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Jeniferdeoliveira

feminino - 24 anos, Townsville, Brasil


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  • morangos...

    Tenho saudades dos morangos.
    No tempo em que havia morangos a vovó assobiava na cozinha e o vovô dormia no quarto que dava pra sala. Já tem um tempo que a vovó não assobia e o vovô anda dormindo em outro lugar...
    No tempo em que havia morangos os tios ainda eram crianças e me carregavam na garupa da bicicleta, me levavam pra descer o morro na traseira do carrinho de rolimã...hoje, todos eles são pais responsáveis que não tem tempo de brincar com os filhos...
    No tempo em que havia morangos eu tinha cinco anos e minha única preocupação era se eu ia ganhar o novo disco da Xuxa no meu próximo aniversário. Agora a idade perturba e sempre tem outra questão atrapalhando a melodia da musica, sem contar que a Xuxa eu quase nem lembro mais quem é.
    No tempo em que havia morangos sempre amanhecia outro dia, com um morango vermelho bem de manhã. Todos os dias eram iguais e perfeitos, por que havia morangos! Quando morangos vão embora eles levam tudo: vovó, vovô, tios que brincam, infância, e até os amigos invisíveis! Tenho muitas saudades dos morangos. No tempo em que eles existiam, tudo estava no seu devido lugar...

  • Socorro do alto

    As horas passam
    quebram os sonhos
    me cegam
    tiram-me o chão dos pés...

    O horizonte é cada vez mais longe
    me faltam forças
    mas do pó eu ergo os olhos
    e clamo a Deus

    O meu socorro vem do alto!

    Eu clamo ao Senhor e Ele me ouve
    se eu clamar de coração
    Me apregoa um novo dia
    me reveste de alegria
    me estende a mão e me faz vencedor!

    O horizonte torna-me a vista
    Me levando, me ponho de pé
    Seguro em tuas mãos
    então prossigo a caminhada
    pois ouviste o meu chamado
    és fiel, oh Deus!

    O meu socorro lá do alto!

    Eu clamei ao Senhor e Ele me ouviu
    quando eu clamei de coração
    Apregoou-me um novo dia
    me deu vestes de alegria
    me estendeu a mão e me ungiu...

    Eu clamei ao Senhor e Ele me ouviu
    quando eu clamei de coração
    Apregoou-me um novo dia
    me deu vestes de alegria
    me estendeu a mão e me ungiu vencedor!

    O meu socorro vem do alto...
    O meu socorro vem do alto...
    O meu socorro vem do alto...
    O meu socorro vem do alto!

  • MANIFESTO ANTROPOFÁGICO

    ´MANIFESTO ANTROPOFÁGICO

    "Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

    Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

    Tupi, or not tupi that is the question.

    Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

    Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

    Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

    O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

    Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

    Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

    Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

    Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

    Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

    A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

    Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

    Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

    Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

    Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

    O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

    Só podemos atender ao mundo orecular.

    Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

    Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

    Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

    O instinto Caraíba.

    Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

    Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

    Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

    Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

    Catiti Catiti

    Imara Notiá

    Notiá Imara

    Ipeju*

    A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

    Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

    Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

    Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

    A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

    Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

    Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

    Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

    Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

    Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

    As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

    De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

    O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

    É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

    O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

    Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

    Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

    A alegria é a prova dos nove.

    No matriarcado de Pindorama.

    Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

    Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

    Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

    A alegria é a prova dos nove.

    A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

    Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

    A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

    Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

    OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)"

    NADA MAIS A DECLARAR!

  • Comunicação? Istrumbicação!

    Fazer faculdade as vezes é frustrante. Quanto mais o tempo passa e você estuda, mas você vê que não sabe nada. Inda mais quando se estuda uma coisa que ainda nem definiu se é ciencia, se é campo, ou que raios é, como a comunicação. A comunicação ainda nao definiu nem seu objeto de estudo! Uns dizem que a coisa está nos midia, outros que está nas relaçoes...niguem se decide.

    Essa semana, depois de 4 periodos, eu descubro que comunicação pressupõe uma intensão. Não é simplesmente interpretar signos. Se você canta no chuveiro de forma desproposital, você não está se comunicando, por mais que o seu vizinho escute. Por mais que isso pra ele signifique alguma coisa, como, por exemplo, que você canta mal e que ele tem impetos de vontade de ir calar sua boca. Interpretar nao é comunicar, segundo Vera França. E eu acho melhor acreditar nela: escreve o nome dela no google pra ver o tanto de coisa que aparece sobre a doutora minha professora.

    O mais triste de tudo isso foi descobrir que os animais entao nao se comunicam, porque o que fazem é apenas um exercicio de decodificar signos. Acho que os teóricos da comunicação deveriam conhecer minha cachorra, a Bizuca Flora, uma labradora de 5 anos atrevida e fujona, antes de dizer que eles não se comunicam de forma intencional. A Bizu foge e tenta tocar o interfone quando quer entrar em casa. Lógico que ela nao consegue, porque a patinha não cabe no buraquinho da grade que cerca o interfone. Mas pensa que ela fica por ai? Não mesmo! Ela convence os transeuntes a tocar o aparelho pra ela! Muitas vezes eu ja fui atender o portão e não era ninguém alem da minha rebelde adentrando com a cabeça baixa e aquela cara de quem sabe que fez coisa errada.

    Vão dizer que minha cachorrinha nao comunica? Ela pode lá nao saber os códigos complexos do nosso idioma, mas e dai? eu também nao sei japones e se tivesse que pedir pra um ser de olhinhos puxados pra apertar um botao pra mim eu certamente ia faze-lo apontando igual faz minha Bizu (só que eu ia usar o dedo, a Bizu usa a cabeça porque suas condiçoes anatomicas nao a permitem apontar). Isso não é só interpretação. Alias essa diferença pra mim é bastante tenue e as duas coisas muito indissociaveis pra essa discursão sem sentido se estabelecer. E, quer saber, os latidos da Bizu comunicam muita coisa pra mim! O resto é só teorias. E teorias têm um tempo muito curto de duração.

  • Saudadona...

    Hoje eu acordei com aquela saudadona enorme que eu aprendi a sentir em Julho do ano passado quando Deus levou minha avó e que passou a doer mais ainda em Setembro quando Deus buscou também o meu avô. São em dias como estes que eu compreendo porque é tão legal ter vida eterna e algum lugar pra ir depois da morte.

    Eu aprendi, desde muito novinha, a acreditar em Deus, em Céu, essas coisas espirituais com a minha avó. Mas eu acho que só compreendi mesmo o valor disso quando ela se foi pra lá. É muito bom saber que existe um céu legal para ir depois que a gente morre, mas é mais legal ainda porque eu sei que eles vão estar lá e eu vou poder passar a eternidade com eles. É a saudadona que me faz querer ir.

    É no mínimo confortante pensar que você pode passar a eternidade com as pessoas que você ama. Acho que a graça era essa quando Deus inventou a vida eterna. Porque amor é uma coisa forte demais pra durar só uma vida. Ele continua mesmo quando a pessoa que você ama não está mais presente e daí você nao sabe mais o que fazer com ele. É dificil carrega-lo quando nao se pode gastar. Por isso eu acho que Deus inventou a vida eterna: para você continuar amando.

    Então, enquanto minha hora de amar-além nao chega, eu fico aqui "tocando o barco" como dizia o vovô. Ainda tem gente demais aqui pra eu amar também. A saudadona vai continuar...mas tudo bem. Eu terei a eternidade toda para dar conta dela.

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