Draculeabar
feminino - 102 anos, Faro, Portugal
Blog 2
-
Poema sem título de Elizadeth Rosa-Mestre
Góticas torres e eclesiásticas
Vozes erguem-se para o paternal céu;
O ar, cheio de vontades monásticas,
A todos sufoca, como um véu
Apertado nas gargantas suásticas
De ovelhas comendo o lobo-deus seu.
Em orgiástica antropofagia
E celeste e divino vampirismo
Observa o rebanho o nascer do dia
No templo do teo-canibalismo
A meio da noite luciferina e fria,
Em frenético puritanismo...
Os seus olhos retalham o crucificado
(Uma criança vestida de Messias...),
As ovelhas fornicam o santificado
Filho de deus e de humana Maria
Que no seu ventre incubou o desejado
Rebento de uma crença judia.
Oh, licantrópico deus cristão,
Como te cercaste pelo teu rebanho?
É o teu filho, do teu filho irmão,
Quem te consome em pecado tamanho
Em missas de violenta comunhão
Onde se reza o verbo de um estranho.
Morto e despido, na sua cruz de madeira,
Jaz aquele que morreu pela humanidade,
Morreu pela humanidade inteira,
Pela crente e gentia Cristandade...
Jaz morto...
Mas fita com os seus olhos sem idade
A pornográfica submissão da Humanidade
Inteira... -
Elizadeth
De sons e sangue fosse o mundo feito
E eu nunca sairia do meu caixão,
Sangrassem as cordas do violino,
Tal como as cordas do violino gemem e choram,
E eu, para sempre, abraçaria a minha solidão...
Fossem as notas de música gotas de sangue
E os meus dentes cravar-se-iam no peito do Eterno...
Mas as notas de música são só notas de música
E eu, imortal, não posso abraçar o Efémero...
Tags do blog
Não foram utilizadas tags