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KrystalDawns

feminino - 109 anos, Lisbon, Portugal


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Blog 3

Uma homenagem ao grande poeta Ulisses Duarte, agora partido para as escritas celestiais.

DEIXA-ME SONHAR

Senta-me de novo
nesse teu regaço,
põe teu xaile quente
por cima de mim.
Tenho tanto frio!,
morro de cansaço...
Oh que bom seria
ver-me sempre assim!

Põe nos meus cabelos
tuas mãos de fada,
quero adormecer,
esquecer quem sou.
Quero ser quem fui:
- A criança alada
no espaço aberto
que pra si criou.

Quero adormecer
e ver-me menino…
Ó MÃE!, é tão bom
o voltar atrás!
Não pensar sequer
que há um destino
que mora no tempo
e tudo desfaz.

Deixa-me sonhar
e depois... depois
que termine a vida
que a alma diz
que é neste amplexo
que mora em nós dois
que a desgraça morre
ao ver-se feliz.

Olha que bonito
está o meu moinho!
Tem velas de seda!,
são brancas de neve!
Até quando a brisa
passa no caminho
para as não rasgar
passa mais de leve.

E as velas giram
giram noite e dia...
e o moinho mói
sonhos de luar.
- Farinha de estrelas,
pão de poesia
do menino louco
que sonha a cantar.

Olha o papagaio
como vai catita
bailando entre as nuvens
de cor de arrebol!
Que belo seria
se eu lhe desse guita
até que pudesse
encontrar o SOL!

Ó MÃE!, que beleza!
Quando adormeci
voltei-me no tempo,
sonhei-me criança!
Agora, acordei:
- Porque não morri?
Seria a mortalha
tecida de esperança!

Ulisses Duarte
(em DA MINHA PAISAGEM)


  • Homenagem póstuma

    Com imensa saudade... homenagem póstuma à minha grande amiga, a poetisa Tânia Carvalho ( nick «Beijo meu» ) ...


    Lágrimas

    Lágrimas,
    Em ondas quentes
    Sentimentos relembrados
    Dor de uma saudade,
    De um desejo.....
    Lágrimas,
    Gosto salgado e amargo
    Amargor da partida
    Dor da despedida
    De um lamento.....
    Lágrimas,
    Aperto que cala
    Sufoco de um grito
    Dor da angústia
    De um perdão.
    Lágrimas,
    Um beijo não dado
    Um abraço pensado
    Um amor perdido


    Um poema inacabado Tânia Carvalho 17/07/2002

  • Homenagem ao meu bom amigo Zé e que descanse em paz!

    Toca Schubert, interminável, sonata após sonata, da lareira restam brasas.
    É tarde - muito tarde. Lá fora está frio, céu limpo de Inverno, Orion bem a Sul. Em casa cheira a lenha e a fumo.

    Tarde, televisão desligada.

    Gostava de te escrever um poema vagaroso
    com palavras longas
    ....................................... e lentas
    ..................................................- ....e líquidas
    a escoar-se devagar como as cores no pôr-do-sol
    um poema longo e lento como o tempo.

    Devagar, como quem não quer

    .......................Gostava que fosses o meu mar
    .......................o meu campo
    ...................... .........................o meu vaso
    ..................................................- ....................a minha flor.

    ......................Gostava que fosses o bosque onde me perca
    ......................o gerânio
    ........................................a buganvília, a roseira e o hibisco

    .....................Queria-te
    .....................em flor
    .................................branca rosa e amarela
    ....................Queria-te esteva, murta e zimbro
    ....................queria-te àrvore a balouçar
    ....................queria-te pedra
    .. .................queria-te serra

    .. ..................queria-te areia

    ...............................................e mar."

    José Telo Zúquete

  • Existência

    EXISTÊNCIA

    Eu sinto
    que nesta vida
    vivida
    na imensidão do irreal,
    já não há gente capaz de amar
    e de sentir.
    Porque essa multidão
    acabrunhada,
    esmagada,
    moribunda
    só sabe que existe...
    porque os membros ainda mexem.
    Suas cabeças entontecidas,
    adormecidas
    são como arcas vazias,
    geladas pelo tempo,
    onde dentro
    apenas ocos pensamentos
    fazem da sua existência
    a razão de sentirem
    que apenas existem!

    Manuela Ferreira