Borboleta_poeta
feminino - 109 anos, Rio De Janeiro, Brasil
- Amigos |
- Livro de visitas
- | Imagens
- | Blog
- | Grupos
- | Vídeos
- | Música
- | Shouts
- | Aplicações
Blog 12
BORBOLETA POETA... ser ou não ser
Queridos amigos,
estarei ausente da net ate dia 15 de setembro.
Espero que sintam minha falta...rs...
Tenham excelentes dias e até a volta!
Beijos
Elen
-
AMIGA INSEPARÁVEL (Elen de Moraes)
Ela chegou de mansinho
E carinhosa me olhou...
Atravessou meu caminho!
Que ia ficar me avisou.
Abri-lhe a porta e falei
Que sozinha se ajeitasse,
Ficasse o quanto quisesse,
No entanto, se preparasse
Pra partir como chegou...
Sem avisar fosse embora!
Ela olhou-me transigente.
Dei-lhe as costas e saí
Da incômoda presença.
Foi assim, dia após dia!
Fez-me surda companhia...
Porém não houve paixão.
Houve até certa distância...
Mas, ela tomou de assalto
O teu lugar no meu peito,
Embotou meu pensamento,
Fez pousada no meu leito...
Nos meus braços se aninhou,
Anulou minhas defesas,
Solidária nas tristezas
Que a tua ausência deixou...
Agora ela vive comigo!
Juntas, choramos a perda
Do teu amor que era o abrigo,
E o porto do meu coração...
Pois é, minha amiga SAUDADE
Vestiu-se de liberdade
E invadiu teu lugar.
E parece, infelizmente,
Pra desespero da gente,
Que chegou para ficar... -
LIBERDADE VIGIADA (Elen de Moraes)
LIBERDADE VIGIADA
Elen de Moraes
A alma,
Liberta do assédio do tempo,
Descansa
No colo da inocência.
O corpo,
Refém das paixões e dos desejos,
Entrega-se
Às garras cruéis da solitude.
Os pés,
Vestidos com as sapatilhas dos sonhos,
Tropeçam
Nos caminhos anoitecidos pelo tédio.
O pensamento,
Prisioneiro libertário das palavras,
Reinventa
Os mesmos versos da sua poesia.
O coração
Perdido nas encruzilhadas do amor,
Desfibra-se
Nos tortuosos meandros da rejeição.
As asas,
Embaraçadas nas grades da indiferença,
Preparam-se
Para rasgar as teias do conformismo
E alçar seu voo solo.
VISITE MEU BLOG NO MULTIPLY -
AUSÊNCIA
Ausência
Vinicius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. -
LIVRO DAS HORAS
Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
de virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
De Miguel Torga -
AOS POETAS (Miguel Torga)
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!
-
FOICE DO TEMPO
de Elen de Moraes
Acordo o tempo
Do seu letárgico sono
Para sorver todo o néctar
Da tenra flor do abandono
Da efêmera juventude
Que vaga desajustada
Nas madrugadas da vida
Cuja memória é estrada
Que balbucia e chora
Doída perda de sonhos
Por suas esquinas afora
Acordo o tempo
Apago as luzes das dores
Para mostrar que a vida
Escorre entre os horrores
E os meios-fios das rugas
Ao longo das avenidas
Lavadas e empoçadas
Pelo sangue ali vertido
Dos olhos da violência
Que por cruel abandono
Perdeu a sua inocência.
Acordo o tempo
Antes de a noite escoar
Para que tenha mais tempo
De outros sonhos sonhar
Caminho no beiral do dia
Onde a vida se refaz
Em gomos de fantasia
Em meio às névoas do cais
Degusto minha agonia
Pois contra a foice do tempo
É vã qualquer alquimia
Inútil qualquer passatempo
(Rio de Janeiro, BR) -
HOMENAGENS AOS MORTOS DO 11 DE SETEMBRO NOS EUA
A Passagem
Elen de Moraes
Partes em paz pra última viagem!
Passas o vale e te juntas ao Pai.
Serenamente acontece a passagem.
Bendito seja o nome de Adonai!
Tu’alma serena, de etérea linhagem,
Deixa a frágil matéria e se abstrai,
Ora que o silêncio vira paragem
Do tempo e da vida que se esvai.
Infinito desce sobre o teu rosto
Manto de nuvens é sobreposto
Sobre o teu corpo. Final da agonia.
Calam os acordes. Dá-se a partida.
Falece a vida. Há choro. Despedida.
E dobram-se os sinos. Morre a alegria.
(Rio de Janeiro, BR) -
MOTIVO
MOTIVO
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles -
UM OLHAR SOBRE O OLHAR
Um olhar sobre o olhar
Elen de Moraes
No olhar, a dúvida sobre as certezas,
Os impossíveis sonhos.
Na expressão, o apêlo inconsciente,
O abismo do vazio.
Na solidão do gesto, a conformidade,
A crua existência.
Na metade aparente, a vontade da coragem,
A fustigada esperança.
No lado escondido, a pureza da alma,
A timidez do Ser,
A razão do espírito,
O encontro com Deus... -
CONFESSO
CONFESSO!
Elen de Moraes
Que te amo, te desejo, eu confesso!
Louca esta paixão! Eis aqui meu drama.
Entanto, é um sentimento tão adverso...
Pois que no sofrimento me derrama.
Confesso meu ciúme que é o excesso
Da lenta agonia de quem muito ama.
Prender-te a mim, num elo incontroverso,
Quisera, como se fosse anagrama.
Mas esse papel há de se inverter
E dia chegará, só não sei quando,
Que livrarei minh'alma do desmando
Obsessivo de por ti viver...
E noutra vida esperarei por ti
Pra ser feliz como não sou aqui.