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feminino - 102 anos, Faro, Portugal


Blog / Poema sem título de Elizadeth Rosa-Mestre

Segunda, 5 Novembro 2007 às 06:26

Góticas torres e eclesiásticas
Vozes erguem-se para o paternal céu;
O ar, cheio de vontades monásticas,
A todos sufoca, como um véu
Apertado nas gargantas suásticas
De ovelhas comendo o lobo-deus seu.

Em orgiástica antropofagia
E celeste e divino vampirismo
Observa o rebanho o nascer do dia
No templo do teo-canibalismo
A meio da noite luciferina e fria,
Em frenético puritanismo...

Os seus olhos retalham o crucificado
(Uma criança vestida de Messias...),
As ovelhas fornicam o santificado
Filho de deus e de humana Maria
Que no seu ventre incubou o desejado
Rebento de uma crença judia.

Oh, licantrópico deus cristão,
Como te cercaste pelo teu rebanho?
É o teu filho, do teu filho irmão,
Quem te consome em pecado tamanho
Em missas de violenta comunhão
Onde se reza o verbo de um estranho.

Morto e despido, na sua cruz de madeira,
Jaz aquele que morreu pela humanidade,
Morreu pela humanidade inteira,
Pela crente e gentia Cristandade...

Jaz morto...
Mas fita com os seus olhos sem idade
A pornográfica submissão da Humanidade
Inteira...


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