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Doni56

masculino - 53 anos, CAMPINAS, Brasil


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  • O grande beijo

    Tudo começou com um beijo. Um beijo jamais visto ou ouvido antes. Apertado em uma massa disforme, a reação foi imediata: uma grande explosão. Dessa forma surgiu o universo. Pelo menos o que chamamos de universo. Um encontro casual entre duas forças misteriosas, muito provavelmente de polaridades antagônicas e...eis tudo o que há! Do confronto entre o positivo e o negativo, a vida aflorou. Planetas, estrelas, asteróides e o surgimento de seres vivos como conseqüência desse “amor” explosivo. Visto, assim, pelos olhos do poeta, o confronto entre polaridades distintas pode ser comparado à reação de um beijo recheado de amor.
    Quando duas almas apaixonadas tocam-se, um novo universo surge dentro de cada um dos envolvidos. Uma reação em cadeia faz com que o sangue circule mais rápido, a pele tonifique-se, os músculos pareçam querer libertar-se da escravidão imposta pelo cérebro, os olhos brilhem, o suor escorra, as mãos tornem-se tremulas e o tempo para. Quando se está perto de quem se ama, o mundo fica mais colorido, uma simples queda d’água se torna esplendorosa cachoeira, um pequeno lago transmite a paz em suas águas azuis refletindo a cor do céu, o cantar dos pássaros se faz mais melódico e a violência não mais assusta. Novamente, a mesma força misteriosa toma conta de nosso pequeno universo e a explosão de mais um beijo, pode trazer de volta a vida.
    Pois é sempre assim. Somente o amor pode trazer a vida. Nada mais. O beijo sem amor provoca sensações em busca da vida. No entanto, desliza próximo à ela sem estabelecer harmonia entre o surgir e o existir. Foge ao nosso conhecimento o número de vezes em que a vida foi tentada antes do grande beijo. Talvez, nenhuma. Talvez, milhares. Talvez ainda não esteja pronta. A explosão de amor que trouxe a vida, ainda repercute em cada ser existente. A rivalidade entre o poder positivo e o negativo vibra em cada ser vivo que tem, como missão, buscar o equilíbrio entre essas forças.
    Nos momentos difíceis o poder destrutivo toma conta e destrói o ser, espalhando por todo seu universo o negativismo. Se não buscar o equilíbrio, tendo como sustentação a base do amor, o ser vivo autodestrói-se, pois a vida ainda não está completa. A busca constante pelo amor, o colocará cada vez mais próximo da vida completa, quando, finalmente, com um beijo lhe será retirado o que resta de fútil e podre e poderás ficar face a face com Deus.

    Donizete Romon é jornalista e produtor cultural
    E-Mail: peteca@petecaeventos.com.br