http://netlog.com/Borboleta_poetaElen de Moraesde MoraesElenBorboleta_poetahttp://pt.netlogstatic.com/p/tt/010/222/10222323.jpgBrasilRio de Janeiro Página de perfil do(a) Borboleta_poeta

Borboleta_poeta

feminino - 109 anos, Rio De Janeiro, Brasil


RSS feed

Blog 12

BORBOLETA POETA... ser ou não ser :)
Queridos amigos,
estarei ausente da net ate dia 15 de setembro.
Espero que sintam minha falta...rs...
Tenham excelentes dias e até a volta!
Beijos
Elen


  • AMIGA INSEPARÁVEL (Elen de Moraes)


    Ela chegou de mansinho
    E carinhosa me olhou...
    Atravessou meu caminho!
    Que ia ficar me avisou.
    Abri-lhe a porta e falei
    Que sozinha se ajeitasse,
    Ficasse o quanto quisesse,
    No entanto, se preparasse
    Pra partir como chegou...
    Sem avisar fosse embora!
    Ela olhou-me transigente.
    Dei-lhe as costas e saí
    Da incômoda presença.
    Foi assim, dia após dia!
    Fez-me surda companhia...
    Porém não houve paixão.
    Houve até certa distância...
    Mas, ela tomou de assalto
    O teu lugar no meu peito,
    Embotou meu pensamento,
    Fez pousada no meu leito...
    Nos meus braços se aninhou,
    Anulou minhas defesas,
    Solidária nas tristezas
    Que a tua ausência deixou...
    Agora ela vive comigo!
    Juntas, choramos a perda
    Do teu amor que era o abrigo,
    E o porto do meu coração...
    Pois é, minha amiga SAUDADE
    Vestiu-se de liberdade
    E invadiu teu lugar.
    E parece, infelizmente,
    Pra desespero da gente,
    Que chegou para ficar...

  • LIBERDADE VIGIADA (Elen de Moraes)

    LIBERDADE VIGIADA

    Elen de Moraes

    A alma,
    Liberta do assédio do tempo,
    Descansa
    No colo da inocência.
    O corpo,
    Refém das paixões e dos desejos,
    Entrega-se
    Às garras cruéis da solitude.
    Os pés,
    Vestidos com as sapatilhas dos sonhos,
    Tropeçam
    Nos caminhos anoitecidos pelo tédio.
    O pensamento,
    Prisioneiro libertário das palavras,
    Reinventa
    Os mesmos versos da sua poesia.
    O coração
    Perdido nas encruzilhadas do amor,
    Desfibra-se
    Nos tortuosos meandros da rejeição.
    As asas,
    Embaraçadas nas grades da indiferença,
    Preparam-se
    Para rasgar as teias do conformismo
    E alçar seu voo solo.

    VISITE MEU BLOG NO MULTIPLY

  • AUSÊNCIA

    Ausência

    Vinicius de Moraes

    Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
    Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
    No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
    E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
    Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
    Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
    Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
    Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
    Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
    Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
    Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
    Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
    Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
    E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
    Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
    Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
    E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
    Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

  • LIVRO DAS HORAS

    Aqui, diante de mim,
    eu, pecador, me confesso
    de ser assim como sou.
    Me confesso o bom e o mau
    que vão ao leme da nau
    nesta deriva em que vou.
    Me confesso
    possesso
    de virtudes teologais,
    que são três,
    e dos pecados mortais,
    que são sete,
    quando a terra não repete
    que são mais.
    Me confesso
    o dono das minhas horas.
    O das facadas cegas e raivosas,
    e o das ternuras lúcidas e mansas.
    E de ser de qualquer modo
    andanças
    do mesmo todo.
    Me confesso de ser charco
    e luar de charco, à mistura.
    De ser a corda do arco
    que atira setas acima
    e abaixo da minha altura.
    Me confesso de ser tudo
    que possa nascer em mim.
    De ter raízes no chão
    desta minha condição.
    Me confesso de Abel e de Caim.
    Me confesso de ser Homem.
    De ser o anjo caído
    do tal céu que Deus governa;
    De ser o monstro saído
    do buraco mais fundo da caverna.
    Me confesso de ser eu.
    Eu, tal e qual como vim
    para dizer que sou eu
    aqui, diante de mim!

    De Miguel Torga

  • AOS POETAS (Miguel Torga)

    Somos nós
    As humanas cigarras!
    Nós,
    Desde os tempos de Esopo conhecidos.
    Nós,
    Preguiçosos insectos perseguidos.
    Somos nós os ridículos comparsas
    Da fábula burguesa da formiga.
    Nós, a tribo faminta de ciganos
    Que se abriga
    Ao luar.
    Nós, que nunca passamos
    A passar!...

    Somos nós, e só nós podemos ter
    Asas sonoras,
    Asas que em certas horas
    Palpitam,
    Asas que morrem, mas que ressuscitam
    Da sepultura!
    E que da planura
    Da seara
    Erguem a um campo de maior altura
    A mão que só altura semeara.

    Por isso a vós, Poetas, eu levanto
    A taça fraternal deste meu canto,
    E bebo em vossa honra o doce vinho
    Da amizade e da paz!
    Vinho que não é meu,
    mas sim do mosto que a beleza traz!

    E vos digo e conjuro que canteis!
    Que sejais menestreis
    De uma gesta de amor universal!
    Duma epopeia que não tenha reis,
    Mas homens de tamanho natural!
    Homens de toda a terra sem fronteiras!
    De todos os feitios e maneiras,
    Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
    Crias de Adão e Eva verdadeiras!
    Homens da torre de Babel!

    Homens do dia a dia
    Que levantem paredes de ilusão!
    Homens de pés no chão,
    Que se calcem de sonho e de poesia
    Pela graça infantil da vossa mão!
    :)

  • FOICE DO TEMPO

    de Elen de Moraes

    Acordo o tempo
    Do seu letárgico sono
    Para sorver todo o néctar
    Da tenra flor do abandono
    Da efêmera juventude
    Que vaga desajustada
    Nas madrugadas da vida
    Cuja memória é estrada
    Que balbucia e chora
    Doída perda de sonhos
    Por suas esquinas afora

    Acordo o tempo
    Apago as luzes das dores
    Para mostrar que a vida
    Escorre entre os horrores
    E os meios-fios das rugas
    Ao longo das avenidas
    Lavadas e empoçadas
    Pelo sangue ali vertido
    Dos olhos da violência
    Que por cruel abandono
    Perdeu a sua inocência.

    Acordo o tempo
    Antes de a noite escoar
    Para que tenha mais tempo
    De outros sonhos sonhar
    Caminho no beiral do dia
    Onde a vida se refaz
    Em gomos de fantasia
    Em meio às névoas do cais
    Degusto minha agonia
    Pois contra a foice do tempo
    É vã qualquer alquimia
    Inútil qualquer passatempo

    (Rio de Janeiro, BR)

  • HOMENAGENS AOS MORTOS DO 11 DE SETEMBRO NOS EUA

    A Passagem

    Elen de Moraes

    Partes em paz pra última viagem!
    Passas o vale e te juntas ao Pai.
    Serenamente acontece a passagem.
    Bendito seja o nome de Adonai!

    Tu’alma serena, de etérea linhagem,
    Deixa a frágil matéria e se abstrai,
    Ora que o silêncio vira paragem
    Do tempo e da vida que se esvai.

    Infinito desce sobre o teu rosto
    Manto de nuvens é sobreposto
    Sobre o teu corpo. Final da agonia.

    Calam os acordes. Dá-se a partida.
    Falece a vida. Há choro. Despedida.
    E dobram-se os sinos. Morre a alegria.

    (Rio de Janeiro, BR)

  • MOTIVO

    MOTIVO

    Eu canto porque o instante existe
    e a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste:
    sou poeta.

    Irmão das coisas fugidias,
    não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias
    no vento.

    Se desmorono ou se edifico,
    se permaneço ou me desfaço,
    - não sei, não sei. Não sei se fico
    ou passo.

    Sei que canto. E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno a asa ritmada.
    E um dia sei que estarei mudo:
    - mais nada.

    Cecília Meireles

  • UM OLHAR SOBRE O OLHAR

    Um olhar sobre o olhar

    Elen de Moraes

    No olhar, a dúvida sobre as certezas,
    Os impossíveis sonhos.
    Na expressão, o apêlo inconsciente,
    O abismo do vazio.
    Na solidão do gesto, a conformidade,
    A crua existência.
    Na metade aparente, a vontade da coragem,
    A fustigada esperança.
    No lado escondido, a pureza da alma,
    A timidez do Ser,
    A razão do espírito,
    O encontro com Deus...

  • CONFESSO

    CONFESSO!

    Elen de Moraes

    Que te amo, te desejo, eu confesso!
    Louca esta paixão! Eis aqui meu drama.
    Entanto, é um sentimento tão adverso...
    Pois que no sofrimento me derrama.

    Confesso meu ciúme que é o excesso
    Da lenta agonia de quem muito ama.
    Prender-te a mim, num elo incontroverso,
    Quisera, como se fosse anagrama.

    Mas esse papel há de se inverter
    E dia chegará, só não sei quando,
    Que livrarei minh'alma do desmando

    Obsessivo de por ti viver...
    E noutra vida esperarei por ti
    Pra ser feliz como não sou aqui.

1 2