora Duncan
abatiendose come una purisima paloma herida bajo el cielo del Mediterraneo
Creo en las monedas de chocolate
que atesoro bajo la almohada de mi niñez
Creo en la fábula de Orfeo
Creo en el sortilegio de la musica
yo que en las horas de mi angustia vi
al conjuro de la pavana de Fauré
salir liberada y radiante
a la dulce Euridice del infierno de mi alma
Creo en Rainer Maria Rilke
héroe de la lucha del hombre
por la belleza, que sacrificó su vida
al acto de cortar una rosa por una mujer
Creo en las rosas que brotaron del cadaver adolescente de Ofelia
Creo en el llanto silencioso de Aquiles
frente al mar
Creo en un barco esbelto y distantísimo
que salió hace un siglo al encuentro de la aurora
Su capitán Lord Byron
al cinto las espadas de los arcángeles
y junto a sus sienes
el resplandor de las estrellas
Creo en el perro de Ulises
y en el gato risueño
de Alicia en el País de las Maravillas
En el loro de Robinson Crusoe
En los ratoncitos que tiraron
el carro de la Cenicienta
En Beralfiro, el caballo de Rolando
y en las abejas que labran
su colmena dentro del corazón de Martín Tinajero
Creo en la amistad
como en el invento mas bello del hombre
Creo en los poderes creadores del pueblo
Y creo en mí
puesto que sé que hay alguien
que me ama